A lutadora do UFC que imobilizou um bandido, Polyana Viana fala sobre importância da defesa pessoal

Mayara Munhos
Mayara Munhos
Polyana Viana, a 'Dama de Ferro', comemorando vitória contra Maia Stevenson
Polyana Viana, a 'Dama de Ferro', comemorando vitória contra Maia Stevenson Buda Mendes/ZUFFA

Em janeiro desse ano, bombou nas redes sociais uma imagem de um bandido com a cara, digamos assim, meio que totalmente desconfigurada. Em seguida, o assunto mais falado era "lutadora do UFC imobilizou bandido nas ruas do Rio de Janeiro". Era Polyana Viana. Ela tem duas lutas no UFC, sendo uma vitória por finalização e uma derrota por decisão dos árbitros. No próximo sábado, ela entra no octógono para enfrentar a norte-americana Hannah Cifers. 


Essa semana, entrevistei Polyana para o espnW.com.br (em breve, vocês verão a entrevista completa, ela tem uma história sensacional, aliás - mas eu não posso dar spoiler) e aproveitei para falar sobre a importância da defesa pessoal para mulheres.


Recentemente, eu publiquei aqui também um papo que tive com a Kyra Gracie. Kyra investe bastante em defesa pessoal na Gracie Kore, diferente de outras academias de jiu-jitsu, que estão perdendo um pouco dessa "raiz". 

Essa base da defesa pessoal é super importante e aqui, nós temos aulas de defesa pessoal, onde o aluno aprende realmente a base do jiu-jitsu e evolui com uma qualidade muito boa para ir pro jiu-jitsu esportivo se quiser ou mesmo pela prática como estilo de vida.

Kyra Gracie

Também já conversei com Pricila Engelberg, faixa preta de jiu-jitsu que se "graduou" a faixa rosa no programa Women Empowered (Mulheres Capacitadas), oferecido pela Gracie Jiu-Jitsu Academy. O curso ensina defesa pessoal só para mulheres e, no final, entrega uma faixa rosa simbólica para mostrar algo do tipo: essa garota está pronta para se defender.


Como uma pessoa que instintivamente também já reagiu a assaltos (sim, essa sou eu), Polyana reagiu em janeiro. Ela me garantiu que não se arrepende e que tudo foi feito de caso pensado:  "Se ele tivesse com uma faca, uma arma, ele teria chegado apontando ou me xingando, assim como todos os outros, que são agressivos. Eu não me arrependi de ter reagido. Claro que eu pensei muito no momento, não foi totalmente um impulso. Quando ele chegou ao meu lado, pensei muito: 'aqui tem um ladrão, o que eu vou fazer? Se estiver armado, o que eu vou fazer? Se não estiver armado, o que eu vou fazer?'; enquanto ele me perguntava a hora, falava comigo, eu estava pensando, não foi impulso. Eu não me arrependo de forma alguma. Eu fiquei pensando que quando um bandido vai assaltar um homem, muitas vezes ele quer só os pertences. Para assaltar uma mulher, o bandido sempre quer algo a mais"

E muito consciente, Polyana também afirma que não aconselha ninguém a fazer o mesmo e completa: "ainda mais sem um preparo, sem uma calma. Você tem que ter muita calma para fazer isso, não só preparo". 

Relembrando o caso que aconteceu com Elaine Caparróz, a mãe de Rayron Gracie que foi espancada durante quatro horas pelo advogado (e infelizmente, praticante de jiu-jitsu) Vinícius Batista Serra, ela disse que, se fosse ela na situação, perderia o controle, mas ressalta a importância da defesa pessoal em um caso como esse: "Se fosse eu, teria matado aquele cara. Se ela soubesse se defender um pouco, ele não teria feito aquilo tudo com ela. Por mais que ele tenha força. Quando a mulher sabe se defender, ela dá um, dois ou três golpes e corre. Ela não precisa ficar ali". 

Tendo em vista a quantidade de crimes de feminicído cometidos no Brasil, a peso-palha considera crucial saber defender e acredita que caso todas as mulheres tivessem uma miníma noção, os índices de violência doméstica seriam bem menores.

"Fico com muita raiva quando vejo que alguém apanhou do marido. Eu fico com muita raiva disso, muita raiva! Se eu vir um cara batendo em uma mulher na rua, eu vou me intrometer. Acho injustiça o cara abusar da força para bater numa mulher. E ele tem mais força que a mulher para agredir, ele vai machucar se bater realmente. E ele bate sem noção, sem pensar. Então a mulher tem que saber se defender, sim. Para dar um soco, um chute, uma dedada no olho, seja lá o que for, e correr, para não acontecer sempre esse tipo de coisa e para o cara não acostumar a bater na mulher. Se ele bate em uma, ele bate em todas", finalizou Poly.


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Google lança plataforma digital para resgatar a história não contada do futebol feminino no Brasil

Julia Vergueiro
Julia Vergueiro
Decreto-lei impediu a prática do futebol feminino por quase 40 anos
Decreto-lei impediu a prática do futebol feminino por quase 40 anos Acervo Museu do Futebol

Há alguns meses, uma agência me chamou para uma conversa sobre futebol feminino. Eles estavam pensando em ideias de campanhas e/ou ações para um de seus clientes, que logo eu descobri que era o Google. Em pouco mais de uma hora, vomitei tudo o que eu sabia, enquanto todos na sala se mostravam muito interessados em absorver cada informação, sempre trazendo novas indagações. Ao longo dos últimos anos, eu já participei de várias conversas como essa, e a verdade é que sempre saio da sala sem saber no que vai dar. Nesse caso, deu em um projeto muito bacana, o qual foi compartilhado comigo na semana passada com muito carinho e que hoje posso compartilhar com vocês. 

Entre 1941 a 1979, as mulheres foram proibidas de jogar futebol no Brasil. O mesmo aconteceu em outros países, como França e Alemanha. Mesmo impedidas por leis fora dos gramados, muitas mulheres seguiram jogando. Mas as histórias dessas pioneiras no esporte nunca foram contadas ou documentadas por órgãos oficiais.

"Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país”, dizia o decreto-lei 3.199, art. 54, de 14 de abril de 1941, aplicado no Brasil.

Em busca das histórias e personagens que viveram esse período, o Museu do Futebol e o Google Arts & Culture  lançaram nessa quinta-feira o Museu do Impedimento, uma experiência digital colaborativa para retratar os anos de proibição do futebol feminino no país. A partir de hoje até o dia 23/06, qualquer pessoa poderá compartilhar documentos, como vídeos, áudios, fotos e depoimentos de suas coleções pessoais sobre o futebol feminino.  Basta fazer o upload do material direto nesse site.

A curadoria do conteúdo ficará a cargo da equipe de especialistas do Museu do Futebol. O site será lançado em branco e gradualmente receberá o conteúdo enviado pelos usuários.  Ao final do projeto, esse material ganhará forma também em uma exposição virtual na plataforma Google Arts & Culture.

“O Museu do Futebol acolheu com muito entusiasmo essa iniciativa pioneira do Google de fomentar uma plataforma digital e colaborativa para descobrir novos acervos sobre esse período da história pouquíssimo conhecido. É uma iniciativa que faz com que o futebol se torne ainda mais importante para a história brasileira”, afirma Daniela Alfonsi, diretora de conteúdo do Museu do Futebol.

Lea Campos, a primeira árbitra de futebol
Lea Campos, a primeira árbitra de futebol Acervo Pessoal Lea Campos/Fotógrafo Desc

O Museu do Impedimento terá alguns depoimentos compartilhados por mulheres que foram pioneiras do esporte, como Léa Campos, a primeira árbitra do mundo e presa por 15 vezes durante os anos de proibição, e Mariléia "Michael Jackson" dos Santos, artilheira do futebol brasileiro.

“Queremos dar visibilidade à importância de recuperar a história do futebol feminino no Brasil e garantir que um público mais amplo tenha a oportunidade única de conhecer as histórias dessas mulheres pioneiras que continuaram jogando bola mesmo nos anos de proibição e abriram as portas para as novas gerações”, afirma Lauren Pachaly, diretora de marketing do Google Brasil.


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Primeira brasileira a vencer o Mundial de Surfe investe em escola no Rio

Marília Galvão
Marília Galvão

Andrea Lopes foi a primeira surfista brasileira a participar do circuito mundial
Andrea Lopes foi a primeira surfista brasileira a participar do circuito mundial Rick Werneck

Ela é uma das pioneiras no surfe profissional no Brasil. A sala de troféus dela traz nove títulos brasileiros (cinco como amadora e quatro como profissional), além da primeira taça do país em uma etapa do Campeonato Mundial. Aos 45 anos, já aposentada, é dona de uma escola de surfe no Rio de Janeiro. Mas um dos feitos que Andrea Lopes tem mais apego foi ter superado uma anorexia nervosa, quando tinha 22 anos e que a deixou com 38 kg.

Quem a viu como capa da Playboy em 2007, oito anos após conquistar uma etapa do Campeonato Mundial, nem imagina que ela passou pela doença.

“Com 22 anos eu fui diagnosticada com anorexia. Eu desenvolvi a doença por ser uma pessoa no passado extremamente rígida e controladora. Eu colocava muita pressão sobre mim, tinha muita auto-cobrança. Quando estava no auge da doença tive que abandonar o circuito mundial. Fiquei parada por dois anos e depois quando já estava curada retornei para o circuito brasileiro.”

Andrea sempre gostou de esportes aquáticos. A ex-atleta fazia natação no Flamengo desde os seis anos de idade e já competia nessa época, até decidir trocar de modalidade. “Chegou uma hora que eu cansei da natação, foi quando meu avô, que tinha casa em Saquarema (RJ), costumava alugá-la para uns caras mais velhos que eu, e aí eles me deram uma prancha e fui na cara e na coragem para o mar. Eu tinha 13 anos e foi quando me apaixonei pelo esporte. No ano seguinte já comecei a competir”.

A ex-atleta começou a praticar o esporte em uma época bastante diferente, quando nem sequer existia categoria profissional no Brasil. “Eu comecei no surfe com 14 anos movida por uma paixão pelo esporte sem ter muita referência do que poderia acontecer na minha vida, porque não tinha categoria profissional, não tinha nenhuma mulher que vivia desse esporte, então eu fiquei três anos competindo muito envolvida pela paixão.”

Com apenas 15 anos, Andrea já representava o Brasil em campeonatos em diversos países. Aos 17, teve que tomar uma decisão entre fazer faculdade ou dar um passo além no esporte e ir para um campeonato mundial profissional, pois no Brasil já tinha conquistado tudo o que podia.

Andrea Lopes pratica o surfe há mais de 25 anos
Andrea Lopes pratica o surfe há mais de 25 anos Juliana Maiarotti


“Decidi ir para o mundo com 17 anos e fiquei quatro anos competindo no circuito mundial sendo a única brasileira, porque no Brasil ainda não existia campeonato profissional”, conta. Nesse momento, aos 22 anos, foi quando Andrea foi diagnosticada com anorexia, e diz que se curar foi o momento mais feliz da sua vida. 

“Sempre fui uma pessoa otimista. O melhor momento da minha vida foi quando eu venci a anorexia e mostrei que não ia me entregar, foi quando me senti muito forte comigo mesma e saí daquela situação que só eu podia resolver. Cheguei a pesar 38kg”, conta a ex-atleta.

Depois de dois anos parada, Andrea voltou para o esporte e conquistou o tão sonhado título de uma etapa do Mundial sendo a primeira brasileira a realizar esse feito. Mas seu currículo é ainda mais recheado. A atleta também é tetracampeã brasileira profissional e pentacampeã amadora, além de ter sido vice-campeã mundial master.

“Ser a primeira brasileira a disputar o circuito mundial foi uma quebra de paradigmas, porque eu não tinha referência nenhuma, não tinha muita estrutura, vivia viajando me jogando no mundo. Como eu não tinha muito norte eu não sabia onde eu podia chegar, mas sabia que eu podia estar ali, isso foi muito desbravador. Foi uma vitória e abriu porta para uma nova geração de surfistas na época”, disse.

Andrea Lopes foi a primeira atleta brasileira a conquistar o ouro em uma etapa do campeonato mundial de surfe
Andrea Lopes foi a primeira atleta brasileira a conquistar o ouro em uma etapa do campeonato mundial de surfe []

“Os surfistas são muito corajosos, temos que saber lidar com o medo praticamente dia a dia, e eu acho que a vida também é um pouco assim, às vezes temos medo de mudança, de enfrentar o desconhecido, e o surfe te coloca muito no ‘olho no olho’ com isso.”

Após se aposentar, em 2010, a atleta buscou formação como coaching para trabalhar em empresas na parte de treinamento de serviços e também em oratória para poder dar palestras. Há cinco anos, Andrea usou todo o seu conhecimento e percepção do mar adquiridos em mais de 25 anos de esporte para abrir uma escola de surfe nas praias do Rio de Janeiro com aulas de surfe e stand up paddle.

“Fui abrir a escola em 2014, e aí eu uso todo meu conhecimento do surfe junto com a forma de lidar com o ser humano que o coaching me trouxe de bagagem. Nós damos aulas particulares ou com duas pessoas. A escola é um sucesso e referência no Rio de Janeiro”, finaliza a atleta, que também é vice-presidente da Associação das Escolas de Surfe do Rio de Janeiro.

Fonte: Marília Galvão

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O que o fisiculturismo pode nos ensinar

Rê Spallicci
Rê Spallicci
Renata Spallicci competição WBFF
Renata Spallicci competição WBFF []

Por mais que o fisiculturismo venha ganhando espaço, o esporte, infelizmente, ainda é cercado por muito preconceito. Para quem não conhece a modalidade, muitas vezes, os atletas são somente um monte de músculos sem nenhum tipo de preparo racional e   emocional. E isso me chateia bastante!! Porque só quem trabalha no esporte como a gente sabe que para chegar a um corpo de um fisiculturista, são necessários muitas outras aptidões intelectuais e emocionais. 

As lutas marciais conseguiram, também a muito custo, quebrar o estigma de algo violento e unicamente físico e hoje já encontram respeito por sua filosofia à base de disciplina, respeito e tudo o mais. E com meu artigo de hoje espero também mostrar o quanto que os atletas de fisiculturismo precisam desenvolver outras competências para se desenvolverem no esporte... Vocês me acompanham?

Equilíbrio

Sim, ter um corpo equilibrado, com músculos simétricos e proporcionais é fundamental. Mas, para nós, ainda mais importante é o equilíbrio nos vários aspectos da vida. Você precisa encontrar o equilíbrio adequado entre seu treinamento, alimentação e descanso, e todos os outros fatores relevantes em sua personalidade: família, amigos, trabalho, escola, espiritualidade, recreação, etc.

Cautela 

O nosso maior adversário não são os outros atletas com quem competimos, mas sim, nossos próprios limites. Mas isso não significa que a gente os rompa sem nenhum tipo de cautela. Uma lesão pode interromper ou reverter seu progresso por meses, e algumas contusões que lhe ocorrem em um instante podem permanecer  por toda a vida. Por mais pesos que peguemos, sempre devemos ter prudência.

 Cortesia

Já houve uma época, quando o esporte era ainda mais fechado do que é hoje, que os fisiculturistas se referiam a eles como integrantes de uma “irmandade de ferro”. E isso se justifica pela cortesia com que um atleta costuma tratar o outro. Já recebi muitas dicas preciosas de “adversárias” e sinto que quase todos os atletas se preocupam em passar e compartilhar o que aprenderam, gerando um clima de cortesia entre todos.

Saúde

Infelizmente, muita gente associa o fisiculturismo ao uso indiscriminado de anabolizantes e esteroides. Mas a verdade é que um programa regular de exercícios, juntamente com uma dieta que desacelera a gordura, uma suplementação de nutrientes, um descanso adequado fazem o estilo de vida da maior parte dos atletas, e isso é ser saudável. A saúde e o fisiculturismo devem andar de mãos dadas.

Visão holística

Somos a união de três sistemas: mente,  corpo e  espírito. Por isso, os atletas de fisiculturismo se concentram em aumentar suas capacidades mentais tanto quanto suas capacidades físicas. É uma decisão pessoal  a escolha de buscar a espiritualidade. O importante é que você se torne um indivíduo completo e não apenas uma coleção de músculos bem arredondados.

Humildade 

Parafraseando o mestre Arnold Schwarzenegger, “quanto melhor você conseguir ser, menos terá que provar”. Os grandes atletas do esporte estão sempre prontos a melhorar, aprender e crescer com as críticas construtivas. 

Limitação

 A verdade é que, por mais que a gente se esforce, a maioria das limitações genéticas do bodybuilding não pode ser superada. Avaliar claramente seu físico para entender o que você pode ou não  realizar, por meio do fisiculturismo é uma forma de aceitar o nosso corpo e de entender que nossas fraquezas também são parte de nossa individualidade. Aceitamos as coisas que nunca seremos capazes de mudar e nos esforçamos para mudar aquilo que é possível.

Perseverança 

É possível, sim, fazer mudanças drásticas em seu físico, mas essas mudanças exigirão um investimento de muitos meses - senão anos. Treine regularmente e coma direito, dia após dia. A perseverança é a chave para o sucesso do fisiculturismo.

Perspectiva

Se você não está competindo no concurso Mr.Olympia, não deve gastar tanto tempo, dinheiro e energia no fisiculturismo quanto um concorrente do Olympia. Defina suas prioridades e mantenha a importância do fisiculturismo em perspectiva. Veja também equilíbrio.

Realismo

Definir metas inacessíveis só pode levar à frustração. A menos que você seja um fisiculturista profissional de nível superior, não há necessidade de planejar planos para ganhar o Mr.Olimpia. Defina metas realistas de curto e longo prazo. Quando você atingir essas marcas, defina novas para desafiar-se continuamente com um padrão que maximize seu potencial, mas que não exceda suas limitações.

Respeito

O esporte é extremamente dinâmico e, a cada dia, surgem novas formas de treino. Mas é essencial para um atleta de fisiculturismo entender que os fisiculturistas de décadas passadas pavimentaram o caminho para nós. Tudo isso usando equipamento, suplementos, treinamento e conhecimento nutricional inferiores. Eles merecem o nosso respeito. 

Busca constante pelo autoconhecimento

 Mais do que tudo, o fisiculturismo nos ensina a importância do autoconhecimento em nossas vidas. Saber os limites do nosso corpo, a melhor dieta, e ter a força mental para suportar as pressões e as privações do esporte só é possível  se tivermos uma alta dose de autoconhecimento.  

Bom, é isso! Espero que com esta coluna possa contribuir para demonstrar o quanto o fisiculturismo vai além da questão física e como há outros elementos essenciais para ser uma atleta do esporte!

 

Busque seu propósito. Deixe seu legado.

Rê Spallicci

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A maior diferença que senti entre treinar jiu-jitsu nos Estados Unidos e no Brasil

Mayara Munhos
Mayara Munhos
Foi aí que passei uma semana levando porrada! Hahaha
Foi aí que passei uma semana levando porrada! Hahaha Arquivo Pessoal

Quem acompanha meu blog sabe que, em outubro 2017, eu embarquei para a Califórnia com o objetivo de treinar. Uma cirurgia, porém, me impediu, porque 15 dias antes da viagem, eu quebrei o dedo justamente durante um treino e precisei operar. Então precisei mudar um pouco meu roteiro e passei na Atos HQ só para conhecer e gravar algumas entrevistas. Fiz uns treinos de 'teimosa', mas claro, só para matar a vontade, sem relação nenhuma com a realidade, digamos assim.

Esse ano eu fui para lá de novo e, dessa vez, consegui treinar. Passei uma semana na Atos, visitei novamente a Barum Jiu-Jitsu durante um open mat e também fiz um treino na AOJ. O melhor é que eu tinha um objetivo maior: me preparar para o Brasileiro, que eu lutei no dia 01 de maio (talvez eu conte minha experiência em breve, mas posso dizer que foi ótimo, apesar de não ter subido no pódio). Então foi tudo muito intenso e eu tive que me dividir entre turismo e treinos.

Eu fui para lá com uma cabeça e voltei com outra. Mas eu tenho uma coisa muito importante a destacar: a maior diferença que senti entre treinar lá e aqui, foi o fato de poder treinar com mulheres.

Elas foram algumas das responsáveis pelos dias em que sai triste de tanto apanhar. Faltou a Luiza Monteiro, Rafaela, Emily e Nina Moura.
Elas foram algumas das responsáveis pelos dias em que sai triste de tanto apanhar. Faltou a Luiza Monteiro, Rafaela, Emily e Nina Moura. Arquivo Pessoal

Apesar de eu ter algumas meninas treinando comigo e, inclusive, dar aula para mulheres, é um estímulo muito diferente. Algumas equipes aqui no Brasil, de fato, têm um time feminino forte, mas nós da Ono ainda não chegamos a esse patamar e estamos desenvolvendo isso aos poucos. Lá eu me foquei sempre em treinar com elas, já que seria uma ótima oportunidade de simular uma luta real que eu provavelmente encontraria no Campeonato Brasileiro.

Me foquei em treinar com faixas roxas e marrons, que é o mais próximo da minha realidade atual. Todas eram do meu peso ou inferior, poucas mais pesadas. E ao contrário do que pensam - e que eu, pelo menos, já ouvi muito - de que eu vou ser melhor e mais forte treinando apenas com homens, eu senti exatamente o oposto: treinar com mulheres do mesmo nível técnico que o meu, é muito mais difícil. 

Professor André e Professora Angélica
Professor André e Professora Angélica Arquivo Pessoal

Foi onde eu consegui perceber que, de fato, os meninos 'tiram o pé' quando treinam  com a gente. O que não é um problema para mim. Existem homens e homens. Alguns que se fazem de besta por você ser mulher e 'deixam' você fazer tudo como se você não estivesse percebendo e outros, que discretamente não usam 100% da força para que o seu treino renda. Treinar com o segundo tipo de homem realmente é muito vantajoso, porque temos a oportunidade de fazer força, tentar aplicar algumas técnicas e se desenvolver. Mas ainda assim, não chega nem aos pés de treinar com uma mulher.

Elas nunca aliviam. Elas nunca 'te deixam' fazer alguma coisa. Elas nunca fingem que seu braço não sobrou na cara delas ou ignoram o fato de você não ter protegido o seu pescoço. Elas atacam, e atacam o tempo todo. Elas são fortes - tanto quanto ou muito mais que eu. Elas usam e abusam da força física e também da técnica. E é algo que equipara totalmente o nosso jogo. 

Ou seja, eu não tive 'boi' nenhum com elas. Enquanto com os meninos, sim, eu tenho. E talvez todas nós. Claro que eles não nos deixam soltas ou livres para fazer o que quiser, mas, na minha opinião, não chega nem perto de uma situação real de luta. Entrevistei a Jéssica Andrade depois que ela conquistou o cinturão peso palha no UFC 237 e, para ela, o diferencial é justamente ter uma equipe onde a possibilita treinar só com garotas [clique aqui se quiser ler].

Então para mim, essa foi a maior diferença. A possibilidade de treinar com mulheres me fez ficar muito mais esperta. Também tive a oportunidade de treinar com alguns meninos lá, mas eu aproveitei mesmo a oportunidade de estar em um lugar onde tinha mulher para escolher e me foquei nisso. Tenho certeza que isso fez muita diferença para o meu jogo.

Também tive a oportunidade de ter uma aula com o Guilherme Mendes - dispensa comentários, né?
Também tive a oportunidade de ter uma aula com o Guilherme Mendes - dispensa comentários, né? Arquivo Pessoal

Outra coisa que achei bem diferente foi o fato de se apegarem a detalhes. Percebo que nós, no geral, nos preocupamos muito com rolar. Às vezes dá preguiça de repetir a mesma posição cem vezes e a gente só quer sair na mão. Mas lá eles são muito apegados a entender o motivo pelo qual estamos pegando na lapela direita e não na esquerda, por exemplo. Essas coisas, que muitas vezes deixamos passar, faz muita diferença (e eu só percebi isso, aliás, depois que comecei a dar aula). 

Também senti uma pegada insana no treino de competição. É um treino que não consigo fazer aqui no Brasil porque é às 11h da manhã e estou trabalhando. Então, por conta disso, eu não estava acostumada a fazer um treino pegado no sentido de: "Hoje vamos fazer 20 rounds de 5 minutos". Quando o professor André falou isso, eu só queria pensar o quanto preferia estar 'fazendo a turista' nessa hora. Mas foi bem proveitoso. 

Eu senti uma superação em cada treino - principalmente de competição. O André exigiu que, faixas azuis e roxas, fizessem ao menos, 10 rounds. Mas eu queria mais, porque já estava lá mesmo... Hahaha. Consegui chegar a 14. 

Essas foram as diferenças maiores. Como somos uma filial da Atos aqui em São Caetano do Sul (SP), a metodologia é a mesma. O que difere são detalhes. 

Fora isso, também senti diferença física, que foi algo que em uma semana não consegui igualar, a maioria do pessoal que treinei lá, vive disso. Acho que eu precisaria de mais uns dias para me sentir 100% preparada.

Também senti, é claro, a diferença de tempo. A Califórnia é muito seca. Meu nariz descascava, precisava beber água muito mais do que estou acostumada quando treino aqui. E lógico, eu quis treinar na intensidade deles e minha imunidade deu aquela caída. Por alguns dias senti um indício de gripe, dor de garganta e um cansaço físico grande que, como já falei, precisaria de alguns dias para me sentir melhor. 

Sobre valores: sim, é mais caro. Fiz umas contas por cima aqui (sou ruim nisso) e o valor da mensalidade, considerando o câmbio de hoje (que o dólar de turismo está R$4,26 - socorro), pode custar cerca de 7 vezes mais do que uma mensalidade aqui (isso considerando um plano mensal. Assim como aqui, também existe plano trimestral, semestral e anual). Talvez seja alto até para os padrões americanos. Já as academias de musculação, são bem baratas - mas não posso dizer com tanta convicção porque não treinei, só ouvi falar, então pula.

Por outro lado, a suplementação lá é mais barata e a qualidade é superior a nossa. Então tomar um 'wheyzinho' de leve com uma boa qualidade lá, é mais fácil. Já no Brasil, precisamos prestar bastante atenção antes de comprar uma marca só por ser barata. Isso fora a alimentação: as comidas orgânicas, por exemplo, são mais acessíveis. Sabemos que esse 'combo' faz uma baita diferença para um atleta, seja ele de alta performance ou não.

De tudo isso, o que posso dizer é que foi uma experiência muito proveitosa e que gostaria que todos tivessem a oportunidade de fazer esse 'intercâmbio'. O Mundial está chegando, a galera tinha começado o camp na semana que cheguei e estava todo mundo na pegada. A cabeça dessa galera que vive para isso é bem diferente das que treinam por hobby. É incrível ouvir a história de cada um, os corres e ver o quanto eles se doam a cada treino.

Mas eu também adoro poder ter a oportunidade de treinar aqui todos os dias e crescer muito com meus professores e colegas de treino, ainda que seja bem diferente de lá. Os recursos que temos aqui, são completamente diferentes, a começar pela estrutura da academia. Enquanto lá eles têm dois tatames, aqui temos um, por exemplo. Então a grade de aulas é bem inferior. Enquanto aqui muitos de nós treinamos por hobby, lá também - embora a gente ache que a maioria da galera lá é de competição, mas não é exatamente assim. Mas o número de competidores de lá e daqui, deve ser no mínimo três vezes maior, eu realmente não sei comparar.

O melhor de tudo foi ter saído um pouco 'da caixa', conhecer novas pessoas, novas formas de treinar, novas histórias e poder compartilhar isso com o pessoal que treina comigo. Jiu-jitsu é muito doido! :) Foi muito bom ter tirado esse mês de férias e viver intensamente essa parada que eu gosto tanto.

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Ciclo hormonal e o desempenho esportivo

Rê Spallicci
Rê Spallicci
Ciclo hormonal e desempenho esportivo
Ciclo hormonal e desempenho esportivo []

Uma vez, assistindo a uma palestra do técnico de vôlei José Roberto Guimarães, ele contou que um dos maiores aprendizados que teve quando passou a treinar a seleção feminina de vôlei, sendo que sempre tinha trabalhado com homens, foi perceber o quanto o ciclo hormonal de suas atletas afetava seus desempenhos e como ele poderia agir para minimizar isso.

A partir de então, ele e seu preparador físico passaram a  estudar o tema e foram os pioneiros no país a entender os efeitos do ciclo hormonal no desempenho esportivo. E no fisiculturismo, o clico hormonal também tem influência?

Segundo a médica ginecologista e obstetra Carla César, docente da Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas da PUC SP e membro da comissão científica da SOGESP (Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo) a resposta é sim!

“A oscilação dos níveis de hormônio decorrente do ciclo reprodutivo pode influenciar a realização de exercícios e o desempenho das atletas. Dependendo da fase menstrual em que se encontram (veja abaixo), as mulheres podem ter melhor desempenho e até melhores resultados em seus treinamentos ou em competições . Estas alterações ocorrem tanto na mulher que treina como hobby, como nas atletas de alta performance”, revela.

E esta resposta é unânime em profissionais que são especialistas em treinamento para mulheres. Por isso conhecer essas diferenças e considera-las no momento do treinamento é fundamental.

Podemos até mesmo usar essas variações hormonais a nosso favor sabendo planificar nossos treinamentos também de acordo com os períodos hormonais.

Confira os ciclos menstruais e o reflexo de cada um no desempenho esportivo:


  • A)Fase 1 – Folicular
  • B)Fase 2 — Ovulatória
  • C)Fase 3 – Luteínica

Tem a predominância do hormônio estrógeno, começa no primeiro dia da menstruação e dura em média 11 dias. No período do fluxo menstrual, a mulher se sente mais cansada, sem ânimo e pode sofrer com as cólicas; já na fase pós- menstrual, há um forte aumento da capacidade de resistência e na velocidade, e o desempenho físico tende a uma evolução rápida e progressiva. Isto se deve à elevação do estrógeno e maior liberação de noradrenalina. Estudos do Laboratório de Metabolismo e Fisiologia do Esforço da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) sugerem esta época para participar de competições ou programar fases mais intensas do treino. 

Este período tem início quando ocorre a ovulação, aproximadamente a partir do 12º dia do ciclo e vai até o 22º dia. Nos primeiros dias, há aumento da progesterona e baixa do estrógeno, diminuindo a capacidade de coordenação e força; no entanto, do 16° dia em diante, o quadro se inverte e há um pico de progesterona, com aumento considerável na força, na velocidade e na resistência, é quando as atletas podem estar no seu melhor estado de rendimento. 

Esta fase é o tão temido período pré-menstrual, no qual ocorre a TPM.  Aqui há significativa redução do desempenho e aumento da fadiga muscular. Os sintomas de dor nas mamas, irritabilidade, dor de cabeça, retenção líquida, e prisão de ventre  podem diminuir a disposição para treinar,  mas os exercícios aumentam a quantidade de serotonina e endorfinas, inibindo a dor e levando a uma sensação de bem-estar. Dessa forma, os exercícios devem ser estimulados nesta fase, mesmo que o seu desempenho e rendimento não sejam os melhores.

Impedindo a ciclicidade

 O melhor desempenho físico da mulher seria logo após a menstruação e a ovulação, de tal forma que, se houvesse escolha, estas seriam as melhores épocas para uma mulher competir. “Mas não existe a possibilidade de se alterar o período menstrual. A melhor solução para as atletas, ou mesmo para as mulheres que treinam por hobby, é suprimir a menstruação, fazendo uso contínuo de anticoncepcional oral, o que impede a sua ciclicidade. Se, por um lado, a mulher perde as vantagens do período pós-ovulação e menstrual, não se arrisca a ter um pior desempenho nos outros períodos, ou ainda sofrer todos os sintomas da tensão pré-menstrual em plena época de competições”, aconselha a ginecologista. 

Uma coisa é certa. Independentemente do período, fazer atividade física é fundamental! “É importante que a mulher mantenha o treino mesmo nas piores fases, devido aos benefícios que o exercício trará com a liberação de serotonina e endorfina”, conclui Carla.

 Por isso, nada de ter a menstruação ou qualquer desconforto da TPM como desculpa para não treinar. Conhecendo o seu corpo e entendendo cada fase do ciclo menstrual, conforme explicamos acima, você e o profissional responsável pelo seu treino podem adaptar sua rotina de exercícios ao seu ciclo, garantindo melhores desempenhos e resultados.

 

Busque seu propósito. Deixe seu legado.

Rê Spallicci

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Ciclo hormonal e o desempenho esportivo

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Em busca de um sonho, embarquei para Paris e para jogar futebol

Luiza Travassos Fut
Luiza Travassos Fut
Meu time
Meu time Adriano Fontes

Ontem embarquei  em busca de um sonho.  Não um sonho comum que temos a noite, na verdade estou bem acordada e não sonhei sozinha. Esse sonho tem tanta gente envolvida: ele é meu e de mais 13 garotas que jogam futebol.

Esse sonho também é  de nossos pais, que mesmo sendo de uma geração que diz que lugar de mulher é em qualquer lugar, menos no campo de futebol, decidiram que nos apoiar era a única coisa certa a ser feita.

O sonho é de nossas equipes PSG Academy, que desde que chegou ao Brasil tratou a mim e todas as meninas sem fazer diferença alguma, se esforçando para, em conjunto, nos dar um espaço nesse esporte. 

O sonho é também de nossa equipe do Daminhas da Bola e da Base do Fluminense, que acreditam tanto na gente, que apoiaram suas atletas pra irem mostrar em Paris a qualidade do futebol feminino.

O sonho é da equipe técnica que vem nos preparando incansavelmente, abrindo mão de feriados, fins de semana, Dia das Mães pra treinar, treinar e treinar, porque nunca disseram que seria fácil, mas também sempre souberam que para nós, não existe o impossível.

O sonho é de nossos patrocinadores, que em tempos tão difíceis nesse nosso país, estão apostando que nós construiremos uma nova história.  

Esse sonho não é só de 14 garotas e sim, de centenas de outras, tão talentosas quanto a gente, mas que ainda não tiveram a chance de mostrar o seu potencial mas tenho certeza que se sentirão representadas!

Entraremos em campo, no nosso primeiro jogo. Não estaremos sozinhas. Todas essas meninas, nossa família , treinadores e amigos entrarão também, através de boas vibrações, de bons conselhos, de mensagens enviadas pelas redes sociais de orações! Isso tudo será como aquele grito da torcida incentivando a gente a ir buscar o resultado. E iremos, por nós e por eles. 

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O lado obscuro do esporte e da Internet no caso Sidão

Bibiana Bolson
Bibiana Bolson
Sidão durante derrota do Vasco para o Santos, pelo Brasileirão
Sidão durante derrota do Vasco para o Santos, pelo Brasileirão Gazeta Press

A apenas um clique está o que há de pior e melhor da Humanidade. Verdade seja dita, nos últimos anos, a revolução digital nos proporcionou incontáveis benefícios, movimentos sociais que vieram para quebrar padrões, romper barreiras e soprar ventos de novos tempos com suas mudanças históricas. Mas nos mostrou igualmente o lado mais triste, sombrio e assustador de quem está por trás da tela, seja ela qual for. E as consequências são as mais diversas. 

Para lembrar alguns dos casos mais recentes, acompanhamos uma atleta da grandeza da judoca Rafaela Silva ser praticamente engolida pelo ódio e o preconceito racial. Foram necessários anos de terapia e preparo emocional para que a Rafa virasse esse “jogo”, recuperando a confiança (ganhando de forma emocionante o ouro no Rio 2016). Vi a Patricia Moreira, aquela torcedora flagrada chamando Aranha de “macaco”, ter sua vida devastada por um ato que, SIM, foi muito errado, que deve ser punido e definitivamente extinto dos estádios, mas que tomou proporções gigantescas. Ela merecia ter a casa queimada? Ela merecia receber consecutivas ameaças de estupro? Não. Nem ela, nem ninguém.

Márcio Chagas da Silva, ex árbitro de futebol, expôs recentemente um duro relato sobre o racismo. Recebeu uma enxurrada de comentários que o acusavam de ser mentiroso, de “manchar” a história do esporte gaúcho. Quer dizer, nem mesmo a coragem de um homem que sabe tudo que sentiu, literalmente na pele, é poupada. É sofrimento dobrado! 

Nesse fim de semana, chegamos mais uma vez ao fundo do poço. A parte obscura da Internet elegeu o Sidão, goleiro do Vasco, depois de uma falha, o craque do jogo. A emissora que transmitia a partida não teve empatia ou entendimento correto (e ação rápida o suficiente) para não coroar o comportamento que zombava do atleta. A armadilha perfeita para expor todos os envolvidos. Foi humilhante para o Sidão e para a Júlia Guimarães, excelente repórter. 

Essa é a mesma Internet que diariamente agride outros atletas, jornalistas, comentaristas, árbitros, políticos, artistas, cidadãos no geral. E mulheres. Sim, muitas mulheres. Preciso destacar que principalmente mulheres conforme levantamentos recentes. A Júlia, repórter que teve que entregar o prêmio super constrangida, está até agora sendo fortemente criticada, ainda que nada tenha tido com a escolha do Sidão. Os valentões do teclado adoram inflar seus discursos odiosos e verbalizar a violência em situações exatamente assim. 

Não é que o futebol não tem mais espaço para as zoeiras, para as brincadeiras ou para memes. Não é que o esporte ficou chato e que o “mimimi”, como dizem por aí, tomou conta de tudo. É que o respeito, ter consideração pelo outro, ter empatia, precisam ser valores-guias para todas as nossas ações. Eu prefiro ficar sempre com o lado bom da história: o da solidariedade, por exemplo, de clubes e jogadores que entenderam o constrangimento que o Sidão tinha passado e logo se manifestaram. 

Fonte: Bibiana Bolson

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O dia que enfrentei Jéssica Andrade, a nova campeã peso-palha do UFC

Mayara Munhos
Mayara Munhos
A nova campeã peso-palha do UFC
A nova campeã peso-palha do UFC Buda Mendes/Zuffa LLC

Em 2015, eu estava me preparando para lutar o Campeonato Mundial da Confederação Brasileira de Jiu-jitsu Esportivo (CBJJE). Um pequeno mundial organizado no Brasil, mas que atrai muitos atletas pelo "glamour" do nome. 

Faixa azul na época, eu estava confiante, treinei muito, peguei férias no trabalho para focar ainda mais. Minha primeira luta seria com uma tal de Jéssica C. Andrade, da equipe PRVT (que eu nunca tinha ouvido falar, até então). Era a Paraná Vale Tudo.

Chegou o dia e lá estávamos nós. Vi a Jéssica na concentração. Kimono branco, tipo um metro e meio (ela tem 1,57m) e um rosto normal. Isso significa que, de aparência, ela era só mais uma competidora, como eu. Não era daquelas que você olha e sente medo. Era apenas mais uma. E eu continuava confiante.


E então chegou a hora. E foi especial, porque minha família estava lá para me assistir - uma pressão a mais. Nos cumprimentamos e começamos a luta. Chamei ela na guarda um pouco desajeitada, e ficamos por muito tempo brigando: eu na meia guarda e ela só tentando passar. Eu fazendo uma retenção e ao mesmo tempo tentando raspar, e ela com o quadril alto, sem abraçar a minha cabeça e nem nada, mas ela estava claramente mais calma. Em um momento da luta, vi a oportunidade de levantar num single leg e tentar botar ela no chão. Foi o que fiz, ou tentei, porque não sou nada boa nesse negócio de single leg. Subi, ela foi para trás e em questão de segundos, ela pulou na guarda já puxando meu pescoço. Quem está lendo até aqui e conhece minha adversária, já sabe: era uma guilhotina. No chão e com a guarda fechada em mim, ela apertava, e eu não sabia defender muito bem porque não é tão comum guilhotina com kimono. Eu estava pensando que era inaceitável e conseguia ouvir meu antigo professor gritando 'cabeça no chão, cabeça no chão', para aliviar a pressão. Mas até eu conseguir chegar com a cabeça no chão, não dei conta e bati. Eu estava desistindo. 

A luta tinha um total de 5 minutos e eu aguentei até cerca de 4. Eu não estava satisfeita. Minha mão não saiu levantada. E na beira do tatame, eu desabei de chorar. A Jéssica saiu um pouco depois de mim e se abaixou do meu lado.


Ela me deu um abraço. "Cara, você é muito forte", ela me disse. "Obrigada, eu treinei muito", respondi. "Foi uma boa luta, não fica triste, você é realmente forte e foi um prazer", ela falou e me deu um apertinho, não como de quem está debochando de mim, mas de alguém que sabe o que estou sentindo porque estava ali pelo mesmo motivo que eu.

Naquele dia, ela venceu mais 3 lutas, todas por finalização e em tempo menor - a final foi em 18 segundos, como ela publicou no Instagram. Ela recebeu de seu professor, Gillard Paraná, a faixa roxa no pódio mesmo (a quem dedicou a vitória do UFC 237). Depois, alguém me disse que aquela garota que eu tinha lutado, era do UFC. Eu continuei insatisfeita pelo resultado, mas confesso que serviu um pouco de consolo. Fui pesquisar um pouco sobre ela que, apesar de não estar em evidência, já tinha 7 lutas e 4 vitorias, só no UFC. A finalização predileta dela era guilhotina - a calma dela na luta comigo era claramente porque ela já sabia que era isso que ia fazer. Mais que Jéssica Andrade, ela era a Jéssica 'Bate-Estaca', um golpe que é ilegal no jiu-jitsu, mas foi assim que ela chegou ao cinturão do UFC neste final de semana - já que no MMA, pode. Ela venceu Rose Namajunas no UFC 237, no segundo round, mostrando o por quê de 'Bate-Estaca'.

É a dor e a delícia do jiu-jitsu. Você não escolhe suas adversárias. Diferente do UFC, você não diz 'sim' ou 'não'. Você paga um campeonato, se inscreve e lá, você vai lutando contra quem tiver feito o mesmo, seja alguém da academia pequena da esquina, até a nova detentora do cinturão peso-palha do UFC. 

Seria maravilhoso dizer que eu venci aquela luta. Mas também não é amargo dizer que perdi. Hoje, a Jéssica é faixa marrom de jiu-jitsu. Naquela época, ela competia muito. Ela rodava o Brasil, lutava campeonatos de várias federações e em 2015, tinha se dado super bem por onde competiu. Paralelo a isso, ela treinava MMA e estava no UFC. 

Jéssica, que tem hoje 15 lutas no UFC, é mais uma brasileira responsável por colocar nosso país no "top" do MMA feminino. Após a vitória, o Brasil domina as categorias femininas do UFC. Das quatro, o cinturão de três delas pertence às brasileiras. Amanda Nunes é dona do peso galo e pena. Isso sem esquecer que Cyborg foi a rainha do peso pena durante muito tempo. 

É uma honra dizer que o MMA brasileiro é um destaque nas categorias femininas. E uma honra ainda maior ver o quanto a Jéssica de 2015 cresceu e está conquistando o mundo. VOA, JÉSSICA!

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Melhor levantadora do mundo revela que o segredo do sucesso é o veganismo

Marília Galvão
Marília Galvão

Macris foi eleita a melhor jogadora da temporada na Superliga Feminina
Macris foi eleita a melhor jogadora da temporada na Superliga Feminina Gaspar Nóbrega/Inovafoto/CBV

Ter habilidade em um fundamento específico no vôlei e alimentação não têm relação. Na teoria. Macris Carneiro é a prova de que "dieta" e desempenho nas quadras têm relação maior do que qualquer um pode imaginar. Desde que ela se tornou vegana, em 2017, a qualidade como levantadora subiu até ela ser eleita a melhor do mundo no quesito.

Macris busca a segunda participação em Jogos Pan-Americanos. Ela já esteve no torneio de Toronto, em 2015. À época da competição canadense, a levantadora não era vegana. Foi o ano de sua primeira convocação para a seleção brasileira.

Nascida em Santo André, cidade ao lado de São Paulo, ela começou a jogar vôlei aos oito anos. A levantadora passou pelo São Caetano, depois pelo São Bernardo, Pinheiros e Brasília, até chegar ao Minas Tênis Clube, em 2017, onde acaba de renovar o contrato por mais uma temporada.

O ano em que chegou ao clube mineiro foi de melhora dentro e fora das quadras. Macris credita a mudança ao fim da alimentação contendo qualquer alimento de origem animal. Quem é vegano não consome nada de origem animal, nem mel, por exemplo; já o vegetariano pode abrir exceção a derivados de leite e ovos.

“No final de 2016, eu quebrei muitos mitos e ideias pré-concebidas que eu tinha sobre alimentação. Junto da inspiração em outros atletas veganos e também ao conhecimento de muitos documentários que mostravam a realidade do que eu sempre ignorei até então, pude ter uma conexão em relação aos animais”, diz.

“E me questionei: por que amar uns e comer os outros? Então, eu percebi que estava tendo uma nova visão de mundo. Ficou cada vez mais clara a necessidade da mudança não só pelos animais, mas também pela minha saúde”, completou a atleta.

Macris foi eleita a melhor levantadora da temporada na Superliga Feminina
Macris foi eleita a melhor levantadora da temporada na Superliga Feminina Gaspar Nóbrega/Inovafoto/CBV


Ponto-chave: disciplina

A melhora no desempenho foi notada pela comissão técnica do clube em que joga. De acordo com Alexandre Ferreira Marinho, preparador físico do Minas, desde que Macris virou vegana, deu um salto nos números e performances nos testes e controles - como níveis de força e potência - com índices bem acima da média das outras jogadoras do time.

“O fato de ela ter se tornado vegana obviamente exige uma disciplina maior, e ela transporta isso para a prática também. Ela é bastante disciplinada com alimentação, com treino e com descanso. Em alta performance é muito importante fechar todos esses fatores, que são preponderantes para desenvolver um bom voleibol”, diz Marinho.

O preparador ainda destaca que Macris praticamente não se lesionou em duas temporadas. “Ela quase não pisou no departamento médico. Os preventivos e todo o trabalho são feitos na academia. E sobre a questão de recuperação, ela se destaca muito em relação às outras meninas. É uma das que melhor se recuperam ao longo de toda a temporada”.

A melhora no desempenho em mais quesitos também foi observada pela própria Macris. “Eu tive muitos benefícios tanto no aspecto físico como psicológico. Eu passei a me ver uma pessoa mais tranquila, mais focada, conseguindo dormir melhor, descansar melhor, e tendo fisicamente benefícios como melhor recuperação muscular depois de treinamento intensos, menor desgaste físico em jogos longos. As dores articulares que eu tinha e inflamações também praticamente zeraram”, argumenta.

Questionada a respeito da alimentação, a atleta afirma não passar por nenhuma dificuldade, inclusive em viagens.

“A alimentação de veganos não é restritiva e nem limitada porque através de uma expansão de consciência que te permita sair daquele modo automático, abre-se na mente um leque de opções já existentes, mas que muitas vezes são ignoradas pelo comodismo ou pela tradição. A minha alimentação é focada nas coisas de origem vegetal, frutas, verduras, legumes, grãos, nozes, castanhas, sementes, e muitas outras coisas. Sempre que viajo para algum lugar, encontro muitas opções veganas com facilidade, além de conhecer novos sabores e diferentes formas de consumir esses alimentos. Percebo que o mercado lá fora está muito preparado”, conta.

O Minas Tênis Clube foi campeão da Superliga Feminina em abril de 2019
O Minas Tênis Clube foi campeão da Superliga Feminina em abril de 2019 Gaspar Nóbrega/Inovafoto/CBV

Em geral, Macris disse que sua vida antes de ser vegana e depois foi bastante modificada positivamente. “Tive a oportunidade de voltar meu olhar, ações e pensamentos para muitas coisas que antes eu não percebia, com relação a meio ambiente, sustentabilidade, equilíbrio interno, etc. Meu trabalho intestinal melhorou muito e meu paladar se ajustou bastante para os alimentos mais saudáveis. Hoje enxergo não só os animais, mas todos os seres vivos de uma forma mais amorosa e com mais compaixão. Tudo isso foi impactado positivamente na minha vida”.

Resultados

O Minas foi campeão da Superliga neste ano e Macris ganhou o prêmio de melhor levantadora e melhor jogadora (MVP) do torneio. Além dessas premiações, a atleta conta com cinco prêmios de melhor levantadora em outras edições da Superliga; na temporada 2018/2019 foi eleita a melhor da posição no Campeonato Mineiro, no Sul-Americano, no Mundial de Clubes da China - quando conquistou o posto de melhor levantadora do mundo -, entre outros. Devido ao excelente desempenho dentro das quadras nessa temporada, a atleta ganhou o apelido de “Fada Vegana” nas redes sociais.  

Sonho em disputar Olimpíada

Apesar de já estar na seleção brasileira desde 2015, Macris não participou da Olimpíada do Rio, em 2016, mas sonha com a possibilidade de ser convocada para Tóquio 2020.

“Na época eu fiquei conformada, e entendi a escolha da comissão técnica. Afinal, tive a minha primeira participação na seleção no ano anterior. E para uma posição de levantadora, não teria experiência e bagagem necessárias para disputar no ano seguinte. Acredito que participar de Olimpíada seja o sonho de todo atleta. Agora é batalhar e buscar melhora e evolução para essa oportunidade aparecer e aproveitarmos da melhor maneira”, finaliza.

 

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Larissa Cunha: Uma lenda no fisiculturismo brasileiro

Rê Spallicci
Rê Spallicci
Larissa Cunha
Larissa Cunha []

São 25 anos dedicados ao esporte! Larissa Cunha é uma das pioneiras do fisiculturismo no Brasil e um exemplo para todas as atletas que se aventuram na modalidade. Miss Universo 2009 na Inglaterra, duas vezes campeã Mundial (Malta, 2010 e Espanha, 2014), campeã Sul-americana 2007, três vezes campeã Brasileira (de 2006 a 2008), cinco vezes campeã Paranaense, campeã Paulista e quinta colocada no concurso de  Miss Universo (Alemanha 2018), Larissa é uma colecionadora de títulos! 

Títulos que acumula também na vida acadêmica:  é graduada em Educação Física, Nutricionista, Bacharel em Teologia, Especialista em Treinamento Desportivo, Especialista em Fisiologia do Exercício, Especialista em Fitoterapia, Acadêmica em Biomedicina e treinadora de atletas de várias modalidades de âmbito nacional e internacional.

E, além de todas as conquistas, Larissa é uma daquelas pessoas que abriu caminhos, rompeu barreiras e possibilitou que hoje o fisiculturismo fosse  mais reconhecido e praticado. Por isso, tenho orgulho de tê-la em minha coluna, em uma bate-papo sobre sua vida e carreira! Confira:

 

Larissa Cunha Atleta
Larissa Cunha Atleta []

Renata Spallicci - Conte pra gente um pouco de sua trajetória no esporte. Desde quando você treina? Quando passou a treinar para se tornar uma atleta de fisiculturismo, e o que a impulsionou?

Larissa Cunha - Eu comecei a treinar com o objetivo de ser atleta aos 18 anos. Hoje, estou com 43. Então, são 25 anos dentro do esporte, pesquisas e estudo.

Aos 13 anos, acompanhava minha mãe e uma tia às aulas de ginástica. Naquela época, mulheres não faziam musculação, pois atividade física era “coisa para homens”. 

Eu ficava observando a aula e conversando na recepção da academia... Um dia, achei uma revista e comecei a olhar. Era  uma FLEX MAGAZINE. Fiquei impressionada com os corpos musculosos dos homens e mulheres e, saindo da aula com minha mãe, eu disse: ‘quero ser musculosa!!’ E cresci com esta ideia na cabeça. Aos 17 anos, fiz Vestibular para Educação Física. Na época, um professor na faculdade me ajudou a conhecer mais sobre o esporte, e eu contava muito também com o apoio de minha mãe. Juntos, eles conversaram com uma personal trainer e com uma nutricionista  para me ajudarem. Fiquei pouco tempo com elas, pois minha sede em aprender era maior. Em uma época sem internet, ficava horas lendo em bibliotecas sobre musculação, treinamento, nutrição e, mesmo nas bibliotecas, as informações eram bem escassas. Então, por meio de pesquisas, estudos, dietas e treino, na base da “tentativa e erro”, fui crescendo no esporte e na minha profissão.

RS - Você é uma das pioneiras do esporte no Brasil. Como foi para você quebrar barreiras e superar preconceitos?

LC - Há mais de 20 anos, fazer um esporte não reconhecido e com muito  preconceito, não era fácil. Tive alguns problemas, recebia xingamentos, críticas negativas. Mas nunca deixei isso me afetar, pois sempre acreditei que nossos sonhos podem ser realizados e que a nossa satisfação é o melhor presente que podemos nos dar.

Lutei muito contra preconceito no trabalho, entre colegas, em lojas... Mas tudo isso passou e, hoje, a musculação e o fisiculturismo estão em alta. Temos muitas modalidades, as quais podem ser praticadas por homens e mulheres, com corpos que vão desde os menos musculosos até os  gigantes. Categorias como Bikini, Welness, Fitness Model para mulheres atraem um grande público, assim como Mens Physique, Clássico para homens.

Eu gosto de ser grande, então continuo treinando pesado para manter meu shape dessa forma. Compito na Categoria feminina Extreme ou Miss Physique / Body, e gosto. Não me importo com comentários, o importante é que amo o que faço.

RS - Você foi também a primeira brasileira a vencer o concurso de miss universo na Inglaterra, em 2009. Como foi a sensação de chegar a este título? 

LC - Indescritível. Foi a melhor sensação dentro do esporte que pude sentir. Competi com atletas consagradas no esporte, que eram favoritas: inglesas alemãs, russas.... Mas me preparei muito, fui tranquila e desfilei com alegria. Éramos 21 atletas e, na final, só ficaram seis. Quando me chamaram, fui para o backstage e depois voltamos, as 6 melhores,  enfileiradas lado a lado.Fizemos as poses e esperamos o juiz chamar.E veio: sexto, quinto e quarto lugares... Quando chegou à terceira colocada, eu já estava com as pernas tremendo e agradecendo a Deus. Eu achava que ia ficar em terceiro, mas não... Chamaram a terceira colocada... eu já estava em lágrimas. Quando chamaram a vice-campeã e não era eu...  Ajoelhei no palco e orei. Agradeci a Deus pela vitória. Saí correndo para  frente do palco e me jogaram uma bandeira do Brasil  (tô lembrando e chorando novamente, hihihi). Eu não sabia o que fazer. Comecei a pular e vieram me entregar o troféu. Uma linda estátua em bronze, um corpo feminino abstrato. Foi muito emocionante. Só quem vive isso consegue sentir a emoção. Mesmo descrevendo, é difícil explicar. 

RS - Qual sua rotina de treinamento?

LC - Treino de segunda a sexta às 11 horas. Tenho um método próprio de treinamento: MTT Mixed Techniques Training, elaborado por mim. Os estímulos são diferentes a cada treino para manter músculos e cérebro em  variação constante.A cada fase da preparação o treino é especifico, e a inserção dos exercícios aeróbicos também é necessário.

 RS - E sua dieta?

LC - Minha dieta também sou eu quem elabora. Cada fase do treinamento tem sua especificidade. Toda a Suplementação Esportiva é da ADAPTOGEN SCIENCE.  A qualidade, tecnologia e pureza do suplemento fazem toda a diferença para o resultado final.

RS - Que conselhos daria para as meninas que querem começar no esporte? Quais os principais atributos necessários?

 LC - Primeiramente, escolha uma categoria na qual  seu corpo se enquadre. Muitas admiram corpos que têm estrutura diferente do que a sua genética pode alcançar. É imprescindível ter acompanhamento médico, nutricional e de um bom treinador. Disciplina , maturidade e autocontrole também são essenciais para manter toda a preparação e para sair de algumas situações de preconceito que poderão surgir.

Ter um corpo diferente chama  atenção, então, é importante saber sair de algumas situações constrangedoras. Mas não deixem de fazer aquilo de que vocês gostam ou com que sonham. Conquistar o que almejamos é maravilhoso, ninguém nos tira essa sensação, esta alegria!

Gratidão, Larissa, pelo papo e, principalmente, por ser uma pioneira no esporte e quebrar tantas barreiras para todas nós! São pessoas como você que nos possibilitam hoje ter mais reconhecimento no nosso esporte!

 

Busque seu propósito. Deixe seu legado.

Rê Spallicci

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A taça que precisamos levantar é a do respeito ao futebol feminino

Julia Vergueiro
Julia Vergueiro
Ada Hegerberg recebe Bola de Ouro
Ada Hegerberg recebe Bola de Ouro The Daily Star

A notícia já era esperada, mas hoje veio a confirmação oficial: Ada Hegerberg, atacante do Lyon e primeira mulher a receber a Bola de Ouro da FIFA, não jogará a Copa do Mundo de 2019, que começa no dia 07 de junho na França. A norueguesa de 23 anos não foi convocada para o mundial por escolha dela mesma: desde 2017 que a jogadora decidiu parar de representar o seu país em protesto ao tratamento desigual e injusto dado pela Federação Norueguesa ao futebol feminino.

A escolha de Ada, assim como a das jogadoras norteamericanas que processaram a Federação de Futebol dos EUA e como a das brasileiras que se afastaram da Seleção em protesto ao processo de demissão da treinadora Emily Lima, são essenciais para que mudanças aconteçam, mesmo que não como resposta direta ao ato em si. Uma das maiores jogadoras do mundo na atualidade pode estar abrindo mão de levantar a taça de uma Copa do Mundo, mas ela o faz com a convicção de quem sabe que a conquista maior não se limita a um pódio ou a uma medalhada e ouro.

"Eu sei o que quero e conheço meus valores e, portanto, é fácil tomar decisões difíceis quando você sabe quais são as ambições e os valores que você defende. É tudo sobre permanecer fiel a si mesmo, seja você mesmo”, disse Ada em entrevista à CNN.

A notícia mal saiu e já li comentários questionando se uma atitude como essa fará alguma diferença. Mas eu acredito que não é sobre surtir efeito ou não, é sobre fazer o que precisa ser feito, sobre lutar pelo o que a gente acredita. As mudanças que estamos buscando não são simples nem pequenas, são estruturais e diretamente ligadas a valores culturais que foram semeados e desenvolvidos por muitas décadas. Ter ciência disso não é desculpa para nos conformarmos com a lentidão do processo, mas sim importante para pensarmos em estratégias escalonadas, que sejam viáveis dentro de cada momento e contexto e evoluam ao longo do tempo. É quase como uma caça ao tesouro: primeiro você precisa achar o mapa, depois desvendar os caminhos e enigmas, para então encontrar as peças que te levarão à chave do baú.

Ano passado tive o prazer de participar do ESPNW Summit na California, um evento único e extremamente inspirador que reuniu centenas de mulheres, entre atletas, jornalistas, empresárias e celebridades em dois dias de intensas trocas e aprendizados. E foi lá que eu escutei ao vivo a história exemplar da seleção de hóquei feminina, que acabara de ser campeã dos jogos olímpicos de inverno após ter feito um boicote à Federação em prol de um tratamento mais igual e justo à modalidade feminina no país, e terem sido atendidas apenas poucos dias antes do início do torneio. O ponto principal para o sucesso do boicote foi conseguir o apoio de todas as praticantes de hóquei do país. Afinal, se apenas as jogadoras que estavam na seleção tivessem aderido, seria relativamente simples para a Federação trocá-las por outras jogadoras que estivessem "afim" de jogar. Cientes disso, elas mesmas pegaram seus telefones e ligaram para cada atleta que elas conheciam ao redor do país, construindo assim um movimento consistente o suficiente para não só conseguir as demandas exigidas, como para dar uma força imensa que as levou ao primeiro ouro olímpico desde que a modalidade foi incluída nos Jogos. 

Hockey National Team at ESPNW Summit 2018
Hockey National Team at ESPNW Summit 2018 Robby Klein for ESPN

2019 está sendo um ano diferente para o futebol feminino no Brasil, mas precisamos ter cuidado para não depositarmos expectativas impossíveis e acabarmos nos frustrando e desistindo. É claro que precisamos aproveitar a oportunidade que esse período de visibilidade e início de investimentos proporciona, mas com a consciência de que ainda tomaremos muitos nãos, de que ainda sofreremos com assédios, preconceitos e negligências, e que os frutos maiores só serão colhidos no longo prazo. 

Fico triste de saber que não verei a Ada jogando ao vivo na França, mas feliz e grata por saber que o futebol feminino possui atletas com tamanha consciência e coragem. Tenho certeza que ela não só ajudará a modalidade a ser vista e tratada com mais respeito, como inspirará muitas outras meninas e mulheres a não se calarem diante das injustiças e a lutarem pelos nossos direitos.

Fonte: Júlia Vergueiro

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Acertando a dieta: meu corpo, meu laboratório!

Rê Spallicci
Rê Spallicci
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Uma das coisas que mais me encanta no fisiculturismo é a possibilidade de trabalhar o corpo como um verdadeiro laboratório, fazendo experiências, testes e acompanhando os resultados… É isso, gosto de pensar o corpo como uma mesa de som: você ajusta sutilmente o volume, o grave, os médios, o agudo… e a diferença pode ser sentida quase que imediatamente. É assim também com nosso corpo. Pequenos ajustes na dieta produzem reflexos notáveis e quase imediatos.

 Sem contar a variação também com relação a cada momento. Por exemplo, temos algumas grandes fases em nossa preparação. Há a de ganho de massa muscular, chamada de bulking, que confesso pra vocês que esteticamente não é minha fase preferida, pois os músculos ficam um pouco mais hidratados, não tão aparentes e não se vêem tanto as divisões e fibras. Como a gente diz, na gíria dos fisiculturistas, você fica um pouco “embaçado”. E há a chamada fase de cutting, quando pra definir os músculos, a gente precisa eliminar o máximo possível de gordura. Gosto disso: do músculo aparente, da veia saltada, de ficar “fibrada”, como dizem, rsrs…

 Experimentando uma nova dieta

Seja no cutting ou no bulking, acertar na dieta é fundamental e pode ser decisivo para o desempenho em uma competição. Por isso, é importante testar: quanto mais você experimenta, mais vai conhecendo seu corpo e sabendo como ele responde a cada mudança.

 Agora estou experimentando uma nova dieta. Entrei para o time da Ângela Borges e ela tem uma abordagem muito diferente das que eu utilizava anteriormente.

A minha dieta atual é muito mais equilibrada: como carboidratos, frutas, nada é proibido! Estou adorando e vendo excelentes resultados! 

Sabe, estou curtindo muito porque a Angela, como eu, é bastante científica neste trabalho. E eu adoro aprender com os profissionais, entender os porquês, aprender a ativação de cada nutriente. Até porque, para o fisiculturista, a nutrição é a coisa mais importante. Como diz o Eduardo Corrêa, considerado uma das principais referências no fisiculturismo brasileiro, é na dieta que cada atleta consegue fazer valer um diferencial que pode ser decisivo na prova.

E não adianta, isso é algo que varia de pessoa para pessoa. O que funciona para um, nem sempre funciona para outro. Por isso é tão importante se conhecer, para chegar na competição com seu melhor shape. E, nesse sentido, os dias e horas que antecedem uma competição são decisivos. Tem gente que na reta final gosta de carga, tem gente que gosta de desidratar… enfim, cada um tem a sua forma de trabalhar.

Fazer dieta não é fácil

E quer saber? Vou compartilhar um segredo com vocês: eu adoro comer! (#prontofalei) Sim, é verdade. Fui uma criança gordinha e tenho a mente de alguém que cresceu comendo uma quantidade bastante grande de carboidratos, refrigerantes, frituras… ou seja, cresci gostando de comer essas coisas! Por isso, quando estou em dieta, passo muita vontade. Mas esta atual é mito mais fácil de eu me controlar!

Porque é isso que temos que fazer sempre: nos controlar, e esta é a parte que mais me apaixona: “Impossível? Então é pra lá que eu vou”. Sou assim. Gosto de sobreviver nesse ambiente. Gosto de controlar minha mente e meu corpo. Saber que consigo, que sou capaz, me dá mais prazer que o prazer momentâneo de eu me permitir algo que hoje não está no meu dia a dia.

Essa coisa de conseguir fazer com que a mente comande tudo me incentiva. Eu encaro como um desenvolvimento mental, uma evolução constante…

Espero que tenham curtido. A gente se vê por aqui no próximo post!

 

Busque seu propósito. Deixe  seu legado.

Rê Spallicci

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Acertando a dieta: meu corpo, meu laboratório!

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Avalanche de recordes mundiais no World Series 2019

Edênia
Edênia

Olá, meninas.

 
Na última semana aconteceu simultaneamente duas etapas do World Series de natação Paralímpica, aqui em São Paulo e também em Glasgow, Inglaterra. O que me surpreendeu foi o nível técnico da natação Paralímpica feminina, ao todo foram seis RECORDES MUNDIAIS. Sim, seis recordes mundiais! Surpreendente! 

Maria Carolina São Paulo
Maria Carolina São Paulo © Comitê Paralímpico Brasileiro

 No Open Internacional de Atletismo e Natação, em São Paulo, a natação teve sua grande protagonista; Maria Carolina Santiago, a pernambucana quebrou o recorde mundial dos 100m peito SB12 (baixa visão) duas vezes, cravando nas eliminatórias 1min14s94 e nas finais esmagou novamente o recorde mundial, com 1min14s79. Maria Carolina quebrou não somente o recorde mundial como também o jejum brasileiro feminino que durava 15 anos. O recorde é de Atenas 2004 quando Fabiana Sugimori estabeleceu o novo recorde mundial nos 50m livre S11 (cego total), desde então nenhuma mulher voltou a quebrar recorde mundial. Nada mal para o início de temporada de competições internacionais no Brasil!

Elena Krawzow  Glasgow
Elena Krawzow Glasgow British Swimming

Enquanto recordes e mais recordes eram quebrados aqui no Brasil, em Glasgow- Inglaterra não era diferente, alemã Elena Krawzow, estraçalhou o recorde anterior dos 100m peitos SB12 (baixa visão), da brasileira Maria Carolina, diminuindo a marca em 77 centésimos, cravando 1min14s02. O recorde durou poucas horas, isso nos diz que em um futuro próximo a piscina vai tremer com essa disputa.

Alice Tai, Glasgow 2019
Alice Tai, Glasgow 2019 @georgiekerr for @britishswimming

   
Outro nome de destaque em Glasgow é da Britânica Alice Tai, da categoria S8, que estabeleceu dois novos recordes mundiais nos 100m costas com 1min08s09 na tarde do último dia 27, e na manhã seguinte, 28, voltou a estabelecer novo recorde mundial, desta vez, nos 50m livre S8 (deficiência física), cravou 29s66. Já no Brasil, simultaneamente, a brasileira Cecilia Araujo também quebrava seu próprio recorde das Américas nos 50m livre S8, com 30s69. Certamente os Jogos Parapan Americanos de Lima será de altíssimo nível!

Ellie Challi em Glasgow 2019
Ellie Challi em Glasgow 2019 British Swimming

Vamos abrir um parêntese para as provas não Paralimpicas, que também teve recorde mundial destruídos. Os dois nomes em destaque entre os classe-baixas (atletas com deficiência severa) ficou por conta da Britânica Ellie Challis, atual recordista dos 50m peitos Sb2 com 1:05.42 e o brasileiro Gabriel Geraldo, detentor do recorde mundial dos 50m borboleta S2 com 1min05s44. Sempre uma alegria ver o número de atletas com deficiência severa aumentar!

Edênia Garcia momento após ver seu tempo- São Paulo
Edênia Garcia momento após ver seu tempo- São Paulo Daniel Zappe

E para finalizar com mais notícias boas, no último dia 26, fiz os índices necessários para compor as seleções brasileiras do Parapan de Lima 2019 e Mundial em Londres 2019 e também estabeleci o melhor tempo do mundo nos 50m costas. Será meu quinto Jogos Parapan americanos e sétimo mundial, parece surreal estar mais um ano na Seleção brasileira. 
 
Estejam atentas, 2019 já está sendo um ano incrível para o esporte paralímpico feminino!
 
Forte abraço,
 
Edênia Garcia

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Avalanche de recordes mundiais no World Series 2019

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Atleta troca futebol pelo rugby e se destaca como capitã da Seleção Brasileira

Marília Galvão
Marília Galvão

Raquel Kochhann disputou o Hong Kong Sevens Feminino em abril deste ano
Raquel Kochhann disputou o Hong Kong Sevens Feminino em abril deste ano Mike Lee/World Rugby

O sonho dela era vestir a “amarelinha”, mas no futebol. O desejo bateu na trave. Ironicamente ela marcou o gol em um esporte diferente, o Rugby. Esta é a história de Raquel Kochhann, capitã da Seleção Brasileira Feminina de Rugby Sevens (uma variante do esporte praticada com times com 7 atletas em vez de XV).

Encontrei-a no NAR (Núcleo de Alto Rendimento), espaço onde acontecem os treinos de atletas profissionais de variadas modalidades esportivas. De longe vi uma menina sentada em um banco dentro da academia. Abordei-a e bastou a apresentação e uma pergunta para que ela começasse a mostrar no brilho dos olhos o quanto é apaixonada pelo esporte.

Raquel Kochhann e Bianca Silva comemoram título do Hong Kong Sevens em 2019
Raquel Kochhann e Bianca Silva comemoram título do Hong Kong Sevens em 2019 Mike Lee/World Rugby


Natural de Saudade – SC, Raquel sempre morou com seus pais em Pinhalzinho, interior do estado catarinense. Boa parte da sua família sempre jogou futebol. Quando era pequena, acompanhava seu pai nos jogos e ficava buscando a bola quando ela saia para fora das quatro linhas. Foi então que Raquel se apegou ao esporte e começou a participar de jogos escolares. Mas não só no futebol, ela também competia no atletismo, salto em distância, salto em altura, basquete, tênis de mesa e futsal. O sonho dela sempre foi representar a seleção brasileira. Costumava falar para a sua mãe: “quero vestir a amarelinha”.

O esporte que ela mais se identificava e tinha vontade de seguir carreira era o futebol. Com 15 anos, fez uma seletiva para o Esporte Clube Juventude, em Caxias do Sul. Passou no teste e foi morar na cidade para jogar como “semiprofissional”, o que seria uma “porta de entrada” para, quem sabe, virar atleta profissional e passar a viver somente do esporte.

Yaras são campeãs do Hong Kong Sevens Feminino 2019
Yaras são campeãs do Hong Kong Sevens Feminino 2019 Mike Lee/World Rugby

Raquel começou a se destacar no futebol e aos 17 anos teve uma pré-convocação para um treino da Seleção Brasileira sub-17. Seu sonho de representar o Brasil estava ficando mais próximo, quando na véspera do treino teve uma entorse no pé, o que foi suficiente para ser cortada do mesmo, pois não haveria tempo para se recuperar.

Foi então que Raquel decidiu deixar o esporte um pouco de lado e passou a se dedicar aos estudos, pois não tinha mais o foco em ser atleta após essa decepção. Entrou no curso de Educação Física em uma faculdade em Caxias do Sul - RS, mas mesmo assim nunca chegou a largar o esporte de maneira competitiva.

Aos 19 anos, Raquel começou a jogar futsal no time da faculdade, quando, durante um treino, uma menina que também jogava a chamou para ir conhecer o Rugby Sevens. Ela nunca sequer tinha ouvido falar sobre essa modalidade esportiva.

“Fui conhecer um treino. Naquele dia, foi um treino específico de contato. O fato de poder ‘derrubar’ as pessoas, correr com a bola e não deixar as pessoas te derrubarem, foi o que mais chamou a minha atenção. Na época, eu era um pouco gordinha e fortinha, mas vi que isso não era um problema, e sim uma vantagem.”

Então Raquel decidiu entrar de vez para o Rugby Sevens. Sua primeira disputa foi o Campeonato Gaúcho, quando de cara ganhou o prêmio de melhor jogadora do torneio. Na época, ela jogava pelo Serra Rugby, de Caxias do Sul. 

Em 2012, Raquel decidiu tentar pela segunda vez na vida fazer parte da Seleção Brasileira – dessa vez, no Rugby de fato. Então se preparou para fazer uma seletiva e foi aprovada. Em 2014, trancou a faculdade e se mudou para São Paulo para poder treinar todos os dias junto com o restante da Seleção e tentar sua chance nas Olimpíadas de 2016, quando o Rugby Sevens passaria a ser uma modalidade olímpica pela primeira vez na história.

“Eu não fumava, não bebia, sempre gostei de treinar e de desafios.”

A partir de então, não perdeu nenhuma convocação e enfim realizou o sonho de representar o Brasil nas Olimpíadas. Defendeu a Seleção Brasileira Feminina de Rugby Sevens no Rio-2016. Na ocasião, ficaram em nono lugar.

Em abril desse ano, o time foi campeão do Hong Kong Sevens Feminino e foi promovido pela segunda vez na história à elite da Série Mundial de Sevens feminina para a temporada 2019-20. E o calendário não para por aí, as meninas terão muitos campeonatos pela frente.

Participantes do Hong Kong Sevens 2019
Participantes do Hong Kong Sevens 2019 Mike Lee/World Rugby

Antes dos Jogos Pan-Americanos, que acontecerão em julho deste ano, em Lima, no Peru, as “Yaras” - como as atletas da Seleção Brasileira são chamadas - têm um campeonato qualificatório, que acontece em Junho, para as Olimpíadas de Tóquio, em 2020.  

“Para nós, o Pan-Americano não vale vaga para a Olimpíada de Tóquio como vale para muitos outros esportes, mas isso não faz dele um torneio menos importante. A gente vai enfrentar times que são da grande elite do rugby mundial, então é um grande desafio para a gente. Bater de frente com os Estados Unidos e Canadá, que são times que disputam hoje o circuito mundial, será muito bom. Estamos treinando numa preparação muito intensa para chegar lá (no Pan) e buscar o melhor resultado possível”

Esta será a segunda vez que o Rugby Sevens será uma modalidade dos Jogos Pan-Americanos. A primeira vez foi em 2015, em Toronto, quando a modalidade passou a fazer parte dos Jogos pela primeira vez. Na época, as Yaras levaram a medalha de bronze.

Conversando com a Raquel, tive uma sensação muito boa de ver alguém que leva o esporte tão a sério. Mais do que isso: a essência dele. Ela deixou claro que preza pelo respeito com o esporte e com o adversário acima de tudo.

“Não existe jogo sem adversário, então essa é a questão, de que precisamos de um adversário para jogar, então não podemos machucá-lo. O adversário não é um inimigo, mas sim um oponente que está nos ajudando a ter uma partida para podermos praticar nosso esporte.”

Raquel também disse que uma coisa forte que está no DNA do rugby são os valores: paixão, solidariedade, respeito, disciplina e integridade.

“Não é por formar atletas, mas formar pessoas melhores. Quem entra para o rugby entra com isso dentro de si, o que me fez realmente me apaixonar pelo esporte foi isso, essa questão dos valores, da disciplina. Eu sempre fui muito ligada a regras, e esse respeito pelas regras é muito legal, nós prezamos muito.“

Sobre o fato de ser a capitã do time e exercer um papel de líder dentro e fora do campo, Raquel diz não fazer as coisas porque os outros estão vendo, mas fazer fora disso.

 “Não é só fazer as coisas porque as pessoas estão vendo, mas é a gente manter os valores fora disso. Por exemplo, uma coisa que sempre fazemos é deixar o lugar que estamos melhor ou igual ao que encontramos. Sempre arrumamos tudo da academia que treinamos mesmo que não tenhamos sido nós que usamos. Precisamos passar para outras pessoas esses valores que temos no esporte”, disse a atleta de 26 anos.

Questionada a respeito da visibilidade do Rugby no Brasil, Raquel viu a questão com bons olhos. “Nós estamos crescendo muito no Brasil, o rugby vem ganhando visibilidade. É que querendo ou não nós somos o país do futebol, então o rugby é pouco conhecido, mas quando as pessoas conhecem o esporte e o ‘bichinho do rugby’ pica, não tem mais volta (risos).”

 

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Atleta troca futebol pelo rugby e se destaca como capitã da Seleção Brasileira

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Em busca do ABS 6 Pack dos Fisiculturistas

Rê Spallicci
Rê Spallicci
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Eu sei que não é todo mundo que ama o corpo dos fisiculturistas! Mas de uma coisa tenho certeza: quase todos querem ter a barriga seca que os atletas ostentam! E, olha, esta missão não é nada fácil! Mas eu vou tentar dar umas dicas para quer quiser alcançar o famoso abdômen 6 packs.

Primeiramente, não vamos nos enganar! Não existe milagre. Você vai ter que controlar e muito a sua alimentação. É isso mesmo, talvez aqui esteja a primeira e mais importante dica para você começar a trabalhar seu 6-Pack: a dieta! Dieta? Isso mesmo. Muitas pessoas não dão atenção a isso e acham que o segredo da barriga chapada está no exagero de exercícios. Mas uma alimentação correta é, de longe, o aspecto mais valioso para o desenvolvimento dos músculos abdominais.

Ou seja, o que eu estou falando é que um bom 6 Pack se desenvolve na cozinha, e não na academia. Você pode ter o melhor programa de treino de todos os tempos, mas se anda se alimentando mal, saiba que não vai rolar aquela barriga tanquinho dos sonhos. Cápsulas, suplementos, treinos e até aplicativos podem ajudar, mas podemos afirmar que há hoje uma convergência de pensamento na direção de que a dieta é responsável por cerca de 90% dos seus resultados. Assim, em vez de se deixar levar pelas promessas fáceis (e quase sempre vazias), invista seu tempo focando nas coisas que realmente importam e vão fazer a diferença, como princípios de uma boa nutrição…e deixe as outras coisas pra lá.

Algumas regras para conquistar seu 6 Pack

#1 Coma muita proteína

Além de ajudá-lo a construir massa muscular magra, a proteína vai também contribuir com a queima da gordura corporal. Sim, porque, dentre todos os macronutrientes (proteínas, carboidratos e gorduras), a proteína magra é a que tem o maior efeito termogênico sobre o corpo. Isso faz dela o mais valioso macronutriente do mundo – iuhuu! –, porque faz seu corpo queimar toneladas de calorias.

É por isso que muitos atletas profissionais e fisiculturistas seguem uma dieta rica em proteína magra e têm alguns dos melhores corpos do planeta!!! Amiiiiga, preste atenção, isso não vale apenas para os homens, é pra nós também! Como somos todos seres humanos, basicamente com o mesmo DNA e tecidos, todos precisamos de proteína para sobreviver e também para queimar gordura corporal. Ou seja: se jogue nas proteínas, haha.

 #2Treinou? É hora de comer carboidratos

A maioria das pessoas tem sido levada a acreditar, erroneamente, que os carboidratos são ruins e que vão deixar você gorda. Gente, este é um mito que precisa ser definitivamente quebrado! Claro que comer muito de qualquer coisa vai fazer você ganhar peso, mas grão natural ou carboidratos ricos em amido, como batata-doce, arroz integral e aveia, são realmente muito benéficos em sua busca por uma barriga chapada, especialmente quando consumidos pós-treino. Eu mesma, atualmente, tenho procurado ingerir 60 gramas de batata-doce no meu lanche pós-treino. Quando a gente come carboidratos pós-treino, eles têm uma chance muito menor de se transformar em gordura corporal.

Tente comer quantidades moderadas de carboidratos e 1-2 xícaras de vegetais em cada refeição. Isso vai garantir que o seu corpo receba as vitaminas, minerais, antioxidantes e fibras de que necessita para funcionar em seu pico e se manter saudável. 

#3 Coma gorduras saudáveis

Certifique-se de incluir em sua dieta gorduras saudáveis , principalmente as poliinsaturadas e monoinsaturadas, como castanhas, manteiga, óleos de peixe e azeite. A gordura dessas fontes manterá seus níveis de insulina estáveis, o que é muito importante se seu objetivo é perder a gordura da barriga e revelar seus abdominais bem definidos. E, por favor, não estou falando para você comer um saco inteiro de castanhas de caju, ok??

O que eu estou dizendo é que você não precisa ter medo de incluir gorduras saudáveis em sua dieta. Com todo um exército de “gurus” das chamadas dietas de baixa gordura por aí e a enorme quantidade de notícias negativas sobre as gorduras na mídia, é fácil acreditar, equivocadamente, que eliminar as gorduras de sua dieta é uma escolha acertada, #sqn. Qualquer nutricionista bem preparada e sensata vai te dizer que isso é um desastre dietético. Aliás, como sempre lembro, é fundamental que consulte sempre um profissional habilitado para que ele possa orientá-la claramente com relação à melhor dieta para você.

Ao combinar a proteína magra com quantidades e tipos corretos de folhas verdes, carboidratos bons e gorduras, você vai dar uma carga extra no seu metabolismo e transformar seu corpo em uma máquina de queimar gordura 24 horas por dia, 7 dias por semana! Muito top!

E o melhor é que você pode fazer isso sem a necessidade de um suplemento milagroso, de algum aparelho específico para os músculos abs e sem fazer centenas de abdominais. 

#4 Mantenha o foco na dieta

Para queimar gordura e revelar seu 6 Pack tanquinho, é fundamental manter uma dieta equilibrada, composta de proteínas, gorduras saudáveis e alguns carboidratos. A proteína vai ajudar a formar os tijolos de construção do músculo e é, provavelmente, o macronutriente mais essencial de todos, principalmente porque, como eu já disse, seu corpo queima uma tonelada de calorias digerindo proteína.

Calcular a quantidade certa de carboidratos para comer pode ser complicado, mas uma boa estratégia pode ser comer a maioria de seus carboidratos pós-treino. Quando você ingere carboidratos após treinar, seu corpo  os absorve logo,   diretamente no tecido muscular, promovendo o crescimento. O consumo de carboidratos pós-treino também ajuda seus músculos a se recuperarem mais rapidamente, o que lhe dará melhores resultados.

Por fim, lembre-se de que comer gordura não vai deixar você gorda. Como falei, pode parecer estranho, mas consumir gorduras poliinsaturadas e monoinsaturadas saudáveis vai, na verdade, ajudá-la a queimar mais gordura do que conseguiria com uma dieta de baixa gordura. Além disso, vai manter os níveis de insulina estáveis, evitando que você ganhe gordura corporal adicional.

Uma última dica com relação à dieta: inclua generosas quantidades de fibra e de vegetais crus em suas refeições. Legumes são “lotados” de fibras, antioxidantes, vitaminas e minerais, todos indispensáveis para a construção de um corpo magro e um abdômen bem definido.

 Mas, claro, alimentação não é tudo. A dieta certa, aliada a um bom planejamento de treino, vai certamente encurtar seu caminho até a conquista do desejado abdômen 6 Pack.

Como falamos, para sair por aí exibindo seu 6 Pack, você vai precisar, primeiro, eliminar a camada de gordura de sua barriga. Aliás, acabar com a gordura abdominal não é apenas uma questão estética, mas também de saúde.

O excesso de gordura na região da barriga está diretamente associado ao aumento do risco de resistência à insulina, à diabetes do tipo 2 e às doenças do coração. Ela é também uma das principais causas da síndrome metabólica. No entanto, nem toda gordura abdominal é igual. Há dois tipos de gordura: a gordura subcutânea e a gordura visceral.

GORDURA SUBCUTÂNEA — está localizada sob a pele, entre a pele e os músculos. A gordura subcutânea não está diretamente relacionada com o risco de doença metabólica. Em quantidades moderadas, ela não aumenta de forma considerável o risco de enfermidades.

 GORDURA VISCERAL — este tipo se encontra no abdômen, em torno dos órgãos internos. Ela está ligada a problemas de saúde, como diabetes tipo 2 e doenças cardíacas, e influencia o comportamento de várias hormônios, liberando substâncias que influenciam em vários processos relacionados a muitas enfermidades do corpo humano.

 Muitas pessoas fazem exercícios abdominais para perder a gordura localizada. No entanto, as evidências sugerem que exercícios específicos não são muito eficazes. A redução seletiva refere-se à falsa teoria de que você pode perder gordura em determinada parte do corpo, por meio de exercícios que estimulem essa mesma região. É verdade que os exercícios podem até fazer você sentir uma queimação na área trabalhada, no entanto, estudos mostram que isso não vai ajudá-lo a se livrar da gordura da barriga. E é verdade, não apenas para a região abdominal. Abrange todas as partes do corpo.

Uma das razões para que a redução seletiva não funcione é porque as células do músculo não podem utilizar diretamente as células de gordura. O tecido adiposo precisa ser quebrado antes, para que ele possa entrar na corrente sanguínea. Assim, essa gordura pode vir de qualquer parte do corpo, e não apenas daquela que está sendo exercitada.

Por isso, em minha opinião, o ideal é dar preferência a movimentos mais completos, que movam todo o corpo. Certamente eles vão promover mais perda de gordura total e uma resposta de construção muscular muito melhor do que exercícios que trabalhem músculos muito específicos.

Uma rotina de exercícios integrais e abrangentes para todo o corpo vai acelerar o seu metabolismo e queimar mais calorias e gordura.

A intensidade também é importante. Exercícios de intensidade alta ou moderada podem reduzir a gordura da barriga mais rapidamente, em comparação com o exercício aeróbico de baixa intensidade. Além disso, se você quer alcançar resultados significativos, deve praticá-los muitas vezes, entre 3 e 5 vezes por semana. Por exemplo, fazer cardio em uma intensidade moderada por 30 minutos, cinco dias por semana, ou cardio de alta intensidade por 20 minutos, três dias por semana.

As alterações musculares que acontecem em resposta ao exercício também promovem a perda de tecido adiposo. Em outras palavras, quanto mais sua massa muscular aumenta, mais calorias vai queimar e maior será a redução na gordura da barriga. A combinação de vários tipos de exercícios também pode ser muito eficaz.

Sim, intercalar exercícios cardio com exercícios abdominais pode ser uma excelente maneira de queimar gordura. Durante o período de recuperação do treino cardio, execute um exercício ab. Por exemplo, se você estiver fazendo sprints em uma bicicleta ergométrica ou na esteira, execute-os por 30 segundos em sua velocidade máxima. Salte do equipamento e, imediatamente, execute uma série de 20 abdominais. Volte para a máquina e ligue novamente. Repita isso de 5-8 vezes. Você pode ir alternando, usando a variedade de exercícios ab, que passamos aí acima, durante esta sessão de intervalo.

 Em resumo, a chave para se obter um 6 Pack definido é cuidar bem da alimentação, concentrando-se na sua dieta, e incorporar em sua rotina de treino exercícios abrangentes e atividades cardio. Dessa forma, tenho certeza de que vai alcançar o sonho de sua barriga tanquinho.

 

Busque seu propósito. Deixe seu legado.

Renata Spallicci

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Em busca do ABS 6 Pack dos Fisiculturistas

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De repente Pan: saiba o que rolou no evento de 100 dias para os Jogos de Lima

Marília Galvão
Marília Galvão
Evento conta com a presença de medalhistas pan-americanos
Evento conta com a presença de medalhistas pan-americanos COB (Comitê Olímpico do Brasil)

Se você é daquelas pessoas que gostam de acompanhar diferentes tipos de esportes de uma só vez pode se preparar porque dia 26 de julho deste ano acontece a abertura dos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, a maior competição esportiva das Américas. E para já fazer um “esquenta”, o COB (Comitê Olímpico do Brasil) organizou um evento na última quarta-feira (17) para celebrar os 100 dias para o início dos Jogos.

Eu tive o privilégio de participar da celebração e sentir de perto aquela sensação boa de iniciar a contagem regressiva para esse grande acontecimento esportivo, que para grande parte das modalidades vale a classificação para as Olimpíadas de Tóquio, em 2020 (está logo aí também).

 “O nosso principal objetivo dentro dessa competição (Pan-Americano) é manter a perspectiva da maior quantidade de classificações olímpicas. É um evento que cresceu muito em relação às qualificações para os jogos de Tóquio e temos isso como uma meta de trabalho permanente”, disse o diretor de Esportes do COB, Jorge Bichara.

Jorge Bichara, diretor de Esportes do COB
Jorge Bichara, diretor de Esportes do COB COB (Comitê Olímpico do Brasil)

Nesta edição dos Jogos, que agora completa 70 anos de história, o Brasil deverá enviar uma delegação com 492 atletas para brigar por medalhas e tentar manter o País entre os três primeiros nas Américas, assim como ocorreu nas três últimas edições dos Jogos (Rio de Janeiro-2007, Guadalajara-2011 e Toronto-2015).

 “A Seleção do Comitê Olímpico do Brasil está em fase final de composição para Lima, estamos aguardando a classificação de equipes e atletas. Temos a previsão inicial de enviar 492 atletas, que é um número bastante expressivo e ainda pode aumentar. O nosso plano de preparação está cumprido, assim como as necessidades dos atletas”, disse Paulo Wanderley Teixeira, presidente do COB.

No evento, que foi realizado em um restaurante peruano no bairro dos Jardins, em São Paulo, pude conversar com várias atletas e ex-atletas que estavam presentes. Uma delas foi a Janeth Arcain, ex-jogadora de basquete e que representou muito bem nosso país durante anos. Ela acumula três medalhas em jogos Pan-Americanos (um ouro e duas pratas), fora a conquista do Campeonato Mundial de 1994 e muitas outras competições. Currículo pesado mesmo!

Ela me falou sobre a sua opinião a respeito da competição. “Os Jogos Pan-Americanos são uma oportunidade muito grande, principalmente para os mais jovens se firmarem nas suas modalidades e conquistarem medalhas. É uma competição muito forte, eu já tive a oportunidade de participar de algumas, tenho três medalhas, então desejo muita sorte aos atletas que irão competir e que tragam muitas medalhas para o Brasil”.

Uma outra atleta de peso que estava presente no evento era a jogadora de rugby Beatriz Futuro, mais conhecida como “Baby”, que muito provavelmente será convocada para ajudar a defender o time feminino de rugby em Lima. Ela me disse que os Jogos Pan-Americanos são um bom teste para os atletas já irem se preparando para as Olimpíadas de Tóquio.

 “Eu acredito que o Pan vai ser uma super experiência para as meninas que estão com o time um pouco renovado. A competição é uma ‘miniolimpíada’, então para não ter esse deslumbre e já começar a entender o que é um evento desse tamanho, o Pan é uma grande preparação visando Tóquio e bom para chegarmos na Olimpíada com todo o time entendendo como funciona um grande evento”, disse a atleta.

O evento também contou com a participação do presidente da Panam Sports - organizadora dos jogos –, o chileno Neven Ilic. Foram apresentados alguns detalhes da preparação geral, como o treinamento dos atletas durante a competição, logística, transporte, hospedagem, etc.

Outros atletas e ex-atletas também estavam presentes no evento, como o nadador Thiago Pereira, a ginasta Daiane dos Santos, o mesatenista Hugo Hoyama, a lutadora de wrestling Aline Silva, o judoca Rafael Silva e o ginasta Arthur Nory.

Para esta edição dos Jogos Pan-Americanos, haverá a implementação de algumas novas modalidades: surf, skateboarding, taekwondo-poomsae, karate – kata, Extreme Slalom, BMX freestyle, basquete 3x3 e fisiculturismo. No total, Lima contará com 42 modalidades, sendo 23 classificatórias para as Olimpíadas de Tóquio.

 Pois é, vem um grande evento esportivo por aí. Daqui a menos de 100 dias, 6.600 atletas de 41 países estarão vivenciando toda a adrenalina que o campeonato proporciona e em busca de medalhas. E a partir de agora, vou falar bastante sobre o Pan aqui no meu Blog! Espero que gostem! 

Fonte: ESPN.com.br

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Uma verdadeira festa do esporte

Rê Spallicci
Rê Spallicci
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Para quem é apaixonado por esportes, como eu, vivemos no último final de semana, um verdadeiro sonho. Sim, a edição 2019 do Arnold Sports Festival South America, realizada no Transamérica Expo Center, em São Paulo, foi impressionante e superou todos os recordes. Foram mais de 40 modalidades esportivas, entre competições e apresentações, que reuniram perto de 12 mil atletas! Somente no bodybuilding amador, tivemos 650 atletas inscritos. Na parte educacional, foram mais de 60 aulas e palestras, falando sobre nutrição, treinamento, fisioterapia e empreendedorismo, que contaram com mais de 3 mil congressistas. 

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A verdade é que, desde que foi lançado, em 2013, o evento não para de crescer e, a julgar pela empolgação de público, expositores e organizadores, essa tendência deve seguir em alta pelos próximos anos. Aliás, já adianto, a edição 2020 tem data definida: de 3 a 5 de abril, novamente em São Paulo.

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Eu, que acompanho há muito tempo o evento, posso garantir: este ano o Arnold bombou! Cerca de 85 mil visitantes, recorde de público de todas as edições, lotaram corredores e estandes. E os negócios também não ficaram atrás: foram movimentados R$ 150 milhões em volume de negócios, um número 30% superior ao de 2018.

 Eu estive por lá todos os dias, vivenciando cada momento, e talvez mais do que os números, o que chama a atenção no Arnold Sports Festival é justamente o astral que contagia a todos: a começar do anfitrião. Gente, aos 71 anos de idade, Arnold Schwarzenegger revela-se incansável. Ele andou pelos corredores da feira, durante os três dias, arrastando sempre uma pequena – nem tão pequena assim – multidão de fãs e distribuindo atenção e sorriso para expositores, patrocinadores e, em especial, para as crianças e para os portadores de necessidades especiais. “Convoco todas as academias a incentivar que as pessoas, independentemente do nível de condicionamento, deficiência física ou intelectual, façam esporte. Esporte é saúde, qualidade de vida”, afirmou Arnold, durante o discurso de abertura do evento. No sábado, ele demonstrou que não fica só nas palavras, quando chamou um garoto com necessidades especiais ao centro do octógono e levantou seus braços como um campeão. Acho que nunca vi tanto grandalhão chorando. O cara é diferenciado mesmo!

Por falar em celebridades, percebo que, a cada ano, cresce o número delas circulando pelo evento. Nomes como Gracyanne Barbosa, Scheila Carvalho, Kelly Key, Dani Bolina, Aline Riscado, Michelly Crisfepe, Jaque Khury, Marcos Mion, Kleber Bambam, Serginho Mallandro, entre outros, prestigiaram a edição 2019.

 Na sexta-feira fui repórter para o programa “Você Bonita”, da Carol Minhoto, na Gazeta, e tive oportunidade de conversar com vários deles e também muitos esportistas. Assim, conseguimos mostrar toda a diversidade que a feira apresentou este ano. Foi, sem dúvida, uma grande união de esportes, e para mim é sempre uma honra – e uma alegria – poder fazer parte de iniciativas que promovam o esporte. Por falar nisso, confira aí no quadro abaixo os principais vencedores das modalidades ligadas ao fisiculturismo.

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No sábado tive a oportunidade de ficar no estande da Adaptogen Science e, mais uma vez, pude estar ao lado de um time de primeira, com uma moçada que leva o esporte a sério. Fico megaempolgada ao ver o esporte ganhando cada vez mais força, pois acredito demais no seu poder de resgate social e de construção de uma nova sociedade, mais humana, com mais respeito e dignidade para todos. Aliás, concluo, com mais uma declaração que ouvimos da estrela maior do evento. “Acredito que o esporte tem que ser para todos. Essa é minha cruzada mundial e fico feliz em ver o entusiasmo dos brasileiros com o nosso evento e o seu amor pela atividade física. Em 2020, I’ll be back!”, finalizou Arnold ao melhor estilo “O Exterminador do Futuro”. E nós, com certeza, também voltaremos!

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Cobertura completa Arnold 2019

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Uma verdadeira festa do esporte

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Adversárias difíceis e craques lesionadas: uma análise sobre a preparação do Brasil para a Copa do Mundo na França

Julia Vergueiro
Julia Vergueiro

Falta pouco mais de 1 mês para a 7ª edição da Copa do Mundo de Futebol Feminino, e muitas críticas vem sendo direcionadas à equipe brasileira, em especial à comissão técnica liderada por Vadão.

Eu peço cuidado. Cuidado, pois na era dos 140 e poucos dígitos em que vivemos hoje, podemos cair na injustiça de avaliar contextos complexos de forma rasa e simplista. Quando lemos manchetes estampando “9 derrotas seguidas”, tendemos a enxergar um cenário desastroso, mas que precisa ser analisado de forma mais profunda.

A primeira dessas 9 derrotas aconteceu na metade do 2º semestre de 2018, quando a equipe que em breve será convocada oficialmente para o Mundial ainda estava em formação. Ali, o cenário era bastante crítico: cada jogadora estava em um nível físico diferente, pois jogam em países onde o futebol feminino é amplamente heterogêneo entre si. Cristiane, principal atacante da Seleção, maior artilheira das Olimpíadas, voltava de um período complicado na China, onde ela mesma afirmou ter tido dificuldades com nutrição e preparação física.

Além disso, é preciso lembrar que a estratégia de preparação para a Copa adotada pela comissão foi propositalmente a de enfrentar seleções mais bem rankeadas que o Brasil, com o intuito de trazer maturidade às jogadoras que ainda não tinham tanta familiaridade com esse nível de competitividade.

A única exceção a isso ocorreu nos últimos dois amistosos, realizados no início de abril, contra Espanha e Escócia. No entanto, diferente do que muitas pessoas que não acompanham o futebol feminino podem pensar, essas duas seleções encontram-se também em um nível muito competitivo.

A Escócia, apesar de estreante em Copas do Mundo, possui um elenco quase todo formado por atletas que jogam no campeonato inglês, uma das ligas femininas mais fortes do mundo. Soma-se a isso o fato de que o governo escocês, entusiasmado com a classificação da sua equipe nacional para o Mundial, anunciou em setembro de 2018 uma ajuda financeira de 80 mil libras para que as jogadoras pudessem treinar em período integral a partir de janeiro de 2019 visando a competição na França.

Sabemos que os resultados não foram bons. Ninguém gosta de perder, muito menos as jogadoras. Mas, mesmo assim, o desempenho ao longo dos vários meses de preparação vem crescendo, e é possível enxergar um padrão de jogo focado na marcação forte para a roubada de bola e transição rápida para o ataque. Mas o mesmo só virá a acontecer com excelência e resultar em placares positivos quando tivermos a equipe toda no auge do seu potencial, como aconteceu em abril quando a Seleção levantou o caneco da sua sétima Copa América. A própria Marta só iniciou sua pré-temporada no Orlando agora, pois voltou de lesão recente, além de Cristiane, Ludmila e Bia Zaneratto que também se recuperam e por isso não estiveram nos últimos amistosos.

2019 tem sido um ano diferenciado para o futebol feminino no Brasil. Mais visibilidade e novos investimentos tem trazido esperança àquelas que há tanto tempo se dedicam à modalidade. Mas é preciso ter calma: nada se resolve em apenas um ano. Acredito que esse seja o início de uma mudança que, em alguns anos, não terá mais volta e transformará de vez a realidade difícil em que nos encontramos há décadas. Não podemos criar a expectativa de que tudo se resolverá agora, e muito menos achar que um resultado ruim na Copa invalidará esse processo evolutivo.

No dia a dia, vamos trabalhar. Em junho, vamos torcer. Em alguns anos, vamos nos orgulhar.

Fonte: Júlia Vergueiro

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Carb Cycling ajuda a reduzir gordura corporal e aumentar músculos

Rê Spallicci
Rê Spallicci
Carb Cycling reduz gordura corporal!
Carb Cycling reduz gordura corporal! []

Você já ouvir falar sobre a dieta cíclica de carboidratos ou periodização de carboidratos (carb cycling)? Pois esta é uma prática que cada vez mais atletas de fisiculturismo vem utilizando em sua preparações e com resultados consistentes.

Para saber mais sobre o tema, conversei com a Re Knack, minha amiga, nutricionista e atleta BTFF, que recomenda e utiliza a dieta. Fique agora por dentro dos principais pontos sobre a dieta:

O que é a Carb Cycling?

“Carb cycling" é uma abordagem dietética em que a pessoa alterna a ingestão de carboidratos em uma base diária, semanal ou mensal.

“Diversas estratégias nutricionais bem-sucedidas, que restringem os carboidratos, e algumas que até os excluem totalmente, deram ao macronutriente o rótulo de vilão das dietas. Embora nenhum nutriente seja categoricamente ruim, a ingestão de carboidratos é algo que deve ser adaptado ao indivíduo; dessa forma, as dietas cíclicas estão se mostrando bastante eficazes, a fim de aperfeiçoar a utilização da energia dos alimentos para objetivos específicos”, comentou a Rê Knack.

A abordagem vem sendo bastante utilizada por atletas que necessitam de melhor adaptação nutricional à rotina de treinamento e fases de preparação física, mas a estratégia vem ganhando força também entre aqueles que desejam reduzir a quantidade de gordura corporal, aumentar a quantidade e qualidade muscular, manter o desempenho físico durante o período de restrição alimentar ou superar um patamar já atingido de perda de peso.  

As vantagens da Carb Cycling

Uma vantagem muito evidente da carb cycling  é a melhor aderência à dieta por indivíduos que não se adaptaram às dietas low carb ou dietas da proteína, uma vez que a restrição do carboidrato é temporária, e as fases de reintrodução são tidas como uma forma de recompensa ao esforço anterior, fazendo com que haja redução da compulsão alimentar, maior facilidade na adaptação e seguimento do planejamento nutricional.

“Outro ponto a ser destacado, talvez o mais importante, é o fato de que alternar as quantidades de carboidratos dietéticos sem longos períodos de restrição permite maior preservação da massa muscular durante a realização de dieta para redução de gordura corporal. Independente do objetivo, a restrição de carboidratos sempre oferece maior segurança, quando seguida de períodos de reposição do nutriente”, me explicou.

Além disso, segundo a Rê Knack, alternar as quantidades de nutrientes em uma dieta também faz com que haja melhores resultados em longo prazo, tanto para a perda de gordura corporal quanto para a manutenção do peso, uma vez que o organismo fica menos propenso a se adaptar às quantidades ingeridas. “Essa adaptação à dieta pode desencadear mecanismos de defesa do organismo que inibem a utilização de gordura corporal armazenada como fonte de energia.”

As indicações para a Carb Cycling:

Como em todo planejamento nutricional, o ciclo de carboidratos deve ser elaborado levando em consideração as características individuais da pessoa (como: altura, peso, quantidade de massa magra e gordura corporal). Assim como se devem  considerar para a base de cálculo das necessidades diárias a prática ou não de atividades físicas e a intensidade. “Qualquer pessoa saudável pode alternar as quantidades de carboidratos ingeridas em um determinado período, desde que as quantidades satisfaçam as necessidades para o objetivo em questão”. 

De uma forma geral, a carb cycling  tem como regra retardar a ingestão de carboidratos durante um período, para que, ao ser consumido, o nutriente ofereça o máximo benefício em relação à sua utilização pelo organismo. “É importante que o carboidrato da dieta seja direcionado para o objetivo desejado, reduzindo sempre a possibilidade de acúmulo de gordura corporal. As quantidades de carboidratos podem ser ajustadas para melhora da composição corporal, dias de treinamento e descanso, eventos especiais ou competições, tipos de treinamento, redução dos níveis de gordura corporal, melhor controle dos níveis de açúcar no sangue, controle de quadros de compulsão alimentar, etc.”

Apesar de parecer novidade, alguns esportes já utilizam técnicas de carb cycling há décadas, como é o caso de atletas de corrida, ciclismo e natação, que alternam quantidades variadas de carboidratos ao longo do ano, a fim de aumentar a capacidade dos estoques de glicogênio muscular e melhorar o desempenho físico e resistência, quando os carboidratos são reintroduzidos. Entretanto, é entre nós, os atletas de fisiculturismo, que a técnica é mais difundida. “O ciclo de carboidratos bem feito para este tipo de atleta pode significar a medalha de ouro em uma competição.”

Características da dieta Carb Cycling

Uma típica dieta com alteração das quantidades de carboidratos ao longo da semana pode ser elaborada com dois dias ricos em carboidratos, dois dias moderados em carboidratos e três dias com baixo teor de carboidratos. A ingestão de proteína é calculada de acordo com o objetivo pessoal e, geralmente, semelhante em todos os dias, enquanto a ingestão de gordura pode ser estável ou variar de acordo com a ingestão de carboidratos (esse ajuste serve para manter em equilíbrio as quantidades calóricas de diferentes dias da dieta), e o mais comum é que nos dias ricos em carboidratos, haja menor ingestão de gorduras, enquanto os dias com baixo teor de carboidratos costumam ser mais ricos em gorduras. 

“A quantidade de carboidratos de uma dieta não pode ser analisada somente como um número isolado. Diferentes tipos de carboidratos resultam em diferentes efeitos no organismo e, nesta questão, a qualidade do carboidrato ingerido chega a ser até mais importante do que a quantidade em si, uma vez que alguns alimentos são mais indicados para determinados momentos do dia”, ensinou.

Confira este exemplo que a Rê Knack me passou de como a carb cycling pode ser utilizada para ganho de massa magra e controle da gordura corporal:

Rotina cíclica de 7 dias por semana 


Carb Cycling - Rotina de 7 dias
Carb Cycling - Rotina de 7 dias []

Bom, é isso! Espero que tenham curtido tanto quanto eu  esta verdadeira aula que a queridíssima Rê Knack nos proporcionou!

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Carb Cycling ajuda a reduzir gordura corporal e aumentar músculos

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‘Não posso, tenho treino’; seus amigos ainda te chamam para sair?

Mayara Munhos
Mayara Munhos
Focus!
Focus! Focados no Tatame


Ontem fiz uma entrevista com uma lutadora do UFC (publico no espnW.com.br em breve) e ela me disse uma coisa que, como jornalista, eu não podia (eticamente) responder “sei como é”, mas talvez eu tenha dito disfarçadamente. Ela disse algo do tipo: "eu tive que mudar a minha rotina, não posso ficar saindo e tal"; e eu disse "seus amigos nem te chamam mais, né?". E ela concordou. [I know what you feel, bro].

É exatamente isso que acontece quando você opta por ter uma vida de atleta. Você precisa estar disposto a se abdicar de algumas coisas para que outras venham. E não é fácil, mas claro, deve ser prazeroso. Esse papo com a lutadora me fez pensar em algumas coisas que eu abri mão de fazer para estar treinando, tendo como gancho também a 'famosa' frase de uma grande amiga (que me chama para sair às vezes): "Má, você sabe que tem uma vida dupla, né?" (obrigada, Giovanna Sayuri, por sempre me lembrar que eu não vivo para isso nos meus momentos de desespero). Então vamos lá!

Quem me conhece sabe que eu não sou atleta profissional. Eu faço jiu-jitsu única e exclusivamente porque eu gosto. Vejo nele uma motivação, aprendo muito, não apenas dentro, mas fora do tatame. O jiu-jitsu me ensina muito! São coisas que eu nem percebo, mas que, quando vejo, já estou aplicando na minha vida 'out'. 

Eu sempre digo que o meu maior objetivo não é ser uma campeã mundial, eu teria que abrir mão de algumas coisas que não estaria disposta, embora eu saiba que já abro mão de várias. Mas algo que eu não largaria, por exemplo, é o meu trabalho. E na minha cabeça, eu faço um treino de manhã e outro a noite e isso é cansativo, mas o mais cansativo mesmo é estar dentro de uma empresa durante, pelo menos, 8 horas do meu dia. Essas 8 horas, caso eu decidisse lutar um mundial, teriam que ser convertidas em treinos, porque eu sei que enquanto eu estou trabalhando (e foi uma escolha minha e eu adoro), minhas adversárias estão treinando, descansando e se focando naquele objetivo. Mas ok, isso foi só uma introdução. 

"Não posso, tenho treino". Quantas vezes você já repetiu essa frase? Quantas vezes deixou de ir em algum aniversário de família porque precisava treinar? Quantos sábados deixou de sair com seus amigos porque tinha campeonato no domingo de manhã? Quantas vezes não pôde sair porque tinha um treino específico que não poderia perder?

Isso para mim é algo muito natural. Sério, é absurdamente natural dizer que tenho treino porque eu, de fato, tenho. É meu compromisso. Eu preciso estar na academia de segunda a sexta, em X horário para fazer o que me prontifiquei a fazer. E se eu escolhi, preciso fazer bem feito. Ninguém nunca me chamou de canto para falar: "Então, Mayara, você não pode sair hoje porque precisa treinar", mas é algo que você percebe com o tempo que precisa conciliar e, deixar algumas coisas de lado, é necessário. Por isso, deixo de lado as coisas que estão ao meu alcance.

No início desse ano, uma das minhas resoluções foi que eu podia abrir mão de um dia por mês de treino caso quisesse fazer alguma coisa pessoal. E, ainda assim, tem sido difícil para mim, porque quando vejo, o mês já passou. Treinar para mim é prazeroso, embora seja algo mecânico. Parece que todo meu subconsciente está programado para fazer isso, que meu carro já vai fazer o caminho da academia sozinho, que meu kimono vai entrar na minha bolsa por força do pensamento... É quase isso, porque eu faço e nem percebo.

Mas sim, seus amigos começam a te deixar de lado. E você começa a perceber que poucos sobraram. Aqueles amigos que antes te chamavam para "o rolê", hoje parecem ter preguiça de te chamar porque já sabem que você vai ter uma "desculpa" e dizer "não". Eu já tenho até vergonha de falar que vou treinar - sério, hahaha. Mas eles sabem. E não tem problema, desde que te respeitem (e os meus me respeitam, muito).

Se eu já fui em happy hour do trabalho? Em seis anos e meio de empresa, eu digo que nunca (mentira, eu fui em uma confraternização em dezembro de 2017, a Gigi lá de cima que me lembrou). Eles antecedem meu treino. E por mais que as pessoas falem sobre isso, me parece que elas já estão acostumadas em simplesmente não me chamar. Às vezes eu realmente sinto vontade de ir, mas eu fico pensando como vai ser em um mês, quando eu estiver em uma competição e as opções são matar ou morrer.

E sim, minha família me cobra e ela é minha prioridade, mas se no começo era muito estranho entender que eu precisava estar treinando em todo meu tempo livre, hoje para eles é mais estranho se eu não estiver treinando. Quando eu não treino, meus avós me perguntam se estou doente, de verdade hahaha.

Muitas vezes você deixa de fazer as coisas não por querer, mas por estar cansado. Quem treina, sabe: o corpo sente, muito. É cansativo e exaustivo. E muitas vezes, você só quer deitar e descansar. E mais do que uma escolha, descansar é uma necessidade extrema que geralmente, não fazemos como deve ser feito: já parou para pensar quantas horas por noite você dorme?

Mas o que tenho a dizer desse 'blá blá blá' todo é que você precisa se permitir. Não tem problema se algum dia sua cabeça não estiver boa e você precisar faltar. Não tem problema se uma dor te impedir de treinar naquele dia. E também não tem problema se você optar por não ir para tomar alguma coisa com os amigos (mas não abuse). Mas você precisa ter e manter o foco. E precisa ter a cabeça boa o suficiente para entender que não pode relacionar qualquer derrota ao fato de ter 'falhado' uma vez.

Curta sua jornada. :) E obrigada, amigos, por me chamarem para sair às vezes, mas por entenderem meus 'nãos' <3

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