Sem estrelas abaixo e acima dos 23 anos, Alemanha não é potência olímpica no futebol

Gustavo Hofman
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Max Meyer comemora gol na vitória do Schalke 04 sobre o Eintracht Frankfurt na última temporada
Max Meyer comemora gol na vitória do Schalke 04 sobre o Eintracht Frankfurt na última temporada

Diferentemente da Seleção Brasileira, que lutou para trazer todos os melhores jogadores disponíveis aos Jogos Olímpicos, a Alemanha não teve o mesmo esforço. Dois anos após o título mundial e na sequência da semifinal na última Eurocopa, os alemães vêm com um time forte, mas longe do ideal.

Entre os 18 convocados pelo técnico Horst Hrubesch - profissional de 65 anos e desde 2000 a serviço das equipes menores da DFB - poucos têm muito destaque na Bundesliga. Julian Brandt, talentoso atacante do Bayer Leverkusen, e Max Meyer e Leon Goretzka, grandes promessas do Schalke, chamam a atenção, além de Serge Gnabry, aposta de Arsène Wenger em Londres. Há um campeão mundial no grupo também, o zagueiro Matthias Ginter, do Borussia Dortmund.

Goleiros: Timo Horn, 23 (Colônia) e Jannik Huth, 22 (Mainz);

Defensores: Robert Bauer, 21 (Ingolstadt), Matthias Ginter, 22 (Borussia Dortmund), Lukas Klostermann, 20 (RB Leipzig), Niklas Süle, 20 (Hoffenheim), Philipp Max, 22 (Augsburg) e Jeremy Toljan, 21 (Hoffenheim);

Meias e atacantes: Lars Bender, 27 (Bayer Leverkusen), Sven Bender, 27 (Borussia Dortmund), Julian Brandt, 20 (Bayer Leverkusen), Max Christiansen, 19 (Ingolstadt), Serge Gnabry, 21 (Arsenal-ING), Leon Goretzka, 21 (Schalke), Max Meyer, 20 (Schalke), Grischa Prömel, 21 (Karlsruher), Davie Selke, 21 (RB Leipzig) e Nils Petersen, 27 (Freiburg).

A explicação para outras estrelas da categoria olímpica, ou seja, sub-23, terem ficado de fora passa pelas competições oficiais do calendário europeu. Quem disputou a Euro (Jonathan Tah, Joshua Kimmich, Julian Weigl, Emre Can, Julian Draxler e Leroy Sané) ou está nas fases preliminares de Liga dos Campeões ou Liga Europa (Mahmoud Dahou, Borusia Mönchengladbach; Niklas Stark, Hertha Berlim) foi poupado.

O mesmo raciocínio serve para os atletas acima de 23 anos, por isso nenhuma grande estrela alemã foi convocada por Hrubesch. O treinador optou por levar os irmãos Bender, Lars e Sven, de 27 anos, e surpreendeu ao trazer para o Brasil o atacante Nils Petersen, também de 27.

Após surgir como revelação no Energie Cottbus, Petersen se transferiu em 2011 para o Bayern Munique. No entanto, jamais se firmou, foi emprestado ao Werder Bremen e de lá seguiu a carreira, acertando com o Freiburg na sequência. Na temporada passada foi campeão com a equipe na segunda divisão alemã e vice-artilheiro da competição com 21 gols. Acabou premiado com o passaporte carimbado para a Olimpíada - nunca foi chamado para a seleção principal e sua última experiência internacional foi em 2009 com a sub-21.

Na história olímpica a Alemanha não tem o mesmo peso que apresenta na Fifa. Como país unificado, conquistou o bronze em 1964 e já como Alemanha Ocidental repetiu o feito em 1988 - última participação alemã, em um time com Thomas Hässler, Jürgen Klinsmann e Karl-Heinz Riedle como estrelas. Já a Oriental, entre 1972 e 80, ficou na sequência com bronze, ouro e prata.

A Alemanha estreia nesta quinta-feira contra o México, com transmissão ao vivo da ESPN a partir de 19h30. Curiosamente, faz seu primeiro jogo no mesmo local da Copa de 2014, em Salvador. Depois encara a Coreia do Sul também na capital baiana três dias depois e encerra a participação na primeira fase em Belo Horizonte, palco do 7 a 1, contra Fiji.

A expectativa é que alcance pelo menos as semifinais, e o mais provável cruzamento é contra o Brasil, no Maracanã.

Fonte: Gustavo Hofman

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Ideias e sugestões para o Brasil melhorar o desempenho, que está ruim

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Seleção brasileira titular, no empate com Senegal em 1 a 1
Seleção brasileira titular, no empate com Senegal em 1 a 1 Lucas Figueiredo/CBF

"Esteve abaixo do seu padrão técnico, do seu normal competitivo".

A frase de Tite deixa clara a análise ruim do empate em 1 a 1 do Brasil com Senegal, nesta quinta-feira. Não evidencia, porém, o momento ruim da seleção brasileira. São três amistosos sem vitória e com atuações bem longe do ideal.

O treinador não se mostra acomodado, mas é necessário mais. Contra os senegaleses, um novo esquema tático foi testado, o 4-4-2, que faz mais sentido dentro das funções pensadas para os atletas, principalmente Neymar. Tite, porém, precisa de desapegar de alguns jogadores e algumas ideias.

Modestamente, sugiro alguns tópicos para debate.

A TÁTICA

Os primeiros dez minutos foram positivos. Boa movimentação, posse de bola, marcação alta e efetividade. O gol marcado por Roberto Firmino surge em jogada iniciada por Philippe Coutinho por dentro, com Gabriel Jesus quebrando a linha de marcação com drible e passe. A partir daí, Senegal foi superior.

A tática brasileira tem sido pensada ao redor de Neymar, por ser o melhor do time - e precisa justificar isso. Assim, o 4-4-2, com o atacante do PSG tendo liberdade de movimentação, faz muito sentido. Assim como o movimento de Roberto Firmino, saindo da área para armar e buscar tabelas.

Coutinho partindo da direita para dentro - o treinador já queria voltar a utilizá-lo aberto novamente - pode tirar o melhor do meio-campista do Bayern, que na Alemanha joga como meia avançado central no 4-2-3-1 de Niko Kovac. Permanece, também, como opção nessa função para Tite em variações durante os jogos. Foi assim por poucos minutos na segunda etapa diante de Senegal.

A partir daí, é necessário pensar em mais alternativas, Mudamos de tópico.

MAIS TESTES

O 4-4-2 precisa de sequência para evoluir. Ele "surgiu" porque Tite e seus auxiliares compreendem que o momento do time não é bom, por isso é necessário mudar. Pois bem, chegou a hora de ousar mais.

Casemiro não é peça obrigatória na escalação dentro desse sistema. No Real Madrid e no 4-3-3/4-1-4-1 da seleção usado até a Copa de 2018, o meio-campista tem função de primeiro homem no setor, mais recuado. Em linha ele pode atuar, naturalmente, mas não há a necessidade de se jogar semnpre com ele. Por que não pensar em Lucas Paquetá ao lado de Arthur contra adversários de médio ou pequeno porte?

A função defensiva, nessa ideia, contempla um meia ao invés de um volante. Linhas altas de marcação, controle do jogo a partir da posse de bola, qualidade nos passes, é possível pensar em um meio-campo sem o jogador desginado quase que exclusivamente para a marcação.

Ainda nessa posição, Fabinho merece mais oportunidades. Nesse caso, mantendo a ideia de um jogador mais forte defensivamente. E por que não Gerson, do Flamengo? Um ótimo exemplo de jogador ofensivo, talentoso, que executa muito bem a função sem a bola.

Felizmente Matheus Henrique ja foi testado, assim como Renan Lodi na lateral-esquerda, mas aí surge outro "problema".

ALTERAÇÕES RÁPIDAS E MAIS OUSADIA

Everton foi a primeira troca, aos 14 minutos do segundo tempo, e a mais óbvia também. Depois vieram Matheus Henrique, Richarlison e Renan Lodi aos 23, 27 e 34, respectivamente.

O primeiro tempo foi apático, depois dos dez minutos iniciais. O time voltou com outra postura do intervalo, sem dúvida, mas poderia ter retornado com mais. Mais audácia e velocidade em substituições podem ser o caminho. Renan já poderia ter voltado para a segunda etapa, uma vez que Alex Sandro não estava se destacando.

Com Coutinho aberto pela direita, flutuando como meia, o corredor pela esquerda precisa ser explorado. O próprio Matheus poderia ser uma opção a Casemiro e não Arthur, para deixar o meio mais criativo. Alterações para provocar algo novo no time.

A comissão técnica analisa os jogadores durantes os treinamentos também, mas as partidas são fundamentais nesse processo. Por isso as oportunidades precisam surgir, e há tempo para isso: faltam três anos para o Mundial, com uma Copa América pelo caminho em 2020, além das eliminatórias que começam em março.

VETERANOS

Tite tem plena consciência das idades avançadas de Daniel Alves e Thiago Silva. O zagueiro está com 35 anos e, ao menos, há boas opções de substituição. Aos 36 anos, a situação do lateral começa a preocupar bem mais. A excelente Copa América dele fez todos imaginarem a possibilidade de contar com seu futebol aos 39 anos no Catar. A transferência para o futebol brasileiro talvez obrigue mudança nos planos.

No São Paulo, Daniel não é lateral e, pelas entrevistas, não demonstra qualquer vontade de jogar nessa posição. Vai jogar muito mais nesse período, o que vai gerar bem mais desgaste também. O problema é que as opções são escassas.

Marcinho, do Botafogo, observado há alguns meses, foi o escolhido na atual convocação. Fágner e Danilo são os outros preferidos. É a posição mais carente do futebol brasileiro, mas é preciso agir rápido. Por mais que não seja um jogador espetacular, Danilo, aos 28 anos, talvez seja a melhor peça disponível.

Danilo mais fixo, com menos avanço, equilibraria a fase ofensiva tendo a esquerda para Renan Lodi avançar. Isso demandaria um atacante de velocidade, um contra um, pela direita, para completar a amplitude no campo de ataque. Everton, por exemplo, é uma alternativa bastante válida, com a possibilidade de, em situações de jogo, inverter com Coutinho e alterar o balanço ofensivo.

Enfim, é fato que o Brasil não está jogando bem. Como Albert Einstein já falou, "insanidade é continuar fazendo a mesma coisa e esperar resultados diferentes". Identifico na atual comissão técnica atitudes de mudança, mas a realidade tem exigido mais da seleção brasileira.

Fonte: Gustavo Hofman

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Clássico sueco deixa quatro times na briga pelo título faltando três rodadas

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Vitória do Hammarby por 2 a 1 sobre o Djurgardens deixou o campeonato aberto
Vitória do Hammarby por 2 a 1 sobre o Djurgardens deixou o campeonato aberto Hammarby

Foi um final de semana com mudanças na briga pelo título sueco. Em Estocolmo, pela 26a rodada, o Hammarby venceu no domingo o Djurgardens por 2 a 1, como visitante, e fez com que o rival perdesse a primeira colocação. Isso porque o o Malmö bateu o IFK Gotemburgo por 1 a 0 e assumiu a ponta, agora com 59 pontos.

O Djurgardens tem a mesma pontuação, mas perde no saldo de gols (+30 contra +35). O Hammarby foi a 56 pontos, assim como o AIK - atual campeão, que fez 2 a 0 no Örebro - e os dois clubes também entraram de vez na disputa pelo título da Allsvenskan. Na Suécia a temporada de futebol começa e termina no mesmo ano, sem a necessidade de enfrentar o rigorosíssimo inverno. Por conta disso, faltam apenas três rodadas para o final do campeonato.

Há muita rivalidade entre Djrudargens e Hammarby. Ambas equipes têm suas origens na região metropolitana de Estocolmo, nos distritos de Östermalm e Södermalm, respectivamente, regiões muito próximas. O jogo aconteceu na Tele2 Arena, que desde 2013 é dividida pelos rivais, e contou com grande público: 25.053 (torcidas dos dois lados).

O Hammarby, aliás, tem sido consistentemente o time com a melhor média de público nos países escandinavos há cinco anos. Como visitantes, neste domingo, os torcedores fizeram uma enorme festa, inclusive enchendo o estádio de fumaça no início, graças aos sinalizadores.

No gramado artificial do estádio, os dois times não apresentaram novidades táticas. Atuaram no 4-2-3-1, com variação para o 4-4-2 na fase defensiva. O Djurgardens começou melhor, pressionando o Hammarby, mas de qualquer modo eram dois times que buscavam o gol dentro de suas estratégias. Não há primor técnico, mas alguns bons jogadores e sempre a busca pelo ataque - o que tornou o jogo bastante agradável, ainda mais com o clima bem legal nas arquibancadas.

O domínio inicial dos mandantes durou pouco. Com pouco mais de dez minutos, o Hammarby passou a ficar mais com a bola nos pés e terminou o primeiro tempo com 60% de posse. De qualquer modo, chances de gols aconteceram para os dois lados.

Na segunda etapa de jogo, a situação foi inversa ao início da partida, com o Hammarby superior. A diferença foi o aproveitamento das oportunidades criadas. Aos oito minutos, Simon Sandberg levantou a bola na área e Nikola Djurdjic mergulhou para fazer 1 a 0. Três minutos depois, em tentativa de saída de bola errada, Elliot Käck foi desarmado por Sandberg, que tocou na entrada da área para Alexander Kacaniklic. Com calma, o meia avançado no 4-2-3-1 do Hammarby tocou na saída de Tommy Vaiho para ampliar o placar.

A partir daí, o Djurgardens passou a pressionar em busca do empate e a expulsão do dinamarquês Jeppe Andersen, logo aos 14, colaborou para isso. A posse de bola dos mandantes subiu para 71% no segundo tempo e terminou com média de 56% no total. Foram 16 finalizações contra seis, sendo sete a dois no alvo - na prática, os dois chutes do Hammarby que foram no gol entraram.

A pressão aumentou muito, mas somente aos 29 minutos o Hammarby sofreu o primeiro gol. Depois de cobrança de escanteio, Jacob Une-Larsson cabeceou, Davor Blazevic espalmou e o atacante Mohamed Buya Tural, de Serra Leoa, pegou o rebote na pequena área e diminuiu. Depois, bola no travessão, grandes defesas, cruzamentos na área, chance clara no último lance, enfim, todo roteiro de drama nos últimos minutos foi cumprido, mas sem o gol de empate.

Contra o Djurgardens, Muamer Tankovic não brilhou, mas o atacante de 24 anos, que se profissionalizou pelo Fulham, é o artilheiro do Campeonato Sueco com 14 gols e também já distribuiu sete assistências 

Individualmente, vale destacar ainda o bom meia-armador albanês Astrit Ajdarevic, do Djurgardens, e o meio-campista Darijan Bojanic, do Hammarby. O primeiro já é mais rodado, tem 29 anos, passou pela base do Liverpool e depois por diversos clubes por todo continente. O segundo dita o ritmo do time, a bola passa muito por seus pés (deu oito assistências no campeonato) e tem 24 anos - vale uma observação maior. Bojanic, aliás, nasceu na Suécia, mas sua mãe bósnia fugiu da guerra na Iugoslávia com ele na barriga.

Historicamente o país escandinavo monta seleções competitivas e forma grandes jogadores. Os clubes suecos, porém, não têm históricos positivos em competições continentais. O IFK Gotemburgo é o protagonista das maiores conquistas, com dois títulos da Copa da Uefa (atual Liga Europa) em 1981-82 e 86-87. O Malmö bateu na trave em 1979 na Champions League, quando perdeu na final para o lendário Nottingham Forest, primeiro título do clube inglês sob o comando do técnico Brian Clough.

A primeira divisão sueca é formada por 16 clubes e chamada de Allsvenskan. O campeão se classifica apenas para a primeira fase preliminar da Champions, enquanto vice e terceiro vão para a primeira preliminar da Europa League. Os dois últimos são rebaixados e o 14o disputa ainda playoff com o terceiro colocado da segundona. Nenhum time tem mais títulos que o Malmö, com 23.

Fonte: Gustavo Hofman

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Goleada, muita confusão e uma terrível lesão marcaram o maior clássico do futebol mexicano

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

América venceu o 'Super Clásico' bastante conturbado
América venceu o 'Super Clásico' bastante conturbado América

No clássico de número 200 entre América e Guadalajara, infelizmente o futebol ficou em segundo plano. Mesmo com a goleada de 4 a 1 das Águilas sobre as Chivas, diante de 63.908 torcedores no Estádio Azteca, o que mais chamou atenção foi a terrível lesão sofrida por Giovani dos Santos.

Aos 37 minutos o primeiro tempo, Antonio Briseño fez falta extremamente violenta no camisa 10 do América. Ao dividirem a bola, Giovani a toca antes e o chute de Briseño acerta a coxa do meio-campista, provocando um enorme corte. Todos em campo ficaram chocados com a ferida aberta.

Foram 30 pontos na perna de Giovani e não há tempo previsto para a recuperação. O jogador do Chivas já entrou em contato com ele e pediu desculpas.

Em campo, taticamente, o América atuou na variação do 4-2-3-1 na fase ofensiva, dando total liberdade a Giovani dos Santos, e 4-4-2 na marcação. Já o Chivas - que teve a estreia do técnico Luis Fernando Tena -  entrou em campo com linha de cinco defensores, no 5-4-1 na fase defensiva, que virava um 3-4-3 de linhas altas, para pressionar o adversário.

O primeiro gol saiu aos 18 minutos, ainda com 11 x 11 e após empolgante contra-ataque do América, que terminou com a finalização de Francisco Córdova dentro da grande área.

Já com um jogador a mais em campo, após a expulsão de Briseño, o América tomou conta da partida, que estava equilibrada. O segundo gol saiu aos 49, novamente com Córdova.

No segundo tempo, o Chivas voltou bem e conseguiu diminuir com Alan Pulido, aos cinco minutos. Apesar do susto, o América recuperou o controle da partida, tanto é que terminou com 56% de posse de bola e 26 a quatro em finalizações (11 x 2 certas).

Como em todo clássico, polêmica com arbitragem não pode faltar. Aos 21, Fernando Beltrán dividiu com Andrés Ibargüen na grande área por baixo e o árbitro Fernando Guerrero nada marcou. O VAR chamou e ele manteve a  opinião. Só que na cobrança de escanteio, Paul Aguilar pegou o rebote e chutou; Miguel Ponce se atirou e cortou a finalização. A bola toca no ombro e, aparentemente, na mão. Agora sim, pênalti marcado e convertido por Emmanuel Aguilera.

Depois de quase dez minutos de confusão, que resultou também na expulsão de Alan Cervantes por reclamação, o Chivas, com dois a menos, desistiu do jogo. No final, aos 44, Henry Martín, em belo voleio, deu números finais: 4 a 1. Com a vitória, o América foi a 21 pontos e ocupa a terceira colocação, após 12 rodadas, enquanto o Chivas está na antepenúltima posição, com somente 11, mas uma partida a menos.

Entre os técnicos, nove jogos, seis vitórias, dois empates e apenas uma derrota para Miguel Herrera como técnico do América. Já Luis Fernando Tena, campeão olímpico com a seleção mexicana em 2012, inicia sua primeira passagem pelo Chivas com goleada sofrida.

Em partidas oficiais, o América conta agora com 72 vitórias, 65 empates e 63 derrotas contra o Chivas. "El Súper Clásico" deste final de semana foi muito bom, mas infelizmente marcado pela terrível lesão de Giovani dos Santos.

Fonte: Gustavo Hofman

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Dérbi Eterno seguiu o roteiro esperado: muita emoção e confusão na vitória do Partizan sobre o Estrela Vermelha

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Vitória alvinegra por 2 a 0 em um dos maiores clássicos do mundo
Vitória alvinegra por 2 a 0 em um dos maiores clássicos do mundo Partizan

Nenhum clássico no futebol mundial tem um nome tão imponente quanto "Dérbi Eterno". Partizan Belgrado e Estrela Vermelha são protagonistas de uma das maiores rivalidades esportivas. Os dois rivais da capital sérvia voltaram a se enfrentar no domingo pelo campeonato nacional, e a festa foi preta e branca.

O Partizan venceu por 2 a 0, em jogo válido pela nona rodada, foi a 17 pontos e se aproximou do Estrela Vermelha, que tem um a mais, na tabela. Os dois clubes ocupam a quinta e a quarta colocações, respectivamente, e têm dois jogos a menos que o líder Backa Topola, por conta dos compromissos continentais em Europa League e Champions League.

O campeão europeu de 1991 iniciou sua campanha na Liga dos Campeões com derrota, no meio da semana, para o Bayern, fora de casa, por 3 a 0. Já o Partizan recebeu o AZ e ficou no empate em 2 a 2 pela Liga Europa.

Mais de 30 mil pessoas lotaram o Stadion Partizana, que curiosamente, fica muito próximo da casa adversária, o Marakana: os dois estão distantes apenas um quilômetro, cerca de dez minutos caminhando. Por conta dos compromissos europeus, os treinadores pouparam alguns titulares no início do jogo, casos de Lazar Markovic, Umar Sadiq e Zoran Tosic pelos mandantes e Aleksa Vukanovic, Mirko Ivanic e Milan Pavkov pelos visitantes, além do meio-campista argentino Mateo García, que sequer foi relacionado.

O técnico do Partizan é o ex-centroavante Savo Milosevic, de 46 anos, que defendeu o clube como jogador, além de Aston Villa, Zaragoza, Parma, entre outros. A carreira como técnico começou em março deste ano, a convite do clube de coração, após experiência como assistente na seleção de Montenegro.

A partida, como em todos dérbis, foi muito tensa. O esquema de policiamento é similar ao de um confronto armado em plena cidade. A Sérvia, diferentemente do que acontece em diversos locais pelo mundo onde o fanatismo nas torcidas impera, não adotou o modelo de torcida única. Ainda no primeiro tempo, quando Marko Marin foi cobrar um escanteio bem em frente aos ultras do Partizan, uma bomba estourou próxima aos seus pés.

Em campo, taticamente, o Estrela Vermelha jogou na variação do 3-5-2 para o 5-3-2, mudando para o 4-4-2 no segundo tempo, enquanto os donos da casa utilizaram 4-3-3/4-1-4-1 da fase ofensiva para a defensiva. A tensão das arquibancadas passa para o gramado, e jogadas fortes acontecem aos montes. Pouquíssimas chances de gol no primeiro tempo.

Logo no início da segunda etapa, a tradicional chuva de sinalizadores da torcida do Estrela Vermelha aconteceu, quando vários são atirados em direção à pista de atletismo. Na Sérvia, os bombeiros já esperam isso em todos os Dérbis Eternos e, inclusive, deixam a pista molhada como forma de prevenção. Aos 21, foi a vez dos torcedores do Partizan paralisarem o jogo, graças à fumaça de seus sinalizadores. 

O único brasileiro em campo foi o lateral-esquerdo Jander, de 31 anos, que começou a carreira no Marília e passou pelo Juventude, antes de seguir para a Europa

Outra paralisação aconteceu aos 31 minutos, quando parte da torcida do Partizan estendeu uma faixa com dizeres contra o presidente da federação sérvia, Slavisa Kokeza. Nenhum policial se arriscou a entrar no meio da principal organizada do clube, a Grobari. Um membro da torcida, após cinco minutos com o jogo parado, a retirou.

E até mesmo quando o futebol predomina, com o golaço marcado por Seydouba Soumah aos 38, em finalização de fora da área, tem confusão. O atacante guineano comemorou em direção à torcida do Estrela Vermelha; O goleiro Milan Borjan foi tirar satisfação e o empurra-empurra começou.

Já nos acréscimos, aos 48, Zoran Tosic, que tinha acabado de entrar, definiu o placar, já com o Estrela Vermelha com um jogador a menos, após a expulsão de Milo Vulic, pouco antes.

No total, os clubes já se enfrentaram 252 vezes em todas competições, com 109 vitórias do Estrela Vermelha, 63 empates e 80 triunfos do Partizan Belgrado. Não é um jogo em que a técnica se destaca, mas não há outro clássico no mundo com tamanha tensão.

Fonte: Gustavo Hofman

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Red Bull Salzburg parte para seu maior voo continental

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Red Bull Salzburg venceu sem dificuldades o Hartberg, pela sétima rodada do Campeonato Austríaco
Red Bull Salzburg venceu sem dificuldades o Hartberg, pela sétima rodada do Campeonato Austríaco Red Bull Salzburg

Demorou, mas finalmente aconteceu. 

Foram 13 eliminações nas fases preliminares da Champions League, incluindo sete consecutivas até o ano passado. Graças ao título do Liverpool na temporada passada, o Red Bull Sazburg herdou uma das vagas inglesas na competição e encerrou longo jejum. Desde 1994-95, ainda como Casino Salzburg, não disputava a fase de grupos da principal competição continental da Europa.

Nesta terça, em casa, recebe o Genk, em jogo válido pelo Grupo E. No sábado, entrou em campo pela sétima rodada da Bundesliga austríaca e massacrou o Hartberg por 7 a 2.

O jogo foi absolutamente tranquilo, como o placar já indica. Com menos de um minuto, Andreas Ulmer já tinha perdido um gol feito, cara a cara com o goleiro do Hartberg, René Swete. De boa campanha no campeonato, o time visitante entrou em campo com postura tática ofensiva, montado no 4-3-2-1. Ficou apenas na teoria.

Em campo, o Red Bull se impôs com 61% de posse de bola. Foram incríveis 34 finalizações e 17 certas, contra apenas nove sofridas – três no alvo e dois gols, é bem verdade.

Jesse Marsch vai se tornar o primeiro técnico norte-americano a comandar um time na fase de grupos da Champions. Após ser assistente de Bob Bradley na seleção dos Estados Unidos e comandar Montreal Impact e New York Red Bulls na MLS, ele se tornou assistente técnico de Ralf Rangnick no RB Leipzig. Com a troca de treinador no clube alemão e a chegada de Julian Nagelsmann, Marsch partiu para um novo desafio e assumiu o Salzburg nesta temporada.

Taticamente o Red Bull atuou no 4-4-2 - uma mudança em relação ao 3-5-2 que foi utilizado na rodada anterior e é uma opção de variação - e tem bons jogadores no elenco. A linha de defesa tem o zagueiro brasileiro André Ramalho como destaque. Ele se tornou o primeiro jogador na estrutura da Red Bull no Brasil a ser contratado pelo Salzburg. Foi inicialmente para o Liefering, uma espécia de clube B da empresa, e depois para o principal. Na sequência foi negociado com o Bayer Leverkusen, emprestado ao Mainz e retornou à Áustria no ano passado.

Além dele, merece destaque ainda no setor defensivo o jovem Maximilian Wöber, de 21 anos e enorme potencial. Revelado na base do Rapid Viena, passou sem sucesso por Ajax e Sevilla, até se tornar o jogador mais caro contratado por um time da Bundesliga austríaca: 12 milhões de euros.

Do meio para a frente, o meia Zlatko Junuzovic, de 31 anos e ex-Werder Bremen, e o jovem atacante norueguês Erling Haland, 19, revelado pelo Molde, grandalhão de 1m94, mas que se movimenta bem, são as outras atrações de um time taticamente muito organizado.

O primeiro gol saiu no vigésimo terceiro minuto, com André aproveitando um rebote dentro da grande área. Aos 36, o japonês Masaya Okugawa fez o segundo, aproveitando cruzamento de Haland. Para fechar o primeiro tempo, o Hartberg se aproveitou de uma jogada de bola parada e em cobrança de escanteio, Michael Huber descontou. Na sequência, o único susto do Red Bull no jogo, com o quase empate dos visitantes, em lance que Stefan Rakowitz perdeu de cabeça.

Na segunda etapa os donos da casa não deram mais chances aos adversários. O zambiano Patson Daka e Haland foram os nomes do jogo, com dois e três gols, respectivamente. O placar chegou a ficar em 4 a 2, mas depois o 7 a 2 foi confirmado e o Red Bull se manteve tranquilo na liderança, com 100% de aproveitamento após sete rodadas.


Poucos times no mundo têm um domínio parecido ao do Red Bull Salzburg no futebol austríaco. Desde que a empresa de bebidas energéticas comprou o Casino Salzburg e o renomeou em 2005, o clube jamais terminou abaixo da segunda posição. São dez títulos do Campeonato Austríaco e quatro vices, além de seis conquistas da Copa da Áustria. No período anterior, como Austria Salzburg, de 1933 a 2005, foram apenas três títulos nacionais.

Essa condição de dominante nacionalmente gera uma situação complicada para diversos times quando jogam internacionalmente. Na Bundesliga, o Red Bull Salzburg se impõe diante de todos os adversários; Já na Champions League será pressionado pelos rivais.

Quando analisada a média da distância de passes certos de todos os times que vão jogar a Champions, em seus campeonatos nacionais, o Red Bull tem a oitava menor, com 17.39. O que indica o controle de seus jogos a partir da posse de bola e passes mais curtos, menos ligação direta.

Contra o Genk, nesta terça, em Salzburgo, será possível manter o estilo. Já contra os favoritos Liverpool e Napoli, o Red Bull Salzburg deve se comportar como o Hartberg nesse final de semana.

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O Re-Pa do Século teve casa cheia, bom jogo e rival eliminado

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Jogadores do Paysandu comemoram a vitória e a classificação
Jogadores do Paysandu comemoram a vitória e a classificação Jorge Luiz/Paysandu

O empate de número 254 em um dos maiores clássicos do Brasil garantiu ao Paysandu a classificação para as quartas de final da Série C e provocou a eliminação do Remo.

Disputado no último domingo, o jogo era muito aguardado pelo caráter decisivo, a ponto de ser chamado de "Re-Pa do Século". No final das contas, com a vitória do Ypiranga sobre o Juventude, a igualdade no placar sacramentou o adeus dos azulinos da competição nacional. Já os bicolores, que dependiam apenas do empate para avançar, ficaram com a quarta posição no Grupo 2 e agora encaram o Náutico, primeiro da outra chave.

Algumas figuras bem conhecidas do futebol brasileiro estiveram em campo e fora dele. A começar pelos treinadores, os veteranos Hélio dos Anjos e Márcio Fernandes, comandantes de Paysandu e Remo, respectivamente.

Os azulinos contaram com a presença do centroavante Neto Baiano, de 36 anos, ex-Vitória, CRB, Sport e tantos outros, além do meio-campista Eduardo Ramos, 33, que chegou a ter passagem pelo Corinthians em 2009 e depois defendeu Goiás, São Caetano, Santo André e mais alguns clubes, além do próprio rival do final de semana. Já o bicolor teve o lateral-direito Tony, 30, que passou pelo Grêmio entre 2012 e 2013, e o meia Tomás Bastos, 27, ex-Botafogo - destaque recente do Papão na Série C, com cinco gols em quatro jogos.

Nas arquibancadas do Mangueirão foram 26.946 pagantes e 4.360 não-pagantes, com público total  de 31.306 e renda bruta de R$ 1.217.840,00. Uma enorme e linda festa das duas torcidas rivais.

Nos primeiros cinco minutos, o Paysandu foi superior, com mais volume de jogo. Taticamente a equipe de Hélio dos Anjos foi escalada no 4-2-3-1 com a bola e 4-4-2 na fase defensiva. Já o Remo entrou em campo na variação do 4-3-3 para 4-1-4-1.

Em jogos de baixa qualidade técnica - e estou acostumado a isso na #AssisteaíHofman pela aleatoriedade na escolha das partidas - a pouca organização tática é muito comum. Há padrões que são seguidos, como os citados no parágrafo acima, mas a compactação defensiva, por exemplo, é bem complicada, o que torna normal a marcação com apenas seis jogadores.

O Leão abriu o placar. Aos sete minutos, Wesley roubou a bola de Micael, na linha de defesa do Papão, e bateu forte para defesa de Mota. No rebote, o próprio Wesley finalizou novamente para fazer 1 a 0 no primeiro ataque do time. A partir daí, o Paysandu assumiu o controle do jogo.

Tomás Bastos era o jogador mais acionado no campo, tanto na faixa central, como pela direita, onde buscava muitas jogadas com Hygor e Tony. O excesso de passes errados atrapalhava a criação de lances perigosos. Até 47 minutos.

Foi quando Marcão derrubou Micael na grande área, após levantamento na área em cobrança de falta no último lance da etapa inicial. Tomás Bastos cobrou o pênalti e anotou um extra point, que no futebol não conta ponto. Ele escorregou e chutou a bola muito alto.

Logo depois, uma enorme confusão tomou conta do gramado e a polícia teve que entrar para acalmar os ânimos.

Entre os desfalques dos dois times, quem mais falta fez foi o atacante Gustavo Ramos, artilheiro do Remo na Série C, com cinco gols. O Re-Pa, aliás, foi apitado por Luiz Flávio de Oliveira pela quarta vez na carreira.

O segundo tempo voltou com o mesmo roteiro, com o Paysandu sendo o time da posse de bola. Depois de tanto pressionar - apesar do susto protagonizado pelo goleiro Mota, aos 13, que quase não dominou uma bola recuada - o empate saiu. Aos 28, Tony deu belo passe para Vinícius Leite, que entrara no intervalo no lugar de Wesley Pacheco, dominar, finalizar forte e marcar um belo gol.

A igualdade no placar classificava as duas equipes até 46 minutos da etapa final, quando a notícia do gol do Ypiranga apareceu no telão do Mangueirão.

Nas quartas de final da Série C, o Paysandu começa a decisão com o Náutico em Belém. Já o Remo se concentra exclusivamente agora na Copa Verde, onde vai enfrentar o Atlético Acreano - competição na qual os bicolores seguem vivos também, enfrentam o Bragantino, em duelo paraense.

E para manter o costume do futebol brasileiro, o Remo anunciou na segunda-feira a demissão técnico Márcio Fernandes.


RE-PA

Jogos: 749
Remo: 261 vitórias
Paysandu: 234 vitórias
Empates: 254
Gols: 1899
Remo: 950 gols
Paysandu: 949 gols

Fonte: Gustavo Hofman

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O Re-Pa do Século teve casa cheia, bom jogo e rival eliminado

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Jogo de Premier League na terceira divisão - ao menos na história

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

O Sunderland conquistou a primeira vitória nesta temporada da League One, ao bater o Portsmouth
O Sunderland conquistou a primeira vitória nesta temporada da League One, ao bater o Portsmouth Sunderland

Os tempos já não são gloriosos para Sunderland e Portsmouth. Ambos têm títulos da primeira divisão e da FA Cup, já estiveram na Premier League, mas agora encaram a realidade competitiva da terceira divisão inglesa.

No sábado, o Sunderland recebeu o Portsmouth e venceu por 2 a 1, pela terceira rodada da League One. Os dois times estão distantes de Lincoln City e Blackpool, que mantém 100% de aproveitamento.

Os torcedores do Portsmouth que viajaram 540 km do sul da Inglaterra ao norte fizeram muito barulho no Stadium of Light e começaram empolgados. Mesmo tendo menos posse de bola, os visitantes eram mais perigosos e criavam as melhores jogadas.

Jogando no 4-3-3 na fase ofensiva e o 4-1-4-1 sem a bola, o Pompey conseguiu abrir o placar aos 22 minutos com Ellis Harrison. Porém, tomou o empate rapidamente, cinco minutos depois, quando o zagueiro Jordan Willis subiu mais que a defesa em cobrança de escanteio.


Diante de sua torcida, arquibancada cheia com 29.140 presentes, os Black Cats não se incomodavam em serem pressionados. Primeiro no 4-1-4-1 e depois no 4-4-2, o Sunderland trocou menos passes e finalizou pouco. Em todo jogo, somente cinco vezes, mas o Portsmouth não conseguiu transformar seu controle do ritmo em chances de gol. Teve apenas uma finalização a mais em toda partida.

O detalhe estatisticamente curioso do jogo - de pouquíssimas chances para marcar - é que houve apenas três finalizações certas e todas viraram gol. O terceiro foi aos 39 minutos, ainda do primeiro tempo, depois que Christopher Maguire finalizou cruzamento da esquerda. Aliás, quem cruzou era o jogador internacionalmente mais conhecido em campo: Aiden McGeady, 33 anos, ex-Celtic, Spartak Moscou e Everton.

O Sunderland despencou da primeira divisão. Foi rebaixado na Premier League na temporada 2016-17 depois de dez anos, e na seguinte caiu novamente para a terceira. O detalhe sádico é que o período na Championship virou um documentário muito bom da Netflix. Já o inferno do Portsmouth começou em 2010 com graves problemas financeiros, após sete anos na Premier League e teve seu menor nível entre 2013 e 17, jogando a quarta divisão.

Os mais saudosistas, de qualquer modo, sempre vão se lembrar do histórico time do Pompey campeão da FA Cup em 2008, treinador por Harry Redknapp, com David James, Sol Campbell, Glen Johnson, Lassana Diarra, Sulley Muntari, Nwankwo Kanu, Milan Baros, Niko Kranjcar, entre outros.

Na temporada passada, Portsmouth e Sunderland, quarto e quinto respectivamente, jogaram os playoffs e o time do norte da Inglaterra levou a melhor. Depois, no entanto, perdeu a decisão para o Charlton Athletic e permaneceu na League One. Em 9 de fevereiro de 2010, os clubes se enfrentaram pela última vez na Premier League empate em 0 a 0, no sul. Certamente vão demorar para um jogo como esse na elite novamente.

Sunderland 2x1 Portsmouth

Posse de bola: 48% x 52%
Duração média de posse: 12s x 12s
Finalizações/certas: 5/2 x 6/1
Passes/certos: 312/231 x 429/341
Cruzamentos/certos: 7/1 x 22/11
Escanteios: 2 x 5
Impedimentos: 0 x 1
Faltas: 17 x 12

Fonte: Gustavo Hofman

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O título obrigatório veio. Que venham a sequência e a evolução do trabalho agora

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Comemoração da seleção brasileira após a conquista da Copa América
Comemoração da seleção brasileira após a conquista da Copa América Lucas Figueiredo/CBF

O Brasil sempre foi o maior favorito ao título da Copa América. Em campo, confirmou o favoritismo.

Não foi uma competição de alto nível técnico. Entre todas seleções, a brasileira foi a que jogou melhor.

Na prática, ganhou um título que era tratado como obrigação por muitos. Agora cabe a análise sobre tudo que está por vir a partir do que foi mostrado.

Tite demonstrou evolução em alguns pontos determinantes. Não ficou preso à escalação inicial, fez alterações que fugiram do óbvio e mostrou variação tática. O time, porém, segue sofrendo muito quando enfrenta adversários que se fecham no campo defensivo.

Sem Neymar, a seleção brasileira foi mais coletiva e viu outras individualidades aparecerem. Everton foi o destaque no ataque, seguido por Gabriel Jesus. No meio-campo, Arthur parece cada vez mais dono do setor. Philippe Coutinho, o mais talentoso de todos, ainda permanece irregular, alternando boas e ruins apresentações.

A defesa, mais uma vez, foi o ponto mais sólido de todo trabalho. Quase intransponível, mantendo o nível com trocas (Filipe Luís por Alex Sandro) e ainda com o melhor jogador do torneio, Daniel Alves. Fruto também do trabalho muito bem feito de toda uma comissão técnica, que vai passar por mudanças.

Antes da Copa América, Tite fez questão de ressaltar a intenção de fazer o Brasil jogar bonito. Não foi o que vimos na competição. A evolução do trabalho é necessária e a sequência de jogos precisa ser mais complicada do que os já previstos amistosos de setembro contra Colômbia e o próprio Peru - trabalho para o sucessor de Edu Gaspar. A exigência da seleção precisa ser maior, logo, os testes feitos também.

Há jogadores veteranos que, aos poucos, cederão os lugares a mais jovens. Esse é outro desafio de Tite, seguir com a reformulação no elenco sem perder a competitividade. Em 2020 há outra Copa América e as eliminatórias já começam em março.

O contrato de Tite é até 2022. Depois do Mundial de 2018, o treinador anunciou planos de curto, médio e longo prazos. Os dois primeiros já expiraram e foram vitoriosos. O terceiro, mais importante de todos, começará nas próximas semanas e tem a Copa do Catar como objetivo final.

"Tem espaço para crescer". Dessa forma Tite resumiu o trabalho a longo prazo que tem pela frente.

A final

Quem começou melhor foi a seleção peruana, finalizando duas vezes nos cinco minutos iniciais e pressionando com eficiência a saída de bola do Brasil. Os brasileiros não conseguiam sair com qualidade dessa marcação e permitiam aos peruanos manter o bom início. Bastou um drible para acabar com isso, ou melhor, um drible espetacular.

Gabriel Jesus recebeu passe de Daniel Alves aberto pela direita e entortou Miguel Trauco. Cruzou e colocou a bola no centro da grande área, onde apareceu Everton completamente livre para fazer 1 a 0, no primeiro chute a gol do Brasil, aos 15 minutos.

A partir daí, o primeiro tempo ficou bem tranquilo para os donos da casa. Primeiro porque o Peru diminuiu a intensidade do começo; segundo por causa do árbitro chileno Roberto Tobar, que travava demais a partida. Aliado a tudo isso, o Brasil conseguia acelerar o jogo quando queria, principalmente com Daniel Alves e Everton, os jogadores da amplitude na fase ofensiva. Porém, não conseguia transformar sua superioridade em chances criadas.

Só que depois de muito tempo, o Peru conseguiu tocar a bola novamente no campo de ataque e provocou o pênalti cometido por Thiago Silva, após tabela de Cueva e Flores. Paolo Guerrero, com enorme tranquilidade aos 43, colocou Alisson de um lado e a bola do outro para anotar o primeiro gol sofrido pelo Brasil na competição.

A alegria peruana durou pouco. Apenas quatro minutos depois, todo sistema defensivo vacilou: Roberto Firmino recuperou a posse de bola e tocou para Arthur, que avançou com liberdade pela intermediária, tocou para Gabriel Jesus e comemorou com o companheiro. Dois a um e intervalo.

No segundo tempo, o Peru voltou com postura ofensiva e deixou o jogo mais aberto. Coutinho criou a primeira chance e depois tentou um golaço, mas foi bloqueado. Com mais espaço, o meia brasileiro subiu o nível da apresentação também. Falhava, porém, no momento do último passe ou da finalização. Enquanto isso, o ataque peruano ameaçava bastante a defesa brasileira.

Foi quando aos 24 minutos, após jogada mais forte com Advíncula, Gabriel Jesus ficou claramente nervoso em campo. Logo na sequência, disputou pelo alto com Tapia, recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso por um lance que não foi tão forte assim. Tite, segundos antes, tinha pedido calma ao atacante do Manchester City.

Richarlison entrou no lugar de Firmino e Coutinho foi deslocado para a direita, para na sequência ceder a vaga a Éder Militão. Daniel Alves foi adiantado para a segunda linha de marcação. Ricardo Gareca respondeu com o atacante Ruidíaz na vaga de Yotún, González por Tapia e Andy Polo por Carrillo. O clima de tensão aumentou em campo, com mais faltas fortes.

Apesar de ter um homem a menos por metade de toda segunda etapa, foi justamente nesse período que a seleção brasileira manteve mais controle do jogo. Até que aos 41, Everton foi derrubado por Zambrano na área, o árbitro marcou pênalti com auxílio do VAR e Richarlison confirmou o título brasileira na Copa América.

Vitória merecida.

Fonte: Gustavo Hofman, do Rio de Janeiro-RJ

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Da estreia à final: Peru mudou as peças e a tática

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Antes da Copa América começar, Brasil, Uruguai, Argentina e Colômbia eram as principais seleções favoritas. Das quatro, apenas uma chegou. O Peru era apontado como potencial surpresa, pela longevidade do trabalho de seu técnico e também por algumas individualidades.

Superou as expectativas, jogará uma final da competição pela primeira vez depois de 44 anos e buscará o terceiro título.

Na estreia contra a Venezuela, os peruanos começaram jogando com Gallese, Advíncula, Zambrano, Abram e Trauco; González, Tapia e Yotún; Farfán, Guerreo e Cueva. A plataforma tática era o 4-3-3 com a bola e o 4-1-4-1 na fase defensiva.

Flores entrou no intervalo na vaga de Cueva e aos 22 Yotún saiu para Polo e Ricardo Gareca alterou o desenho tático para o 4-4-2, com Farfán ao lado de Guerrero. No final, Carrillo também entrou, deslocando Flores para a faixa central, tudo isso já com um jogador a mais em campo no empate em 0 a 0.

Na vitória sobre a Bolívia por 3 a 1, os peruanos entraram em campo já com Farfán próximo a Guerrero, deixando Polo e Cueva abertos, e terminaram com Flores e Polo pelos lados.

O pior desempenho do Peru foi contra a seleção brasileira, sem dúvida alguma. Por mais que, nos primeiros dez minutos, tenha criado duas oportunidades para marcar. Essa postura ofensiva foi, justamente, a arma utilizada pelos brasileiros para encontrar espaço e marcar dois gols rapidamente, praticamente definindo o roteiro do jogo.

Gareca manteve a ideia do 4-4-2 para início, com a dupla Farfán e Guerrero na frente, além de Cueva e Polo pelos lados - depois Flores e Polo.

Contra os favoritos uruguaios, o Peru executou as mudanças que definiram o crescimento do time. Carrilo e Flores como titulares pela direita e pela esquerda, respectivamente, com Cueva sendo um meia central, além das presenças de Yotún e Tapia completando o setor. Farfán já era desfalque.

O desempenho sólido contra o Uruguai fortaleceu a ideia de Ricardo Gareca e o desenho tático foi mantido para o confronto contra os chilenos. Diante do Chile, o Peru teve a melhor atuação na Copa América.

Gallese, Advíncula, Zambrano, Abram e Trauco; Tapia e Yotún; Carrillo, Cueva e Flores; Guerrero. Um 4-2-3-1 veloz com a bola e compacto no 4-4-2 sem a bola. Com ótimo aproveitamento nas nove finalizações que tentou (três certas, três gols), tendo menos posse de bola que o rival (34.7%).

A final no Maracanã, às 17h, certamente será um jogo de controle brasileiro. Por ser melhor tecnicamente e jogar em casa, o Brasil vai conseguir impor suas ideias e ficará mais tempo no ataque do que na defesa.

Do outro lado, Ricardo Gareca não vai abdicar totalmente da bola, mas não vai se esforçar para que seu time a tenha. Usará o 4-4-2 na fase defensiva, diminuindo ao máximo o espaço para o adversário - o que fez a Venezuela é um bom exemplo. Quando recuperar a posse, a ligação com Carrillo e Flores será acionada, e as bolas alçadas para Guerrero farão parte da estratégia para provocar outro Maracanazo.

A comissão técnica brasileira já aguarda uma partida de paciência e concentração, que vai exigir dos jogadores muita força mental.

Fonte: Gustavo Hofman, de Teresópolis (RJ)

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A noite no Mineirão exigiu um Brasil diferente

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Nunca o Brasil, sob o comando de Tite, tinha finalizado tão pouco, somente quatro vezes. A menor marca, até este 2 de julho de 2019, era de dez em duas ocasiões, sempre excluindo as bloqueadas - Japão e Alemanha. O aproveitamento, porém, foi o melhor de todos, com dois gols em três arremates certeiros. Na posse de bola, foi a quinta vez que o adversário foi superior - a seleção teve 48.8%. Nas outras quatro ocasiões, três vitórias (1x0 Alemanha, 42.1%; 3x0 Argentina, 45.3%; 2x0 México, 48.6%) e uma derrota (0x1 Argentina, 39.7%).

A seleção brasileira fez o jogo que a noite pediu. Não conseguiu impor suas ideias ofensivas, mas contra-atacou com eficiência e lidou muito bem com a pressão que existia e toda tensão que surgiu no Mineirão. Ao mesmo tempo, mostrou novamente a solidez defensiva que marca o período da seleção com a atual comissão técnica

A estratégia argentina nos primeiros minutos foi subir a marcação, que era na prática em um 4-3-3, mantendo o trio ofensivo à frente, sem a necessidade de recompor a segunda linha. Messi começou aberto pela direita e depois passou a se movimentar com mais liberdade. Enquanto isso, o Brasil variava do 4-3-3 com a bola e o 4-1-4-1 na fase defensiva.

Foram dez minutos iniciais de muita tensão, claramente. Com divididas, faltas mais fortes, um cartão amarelo - Tagliafico, por entrada dura em Gabriel Jesus - e nenhuma chance criada dos dois lados.

Depois foi a Argentina que conseguiu colocar a bola no chão e, finalmente, o jogo passou a ter um pouco de futebol. Leandro Paredes, de fora da área, foi o primeiro a ameaçar. A seleção brasileira encontrou mais espaço e também criou. A partida continuava muito tensa.

Foi então que todo talento de Daniel Alves surgiu. O veterano lateral chapelou Acuña, driblou Paredes e achou Firmino aberto pela direita. Na movimentação típica do atacante do Liverpool, abrindo espaço para Gabriel, o jogador do City aproveitou o cruzamento e fez 1 a 0 aos 19.

A tensão ainda estava muito presente. O árbitro Roddy Zambrano, os auxiliares e o quarto árbitro tinham muito trabalho para lidar com os jogadores em campo e também com os reservas, além dos integrantes das duas comissões técnicas. Enquanto isso, a Argentina quase empatou com Agüero de cabeça, em levantamento de Messi na área após falta.

A partir de 35 minutos da primeira etapa, o jogo ficou mais calmo. O Brasil passou a tocar a bola a partir do campo de defesa sem ser pressionado, mas também deu espaço para os contra-ataques. Em um deles, Messi deixou Thiago Silva no chão com um passe espetacular para Agüero, que não aproveitou a oportunidade.

E a serenidade que tinha aparecido em campo das duas seleções, durou pouco. O primeiro tempo terminou com 16 faltas no total (Brasil 9x7 Argentina), discussão entre Daniel Alves e Acuña e cartões amarelos para os dois. Na posse de bola, muito equilíbrio com 51% a favor dos brasileiros, que marcaram em uma das duas finalizações que tentaram, contra seis dos argentinos.

Na prática, a partida mudou drasticamente após o gol brasileiro, e os números ajudam a demonstrar isso. A posse de bola do Brasil caiu de 61% para 43%, enquanto a Argentina, que tivera uma única finalização, assim como os donos da casa, conseguiu vantagem de cinco contra um a partir de então.

No intervalo, Tite mostrou mais uma vez que aprendeu com os erros da Copa do Mundo. Everton, apagadíssimo no jogo, saiu para dar lugar a Willian. Só que a Argentina voltou melhor, com Rodrigo de Paul participando mais do jogo na criação, colaborando com Messi, e passou a jogar contra o 4-4-2 na fase defensiva brasileira.

O jogo melhorou tecnicamente. Lautaro teve a primeira chance da segunda etapa em finalização na entrada da área. Coutinho respondeu com um chute por cima, depois que Firmino brincou de futebol de salão. Na sequência, pressão argentina, bola na trave em chute de Messi, cruzamento na pequena área, Alisson trabalhando.

Com Ángel di María na vaga de Acuña e Giovani lo Celso por De Paul, os argentinos ficaram ainda mais ofensivos. Quando o nome do jogo (junto com Daniel Alves), aos 26, apareceu para puxar um contra-ataque com arrancada espetacular e servir Roberto Firmino.

Jogadaça de Gabriel Jesus. Partidaça dele.

E foi também o melhor jogo da Argentina na Copa América, que teve Lionel Messi com grande atuação, 14 finalizações no total (somente duas certas) e reclamou muito da arbitragem - de pênaltis não marcados. 

Fonte: Gustavo Hofman, de Belo Horizonte-MG

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Foi suficiente para os pênaltis, mas não é o suficiente para a seleção brasileira

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Marquinhos disputa pelo alto
Marquinhos disputa pelo alto Lucas Figueiredo/CBF

Dois tempos bem distintos contra os paraguaios, assim como a atitude do time e do técnico durante a partida. O Brasil vai precisar mostrar mais para ganhar a Copa América, e está claro que a seleção precisa ter mais regularidade.

Nos quatro primeiros minutos, quatro finalizações - duas de cada lado. O Paraguai entrou em campo com uma formação leve, que privilegiava o contra-ataque, tendo Derlis González como atacante central e Miguel Almirón com total liberdade de movimentação. A defesa ganhou Junior Alonso na lateral-esquerda e Fabián Balbuena ao lado de Gustavo Gómez, com Iván Piris na direita. Assim, Santiago Arzamendia foi adiantado para a segunda linha pela esquerda, enquanto Hernán Pérez se posicionou pelo outro lado.

Na prática, as linhas paraguaias mais altas de marcação impuseram muita dificuldade aos brasileiros nos primeiros 15 minutos. Além disso, Gabriel Jesus atuava como ponteiro e não segundo atacante, já que Daniel Alves não conseguia apoiar. Philippe Coutinho ficou preso entre o 4-4-2 do adversário e Everton não driblava e partia para cima do marcador. Início muito abaixo da expectativa.

Tite poderia ter mudado o time sem trocas. Coutinho aberto pela esquerda, Everton pela direita, Gabriel Jesus como atacante e Firmino ao lado dele. Sem inovação, mas era necessário mudar para reagir. Não fez qualquer mudança, e o Paraguai quase marcou aos 29 com Derlis. Alisson evitou.

O treinador da seleção decidiu inverter os jogadores de Manchester City e Grêmio logo depois. Pouco efeito na prática surgiu, e o Brasil não melhorou. Depois retornaram às posições de início de partida. Foi um primeiro tempo bastante irritante da seleção, pela insistência nos erros. O pior de todos na Copa América, e é justo colocar o gramado ruim da Arena do Grêmio como um dos motivos.

Após o intervalo, Alex Sandro voltou no lugar de Filipe Luís e o Brasil também retomou a variação 4-3-3 com a bola e 4-1-4-1 na fase defensiva. O time melhorou, voltou com postura mais ofensiva e se tornou mais perigoso. Assim, aos nove minutos, Gabriel arrancou por dentro e deu ótimo passe para Firmino ser derubado quase na área, o que foi confirmado pelo VAR. Cartão vermelho para Balbuena.

A partir daí virou jogo de ataque contra defesa, massacre brasileiro. E Tite surpreendeu positivamente ao sacar Allan e colocar Willian, deslocar Daniel para o meio e aumentar ainda mais o domínio. Já na reta final, o jogador do PSG saiu para a estreia de Paquetá na competição. Fugiu das alterações óbvias. 

Pressão absurda, inúmeras chances, quase sempre com excelente participação de Everton, o melhor em campo, mas não foram suficientes para superar a organizada e muito aplicada equipe de Eduardo Berizzo.

Nos pênaltis, depois das eliminações de 2011 e 2015, desta vez deu Brasil. A história segue sendo escrita.

Fonte: Gustavo Hofman, de Porto Alegre-RS

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Se mudar era preciso, o Brasil mudou

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Tite precisava mudar a seleção brasileira e mudou. O Brasil venceu o Peru por 5 a 0, jogou bem e agradou as 45057 pessoas que lotaram a Arena Corinthias, em São Paulo. A seleção teve a posse de bola e soube ser vertical.

No começo foram os 11 minutos iniciais de maior liberdade para jogar que a equipe teve na Copa América até agora. Foi também o período em que o Brasil mais foi exigido defensivamente. Na bola parada, que o time tanto treina, abriu o placar aos 12 após cobrança de escanteio de Philippe Coutinho, desvio de Thiago Silva e cabeçada final de Casemiro.

Pouco depois o jogo ficou bem mais tranquilo, graças à falha do goleiro Pedro Gallese, que chutou a bola em cima de Roberto Firmino, para depois vê-la bater na trave e o atacante do Liverpool o driblar.

Além das mudanças das peças, o time mudou o comportamento também, fora o retomado 4-3-3 na fase ofensiva e 4-1-4-1 na defensiva. Os jogadores pareciam com mais vontade de buscar o drible, a jogada individual, tentar algo diferente. Muito graças a Coutinho, Everton e Gabriel Jesus. E foi o jogador do Grêmio que, em lance de habilidade, puxou para dentro e bateu forte para fazer 3 a 0 com apenas 32 minutos de jogo.

Pela primeira vez na competição, o Brasil foi para os vestiários no intervalo sob aplausos. Merecidos.

O segundo tempo foi praticamente protocolar. O quarto gol saiu logo aos oito minutos com bela assistência de Firmino para Daniel Alves, que foi abraçado por todos os companheiros em campo e no banco. A partir daí, Tite passou a poupar alguns atletas.

Alex Sandro entrou no lugar de Filipe Luís, Allan por Casemiro - até já para testar novamente essa formação, já que o meio-campista do Real Madrid está suspenso para as quartas de final e Fernandinho ainda não tem retorno certo - e Willian na vaga de Philippe Coutinho. Ainda coube o cinco, com o meia do Chelsea, e o sexto só não saiu porque Gabriel, um dos melhores em campo, perdeu o pênalti.

Nos primeiros dois jogos, a finalização foi um grave problema da seleção brasileira. Contra bolivianos cinco no alvo, enquanto os venezuelanos viram apenas uma. Diante dos peruanos, foram nove certeiras (de 18 no total), ou seja, mais do que nos 180 minutos anteriores.

Fonte: Gustavo Hofman, de São Paulo-SP

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Tite precisa mudar a seleção para o próximo jogo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman


O Brasil jogou melhor do que a Venezuela e merecia vencer. Fez dois gols, ambos bem anulados pela arbitragem. Não conseguiu fazer o gol legal para garantir a vitória por alguns motivos, principalmente a péssima pontaria. Porém, antes da análise da partida, cabe uma afirmação para a próxima: Tite precisa mudar o time.

A Copa do Mundo trouxe algumas lições para uma comissão técnica praticamente inteira sem experiência em Mundiais. Para o treinador, a certeza de que não pode demorar tanto para modificar um time em torneio de tiro curto. Se na Copa Gabriel Jesus deveria ter saído da formação titular para Roberto Firmino, agora ele pede passagem para entrar. E não é o único.

Everton rendeu mais do que David Neres nos dois jogos, merece um lugar entre os 11 que começarão contra o Peru no próximo sábado. Essas duas alterações são, até certo ponto, naturais pelo rendimento dos atletas. É possível e necessário mudar um pouco mais.

Tite quer o Brasil jogando bonito, como ele mesmo disse antes da Copa América. Precisa acima de tudo jogar bem. Pois bem, um caminho pode ser Arthur e Allan no meio campo, junto com Philippe Coutinho.

No Napoli, Allan jogou a última temporada como meia central na segunda linha do 4-4-2 de Carlo Ancelotti; Arthur, como o próprio descreveu em coletiva recente, jogou entrelinhas no Barcelona, mais à frente. Os dois podem se alternar na saída de bola da seleção brasileira e em quem trabalha como meia avançado, ao lado de Philippe Coutinho. Essa seria a mudança mais radical que este comentarista faria, e que não seria novidade: o Brasil terminou jogando assim contra a República Tcheca.

Uma outra ainda poderia ser pensada: Alex Sandro por Filipe Luis. O lateral do Atlético de Madrid teve atuação boa contra a Bolívia e abaixo da sua média contra a Venezuela. Já o jogador da Juventus aproveitou bem demais as oportunidades que teve com Tite e garantiu vaga na competição: seria uma novidade na escalação, com enorme potencial ofensivo.

Fato é que o Brasil precisa mudar. Tenho convicção que Tite já percebeu isso.

Sobre o 0 a 0 com os venezuelanos, o primeiro tempo apresentou muitas dificuldades similares aos 45 minutos iniciais contra os bolivianos, mas com mais problemas nas finalizações. O Brasil teve a posse de bola (75%) e pouco arrematou, apenas seis vezes. A melhor delas com Richarlison, para grande defesa de Wuilker Fariñez.

Arthur jogou como segundo homem de meio-campo no 4-2-3-1. Tinha liberdade para tocar e avançar, porém, não apoiou o jogo pelo lado com Daniel Alves, Filipe Luis e o atacante do Everton ou David Neres, que trocaram de lado no final da primeira etapa. Pela esquerda, Filipe Luís foi muito discreto ofensivamente. Roberto Firmino e Philippe Coutinho se movimentaram bem, tentando sair da marcação fechada na variação do 4-1-4-1 para 4-5-1 venezuelano.

A volta do intervalo teve Gabriel Jesus na vaga de Richarlison, para jogar pela esquerda. O time seguiu sem profundidade. Aos 13 entrou Fernandinho no lugar de Casemiro, troca que deveria ter acontecido já na volta para o segundo tempo pela qualidade maior do passe. Com o meio-campista do Manchester City, a seleção passou a ter um passe mais objetivo, quebrando as linhas de marcação venezuelanas. Trocaram de lado Gabriel e David, e depois entrou Everton aos 27 no lugar do atacante do Ajax.

Como principal motivo para o empate, a péssima pontaria da seleção brasileira. Foram 19 finalizações e apenas uma no alvo. Uma. Tudo isso com 68,6% de posse de bola e 617 passes certos. E é necessário ressaltar o mérito tático do adversário, a fortaleza defensiva montada.

O público foi, mais uma vez, um enorme fracasso. Muito espaço vazio na linda Fonte Nova. Na maior parte do tempo, apoio das arquibancadas. Foi muito triste ouvir todo estádio vaiando Fernandinho. Já no final, as vaias para a seleção e os gritos de olé nos toques da Venezuela fazem parte da história da torcida brasileira em jogos de seleção. Quando não joga bem, raramente é poupada pelas arquibancadas.

Fonte: Gustavo Hofman, de Salvador-BA

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Tite precisa mudar a seleção para o próximo jogo

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Com bom futebol e sem sustos ou empolgação, Brasil começa bem a Copa América

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Contra um adversário que entrou em campo apenas para marcar, o Brasil jogou um bom futebol e venceu por 3 a 0 a Bolívia na abertura da Copa América nesta sexta-feira à noite. Sem tomar sustos e também sem empolgar os 47.260 torcedores que encheram as arquibancadas do Morumbi.

A seleção brasileira começou a partida com total domínio. Nos primeiros 15 minutos não foi ameaçada e ainda criou diversas oportunidades, tanto é que finalizou seis vezes e Alisson apenas trabalhou com os pés. O primeiro arremate boliviano - e errado - saiu apenas aos 24 minutos, com Marcelo Moreno. À essa altura, o Brasil tinha 80% de posse de bola.

Ao mesmo tempo, o time dependia demais de cruzamentos (sete certos e 12 errados no primeiro tempo) e jogadas pelo lado, muitas com Filipe Luís. O que funcionou muito bem foi a marcação pressão da seleção, sem dúvida alguma. Taticamente, o 4-2-3-1 brasileiro na fase ofensiva estava encaixado no 4-4-2 defensivo boliviano, mas com tabelas e toques rápidos, constantemente o Brasil quebrava a marcação adversária - quase sempre pelo lado. No total, foram 260 passes certos em 299 tentados na etapa inicial.

Quando as equipes retornaram do intervalo, logo no segundo minuto saiu o pênalti para o Brasil. Richarlison cruzou, Jusino colocou a mão na bola e Néstor Pitana, com ajuda do VAR, marcou a penalidade. Coutinho bateu, fez 1 a 0 e facilitou o jogo.

Aos oito, o meia do Barcelona ampliou para 2 a 0, depois que Roberto Firmino abriu pela direita e colocou a bola na cabeça do ex-companheiro de Liverpool. Aliás, a movimentação de Firmino é um ponto forte desse time, abrindo espaço para os demais, principalmente Richarlison.

Uma alteração feita por Tite para a segunda etapa, que ajudou a melhorar o Brasil, foi o posicionamento mais avançado de Fernandinho quando o time atacava. Em várias jogadas ele fez a infiltração entre os zagueiros bolivianos, por exemplo. Antes do fim, aos 40 minutos, Everton - que entrara pouco antes na vaga de um discreto David Neres - fechou a conta com um lindo gol. O atacante do Grêmio, apesar da pouca minutagem, entrou bem demais.

No final das contas, o domínio da seleção brasileira foi completo e a diferença técnica entre os times ficou evidente para todos. Inclusive com gritos de olé nos derradeiros minutos. O Brasil terminou o jogo com 73.2% de posse de bola, 20 finalizações (cinco certas), cinco sofridas e 553 passes certos de 622 no total.

Fonte: Gustavo Hofman, de São Paulo-SP

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Brasil fez o que se espera e todos cobram contra um adversário fraco: jogou bem

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A seleção brasileira fez um grande jogo contra Honduras. Começou mantendo o padrão tático do 4-3-3 na fase ofensiva e 4-1-4-1 na defensiva, sem a necessidade de sacrificar Philippe Coutinho na marcação pelo lado, já que David Neres faz a recomposição sem problemas.

Nos primeiros 15 minutos, teve total controle da partida e muito volume ofensivo. Tanto é que o 4-1-4-1 dos hondurenhos virava um 4-5-1 pela forma como o Brasil empurrava o adversário contra as cordas. Os gols marcados por Gabriel Jesus e Thiago Silva saíram naturalmente.

Depois diminuiu o ritmo, mas manteve bem mais posse de bola. Voltou a pressionar quando Romell Quioto foi expulso depois de falta violenta em Arthur, que deixou a partida lesionado dando lugar a Allan. O terceiro gol veio em cobrança de pênalti, com Philippe Coutinho - novo cobrador oficial da seleção.

A marcação pressão do Brasil funcionou e várias vezes o time recuperou a posse de bola já no último terço do campo, próximo à área adversária. Quando construía a partir do campo de defesa, os dois laterais trabalhavam por dentro, perto de Casemiro, e à medida que a equipe avançava, subiam também para buscar as tabelas com os extremos.

Com a vitória já garantida, Tite usou o segundo tempo para rodar o elenco e testar novas formações. Entraram já no intervalo Fernandinho e Éder Militão nas vagas de Casemiro e Marquinhos, e o time passou a jogar no 4-2-3-1 com a bola e 4-4-2 sem.

As trocas continuaram, assim como os gols. Saiu o quarto gol, de novo com Gabriel, que depois deixou o campo para Roberto Firmino. O quinto veio com David Neres, tímido na etapa inicial e bem mais confiante na segunda.

Tite testou também a inversão de lado de David Neres e Richarlison, e dessa forma saiu o sexto gol com Coutinho dando assistência para Roberto Firmino, que virou meia avançado pouco depois e o jogador do Everton centroavante, com a entrada de Everton na vaga do meio-campista do Barcelona. A versatilidade do elenco foi colocada em campo. O sétimo saiu com Everton pela esquerda e Richarlison por dentro.

Sem Neymar, seu melhor jogador, o Brasil mais uma vez foi coletivo acima de tudo e, dessa forma, potencializou as individualidades. Teve 71% de posse de bola, finalizou 24 vezes, 12 certas, sofreu apenas cinco finalizações e conseguiu ser vertical e dominante. Gabriel Jesus merece o destaque, seguido por Coutinho. Daniel Alves e Filipe Luís estão em ótima forma. Richarlison e David Neres aproveitaram a oportunidade.

No final das contas, saldo bastante positivo, além dos sete gols, em um amistoso contra um adversário fraco. A seleção fez o que se espera em uma partida assim: jogou bem, goleou e vai estrear com confiança na Copa América.

Fonte: Gustavo Hofman, de Porto Alegre-RS

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Brasil fez o que se espera e todos cobram contra um adversário fraco: jogou bem

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Entenda as diferenças nas funções de Arthur pelo Barcelona e pela seleção

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Arthur em ação no amistoso contra o Catar
Arthur em ação no amistoso contra o Catar Lucas Figueiredo/CBF

"A maior diferença é que eu começo a participar da construção da jogada um pouco na frente no Barcelona. Eu começo atrás da primeira linha adversária. Aqui na seleção eu tenho um pouco mais de liberdade em descer um mais, em receber a bola um pouco mais recuado e aí sim construir a jogada. Acho que isso é a maior diferença, o Tite me deu um pouco mais de liberdade de buscar a bola um mais atrás, para começar essa construção, e no Barcelona eu não tenho essa liberdade. Tenho que ficar um pouco mais avançado para receber a bola entrelinhas e aí sim chegar um pouco mais no ataque. Então, acho que essa é a grande diferença entre os esquemas táticos".

Essa foi a resposta de Arthur à pergunta que fiz sobre as diferenças existentes entre as funções dele no meio-campo do Brasil e do Barcelona. Na prática, o meio-campista se movimenta muito mais e participa da criação das jogadas da seleção a partir do campo de defesa, se aproximando de Casemiro, enquanto pelo Barça esse não é o seu principal dever, se distanciando de Sergio Busquets. Com o Brasil Arthur tem se posicionado à direita do meio-campo também, enquanto com o Barcelona ele atua mais pela esquerda.

Mapa de movimentação de Arthur pelo Barcelona na temporada 2018-19
Mapa de movimentação de Arthur pelo Barcelona na temporada 2018-19 ESPN

Mapa de movimentação de Arthur pela seleção brasileira nos amistosos de 2018 e 2019
Mapa de movimentação de Arthur pela seleção brasileira nos amistosos de 2018 e 2019 ESPN

Dentro da variação tática utilizada por Tite atualmente, Arthur muda também. No 4-3-3/4-1-4-1, o meia atua ao lado de Philippe Coutinho quando ataca e se posiciona defensivamente à frente de Casemiro na segunda linha. Já no 4-2-3-1/4-4-2 ele fica ao lado do meio-campista do Real Madrid tanto na fase defensiva, como na ofensiva.

Quando analisadas as principais estatísticas de Arthur na temporada 2018-19 - todas competições oficiais pelo Barcelona e os amistosos com a seleção brasileira - percebe-se que os números são muito parecidos. Ou seja, apesar da variação de função e de posicionamento em campo, o ex-jogador do Grêmio mantém a eficiência.

NO BARCELONA

Ações com bola: 58,6 por jogo
Chances criadas: 0,64 por jogo
Passes completos: 48 por jogo
Passes recebidos: 46 por jogo
Precisão dos passes: 93,3%

NA SELEÇÃO

Ações com bola: 58,7 por jogo
Chances criadas: 0,56 por jogo
Passes completos: 48,7 por jogo
Passes recebidos: 44,1 por jogo
Precisão dos passes: 94,4%

A primeira temporada de Arthur com a camisa blaugrana foi muito boa e rendeu comparações com uma lenda do Barça, que concordou. "Arthur se parece comigo, eu me vejo nele. Pensa muito rápido", afirmou Xavi. Toda qualidade técnica do brasileiro e a capacidade de se adaptar naturalmente ao estilo de jogo culé foram responsáveis pelos elogios e pela primeira temporada muito boa na Catalunha.

Arthur tem incrível compreensão tática do jogo. Gira a bola como poucos no futebol mundial e se sente muito cômodo em mais de uma função no meio-campo. Tem tudo para vestir a camisa da seleção brasileira por toda próxima década.

Fonte: Gustavo Hofman, de Porto Alegre-RS

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A seleção brasileira não fica mais forte sem Neymar, mas se torna mais coletiva

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Coletivo do Brasil precisa prevalecer na Copa América
Coletivo do Brasil precisa prevalecer na Copa América Lucas Figueiredo/CBF

Taticamente o Brasil começou o jogo contra o Catar nesta quarta-feira à noite, em Brasília, na variação treinada por Tite na Granja Comary: o 4-2-3-1 com a bola e o 4-4-2 na fase defensiva. Philippe Coutinho era o armador avançado, com Casemiro e Arthur como meias centrais. Neymar flutuava da esquerda para dentro e Richarlison era o jogador pela direita. Gabriel Jesus atuou na sua função, se movimentando bastante.

Sem a bola, havia uma movimentação que foge do padrão tático comum desses esquemas. Pela esquerda, na segunda linha, quem fechava era Coutinho e não Neymar. Ou seja, na prática, como era na Copa do Mundo, o meia do Barcelona tem que se sacrificar taticamente para o atacante do Paris Saint-Germain.

Tudo isso durou pouco, porque Tite mudou para o tradicional 4-3-3/4-1-4-1 antes pouco depois de dez minutos, ao perceber o espaço que havia para os meio-campistas jogarem dentro do bastante recuado 5-3-2 do Catar. Na sequência Neymar se machucou e o primeiro gol saiu.

Quando grandes times perdem seu melhor jogador, a tendência é que o coletivo se fortaleça. O caso da seleção brasileira não me parece fugir a essa teoria.


Ofensivamente, a bola roda mais porque não há necessidade de chegar nos pés de Neymar o tempo todo. Coutinho cresce, Casemiro chega mais no ataque e os atacantes se sentem mais livres. Everton, no Grêmio, tem problemas na recomposição defensiva, e isso é algo que ele precisará aprimorar, caso se torne titular na seleção agora.

Todo técnico tem o dever de fazer seu time render coletivamente com a principal estrela em ação. Tite vinha tendo problemas com isso depois do Mundial e Neymar não estava decidindo jogos para compensar tudo. Discussão sempre no aspecto esportivo.

Com tudo que está acontecendo fora de campo e envolve o melhor jogador brasileiro, a situação parecia cada vez mais insustentável para a comissão técnica. A própria frase de Neymar, publicada no Instagram momentos antes do jogo contra o Catar, evidencia como a situação interferia na preparação.

"Hoje tenho uma das partidas mais difíceis da minha carreira, se não for a mais (pelas circunstâncias)". Era apenas um amistoso contra uma seleção fraca, mas obviamente para ele havia uma pressão muito maior. Neymar sofreu uma entorse no tornozelo direito e lesão ligamentar.


O primeiro tempo da seleção foi muito bom, e depois da saída de Neymar a equipe mostrou a força coletiva que se espera pelo talento colocado em campo. Richarlison marcou aparecendo na área, como segundo atacante, após mais uma assistência do excelente Daniel Alves. Gabriel foi muito bem nos duelos individuais, marcou um gol e foi o destaque. Além disso, a marcação alta - outro padrão desse time - funcionou bem.

Já na segunda etapa o ritmo diminuiu muito. Foram cinco trocas, com as entradas de David Neres, Fernandinho, Paquetá, Alex Sandro e Militão nas vagas de Richarlison, Arthur, Coutinho, Filipe Luís e Daniel Alves, respectivamente. 

Se nos 45 minutos iniciais a seleção brasileira rodou a bola com velocidade e teve bastante volume de jogo, nos derradeiros 45 pareceu um time mais lento e sem intensidade para furar as linhas de marcação catarianas.

No final das contas, a seleção teve mais posse de bola que o adversário, como de costume, com 63%, e amplo domínio nas finalizações (19x6, sendo 6x1 no alvo). Defensivamente os comandados de Tite foram pouco exigidos.


Independentemente do substituto de Neymar, o Brasil precisa ser forte coletivamente mais do que nunca. A partir daí, as individualidades aparecerão e farão a diferença na Copa América.

Fonte: Gustavo Hofman, de Brasília-DF

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A inspiração espanhola que ensina o Catar no futebol

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman


A Espanha e o Barcelona se tornaram inspiração para muita gente no futebol a partir dos anos 2000 e o estilo consagrado de posse de bola. Os jogadores espanhóis se valorizaram muito no mercado e se espalharam pelo continente europeu, e Pep Guardiola se tornou o profissional mais requisitado na área.

O país ibérico passou a ser também um local para buscar conhecimento, e foi lá que o Catar procurou a melhor forma de desenvolver seus atletas e evoluir como time.

Félix Sánchez Bas, de 43 anos, é o homem por trás de toda essa história. O catalão trabalhou na base do Barcelona por dez anos a partir de 1996, aprendeu toda filosofia de jogo culé e em 2006 foi convidado para comandar a Aspire Academy, enorme projeto de desenvolvimento de jovens no futebol, localizada em Doha. Ficou por lá até 2013, quando assumiu a seleção catariana sub-19. Os passos seguintes foram na sub-20 e na sub-23, até alcançar a principal em 2017.

Ele sabe que há limitações evidentes para impor o estilo do Barça no Catar, mas preza pela organização tática e prova isso em campo. No início do ano venceu a Copa da Ásia pela primeira vez na história do país, com sete vitórias, 19 gols pró e somente um contra, sofrido na final diante do Japão (3x1).

O time teve como padrão tático o 5-3-2 na fase defensiva, ou seja, linha de cinco defensores, mas com variação para o 4-4-2 sem a bola e 4-2-3-1 quando atacava. Chegou a marcar no 4-5-1 também. Teve menos posse de bola na média e muita velocidade na transição. Cléber Xavier, principal assistente técnico de Tite, aposta no Catar como grande surpresa da Copa América.

Ao longo da história, a seleção catariana, que passou a disputar as eliminatórias para a Copa do Mundo somente em 1977, apostou em diversos treinadores brasileiros. Evaristo de Macedo, Dino Sani, Procópio Cardoso, Cabralzinho, Ivo Wortmann, Sebastião Lazaroni, Zé Mário... Até Paulo Autuori, entre 2012 e 2013, o último deles. 

A base da seleção é o Al Sadd, maior potência nacional e que cedeu nove dos 23 convocados, incluindo a estrela e capitão do time, Hassan Al Haydos. Do clube vem a outra inspiração espanhola do Catar.

Xavi escolheu o Al Sadd para encerrar a carreira e iniciar a trajetória como treinador. Tornou-se exemplo para os mais jovens, referência para os mais experientes e enorme fonte de conhecimento para todos. Passará a comandar boa parte dessa seleção após a competição sul-americana.

A partida amistosa contra o Brasil servirá para o Catar - que fez sua preparação em Mangaratiba, litoral do Rio de Janeiro, no mesmo resort onde a Itália se hospedou em 2014 - medir seu nível contra um potência mundial. Já a Copa América é encarada por Félix Sánchez como grande oportunidade para dar mais bagagem internacional ao seu time, de pouco intercâmbio com grandes centros. Alguns atletas têm experiência em clubes pequenos da Espanha e outros passagens rápidas por times mais tradicionais, mas nada relevante.

O jovem atacante Akram Afif, que foi contratado pelo Villarreal em 2016 após atuar no Eupen, da Bélgica, merece mais destaque. Em Vila Real, porém, nunca atuou, sendo emprestado ao Sporting de Gijón, novamente ao Eupen e agora ao Al Sadd, onde foi formado. Há ainda cinco atletas naturalizados: dois argelinos, um iraquiano, um sudanês e um português. O último é Pedro Correia, também chamado de Ró-Ró.

A evolução da seleção catariana é evidente. Nada que a torne favorita no Grupo B, ao lado de Argentina, Colômbia e Paraguai. Muito menos no amistoso contra o Brasil. O objetivo é a longo prazo, ou nem tanto assim: fazer um bom papel na Copa de 2022, em casa.

Fonte: Gustavo Hofman, de Brasília-DF

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Temporada ruim do Real "colaborou" para boa forma de Casemiro na apresentação à seleção

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Casemiro durante treinamento na Granja Comary
Casemiro durante treinamento na Granja Comary Lucas Figueiredo/CBF

"Estou me sentindo muito bem".

Desta forma Casemiro, meio-campista da seleção brasileira e do Real Madrid, tem se referido ao período de treinamentos na Granja Comary, em Teresópolis, a pessoas próximas. O jogador se apresentou à comissão técnica do Brasil no último dia 22 e, desde então, participou de todas atividades programadas.

O motivo do bem estar físico de Casemiro tem, curiosamente, muito a ver com a péssima temporada de seu clube. Ao cair precocemente nas oitavas de final da Champions League para o Ajax e nas semifinais da Copa do Rei para o Barcelona, o Real "possibilitou" aos seus atletas meses de abril e maio mais tranquilos na comparação com as três temporadas vitoriosas anteriores.

Neste ano, o meio-campista disputou somente seis partidas pelo Real no período citado, dos nove compromissos que o clube teve - todos pelo Campeonato Espanhol, onde o terceiro lugar já estava virtualmente garantido. Em outros dois ficou no banco de reservas e em um estava suspenso. O número total é bem inferior na comparação com o ciclo do tricampeonato da Champions.

Em 2017-18 foram 11 jogos de 13 no total, sendo cinco pela Liga dos Campeões e outros seis por La Liga. Já em 2016-17 Casemiro participou de 15 partidas (cinco na Champions e dez no Espanhol) das 16 que o Real teve em seu calendário, ficando de fora apenas uma vez por suspensão. Por fim, na temporada 2015-16 ele esteve em campo dez vezes, quatro na competição continental e seis na nacional, entre abril e maio e ficou de fora de outros três jogos (suspensão, lesão e poupado).

A percepção da boa forma de Casemiro é compartilhada pela comissão técnica, que o mantém como titular absoluto, mesmo tendo feito uma temporada, tecnicamente, inferior à de Fernandinho, por exemplo, ou mesmo Fabinho, do Liverpool, preterido na lista final. Sua função, inclusive, tem variado mais com a alternância de esquemas testados (4-3-3 e 4-2-3-1).  Nos treinamentos na Granja Comary tem sido um dos destaques dos jogadores.

Coletivamente ele naufragou com os companheiros de Real Madrid e chegou a perder a posição para Marcos Llorente, mas individualmente conseguiu manter boas atuações em alguns fundamentos importantes da posição. Pelo números do Wyscout, ele teve nesta temporada média de 6,76 interceptações por jogo, comparada a 6,97, 7,91 e 7,75 das três anteriores - queda pouco brusca.  Já em recuperações de posse de bola, o último número foi de 13,13 contra 11,45, 12,71 e 12,2 - aqui aumento, talvez explicado também pelo domínio de muitos adversários nos confrontos merengues.

Tanto no Real como na seleção, Casemiro tem papel importante na saída de bola. Seja com Toni Kroos e Luka Modric ou Arthur e Philippe Coutinho, ele quase sempre recebe o primeiro passe junto aos zagueiros para distribuir. A média de passes certos em 2018-19 pelo clube espanhol, contando todas competições, foi de 56,58 por jogo - 53,7 em 2017-18, 49,34 em 2016-17 e 56,9 em 2015-16.

Em 6 de julho de 2018, na Kazan Arena, Casemiro fez muita falta à seleção brasileira na eliminação para a Bélgica por 2 a 1, pelas quartas de final. Quase um ano depois, mesmo sem uma temporada brilhante pelo clube, segue como uma peça importante no Brasil de Tite.

Fonte: Gustavo Hofman, de Teresópolis-RJ

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Entre a vontade e a realidade, seleção brasileira busca "jogar bonito"

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Comissão técnica da seleção brasileira reunida
Comissão técnica da seleção brasileira reunida Lucas Figueiredo/CBF

"Desempenho, sempre. Mesmo que corra risco de continuidade no trabalho. Sei da importância do resultado, mas não controlo. Queremos jogar bonito, sim, não vou fugir disso. Tem que ser agradável, tem que ter prazer e alegria de jogar, mas com solidez".

Dessa forma Tite falou, no dia da convocação dos 23 jogadores para a Copa América e os amistosos contra Catar e Honduras, como ele quer que a seleção brasileira jogue. A prática, porém, não tem mostrado muita sincronia com a vontade do treinador.

As estatísticas comprovam um Brasil que busca o controle do jogo a partir da posse de bola. Desde que Tite assumiu o comando, no segundo semestre de 2016, o time realizou 34 partidas entre amistosos e a Copa do Mundo, com 27 vitórias, cinco empates e apenas duas derrotas. Teve em média 60.4% de posse, com média de 510 passes certos por jogo e aproveitamento de 87.7%. Uma equipe com alto índice de finalizações (15,9 e 6,5 no alvo), metade dentro da grande área (50,9%), e poucos cruzamentos (13,5).

Quando analisado mais a fundo, os números indicam as ideias da comissão técnica bem executadas em campo. O Brasil, por exemplo, é um time que usa linhas altas na marcação sempre. Em média, recupera 51 vezes por partida a posse de bola, sendo 4,38 no último terço do campo. Sofreu apenas dez gols em todos esses jogos e não chegou a duas finalizações sofridas contra na média por compromisso (1,85).

O problema é que, na prática, o futebol não tem sido bonito, como quer o treinador da seleção. Depois do Mundial ainda não houve uma grande atuação, algo que aconteceu antes do Mundial. Muito provavelmente o 3x0 contra a Argentina, em 10 de novembro de 2016, seja a melhor recordação. Já o penúltimo jogo, o 1x1 contra o Panamá em 23 de março deste ano, seja a pior.

Números da seleção brasileira sob o comando de Tite
Números da seleção brasileira sob o comando de Tite ESPN

"O nosso conceito de jogo não muda. Ele é de construção, criação de jogadas, de querer o gol o tempo todo. Nós fazemos os ajustes necessários sempre dentro do conceito de jogo. A comissão técnica trabalha em cima de um modelo de jogo e não se apega, necessariamente, ao desenho tático. Esse pode variar de acordo com as peças e o adversário", garantiu Cléber Xavier, principal assistente técnico de Tite, já na Granja Comary, em Teresópolis, onde a equipe se prepara para a Copa América.

Serão, no total, 22 dias de preparação até a estreia contra a Bolívia, no dia 14 de junho, no Morumbi. O grupo de jogadores mescla experiência e juventude. Na média é mais jovem do que na Rússia, 27,2 anos contra 28,1, mas tem também muitos jogadores que entendem o conceito desejado por Tite.

Ederson, Fernandinho, Gabriel Jesus e David Neres estão em locais onde a cultura de jogo estabelecida por Johan Cruyff dita as regras. Os três primeiros graças a Pep Guardiola e o quarto por ser jogador do Ajax.

"As duas equipes procuram a construção de jogo curta, então claro que tem equipes que vêm fazer pressão alta, mas sempre há uma solução para a saída. Aqui não é diferente, nos treinos táticos o Tite procura treinar para realizar dentro da partida. Acho que com esse pensamento de ter a bola nos pés, jogar um bom futebol pode ajudar bastante nas partidas", explica Ederson, escolhido a dedo por Guardiola para ser o goleiro titular do Manchester City, também pela habilidade com os pés.

O tímido David Neres se transforma em campo. Parte para cima dos adversários, constrói lances perigosos e se tornou nesta última temporada europeia um dos melhores jovens do futebol mundial. Entendeu rapidamente o conceito de seu clube, treinado por Erik ten Hag. "Tem uma semelhança entre o Brasil e o Ajax, ambos são times que dão muita liberdade para seus jogadores e muita confiança. Acho que o que eu trago do meu clube é ter a coragem e não ter medo de jogar. Isso vai fazer muita diferença na frente, temos que acreditar no nosso jogo".

Foi justamente no período dos oito amistoso pós-Copa que a seleção apresentou seu pior futebol. Ainda vivendo ressaca da eliminação para a Bélgica, os resultados foram positivos - sete vitórias e um empate -, mas o desempenho caiu, principalmente na comparação com as eliminatórias. Mudanças no grupo foram feitas, 44 jogadores foram chamados depois da Copa, novos atletas convocados e muitos testes aconteceram. 

Fato é que Tite não esconde seu objetivo e assume a pressão ao afirmar que pretende fazer o Brasil "jogar bonito". É muito raro encontrarmos no futebol brasileiro técnicos falando assim, abertamente, sobre um conceito tão abstrato.

Quase todos os atletas convocados atuam em clubes que têm mais posse de bola que seus adversários e são dominantes em seus campeonatos nacionais. Um deles, aliás, joga para um técnico que serviu muito de inspiração para Tite. Allan joga para Carlo Ancelotti no Napoli.

"São ideias completamente iguais, treinadores que gostam de ficar com a bola. Aproveitar o momento que tem a bola para atacar na hora certa. Isso é até melhor, porque tendo a bola você não passa tanto perigo com o adversário. É a melhor coisa a se fazer no futebol", explica o meio-campista.

Livro de Ancelotti no Brasil teve orelha escrita por Tite
Livro de Ancelotti no Brasil teve orelha escrita por Tite Divulgação

Tite, em seu ano sabático, buscou Ancelotti e acompanhou treinos do Real Madrid, na época. Além disso, escreveu a orelha do livro "Liderança Tranquila", do treinador italiano, na versão para o mercado brasileiro. "Os treinos são bastante parecidos, aqui na seleção têm muita intensidade, mas o modo de trabalhar é parecido", completa Allan.

Gabriel Jesus, porém, destaca justamente a falta de treinos como um grande problema. Ainda mais trabalhando com alguém como Pep Guardiola. "O trabalho do Tite com a seleção é curto. Claro que em competição aumento o período, mas quando tem amistoso são duas semanas. É difícil tranalhar mais. No clube você trabalha o ano inteiro, toda temporada, é diferente para colocar as ideias. Mas todos querem jogar bem para vencer, e muitas vezes você acaba jogando bem e não ganha. Tivemos o nosso exemplo contra o Tottenham na Champions. Jogamos muito bem, porém acabamos sendo eliminados".

Dentro desse contexto, há ainda a variação tática que vem sendo testada no time. A plataforma tática de toda era Tite tem sido o 4-3-3 na fase ofensiva e o 4-1-4-1 sem a bola. Agora, o 4-2-3-1 passa a ser primeira opção também. Tudo sempre em busca do jogo bonito e das vitórias.

Fonte: Gustavo Hofman, de Teresópolis-RJ

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