Não foi apenas um passe para touchdown

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman
Andy Dalton, o novo herói em Buffalo
Andy Dalton, o novo herói em Buffalo Getty

Faltavam 53 segundos e era uma quarta descida para 12 na linha de 49 jardas. Andy Dalton recebeu o snap e teve tempo para encontrar Tyler Boyd, que recebeu o passe e correu para o touchdown da virada do Cincinnati Bengals contra o Baltimore Ravens. Horas antes, poucos acreditavam nas combinações que levariam o Buffalo Bills aos playoffs pela primeira vez depois de 17 anos.

Além da vitória sobre o Miami Dolphins, os Bills precisavam de um improvável sucesso dos Bengals contra os Ravens ou derrotas de Tennessee Titans e Los Angeles Chargers. Os mais céticos achavam que uma delas poderia acontecer, mas Buffalo não faria o próprio serviço. No final das contas, o maior jejum longe da pós-temporada das grandes ligas norte-americanas teve um final épico.

Buffalo é uma cidade no extremo oeste do estado de Nova York, de 260 mil habitantes, localizada na região das Cataratas do Niágara. É famosa pela culinária, afinal, foi lá que surgiram as mundialmente famosas Buffalo Wings, mas a verdadeira paixão local é o time de futebol americano.

Os Bills têm uma torcida fanática, que rotineiramente apresenta provas disso - como acompanhar os jogos sob nevascas. Os torcedores tiveram nos anos 1990 um time fantástico, liderado pelo QB Jim Kelly e com astros como Thurman Thomas, Andre Reed e Bruce Smith. Foram quatro Super Bowls consecutivos entre 90 e 93, com... Quatro derrotas. 

Até mesmo a derradeira participação em playoffs teve o drama necessário que parece ser obrigatório na vida dos Bills. Em 8 de janeiro de 2000, a derrota por 22 a 16 para os Titans ficou conhecida como Music City Miracle. A partida começou com polêmica, graças à troca do QB titular, Doug Flutie, por Rob Johnson. Mesmo assim, Buffalo passou a liderar o placar com um field goal faltando 16 segundos para o fim da partida. A vitória por 16 a 15 parecia certa, até que... Bem, assistam o vídeo abaixo.

Depois foram anos e anos de muitas decepções, diversos quarterbacks selecionados ou contratados, incontáveis temporadas com mais derrotas do que vitórias, vexames e mais vexames. Até mesmo a mudança de Buffalo foi cogitada com uma possível compra da franquia pelo Jon Bon Jovi! É sério isso.

Mesmo com tudo contra, com a sociedade fazendo força para você se tornar um marginal da NFL, jamais o torcedor dos Bills desistiu. Estava lá, nas arquibancadas do Ralph Wilson Stadium sob frio ou calor, com glórias ou tragédias, com ou sem QB. Sem jamais permitir que o coração se esfriasse. A prova disso aconteceu nesta segunda-feira, primeiro dia de 2018.

Andy Dalton mantém com a esposa, Jordan, desde 2011 quando foi selecionado no draft pelos Bengals, a Andy & Jordan Dalton Foundation, entidade que oferece apoio para crianças com doenças severas nos Estados Unidos, principalmente na região de Cincinnati. Ao acordar no dia seguinte à incrível vitória sobre os Ravens, acessou o celular e percebeu um volume fora do comum de doações para sua fundação. Mais estranho ainda foi verificar que as doações individuais eram de 17 dólares. Não demorou muito para ele entender de onde vinham.

Dezessete era o número de temporadas que o Buffalo Bills estava fora dos playoffs. Graças ao passe de Dalton para Boyd, o torcedor dos Bills teve um ótimo Réveillon e fez questão de agradecer por isso. E não apenas com Buffalo Wings de graça por toda vida.

Feliz 2018.






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O Brasil precisava vencer e venceu. Com problemas que devem ser corrigidos

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de São Petersburgo (RUS)

Horas antes do jogo começar, as ruas de São Petersburgo ao redor do Estádio Kretovskiy já estavam tomadas pelos brasileiros. A maior parte da torcida se concentrou em um bar e por lá fez uma festa espetacular. Aguardavam, claro, uma grande atuação do Brasil. Não foi necessariamente o que viram.

A vitória veio, mas com muito sofrimento. Nos primeiros 25 minutos, o Brasil teve 66% de posse de bola, mas muita dificuldade em criar chances de gol. Teve uma única finalização e diversas bolas cruzadas na área, especialmente em cobranças de falta. A Costa Rica entrou em campo com uma única estratégia: marcar com todos jogadores e utilizar a ligação direta na retomada da bola para atacar. Quase marcou o primeiro gol do jogo, mas em uma falha no lado esquerdo da defesa brasileira.

Depois disso o time melhorou, passou a tocar mais a bola e não foi ameaçado. Nos vinte minutos finais da etapa inicial, nenhuma finalização costarriquenha. Mesmo assim, a defesa do adversário prevaleceu.

No intervalo Tite colocou Douglas Costa em campo na vaga de Willian. A postura da equipe mudou completamente, com muito volume e pressão. O  time criou bastante. Gabriel Jesus cabeceou na trave, Gamboa salvou em cima da linha o chute de Philippe Coutinho e a pressão aumentava. Os espaços para os contra-ataques costarriquenhos também.

Roberto Firmino entra no lugar de Paulinho contra a Costa Rica
Roberto Firmino entra no lugar de Paulinho contra a Costa Rica Getty Images

Foi quando aos 23 minutos Tite colocou o Brasil ainda mais no ataque. Paulinho tinha melhorado o rendimento, mas na prática era o segundo atacante do time. Saiu para a entrada de Roberto Firmino. A pressão aumentou, e a Costa Rica abdicou até mesmo de avançar.

Depois do pênalti marcado e anulado em Neymar, um clima absoluto de tensão tomou conta do estádio. O time em campo ficou muito nervoso e parecia que o empate seria o resultado final. Até que Firmino ganhou pelo alto, Gabriel funcionou como pivô na área e Coutinho marcou o merecido gol brasileiro. Depois, Neymar apenas fechou a conta na 23a finalização.

Philippe Coutinho comemora primeiro gol da seleção brasileira na partida
Philippe Coutinho comemora primeiro gol da seleção brasileira na partida Getty Images

Depois de um resultado dramático como esse, é natural que a euforia tome conta de muitos. Tanto jogadores, como torcedores. Cabe à comissão técnica apontar os erros e colocar os pés de todos no chão.

"Bem, com possibilidade de crescer". Essa foi a resposta de Tite quando questionei o rendimento do meio-campo na Copa até agora. Paulinho foi substituído pela segunda vez, por circunstâncias diferentes. Casemiro, contra a Costa Rica, acertou 83 de 97 passes, aproveitamento de 85.6% - no primeiro jogo, com cartão amarelo, foi substituído por Fernandinho. Philippe Coutinho é a exceção positiva, inclusive sendo o melhor do time nas duas partidas.

Sylvinho, que também participou da coletiva de imprensa nesta sexta-feira, foi mais detalhista na resposta sobre a atuação dos meio-campistas. Ressaltou a grande quantidade de vezes que Coutinho terá a bola no pé, a importância de Paulinno na recomposição defensiva e admitiu que Casemiro cometeu equívocos em algumas saídas de bola. Dos três setores o Brasil, o meio-campo é aquele que mais precisa evoluir para a seleção crescer na competição.

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Como enfrentar e vencer a Costa Rica (agora com Fágner)

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de São Petersburgo (RUS)

Nenhuma novidade no time titular: Alisson, Danilo, Thiago Silva, Miranda e Marcelo; Paulinho, Casemiro, Philippe Coutinho; Willian, Gabriel Jesus e Neymar. É a mesma equipe que venceu a Áustria por 3 a 0 no último amistoso antes da Copa e empatou com a Suíça em seu primeiro jogo na competição.

Diante dos suíços foram 20 finalizações e somente quatro certas, com 52% de posse de bola e 460 passes certos em 521 tentados. Poucas chances oferecidas ao rival e um gol sofrido em uma irregularidade não anotada pela arbitragem. No final do jogo, em pelo menos três oportunidades o Brasil desperdiçou a chance de vitória. Na prática, a atuação da seleção na estreia, contra o adversário mais difícil do grupo, não empolgou, mas não foi ruim.

Seleção treina pensando em enfrentar Costa Rica
Seleção treina pensando em enfrentar Costa Rica André Mourão/MoWaPress

Contra a Costa Rica alguns ajustes precisam ser feito e escrevi sobre isso nesta semana.Também perguntei a Tite na coletiva desta quinta exatamente isso, o que precisaria mudar. "Em todos os jogos temos que ter uma boa atuação e vencer, neste jogo também. Ajustes, ser efetivo. Transformar as oportunidades em gol. Continuar proporcionando poucas oportunidades ao adversário".

Em entrevista que fiz com o treinador no Bola da Vez deste ano, além de conversas informais, Tite disse e entende que para vencer a linha de cinco defensores - base defensiva do 5-4-1 costarriquenho - a seleção precisa trabalhar muito bem com amplitude, paciência e ter a qualidade necessária no passe pelo alto por dentro da defesa. Um exemplo desse tipo de jogada que ele me deu foi o gol de Bernardo Silva na vitória do Manchester City sobre o Chelsea, por 1 a 0, em março: o passe, a pressão na bola, o enfrentamento.

Pontos importantes de mudança coloquei no texto já linkado acima, mas sem querer ser repetitivo, e utilizando o que o treinador falou na coletiva sobre Neymar, reforço: a individualidade dele é sua principal característica e precisa ser utilizada a favor do coletivo. Um esquema tático precisa potencializar as individualidades de um time, mas pegar a bola no último terço do campo e arrastá-la presa ao pé até o meio-campo não é produtivo.

"Todos os atletas têm responsabilidade de serem coletivos e individuais. Alguns com características específicas. Do Neymar, não vou tirar a característica do transgressor, do último terço. Mas serve para os outros. Todos nós temos que potencializar equipe, mas respeitar as características. Último terço? Vai dentro, finta. Característica do futebol brasileiro. Não vou retirar isso".

A explicação de Tite é muito clara e correta. Ninguém vai mandar o Neymar, o Coutinho ou o Willian pararem de driblar. Contra a Costa Rica, o drible será muito importante no um-contra-um nas jogadas de linha de fundo, para quebrar a forte marcação que aguarda a seleção. Dentro do contexto coletivo, jogando com inteligência e aproveitando melhor as oportunidades criadas.

Na fase defensiva, não há muito segredos sobre a forma de jogo do Brasil: pressão alta na saída de bola do adversários, como aconteceu em todos os jogos sob o comando da atual comissão técnica. Temporização, recomposição defensiva e posicionamento diminuindo ao máximo o espaço dos rivais.

Atualização: às 23h21 de São Petersburgo, seis horas à frente de Brasília, a CBF informou que Danilo sentiu uma lesão muscular na região do quadril direito e está fora do jogo contra a Costa Rica. Fágner será o titular. O jogador do Corinthians é inferior ao do Manchester City na marcação, além da força física e da altura. É, porém, superior ofensivamente e pode ajudar muito Willian nas jogadas pela direita. Isso, por outro lado, exigirá de Marcelo maior equilíbrio defensivo. Será a estreia de Fágner em Copa do Mundo, por isso a questão comportamental será muito importante.

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Semana da seleção brasileira tem ajustes necessários e três pontos na conta

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Seleção brasileira realiza treino em Sochi
Seleção brasileira realiza treino em Sochi Pedro Martins / MoWA Press

Passada a estreia, o Brasil já se prepara para o segundo jogo da Copa do Mundo, contra a Costa Rica nesta sexta-feira, em São Petersburgo. A tendência é que Tite mantenha a mesma equipe que começou no empate em 1 a 1 com a Suíça.

Dentro das variações possíveis dentro do esquema tática definido, 4-3-3 na fase ofensiva e 4-1-4-1 na defensiva, a escalação com Philippe Coutinho por dentro é a melhor opção para enfrentar a linha de cinco defensores costarriquenhos. Na derrota para a Sérvia por 1 a 0, o time da América Central atuou no 5-4-1 do início ao fim.

Os ajustes brasileiros estão em outros aspectos do jogo, como emocional. Tite admitiu que o time ficou ansioso na primeira partida e acabou acelerando demais as ações com bola, o que invariavelmente resultava em passes errados ou finalização imprecisa. Tanto é que o Brasil finalizou 20 vezes a gol contra os suíços, mas acertou apenas quatro - aproveitamento de apenas 20%, enquanto os adversários tiveram 6/2.

Trata-se de um grupo com diversos atletas que estrearam em Copas, mas com experiência suficiente em seus clubes para lidarem bem com a sequência da competição. Um exemplo é Casemiro, que não teve boa atuação, foi substituído e é vital na funcionalidade do time. Além disso, atenção constante de todos na bola parada defensiva.

Contra a Costa Rica a seleção brasileira precisa ser equilibrada novamente. Willian não pode ficar completamente isolado e sem ação pela direita, enquanto o fortíssimo lado esquerdo do Brasil domina todas as ações ofensivas. Danilo dá o equilíbrio defensivo necessário para Marcelo avançar, mas Paulinho precisa subir o nível e ser uma opção de tabela com o jogador do Chelsea e também de entrada na grande área.

E claro, Neymar. Contra a Suíça sofreu dez faltas e há duas explicações para isso, como já escrevi no texto anterior. No começo do jogo percebi uma violência a mais sobre ele, que apanhou bastante. Depois, principalmente, no segundo tempo, segurou demasiadamente a bola, prejudicando o time e "chamando" faltas no meio-campo, sem qualquer perigo para os suíços.

O melhor jogador do Brasil é um atleta individualista. Isso não é novidade, afinal, tem o um-contra-um como ponto forte com seu drible. Não significa que vai jogar de maneira individual por 90 minutos, não está em uma quadra de tênis para atuar sozinho. Precisa compreender o que o jogo pede e soltar mais a bola, envolver os companheiros e fortalecer o coletivo com seu individual.

Se a Suíça é o adversário mais forte do Brasil no grupo, a Costa Rica é o mais inferior. Não gosto do termo "obrigação" no esporte, porque denota muitas vezes desrespeito ao adversário, mas é inegável que a seleção brasileira, uma das favoritas ao título, entra em campo pela segunda rodada da Copa com absoluta responsabilidade em vencer.

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Atuação abaixo do potencial, arbitragem, Neymar, rendimento suíço: análise da estreia brasileira na Copa

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Rostov (RUS)


Antes do jogo, nas ruas de Rostov, os torcedores brasileiros, em maior número que os suíços, eram só empolgação. Cravavam vitória com larga vantagem. Natural, já que a torcida fica bastante empolgado em dia de jogo, ainda mais em Copa do Mundo. Só que na prática todo mundo sabia que o jogo seria muito difícil, como realmente foi.

A comissão técnica da seleção brasileira sempre colocou a Suíça como o melhor adversário da primeira fase. Além disso, a estreia leva carga maior para todos em campo.

Nos dois últimos amistosos, o Brasil demorou para entender o jogo do adversário. Já contra a Suíça, precisou de apenas cinco minutos para encaixar sua proposta e dominar boa parte do primeiro tempo. O golaço de Philippe Coutinho deu traquilidade para o time, que subiu a marcação e ganhou praticamente toda segunda bola. Não foi ameaçado pelos suíços, mas também parou de finalizar e criar chances de gol.

Sem ser ameaçada, a Suíça voltou a arriscar e saiu mais para o campo ofensivo. Nos últimos dez minutos passou novamente a ter posse de bola superior e tocar bem na intermediária de ataque, mas Alisson não precisou trabalhar.

Neymar durante partida contra a Suiça
Neymar durante partida contra a Suiça Getty Images

Já no segundo tempo, a seleção brasileira voltou dormindo a campo. Willian errou passe, Casemiro fez falta dura e recebeu amarelo. A marcação afrouxou e os suiços avançaram. Na cobrança de escanteio, o meio-campista do Real Madrid errou o tempo de bola, Miranda ficou plantado no chão e Alisson não saiu. Zuber fez o gol, com empurrão no zagueiro brasileiro e falta não marcada.

Tite sacou Casemiro e colocou Fernandinho, depois mandou Renato Augusto a campo na vaga de Paulinho. Coutinho caiu para a direita e Renato passou a criar pela esquerda, além de ajudar a fechar o corredor por onde Lichtsteiner e Shaqiri atacavam com facilidade. O Brasil melhorou apenas nos últimos minutos, quando quase fez o segundo gol com Roberto Firmino, Miranda e depois Renato Augusto.

No final das contas, o Brasil teve 21 finalizações com 53% de posse de bola, mas apenas quatro chutes certos - contra seis no total dos suíços e quatro no alvo. A partida foi complicada como previsto, e apesar do erro da arbitragem no gol de Zuber, a Suíça equilibrou as ações em campo e dificultou ao máximo a atuação brasileira. O árbitro interferiu no resultado, até porque deveria ter consultado o VAR, mas isso não pode diminuir o bom rendimento dos suíços, dentro das limitações que têm.

Sobre Neymar, ele sofreu dez das 19 faltas cometidas pela Suíça. Há duas explicações: segurou muito a bola e os suíços bateram bastante - na prática, ambas estão certas e relacionadas. 

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Mesmo se perder a Copa do Mundo, o Brasil já venceu

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Rostov (RUS)

Tite, durante Brasil x Croácia, em Liverpool
Tite, durante Brasil x Croácia, em Liverpool Lucas Figueiredo/CBF

Em 12 de junho de 2016, havia absoluto descrédito em relação à seleção brasileira. Aos 30 minutos do segundo tempo, Manuel Ruidíaz marcou o gol da vitória do Peru sobre o Brasil por 1 a 0, resultado que eliminou os brasileiros ainda na primeira fase da Copa América. Esse foi o capítulo final do triste e questionável retorno de Dunga ao comando da equipe.

Por outro lado, foi também o episódio que gerou uma grande revolução na seleção. De maneira alguma uma manobra pensada ou planejada pela CBF, e sim uma decisão movida pela pressão popular e racional. Dunga disse adeus e Tite começou a trabalhar.

A partir daí, aconteceu algo que nós, brasileiros, não estamos muito acostumados: a excelência, a competência no trabalho. Não necessariamente vai resultar no título da Copa do Mundo, e aí está algo importante para ser debatido.

Tudo que vem sendo feito não pode ser avaliado apenas pela conquista do Mundial. Vou além: nem mesmo pelo desempenho, somente. A possibilidade de estar na cobertura da seleção brasileira, in loco, desde o primeiro jogo de Tite, no Equador em outubro de 2016, me faz ver coisas que vão muito além do campo.

No caso desse time, o desempenho também tem sido muito bom. Padrão tático, ideias de jogo bem estabelecidas, belas exibições muitas vezes, tudo isso já está evidente para todos que acompanham futebol. Só que não é resultado apenas das ordens de Tite, mas de uma comissão que avalia jogadores, viaja mundo afora para observá-los, investiga os adversários, enfim, faz o dever de casa, só que esse básico nem sempre foi feito. Desde a organização de Edu Gaspar, passando pela competência de pessoas como Fabio Mahseredjian, Bruno Mazziotti e Cléber Xavier, todo estudo que existe no CPA - Centro de Pesquisa e Análise, além da experiência de Taffarel e Sylvinho.

Na coletiva deste sábado, véspera da estreia contra a Suíça, Tite discordou de mim quando disse "que no Brasil, qualificamos um trabaho pelo título" na pergunta que fiz a ele. Para o treinador, isso está mudando. Talvez, mas não sou tão otimista como ele. Ainda acho que em caso de eliminação, a maioria compreenderá como fracasso. Posteriormente, respondeu meu questionamento se o trabalho feito foi bom: "Sim". E foi mesmo.

Sempre haverá questionamentos, algo absolutamente natural. Por que o Taison e não o Arthur ou o Luan? Fágner e não o Rafinha? Fernandinho dentro e Willian fora do time titular? São opções táticas, técnicas, que sempre existirão com quaisquer profissionais. Além disso, Tite não é unanimidade, e o próprio ressaltou isso na coletiva deste sábado - como sempre fez. Ele erra, assim como eu ou qualquer pessoa. Não é deus e não se coloca dessa maneira.

O mais importante é percebermos como o trabalho está sendo bem feito. Na preparação em Sochi, nos detalhes com a presença dos familiares, no clima menos pesado... Muito provavelmente, se a atual comissão técnica tivesse assumido logo após a Copa de 2014, o Brasil estaria ainda melhor. No tempo que teve à disposição, fez da seleção uma força novamente e entra no Mundial como uma das grandes favoritas. Sem qualquer garantia de título, mas com a certeza que tem plenas condições de vencer qualquer adversário.

Independentemente do resultado final, o Brasil já venceu. E o trabalho precisa continuar.

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De Santa Cruz Cabrália a Sochi, a relação entre Brasil e Alemanha na Copa da Rússia

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Sochi (RUS)

A Alemanha surpreendeu quando anunciou Santa Cruz Cabrália como sede da seleção na Copa do Mundo de 2014. Mais especificamente a vila de Santo André, um pedaço de terra abençoado pela natureza brasileira, cujo acesso mais fácil é feito apenas por balsa. Não se tratava de um local com o selo Fifa, mas mesmo assim, em parceria com empresários alemães que já investiam na região, a DFB construiu o Campo Bahia.

Lá, por um mês, os jogadores tiveram dias espetaculares. Com o sol baiano na cabeça e o Litoral do Descobrimento a perder de vista, todo elenco e a comissão técnica passaram tardes com seus familiares e amigos se divertindo na praia; Conheceram a cultura local através dos índios Pataxó, visitaram a escola municipal e fizeram doações para o campinho local, cantaram e pularam com os brasileiros ao som de Lepo Lepo. Além disso, ainda ganharam uma Copa do Mundo.

Em meio à tranquilidade e o isolamento geográfico encontrado pela DFB, a Alemanha pôde se preparar adequadamente para o Mundial. Somente um treino aberto - exigido pela Fifa - e um dia de folga; Muitas viagens, mas sempre com o retorno para a vila de Santo André garantido. Até mesmo após a vitória na semifinal contra o Brasil, quando tudo indicava que o time seguiria direto para o Rio de Janeiro, a opção foi retornar à Bahia. Foram campeões porque mereceram no campo, promoveram uma grande revolução em toda estrutura do futebol alemão, mas o ambiente criado em território brasileiro também foi fundamental.

Alemanha e Santa Cruz Cabrália, uma história de amor que terminou em título
Alemanha e Santa Cruz Cabrália, uma história de amor que terminou em título Google - NÃO USAR

Não é segredo que a seleção brasileira usa tudo que foi feito pelos alemães como inspiração. Este jornalista foi convidado por Tite para falar sobre a preparação da Alemanha em 2014 para a comissão técnica brasileira no ano passado. Meu livro "40 dias com a campeã do mundo - histórias e bastidores da Alemanha no Brasil" foi comprado em razoável quantidade pela CBF e distribuído internamente.

Porém, não é necessariamente aplicar o mesmo modelo, copiar o que foi feito pelos alemães, mas sim conhecer, entender e identificar o que poderia ser aplicado à realidade do Brasil. E assim foi feito, com toda experiência de profissionais como Edu Gaspar, coordenador de seleções, de longa carreira na Europa. 

"Família é a base de tudo. Minha esposa, meus filhos, amigos, alguns jogadores trazem amigos. É super importante pra gente. Sem a família é complicado, porque a gente fica tão focado, concentrado, que alguns momentos com a família é super importante. Ter as pessoas que você gosta perto de você é importante", explicou Paulinho nesta quarta-feira.

Um dia antes, tinha sido Alisson o defensor do tema familiar. "Família é tudo pra gente, são eles que estão do nosso lado nos momentos bons, comemorando, mas principalmente nos momentos difíceis, de derrota, de frustração. Tê-los aqui dá uma força maior, é um problema a menos não ter a saudade. Fico três, quatro dias longe da minha família, da minha esposa, e já fico com saudade".

A CBF fez toda logística para jogadores e integrantes da comissão técnica levarem seus familiares e amigos para a Rússia. A maior parte está hospedada no Hotel Pullman, localizado a dez minutos do Swissôtel Resort, casa da seleção neste Mundial. A hospedagem está sendo paga pelos atletas e pelos profissionais.

Os momentos de convívio com os familiares têm sido constantes e sempre registrados nas redes sociais. Nesta quarta, Dona Vera, mãe de Gabriel Jesus, acompanhada da família e dos famosos "parças" do jogador, esteve no local de treinos do Brasil. 

Na segunda-feira, dia de folga geral, foram muitas as fotos publicadas dos jogadores passeando na praia, se divertindo, aproveitando o intenso calor de Sochi. As temperaturas batem na casa dos 30oC durante o dia, e mesmo as noites são bem quentes também. Situação muito diferente da que viveu a seleção em 2014, quando ficou concentrada na gelada Teresópolis.

A entrada pela praia do Campo Bahia em Santo André, no município de Santa Cruz Cabrália
A entrada pela praia do Campo Bahia em Santo André, no município de Santa Cruz Cabrália ESPN.com.br

O próprio hotel onde todo elenco está favorece ao clima descontraído. Os jogadores têm frequentado o lobby, além da área comum, onde hóspedes também têm acesso. Os russos, porém, não estão muito preocupados com os brasileiros. Aliás, essa é uma característica bem evidente da cidade. Acontecerá uma Copa do Mundo em Sochi, mas os russos turistas estão muito mais dispostos a aproveitar a praia de pedras e o mar quente, do que propriamente assistir jogos ou tirar fotos com famosos.

Pela ruas, na orla, nos resorts espalhados por Sochi, ainda impera a tranquilidade e o clima familiar, com pais caminhando com pouca roupa rumo à praia, levando os filhos e todos brinquedos possíveis. "Tivemos pouco tempo aqui, não dá para ter muita impressão, mas a primeira impressão é positiva. Muito bonita a cidade, a praia, o hotel possui estrutura ótima, café da manhã com vista para o mar, campo com totais condições para nos prepararmos da melhor maneira", disse Alisson logo no segundo dia de Rússia.

Santa Cruz Cabrália e Sochi têm muito mais em comum do que brasileiros e russos poderiam imaginar.

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Habemus escalação para o começo da Copa do Mundo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Viena (AUT)

Pela primeira vez Tite escalou o Brasil com Alisson, Danilo, Thiago Silva, Miranda e Marcelo; Paulinho, Casemiro e Philippe Coutinho; Willian, Gabriel Jesus e Neymar. Se não houver surpresas com lesões ou suspensões, escalará novamente essa equipe titular contra Suíça e Costa Rica, dois primeiros adversários na Copa.

Ficou evidente que contra times que priorizam a defesa e são bem compactos, a opção em ter Philippe Coutinho como meia central faz todo sentido. No amistoso contra a Rússia, em março, a situação foi a mesma. Assim, Tite ainda guarda no bolso a escalação com Fernandinho desde o início, deixando o meio-campo mais forte na marcação.

No primeiro tempo contra a Áustria, assim como acontecera contra a Croácia, o Brasil teve dificuldade para criar nos primeiros 20 minutos. Na verdade, em Viena se estendeu um pouco mais, inclusive, mas a diferença é que a seleção brasileira foi pouco ameaçada, justamente o contrário do jogo contra os croatas.

Time que iniciou amistoso Brasil x Áustria
Time que iniciou amistoso Brasil x Áustria Getty

Gabriel Jesus foi o melhor na parte inicial, se movimentando muito, abrindo espaço para os companheiros e tendo 100% de aproveitamento nos passes no último terço de campo - 8 de 8. Coutinho começou discreto e cresceu a partir de 25 minutos, quando passou a quebrar a marcação adversária com velocidade, passes rápidos e muitos dribles. 

A partir do gol, impedido de Jesus, a partida ficou mais tranquila. O ponto negativo do primeiro tempo foi Danilo, que fora bem contra a Croácia, mas desta vez se mostrou incapaz de parar David Alaba.

Já o segundo tempo começou bem tenso, com Prödl recebendo o cartão amarelo e Casemiro se desentendendo com Baumgartlinger. Quando a Áustria resolveu ser mais ofensiva, inclusive com a entrada do atacante Burstaller como referência e Arnautovic sendo deslocado para a direita, o contra-ataque foi oferecido aos brasileiros. E Neymar deixou Dragovic sentado no chão.

A partir do segundo gol, não teve graça. A linha de cinco defensores austríacas não assombrava mais. Completamente desmotivada e já modificada com as alterações, a Áustria não ofereceu qualquer perigo. Cabia mais, e quase coube com um golaço de Coutinho, que no final das contas teve grande atuação. Menção honrosa para Willian e para Casemiro.

Outro ponto positivo foi a presença de Neymar em campo por 83 minutos. Ainda vacila em alguns lances, mostra falta de ritmo em outros, mas está totalmente recuperado e vai certamente fazer um grande Mundial.

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Sobre enfrentar sistemas defensivos na Copa do Mundo: a realidade do Brasil

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Viena (AUT)
Seleção brasileira realiza treino em Viena
Seleção brasileira realiza treino em Viena André Mourão/MoWA Press

Alisson, Danilo, Thiago Silva, Miranda e Marcelo; Paulinho, Casemiro e Philippe Coutinho; Willian, Gabriel Jesus e Neymar. Essa é a escalação mais ofensiva que a seleção brasileira tem com o atual elenco e dentro da variação tática 4-3-3 na fase ofensiva e 4-1-4-1 quando tem que marcar o adversário.

Neste domingo, será o time que entrará em campo para encarar a Áustria, no último amistoso antes da Copa do Mundo. Muito provavelmente, será o mesmo que começará contra Suíça e Costa Rica.

Os três próximo jogos do Brasil serão contra equipes que têm no sistema defensivo o ponto forte. Os austríacos marcam com linha de cinco defensores, tendo Lainer e Alaba fechando pelos lados, além de Dragovic, Prödl e Hinteregger. À frente, uma linha de quatro atletas, bem próxima e compacta, diminuindo ao máximo os espaço para quem ataca.

Contra a Alemanha, na vitória de virada por 2 a 1 no último final de semana, a defesa funcionou muito bem, apesar da falha do goleiro Siebenhand no gol de Özil. A saída para a transição defesa-ataque é rápida e depende muito do lateral do Bayern. Com a bola, avança no 3-4-3 ou 3-4-2-1, como Sylvinho, assistente técnico de Tite, define.

É, basicamente, o mesmo conceito aplicado por Óscar Ramírez na Costa Rica, mas sem o mesmo talento à disposição que tem Franco Foda. Foi o padrão adotado nos últimos amistoso, assim como nas eliminatórias, tendo Gamboa e Oviedo como peça fundamentais nas duas alas.


Já Vladimir Petkovic é quem tem em mãos melhor pé-de-obra. A Suíça não tem o mesmo padrão tático, mas carrega as virtudes defensivas dos austríacos: compactação, boa marcação alta e baixa, conceito defensivo bem estabelecido e absorvido pelos jogadores.

A variação suíça tem sido o 4-3-3 na fase ofensiva para o 4-1-4-1 na recomposição ou o bem tradicional em tempos modernos 4-2-3-1 para 4-4-2, as famosas duas linhas de quatro. Valon Behrami e Granit Xhaka são os responsáveis pela saída de bola e alteração de esquema, com o segundo recuando entre as linhas ou avançando para o meio ao lado de Blerim Dzemaili ou Remo Freuler.

A Sérvia, terceira adversária, não deve propor o jogo contra o Brasil, mas tem ideias um pouco mais avançadas ofensivamente. Com o técnico Mladen Krstajic, a variação tem sido a tradicional citada dois parágrafos acima, do 4-2-3-1 para o 4-4-2. E por ser o derradeiro jogo da fase de grupos, a classificação pode mudar completamente o panorama esperado.


Contra tudo isso, e não necessariamente contra todos, a opção Coutinho por dentro é excelente. O meia do Barcelona ganha liberdade para flutuar como um meia, mas vai naturalmente cair pela esquerda e deixar esse setor com absurda qualidade ao lado ou trocando de posição com Neymar e ainda tendo os avanços de Marcelo - Casemiro precisará repetir os movimentos de Real Madrid para a cobertura. Na direita, Willian dá amplitude e jogo forte no um contra um, com Danilo segurando ao lado dos zagueiros. Por dentro, Paulinho, como o próprio já explicou, colabora mais na recomposição, mas não perde o "pisar na área".

Organização defensiva, velocidade na transição, concentração, muita movimentação quando tem a bola, ultrapassagens dos laterais ou dos extremos, chegada na grande área, posse de bola com finalizações certas, controle do jogo, todos esses são conceitos desse time brasileiro que têm sido exaustivamente treinados nos últimos meses. A seleção precisará precisará de paciência muitas vezes para quebrar a marcação adversária e não se desesperar.

O Brasil tem que evoluir durante a Copa para ser campeão, até mesmo pelos percalços que surgiram - ausência de Daniel Alves, lesão de Neymar, queda técnica de Renato Augusto. De qualquer modo, o trabalho da comissão técnica está sendo muito bem feito.


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Sobre enfrentar sistemas defensivos na Copa do Mundo: a realidade do Brasil

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Vladimir Putin garante legado da Copa, defende acusado em escândalo de doping e cita aviso a Roman Abramovich

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Londres (ING)

Vladimir Putin durante o Q&A que teve transmissão ao vivo para toda Rússia
Vladimir Putin durante o Q&A que teve transmissão ao vivo para toda Rússia Russia Today

Anualmente, Vladimir Putin vai à televisão falar com a população. Trata-se de um grande espetáculo, em que o presidente russo responde perguntas feitas por personalidades, jornalistas e cidadãos espalhados pelo país. Nesta quinta-feira aconteceu o show de 2018.

Foram quatro horas e vinte minutos (o recorde é 4h47, de 2013) de assuntos variados, importantes, curiosos e até mesmo religiosos. Falou sobre a III Guerra Mundial e citou frase famosa de Albert Einstein: "Não sei com quais armas será lutada a Terceira Guerra, mas a Quarta será com gravetos e pedras", indicando a reconstrução da civilização; Disse que a suposta interferência russa na eleição de Donald Trump nos Estados Unidos é uma "piada"; Garantiu que as tropas russas não deixarão a Síria, afirmou que gostaria de colaborar na investigação do envenenamento do espião Sergei Skripal na Inglaterra, colocou a Rússia como ameaça ao Ocidente para explicar as novas barreiras econômicas criadas contra o país e citou a fé em Deus surgindo em momentos de dificuldade para as pessoas.

Recomendo para quem quiser se aprofundar nos assuntos citados, procurar mais sobre essa longa entrevista nos sites internacionais, como a CNN ou até mesmo a Russia Today, canal estatal, mas que traz trechos na íntegra. A seguir, análise da parte esportiva de todos show.

COPA DO MUNDO

Legado. O brasileiro se cansou de ouvir essa palavra nos meses que antecederam o Mundial de 2014, e sabe muito bem que ela foi usada de maneira tendenciosa e mentirosa. Foram milhões desperdiçados em alguns estádios que se tornaram elefantes brancos ou estão abandonados; Obras de transporte público prometidas e nunca cumpridas; Um verdadeiro espetáculo de como a maioria dos políticos jamais esteve realmente preocupada com o legado da Copa.

Putin fez questão de usar novamente essa palavra. Os russos, em sua maioria, não sabem o que aconteceu no Brasil. O presidente garantiu que o legado é um dos principais objetivos do torneio. O tema surgiu, inclusive, de maneira constrangedora. Em um estúdio externo, montado próximo ao estádio Luzhniki, estava Valery Gazzaev, ex-treinador do CSKA Moscou e atualmente político. Gazzaev tinha a tarefa de fazer uma simples pergunta ao presidente, mas passou minutos elogiando-o e discursando sobre o futebol russo. Foi quando o jornalista ao seu lado questionou: "E a pergunta"? Constrangido, o ex-técnico levantou a bola: "Toda comunidade do futebol entende que você está muito ocupado com o trabalho, mas pedimos que tenha atenção com o futebol". E terminou, sem perguntar.

Putin, naturalmente, pegou de primeira a bola levantada. "Pelo que entendi, estamos falando do legado da Copa do Mundo de 2018, o que vamos fazer com toda aquela grand estrutura, talvez você esteja certo. Nós conseguimos cumprir um desafio que outros países não foram capazes, receber os Jogos Olímpicos. Pegue a infraestrutura em Sochi como exemplo, ainda está em uso. Gastamos muito dinheiro e concordo, precisamos trabalhar em benefício do esporte. Deve haver times infantis, ligas juvenis nesses locais que melhoraram muito com o próprio financiamento, e esses estádios, que não são apenas campos, têm tudo para receberem shoppings, cafés, restaurantes, não apenas clubes esportivos. Foram projetados para serem espaços onde as pessoas possam praticar esportes".

Sochi tem uma das obras mais caras da história da humanidade, cheia de denúncias de corrupção: a rodovia Adler–Krasnaya Polyana, que liga o parque olímpico à cidade, custou mais de US$ 9 bilhões - como comparação, para os Jogos Olímpicos de Vancouver foram investidos US$ 1,5 bilhão. Por fim, ainda comentou sobre a seleção russa, que segundo ele tem conseguido bons resultados recentemente e acredita que não vai desapontar os russos na Copa.

DOPING

Ícarus, último filme vencedor do Oscar na categoria documentário, explica bem o escândalo de doping que atingiu a Rússia. Penalizou o país esportivamente, após ficar comprovado a manipulação de diversos exames realizados por atletas russos durante a competição. O tema surgiu na entrevista não pelas acusações, e sim por uma pessoa muito ligada a elas: Vitaliy Mutko. Cabe a explicação sobre quem ele é.

Mutko é o homem forte do esporte russo há mais de uma década. Político desde o final da União Soviética, no futebol foi presidente do Zenit São Petersburgo e fundador e primeira mandatário da federação russa. Tornou-se ministro do Esporte e assumiu um cargo no Comitê Executivo da Fifa. Era o chefe do Comitê Organizador da Copa, até cair por causa do escândalo de doping e seu envolvimento político no caso.

"Devemos olhar os fatos, não os aspectos emocionais do trabalho dele (Mutko). Os locais da Olimpíada de Sochi... Mutko esteve envolvido nisso. Os estádios da Copa do Mundo, isso foi amplamente feito pelo Mutko. Eu entendo tudo, mas não faço julgamentos emocionais, meus julgamentos são baseados em fatos. Não há outro ponto: sabemos que ele foi atacado em conexão com o escândalo de doping, e assim sucessivamente. Nessas circunstâncias, é simplesmente impossível mandá-lo para a aposentadoria. Eu repito: ele tem muito potencial. Deixe-o trabalhar".

ROMAN ABRAMOVICH

Roman Abramovich, proprietário do Chelsea, não teve o visto de trabalho renovado pela Grã-Bretanha. Em meio à tensão política que envolve as duas nações, claramente o empresário sofre retaliações por ser russo e muito ligado ao presidente Putin. A próxima temporada dos Blues está totalmente indefinida, porque não há perspectivas para contratações e até mesmo os planos para a construção de um novo estádio foram abandonados.

"Eu avisei eles sobre isso e recomendei que nossos negócios mantivessem o capital na Rússia", afirmou Putin, em tom profético, quando questionado sobre Abramovich. Mesmo assim, mantendo sempre seu lado nacionalista em evidência, destacou que o Ocidente estava "cometendo um grande erro" e que decisões arbitrárias como essa são "contraprodutivas aos envolvidos e à economia global".

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Cortar ou não cortar Renato Augusto, eis a questão

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Londres (ING)
Renato Augusto, durante os treinamentos da semana passada
Renato Augusto, durante os treinamentos da semana passada CBF

E não é simples.

Na manhã desta quarta-feira, Renato Augusto, acompanhado do médico da seleção brasileira, Rodrigo Lasmar, foi a uma clínica em Londres realizar exames no joelho esquerdo. Nenhuma lesão foi diagnosticada, apesar da inflamação no local, o que deu segurança à comissão técnica para seguir na recuperação do atleta.

Há uma semana Renato não treina com os companheiros. Tem feito trabalhos à parte com o fisioterapeuta Bruno Mazziotti, mesmo profissional responsável pela sua reviravolta física na carreira, nos tempos de Corinthians. Também trabalha com o jogador na China.

A comissão técnica não pensa no corte do jogador. A recuperação, nas palavras de um membro da comissão, está indo muito bem. No entanto, mesmo com o exame negativo, não há previsão sobre a volta de Renato Augusto aos treinamentos normais. Fágner e Douglas Costa, que se apresentaram machucados, já estão totalmente liberados clinicamente e recuperando a forma.

Esse é o ponto da discussão.

As dores no joelho esquerdo dificilmente resultarão em corte. É um problema tratável e Renato Augusto estará liberado mais cedo ou mais tarde, talvez antes da estreia do Brasil ou durante a fase de grupos. Vale a pena manter no grupo um jogador que não esteja com as melhores condições físicas?

Rapidamente podemos lembrar e citar Neymar. Ele também não está 100% fisicamente, mas já está liberado pelo departamento médico. Além disso, é imprescindível para o time. Renato não vai chegar na Copa bem e já não é uma peça fundamental na formação titular.

Foi extremamente importante durante as eliminatórias atuando pela esquerda do meio-campo, fazendo muito bem a cobertura no setor com os avanços de Marcelo e Neymar e sendo fundamental na saída de bola próximo a Casemiro. Além disso, é um dos líderes do grupo e sempre foi a voz tática do treinador em campo, jogador muito inteligente. Mereceu a vaga entre os 23 convocados. Agora, porém, a situação é outra.

Caiu tecnicamente, perdeu o lugar entre os 11 e é a última opção para o meio-campo, setor que Tite optou por levar um jogador a menos, para que Taison fosse convocado e Coutinho se tornasse opção como central. Faço questão de reforçar: Renato Augusto mereceu a convocação, mas agora a permanência dele no grupo pode ser perigosa para as necessidades que o Mundial gera.

Temos exemplos recentes em Copas quando o Brasil precisou de um reserva, que não estava à altura da necessidade e a improvisação aconteceu. Renato se tornou a última opção entre os meio-campistas, e se Fernandinho for titular, caso alguém se machuque ou fique suspenso, Fred entraria no setor e ele seria a única peça no banco. Nesse caso, não dá para contar com o jogador do Beijing Guoan, infelizmente.

Caso queira fazer a troca na lista, com a avaliação de inflamação no joelho esquerdo em mãos, Tite pode convocar qualquer jogador até 24 horas antes da estreia. Não precisa chamar alguém da lista dos 12, que é apenas burocrática. Maicon, Arthur, Paquetá e Giuliano seriam, provavelmente, as primeiras opções.

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Pontos fortes e fracos da seleção brasileira na vitória sobre a Croácia

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Liverpool (ING)
Tite durante Brasil x Croácia, em Liverpool
Tite durante Brasil x Croácia, em Liverpool Lucas Figueiredo/CBF
O Brasil sofreu nos primeiros vinte minutos contra a Croácia. Foi pressionado e Alisson trabalhou para evitar o primeiro gol da partida. Desde o início teve mais posse de bola e tentou propor o jogo, mas teve muitas dificuldades para superar a marcação alta croata. Conseguiu a primeira finalização apenas aos 21 minutos, e a partir daí correu pouquíssimos riscos.

Faltou, porém, principalmente no primeiro tempo, mais criatividade. No geral, a seleção teve ótimo aproveitamento nos passes (88.6%), com 609 certos de 687 no total. Na primeira etapa, acertou somente 29 no último terço do campo, enquanto na etapa final foram 39. O crescimento coletivo passou pela saída de Fernandinho (jogador com mais faltas, quatro) e a entrada de Neymar, com o deslocamento de Philippe Coutinho para a faixa central. Hoje, o melhor Brasil de Tite é com essa formação.

Willian foi o melhor jogador em campo. Entregou o que se espera dele: jogo forte pelos lados, jogadas de 1x1, amplitude para o time, recomposição defensiva e muita habilidade e velocidade. Foi a principal arma ofensiva, quebrando constantemente a marcação croata e criando chances.

Outro destaque foi Thiago Silva, que recuperou a posição de titular em definitivo. O zagueiro liderou a estatística de passes, com 93 certos e 98 no total. Foi fundamental no início da transição defensiva-ofensiva.

Os dois laterais, Danilo e Marcelo, lideraram o time em desarmes, dois cada. Atuação muito segura do jogador do Manchester City, extremamente forte na defesa e eficiente nas jogadas de utrapassagem pela direita com Willian. Não se pode e não se deve esperar de Danilo partidas a la Daniel Alves. São atletas muito diferentes em todos conceitos do jogo.

Já Gabriel Jesus não teve uma tarde feliz. O autor do gol da vitória no amistoso com a Alemanha não conseguiu finalizar em 61 minutos, enquanto Roberto Firmino e Neymar foram os jogadores que mais bateram a gol, com três cada um, em 34 e 49 minutos respectivamente. Há disputa entre os atacantes centrais, mas Tite não deve mudar até o início da Copa. Depois, se o rendimento de Gabriel cair, uma mudança pode ocorrer.

Por fim, Paulinho foi um ponto negativo. O meia do Barcelona costuma entregar para a seleção verticalidade, chegada na grande área e muitas vezes aparece praticamente como um segundo atacante. Desta vez, não conseguiu fazer tudo isso.

Parece bastante evidente que o nível atual da seleção é inferior ao já apresentado nas eliminatórias. O time precisa evoluir, até porque passou por mudanças no time-base. Espanha e Alemanha, com times mistos, tropeçaram na semana. Brasil e França venceram seus amistosos. Essa é a lista de favoritas ao título da Copa, na opinião deste jornalista.

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Sobre volantes e meio-campistas no futebol atual

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Liverpool (ING)
Fernandinho, em ação contra a Inglaterra
Fernandinho, em ação contra a Inglaterra Pedro Martins/MoWA Press

Volante. Jogador de pouca qualidade técnica, que atua defensivamente no meio-campo, cabeça de área.

A linha acima tem definições clássicas sobre o volante no futebol brasileiro. Termo utilizado no país há muitas décadas para designar os jogadores com maior responsabilidade de marcação no meio-campo. Porém, com o passar dos anos, "volante" se tornou algo pejorativo, porque normalmente vem com "não sabe passar", "não tem qualidade", "só toca de lado".

Tite vai escalar o Brasil com Casemiro, Paulinho e Fernandinho. Três volantes, certo? Não é bem assim, e somos obrigados a discutir semântica.

Para todos que entendem a posição com a definição inicial deste texto, discordarei radicalmente. Para quem ainda usa o termo, mas com interpretações modernas do jogo, teremos um acordo.

Particularmente, para evitar distorções, gosto de usar "meio-campistas". Não são necessariamente todos volantes de antigamente, mas todos que se adaptaram ao futebol atual - ou seja, o volante brucutu ainda existe, mas claramente está em extinção nos grandes times do planeta.

Meio-campistas são atletas que atuam na faixa central do campo e têm capacidade de atacar e defender com a mesma capacidade.

Casemiro, por exemplo. Sem dúvida ele é o jogador do Real Madrid com maior obrigação defensiva do meio para frente, mas sua movimentação demonstra a força ofensiva que tem e a importância na saída de bola e construção das jogadas merengues.

O mapa de movimentação abaixo tem as ações com bola do meio-campista na temporada do Real no Campeonato Espanhol e na Champions League.

Casemiro, na temporada 2017-18
Casemiro, na temporada 2017-18 ESPN Trumedia

Mais à direita, Casemiro terá a companhia de Paulinho no jogo contra a Croácia. O ex-jogador do Corinthians há muito tempo se tornou uma arma no ataque do Brasil. O "pisar na área", que Tite tanto fala, é executado muito bem por Paulinho.

No Barça, o meio-campista evoluiu taticamente com o jogo de posições catalão e trouxe algo novo ao clube: 
velocidade e força física por dentro. Abaixo, gráfico que mostra as ações com bola dele na liga espanhola e na Liga dos Campeões.

Paulinho, na temporada 2017-18
Paulinho, na temporada 2017-18 ESPN Trumedia

Por fim, Fernandinho. A escalação dele e não de Philippe Coutinho na faixa central indica maior força defensiva, como escrevi no post de sexta-feira e o próprio jogador explicou na coletiva. Classificá-lo como um mero volante à moda antiga, no entanto, seria ignorar tudo que fez na temporada europeia.

Com Pep Guardiola como treinador, Fernandinho se tornou um jogador muito mais dinâmico e participativo nas ações ofensivas. Desarma com incrível precisão, pressiona muito os adversários e arma com eficiência as jogadas a partir da intermediária defensiva.

Fernandinho, na temporada 2017-18
Fernandinho, na temporada 2017-18 ESPN Trumedia

"Ideia de equilíbrio. O Fernando traz as características do Atlético, do Shakhtar,  foi adaptado no City, mas é um passador, um articulador. Pelo lado esquerdo traz também uma marcação forte. O Renato é mais armador", explicou Tite na coletiva de imprensa, quando o questionei sobre a ideia de jogo com essa formação no meio-campo.

Ou seja, para fecharmos e resumirmos, estamos falando sobre qualidade individual dos atletas e suas funções em campo, muito além das clássicas definições por posição. 

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Como Fernandinho e Philippe Coutinho se tornaram as principais peças de variação tática da seleção

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Londres (ING)

"É uma posição um pouco diferente da que jogo no clube, mas não muda muito por causa dos jogadores que temos. Coutinho, Marcelo... Posso dar um pouco mais de sustentação, liberando os jogadores para atacarem mais. Não é um tipo de jogo que vai todo mundo para frente. Encaixaria muito nesse sentido. Com posse de bola, tento distribuir a bola de forma dinâmica".

Essa foi a resposta de Fernandinho a minha pergunta sobre as diferenças entre as funções que ele exerce no Manchester City e exercerá na seleção brasileira. O meio-campista provavelmente será titular neste domingo, no amistoso contra a Croácia.

Com a queda de produtividade de Renato Augusto na reta final das eliminatórias e a excelente temporada do ex-jogador de Atlético Paranaense e Shakhtar Donetsk na Premier League, Tite passou a ver em Fernandinho a possibilidade de reforçar o meio-campo, sem perder qualidade nos passes.

Ainda sem Neymar para começar jogando e com Douglas Costa lesionado, o treinador opta por escalar Willian pela direita e Philippe Coutinho pela esquerda, com Casemiro, Paulinho e Fernandinho no meio-campo. Exatamente a mesma formação inicial da vitória sobre a Alemanha por 1 a 0 em março.

O mapa de movimentação abaixo mostra como atuou o meio-campista contra os alemães. Pela esquerda do meio-campo, fazendo a cobertura de Marcelo e atuando na transição da defesa para o ataque.

Fernandinho, contra a Alemanha
Fernandinho, contra a Alemanha ESPN Trumedia

Quando Neymar (que não tem a recomposição defensiva como ponto forte) estiver 100% fisicamente, porém, Tite precisará tomar uma decisão. Sacar Willian e deslocar Coutinho para a direita ou mover o meia do Barcelona para a função de Fernandinho. Como aconteceu no amistoso contra a Rússia, vitória por 3 a 0.

Abaixo, vejam como atuou Coutinho diante dos russos. Reparem na diferença de movimentação dele na comparação com a imagem anterior, de Fernandinho, mesmo desempenhando funções similares em campo, mas com características pessoais completamente diferentes.

Philippe Coutinho, contra a Rússia
Philippe Coutinho, contra a Rússia ESPN Trumedia

É necessário ressaltar que contra a Rússia o Brasil praticamente não foi atacado, situação bem diferente do jogo contra a Alemanha. Sistemas pensados para encarar adversários mais recuados ou mais agressivos. Na prática, essas são duas das principais variações de escalações que Tite tem no sistema de jogo 4-3-3 fase ofensiva / 4-1-4-1 fase defensiva.

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Velocidade, dinamismo, liderança, Neymar e LeBron: a ligação entre as Finais da NBA e a seleção brasileira

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Londres (ING)

Basquete e futebol são dois esportes em constante mudança. A transformação pelas quais passaram nos últimos anos é notória e mudou completamente o jogo. A principal evolução, sem dúvida alguma, é no aspecto físico, e esse é o maior ponto de convergência entre as modalidades.

Na Copa do Mundo de 2010, os atletas percorreram em média por jogo 10,5 km, com velocidade máxima de 25 km/h; quatro anos depois, a distância subiu para apenas 10,7 km, mas com pico máximo de velocidade média em 30 km/h. A NBA vê, a cada temporada, o ritmo das partidas ficar cada vez mais veloz. Em 2017-18, o New Orleans Pelicans liderou a liga em posses de bola por jogo, com 104,9 de média; Há cinco anos, o Houston Rockets era o primeira nessa categoria, com 99,9.

Na prática, tanto no futebol como no basquete, os jogadores estão preenchendo os espaços com mais velocidade e tornando o jogo muito mais rápido, dinâmico e físico.

Na comissão técnica do Brasil, o assunto NBA rende boas conversas e noites de pouco sono. Tite, no último Bola da Vez que gravou na ESPN, citou "O Toco" de LeBron em Andre Iguodala nas Finais de 2016 como um exemplo de superação e motivação. Os integrantes do CPA - Centro de Pesquisa e Análise -, Fernando Lázaro, Thomaz Koerich, Maurício Dulac e Matheus Bachi costumam assistir aos jogos. O último é quem mais gosta de basquete.

Diversos jogadores da seleção brasileira, pelos mais variados motivos, gostam, têm interesse, relação comercial ou alguma ligação com a NBA também. Neymar, por exemplo, mantém contato com atletas norte-americanos e costuma ganhar presentes de alguns - na semana passada, em Teresópolis, recebeu a camisa de Lonzo Ball. Depois da vitória dos Cavs no jogo 7 contra Boston, Thiago Silva publicou foto em seu Instagram com uma camiseta de LeBron James. 

No Brasil temos uma relação muito forte entre futebol e basquete. Clubes como Flamengo e Corinthians são historicamente fortes nas duas modalidades. A bola ao cesto já ajudou o esporte bretão, inclusive, em seu desenvolvimento. Antônio Lopes conta que, nos anos 1970, quando começou a trabalhar, não havia bibliografia sobre treinamento em futebol. O delegado, então, apelou aos livros de basquete para aplicar atividades físicas e de coordenação motora aos seus atletas.

Brasil e Golden State Warriors

Além da transformação física explicada nos parágrafos acima, o jogo de basquete passa por uma evolução técnica também notória. Nunca se arremessou tanto de 3 pontos como atualmente.

Em recente entrevista no NBA Countdown Brasil, Georginho, que fez a pré-temporada com o Houston Rockets, explicou a estratégia definida pelo técnico Mike D'Antoni. "Ele me explicou o porquê de jogarem daquele jeito. É um time que não chuta bolas de 2 fora do garrafão, eles entendem que é um arremesso ineficiente". O Houston arremessou em média 42,3 vezes da linha de 3 pontos na temporada regular e foi o primeiro na Conferência Oeste. Há cinco anos, New York Knicks e o próprio Houston lideravam a liga nesse quesito com apenas 28,9 tentativas de longe por partida.

Não há jogador que defina melhor a nova NBA do que Stephen Curry. Ele não é o protótipo físico como Giannis Antetokounpo, mas é uma máquina de arremessar e jogar em transição. O small ball é um conceito vencedor da NBA na atualidade, e os Warriors expressam melhor esse jeito de jogar do que qualquer outro time na liga.

O Brasil não joga de maneira inovadora. Não se compararmos com o futebol praticado na Inglaterra, na Espanha ou na Alemanha, por exemplo. Vemos times bem organizados taticamente, com ótima saída de bola, qualidade nos passes e velocidade na transição em todos os finais de semana nas transmissões da ESPN. Mas. quando o assunto é seleção brasileira, aí sim é uma novidade.

Em 1958 e 1962 o futebol era completamente diferente, não seria justo comparações. Já em 1970, a seleção teve um dos maiores times de todos os tempos em campo. Nos Mundiais de 1994 e 2002, o padrão era outro, prezando pela eficiência defensiva acima de tudo. Agora, Tite e companhia buscam o equilíbrio necessário e fundamental para se ganhar campeonatos de alto nível no futebol moderno. Trazendo o novo para o Brasil.

Equilíbrio tático, jogo muito físico e veloz, novos conceitos de jogo surgindo... Tudo isso serve para falarmos sobre basquete e sobre futebol. Ao menos para os times campeões.

LeBron James e Neymar

[]

Não, Neymar não é o melhor jogador do planeta. Ele é o melhor jogador do Brasil, assim como LeBron é o dono do Cleveland. A comparação começa aí.

O camisa 23 tem feito os maiores playoffs da história de um jogador na NBA. Nem mesmo Michael Jordan, o único a superá-lo em todos os tempos, jogou dessa maneira séries seguidas na pós-temporada. É bem verdade que o camisa 23 dos Bulls jamais teve um time tão ruim como esse do 23 dos Cavs ao lado, mas seu instinto assassino também jamais permitiu que uma série final chegasse na sétima partida.

LeBron tem sido o líder que Neymar precisa ser. Conduz os companheiros em quadras compila triple-doubles e faz com que todos joguem melhor. Quando isso não acontece, coloca a bola embaixo do braço e ganha os jogos sozinho. O brasileiro tem 26 anos, enquanto o norte-americano está com 33, no auge da forma física, técnica e anímica. O craque da seleção brasileira está há três meses sem jogar, fora de ritmo de jogo e carente de confiança.

Sem dúvida, LeBron pode e deve ser um exemplo para Neymar. Na liderança técnica, na hora de fazer o time jogar mais, ao assumir a responsabilidade de ser o principal jogador.

Philippe Coutinho e Kevin Durant

Não há discussão sobre o melhor jogador presente das Finais da NBA. Nem sobre o segundo. Por mais impressionante que Curry seja, Kevin Durant é o herdeiro do trono de LeBron.

A facilidade com que ele flutua pela quadra e arremessa sobre seus adversários faz com seus 2,06m pareçam muito mais. Desde a segunda temporada na liga jamais teve média inferior a 25 pontos por jogo e agora busca uma marca nunca alcançada: ser o primeiro campeão e MVP das Finais nas duas temporadas iniciais com seu time. Prêmios de melhor na decisão em dois anos seguidos? Apenas LeBron, Kobe, Shaq, Jordan e Hakeem.

Mesmo com todo esse currículo, Durant desperta ódio em muitas pessoas, e não apenas de Oklahoma City. Ao trocar o Thunder pelos Warriors, se juntou a um super time e abandonou seu companheiros, batidos ao lado dele por esse super time. Poderia ter ficado e lutado, mas optou por buscar novos ares. De certa maneira, Philippe Coutinho teve trajetória parecida.

Ao sair de Liverpool e se mudar para Barcelona, despertou a ira de muitos. Além disso, é o segundo melhor jogador do Brasil. Possui enorme responsabilidade e a seleção também depende muito dos gols e das assistências do meia. Atualmente, é ele quem dá a Tite a maior possibilidade de variação, sendo um meia por dentro ou atuando aberto pela direita no 4-3-3.

Mike Brown e Cléber Xavier

Na temporada passada, Steve Kerr sofreu muito com as dores nas costas. Assim como já acontecera com Luke Walton, o assistente técnico, no caso Mike Brown, assumiu o comando dos Warriors em jogos importantes. Com Brown à frente nos playoffs, o time somou 12 vitórias, nenhuma derrota e seguiu rumo ao título da NBA.

Não se trata de um iniciante. Entre 2005 e 2014, Mike Brown treinou em duas oportunidades o Cleveland Cavaliers e em uma o Los Angeles Lakers. Saiu muito criticado de Ohio e da Califónia e, de certa maneira, o trabalho que vem desenvolvendo ao lado de Kerr lhe devolveu o prestígio. Hoje, é uma peça muito importante na comissão técnica do Golden State.

Cléber Xavier é uma das figuras mais low profile da seleção brasileira. Não tem a fama de Edu Gaspar e Sylvinho, até de maneira compreensível, quando lembramos as carreiras dos dois ex-jogadores. Muito menos o tamanho de Taffarel, um dos grandes ídolos do Brasil nas últimas décadas. Todos têm importância no trabalho, mas Cléber tem ainda mais no cotidiano da comissão.

Esquemas táticos, conceitos de treinamento, análise dos adversários, conhecimentos dos atletas rivais. Cléber parece um computador que arquiva todas as informações e transmite para Tite e os companheiros. Ultimamente, tem sido levado para algumas coletivas e ajuda no embasamento de convocações ou explicações sobre rivais. É tão importante para o Brasil, hoje, como Tite.

Draymond Green e ninguém

Há um termo no basquete norte-americano chamado trash talk. Basicamente, é a provocação que os jogadores fazem entre si dentro da quadra. Vai desde frases básicas como "você não vai conseguir" até os mais profundos xingamentos. Draymond Green é um excelente jogador e o melhor no trash talk.

O ala dos Warriors é capaz de desestabilizar seus adversários apenas com palavras. Provoca, ameaça e algumas vezes cumpre, o que já foi determinante em um campeonato. Na prática, é o grande motivador do time em quadra, aquele cara que levanta os companheiros nos momentos difíceis e aumenta a confiança dos demais nos momentos de euforia.

Falta alguém assim na seleção brasileira. Não necessariamente um capitão, mas alguém que faça o jogo sujo também. Líderes existem, como Miranda e Marcelo, por exemplo, mas não são jogadores com o perfil de Draymond Green. Talvez Daniel Alves se aproxime, mas... A Espanha tem Sergio Ramos, Diego Costa; a Alemanha conta com Jérôme Boateng. Casemiro? Paulinho? Não é o perfil desse grupo de jogadores.

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As perguntas que ainda precisam ser respondidas na Seleção

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Teresópolis (RJ)

A primeira semana de treinamentos da Seleção Brasileira começou com muitos testes físicos e exames médicos e terminou com um treino tático intenso. De segunda-feira a sábado, os jogadores comandados por Tite e por toda comissão técnica mesclaram atividades no campo e na academia da Granja Comary. O time agora segue para Londres, onde vai treinar no CT do Tottenham.

Muito provavelmente, a semana londrina trará respostas a algumas perguntas que ainda estão sem respostas na Seleção. Questionamentos sobre o time titular. Vamos a elas.

Quem será o lateral-direito?

Na coletiva de convocação dos 23 atletas escolhidos para a Copa, Tite disse que Danilo larga na frente nessa disputa. Além disso, com a lesão de Fágner, o jogador do Manchester City terá condições de ampliar a vantagem na briga para ser o titular pelo lado direito da defesa.

São jogadores com perfis e características diferentes. Danilo é mais físico e ataca menos, mas evoluiu bastante nos últimos anos de Inglaterra e Portugal. Fágner tem mais técnica, ataca melhor a linha de fundo e faz muito bem as jogadas de 1-2. 

Marquinhos ou Thiago Silva ao lado do Miranda?

Desde a vitória por 3 a 0 contra o Equador, em Quito, na estreia de Tite, Marquinhos foi o titular nas Eliminatórias. Nos últimos quatro amistosos, porém, Thiago começou jogando em três e seu companheiro de PSG no outro. Para a comissão técnica, a disputa por posição está aberta entre os dois.

Tite já elogiou muito o veterano zagueiro em algumas oportunidades, assim como valoriza a velocidade e o talento do ex-corintiano. Os treinamentos em Teresópolis, como já ressaltado, não mostraram muitas coisas sobre a formação titular, mas entre os poucos indícios apresentados estava a escalação de Marquinhos ao lado de Miranda em uma atividade tática de saída de bola na quinta-feira.

Tite comanda treino na Granja Comary
Tite comanda treino na Granja Comary Lucas Figueiredo/CBF

Philippe Coutinho por dentro ou por fora?

No dia da convocação, questionei Tite sobre a formação tática, tendo justamente Coutinho como peça de variação. O treinador reafirmou o conceito de 4-3-3 na fase ofensiva e 4-1-4-1 na fase defensiva. Garantiu que esse será o padrão tático da Seleção na Rússia.

Na lista dos chamados, se dividirmos os atletas por funções, há um atacante a mais do que deveria - ou não. Isso porque fica cada vez mais claro que a comissão técnica pensa no meia do Barcelona como um jogador por dentro, ao lado de Paulinho e à frente de Casemiro. Como aconteceu na vitória por 3 a 0 sobre a Rússia, em 23 de março.

Quatro dias depois, no entanto, foi Fernandinho o escolhido, com Coutinho sendo deslocado para a esquerda e Douglas Costa sacado da formação inicial. Só que Neymar não estava disponível nesses dois jogos.

Parece evidente as duas opções de meio disponíveis: mais ofensiva com Philippe Coutinho e mais equilibrada com Fernandinho. Só que Willian pode ser um fator a favor do jogador do Barcelona.

Neymar, totalmente recuperado, começará aberto pela esquerda e com total liberdade de movimentação. Nas Eliminatórias, Renato Augusto atuava no meio e fazia muito bem a cobertura pelo lado, quando o atacante do PSG não fazia a recomposição defensiva com a velocidade necessária - Gabriel Jesus também cansou de cobrir o companheiro. Só que Renato perdeu espaço na formação inicial.

Assim, se a ideia dos últimos 21 meses for mantida, Fernandinho começa jogando ou Renato Augusto volta ao time, com Willian retornando ao banco de reservas - o que é difícil de acreditar, por causa do excelente desempenho com a Seleção e a bela temporada com o Chelsea. Além disso, Coutinho iria para a direita novamente. Caso o teste feito contra a Rússia tenha agradado, teríamos um time com os melhores jogadores disponíveis entre os titulares.

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As perguntas que ainda precisam ser respondidas na Seleção

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Muito além da bola e do campo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Teresópolis (RJ)

A pauta da imprensa que cobre a Seleção Brasileira foi dominada nesta quarta-feira com a notícia da lesão de Douglas Costa. Porém, a coletiva com o médico da equipe, Rodrigo Lasmar, o preparador físico, Fábio Mahseredjian, e o fisiologista, Luiz Antonio Crescente, foi muito além. Assuntos que não interessam tanto ao torcedor comum, mas que fascinam quem gosta de estudar e entender cada vez mais o futebol.

Por exemplo quando o tema é a intensidade dos jogos de futebol. Cada vez mais falamos e ouvimos que a partida está mais rápida e física. A comissão técnica da Seleção concorda e apresenta dados para provar isso.

Na Copa de 2010, os atletas percorriam em média por partida 10,5 km, número que subiu para apenas 10,7 quatro anos depois. No entanto, quando analisada a velocidade máxima atingida pelos jogadores a variação é bem maior: saltou de 25 km/h para 30 km/h, e a previsão é que cresça ainda mais na Rússia.

Fábio Mahseredjian defende que, cada vez mais, o jogador que não se preocupa com dados e informações sobre a parte física e médica está deixando de existir e sendo substituído pelo atleta de futebol. Nos grandes times, quando analisamos os melhores, sem dúvida alguma esse já é o perfil predominante. Trabalho apenas com bola faz parte do passado.

Os três presentes à coletiva também explicaram a utilização do GPS no dia a dia, a medição da distância percorrida pelos jogadores nos treinos e os batimentos cardíacos deles. Revelaram que na próxima Copa haverá um sistema de trackeamento oficial de todos os atletas nos jogos e posteriormente a Fifa enviará um relatório físico, tático e técnico das partidas. 

Por fim, algo que já é mais conhecido: o trabalho em parceria com os departamentos físicos dos clubes. Fábio tem os dados dos treinos de todos os convocados durante a última temporada. Soube, por exemplo, que o Manchester City diminuiu a carga de treinos no último mês, justamente por ter conquistado a Premier League com antecedência. Por isso a comissão técnica da Seleção colocou Gabriel Jesus e Danilo para treinar antes dos outros, junto com Neymar, que é quem há mais tempo não disputa uma partida oficial.

A ciência está cada vez mais ao lado do futebol, e isso ajuda demais na evolução do esporte.

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A posição mais carente da Seleção é a lateral-direita

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Éderson, Fágner (Danilo), Thiago Silva, Geromel e Filipe Luís (Alex Sandro); Fernandinho; Willian, Fred, Arthur (Giuliano, Diego, Talisca...) e Douglas Costa (Taison); Roberto Firmino.

Essa é uma opção bastante factível para ser o time reserva do Brasil na Copa. Talvez com o reforço do Renato Augusto e a titularidade de Willian, mas não vai mudar muito disso. Entre todas as posições, a mais carente é a lateral-direita.

Daniel Alves foi titular com Tite do início ao fim das eliminatórias e seguiu assim na reta final da preparação para o Mundial. Fágner largou na frente na luta para ser o reserva e depois vieram Rafinha e Danilo. A disputa por um lugar no grupo dos 23 convocados ficou entre os jogadores de Corinthians e Manchester City, e agora com a lesão de Daniel, os dois devem carimbar as vagas.


A diferença entre o veterano atleta do Paris Saint-Germain e seus concorrentes é muito grande, maior do que nas outras posições. Em termos de experiência, algo óbvio; Tecnicamente, nenhum tem a qualidade de Daniel Alves e nem as características dele, que é capaz de colocar a bola na área a partir da intermediária com a mesma qualidade de um passe de dois metros.

Fágner é um jogador muito bom nas tabelas e que faz bem as jogadas de linha de fundo. Já Danilo é mais forte fisicamente e defensivamente, mas foi reserva em toda temporada inglesa. Não descarto a possibilidade de Rafinha (também reserva no ano) aparecer na lista, apesar de improvável, por ser o atleta que, tecnicamente, mais chega perto de Daniel Alves.

Tite ganha um enorme problema, se confirmada a impossibilidade de seu lateral-direito titular não jogar a Copa. Ele era parte importante da engrenagem ofensiva do time, assim como Marcelo pela esquerda. A mudança piora a equipe e obriga a comissão técnica brasileira a trabalhar novamente alguns conceitos, apesar de não ficar em situação delicada para troca de sistema tático - colocar três zagueiros, por exemplo.

Rodrigo Lasmar, médico da Seleção, vai explicar o problema para o treinador, que decidirá sobre convocar Daniel Alves nesta segunda e esperar o período de três semanas para reavaliação ou já iniciar os treinamentos em Teresópolis sem seu melhor lateral-direito.

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Conto de uma noite de Draft nos Estados Unidos, por um torcedor dos Bills

Gustavo Hofman


Entre um brinquedo e outro, só pensava se a bateria do celular iria aguentar. O relógio marca 8pm e a carga 30%, vai começar o Draft.

Configurações, bateria, modo pouca energia. Pronto, agora aguenta.

“Vamos na Mansão Assombrada?”. Vai com a mamãe, Vitinho, espero aqui fora. Martina, assusta demais, vamos ficar aqui. Sem vacilar, do alto de seus quase três anos, me responde que tudo bem.

Baker Mayfield, Saquon Barkley, Sam Darnold. O Buffalo já não teria o QB que eu achava ideal (não foi a escolha dos Browns) e também não conseguiu a segunda dos Giants. Daqui a pouco a troca vem!

“Papai, quero fazer cocô”. Nossos olhares se cruzam de maneira dramática. “Agora, Martininha? O Cleveland vai fazer a quarta escolha e daqui a pouco os Bills conseguem algo”.

Minutos angustiantes avançam no tempo. Denzel Ward, Bradley Chubb, Quenton Nelson. Caramba, Josh Rosen e Josh Allen disponíveis ainda.

Já fomos no banheiro, não fiquem angustiados. Toda família segue agora em direção ao castelo da Cinderella. Olho no aplicativo da ESPN, sigo para o Twitter. Sim, temos uma troca.

Obrigado Tampa Bay, finalmente teremos nosso Franchise QB novamente, algo que não acontece desde o lendário Jim Kelly.

Josh... Allen.

Fogos de artifício explodem no céu da Flórida. Sinal dos deuses do futebol americano? Na verdade, apenas a festa diária do Mickey.



“Go Bills!”, ouço novamente.

Os torcedores do Billls estão, indiscutivelmente, entre os mais fanáticos da NFL. E formam uma torcida pequena. Torcedores de times pequenos gostam de mostrar a paixão por seus times em qualquer lugar do mundo e interagem entre si. Muito mais do que os grandes.

Fiquei abismado com a quantidade de camisas do Boston Celtics. Sem falar em New York Yankees, Dallas Cowboys, New England Patriots... Mas eles nem se notam, afinal, são muitos já. Torcedores dos Bills fora de Buffalo viram atração turística.

“Go Bills”, ouço de novo e respondo, como sempre, com a mesma frase. Quase sempre a interação vem seguida de conversa. “Are you from Buffalo?”; “Man, I’m from Brazil” e a explicação sobre o início da torcida pelos Bills - sem entrar nos detalhes das transmissões do Luciano do Valle.

Porque hoje é dia de Draft! #GoBills #NFLnaESPN
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Chegamos no ônibus e o motorista já avisa: torcedores dos Bills no fundo! Somos atração.

“Who did Buffalo draft?”, me pergunta um senhor bigodudo, com cara de sono, no hall de entrada do hotel. Ao ouvir Josh Allen, ele se mostra bastante sincero: “Really?!?!”.

As crianças ainda precisam comer. “Go Bills”, a caixa ao lado grita e mostra o crachá, apontando para sua cidade. Buffalo, lógico.

“Hey, listen to me”. Com o boné de Alabama na cabeça, um homem que aparentava 45 anos vem conversar seriamente comigo. “You have AJ McCarron”. Sim, eu sei, mas escolhemos Josh Allen. “Don’t worry, I’m from Alabama, AJ is very good”. Vamos ver.

Já é tarde, mas ainda vai dar tempo para assistir o restante da primeira rodada do Draft na ESPN. “Man, what did you do???”. A interpelação agora acontece por um torcedor do New York Giants.

Selecionamos o Josh Allen. “I know, but Josh Rosen was available. Why did you do that???”. Apenas sorrio.

Banho nas crianças, dentes escovados e todos dormindo. “Fez o check in do voo?”. Vou fazer, mas espera porque o Baltimore Ravens fez uma troca e pegou a última escolha da primeira rodada. Aposto que vai ser o Lamar Jackson, gosto mais dele do que do Josh Allen. Boa noite.

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O efeito Zlatan

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman


Zlatan Ibrahimovic é muito mais do que apenas um excelente jogador de futebol. Seis minutos após estrear pelo Los Angeles Galaxy, acertou um chute que o colocou em destaque novamente no mundo inteiro. Para completar, nos acréscimos, marcou seu segundo gol e o quarto da equipe na incrível virada sobre o novo rival, Los Angeles FC, por 4 a 3. Roteiro perfeito para uma estrela como ele.

Quando a contratação foi anunciada, surgiu um debate extremamente válido sobre o momento da Major League Soccer. A liga, em um passado próximo, havia se tornado destino para veteranos europeus em final de carreira. O próprio Galaxy teve uma experiência ruim com Steven Gerrard, por exemplo, assim como outras boas com David Beckham e Robbie Keane. Nos últimos anos, porém, os clubes mudaram esse perfil da MLS com investimento em jovens e prospecção de talentos na América do Sul. As próprias regras de salary cap foram alteradas para facilitar essa política.

Para se ter uma ideia, os times norte-americanos pagaram para contratar 22 jogadores com no máximo 23 anos na última janela de transferências. O caso mais notório foi do argentino Ezequiel Barco, reforço de 19 anos do Atlanta United, que rendeu 15 milhões de dólares ao Independiente. Quando citamos atletas mais "velhos", não obrigatoriamente estão prestes a se aposentar, e ótimos exemplos são Sebastian Giovinco (Toronto) e Diego Valeri (Portland Timbers), ambos atualmente com 31 anos, mas contratados com 26 e 28, respectivamente.

Negócios que ajudam a entender o rejuvenescimento da MLS e a mudança de foco em reforços. Na prática, a liga deixou de ser um "cemitério de elefantes" para evoluir tecnicamente com atletas jovens e talentosos. Então, a chegada de Ibrahimovic significa um retrocesso? Não é bem assim.

Aos 36 anos, é fato que o sueco está na parte final da carreira. Isso não significa, necessariamente, declínio técnico. Antes de completar 30 anos, o atacante disputou 528 jogos e marcou 232 gols, somando clubes e seleção. Depois que completou três décadas de vida, seu rendimento melhorou: desde então são 318 partidas e 251 tentos anotados.

Como um bom vinho ou uma cerveja de guarda, Ibra se tornou melhor com o tempo. Em sua primeira temporada na Premier League marcou 17 gols e se tornou o jogador mais velho na história da competição a anotar pelo menos 15, marca obtida aos 35 anos e 125 dias em fevereiro de 2017. No total, foram 28 na temporada inglesa, o que lhe garantiu a décima consecutiva na carreira com pelo menos 20 gols. De qualquer modo, muito além dos números, o impacto de Zlatan foi enorme na única temporada cheia disputada pelo Manchester United, com as conquistas da Copa da Liga inglesa e da Europa League.

Veja momento que Ibrahimovic sente o joelho e é substituído contra o Anderlecht

A terrível lesão no joelho direito o deixou afastado dos gramados entre abril e novembro do ano passado. Desde que retornou, disputara apenas 191 minutos de futebol e marcara um solitário tento contra o Bristol, pela Copa da Liga inglesa. José Mourinho indicou, claramente, que o espaço do sueco no elenco tinha sido preenchido. Era hora de procurar novos ares.

Considerando as cinco grandes ligas europeias - Premier League, La Liga, Bundesliga, Serie A e Ligue 1 -, Ibra nas últimas seis temporadas fica atrás apenas de Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Edinson Cavani, Luis Suárez e Robert Lewandowski em gols com 172. O Campeonato Inglês é o principal torneio nacional de clubes do planeta. A Major League Soccer, com toda mudança de perfil descrita mais acima, busca se consolidar como uma liga intermediária, em busca do segundo escalão mundial. Se você é um atleta que, há pouco tempo, se destacava na Inglaterra, naturalmente terá bom rendimento nos Estados Unidos.

Zlatan Ibrahimovic não é um jogador decadente. Está, sem dúvida alguma, nos últimos anos da carreira, mas ainda é uma contratação válida para a MLS e de maneira alguma freará a mudança de perfil em curso na liga.

Com suas atuações ou marketing pessoal, deixa o campeonato em evidência e atrai novos torcedores - no mínimo curiosos. A personalidade do atacante, as frases de efeito e o talento em lidar com as câmeras fazem dele um ótimo personagem para a imprensa norte-americana. Tudo isso em um dos maiores mercados de mídia do mundo, extremamente acostumado a lidar com estrelas desse porte.

Como o próprio Ibrahimovic disse depois do jogo contra o Los Angeles FC, "queriam Zlatan, dei a eles Zlatan".

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Pés no chão! Sem supervalorização e sem desprezo, uma vitória importante da Seleção

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Berlim

Seleção brasileira que enfrentou a Alemanha pela primeira vez depois do 7x1
Seleção brasileira que enfrentou a Alemanha pela primeira vez depois do 7x1 Lucas Figueiredo/CBF

No atual momento da nossa sociedade parece ser impossível achar o equilíbrio. Se você está de um lado, odeia o outro; Caso esteja na direita, jamais irá para a esquerda; Certo ou errado, preto ou branco, frio ou quente, alto ou baixo, gato ou cachorro, arroz e feijão ou feijão e arroz; Equilíbrio, por favor.

A vitória do Brasil contra a Alemanha por 1 a 0, no belíssimo Estádio Olímpico de Berlim, não pode ser supervalorizada a ponto de a Seleção achar que está pronta para conquistar a Copa do Mundo. Porém, não pode ser descartada, pelo fato de os alemães terem utilizado a partida como um grande teste, rodando bastante o elenco. Equilíbrio, por favor.

Durante todo jogo a seleção brasileira teve uma postura reativa. Os alemães propuseram o jogo, tiveram mais posse (58% x 42%) e atacaram mais do que defenderam. Nas palavras dos próprios jogadores brasileiros na zona mista, "soubemos sofrer".

No primeiro tempo a equipe de Tite executou com muita eficiência a proposta de jogo elaborada pelo treinador e pela comissão técnica. Foi melhor do que a adversária. Os jogadores de Joachim Löw rondavam a área de Alisson, mas pouco ameaçavam o gol, enquanto Philippe Coutinho, Willian, Paulinho e Gabriel Jesus puxavam contra-ataques perigosos. Além disso, defensivamente foi um time seguro, absolutamente forte nos desarmes (16 a 14, com aproveitamento de 59.3% contra 48.3%).

Coube ao atacante do Manchester City, após perder gol incrível, contar com a falha de Kevin Trapp e abrir o placar. Vantagem parcial merecida para a Seleção, que voltou bem para o segundo tempo. Perdeu chances que em uma Copa podem fazer muita falta, e depois foi dominada.

Mapa de calor da seleção brasileira na vitória sobre a Alemanha
Mapa de calor da seleção brasileira na vitória sobre a Alemanha TruMedia/ESPN

Mapa de calor da seleção alemã na derrota para o Brasil
Mapa de calor da seleção alemã na derrota para o Brasil TruMedia/ESPN

Sim, dominada é a palavra. Domínio de um jogo não significa, necessariamente, criar diversas chances de gol, algo que a Alemanha realmente não fez - no total, 13 finalizações e apenas um certa, contra 10 (3). Só que os alemães avançaram territorialmente, pressionaram os brasileiros e anularam os pontos fortes, até então, do Brasil, que trocou poucos passes no jogo, apenas 371 e 79.8% de acerto (alemães com 547, 85.6%). Foi um excelente teste para o sistema defensivo de Tite, mas a capacidade reativa ficou abaixo do esperado. Somente quando Douglas Costa entrou a Seleção voltou a agredir, ou ao menos ameaçar, o adversário.

Teste válido, importante, que mantém a confiança e mostra a evolução de um time totalmente desacreditado há menos de dois anos e que hoje está entre os favoritos ao título do Mundial, além de ter encarado o fantasma do 7x1. Demonstra, também, a necessidade de evolução, porque o nível da Copa será superior ao do amistoso desta terça-feira.

Adendo: dez dias de treinamentos e dois jogos que renderam, muito provavelmente a Tite, algumas certezas (incluindo informações de bastidores): Fred ganhou bastante moral na briga por uma vaga no meio-campo reserva; Douglas Costa é melhor do que Taison; Philippe Coutinho pode render bem por dentro; Willian não pode ir para o banco; Paulinho tem importância vital na variação ofensiva-defensiva do 4-3-3 para o 4-1-4-1.

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