18 anos

Fernando Meligeni
Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
Ricardo Acioly, André Sá, Gustavo Kuerten, Fernando Meligeni e Jaime Ongins junto com a Copa Davis
Ricardo Acioly, André Sá, Gustavo Kuerten, Fernando Meligeni e Jaime Ongins junto com a Copa Davis Getty

Na vida é um marco completar 18 anos. 

Neste caso aqui é apenas uma data. Uma data importante e gostosa de lembrar. 

O que seria a vida sem lembranças. 

Ainda lembro da sensação de entrar em quadra. Medo, pânico, bastante assustado por ter que decidir na frente de mais de 6000 pessoas na arquibancada sem falar na frente da televisão. Começo de jogo turbulento e meio perdido. Pessoas te olhando com desconfiança. Frases duras da arquibancada. Ele vai perder. Não podemos confiar em um argentino que representa o país, ele é fraco. 

Pessoas começaram a ir embora. 

Meio estádio ficou.

A volta por cima veio de dentro. Do encontro da garra com o foco e a inteligência emocional. 

Olhei na cara de cada um dos que ficaram e pensei: vocês ficaram? Joguem comigo. 

No final deu certo. 3 sets a 1 e Brasil na semi da Davis. 

Lembranças. Quem não tem, não sabe quem é. Quem não conta, não vive. Quem vive somente delas, é apenas um sonhador

09/04/2000 Brasil 3/2 Eslováquia 

Eu fiz parte desse time.

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A dura missão de voltar a ser grande

Fernando Meligeni
Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br

Novak Djokovic durante a derrota para Kyle Edmund em Madri
Novak Djokovic durante a derrota para Kyle Edmund em Madri Getty

Tenista profissional e provavelmente todos os trabalhadores do mundo são movidos a resultado, dedicação, amor e confiança.

Quando estamos ganhando nem percebemos o difícil que é uma tarefa. Simplesmente nos concentramos e realizamos nosso objetivo. Jogamos no automático.

Novak Djokovic fez isso por anos. Entrava em quadra, apertava o automático e passava por cima de todos os adversários. Sua confiança impressionava, sua velocidade de pernas mais ainda. Infelizmente isso mudou. Hoje ele não consegue mais passar por cima de ninguém. Está lento e duvida o tempo todo de suas jogadas.

Ontem em mais uma apresentação abaixo da média, Djokovic perdeu e nem de perto foi o temido sérvio que todos conhecemos. Falta de treino? Falta de motivação? Falta de ambição?

Não.

Simplesmente falta a confiança nos momentos importantes. Agora ele pensa muito. Não joga no automático. Pensando demais nessa hora. Comete erros.

A busca pela confiança é das mais complicadas. Por ela precisamos trabalhar mais, focar nos detalhes, ser muito forte mentalmente e nunca esquecer o que já fizemos no passado. Nossa história é nossa maior companheira nesses momentos difíceis.

Novak Djokovic vai voltar a jogar seu melhor tênis. Mas antes disso ele nos dá uma importante lição. Não importa o quanto você é espetacular. Cuide do seu momento. Ele pode acabar com um simples erro. Uma simples decisão equivocada

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Aos mestres, com carinho

Fernando Meligeni
Lugar sagrado: a quadra de tênis
Lugar sagrado: a quadra de tênis Getty Images

Quando se entra pela primeira vez numa quadra de tênis, um filme passa pela sua cabeça: um esporte difícil, uma possível carreira de sucesso, viagens a lugares incríveis, conhecer culturas e pessoas diferentes, ficar famoso.

Com o tempo, vamos conhecendo o esporte, e o professor tem a função de lhe mostrar as coisas boas e ruins que podem acontecer nessa linda jornada.

 Como em qualquer atividade, você se depara com professores bons, ruins, normais ou tem a sorte de conhecer orientadores diferenciados.

Ter a sorte de encontrar um desses professores fora da curva te faz olhar o esporte e a vida de uma maneira bem diferente. Quanto entrei pela primeira vez para uma aula numa quadra de tênis, assim que vi meu professor, me senti acolhido.

 Lembro como se fosse hoje.

Ele foi até a porta, pegou na minha mão e disse: “Seja bem-vindo, Fernando. Aqui é um lugar sagrado, a quadra de tênis. Aqui você sempre terá alegrias e tristezas, mas, acima de tudo, você terá aprendizados. Aqui pedimos apenas uma coisa: alegria, respeito e dedicação”.

Eu tinha oito anos, e ele 18. 

Seu sorriso, sua energia e sua preocupação eram marcantes, inesquecíveis. Em poucos minutos, me apaixonei pelo esporte através do grande professor que meus pais tinham escolhido para mim. Fiquei uma hora em quadra. Ao sair, não via a hora de voltar.

Aprendi todos os fundamentos, mas muito mais do que golpes de direita e esquerda, saques e voleios, aprendi a ser gente.

Ele, sem eu perceber, me ensinou valores, me mostrou que somos todos iguais, que não existe diferença entre A ou B, cores, religiões, ideias. Em poucos meses, o incrível José Flávio Nunes virou meu segundo pai. Pegava-me na saída da escola, jogava comigo, me colocava para enfrentar adversários com mais de 50, 60 anos de diferença, me levava para o refeitório dos funcionários, me apresentava a meus amigos inseparáveis, os pegadores de bola, me levava para conhecer a casa humilde que habitava.

O Nunes, com a autorização dos meus pais, me fez virar atleta, criança e gente.

O tempo passou e fico pensando o quanto ele foi importante. Ele me ensinou a lutar em cada vitória.

Lembro também como se fosse hoje ele jogando com cãibras na Quadra 1 do clube e lutando até o último ponto de um torneio qualquer. Saiu derrotado e com olhos marejados.

Logo depois, disse: “Podia morrer na quadra, mas não entregaria o jogo nunca. Sei que sou o espelho das crianças e eles precisavam me ver cair de pé.”

Hoje, sou grato. 

Tenho orgulho de dizer que meu primeiro professor mudou minha vida.  Que ele tem uma parcela gigante nas minhas conquistas e na pessoa que sou.

Que todos um dia possam ter a sorte de ter um professor Nunes em suas vidas.

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Geração "Tudo Bem": ganhar ou perder é igual

Fernando Meligeni
Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br

Djokovic com sua raquete quebrada em confronto com Dolgopolov
Djokovic com sua raquete quebrada em confronto com Dolgopolov Clive Brunskill/Getty Images

Ao decidir ser um atleta de performance ou um executivo bem-sucedido, deixamos muitas coisas de lado para alcançar o objetivo. Para chegar tivemos treinos duríssimos, estudos intermináveis, abdicamos de muitas coisas, dormimos pouco, comemos correndo e ao não conseguir o objetivo apenas dizemos. Não deu? Valeu a experiência? Nãoooooooooooooooo.

Pode parecer maluco o que vou dizer, mas acredito que os mais experientes precisam ter tolerância zero com essa geração. Sim, o mundo está mudando, mas não podemos deixar que nossos jovens percam o brilho nos olhos. Percam a fome por vitória. Não lutem. Simplesmente esperem a próxima chance.

No meu caso já comecei minha linha tolerância zero. Sempre com saídas, com direcionamentos, mas tocando na ferida e falando o que penso.

Para alcançar coisas grandes precisamos pensar grande, trabalhar muito, mas acima de tudo. Não aceitar nunca e ser um pouco ou muito inconformado. Sem isso não saímos do lugar.

Sou do tempo que a derrota doía demais. Que perder era fracassar. Ser derrotado tirava o sono.

Ao ver um atleta perdendo víamos uma pessoa buscando saídas, tentando alternativas e se dedicando ainda mais em cada ponto ou dificuldade.

Ao conversar com empresários, técnicos, professores todos falam que a geração aceita fácil o revés, se contenta com pouco ou simplesmente não se mata pelo objetivo. Na primeira grande dificuldade abaixam os ombros e percebem que hoje não vai ser o dia.

Muitas teses são colocadas à mesa. A facilidade que obtém informação. A educação, ou pouco tempo para educar dos pais. A geração "Reset"...

O que mais chama a atenção é que escutamos de todos os segmentos e vejo que as pessoas aceitam com naturalidade essa mudança de comportamento dos jovens.

Hoje assistindo ao jogo do Nadal contra o Thiem, o melhor do mundo contra outro top 10 vi um jogador focado e com fogo nos olhos, outro perdendo e em nenhum momento mostrando resiliência, saídas, mudando a tática, mostrando ao adversário que queria encontrar uma maneira. Resultado 6/0 6/2 e em nenhum momento vimos ATITUDE.

Quando falo com um tenista ou leio que "joguei bem, mas não deu" ou "hoje não era meu dia", ou "serviu de experiência". Admito que fico revoltado. A maneira que as pessoas aceitam a derrota, ou o fracasso me deixa maluco. Como assim tudo bem?

Onde está seu brio, sua garra, seu amor próprio?

Alguém que quer vencer na vida não pode aceitar perder com naturalidade em nada. Isso não quer dizer que vamos ser mal-educados ou não vamos reconhecer a superioridade do adversário. Mas a linha entre aceitar e encontrar alternativas é muito grande.

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A arte de fazer o simples

Fernando Meligeni
Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
Djokovic em ação durante o torneio de Wimbledon
Djokovic em ação durante o torneio de Wimbledon GLYN KIRK/AFP/GETTY

Em tempos de exposição midiática e exibicionismo, muitas vezes fazer o simples parece ultrapassado, demodê ou até no jargão esportivo jogar para não perder. Mas será que é isso mesmo?

O atleta tem várias facetas e a mais espetacular é a competência para analisar seu momento. Ao falar com um atleta muitas vezes impressiona sua auto análise, sua verdade e sua busca pela evolução.

Ao ver o Novak Djokovic voltar para o seu técnico Marian Vadja, que o colocou no patamar de melhor do mundo depois de treinadores badaladíssimos - como Becker e Agassi -, a pergunta veio à tona: será que voltar às origens no meio da crise ajuda? Será que não seria mais adequado ele contratar mais um figurão? Não será que o Vadja já passou tudo que tinha pra passar?

Vejo uma decisão muito interessante. Quando vamos crescendo no nosso negócio e no tênis não é diferente (para mim é uma empresa, um negócio é uma curtição) precisamos lembrar nossas origens, o que deu certo, o que nos fazia bem quando estávamos no auge. O Djokovic fez exatamente isso. Nos seus melhores momentos era rápido, forte mentalmente, tinha sangue nos olhos e não entregava um ponto. De um tempo pra cá, ele perdeu isso.

Ao invés disso, sua relação com o Agassi foi mais midiática que "tenistica". Seus treinos mais conversados e discutidos que eficientes. De ser o protagonista da relação virou o jogador treinado pelo Agassi. Em poucas palavras, o protagonismo mudou de lado e tirou a pouca confiança que ele ainda tinha. Contratou mal.

Muitos acham que dar um passo atrás é perder espaço. No tênis não é.

Mais uma vez o sérvio nos dá uma aula de humildade. Nos últimos anos ele vem tendo problemas físicos e pessoais. Não consegue focar apenas na profissão, no dia a dia do tênis. Percebeu seus erros e por isso fez a mudança radical.

A pergunta agora vem se ele vai conseguir ser o mesmo jogador do passado. Infelizmente essa resposta nem eu nem o Vadja vamos conseguir dar. Essa só ele mesmo com sua dedicação diária e sua fome.

Muitas vezes fazer o simples e aceitar seu erro te traz outra vez para o caminho da vitória.

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Que tamanho tem o tênis do Brasil?

Fernando Meligeni
Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
Thiago Monteiro durante jogo pela Copa Davis na Colômbia
Thiago Monteiro durante jogo pela Copa Davis na Colômbia EFE

Meu pai me dizia: "Quer ser alguém na vida? Saiba qual é seu tamanho. Seu nível. Sua importância".

Ao assistir o confronto da Davis, me veio a pergunta do meu pai. 

Nosso país é engraçado: vivemos do passado. Achamos que somos o que éramos e muitas vezes somos pequenos com a empáfia de um número 1 do mundo.

No futebol somos campeões do mundo do passado e achamos que continuamos sendo os melhores. Tomamos 7 na cabeça e nossa máscara não cai. Temos um torneio péssimo, times mal dirigidos, sistemas antigos, mas somos o país do futebol. O futebol do faz de conta.  

No tênis, a mesma coisa. Qualquer crítica, lembram do Guga. Como se alguém tivesse feito algo. Aí falam que temos o número 1 do mundo de duplas que pouca gente ou ninguém dá a mínima.

Mas alguém critica (normalmente eu) e todos ficam de cara. Bravos. Como se fossemos a Espanha. Quando perdemos de uma Colômbia na Davis sem nenhum jogador entre os 200 do mundo, todo mundo tem que achar normal. Quando nossos jogadores não jogam a Davis para pensar na carreira. É normal. E nosso tênis? Ah, e ninguém pode criticar. Ou é do contra.

Fui crítico por 10 anos e disse que a gestão era pífia e que nosso esporte estava à deriva. Eu era linchado. Jogadores ficaram bravos, técnicos viraram a cara. Eu estava errado? Tivemos os piores dez anos do tênis. Sabem por quê? Porque tivemos dinheiro, ídolos, boa safra, e nossos dirigentes eram autoritários. Eram do time ou deste lado ou do outro.

A derrota veio com luta, com atitude. Mas o tênis brasileiro está ruim. É só olhar que não temos nenhum jogador entre os 100, dois entre os 200 e poucos entre os 400 do mundo. 

Na boa. Não estamos bem. Não podemos dizer que o tênis brasileiro melhorou. 

Doa a quem doer. Nosso esporte sangra. E se não se encontrar a cura. Ele morre.

Hoje vou dormir triste, decepcionado. Vivo do tênis. Amo o tênis e vejo que nosso tênis está ruim. Que nossos jogadores não jogam a Davis e que precisamos decidir quem somos. 

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Por que muitos dos nossos jogadores estão treinando fora do país?

Fernando Meligeni
Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br

O post de hoje não é crítico, na verdade ele é muito mais uma pergunta ou um chamado ao debate.

Venho percebendo que muitos ou uma boa maioria dos nossos melhores tenistas ou estão se mudando para outros países ou estão contratando técnicos estrangeiros. Cada um com sua filosofia ou motivo, mas fica claro que as coisas mudaram - e isso tem algum significado.

Antes do debate, queria deixar aqui minha opinião. Técnico não tem nacionalidade. Técnico ou é bom para o jogador ou não é. O que muda muito é a maneira de trabalhar, de se dedicar, a estrutura e principalmente o engajamento. Mas tanto aqui quanto fora achamos bons nomes. Outro ponto importante é encontrar o motivo dos nossos jogadores estarem saindo do país.

Rapidamente cito 10 ou mais nomes fora do país ou treinando com estrangeiros.

Bruno Soares, Marcelo Melo, Guilherme Clezar, Thiago Monteiro e o capitão do Brasil na Davis, João Zwetsch
Bruno Soares, Marcelo Melo, Guilherme Clezar, Thiago Monteiro e o capitão do Brasil na Davis, João Zwetsch Getty

Fora do país, lembro aqui Thomaz Bellucci, que acaba de ir morar nos Estados Unidos (IMG) e treina com o André Sá; Feijão, que acaba de se mudar para os Estados Unidos; Laura Pigossi mora na Espanha há anos; Carol Meligeni mora e treina na Argentina; Orlando e Felipe Meligeni foram para a Espanha em convênio com a CBT e a BTT; Teliana Pereira foi fazer a pré-temporada na Espanha; João Menezes mora e treina na Espanha na academia do Galo Blanco; Luisa Stefani, que voltou para a universidade.

Além deles, Rogerinho Dutra Silva e Bia Haddad viajam com treinadores estrangeiros.

Quando olhamos nosso tênis, percebemos que o número de jogadores é grande nessa condição. Mais ainda pensando que estamos falando dos melhores do país.

Será que temos respostas para isso?

Do outro lado, temos Bruno Soares, Marcelo Melo, Marcelo Demoliner e Thiago Monteiro treinando aqui no Brasil com treinadores brasileiros que viajam o circuito.

Lembro quando Thomaz Bellucci declarou que não tínhamos treinadores no Brasil: a fala caiu como uma bomba, e muitos - inclusive eu - criticamos a postura dele. Anos se passaram e pergunto: ele estava tão errado assim? Não digo que não tenhamos grandes técnicos e pessoas que sabem muito de tênis. Mas a cada ano vejo o número de técnicos disponíveis no circuito e viajando 30 semanas diminuir. Hoje é difícil encontrar um nome que queira deixar tudo aqui e acompanhar um tenista.

Na sua grande maioria, os técnicos brasileiros - além de jogadores - têm academias ou outras opções. Como o jogador brasileiro não consegue pagar um dinheiro suficiente para a tranquilidade do técnico, essa escolha fica ainda mais difícil. Aí vem o problema. Poucos se aventuram no circuito e os que já viajaram muito duvidam se é a melhor opção.

Outro ponto a ser pensado. Nossos melhores ex-jogadores não estão no meio e no dia a dia da quadra. Jaime Oncins mora e trabalha nos Estados Unidos. Guga não está na quadra. Eu não estou na quadra, Saretta não está na quadra. Mattar, Mota... Muitos que podiam ajudar tem hoje outras prioridades.

Aí pergunto a vocês: a falta dos técnicos no circuito e no dia a dia reflete no nível dos nossos jogadores? Deixo aqui duas culturas, Espanha e Argentina. Vemos grandes nomes do tênis no circuito. Na Espanha vemos Bruguera, Roig, Moya, Galo Blanco, Vicente, Clavet, Ferrero, entre outros. Na Argentina Chela, Orsanic, Coria, Mancini e muitos nomes que talvez muitos não conheçam, mas que jogaram um belo tênis e acompanham muitos jogadores.

Por último, pergunto: lá fora se treina melhor do que aqui no Brasil?

O que leva um tenista a mudar de país ou treinar com um estrangeiro?

1) menos jogadores por quadra;

2) mais jogadores para treinar e conviver;

3) maior facilidade em locomoção e com isso o jogador ao perder volta e treina mais;

4) maior presença do treinador;

5) os treinadores gostam mais de estar na estrada;

6) mais troca entre treinadores;

7) mais troca entre ex-jogadores e técnicos;

8) ao estar longe, os meninos percebem que o esporte é profissão.

Vocês concordam comigo?

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O segredo da longevidade no alto rendimento

Fernando Meligeni
Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br

Roger Federer, em partida do ATP Finals
Roger Federer, em partida do ATP Finals ESPN

Ao assistir o Roger Federer todos nós nos perguntamos quais são as características indispensáveis para ter um rendimento tão espetacular com 36 anos e conseguir enfrentar jogadores incríveis coma metade de sua idade

Atletas de alto rendimento levam seus corpos ao limite o ano todo com treinos, viagens, pressão e pouco ou nada de descanso. Então qual é a fórmula?

Acredito que na grande maioria dos casos o amor pelo que se faz passa por cima de muitas dificuldades. A vida regrada faz com que possamos tirar o melhor do nosso dia a dia. O objetivo claro ajuda a ter força e resiliência.

No caso do Federer seu amor pelo esporte transcende o bater na boa. Ele internamente no circuito luta pelos outros tenistas, aconselha jogadores jovens arrasados com as derrotas e tem claro sua importância com os diretores de torneios e principalmente com os fãs do esporte.

Sempre escutei que um atleta ou empresário completo não é aquele que alcança grandes resultados. O resultado vem e vai. Um dia você está na crista da onde é no outro você está em baixa. O que mantém um cara no topo é seu engajamento total com a causa. Dentro e fora da quadra você tem que ser diferente e contundente. Difícil? Sim. Por isso existem tão poucos diferenciados. Por isso existe apenas um Roger Federer.

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Carta aos pais e jovens tenistas. É preciso parar de estudar para ser um tenista?

Fernando Meligeni
Torneio juvenil de Wimbledon
Torneio juvenil de Wimbledon Getty Images

Depois que escrevi meu último texto falando das diferenças entre jogar tênis e ser tenista, recebi algumas mensagens interessantes e preocupantes. Não é de hoje que sei que minhas falas repercutem e fazem país e jovens discutirem em casa. Técnicos e famílias debatem alguns assuntos que coloco aqui. Por um lado fico muito feliz, mas não fujo da responsabilidade que isso traz. Tenho que ser muito claro em alguns assuntos. Por isso decidi escrever mais uma vez sobre estudos.

Muitos de vocês devem saber que eu parei de estudar muito cedo. Meus pais me mandaram para Argentina, para treinar, assim que terminei a oitava série e nunca mais voltei a escola. Em uma decisão extremamente perigosa eles acreditaram no meu sonho e na minha vontade de ser tenista.

Mas será que foi uma decisão certa? Hoje eu tenho dúvidas. Para mim foi, mas a chance de dar certo é muito pequena para as possíveis consequências.

Falado isso, vamos aos fatos.

Eu acredito e vejo que temos muitos pais fazendo os meninos pararem de estudar com 12, 13 ou 14 anos. Na sua grande maioria, com o discurso que o menino ou menina vai ter mais tempo para treinar e se dedicar ao esporte. Faço aqui a primeira pergunta.

Será que esse menino treina todo esse tempo bem? Será que ele precisa de 6 horas diárias de treinos intensivos? Ele aguenta esse tranco?

Quando falo que ser tenista é abdicar de coisas, trabalhar duro, pensar em tênis e ser comprometido, na verdade pode até ser exatamente o contrário de parar de estudar. Na minha visão se o menino conseguir treinar com excelência por duas horas e meia e mais uma boa parte física todos os dias, ele está no caminho certo para se tornar um tenista. O problema é que, com 14 anos, nossos tenistas treinam entre 45 minutos e 1 hora bem treinada e com intensidade. O resto é preenchimento de horário. Poucos ou quase nenhum tenista juvenil no Brasil consegue treinar por 4 horas e que esse tempo tenha valido a pena. Então: pra que parar de estudar se eles não treinam o tempo que precisa?

Outro ponto a ser considerado. Vocês imaginam a pressão que se coloca em um garotão que parou de estudar tão cedo para ser algo na vida? É como dizer que ele não tem plano B na carreira. Ou é tenista ou vai ficar atrasado em relação ao mundo. Acredito que essa pressão é muito grande e desleal ao seu filho com a pouca idade que ele tem.   

Mais um ponto importante. O estudo te traz inteligência, informação, abre sua cabeça. Tenista fica muito alienado dentro de uma quadra. Quantos dos meninos dessa idade hoje ficam 70% do tempo no celular mandando mensagem e papeando com amigos durante o dia. Vocês não acham que colocar mais tarefas no dia vai fazer do seu filho mais inteligente? Mais capaz? Sem falar na alternativa se ir para um tênis universitário se ele perceber que o profissionalismo está longe para ele.

Mesmo quando treinamos duro, temos muitas horas livres. Não vejo motivo para profissionalizar um menino com essa idade. Acredito que não se pode queimar etapas e precisamos puxar ao máximo o treino, a física, o estudo e mostrar ao garoto que a vida dentro ou fora das quadras é dura e competitiva.

Por último queria deixar claro que este é um esporte para poucos. Não o subestimem achando que simplesmente porque seu filho ganha um torneio estadual ou brasileiro que ele vai ser um Federer ou um top 100. Ele terá que entender que o esporte é igual a uma escola. Começamos no pré, vamos para a primeira série, depois pro ginásio, pro colegial, pro vestibular, pra faculdade e depois o trabalho. No tênis é exatamente igual. Com 13, 14 anos não existem fenômenos ou futuros campeões. Existem meninos que jogam juvenil. Vão pra o 16, pro 18 e depois vão começar a jogar profissional. Aí começa a verdadeira vida do tenista. 

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Seu filho joga tênis ou é um tenista?

Fernando Meligeni
Fernando Meligeni

Em pouco mais de um mês tivemos no Brasil um Atp 500 no Rio, um Atp 250 em São Paulo, dois 25.000 femininos em Curitiba e São Paulo e mais dois 15.000 das meninas em Campinas, e esta semana em São José dos Campos. 

Além da chance de ganhar pontos, nossos tenistas tiveram uma oportunidade gigantesca de assistir a poucos metros como se preparam, como vivem, o profissionalismo e o dia da dia dessas feras.

Thiem, Carreno Busta, Cilic, Monfils, Cuevas... Tantos nomes entre os 10, 20 ou 50 melhores no nosso esporte bem na nossa frente.

A rotina de um grande campeão é viver para o esporte. Tenho discutido bastante com nossos meninos no bate bola que um dos grandes problemas no tênis brasileiro é a falta de comprometimento e entrega da nossa molecada. A dificuldade em deixar uma festinha, um jantar romântico, um aniversario me dá a clara ideia de quanto esse menino ou menina quer jogar tênis de verdade. 

Sei que muitos não gostam das minhas duras análises e dedos na ferida, mas ao assistir a atitude da molecada, fico pensando se eles realmente acham que vão chegar dividindo sua atenção com tantos fatores extra quadra. Com tantas coisas saborosas que nos tiram do foco principal. A outra pergunta é se eles querem pagar esse preço.

Há algum tempo atrás eu achava que a falta de informação era o problema; hoje percebo que não é bem assim. Acho que falta ter consciência que ser tenista é uma profissão. Sim. Para mim sempre foi exatamente igual ser tenista ou médico ou engenheiro ou jornalista. Você tem que estudar, acordar cedo, trabalhar duro, abdicar de coisas maravilhosas por um ideal, por um trabalho.

Quer saber se seu filho é tenista? Perceba se ele fala mais de tênis ou coisas extra quadra, de treino ou de possível balada. Olhe se ele, na hora livre, pensa em algo alternativo para ajudar sua evolução como atleta ou se deita e fica no celular batendo papo com amigos e amigas.

Jogar tênis todos podem jogar. Você que me está lendo joga tênis. Ser tenista é bem diferente. Ser tenista requer voltar cansado, fedido e sujo todos os dias. Treinar sábado e apenas descansar no domingo (se não tiver torneio).

Por último um conselho ao pai e mãe do menino que está me lendo. Não atormente seu filho com resultados. Enfie o dedo na ferida no comprometimento, na dedicação, nas prioridades. Se ele tiver essas três palavras claras os resultados aparecem sozinhos.

Comprometimento: ser profissional, chegar na hora do treino, aquecer, alongar, lutar pelos seus sonhos.

Dedicação: dar a vida pela chance que estão tendo. Treinar duro todos os dias. Ver jogos na internet e na tv. Debater sobre tênis. Dormir cedo, comer bem.

Prioridades: na duvida entre qualquer coisa e o tênis. O tênis ganha. Mas tem uma festa legal e eu jogo amanhã. Vou voltar cedo. NÃO. VOCÊ VAI DORMIR PORQUE O TÊNIS É SUA PROFISSÃO. Vou treinar ou assistir o jogo da minha namorada? Treinar. 

Ah, mas assim é muito chato jogar tênis. Sim, é chato e sacrificante. Mas vale muito a pena. 

Depois disso eu te pergunto menino e menina juvenil. Você joga tênis ou é tenista? 

Eu também te pergunto pai de tenista. Seu filho joga tênis ou é um futuro tenista?

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Carta aberta: respeito

Fernando Meligeni
Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br

Pensei muito se devia ou não escrever esta carta aberta. Ao escrever, um monte de gente vai me odiar, muitos vão ficar bravos. Mas, vendo o que vem acontecendo com nosso esporte e seus resultados, prefiro a ira de alguns do que dar as costas e ser mais um que vive do sistema do faz de conta, ou que vê e não tem coragem de encarar.

A palavra respeito no tênis me foi ensinada no primeiro dia que entrei em uma quadra. José Flávio Nunes me disse. Respeite este esporte sagrado, respeite seus adversários e respeite a história do esporte.

Todos devem saber que venho batendo bola com a molecada. Hoje foi o dia mais triste que vivi desde que começou. Se entro aqui para bater palma, falar das coisas lindas que venho vivendo, entro também para mostrar o lado ruim. Foi pedido que eu abrisse um horário para jogar com um grupo de meninos que jogam muito bem. Dos melhores meninos que temos no Brasil. Pedido pesado. Marquei hoje às 14:00h, desmarquei reuniões, me compliquei com meus filhos e minha esposa para estar lá na hora certa. Eu fui. Alguém mais foi? Alguém me avisou? Um contratempo, um erro de comunicação, um lapso... Não importa. Ninguém foi, ninguém ligou. Culpa dos meninos? Não. Nem um pouco. Eles estavam jogando. Culpa dos técnicos.

Quando faço uma entrevista e digo que nosso tênis está atrasado, que precisamos evoluir, tomei porrada de todo lado da classe de treinadores de tênis. Quando fui ao encontro nacional da CBT, em dezembro, muitos me olharam com a cara torta e fizeram comentários como: 'já que ele é tão bom, que pegue a meninada toda'. Quando se critica, a primeira reação é achar que eu sou do contra, que quero sacanear, que tenho algum interesse. Aqui valem algumas ressalvas. Primeiro: não quero ser capitão da Davis.  Segundo: não quero um cago político. Terceiro: não me preocupo se ajudam ou não os meus sobrinhos. Quarto: não falo para me promover. Então, por que você fala, Fino? Porque eu amo o meu esporte. Eu vivo dele e ele é meu sustento.

Hoje, saindo da quadra, percebi uma coisa muito triste. Será que nossos técnicos realmente respeitam nossa história? Será que eles acham que podemos de alguma maneira ajudar? Tenho minhas dúvidas. Quantas vezes esses técnicos que hoje têm bons jogadores na mão me ligaram, ligaram para o Guga, para o Saretta, para o Jaime, para o Koch, Kiki, para o Ricardinho e trocaram informações? A sensação que tenho é que, no nosso país, as pessoas (técnicos) acham que fomos 1, 25, 34 ou top 50 porque nos deram os pontos. No fundo, não sabemos nada. Pergunto. Quem sabe são vocês?

Duro? Sim. Muito duro. Mas o tênis brasileiro tem história e nós fazemos parte dela, e está na hora de começar a respeitar a história de TODOS. Como queremos que nossos tenistas tenham engajamento, brilho nos olhos, se os técnicos deles não respeitam a história do nosso tênis?

Eu teria dado o que fosse para poder conversar com um ex-25 do mundo. Eu paro tudo que posso quando estou conversando com o Guga (como estive na piscina e nos cafés da manhã no Rio Open). Cada frase do Thomaz Koch e história me alimenta, cada segundo com o Kiki é uma aula de tênis e de vida. Aí eu pergunto.

Vivemos a era dos técnicos que sabem tudo. Mas os resultados estão aí é não enganam quem entende do esporte. Vocês também são responsáveis. Venho falando em troca, em debate, em união. Um dia teremos que fazer isso ou quem sabe resetar e fazer uma grande limpa.

Abraço a todos.

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Mesmo com estrelas sem 'brilho nos olhos', torneios no Brasil deixaram bom resultado

Fernando Meligeni
Fernando Meligeni

Gael Monfils foi um dos convidados que participaram do Brasil Open
Gael Monfils foi um dos convidados que participaram do Brasil Open Gazeta Press

Nestas últimas duas semanas tivemos os dois maiores torneios de tênis do país. O Rio Open e o Brasil Open fizeram a sua maneira seus torneios e conseguiram um bom resultado.

Aqui não vou entrar no mérito da comparação até porque são torneios de níveis diferentes e com orçamento desigual.

O que mais chamou a atenção foi a tentativa de trazer bons nomes, tenistas carismáticos e com bom nível de tênis. Os dois tentaram mas suas grandes estrelas deixaram a desejar. No Rio Cilic, Thiem e Carreno Busta estiveram bem abaixo do seu nível. Culpa da organização? Não. Nem um pouco. Junto a um polpudo cheque trataram as estrelas com muitas regalias, respeito e sempre prontos a atender. O Rio mesmo em um momento difícil deu todos as condições para que os jogadores fizessem o seu melhor. Infelizmente não o fizeram. Difícil dizer o motivo, mas como jogador não gostei da apresentação deles. Faltou aquele brilho nos olhos.

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Em São Paulo com menos dinheiro e concorrendo com um torneio muito querido (Acapulco), apostaram em Monfils, Cuevas e Ramos Vinolas. Cuevas e Ramos deram a vida e tentaram. Perderam mas deixaram tudo. Monfils não jogou muito nem pouco, não bagunçou nem jogou sério. Não sorriu nem tratou mal as pessoas. A verdade é que se esperava muito dele. Shows, piruetas, gargalhadas, jogadas incríveis. Não aconteceu.

Falando em torneios, o Rio continua lindo. Torço para que não saia do Jóquei. Se mudarem para a quadra dura que fique por lá. O charme, a atmosfera, a alegria se perderá indo para o centro olímpico. E entre nós. O torneio não tem nada a vez se o país, o estado e a prefeitura não sabem o que fazer com o elefante branco que construíram e demoraram anos para dar ou passar para alguém. Não é porque o Rio tem um local de tênis que o torneio tem que ser lá. O centro tem que ser usado e bem usado com um monte de ações.

Em São Paulo tivemos a mudança de local. O torneio voltou para o Ibirapuera. Se por um lado eu acho pior, não adianta ter o torneio em um clube que não abraçou o torneio como deveria. Fui dois anos lá e ficava claro que o clube não quis o torneio como vemos outros clubes ao redor do mundo. A chance de ter grandes tenistas deveria escancarar o clube e os sócios deveria aceitar ficar sem quadras, vestiário ou seja o que for. Exemplo O Real Clube de Barcelona, o clube de Monte Carlo e tantos outros. Mas claramente não aconteceu. Então sem criticas o melhor é tirar o torneio de lá. Por isso ter a autonomia mesmo que em um ginásio ultrapassado e quente foi a enjoar decisão no momento.

Para o ano que vem esperamos as definições de que tipo de quadra teremos nos torneios e onde serão jogados. De resto a certeza de dois bons torneios para assistir e uma boa chance para os nossos tenistas em quadra.

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Brasil vence na Copa Davis, mas preocupa

Fernando Meligeni
Fernando Meligeni, para o ESPN.com.br

Quando o time saiu para Santo Domingo, esperava-se um confronto simples e sem muitas complicações. Mesmo não tendo muitos dos titulares, como Bellucci, Bruno, Rogerinho ou os próximos da lista, como Clezar ou Feijâo, nosso time era muito favorito. Sempre jogar fora de casa é complicado, mas o time da República Dominicana, desfalcado do seu melhor jogador, nem de perto poderia fazer frente. Mas Davis sempre é tenso.

Quando o Thiago, no segundo jogo, perdeu seu primeiro set depois de estar passeando em quadra por 5/2, uma luz no fim do túnel apareceu ao time adversário. Cid ganhou o primeiro set e começou a acreditar que poderia complicar o confronto. Com ele, o time inteiro veio. Por pouco. Muito pouco, o que era improvável aconteceu.

No final, foi um drama. João Pedro Sorgi foi grande e teve muita coragem e personalidade para vencer um jogo tenso e que em momentos parecia ter ido embora. Antes fora dos planos por causa do ranking, entrou e segurou o rojão. A vitória pessoal dele é gigante. Estreia, vitória ou derrota na sua mão, pouca experiência. Tudo estava contra ele. Mas ele venceu na garra, na atitude e no tenis. Parabéns, Sorgi.

O 3/2 sofrido nos faz analisar por muitos lados.

1 - Gostei muito da atitude dos jogadores unidos vibrando e se ajudando. Davis é equipe.

2 - Marcelo Melo é o jogador a ser muito enaltecido. Primeiro do mundo em duplas, liderou o time, gritou, instruiu, vibrou e fez o que se espera dos mais experientes. Chamou para si a responsabilidade, ganhando seu ponto, e esteve no boxe o tempo todo.

3 - O resultado e as dispensas mostram que algo está errado. Não é acaso cinco dos nossos melhores jogadores preferirem o circuito a Davis. Isso nunca aconteceu. Não tampemos o sol com a peneira, amigos. Não foi acaso.

4 - Em pouco mais de 2 meses, temos outro confronto (Colômbia fora de casa). Teremos as mesmas justificativas, e a Davis ficaracá para segundo plano?

Parabéns ao time. Venceram, mas deixaram mais preocupações que respostas.

Que venha a Colômbia!

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Em tempos de muita turbulência no nosso país ler e assistir o Federer nos traz várias reflexões

Fernando Meligeni
Fernando Meligeni, para o ESPN.com.br
Roger Federer chorou após conquistar o Australian Open no último domingo
Roger Federer chorou após conquistar o Australian Open no último domingo Getty Images

Roger Federer é um gênio dentro e fora das quadras. Dentro dela com seu vigésimo Grand Slam ele chega a números difíceis de serem alcançados, mas para mim o que mais impressiona é Roger Federer atleta. Roger Federer pessoa. 

Quando um cara como ele pensa em jogar tênis provavelmente não imagina ser tão conhecido, tão rico ou tão relevante para um esporte. Mais que isso, no fundo ninguém quer pagar o preço de ser famoso. Ser reconhecido, julgado todos os dias, perder sua privacidade, esperarem o tempo todo que você seja generoso. Tudo isso é uma tarefa dura ou quase impossível.

 As histórias mostram que ele é até mais competente fora das quadras do que dentro. Atitudes incríveis, querido por todos, generoso e verdadeiro são algumas qualidades que ele tem.

Mas onde quero chegar ao querer comparar esse gênio ao Brasil? Percebo que ele faz seu trabalho, trabalha duro e deixa que trabalhem. Ele não se preocupa com o que vão falar. Ele faz. Ele não fica melindrado porque alguém ganha mais jogos que ele. Ele trabalha. Ele não inveja. Ele produz.

Aqui se fala demais. Se tenta destruir e criticam nem o que pouco entendem ou conhecem. Por anos ele foi colocado em duvida porque perdia do Nadal. Vocês viram ele criticar o espanhol? Viram ele responder? Não. Ele trabalhou e nos últimos anos começou a vencer e nem por isso jogou na cara. Roger Federer nos ensina todos os dias.

Enquanto ele realiza e usa palavras como. Faça, trabalhe, propague, lute. Muitos aqui pensam e usam as palavras.  Minta, destrua, inveje, critique e ache que tem azar.

Fica a dica

Boa semana a todos

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Hora de recomeçar!

Fernando Meligeni
Fernando Meligeni
Meligeni e Nardini estarão de volta para o Australian Open
Meligeni e Nardini estarão de volta para o Australian Open ESPN

Depois das férias, chegou a hora de voltar com tudo ao trabalho!

Neste domingo passado, já fiz minha primeira clínica de tênis, em Santo André, de um 2018 que promete muito.

Terça-feira cedinho (5h da manhã, de Brasília) faço meu primeiro comentário na ESPN no torneio de Sidney e a partir daí até o final do mês não paro um dia sequer.

Estamos a dias do Australian Open, que começa no próximo domingo à noite. Estarei todas as madrugadas ao lado do Fernando Nardini para mais uma maratona de jogos ao vivo. 

Todos os dias também estaremos com o "Pelas Quadra"s a partir das 21h (de Brasília) e para quem adora o programa na sexta feira faremos um "esquenta".

Nas clínicas, começamos a marcar datas, e além do Sesc, muita gente já começou a me chamar para eventos pelo Brasil. Vou a Porto Alegre na quarta-feira em um evento da Astir e estarei a semana toda no Rio Open pela Fil e pelo meu aplicativo Somos Tênis.

Falando em aplicativo, este ano promete! 

Além das viagens a Roland Garros e US Open, temos várias premiações, promoções e novidades. Em alguns dias comento sobre isso.

Mais uma informação importante: volto com toda a energia para o projeto "Jogando com o Tênis Brasileiro". 

A partir da semana que vem, volto a chamar novos juvenis. Quem se inscreveu, relaxa, pois vou fazer toda a força para chamar! Para quem ainda não se inscreveu, esta é a hora. Mande um e-mail para o batebola@trainersports.com.br

É isso, galera. Voltamos!

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App, bate bola com a molecada, transmissões, clínicas... fim de mais um ano de muito trabalho

Fernando Meligeni
Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br

Ontem, dia 30 de novembro, tive o prazer de participar do meu último evento do ano. Fui convidado pela Pátria Investimentos para um bate-papo e uma clinica. Com o evento de ontem, foram 31 no ano sem contar os eventos do meu aplicativo ou da ESPN.

Nestes 31 eventos, viajei o Brasil, fiz bate-papo, clinica, campanhas publicitarias, representei empresas. Um ano incrível de muito trabalho e novas ideias.

Fora os eventos criei o Bate-Bola com o tênis brasileiro, foram 16 dias com a molecada e mais de 40 horas de bate bola e conversa com os pais e técnicos, entrei de cabeça no meu aplicativo SET Somos tênis com a participação da Vivo, da Tim e nestes dias com a Claro entrando. Uma das maiores alegrias foi levar um ganhador a Roland Garros comigo e ver outro indo pro US Open graças ao app. Continuei divulgando e vendendo muito bem meu segundo livro "60 Dicas do Fino", sigo trabalhando como comentarista na ESPN entre outas coisas.

Agora é hora de relaxar um pouco, mas antes ainda vou dar uma passada no encontro de jogadores em Florianópolis na segunda que vem onde vou ficar um dia e meio me informando mais sobre nossa molecada e como está indo a nova gestão do tênis.

Após esse evento realmente acaba o ano pra mim. Dia 8 de dezembro renovo votos com minha linda esposa Carol Hubner, completamos 10 anos e vamos celebrar em uma festa com família e amigos. Muita emoção e alegria ter minha amada ao meu lado sempre.  Aí é hora de viajar e curtir.

Ano que vem teremos muito trabalho. Começo com o Australian Open. Os eventos começam já em janeiro, teremos um ano incrível com o app indo para vários torneios, muito mais bate bola com o tênis brasileiro e muitas novas ideias.

Queria deixar aqui meu muito obrigado às pessoas que tanto me ajudam a ter esta carreira tão maravilhosa.

Um muitíssimo obrigado ao Marcelo Ceará por ser tão parceiro e competente me ajudando a organizar, fechar, marcar e conduzir meus eventos. Maurão Menezes sócio da Mem, amigo e meu grande parceiro de eventos. Renato Messias, Josué Lima, Fabinho técnico incríveis que me acompanham nos eventos, Carlos e Gabriel Acero proprietários do meu aplicativo Somos Tenis. Todo o time da ESPN representado pelo João Palomino que ainda me aguentam na casa, Fernando Nardini meu grande parceiro nas transmissões, Henrique Farinha, dono da editora Évora, onde meu livro é tão bem tratado, galera da MEM que fazem um trabalho incrível. Odete, Harrilson, Henrique e toda a turma.

Seguimos firmes. Muitas pessoas perguntam como fazem para contatar para informações ou clinicas: clinicasdetenis@trainersports.com.br

Peço que baixem o app e conheçam o Somos Tênis. Me deem esse presente. Tenho certeza que vocês vão gostar das informações e quem quiser concorrer a grandes prêmios se cadastre dentro.

Um abraço a todos.

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A morte da mais nobre e interessante competição no tênis

Fernando Meligeni
Fernando Meligeni
Tsonga comemora a vitória na Copa Davis deste ano
Tsonga comemora a vitória na Copa Davis deste ano Getty Images

Rumores existiam desde os tempos em que eu jogava. Falava-se que a Copa Davis mudaria de formato para preservar atletas, porque era muito longa e por motivos que poucos entendiam, mas ganhava força ano a ano.

Na semana passada depois de muitas idas e vindas a Federação Internacional de Tênis decidiu a meu ver acabar com qualquer emoção na competição... 

A partir de 2018 nos grupos 1 e 2 os jogos da Davis serão realizados em dois dias, em melhor de três sets e com um jogo de duplas antes do quarto e quinto decisivo ponto. Como dizem eles, um teste para rapidamente colocá-lo no grupo mundial em breve.

Vocês podem imaginar o que eu acho...

  • Aspecto técnico
 

Joguei 10 anos a competição e afirmo que ela só é tão interessante por ser dramática, longa, cansativa e emocionante. Uma competição diferente do que vivemos no dia a dia. Em um jogo arrastado por causa do barulho, pressão e provocações, a Davis em melhor de 5 sets tira do atleta o seu melhor. 

Jogos estratégicos e zebras impressionantes acontecem. Estratégia de colocar jogadores em confronto direto, Jogos decididos no físico e preparação de uma semana fazem parte de um evento. Não apenas de um jogo!

Jogar Davis para o atleta é algo maior que jogar tênis. Jogar Davis te prepara para a vida no circuito, mentalmente e fisicamente falando.

 

  • A derrota para para o dinheiro e o pouco patriotismo
 

 Vivemos uma nova sociedade sem valores. Vivemos uma sociedade onde o dinheiro manda. Vivemos uma sociedade com pouco engajamento patriótico. Representar seu país virou um saco para muitos ou simplesmente nem um pouco interessante financeiramente.

Na nova geração onde se ganha muito mais que antes, representar o país traz prejuízos ao próximo torneio e com isso se deixa de ganhar uma garantia ou se cansa demais. Na nova geração não se tem mais aquele prazer para representar este ou aquele país. Ser patriota virou demode. Ao invés das nossas entidades darem exemplo e pressionarem os atletas a terem prazer em representar o país eles sucumbem a pressão e abrem a porta para daqui a dois ou três anos todos perceberem que a competição não é mais interessante. Com isso a morte da Davis é evidente

Jogar Davis desde a época de Koch, Mandarino, McEnroe, era como jogar uma Copa do Mundo, ter a maior honraria que um atleta podia ter. Hoje, com essa mudança, o tênis vira mais um esporte que não respeita seus países e vira um esporte totalmente comercial, que só pensa em quanto o torneio e o atleta vai ganhar. 

Se isso é o certo, me desculpem, mas eu quero descer desse ônibus o mais rápido possível!

Que saudade dos países fortes, clubes competentes, atletas patriotas e competições de verdade...

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As mudanças que fizeram de 2017 um ano impressionante para Federer e Nadal

Fernando Meligeni
Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
Em cima da linha e com a esquerda: Meligeni analisa como Federer 'pegou o jeito' de Nadal

O ano de Roger Federer e Rafael Nadal impressiona. Em quase todos os  eventos que vou, sou abordado por fãs desses dois monstros sobre a volta por cima deles. Mais de uma pessoa duvidou que eles voltariam a lutar pelo primeiro lugar outra vez. Eu admito que fui um deles.

Ao assistir os dois nos últimos anos, tudo indicava que eles acabariam as incríveis carreiras entre o ano passado e este. 

Vamos aos fatos:

Após final em Xangai, Federer e Nadal comentam partida e momento da rivalidade

- Os dois não precisam mais provar nada a ninguém;

- Os dois sofreram com lesões;

- Nadal com problemas físicos;

- Federer com a idade;

- Os dois têm dinheiro para várias gerações e não jogam por isso;

- Os dois começaram a perder de caras que não perdiam (tenista odeia isso);

- Os dois ficaram mais lentos e começaram a errar mais.

Então o que mudou?

NADAL

Rafael Nadal com o troféu do US Open 2017
Rafael Nadal com o troféu do US Open 2017 ESPN

- Não aceitou deixar as quadras lesionado. Trabalhou muito mais;

- Contratou um grande técnico chamado Carlos Moya;

- Mudou sua postura em quadra e ficou mais agressivo;

- Melhorou seu saque;

- Parou de querer jogar pontos longos. Ficou mais agressivo;

- Parou de sentir tantas dores;

- Escolheu melhor o seu calendário.

FEDERER

Roger Federer posa com a taça de Wimbledon 2017
Roger Federer posa com a taça de Wimbledon 2017 EFE/All England Lawn Tennis Club

Fez uma pausa para achar sua motivação de volta;

- Começou a jogar apenas torneios importantes;

- Acertou na contratação de Ivan Ljubicic como treinador;

- Melhorou sua esquerda;

- Voltou a ser agressivo;

- Voltou a jogar perto da linha e pegando a esquerda na frente;

- Mudou de raquete;

- Trabalhou muito o físico e voltou a flutuar em quadra.

Dupla dos sonhos! Veja os melhores momentos da vitória de Federer e Nadal sobre Querrey e Sock

Tenho certeza de que existem mais motivos. Mas, seja qual for, uma coisa ficou clara: não importa seu nível ou o que você já conquistou. Se você quiser continuar competitivo, você precisa ousar, mudar, melhorar, querem mais. A tal frase 'em time que está ganhando, não se mexe' parece que vem ficando no passado. Time que não muda ganha hoje, mas não se prepara para o amanhã.

Obrigado, Rafa e Roger. Vocês nos ensinam todos os dias. Dentro e principalmente fora das quadras. Quem segue seus passos cresce e evolui.

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Não há defesa ou motivo para deixar Nuzman como presidente do COB. Não te queremos mais

Fernando Meligeni
Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
Da casa de Nuzman, Gabi Moreira informa como operação 'Unfair Play - segundo tempo' prendeu dirigente

Carlos Arthur Nuzman foi preso, e com ele a certeza de que quando alguém fica muito tempo mandando no esporte ou na política tem grande chance de acabar mal. 

Há anos venho escutando que muitas pessoas que faziam coisas erradas (fui doce agora) estavam indo para o esporte e, para nossa infelicidade, estavam no poder dele. Ao mesmo tempo escutava que o esporte era perfeito porque ninguém dava a mínima e não teriam problemas.

Veja o momento em que Nuzman é conduzido à viatura da Polícia Federal

Bom. Hoje começo a acreditar que as coisas podem mudar. Os dirigentes que por anos ficaram no desmando do esporte com certeza dormem com um olho aberto e um fechado. Os que riram dos atletas, falaram que mandavam no esporte, que éramos trouxas, começam realmente a acreditar que podem acabar presos. 

Felizmente o Brasil mudou. Não da velocidade e da maneira que gostaríamos, mas vemos que existe a intenção.  

Há um ano, Nuzman falou sobre escândalos no esporte: ‘Deverão ser tratados dentro de medidas cabíveis'

Com todo respeito, chegou a hora de mudar. O esporte brasileiro não pode ser dirigido por alguém como Nuzman. Ele que se defenda. Tem todo o direito. Mas ao ser preso, ele teria que ser tirado do COB imediatamente. Não há defesa ou motivo para deixá-lo lá. 

Torço para que possamos ter um novo comandante e desta vez que se preocupe mais com o esporte e menos com ele mesmo. 

Advogado de Carlos Arthur Nuzman fala sobre a prisão

Que a prisão dele sirva de exemplo que o esporte é soberano e se ele for inocentado chegou a hora de dizer. Descanse longe do esporte. Não te queremos mais.

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Profissão dirigente esportivo

Fernando Meligeni
Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br

Ao acordar dei de cara com a matéria que o skatista Bob Burnsquist virou presidente da confederação de Skate e já se rotulou um presidente rebelde.

Tenho que admitir que fiquei feliz ao ver um atleta consagrado, inteligente, querido e ativo entrando nesse vespeiro. Fiquei mais feliz ainda com sua vontade e direção de não ser político, ser mais técnico e contestador, mas ao mesmo tempo a sua decisão me fez pensar. 

Será que o caminho é esse? Será que os atletas precisam ou devem se colocar nessa situação?

Há tempos eu vejo atletas entrando nas confederações e em pouco tempo abandonando o barco. Muitos deles totalmente decepcionados, outros revoltados. Poucos ficaram em fizeram um bom trabalho. Eu mesmo escuto que deveria fazer esse caminho. Muitos já me indagaram a respeito. Mas no meu caso isso está bem fora dos planos

Eu tenho claro algumas coisas sobre esse assunto:

1. Não importa o quanto o atleta foi bem sucedido. Na minha visão para ser presidente de uma confederação o postulante tem que ter muita noção de gestão, planejamento e ser um pouco político. De gestão e planejamento o cara precisa ser bom porque ele vai ser o responsável por um esporte. Uma empresa. Político, porque mesmo sendo rebelde o cara vai ter que lidar com presidentes, ministros, atletas e muitas vezes ou na maioria delas os outros não pensam como ele, ou melhor,  ele pensa totalmente diferente e tem um respeito ao esporte que os outros nem passam perto de ter.

2. Tem que ter estômago. Não preciso dizer aqui que o esporte brasileiro é dirigido em sua quase totalidade por caras que pouco produzem, pouco se preocupam com o desenvolvimento ou atletas. A sua grande maioria é feita de pessoas que não tem condição de estar lá e usam o posto para se promoverem e terem ingresso, regalias e um minuto de fama na frente da televisão. Ganham o posto e automaticamente viram a cara para o verdadeiro esporte.

3. Ter sido um grande atleta não representa ser um bom dirigente. Não te dá a credencial de competente. Não te dá a isenção de incompetente ou idôneo. Temos no esporte muito atleta perigoso. No caso do Bob, tenho certeza que ele tem condição. Mais que um atleta ele sempre se mostrou um empresário e um agregador. Não precisa da fama e do dinheiro da confederação e ama o esporte. Todas as credenciais necessárias.

4. Ter tempo para trabalhar. O esporte é fundamental. Temos que ter respeito a ele. Para isso quem assumir tem que trabalha duro. Ter tempo para pensar, aglutinar pessoas, fazer decisões, conversar, mas acima de tudo fazer decisões importantes. Mudanças radicais. Para isso se precisa tempo e um time forte. Sem isso vejo pouca chance de sucesso. Presidente que vai só no final da tarde para assinar papéis e ficar sabendo o que aconteceu quase sempre é engolido pela política brasileira.

Falado isso, reafirmo que estou feliz em ver o Bob encarando um desafio desses. Torço para que ele consiga mudar o falido processo dos dirigentes esportivos. Que ele incentive e mostre uma alternativa aos atletas e com isso que tenhamos mais e mais pessoas competentes no poder. Que ele consiga pressionar o COB e o ministério dos Esportes. É por último que ele tenha em casa guardado muita paciência.

Boa sorte, Bob. Voe alto. Tenha equilíbrio, erre ou acerte tentando o correto. Lute pela nota 10.

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Uma Copa Davis para o tênis brasileiro esquecer

Fernando Meligeni
Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
Bruno Soares, Marcelo Melo, Guilherme Clezar, Thiago Monteiro e o capitão João Zwetsch
Bruno Soares, Marcelo Melo, Guilherme Clezar, Thiago Monteiro e o capitão João Zwetsch Getty

O time do Brasil volta do Japão com um saldo muito negativo e um gosto amargo. Fiquei pensando como escreveria este texto. Por onde eu pensava via lados negativos. Tivemos problemas na convocação, problemas com vídeos vazados com ofensas gratuitas a um top 10 que nem no confronto estava, uma atitude imperdoável de um atleta do time que repercutiu no mundo inteiro, e a derrota que nos mantém na segunda divisão da Copa Davis. De positivo? A dupla que mais uma vez foi e deu conta do recado.

Como ex-jogador e ex-capitão da Davis, fica muito difícil comentar a convocação do capitão João Zwetsch. Tenho minhas convicções, mas, como estive lá, a escolha é muito pessoal e baseada em confiança. O que fica claro é que a maneira como isso ocorreu criou um grande desconforto geral e com isso a recusa de Rogerinho, tenista número 1 do Brasil.

Após lesão de Bellucci, Rogerinho, que não tinha sido convocado, recusa substituí-lo na Copa Davis; veja discussão

Os dois episódios lamentáveis foram tristes e comprometem muito mais nosso tênis que os protagonistas. O presidente da confederação colocou um vídeo interno do time onde vaza um xingamento a Kei Nishikori. Claramente era uma brincadeira, conhecendo cada um dos tenistas, sei que não tem a ver com o que eles pensam. Na pressão, uma brincadeira mal colocada é normal, mas o que não é aceitável é um dirigente sentado à mesa com atletas expor os jogadores. Pior ainda é publicar coisas do time. O conhecido fogo amigo não pode acontecer. Mais triste foi ver que em nenhum momento veio e pediu desculpas publicamente. O ‘deixa pra lá’ e simplesmente apagar a publicação não resolvem. Em uma ‘nova era’ esperávamos mais e melhor atitude.

O caso do Guilherme Clezar já foi falado demais. Nem preciso dizer que ele errou feio e está pagando pelo seu ato. Tentou se desculpar e que a atitude sirva para seu futuro como tenista é cidadão. O que posso dizer é que atleta que está em quadra representando o país tem uma responsabilidade muito grande. O que fazemos, o que mostramos repercute muito. Precisamos saber que nosso time, nosso esporte e nosso país estão acima de tudo e temos que respeitar. Foi um erro grave. Eu, como atleta, me senti ofendido, então fico imaginando como se sentiram todos os atingidos.

O resultado?  Na boa, ficou em segundo plano diante de tudo que aconteceu. Aprendi na minha primeira Copa Davis que o resultado vem de uma preparação bem feita, harmonia no time, união de fora e de dentro e muita luta na hora do jogo. Se um dos lados ou pontos da preparação é mal feito, a derrota quase sempre vem.

Pergunto: merecíamos vencer? Desta vez não. Que na próxima oportunidade tudo seja diferente.

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