Jogo de Premier League na terceira divisão - ao menos na história

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

O Sunderland conquistou a primeira vitória nesta temporada da League One, ao bater o Portsmouth
O Sunderland conquistou a primeira vitória nesta temporada da League One, ao bater o Portsmouth Sunderland

Os tempos já não são gloriosos para Sunderland e Portsmouth. Ambos têm títulos da primeira divisão e da FA Cup, já estiveram na Premier League, mas agora encaram a realidade competitiva da terceira divisão inglesa.

No sábado, o Sunderland recebeu o Portsmouth e venceu por 2 a 1, pela terceira rodada da League One. Os dois times estão distantes de Lincoln City e Blackpool, que mantém 100% de aproveitamento.

Os torcedores do Portsmouth que viajaram 540 km do sul da Inglaterra ao norte fizeram muito barulho no Stadium of Light e começaram empolgados. Mesmo tendo menos posse de bola, os visitantes eram mais perigosos e criavam as melhores jogadas.

Jogando no 4-3-3 na fase ofensiva e o 4-1-4-1 sem a bola, o Pompey conseguiu abrir o placar aos 22 minutos com Ellis Harrison. Porém, tomou o empate rapidamente, cinco minutos depois, quando o zagueiro Jordan Willis subiu mais que a defesa em cobrança de escanteio.


Diante de sua torcida, arquibancada cheia com 29.140 presentes, os Black Cats não se incomodavam em serem pressionados. Primeiro no 4-1-4-1 e depois no 4-4-2, o Sunderland trocou menos passes e finalizou pouco. Em todo jogo, somente cinco vezes, mas o Portsmouth não conseguiu transformar seu controle do ritmo em chances de gol. Teve apenas uma finalização a mais em toda partida.

O detalhe estatisticamente curioso do jogo - de pouquíssimas chances para marcar - é que houve apenas três finalizações certas e todas viraram gol. O terceiro foi aos 39 minutos, ainda do primeiro tempo, depois que Christopher Maguire finalizou cruzamento da esquerda. Aliás, quem cruzou era o jogador internacionalmente mais conhecido em campo: Aiden McGeady, 33 anos, ex-Celtic, Spartak Moscou e Everton.

O Sunderland despencou da primeira divisão. Foi rebaixado na Premier League na temporada 2016-17 depois de dez anos, e na seguinte caiu novamente para a terceira. O detalhe sádico é que o período na Championship virou um documentário muito bom da Netflix. Já o inferno do Portsmouth começou em 2010 com graves problemas financeiros, após sete anos na Premier League e teve seu menor nível entre 2013 e 17, jogando a quarta divisão.

Os mais saudosistas, de qualquer modo, sempre vão se lembrar do histórico time do Pompey campeão da FA Cup em 2008, treinador por Harry Redknapp, com David James, Sol Campbell, Glen Johnson, Lassana Diarra, Sulley Muntari, Nwankwo Kanu, Milan Baros, Niko Kranjcar, entre outros.

Na temporada passada, Portsmouth e Sunderland, quarto e quinto respectivamente, jogaram os playoffs e o time do norte da Inglaterra levou a melhor. Depois, no entanto, perdeu a decisão para o Charlton Athletic e permaneceu na League One. Em 9 de fevereiro de 2010, os clubes se enfrentaram pela última vez na Premier League empate em 0 a 0, no sul. Certamente vão demorar para um jogo como esse na elite novamente.

Sunderland 2x1 Portsmouth

Posse de bola: 48% x 52%
Duração média de posse: 12s x 12s
Finalizações/certas: 5/2 x 6/1
Passes/certos: 312/231 x 429/341
Cruzamentos/certos: 7/1 x 22/11
Escanteios: 2 x 5
Impedimentos: 0 x 1
Faltas: 17 x 12

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O título obrigatório veio. Que venham a sequência e a evolução do trabalho agora

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, do Rio de Janeiro-RJ

Comemoração da seleção brasileira após a conquista da Copa América
Comemoração da seleção brasileira após a conquista da Copa América Lucas Figueiredo/CBF

O Brasil sempre foi o maior favorito ao título da Copa América. Em campo, confirmou o favoritismo.

Não foi uma competição de alto nível técnico. Entre todas seleções, a brasileira foi a que jogou melhor.

Na prática, ganhou um título que era tratado como obrigação por muitos. Agora cabe a análise sobre tudo que está por vir a partir do que foi mostrado.

Tite demonstrou evolução em alguns pontos determinantes. Não ficou preso à escalação inicial, fez alterações que fugiram do óbvio e mostrou variação tática. O time, porém, segue sofrendo muito quando enfrenta adversários que se fecham no campo defensivo.

Sem Neymar, a seleção brasileira foi mais coletiva e viu outras individualidades aparecerem. Everton foi o destaque no ataque, seguido por Gabriel Jesus. No meio-campo, Arthur parece cada vez mais dono do setor. Philippe Coutinho, o mais talentoso de todos, ainda permanece irregular, alternando boas e ruins apresentações.

A defesa, mais uma vez, foi o ponto mais sólido de todo trabalho. Quase intransponível, mantendo o nível com trocas (Filipe Luís por Alex Sandro) e ainda com o melhor jogador do torneio, Daniel Alves. Fruto também do trabalho muito bem feito de toda uma comissão técnica, que vai passar por mudanças.

Antes da Copa América, Tite fez questão de ressaltar a intenção de fazer o Brasil jogar bonito. Não foi o que vimos na competição. A evolução do trabalho é necessária e a sequência de jogos precisa ser mais complicada do que os já previstos amistosos de setembro contra Colômbia e o próprio Peru - trabalho para o sucessor de Edu Gaspar. A exigência da seleção precisa ser maior, logo, os testes feitos também.

Há jogadores veteranos que, aos poucos, cederão os lugares a mais jovens. Esse é outro desafio de Tite, seguir com a reformulação no elenco sem perder a competitividade. Em 2020 há outra Copa América e as eliminatórias já começam em março.

O contrato de Tite é até 2022. Depois do Mundial de 2018, o treinador anunciou planos de curto, médio e longo prazos. Os dois primeiros já expiraram e foram vitoriosos. O terceiro, mais importante de todos, começará nas próximas semanas e tem a Copa do Catar como objetivo final.

"Tem espaço para crescer". Dessa forma Tite resumiu o trabalho a longo prazo que tem pela frente.

A final

Quem começou melhor foi a seleção peruana, finalizando duas vezes nos cinco minutos iniciais e pressionando com eficiência a saída de bola do Brasil. Os brasileiros não conseguiam sair com qualidade dessa marcação e permitiam aos peruanos manter o bom início. Bastou um drible para acabar com isso, ou melhor, um drible espetacular.

Gabriel Jesus recebeu passe de Daniel Alves aberto pela direita e entortou Miguel Trauco. Cruzou e colocou a bola no centro da grande área, onde apareceu Everton completamente livre para fazer 1 a 0, no primeiro chute a gol do Brasil, aos 15 minutos.

A partir daí, o primeiro tempo ficou bem tranquilo para os donos da casa. Primeiro porque o Peru diminuiu a intensidade do começo; segundo por causa do árbitro chileno Roberto Tobar, que travava demais a partida. Aliado a tudo isso, o Brasil conseguia acelerar o jogo quando queria, principalmente com Daniel Alves e Everton, os jogadores da amplitude na fase ofensiva. Porém, não conseguia transformar sua superioridade em chances criadas.

Só que depois de muito tempo, o Peru conseguiu tocar a bola novamente no campo de ataque e provocou o pênalti cometido por Thiago Silva, após tabela de Cueva e Flores. Paolo Guerrero, com enorme tranquilidade aos 43, colocou Alisson de um lado e a bola do outro para anotar o primeiro gol sofrido pelo Brasil na competição.

A alegria peruana durou pouco. Apenas quatro minutos depois, todo sistema defensivo vacilou: Roberto Firmino recuperou a posse de bola e tocou para Arthur, que avançou com liberdade pela intermediária, tocou para Gabriel Jesus e comemorou com o companheiro. Dois a um e intervalo.

No segundo tempo, o Peru voltou com postura ofensiva e deixou o jogo mais aberto. Coutinho criou a primeira chance e depois tentou um golaço, mas foi bloqueado. Com mais espaço, o meia brasileiro subiu o nível da apresentação também. Falhava, porém, no momento do último passe ou da finalização. Enquanto isso, o ataque peruano ameaçava bastante a defesa brasileira.

Foi quando aos 24 minutos, após jogada mais forte com Advíncula, Gabriel Jesus ficou claramente nervoso em campo. Logo na sequência, disputou pelo alto com Tapia, recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso por um lance que não foi tão forte assim. Tite, segundos antes, tinha pedido calma ao atacante do Manchester City.

Richarlison entrou no lugar de Firmino e Coutinho foi deslocado para a direita, para na sequência ceder a vaga a Éder Militão. Daniel Alves foi adiantado para a segunda linha de marcação. Ricardo Gareca respondeu com o atacante Ruidíaz na vaga de Yotún, González por Tapia e Andy Polo por Carrillo. O clima de tensão aumentou em campo, com mais faltas fortes.

Apesar de ter um homem a menos por metade de toda segunda etapa, foi justamente nesse período que a seleção brasileira manteve mais controle do jogo. Até que aos 41, Everton foi derrubado por Zambrano na área, o árbitro marcou pênalti com auxílio do VAR e Richarlison confirmou o título brasileira na Copa América.

Vitória merecida.

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Da estreia à final: Peru mudou as peças e a tática

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Teresópolis (RJ)

Antes da Copa América começar, Brasil, Uruguai, Argentina e Colômbia eram as principais seleções favoritas. Das quatro, apenas uma chegou. O Peru era apontado como potencial surpresa, pela longevidade do trabalho de seu técnico e também por algumas individualidades.

Superou as expectativas, jogará uma final da competição pela primeira vez depois de 44 anos e buscará o terceiro título.

Na estreia contra a Venezuela, os peruanos começaram jogando com Gallese, Advíncula, Zambrano, Abram e Trauco; González, Tapia e Yotún; Farfán, Guerreo e Cueva. A plataforma tática era o 4-3-3 com a bola e o 4-1-4-1 na fase defensiva.

Flores entrou no intervalo na vaga de Cueva e aos 22 Yotún saiu para Polo e Ricardo Gareca alterou o desenho tático para o 4-4-2, com Farfán ao lado de Guerrero. No final, Carrillo também entrou, deslocando Flores para a faixa central, tudo isso já com um jogador a mais em campo no empate em 0 a 0.

Na vitória sobre a Bolívia por 3 a 1, os peruanos entraram em campo já com Farfán próximo a Guerrero, deixando Polo e Cueva abertos, e terminaram com Flores e Polo pelos lados.

O pior desempenho do Peru foi contra a seleção brasileira, sem dúvida alguma. Por mais que, nos primeiros dez minutos, tenha criado duas oportunidades para marcar. Essa postura ofensiva foi, justamente, a arma utilizada pelos brasileiros para encontrar espaço e marcar dois gols rapidamente, praticamente definindo o roteiro do jogo.

Gareca manteve a ideia do 4-4-2 para início, com a dupla Farfán e Guerrero na frente, além de Cueva e Polo pelos lados - depois Flores e Polo.

Contra os favoritos uruguaios, o Peru executou as mudanças que definiram o crescimento do time. Carrilo e Flores como titulares pela direita e pela esquerda, respectivamente, com Cueva sendo um meia central, além das presenças de Yotún e Tapia completando o setor. Farfán já era desfalque.

O desempenho sólido contra o Uruguai fortaleceu a ideia de Ricardo Gareca e o desenho tático foi mantido para o confronto contra os chilenos. Diante do Chile, o Peru teve a melhor atuação na Copa América.

Gallese, Advíncula, Zambrano, Abram e Trauco; Tapia e Yotún; Carrillo, Cueva e Flores; Guerrero. Um 4-2-3-1 veloz com a bola e compacto no 4-4-2 sem a bola. Com ótimo aproveitamento nas nove finalizações que tentou (três certas, três gols), tendo menos posse de bola que o rival (34.7%).

A final no Maracanã, às 17h, certamente será um jogo de controle brasileiro. Por ser melhor tecnicamente e jogar em casa, o Brasil vai conseguir impor suas ideias e ficará mais tempo no ataque do que na defesa.

Do outro lado, Ricardo Gareca não vai abdicar totalmente da bola, mas não vai se esforçar para que seu time a tenha. Usará o 4-4-2 na fase defensiva, diminuindo ao máximo o espaço para o adversário - o que fez a Venezuela é um bom exemplo. Quando recuperar a posse, a ligação com Carrillo e Flores será acionada, e as bolas alçadas para Guerrero farão parte da estratégia para provocar outro Maracanazo.

A comissão técnica brasileira já aguarda uma partida de paciência e concentração, que vai exigir dos jogadores muita força mental.

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A noite no Mineirão exigiu um Brasil diferente

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Belo Horizonte-MG

Nunca o Brasil, sob o comando de Tite, tinha finalizado tão pouco, somente quatro vezes. A menor marca, até este 2 de julho de 2019, era de dez em duas ocasiões, sempre excluindo as bloqueadas - Japão e Alemanha. O aproveitamento, porém, foi o melhor de todos, com dois gols em três arremates certeiros. Na posse de bola, foi a quinta vez que o adversário foi superior - a seleção teve 48.8%. Nas outras quatro ocasiões, três vitórias (1x0 Alemanha, 42.1%; 3x0 Argentina, 45.3%; 2x0 México, 48.6%) e uma derrota (0x1 Argentina, 39.7%).

A seleção brasileira fez o jogo que a noite pediu. Não conseguiu impor suas ideias ofensivas, mas contra-atacou com eficiência e lidou muito bem com a pressão que existia e toda tensão que surgiu no Mineirão. Ao mesmo tempo, mostrou novamente a solidez defensiva que marca o período da seleção com a atual comissão técnica

A estratégia argentina nos primeiros minutos foi subir a marcação, que era na prática em um 4-3-3, mantendo o trio ofensivo à frente, sem a necessidade de recompor a segunda linha. Messi começou aberto pela direita e depois passou a se movimentar com mais liberdade. Enquanto isso, o Brasil variava do 4-3-3 com a bola e o 4-1-4-1 na fase defensiva.

Foram dez minutos iniciais de muita tensão, claramente. Com divididas, faltas mais fortes, um cartão amarelo - Tagliafico, por entrada dura em Gabriel Jesus - e nenhuma chance criada dos dois lados.

Depois foi a Argentina que conseguiu colocar a bola no chão e, finalmente, o jogo passou a ter um pouco de futebol. Leandro Paredes, de fora da área, foi o primeiro a ameaçar. A seleção brasileira encontrou mais espaço e também criou. A partida continuava muito tensa.

Foi então que todo talento de Daniel Alves surgiu. O veterano lateral chapelou Acuña, driblou Paredes e achou Firmino aberto pela direita. Na movimentação típica do atacante do Liverpool, abrindo espaço para Gabriel, o jogador do City aproveitou o cruzamento e fez 1 a 0 aos 19.

A tensão ainda estava muito presente. O árbitro Roddy Zambrano, os auxiliares e o quarto árbitro tinham muito trabalho para lidar com os jogadores em campo e também com os reservas, além dos integrantes das duas comissões técnicas. Enquanto isso, a Argentina quase empatou com Agüero de cabeça, em levantamento de Messi na área após falta.

A partir de 35 minutos da primeira etapa, o jogo ficou mais calmo. O Brasil passou a tocar a bola a partir do campo de defesa sem ser pressionado, mas também deu espaço para os contra-ataques. Em um deles, Messi deixou Thiago Silva no chão com um passe espetacular para Agüero, que não aproveitou a oportunidade.

E a serenidade que tinha aparecido em campo das duas seleções, durou pouco. O primeiro tempo terminou com 16 faltas no total (Brasil 9x7 Argentina), discussão entre Daniel Alves e Acuña e cartões amarelos para os dois. Na posse de bola, muito equilíbrio com 51% a favor dos brasileiros, que marcaram em uma das duas finalizações que tentaram, contra seis dos argentinos.

Na prática, a partida mudou drasticamente após o gol brasileiro, e os números ajudam a demonstrar isso. A posse de bola do Brasil caiu de 61% para 43%, enquanto a Argentina, que tivera uma única finalização, assim como os donos da casa, conseguiu vantagem de cinco contra um a partir de então.

No intervalo, Tite mostrou mais uma vez que aprendeu com os erros da Copa do Mundo. Everton, apagadíssimo no jogo, saiu para dar lugar a Willian. Só que a Argentina voltou melhor, com Rodrigo de Paul participando mais do jogo na criação, colaborando com Messi, e passou a jogar contra o 4-4-2 na fase defensiva brasileira.

O jogo melhorou tecnicamente. Lautaro teve a primeira chance da segunda etapa em finalização na entrada da área. Coutinho respondeu com um chute por cima, depois que Firmino brincou de futebol de salão. Na sequência, pressão argentina, bola na trave em chute de Messi, cruzamento na pequena área, Alisson trabalhando.

Com Ángel di María na vaga de Acuña e Giovani lo Celso por De Paul, os argentinos ficaram ainda mais ofensivos. Quando o nome do jogo (junto com Daniel Alves), aos 26, apareceu para puxar um contra-ataque com arrancada espetacular e servir Roberto Firmino.

Jogadaça de Gabriel Jesus. Partidaça dele.

E foi também o melhor jogo da Argentina na Copa América, que teve Lionel Messi com grande atuação, 14 finalizações no total (somente duas certas) e reclamou muito da arbitragem - de pênaltis não marcados. 

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Foi suficiente para os pênaltis, mas não é o suficiente para a seleção brasileira

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Porto Alegre-RS

Marquinhos disputa pelo alto
Marquinhos disputa pelo alto Lucas Figueiredo/CBF

Dois tempos bem distintos contra os paraguaios, assim como a atitude do time e do técnico durante a partida. O Brasil vai precisar mostrar mais para ganhar a Copa América, e está claro que a seleção precisa ter mais regularidade.

Nos quatro primeiros minutos, quatro finalizações - duas de cada lado. O Paraguai entrou em campo com uma formação leve, que privilegiava o contra-ataque, tendo Derlis González como atacante central e Miguel Almirón com total liberdade de movimentação. A defesa ganhou Junior Alonso na lateral-esquerda e Fabián Balbuena ao lado de Gustavo Gómez, com Iván Piris na direita. Assim, Santiago Arzamendia foi adiantado para a segunda linha pela esquerda, enquanto Hernán Pérez se posicionou pelo outro lado.

Na prática, as linhas paraguaias mais altas de marcação impuseram muita dificuldade aos brasileiros nos primeiros 15 minutos. Além disso, Gabriel Jesus atuava como ponteiro e não segundo atacante, já que Daniel Alves não conseguia apoiar. Philippe Coutinho ficou preso entre o 4-4-2 do adversário e Everton não driblava e partia para cima do marcador. Início muito abaixo da expectativa.

Tite poderia ter mudado o time sem trocas. Coutinho aberto pela esquerda, Everton pela direita, Gabriel Jesus como atacante e Firmino ao lado dele. Sem inovação, mas era necessário mudar para reagir. Não fez qualquer mudança, e o Paraguai quase marcou aos 29 com Derlis. Alisson evitou.

O treinador da seleção decidiu inverter os jogadores de Manchester City e Grêmio logo depois. Pouco efeito na prática surgiu, e o Brasil não melhorou. Depois retornaram às posições de início de partida. Foi um primeiro tempo bastante irritante da seleção, pela insistência nos erros. O pior de todos na Copa América, e é justo colocar o gramado ruim da Arena do Grêmio como um dos motivos.

Após o intervalo, Alex Sandro voltou no lugar de Filipe Luís e o Brasil também retomou a variação 4-3-3 com a bola e 4-1-4-1 na fase defensiva. O time melhorou, voltou com postura mais ofensiva e se tornou mais perigoso. Assim, aos nove minutos, Gabriel arrancou por dentro e deu ótimo passe para Firmino ser derubado quase na área, o que foi confirmado pelo VAR. Cartão vermelho para Balbuena.

A partir daí virou jogo de ataque contra defesa, massacre brasileiro. E Tite surpreendeu positivamente ao sacar Allan e colocar Willian, deslocar Daniel para o meio e aumentar ainda mais o domínio. Já na reta final, o jogador do PSG saiu para a estreia de Paquetá na competição. Fugiu das alterações óbvias. 

Pressão absurda, inúmeras chances, quase sempre com excelente participação de Everton, o melhor em campo, mas não foram suficientes para superar a organizada e muito aplicada equipe de Eduardo Berizzo.

Nos pênaltis, depois das eliminações de 2011 e 2015, desta vez deu Brasil. A história segue sendo escrita.

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Se mudar era preciso, o Brasil mudou

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de São Paulo-SP

Tite precisava mudar a seleção brasileira e mudou. O Brasil venceu o Peru por 5 a 0, jogou bem e agradou as 45057 pessoas que lotaram a Arena Corinthias, em São Paulo. A seleção teve a posse de bola e soube ser vertical.

No começo foram os 11 minutos iniciais de maior liberdade para jogar que a equipe teve na Copa América até agora. Foi também o período em que o Brasil mais foi exigido defensivamente. Na bola parada, que o time tanto treina, abriu o placar aos 12 após cobrança de escanteio de Philippe Coutinho, desvio de Thiago Silva e cabeçada final de Casemiro.

Pouco depois o jogo ficou bem mais tranquilo, graças à falha do goleiro Pedro Gallese, que chutou a bola em cima de Roberto Firmino, para depois vê-la bater na trave e o atacante do Liverpool o driblar.

Além das mudanças das peças, o time mudou o comportamento também, fora o retomado 4-3-3 na fase ofensiva e 4-1-4-1 na defensiva. Os jogadores pareciam com mais vontade de buscar o drible, a jogada individual, tentar algo diferente. Muito graças a Coutinho, Everton e Gabriel Jesus. E foi o jogador do Grêmio que, em lance de habilidade, puxou para dentro e bateu forte para fazer 3 a 0 com apenas 32 minutos de jogo.

Pela primeira vez na competição, o Brasil foi para os vestiários no intervalo sob aplausos. Merecidos.

O segundo tempo foi praticamente protocolar. O quarto gol saiu logo aos oito minutos com bela assistência de Firmino para Daniel Alves, que foi abraçado por todos os companheiros em campo e no banco. A partir daí, Tite passou a poupar alguns atletas.

Alex Sandro entrou no lugar de Filipe Luís, Allan por Casemiro - até já para testar novamente essa formação, já que o meio-campista do Real Madrid está suspenso para as quartas de final e Fernandinho ainda não tem retorno certo - e Willian na vaga de Philippe Coutinho. Ainda coube o cinco, com o meia do Chelsea, e o sexto só não saiu porque Gabriel, um dos melhores em campo, perdeu o pênalti.

Nos primeiros dois jogos, a finalização foi um grave problema da seleção brasileira. Contra bolivianos cinco no alvo, enquanto os venezuelanos viram apenas uma. Diante dos peruanos, foram nove certeiras (de 18 no total), ou seja, mais do que nos 180 minutos anteriores.

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Se mudar era preciso, o Brasil mudou

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Tite precisa mudar a seleção para o próximo jogo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Salvador-BA


O Brasil jogou melhor do que a Venezuela e merecia vencer. Fez dois gols, ambos bem anulados pela arbitragem. Não conseguiu fazer o gol legal para garantir a vitória por alguns motivos, principalmente a péssima pontaria. Porém, antes da análise da partida, cabe uma afirmação para a próxima: Tite precisa mudar o time.

A Copa do Mundo trouxe algumas lições para uma comissão técnica praticamente inteira sem experiência em Mundiais. Para o treinador, a certeza de que não pode demorar tanto para modificar um time em torneio de tiro curto. Se na Copa Gabriel Jesus deveria ter saído da formação titular para Roberto Firmino, agora ele pede passagem para entrar. E não é o único.

Everton rendeu mais do que David Neres nos dois jogos, merece um lugar entre os 11 que começarão contra o Peru no próximo sábado. Essas duas alterações são, até certo ponto, naturais pelo rendimento dos atletas. É possível e necessário mudar um pouco mais.

Tite quer o Brasil jogando bonito, como ele mesmo disse antes da Copa América. Precisa acima de tudo jogar bem. Pois bem, um caminho pode ser Arthur e Allan no meio campo, junto com Philippe Coutinho.

No Napoli, Allan jogou a última temporada como meia central na segunda linha do 4-4-2 de Carlo Ancelotti; Arthur, como o próprio descreveu em coletiva recente, jogou entrelinhas no Barcelona, mais à frente. Os dois podem se alternar na saída de bola da seleção brasileira e em quem trabalha como meia avançado, ao lado de Philippe Coutinho. Essa seria a mudança mais radical que este comentarista faria, e que não seria novidade: o Brasil terminou jogando assim contra a República Tcheca.

Uma outra ainda poderia ser pensada: Alex Sandro por Filipe Luis. O lateral do Atlético de Madrid teve atuação boa contra a Bolívia e abaixo da sua média contra a Venezuela. Já o jogador da Juventus aproveitou bem demais as oportunidades que teve com Tite e garantiu vaga na competição: seria uma novidade na escalação, com enorme potencial ofensivo.

Fato é que o Brasil precisa mudar. Tenho convicção que Tite já percebeu isso.

Sobre o 0 a 0 com os venezuelanos, o primeiro tempo apresentou muitas dificuldades similares aos 45 minutos iniciais contra os bolivianos, mas com mais problemas nas finalizações. O Brasil teve a posse de bola (75%) e pouco arrematou, apenas seis vezes. A melhor delas com Richarlison, para grande defesa de Wuilker Fariñez.

Arthur jogou como segundo homem de meio-campo no 4-2-3-1. Tinha liberdade para tocar e avançar, porém, não apoiou o jogo pelo lado com Daniel Alves, Filipe Luis e o atacante do Everton ou David Neres, que trocaram de lado no final da primeira etapa. Pela esquerda, Filipe Luís foi muito discreto ofensivamente. Roberto Firmino e Philippe Coutinho se movimentaram bem, tentando sair da marcação fechada na variação do 4-1-4-1 para 4-5-1 venezuelano.

A volta do intervalo teve Gabriel Jesus na vaga de Richarlison, para jogar pela esquerda. O time seguiu sem profundidade. Aos 13 entrou Fernandinho no lugar de Casemiro, troca que deveria ter acontecido já na volta para o segundo tempo pela qualidade maior do passe. Com o meio-campista do Manchester City, a seleção passou a ter um passe mais objetivo, quebrando as linhas de marcação venezuelanas. Trocaram de lado Gabriel e David, e depois entrou Everton aos 27 no lugar do atacante do Ajax.

Como principal motivo para o empate, a péssima pontaria da seleção brasileira. Foram 19 finalizações e apenas uma no alvo. Uma. Tudo isso com 68,6% de posse de bola e 617 passes certos. E é necessário ressaltar o mérito tático do adversário, a fortaleza defensiva montada.

O público foi, mais uma vez, um enorme fracasso. Muito espaço vazio na linda Fonte Nova. Na maior parte do tempo, apoio das arquibancadas. Foi muito triste ouvir todo estádio vaiando Fernandinho. Já no final, as vaias para a seleção e os gritos de olé nos toques da Venezuela fazem parte da história da torcida brasileira em jogos de seleção. Quando não joga bem, raramente é poupada pelas arquibancadas.

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Com bom futebol e sem sustos ou empolgação, Brasil começa bem a Copa América

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de São Paulo-SP

Contra um adversário que entrou em campo apenas para marcar, o Brasil jogou um bom futebol e venceu por 3 a 0 a Bolívia na abertura da Copa América nesta sexta-feira à noite. Sem tomar sustos e também sem empolgar os 47.260 torcedores que encheram as arquibancadas do Morumbi.

A seleção brasileira começou a partida com total domínio. Nos primeiros 15 minutos não foi ameaçada e ainda criou diversas oportunidades, tanto é que finalizou seis vezes e Alisson apenas trabalhou com os pés. O primeiro arremate boliviano - e errado - saiu apenas aos 24 minutos, com Marcelo Moreno. À essa altura, o Brasil tinha 80% de posse de bola.

Ao mesmo tempo, o time dependia demais de cruzamentos (sete certos e 12 errados no primeiro tempo) e jogadas pelo lado, muitas com Filipe Luís. O que funcionou muito bem foi a marcação pressão da seleção, sem dúvida alguma. Taticamente, o 4-2-3-1 brasileiro na fase ofensiva estava encaixado no 4-4-2 defensivo boliviano, mas com tabelas e toques rápidos, constantemente o Brasil quebrava a marcação adversária - quase sempre pelo lado. No total, foram 260 passes certos em 299 tentados na etapa inicial.

Quando as equipes retornaram do intervalo, logo no segundo minuto saiu o pênalti para o Brasil. Richarlison cruzou, Jusino colocou a mão na bola e Néstor Pitana, com ajuda do VAR, marcou a penalidade. Coutinho bateu, fez 1 a 0 e facilitou o jogo.

Aos oito, o meia do Barcelona ampliou para 2 a 0, depois que Roberto Firmino abriu pela direita e colocou a bola na cabeça do ex-companheiro de Liverpool. Aliás, a movimentação de Firmino é um ponto forte desse time, abrindo espaço para os demais, principalmente Richarlison.

Uma alteração feita por Tite para a segunda etapa, que ajudou a melhorar o Brasil, foi o posicionamento mais avançado de Fernandinho quando o time atacava. Em várias jogadas ele fez a infiltração entre os zagueiros bolivianos, por exemplo. Antes do fim, aos 40 minutos, Everton - que entrara pouco antes na vaga de um discreto David Neres - fechou a conta com um lindo gol. O atacante do Grêmio, apesar da pouca minutagem, entrou bem demais.

No final das contas, o domínio da seleção brasileira foi completo e a diferença técnica entre os times ficou evidente para todos. Inclusive com gritos de olé nos derradeiros minutos. O Brasil terminou o jogo com 73.2% de posse de bola, 20 finalizações (cinco certas), cinco sofridas e 553 passes certos de 622 no total.

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Brasil fez o que se espera e todos cobram contra um adversário fraco: jogou bem

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Porto Alegre-RS

A seleção brasileira fez um grande jogo contra Honduras. Começou mantendo o padrão tático do 4-3-3 na fase ofensiva e 4-1-4-1 na defensiva, sem a necessidade de sacrificar Philippe Coutinho na marcação pelo lado, já que David Neres faz a recomposição sem problemas.

Nos primeiros 15 minutos, teve total controle da partida e muito volume ofensivo. Tanto é que o 4-1-4-1 dos hondurenhos virava um 4-5-1 pela forma como o Brasil empurrava o adversário contra as cordas. Os gols marcados por Gabriel Jesus e Thiago Silva saíram naturalmente.

Depois diminuiu o ritmo, mas manteve bem mais posse de bola. Voltou a pressionar quando Romell Quioto foi expulso depois de falta violenta em Arthur, que deixou a partida lesionado dando lugar a Allan. O terceiro gol veio em cobrança de pênalti, com Philippe Coutinho - novo cobrador oficial da seleção.

A marcação pressão do Brasil funcionou e várias vezes o time recuperou a posse de bola já no último terço do campo, próximo à área adversária. Quando construía a partir do campo de defesa, os dois laterais trabalhavam por dentro, perto de Casemiro, e à medida que a equipe avançava, subiam também para buscar as tabelas com os extremos.

Com a vitória já garantida, Tite usou o segundo tempo para rodar o elenco e testar novas formações. Entraram já no intervalo Fernandinho e Éder Militão nas vagas de Casemiro e Marquinhos, e o time passou a jogar no 4-2-3-1 com a bola e 4-4-2 sem.

As trocas continuaram, assim como os gols. Saiu o quarto gol, de novo com Gabriel, que depois deixou o campo para Roberto Firmino. O quinto veio com David Neres, tímido na etapa inicial e bem mais confiante na segunda.

Tite testou também a inversão de lado de David Neres e Richarlison, e dessa forma saiu o sexto gol com Coutinho dando assistência para Roberto Firmino, que virou meia avançado pouco depois e o jogador do Everton centroavante, com a entrada de Everton na vaga do meio-campista do Barcelona. A versatilidade do elenco foi colocada em campo. O sétimo saiu com Everton pela esquerda e Richarlison por dentro.

Sem Neymar, seu melhor jogador, o Brasil mais uma vez foi coletivo acima de tudo e, dessa forma, potencializou as individualidades. Teve 71% de posse de bola, finalizou 24 vezes, 12 certas, sofreu apenas cinco finalizações e conseguiu ser vertical e dominante. Gabriel Jesus merece o destaque, seguido por Coutinho. Daniel Alves e Filipe Luís estão em ótima forma. Richarlison e David Neres aproveitaram a oportunidade.

No final das contas, saldo bastante positivo, além dos sete gols, em um amistoso contra um adversário fraco. A seleção fez o que se espera em uma partida assim: jogou bem, goleou e vai estrear com confiança na Copa América.

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Brasil fez o que se espera e todos cobram contra um adversário fraco: jogou bem

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Entenda as diferenças nas funções de Arthur pelo Barcelona e pela seleção

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Porto Alegre-RS

Arthur em ação no amistoso contra o Catar
Arthur em ação no amistoso contra o Catar Lucas Figueiredo/CBF

"A maior diferença é que eu começo a participar da construção da jogada um pouco na frente no Barcelona. Eu começo atrás da primeira linha adversária. Aqui na seleção eu tenho um pouco mais de liberdade em descer um mais, em receber a bola um pouco mais recuado e aí sim construir a jogada. Acho que isso é a maior diferença, o Tite me deu um pouco mais de liberdade de buscar a bola um mais atrás, para começar essa construção, e no Barcelona eu não tenho essa liberdade. Tenho que ficar um pouco mais avançado para receber a bola entrelinhas e aí sim chegar um pouco mais no ataque. Então, acho que essa é a grande diferença entre os esquemas táticos".

Essa foi a resposta de Arthur à pergunta que fiz sobre as diferenças existentes entre as funções dele no meio-campo do Brasil e do Barcelona. Na prática, o meio-campista se movimenta muito mais e participa da criação das jogadas da seleção a partir do campo de defesa, se aproximando de Casemiro, enquanto pelo Barça esse não é o seu principal dever, se distanciando de Sergio Busquets. Com o Brasil Arthur tem se posicionado à direita do meio-campo também, enquanto com o Barcelona ele atua mais pela esquerda.

Mapa de movimentação de Arthur pelo Barcelona na temporada 2018-19
Mapa de movimentação de Arthur pelo Barcelona na temporada 2018-19 ESPN

Mapa de movimentação de Arthur pela seleção brasileira nos amistosos de 2018 e 2019
Mapa de movimentação de Arthur pela seleção brasileira nos amistosos de 2018 e 2019 ESPN

Dentro da variação tática utilizada por Tite atualmente, Arthur muda também. No 4-3-3/4-1-4-1, o meia atua ao lado de Philippe Coutinho quando ataca e se posiciona defensivamente à frente de Casemiro na segunda linha. Já no 4-2-3-1/4-4-2 ele fica ao lado do meio-campista do Real Madrid tanto na fase defensiva, como na ofensiva.

Quando analisadas as principais estatísticas de Arthur na temporada 2018-19 - todas competições oficiais pelo Barcelona e os amistosos com a seleção brasileira - percebe-se que os números são muito parecidos. Ou seja, apesar da variação de função e de posicionamento em campo, o ex-jogador do Grêmio mantém a eficiência.

NO BARCELONA

Ações com bola: 58,6 por jogo
Chances criadas: 0,64 por jogo
Passes completos: 48 por jogo
Passes recebidos: 46 por jogo
Precisão dos passes: 93,3%

NA SELEÇÃO

Ações com bola: 58,7 por jogo
Chances criadas: 0,56 por jogo
Passes completos: 48,7 por jogo
Passes recebidos: 44,1 por jogo
Precisão dos passes: 94,4%

A primeira temporada de Arthur com a camisa blaugrana foi muito boa e rendeu comparações com uma lenda do Barça, que concordou. "Arthur se parece comigo, eu me vejo nele. Pensa muito rápido", afirmou Xavi. Toda qualidade técnica do brasileiro e a capacidade de se adaptar naturalmente ao estilo de jogo culé foram responsáveis pelos elogios e pela primeira temporada muito boa na Catalunha.

Arthur tem incrível compreensão tática do jogo. Gira a bola como poucos no futebol mundial e se sente muito cômodo em mais de uma função no meio-campo. Tem tudo para vestir a camisa da seleção brasileira por toda próxima década.

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A seleção brasileira não fica mais forte sem Neymar, mas se torna mais coletiva

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Brasília-DF

Coletivo do Brasil precisa prevalecer na Copa América
Coletivo do Brasil precisa prevalecer na Copa América Lucas Figueiredo/CBF

Taticamente o Brasil começou o jogo contra o Catar nesta quarta-feira à noite, em Brasília, na variação treinada por Tite na Granja Comary: o 4-2-3-1 com a bola e o 4-4-2 na fase defensiva. Philippe Coutinho era o armador avançado, com Casemiro e Arthur como meias centrais. Neymar flutuava da esquerda para dentro e Richarlison era o jogador pela direita. Gabriel Jesus atuou na sua função, se movimentando bastante.

Sem a bola, havia uma movimentação que foge do padrão tático comum desses esquemas. Pela esquerda, na segunda linha, quem fechava era Coutinho e não Neymar. Ou seja, na prática, como era na Copa do Mundo, o meia do Barcelona tem que se sacrificar taticamente para o atacante do Paris Saint-Germain.

Tudo isso durou pouco, porque Tite mudou para o tradicional 4-3-3/4-1-4-1 antes pouco depois de dez minutos, ao perceber o espaço que havia para os meio-campistas jogarem dentro do bastante recuado 5-3-2 do Catar. Na sequência Neymar se machucou e o primeiro gol saiu.

Quando grandes times perdem seu melhor jogador, a tendência é que o coletivo se fortaleça. O caso da seleção brasileira não me parece fugir a essa teoria.


Ofensivamente, a bola roda mais porque não há necessidade de chegar nos pés de Neymar o tempo todo. Coutinho cresce, Casemiro chega mais no ataque e os atacantes se sentem mais livres. Everton, no Grêmio, tem problemas na recomposição defensiva, e isso é algo que ele precisará aprimorar, caso se torne titular na seleção agora.

Todo técnico tem o dever de fazer seu time render coletivamente com a principal estrela em ação. Tite vinha tendo problemas com isso depois do Mundial e Neymar não estava decidindo jogos para compensar tudo. Discussão sempre no aspecto esportivo.

Com tudo que está acontecendo fora de campo e envolve o melhor jogador brasileiro, a situação parecia cada vez mais insustentável para a comissão técnica. A própria frase de Neymar, publicada no Instagram momentos antes do jogo contra o Catar, evidencia como a situação interferia na preparação.

"Hoje tenho uma das partidas mais difíceis da minha carreira, se não for a mais (pelas circunstâncias)". Era apenas um amistoso contra uma seleção fraca, mas obviamente para ele havia uma pressão muito maior. Neymar sofreu uma entorse no tornozelo direito e lesão ligamentar.


O primeiro tempo da seleção foi muito bom, e depois da saída de Neymar a equipe mostrou a força coletiva que se espera pelo talento colocado em campo. Richarlison marcou aparecendo na área, como segundo atacante, após mais uma assistência do excelente Daniel Alves. Gabriel foi muito bem nos duelos individuais, marcou um gol e foi o destaque. Além disso, a marcação alta - outro padrão desse time - funcionou bem.

Já na segunda etapa o ritmo diminuiu muito. Foram cinco trocas, com as entradas de David Neres, Fernandinho, Paquetá, Alex Sandro e Militão nas vagas de Richarlison, Arthur, Coutinho, Filipe Luís e Daniel Alves, respectivamente. 

Se nos 45 minutos iniciais a seleção brasileira rodou a bola com velocidade e teve bastante volume de jogo, nos derradeiros 45 pareceu um time mais lento e sem intensidade para furar as linhas de marcação catarianas.

No final das contas, a seleção teve mais posse de bola que o adversário, como de costume, com 63%, e amplo domínio nas finalizações (19x6, sendo 6x1 no alvo). Defensivamente os comandados de Tite foram pouco exigidos.


Independentemente do substituto de Neymar, o Brasil precisa ser forte coletivamente mais do que nunca. A partir daí, as individualidades aparecerão e farão a diferença na Copa América.

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A inspiração espanhola que ensina o Catar no futebol

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Brasília-DF


A Espanha e o Barcelona se tornaram inspiração para muita gente no futebol a partir dos anos 2000 e o estilo consagrado de posse de bola. Os jogadores espanhóis se valorizaram muito no mercado e se espalharam pelo continente europeu, e Pep Guardiola se tornou o profissional mais requisitado na área.

O país ibérico passou a ser também um local para buscar conhecimento, e foi lá que o Catar procurou a melhor forma de desenvolver seus atletas e evoluir como time.

Félix Sánchez Bas, de 43 anos, é o homem por trás de toda essa história. O catalão trabalhou na base do Barcelona por dez anos a partir de 1996, aprendeu toda filosofia de jogo culé e em 2006 foi convidado para comandar a Aspire Academy, enorme projeto de desenvolvimento de jovens no futebol, localizada em Doha. Ficou por lá até 2013, quando assumiu a seleção catariana sub-19. Os passos seguintes foram na sub-20 e na sub-23, até alcançar a principal em 2017.

Ele sabe que há limitações evidentes para impor o estilo do Barça no Catar, mas preza pela organização tática e prova isso em campo. No início do ano venceu a Copa da Ásia pela primeira vez na história do país, com sete vitórias, 19 gols pró e somente um contra, sofrido na final diante do Japão (3x1).

O time teve como padrão tático o 5-3-2 na fase defensiva, ou seja, linha de cinco defensores, mas com variação para o 4-4-2 sem a bola e 4-2-3-1 quando atacava. Chegou a marcar no 4-5-1 também. Teve menos posse de bola na média e muita velocidade na transição. Cléber Xavier, principal assistente técnico de Tite, aposta no Catar como grande surpresa da Copa América.

Ao longo da história, a seleção catariana, que passou a disputar as eliminatórias para a Copa do Mundo somente em 1977, apostou em diversos treinadores brasileiros. Evaristo de Macedo, Dino Sani, Procópio Cardoso, Cabralzinho, Ivo Wortmann, Sebastião Lazaroni, Zé Mário... Até Paulo Autuori, entre 2012 e 2013, o último deles. 

A base da seleção é o Al Sadd, maior potência nacional e que cedeu nove dos 23 convocados, incluindo a estrela e capitão do time, Hassan Al Haydos. Do clube vem a outra inspiração espanhola do Catar.

Xavi escolheu o Al Sadd para encerrar a carreira e iniciar a trajetória como treinador. Tornou-se exemplo para os mais jovens, referência para os mais experientes e enorme fonte de conhecimento para todos. Passará a comandar boa parte dessa seleção após a competição sul-americana.

A partida amistosa contra o Brasil servirá para o Catar - que fez sua preparação em Mangaratiba, litoral do Rio de Janeiro, no mesmo resort onde a Itália se hospedou em 2014 - medir seu nível contra um potência mundial. Já a Copa América é encarada por Félix Sánchez como grande oportunidade para dar mais bagagem internacional ao seu time, de pouco intercâmbio com grandes centros. Alguns atletas têm experiência em clubes pequenos da Espanha e outros passagens rápidas por times mais tradicionais, mas nada relevante.

O jovem atacante Akram Afif, que foi contratado pelo Villarreal em 2016 após atuar no Eupen, da Bélgica, merece mais destaque. Em Vila Real, porém, nunca atuou, sendo emprestado ao Sporting de Gijón, novamente ao Eupen e agora ao Al Sadd, onde foi formado. Há ainda cinco atletas naturalizados: dois argelinos, um iraquiano, um sudanês e um português. O último é Pedro Correia, também chamado de Ró-Ró.

A evolução da seleção catariana é evidente. Nada que a torne favorita no Grupo B, ao lado de Argentina, Colômbia e Paraguai. Muito menos no amistoso contra o Brasil. O objetivo é a longo prazo, ou nem tanto assim: fazer um bom papel na Copa de 2022, em casa.

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Temporada ruim do Real "colaborou" para boa forma de Casemiro na apresentação à seleção

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Teresópolis-RJ

Casemiro durante treinamento na Granja Comary
Casemiro durante treinamento na Granja Comary Lucas Figueiredo/CBF

"Estou me sentindo muito bem".

Desta forma Casemiro, meio-campista da seleção brasileira e do Real Madrid, tem se referido ao período de treinamentos na Granja Comary, em Teresópolis, a pessoas próximas. O jogador se apresentou à comissão técnica do Brasil no último dia 22 e, desde então, participou de todas atividades programadas.

O motivo do bem estar físico de Casemiro tem, curiosamente, muito a ver com a péssima temporada de seu clube. Ao cair precocemente nas oitavas de final da Champions League para o Ajax e nas semifinais da Copa do Rei para o Barcelona, o Real "possibilitou" aos seus atletas meses de abril e maio mais tranquilos na comparação com as três temporadas vitoriosas anteriores.

Neste ano, o meio-campista disputou somente seis partidas pelo Real no período citado, dos nove compromissos que o clube teve - todos pelo Campeonato Espanhol, onde o terceiro lugar já estava virtualmente garantido. Em outros dois ficou no banco de reservas e em um estava suspenso. O número total é bem inferior na comparação com o ciclo do tricampeonato da Champions.

Em 2017-18 foram 11 jogos de 13 no total, sendo cinco pela Liga dos Campeões e outros seis por La Liga. Já em 2016-17 Casemiro participou de 15 partidas (cinco na Champions e dez no Espanhol) das 16 que o Real teve em seu calendário, ficando de fora apenas uma vez por suspensão. Por fim, na temporada 2015-16 ele esteve em campo dez vezes, quatro na competição continental e seis na nacional, entre abril e maio e ficou de fora de outros três jogos (suspensão, lesão e poupado).

A percepção da boa forma de Casemiro é compartilhada pela comissão técnica, que o mantém como titular absoluto, mesmo tendo feito uma temporada, tecnicamente, inferior à de Fernandinho, por exemplo, ou mesmo Fabinho, do Liverpool, preterido na lista final. Sua função, inclusive, tem variado mais com a alternância de esquemas testados (4-3-3 e 4-2-3-1).  Nos treinamentos na Granja Comary tem sido um dos destaques dos jogadores.

Coletivamente ele naufragou com os companheiros de Real Madrid e chegou a perder a posição para Marcos Llorente, mas individualmente conseguiu manter boas atuações em alguns fundamentos importantes da posição. Pelo números do Wyscout, ele teve nesta temporada média de 6,76 interceptações por jogo, comparada a 6,97, 7,91 e 7,75 das três anteriores - queda pouco brusca.  Já em recuperações de posse de bola, o último número foi de 13,13 contra 11,45, 12,71 e 12,2 - aqui aumento, talvez explicado também pelo domínio de muitos adversários nos confrontos merengues.

Tanto no Real como na seleção, Casemiro tem papel importante na saída de bola. Seja com Toni Kroos e Luka Modric ou Arthur e Philippe Coutinho, ele quase sempre recebe o primeiro passe junto aos zagueiros para distribuir. A média de passes certos em 2018-19 pelo clube espanhol, contando todas competições, foi de 56,58 por jogo - 53,7 em 2017-18, 49,34 em 2016-17 e 56,9 em 2015-16.

Em 6 de julho de 2018, na Kazan Arena, Casemiro fez muita falta à seleção brasileira na eliminação para a Bélgica por 2 a 1, pelas quartas de final. Quase um ano depois, mesmo sem uma temporada brilhante pelo clube, segue como uma peça importante no Brasil de Tite.

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Entre a vontade e a realidade, seleção brasileira busca "jogar bonito"

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Teresópolis-RJ

Comissão técnica da seleção brasileira reunida
Comissão técnica da seleção brasileira reunida Lucas Figueiredo/CBF

"Desempenho, sempre. Mesmo que corra risco de continuidade no trabalho. Sei da importância do resultado, mas não controlo. Queremos jogar bonito, sim, não vou fugir disso. Tem que ser agradável, tem que ter prazer e alegria de jogar, mas com solidez".

Dessa forma Tite falou, no dia da convocação dos 23 jogadores para a Copa América e os amistosos contra Catar e Honduras, como ele quer que a seleção brasileira jogue. A prática, porém, não tem mostrado muita sincronia com a vontade do treinador.

As estatísticas comprovam um Brasil que busca o controle do jogo a partir da posse de bola. Desde que Tite assumiu o comando, no segundo semestre de 2016, o time realizou 34 partidas entre amistosos e a Copa do Mundo, com 27 vitórias, cinco empates e apenas duas derrotas. Teve em média 60.4% de posse, com média de 510 passes certos por jogo e aproveitamento de 87.7%. Uma equipe com alto índice de finalizações (15,9 e 6,5 no alvo), metade dentro da grande área (50,9%), e poucos cruzamentos (13,5).

Quando analisado mais a fundo, os números indicam as ideias da comissão técnica bem executadas em campo. O Brasil, por exemplo, é um time que usa linhas altas na marcação sempre. Em média, recupera 51 vezes por partida a posse de bola, sendo 4,38 no último terço do campo. Sofreu apenas dez gols em todos esses jogos e não chegou a duas finalizações sofridas contra na média por compromisso (1,85).

O problema é que, na prática, o futebol não tem sido bonito, como quer o treinador da seleção. Depois do Mundial ainda não houve uma grande atuação, algo que aconteceu antes do Mundial. Muito provavelmente o 3x0 contra a Argentina, em 10 de novembro de 2016, seja a melhor recordação. Já o penúltimo jogo, o 1x1 contra o Panamá em 23 de março deste ano, seja a pior.

Números da seleção brasileira sob o comando de Tite
Números da seleção brasileira sob o comando de Tite ESPN

"O nosso conceito de jogo não muda. Ele é de construção, criação de jogadas, de querer o gol o tempo todo. Nós fazemos os ajustes necessários sempre dentro do conceito de jogo. A comissão técnica trabalha em cima de um modelo de jogo e não se apega, necessariamente, ao desenho tático. Esse pode variar de acordo com as peças e o adversário", garantiu Cléber Xavier, principal assistente técnico de Tite, já na Granja Comary, em Teresópolis, onde a equipe se prepara para a Copa América.

Serão, no total, 22 dias de preparação até a estreia contra a Bolívia, no dia 14 de junho, no Morumbi. O grupo de jogadores mescla experiência e juventude. Na média é mais jovem do que na Rússia, 27,2 anos contra 28,1, mas tem também muitos jogadores que entendem o conceito desejado por Tite.

Ederson, Fernandinho, Gabriel Jesus e David Neres estão em locais onde a cultura de jogo estabelecida por Johan Cruyff dita as regras. Os três primeiros graças a Pep Guardiola e o quarto por ser jogador do Ajax.

"As duas equipes procuram a construção de jogo curta, então claro que tem equipes que vêm fazer pressão alta, mas sempre há uma solução para a saída. Aqui não é diferente, nos treinos táticos o Tite procura treinar para realizar dentro da partida. Acho que com esse pensamento de ter a bola nos pés, jogar um bom futebol pode ajudar bastante nas partidas", explica Ederson, escolhido a dedo por Guardiola para ser o goleiro titular do Manchester City, também pela habilidade com os pés.

O tímido David Neres se transforma em campo. Parte para cima dos adversários, constrói lances perigosos e se tornou nesta última temporada europeia um dos melhores jovens do futebol mundial. Entendeu rapidamente o conceito de seu clube, treinado por Erik ten Hag. "Tem uma semelhança entre o Brasil e o Ajax, ambos são times que dão muita liberdade para seus jogadores e muita confiança. Acho que o que eu trago do meu clube é ter a coragem e não ter medo de jogar. Isso vai fazer muita diferença na frente, temos que acreditar no nosso jogo".

Foi justamente no período dos oito amistoso pós-Copa que a seleção apresentou seu pior futebol. Ainda vivendo ressaca da eliminação para a Bélgica, os resultados foram positivos - sete vitórias e um empate -, mas o desempenho caiu, principalmente na comparação com as eliminatórias. Mudanças no grupo foram feitas, 44 jogadores foram chamados depois da Copa, novos atletas convocados e muitos testes aconteceram. 

Fato é que Tite não esconde seu objetivo e assume a pressão ao afirmar que pretende fazer o Brasil "jogar bonito". É muito raro encontrarmos no futebol brasileiro técnicos falando assim, abertamente, sobre um conceito tão abstrato.

Quase todos os atletas convocados atuam em clubes que têm mais posse de bola que seus adversários e são dominantes em seus campeonatos nacionais. Um deles, aliás, joga para um técnico que serviu muito de inspiração para Tite. Allan joga para Carlo Ancelotti no Napoli.

"São ideias completamente iguais, treinadores que gostam de ficar com a bola. Aproveitar o momento que tem a bola para atacar na hora certa. Isso é até melhor, porque tendo a bola você não passa tanto perigo com o adversário. É a melhor coisa a se fazer no futebol", explica o meio-campista.

Livro de Ancelotti no Brasil teve orelha escrita por Tite
Livro de Ancelotti no Brasil teve orelha escrita por Tite Divulgação

Tite, em seu ano sabático, buscou Ancelotti e acompanhou treinos do Real Madrid, na época. Além disso, escreveu a orelha do livro "Liderança Tranquila", do treinador italiano, na versão para o mercado brasileiro. "Os treinos são bastante parecidos, aqui na seleção têm muita intensidade, mas o modo de trabalhar é parecido", completa Allan.

Gabriel Jesus, porém, destaca justamente a falta de treinos como um grande problema. Ainda mais trabalhando com alguém como Pep Guardiola. "O trabalho do Tite com a seleção é curto. Claro que em competição aumento o período, mas quando tem amistoso são duas semanas. É difícil tranalhar mais. No clube você trabalha o ano inteiro, toda temporada, é diferente para colocar as ideias. Mas todos querem jogar bem para vencer, e muitas vezes você acaba jogando bem e não ganha. Tivemos o nosso exemplo contra o Tottenham na Champions. Jogamos muito bem, porém acabamos sendo eliminados".

Dentro desse contexto, há ainda a variação tática que vem sendo testada no time. A plataforma tática de toda era Tite tem sido o 4-3-3 na fase ofensiva e o 4-1-4-1 sem a bola. Agora, o 4-2-3-1 passa a ser primeira opção também. Tudo sempre em busca do jogo bonito e das vitórias.

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Neymar jamais poderia ser capitão da seleção brasileira

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Teresópolis-RJ
Neymar não será mais o capitão da seleção
Neymar não será mais o capitão da seleção Getty


Neymar não será capitão da seleção brasileira na Copa América. Tite acerta ao tirar a faixa dele e passar para Daniel Alves. É também uma correção de rota após a errada estratégia de transformar o atacante em algo que ele jamais foi.

Daniel seria o capitão do Brasil na Copa do Mundo, dando fim ao rodízio que marcou o time nas eliminatórias. A lesão no joelho evitou que isso acontecesse. Agora retoma a faixa e ajuda a seleção em diversos aspectos.

Tite acreditou, após o Mundial de 2018, que conseguiria tornar Neymar mais responsável ao lhe entregar a braçadeira. Foi, indubitavelmente, uma decisão muito arriscada e com enorme probabilidade de dar errado - como deu - pelo perfil do atleta.

Jamais Neymar foi um líder. Jamais será. Ele é o melhor jogador brasileiro, a referência técnica, um "líder técnico" como o próprio Tite cita. Nunca foi um líder por experiência, comando ou exemplo para os demais, para citar outros perfis de liderança que o treinador identificava no grupo da Copa.

Ao agredir um torcedor que o provocava após a final da Copa da França, Neymar escancarou mais uma vez sua falta de preparo para exercer o posto de capitão da seleção brasileira. Se na prática o capitão já não tem mais o peso de outrora em campo, inegavelmente carrega ainda grande responsabilidade fora.

O veterano Daniel Alves, de 36 anos, foi a melhor solução possível para Tite. É necessário, porém, ainda esperar o discurso dos dois. Demover Neymar do posto de capitão era o movimento básico e necessário para pronto restabelecimento de comando do treinador. Aliviar, posteriormente, com palavras a situação não vai ajudar a resolvê-la.

Passar a mão na cabeça de Neymar, após tirar a faixa de capitão dele, seria outro erro.

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Entenda como Tadic foi fundamental para David Neres estar na Copa América

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Teresópolis-RJ

David Neres em ação já nos treinamentos de Teresópolis
David Neres em ação já nos treinamentos de Teresópolis Lucas Figueiredo/CBF

"Antes eu jogava só pela direita nas outras temporadas e ir para a esquerda me ajudou bastante a evoluir, onde eu não jogava, tinha bastante dificuldade. Eu cresci muito jogando perto do Tadic como centroavante, ele me ajudou bastante. Jogava muito em conjunto com ele, tabelávamos muito, acho que cresceu bastante meu futebol com essa mudança. Agora posso desempenhar outras funções".

As palavras de David Neres são bem claras quanto à importância que Dusan Tadic teve em sua melhor temporada jogando futebol. Não apenas pelo sérvio ter se transformado no principal jogador da equipe, mas por ter sido a peça principal de mudança que colocou o Ajax entre os melhores times da Europa em 2018-19.

Quando o gigante holandês pagou 12 milhões de euros pelo jovem atacante do São Paulo, que começava a se destacar no Morumbi, já estava evidente para todos que havia um grande jogador em formação ali. A adaptação dele à Eredivisie foi rápida.

Inicialmente com Justin Kluivert, formou uma dupla de atacantes rápidos e muito habilidosos. Posteriormente, teve queda de rendimento até certo ponto natural e previsível para um garoto. Com o retorno de Klaas-Jan Huntelaar para Amsterdã na temporada 2017-18 e o bom momento de Kasper Dolberg - os dois centroavantes do time - havia pouco espaço para trocas mais ousadas.

Em 21 de dezembro de 2017, com a chegada de Ten Hag para a vaga do demitido Marcel Keizer, que substituíra Peter Bosz. O jejum de títulos do clube continuava, desde 2014 os torcedores do Ajax não sabiam o que era comemorar uma conquista. O ano seguinte trouxe uma nova temporada e foi necessário esperar até 2 de outubro para algo maior acontecer.

Essa foi a data de Bayern Munique 1x1 Ajax, a primeira vez em que o centroavante foi sacado do time titular e substituído por Tadic como atacante central, abrindo espaço para Hakim Ziyech pela direita, David Neres agora pela esquerda e o meio-campo de Frenkie de Jong, Lasse Schöne e Donny van de Beek.

A partir daí, o crescimento dos Godenzonen foi notório e ao mesmo tempo impressionante, culminando com uma campanha espetacular na Champions League e uma arrancada no Campeonato Holandês que deixou para trás o PSV, fora o título da Copa da Holanda.

Sem dúvida alguma, um dos times mais legais de toda temporada europeia, e David Neres foi parte importante de tudo isso, colaborando com gols, assistências e dribles. "Agora, depois de grandes jogos que fiz pela esquerda, jogos importantes, acho que não tenho mais um lado favorito. Onde for para jogar vou dar o melhor de mim que é o mais importante para a equipe, seja na direita ou na esquerda e até mesmo no meio", completa, lembrando do início desta temporada, quando chegou a ser testado no meio-campo, na função de Van de Beek.

NÚMEROS DE DAVID NERES NA TEMPORADA 2018-19

4019 minutos
14 gols
12 assistências
77 finalizações
1710 passes, com 63.3% de aproveitamento
30 passes longos apenas
96 cruzamentos, 31.3% certos
260 dribles, 68.8% certos
82 interceptações
413 perdas de posse de bola
141 recuperações de posse de bola no campo adversário

Na seleção brasileira, David Neres vai brigar por um lugar no lado direito, já que a esquerda tem Neymar como dono e, para a comissão técnica, Everton como substituto direto. Aliás, outra data específica foi bastante importante para a presença do atacante na convocação final para a Copa América.

Em 5 de março de 2019, quando o Ajax atropelou o Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu por 4 a 1 e se classificou para as quartas de final da Champions, David brilhou em campo, marcou um gol e teve grande atuação. No mesmo jogo, Vinicius Júnior, convocado por Tite para os amistosos contra Panamá e República Tcheca, se machucou. Três dias depois, o jogador merengue cedeu o lugar entre os 23 para o atacante do Ajax, que aproveitou muito bem os 27 minutos contra os tchecos.

"Já venho de uma boa temporada passada, esta agora também uma grande temporada. Acho que cravei um pouco nesse amistoso que entrei bem. Talvez se eu não tivesse entrado bem, não estivesse aqui agora. Isso foi muito importante", garante David.

O jogador realmente impressionou toda comissão técnica da seleção. Não apenas pelos minutos no campo, mas pelo desempenho nos treinos também. David Neres, inclusive, vem de um clube que também serve de inspiração para o modelo de jogo que Tite tenta implantar, de controle da posse de bola e muita ofensividade.

"Tem uma semelhança entre Brasil e Ajax. Os dois dão muita liberdade para o seu jogador jogar, muita confiança. O que trago do meu clube é ter a coragem, não ter medo de jogar, que isso vai fazer muita diferença lá na frente. Temos que acreditar no nosso jogo, porque sabemos fazer isso. Não tendo medo, tendo coragem, tudo pode dar muito certo".

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Entenda como Tadic foi fundamental para David Neres estar na Copa América

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A Copa América da pressão

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Teresópolis-RJ

Tite tem alguns problemas para resolver nos próximos dias
Tite tem alguns problemas para resolver nos próximos dias Lucas Figueiredo/CBF

Desde que Tite assumiu o comando da seleção brasileira, em junho de 2016, este é o momento mais crítico do time.

A lua de mel da equipe com o treinador e do treinador com a torcida durou até a Copa do Mundo. A eliminação para a Bélgica, nas quartas de final, gerou ruptura entre torcedores e a seleção novamente. Não no mesmo nível do período de Dunga à frente do time, por exemplo, mas em situação de muita pressão.

O Brasil é a melhor equipe da Copa América. Tem um elenco muito forte, estrelas do futebol internacional, trabalho consolidado do técnico e joga em casa. Não há como se esconder do favoritismo.

Na coletiva de convocação, Tite afirmou mais de uma vez que quer que o Brasil "jogue bonito". Eu, particularmente, evito essa frase porque implica em algo muito genérico. Prefiro "jogar bem", que na prática é executar sua proposta de jogo, dominar o adversário a partir dela.

O torcedor brasileiro que estará nos estádio vai exigir isso da seleção brasileira. Vitórias fáceis, tranquilas, de preferência com goleadas contra Bolívia, Venezuela e Peru. Esse é o perfil de quem pagou pelos caros ingressos da competição.

Há ainda a questão Neymar a ser resolvida, que colabora crucialmente para o desânimo do torcedor com a seleção. Tite optou por prorrogar o problema. Evitou divulgar sua decisão sobre o melhor jogador do time em relação à indisciplina e deixou a definição para a apresentação do atacante do PSG em Teresópolis.

Escolher Neymar como capitão da seleção foi uma estratégia errada de Tite e sua comissão técnica após a Copa do Mundo. Neymar não é e jamais será um líder. Encaixa-se no perfil de líder técnico, definido pelo próprio Tite, mas não tem condições de usar a braçadeira do time como exemplo para os demais. Ainda mais depois do que aconteceu na final da Copa da França.

Manter Neymar como capitão do time será o maior erro da carreira de Tite, e a solução é muito óbvia e natural: Daniel Alves. Usaria a braçadeira na Copa da Rússia se não tivesse sido cortado; Será titular na Copa América; É amigo próximo de Neymar. Daniel como capitão restabelece o comando de Tite, repreende Neymar e devolve crédito ao time.

Além disso, Thiago Silva pode ser um problema também. Segundo Fábio Mahseredjian, preparador físico da seleção, o zagueiro do PSG se apresentará na próxima semana já em condições de trabalho com bola. Fez uma artroscopia no joelho há duas semanas e não chegará em boas condições físicas se comparado aos demais - e essa é uma avaliação lógica, que qualquer leigo pode fazer.

Philippe Coutinho chega em baixa, assim como Casemiro que naufragou com os companheiros de Real Madrid. Miranda foi reserva na maior parte da temporada da Internazionale. Paquetá também se envolveu em caso de indisciplina, lembrado até mesmo por Tite na convocação. Fora a situação de Edu Gaspar, que vai se despedir da seleção para trabalhar no Arsenal, e Sylvinho, que já se despediu para assumir o Lyon - ambas situações não foram oficializadas.

No final das contas, temos um cenário de enorme pressão sobre a seleção e, consequentemente, sobre Tite. Os próximos dias já serão cruciais para lidar com tudo isso.

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Mais de 50 mil pessoas viram o campeão australiano não acertar o gol na final, marcada por erro absurdo do VAR

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, blogueiro do ESPN.com.br

Este é mais um texto da série #AssisteaíHofman. A cada final de semana, o fã de esportes escolhe um jogo para o comentarista assistir em enquete pelo Twitter

Jogadores do Sydney comemoram o quarto Campeonato Australiano do clube
Jogadores do Sydney comemoram o quarto Campeonato Australiano do clube A-League

Desde 1º de janeiro de 2006 a Austrália faz parte da Ásia. Ao menos no futebol.

Cansada de ser eliminada nos playoffs para a Copa do Mundo e buscando mais competitividade para sua seleção e seus clubes, a Federação de Futebol da Austrália optou pela mudança. Desde então os australianos foram para todos Mundiais e os times locais vêm evoluindo a cada temporada.

No último domingo, 56.371 torcedores foram ao Optus Stadium, em Perth, costa oeste do país, para acompanhar a grande final do Campeonato Australiano entre Perth Glory e Sydney FC. Após persistente 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, o Sydney ficou com o título ao vencer nos pênaltis por 4 a 1.

Torcedores de Perth Glory e Sydney FC encheram o Optus Stadium
Torcedores de Perth Glory e Sydney FC encheram o Optus Stadium A-League

O Campeonato Australiano tem dez times e segue o padrão dos esportes norte-americanos. Não existe rebaixamento e há a pós-temporada, onde os dois primeiros colocados entram como bye e na primeira rodada o terceiro pega o sexto e o quarto o quinto. Nas semifinais, o Perth Glory - time de melhor campanha - sofreu contra o Adelaide United, que eliminara o Melbourne City, mas avançou depois de empatar em 3 a 3 e vencer nas penalidades máximas. Enquanto o Sydney passou por cima do Melbourne Victory, terceiro no geral, por 6 a 1.

Aliás, o eliminador Melbourne Victory despachou na primeira rodada o Wellington Phoenix, da Nova Zelândia. Justamente para disputar um campeonato nacional profissional e de bom nível, a principal equipe neozelandesa joga a A-League, mas não pode se classificar para as competições continentais da Ásia por ser filiada à Confederação da Oceania.

Em campo, taticamente, houve duelo de ideias diferentes. O Perth Glory utiliza linha de cinco defensores, marca no 5-3-2 e ataca no 3-4-1-2. Já o Sydney não inova, atua na plataforma do 4-4-2. O jogo, em si, teve os donos da casa tomando a iniciativa e atacando bem mais. As estatísticas finais ajudam a entender o roteiro.

Aliás, o Optus Stadium recebeu apenas pela segunda vez na história um jogo de futebol. O estádio é a casa do West Coast Eagles e do Fremantle Dockers no australian football, uma modalidade que mistura o mundialmente conhecido futebol com o futebol americano. A primeira vez foi no ano passado, no amistoso entre Perth Glory e Chelsea.

Havia jogador conhecido internacionalmente na decisão defendendo o time visitante: o meio-campista Siem de Jong, 30 anos, revelado pelo Ajax, com passagem pelo Newcastle e irmão mais velho de Luuk, centroavante do PSV. Merecem citações também o atacante espanhol Diego Castro, de 36 anos, ex-Sporting de Gijón e Getafe, pelo Perth, além de Adam le Fondre, atacante inglês, ex-Reading e Bolton, e Milos Ninkovic, meia sérvio, ex-Dynamo Kiev.

As melhores chances foram todas do Perth Glory, mas o futebol é capaz de proporcionar vitórias a times que, simplesmente, não atacam. Ou que não finalizam. Em 120 minutos, o Sydney não acertou o gol do Perth Glory. Deixou para fazer isso apenas nos pênaltis e foi campeão pela quarta vez, igualando o recorde da A-League.

Porém, quase a decisão fica completamente manchada. Marcada negativamente, sem dúvida alguma ficou. Isso porque aos 27 minutos, Alex Brosque - que se aposentou após o jogo - deu lindo passe para Michael Zullo, pela esquerda da área, que cruzou de primeira para Le Fondre fazer 1 a 0. Impedimento marcado de Zullo, gol anulado. Em poucos segundo houve a revisão silenciosa do VAR, que confirmou a decisão de campo. A transmissão mostrou o primeiro replay e, realmente, passou a impressão de que o jogador do Sydney estava à frente do zagueiro Matthew Spiranovic. Porém, pouco depois, a imagem foi mostrada novamente com a utilização de um recurso gráfico que provou não haver impedimento.

Inacreditavelmente, o VAR errou matéria exata. A polêmica não foi maior porque o Sydney ficou com o título, o que não minimiza o erro gravíssimo.

Imagem da transmissão no momento do gol anulado
Imagem da transmissão no momento do gol anulado Divulgação

Perth Glory 0x0 (1x4) Sydney FC 

Posse de bola: 58.6% x 41.4%
Finalizações/certas: 10/2 x 3/0
Passes/certos: 728/589 x 511/381
Cruzamentos: 26 x 26
Faltas: 16 x 19

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No final, o tamanho do Galatasaray pesou para a disputa de título na Turquia

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, blogueiro do ESPN.com.br

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Festa dos jogadores do Galatasary em campo por mais um título
Festa dos jogadores do Galatasary em campo por mais um título Galatasaray

Em toda história do Campeonato Turco, Galatasaray, Fenerbahçe e Besiktas tinham vencido 55 das 62 edições. Apenas Trabzonspor, seis vezes, e Bursaspor, um título, conseguiram quebrar a hegemonia dos gigantes de Istambul. A temporada 2018-19 da Süper Lig parecia histórica porque, novamente, teríamos um campeão fora do trio, mas o final de semana tratou de recolocar as peças em ordem na Turquia.

Pela penúltima rodada do Turcão, o Galatasaray recebeu o Istambul Basaksehir (pronuncia-se Baxaquixerrir) neste domingo, venceu por 2 a 1, de virada, e foi campeão pela 22a vez da competição. Soma agora 69 pontos, três a mais que o adversário, e tem vantagem no confronto direto (1x1 no turno), primeiro critério de desempate.

O clima no estádio Türk Telekom, completamente lotado, era impressionante. O Gala entrou em campo na variação do 4-2-3-1 para o 4-4-2 na fase defensiva com Fernando Muslera, Mariano, Christian Luyindama, Marcão e Yuto Nagatomo; Ryan Donk e Fernando; Sofiane Feghouli, Younes Belhanda e Henry Onyekuru; MBaye Diagne - comandados pelo experiente Fatih Terim. Sim, todos que vocês pensaram são "aqueles".

Já o Basaksehir começou no 4-3-3 com a bola e Mert Günok, Júnio Caiçara, Mahmut Tekdemir, Fedor Kudryashov e Gaël Clichy; Irfan Kahveci, Gökhan Inler e Emre Belözoglu; Edin Visca, Rijad Bajic e Eljero Elia. No banco estavam Márcio Mossoró, Emmanuel Adebayor e Robinho (todos entraram) e foram desfalques Arda Turan e Demba Ba.

Partidas dos grandes turcos são, na maior dos casos, boas, bem ofensivas. Não foi diferente. Os dois times entraram em campo sem medo de atacar, e foram os visitantes que abriram o placar. Aos 17, Elia cruzou da esquerda, Bajic marcou de cabeça e comemorou correndo em direção às arquibancadas. Na sequência, Marcão foi tirar satisfação e houve uma chuva de copos sobre a comemoração dos jogadores do Basaksehir. Um dos objetos atingiu em cheio a nuca de Tekdemir.

Cinco minutos de paralisação, muito empurra-empurra, confusão no banco, utilização do VAR pelo experiente árbitro Cüneyt Çakir e alguns cartões amarelos distribuídos. A partir daí o Galatasaray passou a controlar o jogo com bem mais posse de bola e chances criadas, mas foi para o intervalo em desvantagem.

O Basaksehir está envolvido em muitas polêmicas. Fundado em 1990, desde que retornou à primeira divisão, em 2014, é patrocinado pela Medipol, uma grande empresa do ramo de saúde, que mudou o nome do clube para Medipol Basaksehir - apesar da maioria ainda utilizar a denominação antiga. Esta é comandada por Fahrettin Koca, ministro da saúde do governo de Recep Tayyip Erdogan. Além disso, Göksel Gümüsdag, presidente do clube, é filiado ao partido de Erdogan e casado com uma sobrinha da esposa do máximo mandatário do país. O próprio Arda Turan teve como padrinho de casamento ninguém menos que o presidente nacional.

Entre todos os brasileiros que entraram em campo, sem dúvida Robinho é o de maior destaque. Apesar da artilharia do Basaksehir na temporada do Turco com 12 gols, ao lado de Visca, por opção do técnico Abdullah Avci começou no banco. Mossoró, de 35 anos está no clube desde 2014 e é ídolo por lá, enquanto Caiçara, que se destacou pelo Ludogorets-BUL, chegou em 2017.

Do outro lado, o lateral-direito Mariano é um dos destaques do time, assim como o volante Fernando, ex-Porto e Manchester City. Marcão, 22 anos, que começou a carreira no Avaí e passou pelo Athletico é o mais desconhecido do público em geral.

O empate não demorou a acontecer. Logo a dois minutos da segunda etapa, após cobrança de escanteio, Feghouli cabeceou no travessão, Muslera ficou perdido e o próprio meia-atacante argelino pegou o rebote de puxeta e marcou um belo gol.

Feghouli foi o autor do gol de empate
Feghouli foi o autor do gol de empate Galatasaray

A pressão pela virada contiuou, e ela veio aos dez minutos com Belhanda. Só que o VAR, corretamente, anulou porque no início do lance, Diagne rouba a bola com a mão. Nada que abalasse o Galarasaray, que virou novamente aos 13 com Onyekuru. Impedido, porém, lamentou outro gol anulado.

Uma hora ia valer. Foi aos 19, novamente com Onyekuru, de cabeça, desta vez sem anulação.

Com o 2 a 1 no placar, o jogo voltou a ficar bastante aberto e tenso, com muita confusão em campo e entre todos nos bancos. Adebayor e Robinho foram chamados e deixaram o Basaksehir mais ofensivo, mas a defesa organizada dos mandantes predominava. Enquanto isso, o Gala perdia contra-ataques e as chances de matar definitivamente a partida. No final das contas, nada mais mudou.

Na última rodada o Galatasaray joga fora de casa contra o Sivasspor, 13o colocado e sem risco de rebaixamento, que não vence uma partida desde 8 de março. Já o Istambul Basaksehir, que soma uma única vitória nos seis últimos jogos -  receberá o Alanyaspor para encerrar uma temporada que deveria ser gloriosa, mas acaba decepcionante.

Galatasaray 2x1 Istambul Basaksehir

Posse de bola: 51% x 49%
Finalizações/certas: 15/4 x 5/2
Passes/certos: 411/325 x 386/205
Lançamentos: 49 x 46

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No final, o tamanho do Galatasaray pesou para a disputa de título na Turquia

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A maravilhosa história final da Champions League da Oceania e seu gol de conto de fadas

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, blogueiro do ESPN.com.br

Este é mais um texto da série #AssisteaíHofman. A cada final de semana, o fã de esportes escolhe um jogo para o comentarista assistir em enquete pelo Twitter

Hienghène se tornou o primeiro time da Nova Caledônia a conquistar a Champions League da Oceania
Hienghène se tornou o primeiro time da Nova Caledônia a conquistar a Champions League da Oceania OFC

Você conhece a Nova Caledônia?

O público que gosta de futebol internacional talvez já tenha ouvido falar sobre esse arquipélago na Oceania. Afinal de contas, Christian Karembeu, campeão mundial com a França em 1998, nasceu lá. A história desse belíssimo território no esporte bretão vai além do maior ídolo do esporte local e se fortalece a cada ano.

Basta olharmos o desempenho da seleção neocaledônia na Copa da Nações da Oceania, onde foi terceira colocada em 2016 e vice-campeão nas duas edições anteriores; Já no Jogos do Pacífico, é a atual tricampeã. Nada, porém, se compara ao feito alcançado por dois de seus times locais neste ano. De forma inédita, Magenta e Hienghène Sport decidiram o título da OFC Champions League.

Em 4 de novembro do ano passado, a população da Nova Caledônia foi às urnas para decidir pela independência ou não da França. A região é controlada pelos franceses desde 1853, tem uma das maiores reservas de níquel do mundo e viu, nas últimas décadas, a tensão entre canacos - povo local, independentista - e caldoches - de origem europeia - aumentar consideravelmente. A eleição teve alto índice de participação, com 80% dos eleitores, e viu o não à independência vencer com 56,4% dos votos. Após o resultado, o presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que "não existe outro caminho que não o diálogo".

Torcida não lotou o estádio com capacidade para sete mil pessoas
Torcida não lotou o estádio com capacidade para sete mil pessoas OFC

Sem necessidade de legenda
Sem necessidade de legenda OFC

Em campo, Magenta e Hienghène passaram pela fase de grupos e avançaram para o mata da Champions League da Oceania. Sim, apenas mata, jogos únicos a partir das quartas de final. O desafio era eliminar os poderosos Auckland City e Team Wellington, ambos da Nova Zelândia.

Sem nunca terem sequer alcançado uma final, os dois times da Nova Caledônia surpreenderam toda região e bateram os favoritos neozelandeses nas semifinais.

Em sorteio, ficou decidido que o Magenta receberia o Hienghène, da cidade com o mesmo nome, em seu estádio, o Numa-Daly, na capital Nouméa. O que aconteceu neste sábado.

Uma simples pesquisa no Google te faz querer arrumar as malas e viajar imediatamente para esse território de pouco mais de 18 mil km2, recortado de ilhas habitadas por 278 mil pessoas. Um dos muitos paraísos que a Oceania guarda em seus mares.

A cidade de Hienghène é um dos principais destinos para mergulho na região
A cidade de Hienghène é um dos principais destinos para mergulho na região Divulgação

As equipes não possuem qualquer capacidade de investimento em estrangeiros, mas ao menos contam com técnicos de fora. O Magenta é comandado pelo francês Alain Moizan, de 65 anos, ex-treinador da própria seleção da Nova Caledônia, além de Mauritânia e Mali. Já o Hienghène tem como chefe Félix Tagawa, do Taiti.

Naturalmente, havia pouca qualidade e muita vontade em campo. Dois times praticamente amadores nos conceitos modernos do jogo - tático, técnico e físico. A disposição dos jogadores das duas equipes no gramado era de 4-2-3-1 e muita correira. Chutões e divididas bem feias deram o tom de boa parte da partida.

Para se ter noção, dos 26 jogadores que atuaram, apenas dois já tiveram alguma experiência em clubes de fora da Nova Caledônia. O zagueiro Roy Kayara, do Hienghène, atuou pelo Team Wellington na carreira, enquanto Didier Simane, meia do Magenta, acumula breve experiência por Sud Nivernais Imphy Decize, da quinta divisão francesa, e Lupa Roma, da quarta italiana.

O Magenta teve mais posse de bola e iniciativa no ataque, criando mais oportunidades para marcar. Tentava, minimamente, tocar a bola no campo ofensivo, enquanto o Hienghène jogava apenas nas bolas longas. Tudo mudou quando Amy Antoine Roine saiu do banco e entrou no jogo aos 15 minutos do segundo tempo para cravar seu nome na história do futebol na Oceania e dar o título ao Hienghène.

Aos 21, Roine recebeu passe na intermediária defensiva, levantou a cabeça e viu o goleiro do Magenta, Steeve Ixoee, adiantado. Não pensou duas vezes e chutou, com toda força da sua alma e marcou o golaço histórico. Simplesmente inacreditável, fenomenal e inesquecível.

Toda essa história é fascinante demais. Imaginar como o futebol é capaz de mover paixões em todos os rincões do planeta. Dos milhões de brasileiros aos milhares de neocaledônios. Que esporte apaixonante.

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Agora não falta mais ninguém nas Américas! Canadá inaugura sua Premier League com empate

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, blogueiro do ESPN.com.br

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Jogadores do York9 se reúnem
Jogadores do York9 se reúnem CPL

Somente um país não possuía uma liga profissional nas Américas. É bem verdade que em alguns lugares, o nível é praticamente amador, como em Santa Lúcia, uma ilha do Caribe, mas ao menos o campeonato é reconhecido como profissional. Agora, todas nações do continente estão em dia com o esporte mais popular do planeta.

Neste sábado, o Canadá inaugurou a Canadian Premier League com um empate em 1 a 1 entre Forge e York9, em Hamilton. Um bom público de 17.611 torcedores compareceu ao Tim Hortons Field para a partida inaugural, sendo pelo menos mil torcedores visitantes, que vieram de Toronto.

Antes dos comentários sobre o jogo em si, vale a explanação sobre o formato da competição - que não é dos mais simples.

São sete times que farão 28 jogos no total, mas divididos de maneira estranha. A Spring Season terá dez partidas e a Fall Season as 18 restantes, com o campeão de cada avançando para o Canadian Championship, que na prática é a final do campeonato em jogo únicos. Porém, se o mesmo time vencer os dois turnos, decide ainda a competição contra a equipe de segunda melhor campanha no geral. Ufa!

Em campo, o nível do jogo surpreendeu positivamente. Trata-se de uma liga muito bem pensada e organizada, já com transmissão nacional e streaming disponível para todo planeta. Apesar da proximidade com os Estados Unidos, a fonte de inspiração é o futebol europeu, como admitiu o comissão da CPL, David Clanachan, em entrevista a este blog há alguns meses.

Houve duelo de estilos no jogo, com os dois times diferentes taticamente. O Forge atuou no 4-3-3, enquanto o York9 usou linha de cinco defensores e com a bola atacava no 3-5-2. Os visitantes marcaram primeiro, logo aos três minutos, depois que o meia argentino - naturalizado canadense - Manuel Aparicio acertou belo passe no meio da defesa para Ryan Telfer marcar.

Aliás, Telfer é atleta do Toronto FC, um dos três representantes do Canadá na Major League Soccer, junto com Montreal Impact e Vancouver Whitecaps. Esses clubes permanecem na liga profissional norte-americana. Sobre estrangeiros na CPL, são permitidos sete por elenco e no máximo cinco em campo.

O empate do Forge veio somente aos 33 minutos da segunda etapa, e com um golaço. O atacante Emery Welshman, que defende a seleção de Guiana, fez boa jogada pela direita e cruzou para Kadell Thomas, que entrara aos 22 minutos antes, dominar e bater com categoria, no ângulo, sem chances para o goleiro Nathan Ingham.

Aparicio, que deu a primeira assistência na prática, mas talvez não conte porque desviou no zagueiro, foi quem mais mostrou técnica e acabou sendo o personagem da partida também. Recebeu o primeiro cartão amarelo na história da CPL aos 14 do segundo tempo e, nos acréscimos, o segundo e consequentemente o vermelho inaugural.

Por fim, uma curiosidade: o confronto entre Forge FC e York9 já ganhou o status de clássico porque são dois times da mesma região, Ontario, e por reunir representantes de cidades com o mesmo código telefônico, ganhou o nome de 905 Derby.

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