Dívida de mais de R$ 8 milhões com ex-vice de futebol ameaça penhoras no Vasco

Gabriela Moreira
Gabriela Moreira

José Luiz Moreira, o Zé do Táxi (à esquerda) e Eurico Miranda
José Luiz Moreira, o Zé do Táxi (à esquerda) e Eurico Miranda Marcelo Sadio/Vasco

Uma dívida do Vasco com o ex-vice de futebol José Luiz Moreira começa a penhorar as parcas receitas do clube. São pelo menos R$ 8 milhões cobrados pelo ex-dirigente na Justiça. A informação, ainda não confirmada, é que há uma decisão judicial que impede que a CBF repasse ao clube este valor em futuras rendas ou ainda que a entidade registre essa pendência para futuras negociações de atletas. 

A CBF não confirma a chegada desta penhora. O blog confirmou que existe a dívida e que ela está sendo discutida num processo que corre em segredo de justiça e por isso os detalhes são preservados. 

Questionado, o Vasco informou que "está finalizando junto à KPMG e à GranThorton um estudo de levantamento dos débitos clube e sobre a viabilidade de se fazer um concurso de credores, de modo a pagar de forma estruturada todos os credores atuais". Disse ainda que o processo do Zé Luís, é um dos que serão chamados para renegociar a forma de pagamento. 

Zé Luís Moreira, conhecido como Zé do Táxi, além de ex-dirigente, foi amigo pessoal do ex-presidente Eurico Miranda durante décadas. 

O ex-presidente do Vasco havia feito um acordo para pagar esse valor em 24 parcelas referentes a uma ação cobrando empréstimos em favor do clube. À época, ele rinha confissão de dívida de R$ 4.649.031,61, um valor que não foi reconhecido pela gestão Roberto Dinamite e que foi anulada na Justiça.  O juiz desembargador Jaime Dias Pinheiro Filho, da 12ª Câmara Cível, porém, reverteu a decisão.  

À época, o advogado de José Luis Moreira, Luis Roberto Leven Siano, afirmou que seu cliente abriu mão de todos juros da cobrança e dos honorários advocatícios (R$ 2 milhões). 

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Candidatos a governador jogam água fria nos planos de Flamengo de administrar Maracanã

Gabriela Moreira
Gabriela Moreira, repórter do ESPN.com.br
Candidatos não têm como primeira opção a esperada revogação da concessão do Maracanã
Candidatos não têm como primeira opção a esperada revogação da concessão do Maracanã Reprodução

A mudança de governador no Rio pode frustrar o torcedor que aguarda por um desfecho no problema que se tornou a concessão do Maracanã. Nenhum dos dois candidatos que disputam o segundo turno, Eduardo Paes (DEM) e Wilson Witzel (PSC), vêem uma nova licitação como principal proposta para o estádio. O ex-prefeito, Paes, que ao longo do primeiro turno chegou a acenar com este cenário, questionado pelo blog, deixou claro que a manutenção da concessão à Odebrecht é o primeiro plano.

Os dois, no entanto, veem como essencial rediscutir a licitação. A Odebrecht, por sua vez, também se sente cada dia mais confortável com a concessão. Antes subjugado a apenas eventos musicais, nem todos com o glamour e importância de Roger Waters, que ocorre este mês, o estádio tem se mantido ocupado e lucrativo, sobretudo depois de ter fechado acordo de longo prazo (2 anos) com o Flamengo, por intermédio da agência até então desconhecida, EsporteCom, de propriedade de Bruno Rodrigues, tendo como sócio o pai, Washington Rodrigues, radialista. 

Recentemente, a Justiça do Rio decretou a nulidade da licitação feita em 2013. Em tese, o contrato não estaria mais em vigor, mas as partes, entre elas, o Maracanã, pretendem recorrer da decisão. 

Veja abaixo as respostas dos dois candidatos sobre o Maracanã: 

Eduardo Paes: 

Pergunta: o candidato pretende revogar a licitação do Maracanã? Pretende fazer uma nova? Ou pretende voltar a administrar do estádio para o Estado?

Não pretendo revogar a licitação. O ideal é que o estádio seja mantido em regime de concessão. Para resolver essa questão, é preciso ter a boa vontade de sentar e rever a concessão. Fazer os ajustes necessários no contrato para que ele seja bom tanto para o Estado quanto para o concessionário. E nessa revisão da concessão é importante discutir a criação de uma área popular para que todos os torcedores possam ter acesso ao estádio. Um local mais barato para o torcedor.

Em caso de nova licitação, os clubes poderão participar da disputa?

Queremos que os clubes possam ser beneficiados por este sistema de concessão; principalmente Flamengo e Fluminense, por não terem estádio.

Quais as propostas para a Secretaria de Esportes do Estado? Qual o perfil do secretário/a que ocupará a pasta?

Posso dizer que, se eleito, meu futuro secretário de Esportes terá que ter a capacidade de articulação e negociação para ajudar a construir as soluções para o Maracanã, mas não apenas isso. É preciso encontrar solução também para o Célio de Barros e o Parque Aquático Julio Delamare. O Julio Delamare voltou a ser aberto para a população e os atletas neste ano. Temos de seguir esse caminho e melhorá-lo. O que não pode é o Célio de Barros ficar parado como está hoje, servindo de estacionamento ou depósito.


Wilson Witzel:  

Pergunta: o candidato pretende revogar a licitação do Maracanã? Pretende fazer uma nova? Ou voltar a administrar do estádio para o Estado?

Em caso de nova licitação, os clubes poderão participar da disputa?

Vamos retomar as negociações com o consórcio que adquiriu a concessão para que possamos propor uma nova modalidade de PPP (parceria público-privada), rediscutindo a equação econômico-financeira e chamando para essa conversa, inclusive, as associações de clubes de futebol para que, em conjunto, encontremos uma solução. Isso já deveria ter sido feito. Quando se faz uma PPP, se faz audiências públicas e um dos maiores problemas que temos no Brasil em relação às PPP's é a insegurança jurídica. A do Maracanã, infelizmente, é mais uma que não deu certo no Brasil e que, aos olhos dos investidores, aumenta o risco de qualquer negociação. Isso é muito ruim. 

Faremos com que os contratos celebrados sejam milimetricamente respeitados, o que não aconteceu. Um governo completamente atabalhoado, diante de pressão popular, descumpriu o contrato elaborado. Isso foi uma falha na concessão, o que não é admissível. E também é importante dizer que uma nova liticação do estádio não está descartada. Vou adiantar uma questão importante, que venho defendendo e que não está sendo muito bem utilizada em nosso contrato de PPP, que é a possibilidade de arbitragem, conforme prevê a Lei das Concessões de parceria público-privada. Vamos, no edital de convocação, explicitar que qualquer discussão jurídica será resolvida mediante uma corte de arbitragem no prazo máximo de 60 dias. Isso tratá, para os investidores, segurança jurídica, equilíbrio contratual e maior interesse. Mas uma coisa é certa: o Estado não assumirá, através da Suderj, o Maracanã ou qualquer outro aparelho voltado para a prática do esporte. Nós somos defensores do liberalismo e o Estado deve colocar na mão dos particulares, que entendem de futebol. Estado não entende de futebol, Estado deve ser um facilitador da atividade esportiva para quem entende disso e trabalha com isso.

Quais as propostas para a Secretaria de Esportes do Estado? Qual o perfil do secretário/a que ocupará a pasta?

Estamos focados no segundo turno, em apresentar nossas propostas para o eleitor de todo o estado. Não estamos tratando de nomes ou da formação de um possível governo. Sobre a Secretaria de Esportes, entre nossas propostas estão criar parcerias do Governo do Estado com federações desportivas e clubes, dentro da filosofia de que essas entidades são as mais capacitadas e especializadas para a promoção do esporte, ficando a Secretaria responsável pelo apoio logístico e facilitação ao uso de espaços e aparelhos públicos de prática desportiva, além de eventual aporte financeiro para bolsas e patrocínios para atletas e entidades, em especial no esporte olímpico e paraolímpico. 

Vamos destinar os aparelhos inativos das Olimpíadas para uso e de federações e clubes, inclusive com apoio para reformas e projetos dos espaços, com possibilidade de concessão, de acordo com o interesse público. Também queremos implantar um modelo de valorização desportiva nas escolas públicas e fazer parcerias com clubes e federações para revelações de talentos e apoio a atividades desportivas de jogos interescolares. Vamos fazer uma discussão pública sobre o uso e possíveis parcerias para o Complexo Caio Martins, o da Rocinha, o do Sampaio e do Piscinão de São Gonçalo, criando formas de aumento do uso popular dessas áreas. E queremos criar um complexo esportivo-educacional, na região do Maracanã, em parceria com a UERJ, o CEFET, os clubes e empresas do ramo esportivo, permitindo a educação e a formação de jovens com potencial esportivo.

 

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Preterido no Flamengo, Muralha faz sucesso e japoneses querem renovar empréstimo

Gabriela Moreira
Gabriela Moreira, repórter do ESPN.com.br
Muralha dá autógrafo a torcedores no Japão
Muralha dá autógrafo a torcedores no Japão Reprodução

Representantes do time japonês Albirex Niigata, para o qual o goleiro Muralha está emprestado, conversam com a diretoria do Flamengo para prorrogar o contrato do atleta em mais um ano. O novo vínculo seria estendido até novembro de 2019. 

As conversas ainda são informais, mas os representantes japoneses pretendem vir ao Brasil para selar o acordo. Atuando na segunda divisão japonesa, Muralha também despertou interesse de clubes da elite por lá. O contrato com o Albirex vence em dezembro deste ano. Já com o Flamengo, tem duração até 2020. 

O interesse do clube em renovar se consolidou no último mês, após a volta do goleiro de contusão. Desde que retornou, a equipe conseguiu quatro vitórias e um empate, aproximando-se da vaga para a primeira divisão. 

Por lá, o goleiro, que saiu do rubro-negro bastante criticado após falhas, tem moral em alta conta com a torcida. Na foto abaixo, uma das cartas que recebeu de torcedores. 

Desenho de Alex Muralha feito por torcedor
Desenho de Alex Muralha feito por torcedor Reprodução

 

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Regulamento impede que Paraná leve jogo contra o Flamengo para Brasília e partida pode ocorrer em Cascavel

Gabriela Moreira
Gabriela Moreira, repórter do ESPN.com.br

O Paraná queria vender o jogo contra o Flamengo para o Mané Garrincha, em Brasília. Mas o mando do jogo contra o rubro-negro, na 30ª rodada do Brasileiro, não poderá ser vendido para outro estado. É contra o regulamento do campeonato deste ano. E o clube paranista não tem muito a reclamar. A medida foi aprovada pelos presidentes em reunião, na sede da CBF, em fevereiro deste ano.

No texto aprovado, ficou estabelecido que as vendas para outro estado poderiam acontecer somente até os últimos cinco mandos de campo, ou seja, a partir das últimas dez rodadas não seria mais possível este tipo de negociação. 

No primeiro turno do Campeonato Brasileiro, o Flamengo venceu o Paraná no Maracanã
No primeiro turno do Campeonato Brasileiro, o Flamengo venceu o Paraná no Maracanã Gazeta Press

Nesta terça-feira, o Cascavel anunciou  para a imprensa que a partida acontecerá em seu estádio. Mas a CBF ainda não recebeu nenhuma consulta neste sentido. Os valores dos ingressos  já foram, inclusive, decididos e custariam entre R$ 65 e R$ 105. O estádio tem capacidade para 27 mil pessoas e a previsão é de casa cheia, uma vez que a cidade tem grande concentração de rubro-negros. 

Na lanterna da competição e rebaixado virtualmente, os dirigentes do Paraná, aparentemente, não se lembravam ou haviam entendido a regra de forma diferente. De fato, algumas matérias jornalísticas da época traziam uma explicação diferente. Alguns veículos publicaram que os jogos fora do estado seriam permitidos até as cinco últimas rodadas, mas o correto seria até os cinco últimos mandos (dez últimas rodadas). 

Na reunião, realizada dia 5 de fevereiro, também foi discutida a implantação do sistema de arbitragem por vídeo (VAR). O assunto dominou a maior parte das discussões do dia. E o limite à venda de mando de campo, pauta que foi proposta a partir de pedidos do Atlético-MG, acabou provocando baixo interesse entre os cartolas. 

Botafogo também pretendia vender 

Além do jogo contra o Flamengo, o Paraná planejava vender as partidas contra o Internacional e o Palmeiras para fora dos seus limites. 

A regra também pegou de surpresa, embora o presidente Nelson Muffarej também estivesse presente na reunião, o Botafogo. O clube estava negociando a venda do mando do jogo contra o rubro-negro, pela 33ª rodada, para o Mané Garrincha, em Brasília. Na data, faltarão seis jogos para o fim da competição, portanto, já dentro do período de veto. 

Veja o que diz o regulamento deste ano (página 20): 

"§5º - Não será autorizada a transferência de partida para praça fora da jurisdição do clube mandante nos últimos cinco mandos de campo de cada clube em competições de pontos corridos e nas últimas quatro fases de competições de caráter eliminatório (mata-mata)."

Assista às entrevistas feitas no dia da reunião, na CBF. No vídeo abaixo, falam Alexandre Campello, presidente do Vasco, e Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo.


 

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Técnico de novo, negócios à parte: Flamengo manterá briga de R$ 11 milhões na Justiça contra Dorival

Gabriela Moreira
Gabriela Moreira, repórter do ESPN.com.br

Dorival voltará a comandar o Flamengo
Dorival voltará a comandar o Flamengo VIPCOMM

Dorival Júnior será o novo técnico do Flamengo depois da demissão de Barbieri. A briga que o treinador e o clube travam na Justiça, em processo de cerca de R$ 11 milhões, contudo, continuará.

Cobrando salários atrasados, direitos de imagem, férias, FGTS, entre outras pendências, Dorival ingressou na Justiça depois de sua demissão, em 2013, no início da gestão de Eduardo Bandeira de Mello. Ele já teve decisão favorável em 1ª e 2ª instâncias, mas a equipe rubro-negra ainda recorre.

Segundo apurou o blog, apesar do acerto para que Dorival assuma, a briga jurídica continuará. O Flamengo levou o caso ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) e crê que ainda pode reverter o revés.

Na negociação para que Dorival assumisse o time agora, o tema não entrou em pauta.

Leia aqui o que Dorival disse a respeito da ação para o comentarista Mauro Cezar Pereira. 

Na passagem anterior, Dorival foi contratado durante o Brasileiro de 2012, com contrato até dezembro de 2013. A gestão, na época, ainda era de Patrícia Amorim, mas, com a chegada de Bandeira, ao poder, a direção ofereceu um reajuste salarial ao técnico. Não houve acordo, porém.

O Flamengo, na ocasião, disse gastar mais de R$ 1 milhões por mês com a comissão técnica, que, além de Dorival, ainda tinha os auxiliares Lucas Silvestre (seu filho) e Ivan Izzo e o preparador físico Celso de Rezende – agora, o valor será bem inferior, segundo apurou a reportagem.

Novo técnico do Flamengo, Dorival Júnior tem processo na Justiça contra o clube. Depois de sua passagem pela Gávea em 2013, o treinador procurou as vias legais para cobrar dívida de cerca de R$ 11 milhões e teve sentença favorável em 1ª e 2ª instâncias. A equipe rubro-negra ainda recorre.

"A rescisão contratual reafirma a decisão da nova diretoria em trabalhar pelo equilíbrio financeiro do clube", posicionou-se o clube há pouco mais de cinco anos.

*Nota: ao blog do comentarista Mauro Cezar Pereira, Dorival Júnior disse que há um acordo já feito, em vias  de ser assinado. O Flamengo, no entanto, diz que as conversas ainda não estão avançadas a ponto de se chegar a uma assinatura de acordo. Que há discussões entre as partes , mas que os principais pontos ainda estão sendo analisados.  O clube entende, também, que a proximidade com o treinador, com a contratação, pode acelerar o processo. 

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Fla não decide se demite treinador mas estuda novo coordenador para futebol

Gabriela Moreira
Gabriela Moreira, repórter do ESPN.com.br

Ainda há indefinição em relação ao futuro do treinador Mauricio Barbieri
Ainda há indefinição em relação ao futuro do treinador Mauricio Barbieri Gazeta Press

Ainda não há consenso sobre qual caminho tomar em relação ao comando do futebol rubro-negro, mas uma possibilidade que ganhou força nesta quinta-feira é a contratação de um coordenador técnico para atuar junto ao treinador Maurício Barbieri e ao auxiliar, Maurício Souza. A outra, não necessariamente nesta ordem de prioridade, é a demissão da comissão que está longe de ser descartada. 

O presidente Eduardo Bandeira de Mello já está de volta ao Rio. Ele ficou a manhã em São Paulo discutindo o assunto com o vice Ricardo Lomba e com o diretor de futebol, Carlos Noval. O grupo diverge sobre qual o melhor caminho. Estudam as duas possibilidades e quais seriam os nomes para cada caso. Quem contratar no caso de a opção ser um coordenador. Ou quem contratar no caso de a decisão ser pela demissão da comissão.  

O trabalho de Barbieri é bem avaliado internamente, mas os dirigentes não encontram o diagnóstico que explique porquê o time sucumbe em momentos cruciais. Como fazer o time render mais em situações de pressão. Postura tática ou comportamento e perfil de elenco? Problemas que têm origem bem antes da chegada do treinador. 

Barbieri e Maurício Souza não são contrários à contratação de um profissional para auxiliá-los com o grupo. Mais do que isso, têm explicitado que precisam de apoio dentro do vestiário e fora dele, também. A necessidade de ter alguém que possa referendar publicamente o respaldo que os dirigentes dizem que dão. Alguém que desempenhasse no Flamengo um trabalho parecido com o que Raí e Lugano fazem no São Paulo. 

Com alguém que possa dividir responsabilidades, o treinador estaria livre para seguir o trabalho, dividindo as decisões com uma equipe maior e que os auxilie no diálogo com os jogadores. O discurso para fora também é uma queixa que já foi levada aos dirigentes, por uma comissão que se vê muito exposta. Na coletiva pós-eliminação para o Corinthians, isso ficou mais claro, pelo fato de nenhum dirigente rubro-negro ter decido falar com a imprensa.

Mas o problema não surgiu após a eliminação. Já vem sendo sentido durante os tropeços logo após a volta da Copa do Mundo. O momento foi parecido com o vivido na eliminação na Libertadores. Ao serem questionados, o comando "bancou", usando o linguajar do futebol, o trabalho, mas somente ao serem questionados. Não se antecipou em dizer isso publicamente à imprensa, deixando a dupla exposta. 

Alguns momentos corroboraram esse sentimento de exposição, entre eles, o discurso de que o time não podia poupar jogadores em nenhuma das três competições que participava. Durante muitas rodadas, o treinador era quem respondia sobre esta decisão. Até que após a eliminação, ao ser perguntado sobre como se dava este processo, disse: "o treinador não é soberano para tomar decisão sozinho". 

Embora fosse óbvio, ficava claro ali que o técnico fazia questão de dividir esta responsabilidade publicamente.

Distante apenas três pontos do líder do Brasileiro, os dirigentes têm pouco tempo para decidir. E ainda há uma última chance de acertar. 

 

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Onde estarão as mulheres e os negros no futuro próximo do Flamengo?

Gabriela Moreira
Gabriela Moreira, repórter do ESPN.com.br

As chapas com todos os vices ainda não foram divulgadas. Mas a julgar pelos eventos de lançamento dos dois principais grupos concorrentes à presidência do Flamengo, o clube de maior torcida do país não terá mulheres no comando e, talvez, apenas um negro entre os dirigentes nos próximos três anos.

Na noite desta terça-feira, o candidato de oposição, Rodolfo Landim, reuniu cerca de 500 pessoas num cinema na Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul, do Rio. Entre os presentes, mulheres que não completavam duas mãos. O único negro de destaque, dona Zica, torcedora que foi chamada para cantar o hino. Na linha de comando, apenas homens, brancos. 

Na semana passada, no anúncio da chapa de sucessão a Eduardo Bandeira de Mello, o candidato Ricardo Lomba, também teve como companheiros apenas integrantes do sexo masculino. Entre eles, um negro, o vice de comunicação, Wellington Silva. 

Ao se apresentar, o VP destacou no seu currículo de quase 20 anos de experiência, sua passagem como chefe da comunicação do Supremo Tribunal Federal (STF), na gestão do ex-ministro Joaquim Barbosa.  Ele já faz parte da atual gestão. É louvável e inédito no país, mas é ainda muito pouco. 

Os demais presentes, assim como Wellington, eram executivos que se apresentavam exaltando suas credenciais de mercado, todos com grande atuação em empresas renomadas, fundos de investimentos, multinacionais. 

Em documento que foi divulgado pela Chapa Azul, cujo nome é "Avança Mais, Flamengo" o Futebol Feminino foi lembrado. Há lá três pontos com promessas para fortalecimento da modalidade no rubro-negro. 

O Futebol Feminino do clube ganhou quatro títulos nos últimos quatro anos, entre eles, o Brasileiro de 2016 e os estaduais de 2015, 2016 e 2017.   

Chapa de Ricardo Lomba, situação. Mesa sem mulheres. Wellington Silva, vice de comunicação, é o único negro.
Chapa de Ricardo Lomba, situação. Mesa sem mulheres. Wellington Silva, vice de comunicação, é o único negro. Gabriela Moreira/ESPN

Na apresentação da oposição, da chapa UniFla, o único momento em que as mulheres foram citadas foi quando o grupo disse que pretende ampliar os eventos sociais na sede da Gávea. No Baile do Vermelho e Preto. 

Já passou da hora de as mulheres serem lembradas apenas na organização de festas. Elas jogam futebol, estão dentro dos estádios, fazem a cobertura e devem ser tratadas como profissionais inseridas na gestão do futebol, não apenas nas firulas menos importantes.  O Flamengo faz um bom trabalho na comunicação ao incluir, sempre, mulheres como protagonistas ou em papel de destaque, é verdade. No vídeo de anúncio de Vitinho, por exemplo, foi de uma mulher, Carol Possamai, funcionária do clube, o gol que serviu para dar o pontapé na narrativa. 

Mas a inclusão não deve ficar, apenas, nos bastidores e na comunicação. 

Chapa de Rodolfo Landim, oposição. Não havia mulheres, nem negros como parte da chapa no lançamento
Chapa de Rodolfo Landim, oposição. Não havia mulheres, nem negros como parte da chapa no lançamento Gabriela Moreira/ESPN

Diversidade não é reserva de lugar para constar, é incluir por currículo. É possível encontrar mulheres e negros que tenham destaque no mercado? Não existem mulheres e negros capazes tecnicamente neste universo? Onde estão as executivas, mulheres bem-sucedidas, economistas, gestoras, administradoras de empresa? Elas continuarão sendo excluídas do processo de comando? E os negros? Permanecerão de fora da gestão? 

São perguntas obrigatórias ao futebol. Estamos em 2018. O mundo fora do futebol já enxerga a diversidade como obrigação. Mas o futebol parece alheio a isso. 

O blog questionou as duas chapas sobre os planos para mulheres e negros na gestão do clube, confira as respostas: 

A chapa de Ricardo Lomba e Walter Oaquim, que tem um vice negro, respondeu

“Entendemos que as mulheres são parte fundamental na evolução do Flamengo. Temos em nosso corpo executivo diversas profissionais diariamente envolvidas nas tomadas de decisão do clube, o que muito nos orgulha. Além disso, há a valorização das atletas, como no futebol feminino vencedor do clube, o retorno da equipe de vôlei, além de atletas de ponta na ginástica, nado artístico, judô, polo aquático etc.”

O grupo de Rodolfo Landim e Rodrigo Dunshee, também se manifestou:  

"A primeira preocupação da nossa gestão será  contar com as pessoas mais capacitadas para atuar em seus cargos, independentemente de cor, religião, orientação sexual. Dentro deste conceito, nossa administração tem a intenção de contar com uma diretoria que retrate a diversidade dos sócios do Clube - e da sociedade em geral - , fazendo com que todos os segmentos se sintam efetivamente representados.  Assim como temos o conceito de união em nossa Chapa Unifla, o Flamengo com Landim Presidente terá uma administração inclusiva, abrindo caminho para a participação de todo o clube. A divulgação dos nomes que integrarão o comando do clube não acontecerá neste momento".

*Nota: o perfil do blog é de notícias, mas eventualmente abre espaço para opinião da repórter.

 

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Estatísticas e visitas para contratar reforços, novo estádio para 45 mil e treinos abertos: promessas da situação na eleição do Flamengo

Gabriela Moreira
Gabriela Moreira, repórter do ESPN.com.br


Ricardo Lomba, atual vice-presidente de futebol, é o candidato à sucessão de Eduardo Bandeira de Mello
Ricardo Lomba, atual vice-presidente de futebol, é o candidato à sucessão de Eduardo Bandeira de Mello Divulgação - Flamengo

O candidato à sucessão de Eduardo Bandeira de Mello à presidência do Flamengo, Ricardo Lomba, lançou nesta terça-feira seu Plano de Metas para 2019-2021. Para o futebol, a chapa "Avança mais, Flamengo" promete "maior assertividade nas contratações", quesito em que a atual administração tem sido criticada. O grupo também afirma ver como "improvável" que o clube seja o "dono do Maracanã" e afirma ter planos para construção de um estádio para 45 mil pessoas, além da possibilidade de realizar jogos de menor apelo (até 5 mil pessoas) na sede social da Gávea. Treinos abertos à torcida também são mencionados no projeto.   

Veja outros pontos: 

Para a base, a promessa que chama a atenção é a de transformar o Flamengo no "maior descobridor de talentos latino-americano", expandindo o trabalho dos olheiros para outros países do continente, entre eles, Argentina, Colômbia, Uruguai e Paraguai. O trabalho dos observadores, que a atual gestão afirma ter quadruplicado, teve cinco parágrafos reservados no plano. 

Entre os planos para os jovens jogadores, a meta do grupo é utilizar pelo menos a metade dos talentos revelados no profissional:  "possuir, em médio/longo prazo, pelo menos 50% da nossa equipe profissional composta por atletas oriundos das divisões de base do Flamengo", prometem no documento. 

No profissional, o grupo afirma que nos últimos seis anos o departamento se tornou menos influenciável por "amadores"

"A linha de comando se tornou enxuta, com maior respaldo e supervisão do trabalho dos profissionais do departamento e, consequentemente, menor risco de interferência dos dirigentes amadores".     

Para tornar as contratações "mais assertivas", a chapa diz que vai continuar investindo em estatísticas, mas também fazendo acompanhamento in loco dos jogadores de interesse

"Investir no Centro de Inteligência de Mercado, sob suporte de consultoria internacional, buscando uma maior assertividade nas contratações. O critério deve ser equilibrado entre as estatísticas e o método científico do scout e a amostragem suficiente e regular de acompanhamento presencial e empírico". 

Para resolver o problema do estádio, o grupo afirma que vai concluir a reforma do estádio da Gávea (José Bastos Padilha) no ano que vem e utilizar o espaço em jogos do profissional, nas partidas de menor apelo do Estadual, além do uso para as categorias de base, futebol feminino e futebol americano.

Como casa principal, o Maracanã _ embora o clube tenha contrato vigente pelos próximos dois anos _ a chapa afirma ver como "improvável" que o clube se torne "os donos" do estádio. Os planos são adquirir um terreno para construção de um equipamento para 45 mil torcedores. 


"Por ser público, histórico e intimamente ligado a diversos clubes, é improvável que algum dia nos tornemos os donos do Maracanã e, consequentemente, possamos obter as receitas que seriam possíveis em um estádio que fosse realmente do Flamengo".   

No relacionamento com o torcedor, entre as promessas, a grande novidade é a criação de uma "Comissão de Arquibancada" para organização de atividades de incentivo nos jogos. 

"Criar e apoiar o projeto de “Comissão de Arquibancada” com regulamento, organograma bem definido e transparência, que poderá ser utilizado como benchmarking nacional para organização e pacificação das Torcidas Organizadas", diz o documento, que estabelece contrapartidas de responsabilidade para participação: 

"Facilitar as aquisições de itens que compõem a festa, já que as compras centralizadas poderão obter descontos significativos e se beneficiar de parcerias com suporte comercial do clube. Estabelecer e exigir contrapartidas para a participação das Torcidas Organizadas na comissão e respectivas festas, tais como manutenção de cadastro de CNPJ sem restrições, não envolvimento em ocorrências policiais, realização de ações sociais, organograma definido, transparências nas contas, dentre outras". 

A chapa também promete praticar uma política de ingressos "não excludente", quando trata do preço das entradas .

Os Esportes Olímpicos também foram esmiuçados, entre eles o Remo, modalidade que tem sido criticada na atual gestão. A modalidade recebeu um capítulo só para ela. Os demais esportes basquete, vôlei, judô, ginástica artística, natação, pólo aquático, nado sincronizado e atletismo também foram retratados

O grupo reafirmou a promessa de construir uma arena para abrigar as modalidades de quadra, para 3,5 mil pessoas, projeto que seria feito em parceria com o Mc Donald´s:

"A princípio o projeto seria financiado pela empresa McDonald’s, mas o processo de negociação se estendeu além do previsto, com sucessivas exigências e pedidos de garantia ao clube. Caso o projeto não seja efetivamente executado pela empresa, o Flamengo buscará outro parceiro para viabilizar sua construção ou destinará recursos do seu orçamento para este equipamento, de suma importância para a prática de esportes terrestres, como voleibol, basquetebol e futsal. O prazo estimado para conclusão das obras é de 1 ano".

 Na comunicação do clube, a principal novidade é a promessa de criação de um canal de TV para produção e exibição de documentários que retratem a história e os ídolos do rubro-negro. 

Aqui, a íntegra do documento divulgado pela chapa.

 

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Mineirão: tapa no rosto de torcedor segue sem resposta

Gabriela Moreira
Gabriela Moreira, repórter do ESPN.com.br


Já se passaram 23 dias desde que um torcedor foi agredido, no rosto, por um policial militar, dentro do Mineirão, na frente de testemunhas que filmaram a ação e ainda não é possível ter notícias acerca do procedimento apuratório dos fatos. 

Em entrevista ao blog, no último dia 31, a Polícia Militar de Minas Gerais afirmou que o vídeo seria enviado à Corregedoria da corporação para ouvir os envolvidos. 

"Soubemos do assunto através da reportagem, não tínhamos tido acesso a estas imagens e vamos levá-la para a Corregedoria. Se eles entenderem que foi excessivo, será aberto procedimento apuratório, ele será ouvido e pode virar inquérito se for o caso", disse o major Flávio Santiago na reportagem

Questionada sobre o andamento do procedimento nesta quarta-feira, a assessoria de imprensa da PMMG respondeu que: 

"O procedimento está em andamento dentro das especificidades do devido processo legal".

A reportagem pediu para saber, então, se o policial já havia sido identificado, se ele havia prestado depoimento e o que afirmou como defesa. Resposta: 

"Respeitando o devido processo legal, o número do procedimento e informações sobre ele não são divulgados."

O email foi novamente replicado pelo blog, pedindo o número do procedimento, dado que deve ser informado pelos princípios de Publicidade e Transparência aos quais o Estado está submetido e mais uma vez, a resposta foi:
 
"Respeitando o devido processo legal, o número do procedimento e informações sobre ele não são divulgados".

A reportagem continuará acompanhando o caso. 

Mineirão
Mineirão Getty

 

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Mineirão: tapa no rosto de torcedor segue sem resposta

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Flamengo mantém Barbieri mas cobra força no ataque e explicação sobre queda de Paquetá

Gabriela Moreira
Gabriela Moreira, repórter do ESPN.com.br

O dia foi mais de conversas do que de decisões no Ninho do Urubu. Como de costume em todo pós jogo, o departamento de futebol se reuniu para discutir o andamento do time. Nesta segunda-feira, no entanto, Maurício Barbieri e seu auxiliar Maurício de Souza foram mais cobrados a respeito da queda de rendimento da equipe. As cobranças aconteceram entre o diretor de futebol, Carlos Noval, e a comissão técnica numa longa reunião no CT, no fim da manhã . O treinador continua sendo bem avaliado, mas as dificuldades de se chegar ao gol e a queda de desempenho de alguns jogadores são assuntos em discussão no clube. 

Foi pedido à comissão técnica que apresente novas possibilidades e alternativas táticas para se chegar às vitórias, mais especificamente, para retomada da efetividade do ataque rubro-negro. Na avaliação de parte dos dirigentes, o time passou a ser previsível neste setor do campo e insiste em caminhos que não têm trazido resultados. A esperança é que Barbieri apresente resposta para este problema nesta semana cheia de trabalho, já que terá mais tempo para testar alterações.  O retorno da reunião de Noval com a comissão será passado à cúpula do futebol, formada pelo presidente Eduardo Bandeira de Mello, e pelo vice de futebol Ricardo Lomba, em conversa agora à noite. 

Maurício Barbieri vive cobranças por resultados no Flamengo
Maurício Barbieri vive cobranças por resultados no Flamengo Gilvan de Souza/ Flamengo

Outro ponto de questionamento é o rendimento de alguns jogadores. O departamento de futebol se preocupa com quedas de desempenho de atletas como Renê, Léo Duarte _ que tiveram mais erros do que o costume nas últimas rodadas _ e, especialmente, de Lucas Paquetá. Há algumas semanas, desde a retomada do campeonato após a pausa para a Copa do Mundo, ele tem sido procurado pelos comandantes para conversas. Elas, no entanto, não têm apresentado resultado. E este é um ponto de consenso entre os dirigentes: de que o meia precisa voltar a ter atuações mais consistentes. 

Essa é mais uma resposta que se espera de Barbieri e auxiliar, mas também de outros departamentos como o de psicologia, que tem trabalhado intensamente nas últimas semanas. 

A decisão de manter a comissão técnica passa pelas respostas que o time vai dar em campo no curto prazo, já nos treinamentos desta semana. Pesam a favor do treinador o retrospecto recente da equipe, que desempenhou como há anos não fazia em campo, mantendo-se líder do campeonato por mais de dez rodadas seguidas. E também pela dificuldade de fazer mudanças acertadas de comando, com um mercado que não apresenta muitas opções. 

Mas o sinal de alerta nunca soou tão alto pelos lados do Ninho.    

 


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Mulher é acusada de dar golpe em viagens de jogadores, técnicos e dirigentes

Gabriela Moreira
Gabriela Moreira, repórter do ESPN.com.br

Atletas dos principais clubes do país, técnicos renomados, dirigentes, patrocinadores e outras pessoas ligadas ao futebol afirmam terem levado um golpe milionário de uma mulher que vendia passagens aéreas para diversos destinos no mundo. A autora do golpe seria uma mulher identificada pelas vítimas como Luciana Dias dos Santos Monteiro, de 42 anos. Gozando de livre acesso a clubes, ela teria usado o cartão de crédito dessas pessoas para organizar viagens para destinos como Dubai, Estados Unidos e Europa. Prometia passagem para os atletas e suas famílias, efetuava as compras, mas não as entregava. Somente entre as vítimas ouvidas pela reportagem, foram mais de R$ 400 mil de prejuízo. 

Mas o valor é muito maior. Desde o fim de semana, um grupo de whatsApp que reúne pessoas lesadas pela fraude não para de receber novos integrantes. Já são mais de 100 vítimas. Registros de ocorrência já foram feitos em São Paulo, onde mais atuava, e no Rio. Todos contam a mesma história: 

"Representando uma empresa de Turismo, ela montou um esquema pirâmide em que as pessoas depositavam pra ela valores altos, de R$ 18 mil, R$ 20 mil e ela prometia determinados números de viagem, à vontade, sempre em condições boas, que valia a pena. Algumas pessoas viajavam, ganhavam confiança e ela ia usando o dinheiro que recebia para pagar para outros. Em determinado momento isso ruiu", explicou o advogado que representa algumas vítimas, Rafael Aché.

Segundo ele, clientes começaram a desconfiar que levariam calote na semana passada quando ela parou de responder às mensagens no whatsApp e pessoas que estavam com viagens programadas não conseguiram viajar. Uma das vítimas relatou no grupo de de mensagens que estaria, neste momento, em Portugal, sem as passagens para voltar ao Brasil. 

Perfil criado por vítimas no Facebook para cobrar
Perfil criado por vítimas no Facebook para cobrar Reprodução

No mundo do futebol, assim como fora dele, Luciana conseguiu novos clientes no "boca a boca". Um jogador foi passando para o outro e para empresários o contato da agente, uma vez que no início, de acordo com os relatos, as viagens não apresentavam problemas: 

"Ela era muito atenciosa e embora as passagens não fossem baratas, ela conseguia bons descontos. Mas de uma hora para a outra, parou de retornar e percebemos que tínhamos caído num golpe", contou um dos jogadores ouvidos pela reportagem.

Alguns chegaram a viajar com os serviços da agente na parada do futebol na Copa do Mundo. Foram para Orlando, nos Estados Unidos, e também para a Rússia, assistir aos jogos do Mundial. E os mesmos haviam comprado passagens para o recesso do fim do ano. 

"Eu comprei 10 passagens de R$ 5 mil, cada. Totalizando R$ 50 mil. Sou mais um que foi lesado neste golpe. Não desconfiamos de nada, porque ela sempre foi muito atenciosa e as primeiras viagens deram muito certo", relatou uma pessoa que trabalha no futebol.  

O perfil das vítimas é parecido. Todos com poder aquisitivo acima da média e com limites grandes no cartão de crédito. Alguns jogadores tiveram lançamentos e compras não autorizadas após terem fornecido seus dados para a Luciana, afirmam. 

Nome de vereador envolvido 

Embora Luciana é quem esteja no alvo das denúncias, uma empresa de Londrina pode estar envolvida. A G6 Turismo. Segundo vítimas, alguns depósitos foram feitos diretamente na conta da agência. Dados da Junta Comercial do estado, apresentam entre os administradores, um vereador da cidade, Felipe Prochet. Informações que chegaram à reportagem afirmam que Luciana teria sido demitida da empresa recentemente. 

Em nota, a G6 respondeu que: 

"Na qualidade de advogados da empresa G6 Turismo, vimos por desta informar que a empresa G6 é vítima de crimes cometidos pela ex colaboradora/freelancer Sra Luciana Dias dos Santos Monteiro e estamos tomando todas as medidas cabíveis nas esferas cíveis e criminal. Informamos que o Vereador citado não tem nenhuma relação com a G6 Turismo."

A reportagem questionou à empresa, o motivo da demissão de Luciana e o fato do vereador constar como administrador na Junta Comercial. Os questionamentos ainda não foram respondidos. 

Embora neguem que o parlamentar tenha relação com a empresa, o contato com a reportagem foi feito por meio da assessoria pessoal do vereador. 

Durante todo o dia, a reportagem também tentou contato com Luciana. Por email e por telefone, mas todos estavam desativados ou desligados. Os recados deixados não foram retornados. 

*Nota atualizada para inclusão da resposta da empresa G6.

 

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Bomba quebra, e gramado do Maracanã não pode ser regado no intervalo de Flamengo x Corinthians

Gabriela Moreira
Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
Gramado do Maracanã tem sido muito criticado recentemente
Gramado do Maracanã tem sido muito criticado recentemente Gazeta Press

Não é de hoje que o gramado do Maracanã tem sido criticado, tanto por flamenguistas como também por adversários. No jogo desta quarta-feira, a situação contou com um problema além.

O campo, mais uma vez em péssimo estado, não pôde ser irrigado no intervalo da partida entre Flamengo e Corinthians, uma vez que a bomba do estádio quebrou.

Cariocas e rubro-negros decidem um lugar na decisão da Copa do Brasil. Depois da partida desta quarta, os dois times voltarão a se enfrentar em São Paulo, em 26 de setembro.

Depois do último jogo da equipe rubro-negra, a vitória por 2 a 0 sobre a Chapecoense, no sábado, o técnico Maurício Barbieri se queixou sobre o gramado.

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Bomba quebra, e gramado do Maracanã não pode ser regado no intervalo de Flamengo x Corinthians

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Há menos de um ano, Tite cortava Diego por lesão. Diferenças na conduta médica para o 'caso Fagner' engrossam críticas pelo lado rubro-negro

Gabriela Moreira
Gabriela Moreira, repórter do ESPN.com.br
Fagner em treino do Corinthians nesta segunda-feira. Jogador tem condições de ser escalado  contra o Flamengo
Fagner em treino do Corinthians nesta segunda-feira. Jogador tem condições de ser escalado  contra o Flamengo Agência Corinthians

Há pouco menos de um ano, em outubro do ano passado, o meia Diego, do Flamengo, foi convocado por Tite e cortado após dores musculares na coxa esquerda. O diagnóstico da lesão (grau leve) foi feito na Granja Comary, na presença de membros da comissão técnica e médica da CBF.  Cenário parecido - com diferenças importantes na visão da CBF - ao de Fagner, do Corinthians, pivô de mais um capítulo de rusgas entre o rubro-negro e a cúpula da entidade, acusada nos bastidores pelos cariocas de favorecimento ao time de Andrés Sanchez. 

Um ponto de alarde dos rubro-negros foi o fato de o lateral corintiano não ter se apresentado aos médicos da CBF, nem ter sido avaliado pessoalmente pela comissão técnica. A diferença na conduta entre o corte de Diego (ano passado) e o corte de Fagner é o ponto central da reclamação.

Acreditam que a CBF foi leniente ao acreditar na gravidade da lesão (que apontava recuperação de 3 a 4 semanas). E que deveria ter visitado o atleta para ter certeza das condições, como fez com Diego, que mesmo tendo o diagnóstico avisado pelo departamento médico do clube, com exames, pediu que o jogador comparecesse à concentração. 

Eu sei do caráter do Fagner', Tite comenta recuperação do lateral do Corinthians


Outro ponto é o fato de Fagner ter sido desconvocado, condição que o deixou livre para atuar, uma vez recuperado. Questionam os rubro-negros a diferença no status do atleta para o de Renato Augusto. O meia pediu dispensa da seleção, que não foi atendida, e continuou convocado, ficando impedido de atuar em qualquer condição, em qualquer clube. 

O blog questionou a CBF sobre as diferenças apontadas. Responde a entidade que o caso de Diego foi diferente por alguns motivos: por ele ter se lesionado na noite anterior (Flamengo x Ponte Preta), véspera da apresentação, e pelo fato de os jogos que o meia acabaria desfalcando a seleção terem sido de maior relevância (Bolívia e Chile, eliminatórias). 

Fagner se machucou no jogo contra o Colo-Colo (29/08), pela Libertadores. Mas sua lesão somente foi anunciada dois dias depois (31/08). A apresentação à seleção se deu somente nos dias 2 e 3/09. 

Ainda segundo a CBF, o médico Rodrigo Lasmar recebeu exames de imagem e diagnóstico detalhado, com comprovação em documentos, da lesão do lateral. Segundo a entidade, não havia hipótese de ele ser utilizado nos dois jogos, por isso, foi cortado e desconvocado. 

A comissão técnica não fez o mesmo com Renato Augusto, mantendo-o convocado e impedido de atuar, pois não concordou com o pedido de liberação do atleta, situação que não é sequer parecida com a de Fagner, na avaliação do time de Tite. 

No entanto, os médicos e os exames estavam errados. E na metade do mínimo tempo previsto para sua recuperação, Fagner está disponível. Não a Tite, mas ao time de Andrés, que anunciara: "Se eu perder para o Bandeira, eu paro". Não perdeu e vai continuar. 

 

Fagner se recupera, treina normalmente e pode enfrentar o Flamengo na Copa do Brasil

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Imagens de torcedor levando tapa no rosto de PM no Mineirão serão enviadas para a Corregedoria

Gabriela Moreira
Gabriela Moreira, repórter do ESPN.com.br

A Polícia Militar de Minas Gerais vai enviar para apuração da Corregedoria cópia do vídeo em que um torcedor aparece levando um tapa no rosto de um policial dentro do Mineirão. As imagens mostram um rubro-negro falando com um policial dentro do estádio quando um segundo PM se aproxima desferindo um tapa em seu rosto e gritando: "Não vou te falar mais" ou "Não pode falar mais" (o som não é claro). 

No entorno da cena, outros torcedores do Flamengo, homens e mulheres, passavam com mãos tapando boca e nariz, aparentemente protegendo-se dos efeitos de gás de pimenta. 

Assista ao vídeo abaixo:  

Ao blog, o porta-voz da corporação, major Flávio Santiago disse que encaminhou pedido de esclarecimento ao batalhão responsável pela ação e também levou o caso ao conhecimento da Corregedoria. 

"Soubemos do assunto através da reportagem, não tínhamos tido acesso a estas imagens e vamos levá-la para a Corregedoria. Se eles entenderem que foi excessivo, será aberto procedimento apuratório, ele será ouvido e pode virar inquérito se for o caso", disse o major. 

O blog ouviu o torcedor agredido. Tiago Oliveira, 32 anos, disse que a situação ocorreu no intervalo do jogo, após os policiais decidirem fechar o bar destinado aos rubro-negros. Segundo ele, nessa hora, houve um princípio de discussão com alguns torcedores reclamando da ação. Ele foi um dos que questionou a atitude, mas sem violência.

Após o tapa, cassetete 

"Nessa hora, eu já tinha entendido que o bar ficaria fechado e estava tentando ir ao banheiro. Estava falando com o policial, explicando para ele, quando chegou este outro me dando um tapa no rosto. A câmera parou de filmar e ele ainda me bateu mais. Estou com a barriga doendo do cassetete", disse Oliveira que pertence a um Consulado, como são chamados grupos de torcidas mais regionais do Flamengo. 

Morador de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Oliveira é eletricista e foi ao Mineirão pela primeira vez. 

"Lá fora, os policiais eram muito solícitos, ajudavam com informação e eram educados. Mas dentro do estádio foi muito diferente. Vi policial empurrando mulher com criança no colo, atiraram bombas, atacaram com cassetete 

A reportagem ouviu diversos relatos semelhantes ao de Oliveira. Além dele, o repórter Wesley Ramon, da rádio Esporte Metropolitano, do Rio, foi agredido por seguranças privados enquanto tentava filmar a ação da PM

Ele registrou ocorrência e fez exame de corpo delito para atestar as lesões. 

No fim da tarde desta sexta-feira, uma testemunha da agressão ao jornalista procurou o blog e contou ter visto mais do que aparece nas imagens: 

"Teve um momento que enquanto uns enforcavam, outro dava soco na barriga dele. Eu ainda discuti com um dos seguranças. E perguntei se iriam matá-lo igual fizeram com o Eros morto por seguranças dentro do próprio Mineirão", relatou a testemunha. 

Torcedor morto 

Eros Datilo Belizário, de 37 anos, foi morto dentro do estádio, em 2016, após ter sido espancado pelos seguranças privados contratados pelo Mineirão. No laudo feito no hospital para onde foi levado, Odilon Behrens, foi constatado que ele chegou à unidade sem vida e "com múltiplas lesões". 

Inquérito feito pela Polícia Civil, no entanto, concluiu que o torcedor foi vítima de um choque elétrico. 

Veja abaixo nota da empresa Esquadra, que faz a segurança do estádio, da Minas Arena e o que diz a PM: 

"A Esquadra está apurando os fatos para um melhor esclarecimento do ocorrido durante o jogo do Cruzeiro e Flamengo na última quarta-feira,  no Estádio Mineirão. A Esquadra reitera que todos os seus colaboradoras que prestam serviço no Mineirão são treinados para agirem da melhor maneira, mesmo em situações de maior tensão."

"Com relação ao ocorrido com o repórter Wesley Ramon, da Rádio Metropolitana, ontem, após a partida Cruzeiro x Flamengo, a concessionária que administra o estádio está apurando e buscando todos os esclarecimentos junto à empresa que responsável pelo serviço de segurança privada no estádio.
A empresa lamenta o ocorrido e reitera que preza pelo importante trabalho realizado pela imprensa na cobertura das partidas de futebol no estádio". 

O que diz a PM 

A PM de Minas Gerais, pelo porta-voz major Flávio Santiago, disse que a polícia age com austeridade, mas sem violência. Segundo o oficial, em conversa com os policiais envolvidos eles afirmaram que não abusaram do uso da força. 

Apenas agiram para conter torcedores que tentavam descumprir as ordens e que alguns estavam alcoolizados. 

Quanto à imagem do torcedor que levou um tapa no rosto de um policial, a PM disse que tomou conhecimento do fato pela reportagem e que já encaminhou questionamentos à unidade, bem como enviou as imagens para a Corregedoria. O policial poderá responder pelo ato, após a instauração de um inquérito administrativo. 

Já quanto às cenas de policiais militares agindo dentro de um hotel, em que estavam hospedados torcedores rubro-negros, o porta-voz disse que a PM recebeu três chamados do hotel afirmando que alguns torcedores estava provocando torcedores rivais no estabelecimento. E que foi ao local para controlar a situação. 

A PM informou também que, em outras situações, nos confrontos acontecidos entre torcidas organizadas do Cruzeiro, fora do estádio, pelo menos três policiais ficaram feridos. Um deles, o comandante do 34º Batalhão, tenente-coronel Godinho, que está com hematomas no peito, provocado por uma garrafada. Um segundo policial perdeu um dente, também alvo de uma garrafada. E um terceiro, da Cavalaria, sofreu uma fatura no braço após ter sido alvo dos torcedores. 

 


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Azul x rubro-negro não pode: Conmebol veta Flamengo com uniforme principal contra o Cruzeiro

Gabriela Moreira
Gabriela Moreira, repórter do ESPN.com.br
Vitinho tenta jogada durante partida entre Flamengo e Cruzeiro, pela Libertadores
Vitinho tenta jogada durante partida entre Flamengo e Cruzeiro, pela Libertadores Gilvan De Souza/Flamengo

Em reunião nesta quarta-feira, em Belo Horizonte, a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) decidiu que o Flamengo não poderá jogar com seu tradicional uniforme rubro-negro contra o Cruzeiro, às 21h45 (de Brasília), pelo duelo de volta das oitavas da final da Libertadores.

O clube carioca será obrigado a usar camisa branca, short cinza escuro e meião rubro-negro. 

O Fla recebeu apoio até do rival no pedido para usar seu principal uniforme, mas os dirigentes da entidade foram irredutíveis. 

Já o Cruzeiro vestirá camisa e calção azuis, com meião branco.

O Flamengo saiu bastante contrariado da reunião. A decisão foi tomada pelo quarto árbitro e pelo delegado da partida. 

Curiosamente, no jogo de ida, no Maracanã, a equipe da Gávea usou sua camisa rubro-negra, enquanto a "Raposa" foi de azul normalmente.

Regulamento e multa 

No artigo 61 do regulamento da Conmebol para a Libertadores está expresso que: 

"Sempre que possível, o Departamento de Competição designará o uniforme que foi declarado como o primeiro uniforme no formulário.
No entanto, quando isso não for possível, o princípio a ser usado é ter uma equipe predominantemente na cor escura e outros equipamentos
predominantemente em cor clara."

O texto prevê multa de U$ 15 mil dólares para casos de descumprimento. O trecho, no entanto, não deixa claro como seria aplicada esta multa, se é por jogador, por peça ou ainda por descumprimento no geral. Caso seja por peça de uniforme, a multa por jogador seria de U$ 60 mil. Multiplicando pelo número de atletas, 16 (descontando os goleiros e incluindo o banco com seis atletas) daria um total de U$ 960 mil dólares de multa ou R$ 3,9 milhões. 

"Parágrafo único - O não uso de qualquer parte definida pelo Departamento de Competição da CONMEBOL será considerado infração e sancionada com uma multa mínima de USD 15.000 por jogo." 

O clube desconfia ainda que mesmo que decidisse ir a campo contrariando a determinação, o árbitro da partida, Andrés Cunha (URU), não deixaria o jogo iniciar. 

Maracanã foi diferente

No jogo de ida, no Rio de Janeiro, o Cruzeiro jogou com o seu uniforme principal, azul, e o Flamengo, com o preto e vermelho. Isso também foi questionado na reunião e os representantes disseram que é uma avaliação da equipe de arbitragem do jogo. Neste caso, formado pelo quarto árbitro e pelo delegado da partida, diferentes dos profissionais que atuaram no Rio. 

*Atualização: nota alterada para inclusão de detalhes do regulamento. 

 

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Na Justiça, Flamengo considera que Guerrero foi 'negligente' e sujou a própria imagem em caso de doping

Gabriela Moreira
Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

Paolo Guerrero em jogo pelo Flamengo no Campeonato Brasileiro de 2017
Paolo Guerrero em jogo pelo Flamengo no Campeonato Brasileiro de 2017 Gazeta Press

Na ação movida contra Paolo Guerrero na Justiça do Rio, o Flamengo deixa claro a sua análise sobre a conduta do atleta no doping pela seleção peruana. Para o rubro-negro, o jogador foi negligente ao ingerir o chá, tendo contribuído para "macular" a sua imagem no episódio. 

O processo corre na 9ª Vara Cível e tem como objetivo condenar Guerrero e sua empresa Paolo Guerrero - Eirelli ao pagamento de R$ 1,8 milhão pelos 121 dias em que o clube não pôde "usufruir" da imagem do jogador, já tendo pago o valor acertado em contrato, um total de R$ 16 milhões. 

Guerrero foi suspenso após ter sido flagrado em exame antidoping que testou positivo para um metabólito da cocaína, em jogo pela seleção peruana nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. Ele havia sido suspenso inicialmente por 14 meses pela Corte Arbitral do Esporte (CAS), mas uma liminar no Tribunal Federal da Suíça reduziu a pena para seis meses, o que liberou o jogador para atuar no Mundial da Rússia.

Nesta quinta-feira, porém, a liminar foi derrubada, e Guerrero (hoje jogador do Internacional) terá de cumprir os oito meses que ainda restam de suspensão - só voltará aos gramados em abril de 2019.

"Primeiramente, a partir dos termos da Cláusula 2.2 do Contrato de Imagem, possível afirmar que o Guerrero descumpriu uma das obrigações contratuais expressamente previstas ao macular a sua imagem de atleta profissional de futebol mediante a ingestão de substância proibida, mormente considerando que algumas medidas poderiam ter sido adotadas para evitar o ocorrido (conforme restou consignado pela FIFA em seus pronunciamentos)", afirmaram os advogados na ação. 

O que constava no contrato de imagem do atleta: "Manter íntegra a sua imagem de atleta profissional de futebol, abstendo-se de praticar qualquer ato contrário à proibidade, à moral e aos bons costumes ou que possa afetar de forma negativa sua imagem, assim como a o CRF e/ou dos seus patrocinadores, sob pena de pagamento, por parte do ATLETA, de eventuais perdas e danos (SIC)".

Para o clube, o doping trouxe prejuízo também à imagem do Flamengo:

"Além de o fato ter repercutido negativamente – não apenas na imagem de Guerrero, como também do Flamengo –, diante do resultado adverso, Guerrero foi suspenso pela Associação Internacional de Federações de Futebol (“FIFA”) pelo prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir de 03.11.2017". 

Para atribuir a negligência do atleta, os advogados se basearam nas explicações que o peruano deu ao Tribunal Suíço ao reconhecer que não verificou a composição do chá que tomou, embora não quisesse melhorar sua performance: "Por outro lado, visto que Guerrero teria sido negligente ao deixar de verificar a composição do chá à luz das normas antidoping". 

Paolo Guerrero maculou sua imagem de jogador profissional, diz Flamengo em processo
Paolo Guerrero maculou sua imagem de jogador profissional, diz Flamengo em processo Reprodução

Além dos prejuízos à imagem, na ação, os advogados frisam os prejuízos técnicos da ausência do atleta: 

Para Flamengo, Paolo Guerrero foi 'negligente' em caso de doping
Para Flamengo, Paolo Guerrero foi 'negligente' em caso de doping Reprodução

O processo também explica o cronograma de pagamentos dos direitos de imagem ao atleta, veja:

- R$ 2 milhões à vista na assinatura do contrato

- R$ 2,8 milhões na publicação de seu registro no BID da CBF 
- R$1,2 milhão até 15/03/2016
- R$ 2,5 milhões em 15/09/2016
- R$ 2,5 milhões em 15/03/2017
- R$ 2,5 milhões em 15/09/2017
- R$ 2,5 milhões em 15/03/2018

A reportagem procurou os advogados do atleta, mas ainda não teve retorno.

 

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Bandeira de Mello promete não usar vermelho e preto, nem dizer 'Sou presidente do Flamengo' em material de campanha a deputado

Gabriela Moreira
Gabriela Moreira, repórter da ESPN.com.br

Candidato a deputado federal, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, declarou que não vai usar as cores vermelha e preta em seu material de campanha. Assim como não terá o escudo do clube, nem a palavra "Flamengo" em sua propaganda eleitoral. Também não vai mencionar em seu material publicitário, nem nas aparições em TV, que é presidente do rubro-negro. O compromisso foi feito pelo dirigente a dois grupos de sócios da Gávea em reunião na última sexta-feira, o Flamengo da Gente e o SóFla.

O encontro foi realizado a pedido de Bandeira de Mello, após questionamento do Flamengo da Gente ao Conselho Deliberativo na semana passada. Na visão do grupo - que pede o afastamento do dirigente - o acúmulo das atividades gera conflito com o Estatuto do clube, uma vez que sua função e as decisões enquanto presidente poderiam proporcionar vantagem pessoal à sua disputa à vaga no Congresso.  

Eduardo Bandeira de Mello, ao lado da candidata Marina Silva e José Gustavo Barbosa (porta-voz da Rede)
Eduardo Bandeira de Mello, ao lado da candidata Marina Silva e José Gustavo Barbosa (porta-voz da Rede) Reprodução/Instagram

O requerimento ainda será avaliado pelo presidente do Conselho Deliberativo, Rodrigo Dunshee de Abranches, que é vice da chapa de oposição à Bandeira na eleição rubro-negra. 

De acordo com o Estatuto do clube,  no artigo XII, do Capítulo V, o uso do nome do clube em campanhas alheias aos interesses dos associados já é vedado. Mas o dirigente promete ir além e não usar cores, escudo e não fazer pronunciamentos como presidente. 

"Abster-se de usar o nome do Flamengo em campanha, de qualquer natureza, estranha aos objetivos do Clube". 

Os motivos que levaram o dirigente a se candidatar a deputado foram bem recebidos pela maioria dos presentes, mas não o suficiente para que o grupo decidisse retirar o pedido de afastamento. 

"As explicações são plausíveis do ponto de vista pessoal, ele tem todo direito de se candidatar, como cidadão, mas enquanto presidente do Flamengo a gente não acha que seja um caminho ideal, um caminho bom pro Flamengo. A gente já achava isso de outros membros de diretorias passadas que tomaram o mesmo caminho e não é porque essa trouxe algum tipo de modernidade para a gestão do clube que vamos pensar diferente", disse um dos membros do Flamengo da Gente presente à reunião, Guilherme Salgado.    

"Não vou dizer 'Vote em mim, sou Flamengo, nem 'vote em mim porque sou presidente do Flamengo"

Ao blog, Bandeira de Mello disse que respeita o direito dos sócios de questionarem e que aguardará a avaliação do presidente do Conselho. Bandeira afirmou também que a decisão de não usar nenhuma referência ao Flamengo na sua campanha foi tomada quando decidiu se candidatar. 

"Todo mundo que tem chance de ganhar uma eleição é alguém que se projetou junto à opinião pública em alguma função. Pode ser numa igreja, num sindicato, ou é um artista, filho de político, secretário de estado, ministro. Alguém que teve uma visibilidade e aí tem chance de ganhar. No caso do Flamengo, não considero que seja um trampolim no mau sentido". 

"Nem na eleição do Flamengo eu deixo usar a máquina, os funcionários, os atletas, seja o que for do clube na eleição. Quando fui candidato à reeleição, em 2015, todos os funcionários foram proibidos de participar da campanha. Se eu não usei isso na minha eleição para presidente do Flamengo e nem vou usar na atual eleição, muito menos para uma coisa pessoal. Não seria correto usar o Flamengo", disse o presidente, completando:  

"Não estou usando nem as cores do Flamengo. Não uso nem vermelho e preto. Nem vou colocar que sou presidente do Flamengo. É claro que no site se tiver meu currículo vai aparecer que sou presidente do Flamengo, assim como trabalhei no BNDES, mas não vou dizer 'Vote em mim, sou Flamengo, nem vote em mim porque sou presidente do Flamengo". 

Questionado sobre a dificuldade de se concentrar nas atividades do clube em meio à campanha, o dirigente disse que se licenciar ou tirar férias seria mais cômodo: 

"Tomei a decisão de continuar dando a mesma dedicação ao Flamengo que sempre dei, mesmo que isso atrapalhe a campanha. Não é obrigação minha. Eu poderia tirar férias, já que estou há seis anos na presidência e trabalhei praticamente todos os dias. Tirei cinco dias quando fui conhecer minha sobrinha-neta fora do país e antes da pré-temporada de 2016 tirei 4, 5 dias com minha família. Todos os ex-presidentes tiraram. Seria muito mais cômodo para mim, tirar essa licença e me dedicar à campanha. Mas acho que isso não seria bom para o Flamengo. Vou ter de me dividir, mas vou trabalhar 150% do tempo para não prejudicar o Flamengo".

Atualização: nota atualizada para inclusão de trecho do Estatuto que versa sobre proibição do nome do clube em campanhas fora do rubro-negro.  

 

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Federação retém taxas da CBF, e árbitros do Rio levam calote também em competições nacionais

Gabriela Moreira
Gabriela Moreira, repórter do ESPN.com.br

Na última sexta-feira, o blog noticiou que os árbitros de cinco campeonatos organizados pela Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj) estavam sem receber pagamento por suas atuações. Mas o problema vai além. A federação também está em dívida com a arbitragem do estado em campeonatos organizados pela CBF desde abril. Falta pagamento para quem trabalha nas séries C e D e em competições nacionais femininas. 

Só que nestes casos, a CBF vem recolhendo e repassando as taxas à Ferj, que somente efetua o devido pagamento aos profissionais que não são do Rio. Funciona assim: se o quadro de arbitragem tem árbitros, assistentes, delegados ou outros oficiais de vários estados, apenas os que são cariocas ou fluminenses ficam sem pagamento. Todos os demais, saem com os soldos em dia. 

Árbitros cariocas em palestra na FERJ
Árbitros cariocas em palestra na FERJ Divulgação / FFERJ

Nos borderôs, disponíveis no site da CBF, é possível verificar o quanto é destinado ao pagamento dos honorários do quadro de árbitros e assistentes no Rio. Os valores da rubrica "taxa de arbitragem" variam entre cerca de R$ 4 mil até R$ 8 mil por partida.  

Enquanto essa nota era apurada, a Ferj informou que fez um levantamento em todos os pagamentos e afirmou que o problema já está sendo resolvido.  O débito seria fruto do não repasse por parte da CBF do valor total das taxas.  Nesta segunda-feira, a federação disse que ordenou o pagamento aos árbitros que faltavam (competições nacionais). Até o fim do dia, no entanto, profissionais procurados pelo blog ainda não haviam acusado o recebimento em suas contas. 

"Foi verificado, em alguns casos, um descompasso entre o valor destinado e o a ser pago de taxa de arbitragem dessas competições. A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro está apurando os valores residuais para solucionar a questão. A FERJ reitera que, assim como todos os compromissos firmados, este também será honrado", informou a federação. 

A CBF também foi procurada para se manifestar quanto ao problema e informou que está fazendo a checagem de todos os repasses. 

Temerosos, árbitros não levam o problema para as súmulas

De acordo com o regulamento de conduta dos profissionais da arbitragem, qualquer problema quanto ao pagamento de suas atuações nas partidas, deve ser informado na súmula.  Entretanto, assistentes e árbitros ficam receosos em registrar este tipo de questão nos documentos enviados à CBF por entenderem que serão prejudicados nas próximas escalas. 

No Rio, a situação é ainda pior, uma vez que a mesma pessoa que comanda a arbitragem, é também presidente do sindicato da categoria, Jorge Rabello.

Apropriação e descumprimento do Estatuto do Torcedor 

As irregularidades no pagamento dos profissionais da arbitragem podem trazer sérios prejuízos não somente para quem fica sem receber, mas para a continuidade do campeonato. Além de a entidade que recebe e não repassa as taxas poder sofrer ações criminais por apropriação indébita dos valores, há ainda risco para a competição com possíveis suspensões por descumprimento do Estatuto do Torcedor. 

Há também o risco de falta de árbitros para as partidas. A reportagem apurou que há profissionais com dificuldades de se locomoverem para os jogos. 

Veja o que determina o Estatuto do Torcedor quanto à remuneração dos profissionais da arbitragem

Art. 30. É direito do torcedor que a arbitragem das competições desportivas seja independente, imparcial, previamente remunerada e isenta de pressões. Parágrafo único. A remuneração do árbitro e de seus auxiliares será de responsabilidade da entidade de administração do desporto ou da liga organizadora do evento esportivo.  

Quanto recebe um árbitro nestas competições: 

- Feminino: base e 2ª divisão - árbitros Fifa e Master - R$ 400,00 / outras categorias - R$ 360,00 / outros oficiais - R$ 125,00 / assistentes: 60% da sua categoria 

- Série C: vai de R$ 200,00 (analista de desempenho por vídeo) até R$ 2.440,00 (primeira fase) ou R$ 2.750,00 (a partir das oitavas)

- Série D: vai de 250,00 (analista de desempenho) até 2.020,00 (classificatórias) ou 2.790,00 (a partir das oitavas) 

 

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Árbitros de cinco campeonatos do Rio estão sem receber há 2 meses

Gabriela Moreira
Gabriela Moreira, repórter do ESPN.com.br

Dezenas de árbitros e assistentes que atuam neste momento em cinco campeonatos administrados pela Federação de Futebol do Rio (Ferj) estão sem receber pagamento pelos jogos. Os atrasos já duram mais de 60 dias e ultrapassam R$ 100 mil. Entre os afetados, estão as séries B1, B2 e C do estadual.  

Profissionais com os quais o blog conversou disseram que vêm cobrando há semanas uma solução junto à Comissão de Arbitragem e ao Sindicato dos Árbitros, mas não têm tido sucesso. Ambos são presididos pela mesma pessoa, Jorge Rabello. 

Em nota, a Ferj disse que o atraso se deve a problemas financeiros decorrentes da ajuda financeira que a entidade dá a diversos clubes do Estado. A entidade não informou quando pretende quitar os atrasados. 

"Trata-se de um problema de fluxo de caixa que está sendo equacionado.  Nos campeonatos das Séries B1, B2, C, de Amadores da Capital e de Ligas Municipais, os clubes são desonerados das taxas de arbitragem, cabendo a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro subsidiar essas despesas. Vale lembrar ainda que o contratempo foi gerado por aportes feitos para socorrer vários clubes. Além disso, a FERJ passa por  um processo macro de reestruturação.   E como todos os compromissos firmados pela instituição, este também será honrado."

Árbitros em pré-temporada para o Campeonato Carioca
Árbitros em pré-temporada para o Campeonato Carioca ÚRSULA NERY/AGÊNCIA FERJ

Problemas financeiros na arbitragem carioca têm sido frequentes nos últimos anos. Em 2016, Jorge Rabello foi denunciado por árbitros pelo não pagamento de quase dez anos de INSS, mesmo tendo recolhido o imposto nos borderôs dos jogos. Segundo os denunciantes, somente em 2011, a dívida somava R$ 350 mil. 

Descumprimento da lei

Deixar de pagar pela arbitragem é um flagrante descumprimento do Estatuto do Torcedor, que determina no capítulo VIII que todos os envolvidos na arbitragem devem ser remunerados antes dos jogos. Em campeonatos da CBF, os pagamentos acontecem logo após as partidas, ainda no estádio. 

O problema, além de afetar diretamente os profissionais que atuam nas partidas, pode acarretar em questionamentos judiciais e ainda na paralisação das competições em realização no estado. 

Veja o que determina o Estatuto do Torcedor quanto à remuneração dos profissionais da arbitragem

Art. 30. É direito do torcedor que a arbitragem das competições desportivas seja independente, imparcial, previamente remunerada e isenta de pressões. Parágrafo único. A remuneração do árbitro e de seus auxiliares será de responsabilidade da entidade de administração do desporto ou da liga organizadora do evento esportivo.  

 

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Criação de um 'Conselho' para o futebol e cobranças: as ideias do principal candidato à oposição no Flamengo

Gabriela Moreira

No início da tarde desta quinta-feira, o principal concorrente do atual presidente do Flamengo Eduardo Bandeira de Mello, o empresário Rodolfo Landim, 61 anos, lançará sua candidatura à presidência do clube. Em entrevista exclusiva ao blog, ele fala dos seus principais planos para a gestão do rubro-negro. 

Ex-membro do grupo original que governa o clube há dois mandatos, ele também analisa por que não foi possível uma união com a atual situação. E aponta a principal indignação com o futebol, adiantando o tom da disputa que terá fim em dezembro:     

"Tem uma coisa que eu não suporto. Eu não suporto perder, eu acho que o Flamengo tem de ganhar tudo. O Flamengo pode perder, isso é da vida, mas tem de estar sempre querendo ganhar. E tem de estar sempre indignado com a derrota", disse. 

O blog tentou fazer uma entrevista para ser publicada na mesma data com o candidato à sucessão de Bandeira, Ricardo Lomba, mas o pedido não foi aceito. Por ser o atual vice-presidente de futebol e não ter lançado sua candidatura, ele foi orientado a não falar neste momento.  

Entrevista com Rodolfo Landim, candidato à presidência do Flamengo. 

Pergunta: vocês se intitulam "situação paralela". O Rodrigo Dunshee de Abranches  (presidente do Conselho Deliberativo e membro da sua chapa) disse isso em entrevista recente. Como é isso? 

Resposta: Na verdade, as pessoas tentam colocar a chapa como se fosse uma chapa de oposição, como se a gente fosse contra o Flamengo. A gente não é contra o Flamengo. Essa palavra "oposição" carrega um peso muito forte. A gente é a favor do Flamengo e é por isso que a gente quer mudar o Flamengo. 

Esse movimento envolve uma série de pessoas que estão na administração do clube, são pessoas que começaram a mudança do clube em 2012, que ficaram de fora depois da reeleição do Eduardo e algumas delas, inclusive que continuaram com o Eduardo e estão saindo agora, como por exemplo a tão propagandeada boa administração financeira. O vice-presidente Cláudio Pracownik saiu e está nos apoiando. Fora os outros poderes do clube, que é o caso do Dunshee, no órgão máximo do clube (deliberativo). 

Assim como outros poderes, o conselho fiscal, o conselho de grandes beneméritos, acredito que em sua grande maioria também está apoiando esse movimento nosso. A administração do clube não é o Conselho Diretor e não são aquelas poucas pessoas que estão ali, escolhidas pelo Eduardo, gravitando em torno dele. Eu acho até um pouco arrogante daquelas pessoas dizerem "eu sou a situação". 

Nesse bojo de maior participação, vemos alguns ex-presidentes com vocês, como Márcio Braga, por exemplo, entre outros, que foram responsáveis por gestões que não trouxeram bons resultados mais recentemente, inclusive no futebol. Como ter essas pessoas e ao mesmo tempo não voltar a antigas ideias que já se provaram atrasadas e de pouco sucesso?

Eu tento em qualquer coisa que eu faço na vida olhar pra frente. Claro que a gente olha para trás, para aprender com os erros, mas é muito difícil julgar o passado. A primeira coisa que temos de pensar é que há muitas críticas em relação à antigas gestões do Flamengo, mas temos de considerar que a situação era completamente diferente. O futebol não é o que é hoje um grande negócio, temos de ver que as decisões foram tomadas em cima de outras variáveis. Lembro que na época do Márcio Braga, eu tive contato com ele na época em que eu era presidente da Petrobras Distribuidora e ela era patrocinadora, tinha grandes contratos e lembro das dificuldades que eles tinham. O Márcio olhava pra mim e falava que no domingo não tivesse chovendo ele ficava com o coração partido porque ninguém ia pro Maracanã, que o pessoal ia pra praia e não ia ter bilheteria. Porque naquela época a receita da bilheteria era fundamental, era enorme, dentro do percentual de arrecadação que os clubes tinham. As condições no passado eram completamente diferentes. 

É claro que tem de olhar para o passado e ver as coisas erradas para não praticar no futuro, mas eu tendo a não julgar muito o passado das pessoas que trabalharam no Flamengo até porque se o Flamengo conseguiu chegar ao que ele é, foi em grande parte em função ao trabalho de diversas pessoas que trabalharam no Flamengo. É muito fácil julgar pela capacidade que o futebol tem de arrecadar hoje. A gente tem de unir essas cabeças e o aprendizado delas para tentar fazer melhor. 

Eu quero levar essas pessoas que querem levar sua contribuição e que estão se sentindo completamente isoladas pelo fato de entenderem que o clube hoje está nas mãos de um pequeno grupo, que se fechou, que não ouve ninguém, que quando ouve críticas dizem "façam uma chapa e ganhem a eleição", então é isso que estamos fazendo. Estamos juntando pessoas que são rubro-negros como todas, têm capacidade para, de fato, modificar o Flamengo. As coisas que estiverem sendo bem tocadas vão continuar, mas têm coisas que precisam ser modificadas, a começar pela forma de cobrar. 

Aplicar bem os recursos. Acho questionável a forma como alguns recursos foram aplicados, especialmente no futebol. 

Você acha que o dinheiro no futebol não foi bem aplicado? 

Futebol não é ciência exata. Não é algo que você faz um investimento e com certeza tem um retorno. Você vai ter acertos e erros, mas a quantidade de erros que tivemos com a aplicação de recursos que a gente tinha disponível no clube e no futebol foi inacreditável. 

Rodolfo Landim, 61 anos, candidato à presidência do Flamengo
Rodolfo Landim, 61 anos, candidato à presidência do Flamengo Getty

Já vamos entrar no futebol, mas para falar mais um pouco da chapa. O que foi fundamental para que a união entre azuis e verdes não acontecesse? 

Essa é uma percepção muito pessoal minha. Não queria dizer "azuis e verdes". Isso foi na última eleição. Essa separação incomoda e é uma estratégia de eleição que a situação faz ao dizer que eles são os azuis. Todos eram azuis, ou grande parte eram, saíram e continuam saindo, ficando apenas um pequeno grupo querendo buscar para si os louros da administração que, na verdade, não foram nem eles que começaram. 

A nossa proposta era de união, para trazer mais pessoas, para incluir. Eu fui conversar com o SóFla, o problema é que ao fazer isso era natural que as pessoas abrissem mão do espaço que você tem na governança e administração para a entrada de outros grupos e isso não existe. O SóFla tomou conta da administração do Flamengo e não abre mão de nada. Eles têm um projeto de poder que foi estruturado lá dentro que ficou muito difícil abrir mão para outros poderem entrar. 

A outra razão e essa me foi dita pelo próprio presidente do clube numa conversa, é que ele tinha claramente a posição de indicar um candidato. Ele queria fazer um sucessor. Passados seis anos lá, acho que ele entende que deveria ter um candidato e indicar alguém. Essa foi uma pergunta direta que fiz, se ele tinha espaço para uma união, também com o SóFla que inclusive foi quem solicitou que tivéssemos essa conversa. E ele me fez perguntas se tinham duas pessoas que estavam me apoiando e minha resposta foi "não sei, mas espero que sim". E ele disse que com essas pessoas ele não iria se unir. 

Então você tá querendo me dizer que o ódio que você tem por essas pessoas é maior que o amor pelo Flamengo. Ele não me respondeu, mas acho que essa foi só a desculpa para poder continuar com o projeto de poder que é só dele. 

Qual é o papel que essas pessoas que saíram desse grupo inicial terão na sua gestão, se eleito? Luiz Eduardo Baptista (Bap), Wallim Vasconcellos, Carlos Langoni, Gustavo Oliveira vão ter na sua gestão? 

Boa pergunta. Não tenho conversado muito com o Langoni, uma pessoa que gosto muito e conheço há muitos anos. Ele esteve muito presente no início e gostaria que ele tivesse comigo. O Wallim tenho certeza que nos apoia, mas ele não está diretamente envolvido na campanha, acho até que o processo anterior foi meio doloroso, principalmente para ele que estava diretamente envolvido. Isso deixa algumas mágoas e cicatrizes que espero que passem com o tempo. Espero poder contar com ele na administração, apesar de não ter discutido nada sobre isso com ele.

O Gustavo está diretamente envolvido no processo, foi um dos grandes incentivadores para que eu saísse (candidato) e ele certamente vai estar comandando a área de comunicação do clube, acho até que ele foi um dos grandes responsáveis para mostrar para fora a administração que vínhamos fazendo em 2012. 

O Bap com certeza vai estar envolvido nisso, espero que de corpo e alma e a gente tem algumas coisas importantes que ele pode contribuir muito. Vamos falar como a gente imagina que o futebol precisa... o Flamengo precisa ser mais ouvido. Pela importância que ele tem não pode ficar brigado, tem de se relacionar com federação, com a CBF, você não pode se ausentar e ficar reclamando porque está sendo prejudicado pela arbitragem. A gente precisa construir um relacionamento no futebol com as entidades que representam o futebol, precisa discutir o futebol brasileiro de uma forma maior. Nós só vamos conseguir ter um nível de competitividade com a Europa se a gente melhorar o produto. Quem tem de capitanear esse processo são os líderes. Se o Flamengo com mais de 40 milhões de torcedores não faz isso, quem vai fazer? 

Uma crítica que ouço de outros presidentes de clubes é que o Flamengo é arrogante nas conversas, se colocando como o maior e na hora das negociações não olha muito o seu papel no futebol nacional, pensando apenas em si. O que você acha disso? 

Isso depende das pessoas que você vai colocar para tocar essas negociações. Tive conversando com pessoas, presidentes de federações, não só no Rio, mas de outros estados e a percepção não é só essa, é um pouco pior que essa. Como dizer... o Flamengo precisa fazer crescer o bolo. O futebol brasileiro precisa melhorar. Aí me dizem, "a Tv Globo vai ser contra".  Eu penso assim, a Globo quer ganhar dinheiro, se todos ganharem, ela vai ganhar. O Flamengo não consegue jogar nos Estados Unidos. Nós involuímos, o clube se apequenou. O clube poderia ser muito maior nessa história. Essa visão de cada um quer ganhar o seu, não ajuda. Se não daqui a pouco estamos perdendo o Lucas Paquetá, estamos perdendo o Lincoln. Vamos ficar fazendo jogador a vida toda para exportar. Não é isso que eu quero. 

E o Bap vai coordenar isso?

Esse é um papel que eu tenho discutido muito com o Bap e que ele aceitou esse desafio de trabalhar pelo Flamengo. Ele vai estar coordenando esse processo de transformação pra fora. 

Luiz Eduardo Baptista e Eduardo Bandeira de Mello ex-aliados se enfrentarão em grupos opostos
Luiz Eduardo Baptista e Eduardo Bandeira de Mello ex-aliados se enfrentarão em grupos opostos Pedro Henrique Torre/ESPN.com.br

Quem vai ser o CEO, a pessoa que vai negociar, o executivo das negociações, das relações? 

Não vai ser o CEO que vai fazer isso. Eu já tenho um CEO mas não posso falar agora porque ele está em outros locais. Espero que essa negociação vá adiante para poder dizer. Mas eu não vejo este papel do CEO. Este papel foi um pouco desvirtuado. Quando o criamos, ele era mais administrativo, você tinha um planejamento estratégico (que eu era) e todo um processo de metas que eram acompanhadas por essa pessoa.

Quem vai ser o vice de futebol? 

Já temos um nome sendo conversado, mas não queremos falar disso agora para não sermos acusado de atrapalhar com esses movimentos. Vão nos criticar, dizer que estamos trabalhando contra.        

Mas qual o perfil dessa pessoa? 

O futebol não pode ter só um nome concentrando todas as informações e tomando todas as decisões. A estrutura do futebol vai sofrer modificações. Você não pode ter um mesmo cara definindo as contratações e analisando o desempenho dos jogadores do Flamengo. Este grupo de pessoas não pode ficar subordinado à mesma pessoa que faz as negociações. Se ele é o sujeito que está comprando, ele vai controlar esse cara. Essa informação tem de ser independente. Quem analisa o desempenho dos atletas tem de ser independente de quem contrata. Tem de estar debaixo de um conselho.

A ideia é ter um conselho decidindo o futebol? 

Isso, vamos ter um conselho para discutir e analisar as principais diretrizes, decisões, para orientar o vice-presidente com muito mais independência e muito mais cobrança. Existem coisas que a gente precisa explicar... como, por exemplo, porque o Conca foi escalado, quando isso ia levar a um tremendo prejuízo para o clube quando ele não tinha a menor condição de ser escalado. A parte médica, de desempenho, nutrição, psicologia têm de ser independentes, para dizer se o jogador pode ou não ser utilizado. Hoje você coloca tudo embaixo de uma pessoa e você não consegue ver onde está o erro. Assim ocorrem as proteções e a análise de que tá tudo bem. E sempre tá tudo bem. O Flamengo empata com qualquer um e sempre tá tudo bem. Hoje eu não consigo identificar onde está o problema. 

Em agosto do ano passado, o seu grupo publicou uma carta ao treinador Reinaldo Rueda dizendo que o time era "lento", "burocrático, "apático, sem vida, sem vibração". O time mudou de postura na visão de vocês? 
 
Continuo dizendo a mesma coisa. A gente vê o time mudando, os jogadores dizem que se fecharam após levarem uma pancada... 

Você acha que essa pancada foi o Ricardo Lomba (atual vice-presidente de futebol) quem deu? 

Não, acho que isso foi muito mais de fora pra dentro do que de dentro pra fora. Eles foram forçados a fazer isso. O perfil do Eduardo acaba se transferindo para toda a estrutura. De contemporizador, conciliador. Ele é uma pessoa boa, eu entendo, mas se sentou naquela cadeira você tem de tomar atitudes. Teve desempenho ruim ou vai pro banco ou vai sair do Flamengo. Não tem essa de proteção aos fracos e oprimidos. Eu também posso gostar do sujeito na física, mas se teve um desempenho ruim tem de ser cobrado. O Flamengo precisa ganhar, está lá pra ganhar. E tem uma coisa que eu não suporto. Eu não suporto perder, eu acho que o Flamengo tem de ganhar tudo. O Flamengo pode perder, isso é da vida, mas tem de estar sempre querendo ganhar. E tem de estar sempre indignado com a derrota. É assim, cobrando. Não é aquele ambiente de apatia que a gente vê, que vamos conseguir alguma coisa. Na minha vida inteira eu nunca vi esse tipo de comportamento levar a nada. As pessoas que ganham, que são vitoriosas não são pessoas conformadas com a derrota. É simples assim. 

Nesse sentido, duas pessoas muito importantes para o futebol são o Carlos Noval (atual diretor-executivo de futebol), que está no clube há bastante tempo, e o Maurício Barbieri, que vem sendo bem avaliado. Qual a sua avaliação sobre o trabalho deles?

Por mais que tivesse vontade, não falaria sobre eles neste momento. Não cabe a mim ficar fazendo críticas às pessoas que estão lá. Lógico que vamos analisar o trabalho deles e se acharmos que estão capacitados para estar lá, vão ficar. O Noval vem fazendo um trabalho há muito tempo no Flamengo, inclusive quando estávamos lá. 

Eu não vou analisar quem está lá, agora. O que eu posso te dizer é que a forma de gerir e de cobrar, vai mudar. 

Você acha que houve erro na estratégia inicial de um Flamengo que cobrava caro em ingressos e em planos de Sócio Torcedor? Um clube que não olhou inicialmente para  sua torcida com menor poder aquisitivo? 

Quando assumimos lá atrás a situação era terrível. A estratégia que foi montada naquela época foi uma estratégia de sobrevivência para o momento em que vivíamos. Estávamos saindo de um ano de arrecadação de R$ 212 milhões. Agora, estamos chegando com receitas - mesmo que muitas não sejam recorrentes - de duas vezes e meia a arrecadação que a gente tinha. A situação é completamente diferente. Existiu uma política de ingressos que foi necessária e que teve todo o tempo para mudar, durante esta última gestão, quando a situação já estava melhor. Poderia ter mudado antes. E tenho muitas dúvidas das principais motivações que fizeram essa política mudar nesse momento (preços mais baratos). Quando estamos nos aproximando de eleições e não só no Flamengo. 

Você acha que tem motivação política? 

Não sei, olhando de fora, não sei se houve uma conscientização tardia disso e se foi, parabéns. Ou se foi por motivação política. 

Maracanã segue com futuro indefinido: novo edital é promessa do governo do Estado do Rio de Janeiro
Maracanã segue com futuro indefinido: novo edital é promessa do governo do Estado do Rio de Janeiro Reprodução

Então me leva a crer que na sua gestão, se houver, a política de preços mais baratos continua? 

Claro que sim. Queremos o Maracanã lotado o tempo todo. Esse é o grande diferencial que a gente tem. O Flamengo só é do tamanho que ele é por causa da sua torcida. Você não pode elitizar o Flamengo, de jeito nenhum. Agora é fato que a política de venda de ingresso durante um tempo foi voltada para pagar as contas, mas agora já podemos fazer diferente. É um círculo virtuoso. Com ingresso barato você tem mais gente no estádio, o time joga melhor e gera demanda para o próximo jogo. 

Qual será a sua relação com o Maracanã? 

Não sei se você gosta de jogar xadrez, eu gosto porque nos ensina a olhar algumas jogadas para frente. E eu olho a estratégia dessa gestão com o Maracanã e não entendo. O clube saiu para buscar uma solução alternativa para o estádio, porque precisou buscar já que a relação com o Maracanã era difícil mesmo, investe R$ 20 milhões para jogar 20 jogos e aí volta a negociar com o Maracanã. Tudo bem que teve o problema da queda da torre, mas o clube assinou um contrato com o Maracanã nos mesmos moldes lá de trás, quando o consórcio está numa outra situação, deficitário. Eu quero entender a lógica do porquê jogar R$ 20 milhões no lixo. 

O contrato foi aprovado, com ressalvas e se diminuiu o tempo para dois anos de duração, porque não tínhamos o que fazer. Estávamos nus, sem ter onde jogar. 

Você acha que o clube precisa de um estádio próprio? Como a sua gestão trata esta questão? 

Quando você fala da construção de um estádio é algo complexo. Você tem de ter um local e no Rio de Janeiro os locais bons estão ocupados. Não vamos criar factoides dizendo que temos um local. Mas tem o aspecto econômico. Fazendo um cálculo rápido, um assento num estádio custa em torno de R$ 12 mil. Se for fazer um estádio para 40 mil pessoas, vai te custar de construção perto de R$ 500 milhões, fora o preço do terreno que vai elevar o custo para R$ 650 milhões a R$ 700 milhões. Na hora que você pensa financeiramente, o nível de dívida que o Flamengo ainda tem, vamos conversar com o Maracanã. Pode ser uma solução, pode, mas é preciso fazer as contas. Pra mim a solução natural é o Maracanã, um estádio em que a torcida se identifica, se sente em casa. Mas se não conseguirmos uma solução com o estádio, vamos avaliar. Mas não é simples. 

Voltando a falar rapidamente de política. Internamente, o SóFla diz que passou a não confiar na sua candidatura porque você defende uma cobrança de vices amadores sobre o futebol ao invés de profissionais como Carlos Noval. É por aí?

Não é verdade, estão colocando palavras na minha boca. Ao contrário, o processo de profissionalização do clube, quem iniciou fomos nós. Todas as pessoas que estão lá agora, os profissionais, gestores, são pessoas que nós colocamos. O Bruno Spindel (atual CEO), o Paulo Dutra (ex-diretor financeiro), o Fred Luz (ex-CEO), as pessoas que foram escolhidas foram entrevistadas e contratadas por nós. Então agora estão querendo atribuir esse discurso para eles? Chega a ser piada... 

Como seria a sua relação com eles? 

Se eu vencer as eleições e acho que vou vencer, vamos ouvi-los. Eles são importantes e são rubro-negros. Mas não vamos fazer o que eles fizeram que é excluir a opinião de todos. Além disso, quero dizer que serei presidente por um mandato apenas. Não acredito em reeleição. Todos os segundos mandatos de clube e na vida pública são piores que os primeiros. Eu mesmo vou propor ao conselho essa mudança no estatuto, para impedir a reeleição. 

Por último, há desconfiança nos bastidores de que pelo fato de uma de suas empresas (Ouro Preto Óleo e Gás) ter vencido uma concorrência grande na área de petróleo, isso lhe tiraria o tempo para se dedicar a presidência. Você vai ter tempo para ser presidente do Flamengo?  

Eu trabalhei muito na minha vida. Trabalhei 26 anos e meio na Petrobras e tive uma carreira da qual me orgulho muito lá. Eu talvez tenha sido o superintendente mais novo da história da companhia. Com 31 anos eu era superintendente de uma das cinco regiões de produção do Brasil. Depois fui ser superintendente na Amazônia, depois fui ser responsável por toda exploração e produção da Bacia de Campos que era disparado a maior unidade industrial do Brasil durante cinco anos e meio. Depois fui ser diretor na sede, fui presidente da Gaspetro,  depois fui ser presidente da Petrobras Distribuidora. Em 2006 pedi demissão, tinha três convites e acabei indo trabalhar com o Eike (Batista). Fui presidente da MMX, OGX, da OSX, abri capital dessas três empresas. Trabalhei feito um mouro, meu apelido na Petrobras era seven eleven, eu chegava às 7h e só ia embora às 11h da noite, sempre trabalhei muito. Eu durmo 4 horas, 4h e meia por noite há 40 anos.. Trabalho pra caramba, graças a Deus, consegui comprar minha independência. Hoje sou sócio-controlador das duas empresas aonde eu trabalho (Maré Investimentos e Ouro Preto Óleo e Gás), sou dono do meu nariz, eu escolho o que eu quero pra minha vida, ganhei minha independência. 

Eu acho engraçado alguém perguntar isso pra mim como você tem o Lomba (Ricardo Lomba, candidato na chapa montada por Bandeira de Mello), que é funcionário público que tem horário pra cumprir. As pessoas estão preocupados comigo, que sou dono da minha vida, do meu dinheiro, já ganhei dinheiro pra mim, pros meus filhos, para os meus netos. 

 

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Por três anos, Santos pagou R$ 451 mil em passagens e hospedagem para empresário de atletas

Gabriela Moreira
Gabriela Moreira, repórter do ESPN.com.br

As relações do Santos com empresários foi além do pagamento de comissões e honorários pelas intermediações de atletas na última gestão. De acordo com auditoria feita no setor de viagens do clube, agentes viajavam com passagens aéreas e hospedagens pagas com o dinheiro do clube. Em levantamento que o blog teve acesso, somente um dos empresários, Antônio Carlos Martins, conhecido como Luiz Taveira, teve suas despesas pagas em viagens para lugares como: Doha, Assunção, Paris, Buenos Aires, Medellin, Malaga, Frankfurt, Hamburgo, Madri, Milão, Lille, Lisboa, Barcelona, Roma, Mônaco, Barranquilla, Bogotá, Wolfsburg, Hannover, além de diversas localidades no Brasil. 

Ao todo, são 140 itens discriminados como despesas de viagens do empresário realizadas entre setembro de 2015 e novembro de 2017, num custo total de R$ 451 mil. Em resposta à reportagem, Taveira disse que o Conselho Fiscal e o departamento jurídico do clube avalizaram todas as viagens e que não há irregularidade no procedimento. Ele não quis dar mais explicações, como qual o motivo dessas viagens.  

Agente teve despesas de viagem paga pelo clube durante três anos
Agente teve despesas de viagem paga pelo clube durante três anos GazetaPress

Entre as viagens, algumas chamam atenção pelo alto valor, como as passagens de ida e volta para Doha, no Catar, que custou R$ 37.908,32. De acordo com a contabilidade, o agente viajou "para tratar de assuntos do clube", sendo a despesa registrada no dia 7 de maio de 2016. Para a Alemanha, viagem realizada entre os dias 7 e 14 de dezembro do mesmo ano, o custo foi de R$ 17.041,33. 

Em agosto do ano passado, o agente viajou algumas vezes para acompanhar o então presidente, Modesto Roma Júnior. São quatro movimentos registrados ao custo total de mais de R$ 31 mil. Nos relatórios da auditoria, não há o detalhamento dos motivos da viagem, apenas a inscrição "acompanhar presidente em reuniões"  ou "acompanhar o presidente em viagens".

Atletas

Em outra parte da auditoria, esta feita no departamento financeiro, só a empresa R.W.M Martins Assessoria Esportiva, registrada em nome de uma das filhas do empresário recebeu pagamento direto de R$ 4.494.531,00. O valor seria remuneração, de acordo com o relatório, pela negociação de nove atletas:  Fabian Noguera, Emiliano Vecchio, Jonathan Coppete, Ronaldo Medeiros (Elenko Sports), Matheus Ribeiro, Emerson Palmieri (Elenko), Bruno Henrique, Cléber Reis (Elenko) e Kayke. 

Destas transações, as que renderam maior comissão à empresa, de acordo com a auditoria, foram as negociações por Bruno Henrique (atacante) e Cléber Reis, atualmente no Paraná. Pelos dois, a empresa administrada pelo filho de Taveira recebeu cerca de R$ 2,5 milhões.

Feita pela GF Brasil - empresa com sede em São Paulo - a auditoria está sendo finalizada e será encaminhada aos conselhos fiscal, administrativo e deliberativo do Santos. 

Eleições 

Em inquérito que está em apuração no 2º Distrito de Santos Taveira é citado como um dos participantes do boom de sócios inscritos na data limite para votar nas eleições realizadas em dezembro. Apontada como uma manobra eleitoral para favorecer o então presidente, Modesto Roma Júnior, a ação foi revelada por matérias da ESPN em dezembro do ano passado. 

Como consequência das denúncias, os cerca de 2 mil votos cujas inscrições foram consideradas suspeitas foram separados numa única urna, a de número 10, que acabou tendo alto índice de abstenção. Dessa forma, Modesto acabou derrotado.  

Atualmente, Taveira integra a oposição ao atual presidente, José Carlos Peres. Em grupos de mensagens por telefone, o empresário é entusiasta do impeachment do dirigente. Entre os motivos dos pedidos de impeachment está a revelação (feita pelo blog do jornalista Ricardo Perrone) de que o dirigente é um do sócios das empresas Saga Talent e Peres Sports & Marketing, empresa que gerencia carreira de atletas. 

Em sua defesa ao conselho do Deliberativo do clube, Peres explicou que a empresa foi formada em 2005, por ele e outros santistas, mas que se encontrava inativa desde 2014. Ele afirmou ainda que no dia 2 de janeiro deste ano a empresa foi dissolvida. Peres assumiu a presidência do clube em dezembro do ano passado. 

Modesto Roma Júnior não vem respondendo aos questionamentos da reportagem. 

 

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Por três anos, Santos pagou R$ 451 mil em passagens e hospedagem para empresário de atletas

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