O jiu-jitsu feminino existe fora de SP e RJ e se chama Joaquina Bonfim, 9ª no ranking da Confederação Brasileira

Mayara Munhos
Mayara Munhos

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Há um tempo, recebi nas minhas redes sociais uma solicitação de mensagem exatamente assim: “Gostaria de fazer uma sugestão de pauta, pode ser? Você guarda e avalia se é possível escrever sobre o tema. (...) Trata-se de uma atleta nordestina que é contemporânea de várias gerações. Chamamos ela de 'Highlander'. Pode ser, talvez, uma das atletas mais longevas a atuar no circuito da faixa preta adulto. Trata-se da Joaquina Bonfim”.

Essa pessoa me deu a sugestão por alguns motivos. Dentre eles, o primeiro: Joaquina é nono lugar do ranking da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) entre as faixas pretas adulto, embora sua categoria real seja máster. 

E além disso, porque ele me levou a um texto ótimo de Joaquina no Linkedin que você pode ler aqui.

Antes de escrever, de fato, quero manifestar meu real interesse em falar sobre mulheres de outros estados. Temos tantas mulheres faixas pretas espalhadas por aí, umas que competem mais, outras menos, mas todas muito importantes para o cenário não só feminino, mas do jiu-jitsu como um todo. Não vamos esquecê-las. Às vezes pecamos (eu peco) e vejo que poderia (mos) fazer mais. Façamos mais! Os patrocinadores devem fazer mais, os atletas devem fazer mais e, também, a mídia deve fazer mais. Estou planejando citar novas histórias aqui nas próximas semanas. Podem me enviar sugestões que acharem importantes. Continuando...

Lá vou eu saber mais sobre a história de Joaquina e me deparo com muitas coisas, entre elas uma mulher incrível e batalhadora, que luta diariamente dentro e fora dos tatames para se manter no topo e se destacar. Joaquina é faixa preta e, atualmente, treina na Gracie Barra de Pernambuco

Ela treina há quinze anos e conheceu o jiu-jitsu por meio de uma amiga, mas contou que sua relação com o esporte vem de muito antes. “Vem desde a infância. Experimentei várias modalidades ao longo da vida. Da natação ao handebol. Do futebol ao voleibol. Mas nas lutas, realmente encontrei uma das minhas principais vocações.”

Brava, né? Me chamou para fazer um treino quando eu estiver em SP e estou preocupada
Brava, né? Me chamou para fazer um treino quando eu estiver em SP e estou preocupada Reprodução/Instagram

Joaquina é faixa preta há oito anos e compete desde a branca. Porém, contou, também, que lá onde mora, sempre enfrentou problemas desde a faixa azul pela falta de adversárias em sua categoria, o que fez com que ela se adaptasse em vez de desistir.

"Por me sentir capaz de enfrentar desafios e começar a me habituar com a adrenalina e o clima de competição, passei a buscar maneiras possíveis de participar de torneios e campeonatos fora da minha cidade natal, para testar minha própria aprendizagem. Já nessa época, comecei a ter problemas com a visibilidade da presença feminina no jiu-jitsu e, involuntariamente, percebi que incomodava muitos graduados. Lido com esse tipo de reação adversa há muitos anos". 

Ela diz que, conforme a faixa foi escurecendo, em vez de as pessoas a ajudarem, muitas foram se afastando, principalmente os homens. Ela diz que "muitos homens, apanham seus copinhos com água, suas mochilas e saem dos treinos com a expressão fechada em gesto de descontentamento quando, eventualmente, encaram uma posição mais forte com uma faixa preta competidora" - e completa - "Ou então, adotam um ímpeto 'kamikaze' quando precisam de uma autoafirmação e assumem o risco de machucar uma colega de treino e até de se machucar sem necessidade. Atualmente, ainda são esses os espinhos mais amenos do cotidiano."

Porém, sua maior dificuldade ao longo dos anos é ter que sair de sua cidade para enfrentar longas viagem, custo do próprio bolso e muito cansaço para poder competir. Muitas vezes, ela conseguia ajuda financeira e hospedagem com amigos, mas muitas outras, não.

Joaquina, além de tanta luta, ainda teve a humildade de destacar o quanto se inspirou em faixas pretas da velha guarda, tanto como nas que vieram surgindo quando ela já lutava e, mais ainda, nas da nova geração. Cita, também, que procura renovar seu jogo a cada dia, assistindo às lutas delas, para cada vez mais mostrar o que é que o Nordeste tem.

"Tenho imenso respeito por todas elas. Nelas me motivo, sempre buscando melhorar para poder representar a parcela feminina (e do bom Jiu-jitsu) de minha cidade, meu estado, minha região".

E é claro, ela contou que alguns amigos do jiu-jitsu a chamam de Highlander, como já citado no início da matéria, e que leva o elogio com uma grande satisfação. Além disso, manda a letra: "O Jiu-jitsu quer que a gente desista, em todos os sentidos. Aí está o cerne, a essência, o princípio da arte-suave. E o que é que a gente faz? Recomeça e recomeça, procurando evoluir sempre!"

Em relação a sua colocação no ranking da CBJJ, ela também comenta e destaca o quanto sente orgulho por ser uma atleta faixa preta pernambucana a ocupar o "G-10" e confesso que, no particular, ela me disse que pretende bagunçar muito na categoria adulto em 2018 (arretada demais).

"Ainda que eu também possa lutar na categoria Master, me sinto em plenas condições de seguir lutando na adulto por um bom período de tempo. Lutando na adulto, posso pleitear a bolsa atleta, concedida por lei estadual no meu estado, Pernambuco, mediante à devida qualificação. Direito do qual não abro mão. Visto que a bolsa atleta é um grande suporte à minha batalha, que é a de “Lutar para Lutar”, e seguir lutando". 

Seus objetivos dentro do jiu-jitsu são muitos, entre eles continuar competindo e incentivar cada vez mais a bota prática do esporte, elevando-o a outros patamares. Ela tem a ideia de que o amadorismo é completamente prejudicial e conta que, infelizmente, no Nordeste do Brasil, ainda vemos pessoas confundindo o esporte com briga de rua.

"Tenho muitos planos no Jiu-jitsu, para o Jiu-jitsu e a partir do Jiu-jitsu. Encaro como um desdobramento natural de minha trajetória poder lutar no Pan Americano e no Campeonato Mundial na Califórnia e também em edições futuras do ADCC, entre outros eventos de lutas casadas. A profissionalização do Jiu-jitsu é possível. E sei que posso e vou participar desse processo de mudança". 

E essa mulher arretada segue, também, tendo a intenção de levar o jiu-jitsu para níveis escolares e educacionais e, por conta disso, também concilia seus treinos diários com a sua graduação em Educação Física. Dentro de sua rotina, ainda cabe um treino de boxe e preparação física, mas como o dia só tem 24h, Joaquina vira e mexe precisa abrir mão de alguma atividade para conseguir cumprir seu calendário esportivo e também seu dia-a-dia. E tem mais: ela também treina MMA e falou um pouco sobre.

Joaquina contou que sempre gostou muito do MMA mas que, infelizmente, em seu estado, a vaidade e insegurança de muitas pessoas atrapalham que a modalidade seja expandida. Dias atrás, a atleta Gabi Garcia, que tem lutado no Rizin e enfrentado muitas polêmicas em relação a suas adversárias, citou, em uma entrevista, que aceitaria uma luta com Joaquina. Por vontade própria, nada programado e ela simplesmente citou. 

"Tenho lidado com a possibilidade de uma estreia no MMA há vários anos. Passei cinco anos competindo no boxe nacional em alto nível e há muito, iniciei minha experiência com MMA, conciliando a parte de boxe e a parte de chão. As especulações em relação a um luta com Gabi Garcia e outras peso-pesadas acompanham nossos passos há anos. Fico contente que haja essa menção recorrente. Tenho dito que a categoria existe. É fácil verificar. Hoje, há no mínimo dez atletas prontas para o confronto na categoria das pesadas. Resta aos organizadores, promotores, matchmakers se apresentarem de forma devida e formatarem uma proposta clara, objetiva, equilibrada, profissional, consistente, adulta."

Portanto, enquanto não houver nenhuma proposta decente no MMA, nada feito e seu planejamento no jiu-jitsu segue; e ainda que seja feito algum tipo de negociação, a atleta destaca: mesmo com uma estreia no MMA para 2018, minha maior contribuição, hoje, é com a consolidação de meus desafios no jiu-jitsu. Mesmo lutando MMA, seguirei expandindo a presença feminina (pernambucana e nordestina) no Jiu-jitsu. Assumi um notório protagonismo na modalidade e já tenho um lugar na história do Jiu-jitsu na região.

Um parêntese: é importante lembrar que Joaquina não tem um lugar na história só da região e sim, do Brasil e, quiçá, em nível mundial, porque quem pesquisar profundamente a história do jiu-jitsu, de fato, conhecerá a história de Joaquina em algum momento.

Algo muito importante que Joaquina citou em nosso bate papo foi a experiência que ela tem com o jiu-jitsu e como ela o observa hoje na sociedade e é algo que acho que vale a pena disponibilizar na íntegra, porque ela faz uma análise bastante esclarecedora em relação à diferença entre homens e mulheres no jiu-jitsu e a importância da representatividade no meio.

"Já vivenciei muitas situações no Jiu-jitsu. Conheço a experiência do Jiu-jitsu em comunidades com crianças carentes e jovens em conflito com a lei, já conduzi aulas em projetos sociais e conheço o Jiu-jitsu de zona sul, com o público universitário e com executivos, profissionais liberais. Independentemente das novas "roupagens" que se dê ao Jiu-jitsu, uma das minhas maiores missões nesse universo é ajudar a elevar o Jiu-jitsu a outros patamares, principalmente entre as mulheres. Observe que, atualmente, somos cerca de 163 mulheres faixas pretas no ranking da CBJJ/IBJJF em comparação aos mais de mil faixas pretas homens. Significa que, na hora da largada, na faixa branca, a proporção é de aproximadamente dez homens para uma mulher. A cada cinquenta homens que começam na faixa branca, cinco mulheres começam. Quantas mulheres chegam à faixa preta, em média, seis ou sete anos depois? Por isso, nosso trabalho é árduo. Chega mesmo a ser desigual. Portanto, quando nós aparecemos, não representamos apenas a bandeira A ou B. Representamos todas as mulheres que um dia já treinaram ou tiveram vontade de treinar Jiu-jitsu". 

Portanto, podemos dizer que Joaquina, além de grande guerreira, é uma pessoa íntegra, inteligente e, acima de tudo, absurdamente humilde. Com isso, ela deixa um recado para as mulheres do esporte, com uma pitada de crítica construtiva em relação à diferenciação entre jiu-jitsu masculino e feminino e lembrando o triste machismo que há no meio.

"Cultivem junto aos mais jovens, ensinem aos alunos e alunas iniciantes o bom hábito dos três tapinhas e a capacidade de agradecer aos colegas de treino (que se dispõem a abrir mão de seu tempo para treinar, muitas vezes enfrentando dupla ou tripla jornada de trabalho e estudos). Encarem o Jiu-jitsu como Jiu-jitsu. Não entrem na pilha mal descrita de que haja um Jiu-jitsu feminino. Para mim, é um equívoco taxar o jiu-jitsu como 'feminino' ou 'masculino'. Sei que se trata apenas de uma força de expressão. Mas essa divisão mais atrapalha que ajuda. Isso não quer dizer que não se organizem turmas para homens e turmas para mulheres (é sempre válido! Ajuda no processo de aprendizagem. Sou entusiasta de turmas exclusivas para mulheres. Potencializa muito o processo de desenvolvimento). Mas é fundamental que apontem sempre para a integração em turmas mistas (mulheres e homens). Posso dizer, contudo, que ainda na atualidade ocorre muito preconceito com aquelas mulheres que vão além da participação mediana nos tatames. Jiu-jitsu é Jiu-jitsu. A arte de ensinar "suavemente" o que pode ser brusco e muitas vezes tortuoso e traumático. Fazer Jiu-jitsu, treinar Jiu-jitsu, lutar Jiu-jitsu, viver Jiu-jitsu nunca foi algo fácil. Principalmente em estados historicamente machistas como o Nordeste do Brasil".

E tem recado para os homens também:

"Vale também um recado aos meninos para não ser injusta: garotos, aprendam que mulheres num tatame podem trazer a possibilidade de aprimorar com alguma técnica o que muitas vezes se aprende com força máxima e muita truculência".

Sinceramente, eu teria muitas coisas para falar, mas só tenho a agradecê-la por tudo o que fez e ainda faz pelo jiu-jitsu e, também, por tantas histórias contadas fora de um e-mail de entrevista. Poderia dizer muito mais coisas dessa arretadas, mas só tenho mesmo a agradecer.

Isso tudo de uma mulher que leva o esporte a sério e como estilo real de vida (ou raiz, como está na moda): JOAQUINA BONFIM.

Para conhecer mais sobre a atleta, visite seu site aqui e também seu Instagram.

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De repente Pan: saiba o que rolou no evento de 100 dias para os Jogos de Lima

Marília Galvão
Marília Galvão
Evento conta com a presença de medalhistas pan-americanos
Evento conta com a presença de medalhistas pan-americanos COB (Comitê Olímpico do Brasil)

Se você é daquelas pessoas que gostam de acompanhar diferentes tipos de esportes de uma só vez pode se preparar porque dia 26 de julho deste ano acontece a abertura dos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, a maior competição esportiva das Américas. E para já fazer um “esquenta”, o COB (Comitê Olímpico do Brasil) organizou um evento na última quarta-feira (17) para celebrar os 100 dias para o início dos Jogos.

Eu tive o privilégio de participar da celebração e sentir de perto aquela sensação boa de iniciar a contagem regressiva para esse grande acontecimento esportivo, que para grande parte das modalidades vale a classificação para as Olimpíadas de Tóquio, em 2020 (está logo aí também).

 “O nosso principal objetivo dentro dessa competição (Pan-Americano) é manter a perspectiva da maior quantidade de classificações olímpicas. É um evento que cresceu muito em relação às qualificações para os jogos de Tóquio e temos isso como uma meta de trabalho permanente”, disse o diretor de Esportes do COB, Jorge Bichara.

Jorge Bichara, diretor de Esportes do COB
Jorge Bichara, diretor de Esportes do COB COB (Comitê Olímpico do Brasil)

Nesta edição dos Jogos, que agora completa 70 anos de história, o Brasil deverá enviar uma delegação com 492 atletas para brigar por medalhas e tentar manter o País entre os três primeiros nas Américas, assim como ocorreu nas três últimas edições dos Jogos (Rio de Janeiro-2007, Guadalajara-2011 e Toronto-2015).

 “A Seleção do Comitê Olímpico do Brasil está em fase final de composição para Lima, estamos aguardando a classificação de equipes e atletas. Temos a previsão inicial de enviar 492 atletas, que é um número bastante expressivo e ainda pode aumentar. O nosso plano de preparação está cumprido, assim como as necessidades dos atletas”, disse Paulo Wanderley Teixeira, presidente do COB.

No evento, que foi realizado em um restaurante peruano no bairro dos Jardins, em São Paulo, pude conversar com várias atletas e ex-atletas que estavam presentes. Uma delas foi a Janeth Arcain, ex-jogadora de basquete e que representou muito bem nosso país durante anos. Ela acumula três medalhas em jogos Pan-Americanos (um ouro e duas pratas), fora a conquista do Campeonato Mundial de 1994 e muitas outras competições. Currículo pesado mesmo!

Ela me falou sobre a sua opinião a respeito da competição. “Os Jogos Pan-Americanos são uma oportunidade muito grande, principalmente para os mais jovens se firmarem nas suas modalidades e conquistarem medalhas. É uma competição muito forte, eu já tive a oportunidade de participar de algumas, tenho três medalhas, então desejo muita sorte aos atletas que irão competir e que tragam muitas medalhas para o Brasil”.

Uma outra atleta de peso que estava presente no evento era a jogadora de rugby Beatriz Futuro, mais conhecida como “Baby”, que muito provavelmente será convocada para ajudar a defender o time feminino de rugby em Lima. Ela me disse que os Jogos Pan-Americanos são um bom teste para os atletas já irem se preparando para as Olimpíadas de Tóquio.

 “Eu acredito que o Pan vai ser uma super experiência para as meninas que estão com o time um pouco renovado. A competição é uma ‘miniolimpíada’, então para não ter esse deslumbre e já começar a entender o que é um evento desse tamanho, o Pan é uma grande preparação visando Tóquio e bom para chegarmos na Olimpíada com todo o time entendendo como funciona um grande evento”, disse a atleta.

O evento também contou com a participação do presidente da Panam Sports - organizadora dos jogos –, o chileno Neven Ilic. Foram apresentados alguns detalhes da preparação geral, como o treinamento dos atletas durante a competição, logística, transporte, hospedagem, etc.

Outros atletas e ex-atletas também estavam presentes no evento, como o nadador Thiago Pereira, a ginasta Daiane dos Santos, o mesatenista Hugo Hoyama, a lutadora de wrestling Aline Silva, o judoca Rafael Silva e o ginasta Arthur Nory.

Para esta edição dos Jogos Pan-Americanos, haverá a implementação de algumas novas modalidades: surf, skateboarding, taekwondo-poomsae, karate – kata, Extreme Slalom, BMX freestyle, basquete 3x3 e fisiculturismo. No total, Lima contará com 42 modalidades, sendo 23 classificatórias para as Olimpíadas de Tóquio.

 Pois é, vem um grande evento esportivo por aí. Daqui a menos de 100 dias, 6.600 atletas de 41 países estarão vivenciando toda a adrenalina que o campeonato proporciona e em busca de medalhas. E a partir de agora, vou falar bastante sobre o Pan aqui no meu Blog! Espero que gostem! 

Fonte: ESPN.com.br

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Uma verdadeira festa do esporte

Rê Spallicci
Rê Spallicci
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Para quem é apaixonado por esportes, como eu, vivemos no último final de semana, um verdadeiro sonho. Sim, a edição 2019 do Arnold Sports Festival South America, realizada no Transamérica Expo Center, em São Paulo, foi impressionante e superou todos os recordes. Foram mais de 40 modalidades esportivas, entre competições e apresentações, que reuniram perto de 12 mil atletas! Somente no bodybuilding amador, tivemos 650 atletas inscritos. Na parte educacional, foram mais de 60 aulas e palestras, falando sobre nutrição, treinamento, fisioterapia e empreendedorismo, que contaram com mais de 3 mil congressistas. 

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A verdade é que, desde que foi lançado, em 2013, o evento não para de crescer e, a julgar pela empolgação de público, expositores e organizadores, essa tendência deve seguir em alta pelos próximos anos. Aliás, já adianto, a edição 2020 tem data definida: de 3 a 5 de abril, novamente em São Paulo.

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Eu, que acompanho há muito tempo o evento, posso garantir: este ano o Arnold bombou! Cerca de 85 mil visitantes, recorde de público de todas as edições, lotaram corredores e estandes. E os negócios também não ficaram atrás: foram movimentados R$ 150 milhões em volume de negócios, um número 30% superior ao de 2018.

 Eu estive por lá todos os dias, vivenciando cada momento, e talvez mais do que os números, o que chama a atenção no Arnold Sports Festival é justamente o astral que contagia a todos: a começar do anfitrião. Gente, aos 71 anos de idade, Arnold Schwarzenegger revela-se incansável. Ele andou pelos corredores da feira, durante os três dias, arrastando sempre uma pequena – nem tão pequena assim – multidão de fãs e distribuindo atenção e sorriso para expositores, patrocinadores e, em especial, para as crianças e para os portadores de necessidades especiais. “Convoco todas as academias a incentivar que as pessoas, independentemente do nível de condicionamento, deficiência física ou intelectual, façam esporte. Esporte é saúde, qualidade de vida”, afirmou Arnold, durante o discurso de abertura do evento. No sábado, ele demonstrou que não fica só nas palavras, quando chamou um garoto com necessidades especiais ao centro do octógono e levantou seus braços como um campeão. Acho que nunca vi tanto grandalhão chorando. O cara é diferenciado mesmo!

Por falar em celebridades, percebo que, a cada ano, cresce o número delas circulando pelo evento. Nomes como Gracyanne Barbosa, Scheila Carvalho, Kelly Key, Dani Bolina, Aline Riscado, Michelly Crisfepe, Jaque Khury, Marcos Mion, Kleber Bambam, Serginho Mallandro, entre outros, prestigiaram a edição 2019.

 Na sexta-feira fui repórter para o programa “Você Bonita”, da Carol Minhoto, na Gazeta, e tive oportunidade de conversar com vários deles e também muitos esportistas. Assim, conseguimos mostrar toda a diversidade que a feira apresentou este ano. Foi, sem dúvida, uma grande união de esportes, e para mim é sempre uma honra – e uma alegria – poder fazer parte de iniciativas que promovam o esporte. Por falar nisso, confira aí no quadro abaixo os principais vencedores das modalidades ligadas ao fisiculturismo.

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No sábado tive a oportunidade de ficar no estande da Adaptogen Science e, mais uma vez, pude estar ao lado de um time de primeira, com uma moçada que leva o esporte a sério. Fico megaempolgada ao ver o esporte ganhando cada vez mais força, pois acredito demais no seu poder de resgate social e de construção de uma nova sociedade, mais humana, com mais respeito e dignidade para todos. Aliás, concluo, com mais uma declaração que ouvimos da estrela maior do evento. “Acredito que o esporte tem que ser para todos. Essa é minha cruzada mundial e fico feliz em ver o entusiasmo dos brasileiros com o nosso evento e o seu amor pela atividade física. Em 2020, I’ll be back!”, finalizou Arnold ao melhor estilo “O Exterminador do Futuro”. E nós, com certeza, também voltaremos!

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Cobertura completa Arnold 2019

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Adversárias difíceis e craques lesionadas: uma análise sobre a preparação do Brasil para a Copa do Mundo na França

Julia Vergueiro
Julia Vergueiro

Falta pouco mais de 1 mês para a 7ª edição da Copa do Mundo de Futebol Feminino, e muitas críticas vem sendo direcionadas à equipe brasileira, em especial à comissão técnica liderada por Vadão.

Eu peço cuidado. Cuidado, pois na era dos 140 e poucos dígitos em que vivemos hoje, podemos cair na injustiça de avaliar contextos complexos de forma rasa e simplista. Quando lemos manchetes estampando “9 derrotas seguidas”, tendemos a enxergar um cenário desastroso, mas que precisa ser analisado de forma mais profunda.

A primeira dessas 9 derrotas aconteceu na metade do 2º semestre de 2018, quando a equipe que em breve será convocada oficialmente para o Mundial ainda estava em formação. Ali, o cenário era bastante crítico: cada jogadora estava em um nível físico diferente, pois jogam em países onde o futebol feminino é amplamente heterogêneo entre si. Cristiane, principal atacante da Seleção, maior artilheira das Olimpíadas, voltava de um período complicado na China, onde ela mesma afirmou ter tido dificuldades com nutrição e preparação física.

Além disso, é preciso lembrar que a estratégia de preparação para a Copa adotada pela comissão foi propositalmente a de enfrentar seleções mais bem rankeadas que o Brasil, com o intuito de trazer maturidade às jogadoras que ainda não tinham tanta familiaridade com esse nível de competitividade.

A única exceção a isso ocorreu nos últimos dois amistosos, realizados no início de abril, contra Espanha e Escócia. No entanto, diferente do que muitas pessoas que não acompanham o futebol feminino podem pensar, essas duas seleções encontram-se também em um nível muito competitivo.

A Escócia, apesar de estreante em Copas do Mundo, possui um elenco quase todo formado por atletas que jogam no campeonato inglês, uma das ligas femininas mais fortes do mundo. Soma-se a isso o fato de que o governo escocês, entusiasmado com a classificação da sua equipe nacional para o Mundial, anunciou em setembro de 2018 uma ajuda financeira de 80 mil libras para que as jogadoras pudessem treinar em período integral a partir de janeiro de 2019 visando a competição na França.

Sabemos que os resultados não foram bons. Ninguém gosta de perder, muito menos as jogadoras. Mas, mesmo assim, o desempenho ao longo dos vários meses de preparação vem crescendo, e é possível enxergar um padrão de jogo focado na marcação forte para a roubada de bola e transição rápida para o ataque. Mas o mesmo só virá a acontecer com excelência e resultar em placares positivos quando tivermos a equipe toda no auge do seu potencial, como aconteceu em abril quando a Seleção levantou o caneco da sua sétima Copa América. A própria Marta só iniciou sua pré-temporada no Orlando agora, pois voltou de lesão recente, além de Cristiane, Ludmila e Bia Zaneratto que também se recuperam e por isso não estiveram nos últimos amistosos.

2019 tem sido um ano diferenciado para o futebol feminino no Brasil. Mais visibilidade e novos investimentos tem trazido esperança àquelas que há tanto tempo se dedicam à modalidade. Mas é preciso ter calma: nada se resolve em apenas um ano. Acredito que esse seja o início de uma mudança que, em alguns anos, não terá mais volta e transformará de vez a realidade difícil em que nos encontramos há décadas. Não podemos criar a expectativa de que tudo se resolverá agora, e muito menos achar que um resultado ruim na Copa invalidará esse processo evolutivo.

No dia a dia, vamos trabalhar. Em junho, vamos torcer. Em alguns anos, vamos nos orgulhar.

Fonte: Júlia Vergueiro

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Carb Cycling ajuda a reduzir gordura corporal e aumentar músculos

Rê Spallicci
Rê Spallicci
Carb Cycling reduz gordura corporal!
Carb Cycling reduz gordura corporal! []

Você já ouvir falar sobre a dieta cíclica de carboidratos ou periodização de carboidratos (carb cycling)? Pois esta é uma prática que cada vez mais atletas de fisiculturismo vem utilizando em sua preparações e com resultados consistentes.

Para saber mais sobre o tema, conversei com a Re Knack, minha amiga, nutricionista e atleta BTFF, que recomenda e utiliza a dieta. Fique agora por dentro dos principais pontos sobre a dieta:

O que é a Carb Cycling?

“Carb cycling" é uma abordagem dietética em que a pessoa alterna a ingestão de carboidratos em uma base diária, semanal ou mensal.

“Diversas estratégias nutricionais bem-sucedidas, que restringem os carboidratos, e algumas que até os excluem totalmente, deram ao macronutriente o rótulo de vilão das dietas. Embora nenhum nutriente seja categoricamente ruim, a ingestão de carboidratos é algo que deve ser adaptado ao indivíduo; dessa forma, as dietas cíclicas estão se mostrando bastante eficazes, a fim de aperfeiçoar a utilização da energia dos alimentos para objetivos específicos”, comentou a Rê Knack.

A abordagem vem sendo bastante utilizada por atletas que necessitam de melhor adaptação nutricional à rotina de treinamento e fases de preparação física, mas a estratégia vem ganhando força também entre aqueles que desejam reduzir a quantidade de gordura corporal, aumentar a quantidade e qualidade muscular, manter o desempenho físico durante o período de restrição alimentar ou superar um patamar já atingido de perda de peso.  

As vantagens da Carb Cycling

Uma vantagem muito evidente da carb cycling  é a melhor aderência à dieta por indivíduos que não se adaptaram às dietas low carb ou dietas da proteína, uma vez que a restrição do carboidrato é temporária, e as fases de reintrodução são tidas como uma forma de recompensa ao esforço anterior, fazendo com que haja redução da compulsão alimentar, maior facilidade na adaptação e seguimento do planejamento nutricional.

“Outro ponto a ser destacado, talvez o mais importante, é o fato de que alternar as quantidades de carboidratos dietéticos sem longos períodos de restrição permite maior preservação da massa muscular durante a realização de dieta para redução de gordura corporal. Independente do objetivo, a restrição de carboidratos sempre oferece maior segurança, quando seguida de períodos de reposição do nutriente”, me explicou.

Além disso, segundo a Rê Knack, alternar as quantidades de nutrientes em uma dieta também faz com que haja melhores resultados em longo prazo, tanto para a perda de gordura corporal quanto para a manutenção do peso, uma vez que o organismo fica menos propenso a se adaptar às quantidades ingeridas. “Essa adaptação à dieta pode desencadear mecanismos de defesa do organismo que inibem a utilização de gordura corporal armazenada como fonte de energia.”

As indicações para a Carb Cycling:

Como em todo planejamento nutricional, o ciclo de carboidratos deve ser elaborado levando em consideração as características individuais da pessoa (como: altura, peso, quantidade de massa magra e gordura corporal). Assim como se devem  considerar para a base de cálculo das necessidades diárias a prática ou não de atividades físicas e a intensidade. “Qualquer pessoa saudável pode alternar as quantidades de carboidratos ingeridas em um determinado período, desde que as quantidades satisfaçam as necessidades para o objetivo em questão”. 

De uma forma geral, a carb cycling  tem como regra retardar a ingestão de carboidratos durante um período, para que, ao ser consumido, o nutriente ofereça o máximo benefício em relação à sua utilização pelo organismo. “É importante que o carboidrato da dieta seja direcionado para o objetivo desejado, reduzindo sempre a possibilidade de acúmulo de gordura corporal. As quantidades de carboidratos podem ser ajustadas para melhora da composição corporal, dias de treinamento e descanso, eventos especiais ou competições, tipos de treinamento, redução dos níveis de gordura corporal, melhor controle dos níveis de açúcar no sangue, controle de quadros de compulsão alimentar, etc.”

Apesar de parecer novidade, alguns esportes já utilizam técnicas de carb cycling há décadas, como é o caso de atletas de corrida, ciclismo e natação, que alternam quantidades variadas de carboidratos ao longo do ano, a fim de aumentar a capacidade dos estoques de glicogênio muscular e melhorar o desempenho físico e resistência, quando os carboidratos são reintroduzidos. Entretanto, é entre nós, os atletas de fisiculturismo, que a técnica é mais difundida. “O ciclo de carboidratos bem feito para este tipo de atleta pode significar a medalha de ouro em uma competição.”

Características da dieta Carb Cycling

Uma típica dieta com alteração das quantidades de carboidratos ao longo da semana pode ser elaborada com dois dias ricos em carboidratos, dois dias moderados em carboidratos e três dias com baixo teor de carboidratos. A ingestão de proteína é calculada de acordo com o objetivo pessoal e, geralmente, semelhante em todos os dias, enquanto a ingestão de gordura pode ser estável ou variar de acordo com a ingestão de carboidratos (esse ajuste serve para manter em equilíbrio as quantidades calóricas de diferentes dias da dieta), e o mais comum é que nos dias ricos em carboidratos, haja menor ingestão de gorduras, enquanto os dias com baixo teor de carboidratos costumam ser mais ricos em gorduras. 

“A quantidade de carboidratos de uma dieta não pode ser analisada somente como um número isolado. Diferentes tipos de carboidratos resultam em diferentes efeitos no organismo e, nesta questão, a qualidade do carboidrato ingerido chega a ser até mais importante do que a quantidade em si, uma vez que alguns alimentos são mais indicados para determinados momentos do dia”, ensinou.

Confira este exemplo que a Rê Knack me passou de como a carb cycling pode ser utilizada para ganho de massa magra e controle da gordura corporal:

Rotina cíclica de 7 dias por semana 


Carb Cycling - Rotina de 7 dias
Carb Cycling - Rotina de 7 dias []

Bom, é isso! Espero que tenham curtido tanto quanto eu  esta verdadeira aula que a queridíssima Rê Knack nos proporcionou!

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Carb Cycling ajuda a reduzir gordura corporal e aumentar músculos

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‘Não posso, tenho treino’; seus amigos ainda te chamam para sair?

Mayara Munhos
Mayara Munhos
Focus!
Focus! Focados no Tatame


Ontem fiz uma entrevista com uma lutadora do UFC (publico no espnW.com.br em breve) e ela me disse uma coisa que, como jornalista, eu não podia (eticamente) responder “sei como é”, mas talvez eu tenha dito disfarçadamente. Ela disse algo do tipo: "eu tive que mudar a minha rotina, não posso ficar saindo e tal"; e eu disse "seus amigos nem te chamam mais, né?". E ela concordou. [I know what you feel, bro].

É exatamente isso que acontece quando você opta por ter uma vida de atleta. Você precisa estar disposto a se abdicar de algumas coisas para que outras venham. E não é fácil, mas claro, deve ser prazeroso. Esse papo com a lutadora me fez pensar em algumas coisas que eu abri mão de fazer para estar treinando, tendo como gancho também a 'famosa' frase de uma grande amiga (que me chama para sair às vezes): "Má, você sabe que tem uma vida dupla, né?" (obrigada, Giovanna Sayuri, por sempre me lembrar que eu não vivo para isso nos meus momentos de desespero). Então vamos lá!

Quem me conhece sabe que eu não sou atleta profissional. Eu faço jiu-jitsu única e exclusivamente porque eu gosto. Vejo nele uma motivação, aprendo muito, não apenas dentro, mas fora do tatame. O jiu-jitsu me ensina muito! São coisas que eu nem percebo, mas que, quando vejo, já estou aplicando na minha vida 'out'. 

Eu sempre digo que o meu maior objetivo não é ser uma campeã mundial, eu teria que abrir mão de algumas coisas que não estaria disposta, embora eu saiba que já abro mão de várias. Mas algo que eu não largaria, por exemplo, é o meu trabalho. E na minha cabeça, eu faço um treino de manhã e outro a noite e isso é cansativo, mas o mais cansativo mesmo é estar dentro de uma empresa durante, pelo menos, 8 horas do meu dia. Essas 8 horas, caso eu decidisse lutar um mundial, teriam que ser convertidas em treinos, porque eu sei que enquanto eu estou trabalhando (e foi uma escolha minha e eu adoro), minhas adversárias estão treinando, descansando e se focando naquele objetivo. Mas ok, isso foi só uma introdução. 

"Não posso, tenho treino". Quantas vezes você já repetiu essa frase? Quantas vezes deixou de ir em algum aniversário de família porque precisava treinar? Quantos sábados deixou de sair com seus amigos porque tinha campeonato no domingo de manhã? Quantas vezes não pôde sair porque tinha um treino específico que não poderia perder?

Isso para mim é algo muito natural. Sério, é absurdamente natural dizer que tenho treino porque eu, de fato, tenho. É meu compromisso. Eu preciso estar na academia de segunda a sexta, em X horário para fazer o que me prontifiquei a fazer. E se eu escolhi, preciso fazer bem feito. Ninguém nunca me chamou de canto para falar: "Então, Mayara, você não pode sair hoje porque precisa treinar", mas é algo que você percebe com o tempo que precisa conciliar e, deixar algumas coisas de lado, é necessário. Por isso, deixo de lado as coisas que estão ao meu alcance.

No início desse ano, uma das minhas resoluções foi que eu podia abrir mão de um dia por mês de treino caso quisesse fazer alguma coisa pessoal. E, ainda assim, tem sido difícil para mim, porque quando vejo, o mês já passou. Treinar para mim é prazeroso, embora seja algo mecânico. Parece que todo meu subconsciente está programado para fazer isso, que meu carro já vai fazer o caminho da academia sozinho, que meu kimono vai entrar na minha bolsa por força do pensamento... É quase isso, porque eu faço e nem percebo.

Mas sim, seus amigos começam a te deixar de lado. E você começa a perceber que poucos sobraram. Aqueles amigos que antes te chamavam para "o rolê", hoje parecem ter preguiça de te chamar porque já sabem que você vai ter uma "desculpa" e dizer "não". Eu já tenho até vergonha de falar que vou treinar - sério, hahaha. Mas eles sabem. E não tem problema, desde que te respeitem (e os meus me respeitam, muito).

Se eu já fui em happy hour do trabalho? Em seis anos e meio de empresa, eu digo que nunca (mentira, eu fui em uma confraternização em dezembro de 2017, a Gigi lá de cima que me lembrou). Eles antecedem meu treino. E por mais que as pessoas falem sobre isso, me parece que elas já estão acostumadas em simplesmente não me chamar. Às vezes eu realmente sinto vontade de ir, mas eu fico pensando como vai ser em um mês, quando eu estiver em uma competição e as opções são matar ou morrer.

E sim, minha família me cobra e ela é minha prioridade, mas se no começo era muito estranho entender que eu precisava estar treinando em todo meu tempo livre, hoje para eles é mais estranho se eu não estiver treinando. Quando eu não treino, meus avós me perguntam se estou doente, de verdade hahaha.

Muitas vezes você deixa de fazer as coisas não por querer, mas por estar cansado. Quem treina, sabe: o corpo sente, muito. É cansativo e exaustivo. E muitas vezes, você só quer deitar e descansar. E mais do que uma escolha, descansar é uma necessidade extrema que geralmente, não fazemos como deve ser feito: já parou para pensar quantas horas por noite você dorme?

Mas o que tenho a dizer desse 'blá blá blá' todo é que você precisa se permitir. Não tem problema se algum dia sua cabeça não estiver boa e você precisar faltar. Não tem problema se uma dor te impedir de treinar naquele dia. E também não tem problema se você optar por não ir para tomar alguma coisa com os amigos (mas não abuse). Mas você precisa ter e manter o foco. E precisa ter a cabeça boa o suficiente para entender que não pode relacionar qualquer derrota ao fato de ter 'falhado' uma vez.

Curta sua jornada. :) E obrigada, amigos, por me chamarem para sair às vezes, mas por entenderem meus 'nãos' <3

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‘Não posso, tenho treino’; seus amigos ainda te chamam para sair?

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Uma guerreira dos ringues: conheça a história de Rose Volante

Rê Spallicci
Rê Spallicci

Rose Volante boxeadora
Rose Volante boxeadora []

Hoje, o fisiculturismo abre espaço para uma outra modalidade aqui em minha coluna: o boxe! E o motivo para isso é tão nobre quanto este esporte. Conversei com ninguém mais, ninguém menos do que Rose “The Queen” Volante, uma das maiores atletas de boxe em todo o mundo!  

Recentemente, ela foi derrotada pela irlandesa Katie Taylor na luta que foi uma das mais esperadas dos últimos anos. Isso porque, eram três títulos no ringue: o da Organização Mundial de Boxe, conquistado pela brasileira, e os da Associação Mundial e da Federação Mundial de Boxe, de posse da irlandesa.

Infelizmente, a vitória não veio para Rose, mas nunca podemos dizer que a brasileira saiu derrotada! Primeiro porque a irlandesa é considerada um fenômeno do esporte. Invicta, ela já foi medalha de ouro em Olimpíadas e desde que é profissional possui um cartel de treze lutas e treze vitórias.

E em segundo lugar porque nunca podemos falar em derrota quando falamos de uma mulher que chegou onde Rose chegou, superando preconceitos e dificuldades.

Uma história de superação

Sim, essa paulistana, moradora de Santos, de 36 anos, é a primeira brasileira a conquistar um título mundial e já deixou seu nome gravado para sempre na história do boxe feminino do Brasil e do Mundo.

E a história de Rose com o boxe começou na infância. Ela e a mãe eram apaixonadas pela nobre arte e acompanhavam as transmissões das lutas pela televisão. Mais tarde, já com 26 anos, após engordar muito, Rose viu na paixão pelo boxe talvez a única possibilidade de mudar sua história. “Cheguei a pesar 105 quilos e não sabia como sair dessa situação. Não gostava de academia e nem de qualquer esporte, exceto o boxe”, lembra. Foi quando decidiu procurar um clube-escola disposta a unir o gosto pelo esporte aos benefícios de sua prática.

Focada em perder peso, a jovem conciliava os treinos com a corrida. Assim, em pouco tempo, Rose conseguiu vencer seu primeiro grande desafio, emagrecendo 40 quilos.

Foi quando soube que aconteceria uma competição amistosa e sentiu vontade de participar. “Na verdade, o pessoal da academia relutou um pouco, mas eu realmente tinha desejo de saber como era subir no ringue, sentir a adrenalina de uma competição... e eles finalmente concordaram”, conta.

Resultado: Rose ganhou sua luta por nocaute e tomou gosto de vez pelo esporte. Em menos de dez anos, a jovem se tornou um fenômeno do boxe feminino brasileiro, conquistando quatro vezes o campeonato paulista, três vezes o brasileiro, campeã sul-americana, pan-americana, europeia, integrou o time olímpico brasileiro em 2012 e a lista é longa...

A partir de 2014, Rose se tornou pugilista profissional, colecionando mais títulos. Em 2017 a atleta passou a integrar o time Memorial e, em dezembro daquele mesmo ano, foi à Argentina e derrotou a campeã Brenda Carabaljal, tornando-se assim a primeira brasileira campeã mundial de boxe pela OMB. 

Superando preconceitos e lesões 

Em sua trajetória, Rose enfrentou o preconceito e as dificuldades próprias da carreira esportiva. Em 2012, uma lesão cervical que a afastou das competições por seis meses, culminou com uma depressão que quase levou ao encerramento precoce da carreira. “Eu me senti perdida, impedida de fazer aquilo que mais amava”, relembra. Nessa época, Rose decidiu recorrer ao apoio profissional. “Até hoje sou acompanhada pelo psicólogo Leo Baroni, que sempre me ajuda demais e fazendo com que eu dê tudo de mim em tudo que vou fazer”, conta. 

Acostumada a se entregar em tudo que faz com toda energia e a vencer as lutas que a vida apresenta, Rose espera que sua trajetória no boxe possa também servir de incentivo para outras mulheres. “Espero que os caminhos que trilhei e as conquistas que obtive possam mostrar a outras mulheres que somos privilegiadas, somos fortes, somos mais capazes de suportar a dor e nada é impossível”, afirma.

A vitória que traria a consagração máxima à brasileira pode não ter vindo, mas Rose lutou com as armas que tinha e, como disse ao final da luta, “deixou seu suor e seu sangue em cima do ringue”. E independente de qualquer título ela  será sempre uma campeã! 


Busque seu propósito. Deixe seu legado.

Rê Spallicci

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Fratura por estresse: o que é, causas e como evitar o problema

Ativo
Ativo
[]

Os atletas vêm se esforçando cada vez mais para irem além das provas de 10 km e desafiar uma meia-maratona, mas nesse caminho, muitos vêm sendo acusados com fratura por estresse por consultórios especializados.

Ana Paula Simões, mestre em ortopedia e traumatologia pela Santa Casa de São Paulo, informa que 10% das fraturas esportivas ocorrem por estresse. “As fraturas por estresse são causadas por uma multiplicidade de fatores. Mas o que mais vejo são pessoas que começaram a aumentar a planilha de treinos repentinamente”, diz.

A fratura por estresse ocorre quando o osso é submetido a cargas muito intensas e não suporta tamanha pressão. A sobrecarga e o aumento do impacto fragilizam o osso a ponto de fazê-lo trincar e quebrar.

Segundo Ana Paula, os pacientes acometidos por esse tipo de fratura frequentemente possuem algum grau de fraqueza muscular. “Se o músculo não tiver capacidade de absorver o impacto, a energia fica retida nos ossos, que perdem a capacidade de impulsionar o corpo”, completa.

O peso é outro agente determinante. Muitos dos que praticam atividades físicas o fazem por causa do sobrepeso, que transfere essa sobrecarga à estrutura óssea. “Há outras causas, como variáveis genéticas, problemas hormonais, uso de drogas”, afirma a ortopedista.

Fratura por estresse em mulheres é mais comum

Os casos também aumentam com o crescimento da participação feminina nas corridas. Em mulheres é mais comum a fratura por conta das alterações hormonais decorrentes da atividade esportiva. “As alterações hormonais associam-se as mudanças nutricionais. Em muitos dos casos, baixa bastante a entrada de minerais, que desencadeia o enfraquecimento do osso”, assinala Ana Paula.

Evelyn Vaz do Amaral, de 40 anos, é uma das atletas que passaram pelo consultório de Ana Paula. Ela participou de uma prova dominical de 9 km, à qual somaria um trecho de treino de 5 km para cumprir 14 km. No sétimo quilômetro, as dores começaram a atacá-la e a ressonância mostrou uma fratura por estresse na tíbia. 

De acordo com Ana Paula, dependendo do grau da fratura, a recuperação não demanda tanto tempo e a cicatrização ocorre entre quatro e seis semanas. Evelyn ficará afastada dos treinos de corrida por um mês. “Acho que pensei muito na prova e me esqueci de outras coisas”, reflete a corredora.

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Já em casos de fraturas em zonas de difícil consolidação, é necessária cirurgia. Para estimular a consolidação óssea, os médicos adotam ingestão de cálcio, estimulação por ondas de choque e até a infusão de células mesenquimais, um método ainda experimental. No combate à dor, a acupuntura é uma excelente aliada quando há dores fortes.

Entre as causas, a única que não dá para corrigir é a genética. Nesse caso, a saída é usar cálcio e tomar vitamina D. Além de buscar fortalecimento muscular e atentar à saúde dos ossos, o corredor deve verificar o que pode fazer para reduzir o impacto.

Procurar informações sobre modelos de tênis mais compatíveis às suas necessidades particulares é fundamental. De acordo com Ana Paula, também é importante variar o tipo de terreno, procurando outras alternativas, como grama, areia, terra.

Fonte: Ativo.com

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A MLB na luta pela diversidade e inclusão

Paula Ivoglo
Paula Ivoglo

Aproveitando que ontem começou a temporada da MLB (Major League Baseball), vale mencionar uma mulher que tem feito a diferença na liga e tentado fazer com que mulheres façam parte desse mundo, assim como vem acontecendo na NFL, com contratações de mulheres para cargos de assistentes técnicas e outras posições importantes.

Renee Tirado, Diretora de Diversidade e Inclusão da MLB, está assumindo o desafio de não apenas tornar a sede da liga mais diversificada, mas também o campo. Através do programa 'Diversity Pipeline' da liga, 'Take the Field', estão começando o processo de seleção e contratação de diversas candidatas operações de beisebol, incluindo árbitros, rebatedores e treinadores.

Renee Tirado
Renee Tirado Getty Images

'Take The Field' lançado durante o 2018 Winter Baseball Meetings e é um evento anual em que representantes de todas as 30 equipes da Major League Baseball e suas 160 afiliadas menores se reúnem por quatro dias para discutir os negócios da liga. O programa aceitou 50 mulheres pré-selecionadas que estão seguindo papéis que tradicionalmente são ocupados por homens. “A parte de operações é o que você vê no campo”, explica Tirado. “Não havia uma plataforma de lançamento real para as mulheres conseguirem a exposição. Isso partiu de mim, quando participei de um programa que a NFL faz para ajudar as mulheres que querem se tornar treinadoras. Nós ajustamos para o beisebol. E anunciamos para EUA Softball, EUA Baseball, todas as organizações de mulheres e mídias sociais. A resposta foi tremenda. Tivemos sessões para as mulheres, dependendo de onde elas queriam entrar, como árbitros, etc. Elas fizeram parte de uma rede de contatos e algumas mulheres conseguiram alguns empregos.”

Mulheres participando no beisebol não é uma ciosa nova. O USA Baseball cita, desde 1867, que o African American Dolly Vardens, da Filadélfia, tornou-se o primeiro time de beisebol pago, dois anos antes do primeiro clube profissional de beisebol masculino. Então, em 1904, foi relatado que Amanda Clement foi a primeira mulher a arbitrar um jogo de beisebol, ganhando entre US $ 15 e US $ 25 por jogo. A era mais reconhecida para as mulheres no beisebol ocorreu há mais de 75 anos, durante a II Guerra Mundial. Com os homens lutando no exterior, havia uma escassez de mão de obra no campo. Naquela época, o proprietário de Chicago Cubs, Philip Wrigley, criou a All-American Girls Professional Baseball League (AAGPBL). Mais de 600 mulheres participaram do campeonato de 1943-1954. Estas mulheres foram imortalizadas no filme de 1992 A League Of Their Own. Eventualmente, em 1988 elas foram introduzidos no Baseball Hall Of Fame. Quando a guerra terminou e os homens voltaram, a AAGPBL tornou-se menos proeminente no mundo do beisebol.


Agora, sob a liderança de Tirado, a liga está começando a ser mais inclusiva em todas as áreas de beisebol e operações . Além do programa Take The Field, ela iniciou o Katie Feeney Leadership Symposium, um evento básico dentro da liga. "É um simpósio de desenvolvimento profissional", ela explica, "onde fazemos parceria com a Universidade de Stanford para Mulheres no Beisebol. Cinquenta mulheres de toda a liga são indicadas por suas organizações".

“Se conseguirmos de 10% a 15% das pessoas dos programas que ainda estão no beisebol em 5 a 10 anos com alta taxa de desempenho, é aí que a verdade está. Você pode fazer esses programas, mas se não houver intenção real e apoio contínuo para desenvolver essas pessoas nesses espaços e garantir que eles permaneçam no radar, se essas pessoas não continuarem a ascender na organização, então qual é a vantagem? Leva tempo. Essas não são coisas que acontecem da noite para o dia. É um esforço de equipe.

A jornada de Tirado começou no tribunal. “Minha base é como advogada, pratiquei a advocacia por muitos anos”, afirma ela. "Eu não tinha paixão por isso. Eu entrei no setor público e trabalhei para a cidade onde acabei trabalhando para a NBA Retired Players Association.”

Ela então se voltou para a Associação de Tênis dos Estados Unidos. “Comecei essa jornada de diversidade e inclusão sem saber para onde ia me levar, o que significava e, para ser bem franca, vendi como eu sabia. Esse foi o primeiro grande ponto para mim. Foi na USTA onde eu realmente tive um mentor; tinha campeões para auxiliar no meu desenvolvimento ”.

Drake Bulldogs left fielder Abby Buie
Drake Bulldogs left fielder Abby Buie Getty Image

 Então, a pessoa que a contratou saiu da USTA e foi para a AIG. “Cerca de um ano depois”, continua ela, “ele me procurou para trabalhar com ele novamente em diversidade [e inclusão] para toda a América do Sul e Central e, eventualmente, para todas as Américas. Isso mudou toda a minha perspectiva sobre diversidade e inclusão quando você começa a falar sobre isso globalmente. Foi uma ferramenta inestimável para mim seguir em frente. Forçar-me a sair de Nova York foi a melhor coisa que poderia ter acontecido porque me forçou a sair da minha zona de conforto. Essa situação provou ser a mais difícil para Tirado. Não só foi a primeira vez que profissionalmente ela se mudou da área de Nova York, mas sua mãe faleceu logo após a mudança.

“Minha mãe sempre arriscou”, declarou Tirado. “Ela me disse que se eu não tentasse a posição da AIG, eu me arrependeria. Eu acredito que essa experiência me preparou para minha transição para a MLB. ”

À medida que Tirado evolui com o cenário de diversidade e inclusão em constante mudança, ela se concentra nesses passos para ajudá-la em suas transições:

- Esteja preparado, não comece o processo se você não estiver preparado para dar o salto.

- Solidifique seu esquadrão. Cerque-se de pessoas que serão campeões no seu canto.

- Realize pesquisas para entender em que você está se metendo; para ver se é realmente algo que você quer fazer.

"Há uma frase em espanhol pa’lante", conclui Tirado, "significa basicamente avançar. Quando estou em uma encruzilhada ou tenho dificuldades, ouço a minha mãe dizendo pa'lante; apenas continue seguindo em frente.”

A temporada da MLB já começou e hoje, você acompanha a partir das 20h o jogo entre Houston Astros e Tampa Bay Rays AO VIVO, na ESPN Extra e no WatchESPN.

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Elas só querem treinar

Juliana Manzato
Juliana Manzato
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Se você é mulher e tem a corrida como hobby ou esporte, já deve ter sido assediada em um dos seus treinos - principalmente se ele for outdoor. Você provavelmente já teve que se preocupar com o caminho que iria fazer até o parque, ou o percurso escolhido na rua. É provável que antes mesmo de ter saído de casa, tenha se preocupado com que roupa iria correr. Inclusive, já deve ter passado calor por não ter tido coragem de tirar a camiseta e só ficar de top. Sair para correr muito cedo? Jamais. Sair para correr tarde da noite? Nem pensar. 

Já vivi todos os questionamentos acima, não foi uma ou duas vezes, acontece quase que diariamente e em boa parte, quem ganha mesmo é a esteira da academia do meu prédio. Não é mais prazeroso do que correr no parque, com o vento na cara, mas pelo menos eu estou em “segurança”. Quero dizer, “falsa segurança” porque o assédio pode acontecer no evelador e até mesmo na academia do prédio. Não estamos imunes.

Não é mimimi, é só querer treinar em paz mesmo. 

Gisele Trento Andrade e Silva, 39 anos, natural de Criciúma - SC, esportista amadora na corrida, bike, natação, musculação e pilates. É mãe do Mateus, esposa do Estevan, Bióloga com especialização em educação ambiental e gestão empresarial estratégica, atualmente é professora de Biologia no ensino médio e cursinho pré-vestibular. É também a mulher por trás do perfil "Só quero treinar" que, com três meses e meio de existência, acumula mais de 11 mil seguidores e MUITOS (!) relatos, alguns publicados anonimamente, sobre assédio e estupro sofrido por mulheres duramente treinos de corrida. 

Falamos por 1h no telefone, relatos de arrepiar até o último fio de cabelo, além de sororidade e empatia, terminamos a entrevista como amigas de infância, coisas que só o esporte, feminismo e empoderamento podem fazer entre duas mulheres que nunca tinham trocado qualquer tipo de mensagem. 

Juliana Manzato: Ainda existem muitos homens - e mulheres! - que acham que todo esse movimento é mimimi. Você não recebeu críticas nesse sentido com a criação da página? 

Gisele Trento: Existe, mas é muito pouco. Até por que um dos objetivos da página é passar dicas de como deixar o treino mais seguro e tranquilo. Empoderamos mulheres e também mostramos aos homens que, aquilo que pode parecer um elogio para eles, é extremamente ofensivo para nós, mulheres. E bem, se o elogio causou qualquer tipo de constrangimento, não é elogio. 

JM: O @soquerotreinar vai muito além de dicas de segurança no treino de corrida para mulheres, qual é o objetivo principal? 

GT: Empoderar mulheres para praticarem o esporte fora da esteira. Queremos ir para rua e conquistar um espaço que é nosso por direito sem sermos importunadas durante o nosso treino. Assédio não é algo normal! Criar uma rede de apoio como a página para mulheres compartilharem histórias, relatos e principalmente, dar dicas de segurança é só o começo para mostrar para os homens - e mais mulheres - que temos voz e podemos encontrar apoio uma na outra. Afinal de contas, todas nós - infelizmente - já sofreu algum tipo de assédio. 

Enquanto Gisele vai me contando sobre os relatos, vou me identificando com muitos deles. Já fui perseguida no trajeto até o parque, já aumentei o volume do fone do ouvido para não ouvir o que aquele homem que passou por mim falou, entre tantas outras coisas. Na página, Gisele compartilha relatos como esses aqui: 





A corrida deveria ser algo simples, colocar o tênis e simplesmente sair correndo, mas... não é bem assim. Não para mulheres. 

 JM: Foi por conta de um assédio que você sofreu que veio o start para criar a página, certo? 

GT: Sim, foi no segundo semestre do ano passado. Estava me preparando para a meia maratona de Florianópolis e iniciando treinos de bike para o meu primeiro Triatlon. Treinos para essas competições são longos, e por vezes é muito difícil achar cia para treinar junto, então para cumprir planilha você acaba treinando sozinha, principalmente nos finais de semana. Em nenhum dos treinos eu tive paz, sempre existia algum tipo de assédio. O mais grave aconteceu em um dos treinos de bike, percebi que estava sendo perseguida e que inúmeras vezes o motorista passava com o carro muito próximo ao meu corpo com a intenção de tocar em mim. Com medo e já pensando no pior, vejo o motorista vindo em minha direção novamente, e fazendo gestos obscenos. Não pensei duas vezes, avistei uma mulher e pedi refugio em sua casa. Nesse dia meu marido precisou ir me buscar para ir embora. Além do medo, pânico e trauma, existe a frustração de não ter consigo terminar o treino, o motivo não foi fadiga muscular ou qualquer coisa do tipo, foi assédio mesmo. 

Gisele ainda me conta que a ideia do perfil era ser mais regional, mas acabou ganhando o Brasil - e o mundo - com relatos de brasileiras corredoras espalhadas pelo globo. Era uma mulher compartilhando vivências de assédio, estimulando outras tantas mulheres a também compartilharem suas histórias criando assim, uma grande rede de apoio.

Muitas dessas mulheres não querem ter suas histórias compartilhadas, mas só o fato de ter do outro lado uma figura feminina para conversar sobre o assunto é reconfortante: “Eu só quero conversar com alguém que me entenda, por que se eu contar para o meu marido ou namorado, ele não vai mais me deixar sair para treinar”, esse é um dos relatos mais comuns que Gisele recebe no perfil. 

JM: Diante de tudo isso que aconteceu com você e com as histórias que chegam ate o perfil, o que é mais gratificante? 

GT: Ajudar mulheres que sofreram assédio voltarem a corrida. A rede de apoio que se formou com o perfil foi uma enorme, e uma gratificante surpresa. Mulheres mudaram seus treinos, ganhando qualidade e um pouco de paz com as dicas e os assuntos abordados no perfil. Recebo relatos de mulheres que vivenciaram a tentativa de estupro e que pensaram em desistir da corrida por causa disso, e acharam no perfil força e motivação para continuar. 

Fica cada vez mais evidente para mim, que todas nós queremos uma única coisa: treinar em paz. Viver em paz! Fica em paz! 

Queremos respeito com o nosso corpo, com as nossas escolhas e principalmente, liberdade para treinarmos a hora que quisermos em segurança. Precisamos urgentemente mudar também o pensamento de muitas mulheres que ainda julgam por conta da roupa de treino, a prática de esporte e tantas outros motivos, uma outra mulher. 

Precisamos de mais perfis como o @soqueroteinar. Mas no fundo, o que nos precisamos mesmo é respeitar o espaço e a escolha do outro. Estamos no caminho, longe do objetivo final, mas ainda assim, no caminho. 

Obrigada Gisele, por tamanha iniciativa!

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Mantras de corredor: dicas de treinamento para corrida de rua

Ativo
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Mantras de corredor: dicas de treinamento para corrida de rua
Mantras de corredor: dicas de treinamento para corrida de rua Shutterstock

Todo corredor que já tem alguns quilômetros rodados por aí sabe de alguns “mantras” que são disseminados quando o assunto é treinamento para corrida de rua — e que são seguidos como se fossem regras. Mas o treinamento, assim como a alimentação, é individual e todas as regras costumam ter exceções. 

10 mantras essenciais de treinamento de corrida de rua

 1. Longas distâncias 

O treinamento para corrida de rua mais eficaz imita o evento para o qual você está treinando. Se você quer correr 10 km abaixo de 1 hora, precisa fazer um treino neste pace e tempo específico pelo menos uma vez (ou bem próximo).

Porém, vale a dica: quando falamos de longas distâncias, acima de 21 km, não é aconselhável corrê-las antes do dia da prova. Ou seja, se você está treinando para uma meia-maratona, provavelmente não irá correr 21 km antes da prova. Isso exigiria um tempo longo para o corpo recuperar-se e poderia atrapalhar o andamento do treinamento.

Então anote a sugestão para treinar para o seu maior desafio: mantenha a distância total menor do que a distância que irá correr ou corra no pace que você precisa manter na prova em questão, mas correndo distâncias menores.

2. Rodagem 

Aumente semanalmente a quilometragem do seu treinamento de corrida de rua, mas não mais do que 10% por semana. Essa regra dos 10% foi popularizada nos anos 1980, quando especialistas notaram que aqueles que aumentavam mais do que isso eram mais propensos a lesões no esporte.

Mas existe uma exceção quando falamos do treinamento para corrida de rua: se você já pratica a corrida há um tempo e está voltando de um período off, treinando distâncias menores (de até 10 km) você pode adicionar mais do que 10% do volume de treino até voltar ao seu ritmo normal.

3. Comeu? Espere duas horas para correr 

A maioria das pessoas precisa de cerca de duas horas para digerir a comida, especialmente se forem alimentos mais pesados, ricos em gorduras ou muito calóricos.

Se você não esperar pela digestão, pode sofrer desde a famosa dor de lado até gases, dores estomacais e, ainda, ter que parar a corrida para ir ao banheiro. Porém, se a refeição for rica em carboidratos leves, dá para sair para correr depois de 1 hora ou 90 minutos mais ou menos. Então, logo antes de ir correr, invista em alimentos leves e nutritivos para não passar mal. 

4. 10 minutos de aquecimento

Comece qualquer corrida com 10 minutos de aquecimento (caminhada ou trote leve — e faça o mesmo depois para desaquecer). O aquecimento prepara o corpo para o exercício e aumenta gradualmente o fluxo sanguíneo para os músculos. E o desaquecimento é ainda mais importante.

Parar um exercício de forma abrupta pode causar cãibras, náuseas, tonturas e até desmaios. A exceção é que, em dias quentes, o corpo demora menos de 10 minutos para estar aquecido para a corrida.

5. Sentiu dor? Tire dois dias off para voltar a correr

Se você sente dor por dois dias seguidos enquanto está treinando, tire dois dias de descanso para o corpo se recuperar. Sentir dor o tempo todo não é normal, então, se a dor persistir por até dois dias pode ser um sinal de lesão.

Alguns especialistas dizem que até cinco dias de repouso pode ser ainda melhor para tratar alguma dor causada pelo treinamento para a corrida de rua – e não atrapalha em nada o seu nível de condicionamento físico. Mas atenção: se a dor persistir mesmo com os dias de descanso, vá ao médico.

Leia Mais:

Dicas para a adaptação à corrida de rua

22 dicas para melhorar a resistência na corrida

42 dicas para encarar a primeira maratona

6. Não coma nada novo antes de uma prova

A maioria dos corredores sabe bem que não é sugerido experimentar nada novo no dia antes de uma prova ou treino importante.

Os hábitos alimentares acostumam nosso organismo a um tipo de dieta e o risco de indigestão aumenta ainda mais se você resolve experimentar um suplemento ou alimento novo. A exceção é óbvia: se você estiver com muita fome e não tiver outra opção, coma. 

7. Descanse

Treinadores sugerem não pegar pesado no treinamento de corrida de ruadepois de uma prova muito desgastante. A sugestão é descansar o corpo dos treinos mais fortes por cerca de seis dias depois de uma corrida de 10 km, ou 26 dias depois de uma maratona, por exemplo.

Quem criou essa “regra” foi Jack Foster, ex-atleta neozelandês. Mas ele fala em treinamento para corrida de rua de alto desempenho, em que o corredor dá o seu máximo e leva o corpo ao extremo. Se não foi o caso da sua prova, leva menos dias para o corpo se recuperar. Preste atenção aos sinais que seu corpo envia e cuidado com o overtraining

8. Conversar e correr

Alguns especialistas dizem que o ritmo de corrida saudável para o organismo é aquele em que é fácil falar sem ficar ofegante demais enquanto corremos.

Um estudo descobriu que os corredores cujos coração e respiração estavam dentro da zona aeróbica alvo (entre 60 e 80% da frequência cardíaca máxima), tinham mais facilidade para falar. Mas é claro, em treinos de intensidade alta, como os de velocidade ou intensidade fortes, não deve ser fácil bater papo enquanto corre. Se o ritmo for moderado, você deve ser capaz de conversar sem ficar ofegante.  

9. Foco nos carboidratos

Muita gente acredita que dias antes de uma corrida importante (e longa) é necessário aumentar a ingestão de carboidratos. Este mantra de corredor começou depois de um estudo escandinavo de 1967.

Mas, atualmente, outros estudos sugerem que a alimentação antes da competição ou de qualquer treinamento para corrida de rua, deve conter todos os nutrientes, devidamente planejados para o seu organismo. E um plus: na hora da reposição de eletrólitos durante corridas longas, vale adicionar proteína em uma bebida rica em carboidratos para diminuir a sensação de fadiga muscular.

10. Sono para uma boa performance

Já falamos sobre a influência do sono na performance de qualquer atleta. O ideal é que um atleta durma de sete a oito horas de sono

O sono extra pode não ser necessário para aqueles mais hiperativos e com muita energia. Alguns treinadores afirmam que atletas que treinam mais de 50 km semanais devem dormir cerca de 30 minutos a mais do que o habitual.

Fonte: Ativo.com

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Mantras de corredor: dicas de treinamento para corrida de rua

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A importância da fisioterapia para o atleta de fisiculturismo

Rê Spallicci
Rê Spallicci
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Como disse no comecinho de 2019, neste ano minha coluna trará também entrevistas com profissionais que são essenciais para os atletas de fisiculturismo. E hoje, eu trago o Dr. Carlos Roberto Mó, fisioterapeuta especialista em esporte de alto rendimento e que possui uma estratégia de tratamento perfeita para nós atletas: eles nos trata sem nos tirar 100% dos treinos e trabalha muito também com a prevenção de lesões! Conheça um pouco mais sobre o profissional e entenda a importância da fisioterapia para o fisiculturismo.

Dr. Mó Fisioterapeuta de atletas
Dr. Mó Fisioterapeuta de atletas []

RS - Conte-nos um pouco sobre sua carreira e quando decidiu ter um foco mais específico em atletas? 

Dr. Mó - Pratico esporte desde  5 anos de idade, sempre fui muito focado nisso. Quando entrei na fisioterapia, eu já tinha o foco de trabalhar com Ortopedia Esportiva. Dediquei-me ao máximo em busca do que tinha de mais atual e evoluído com relação a Tratamento e Reabilitação de Atleta. Formado, montei minha clínica com estrutura que nem a CBF tinha ainda. Simultaneamente, fui trabalhar no Esporte Club Pinheiros, onde mostrei todo meu conhecimento, até ser Responsável pela Atualização da equipe do clube e analista estatístico da epidemiologia, detectando as principias lesões em todos os esporte olímpicos e montando protocolos de tratamento. Após, mantive minha clinica, realizando uma fusão de sucesso com settcoaching, onde trabalho até hoje com atletas de performance. 

RS - Um dos diferenciais do seu trabalho é não tirar o atleta do treinamento. Como consegue trabalhar dessa forma? No meu caso, continuo treinando enquanto faço o tratamento. Como isso é possível? 

Dr. Mó - A primeira estratégia para não tirar o Atleta do esporte é ter muito CONHECIMENTO. Realizando uma avaliação criteriosa e diferenciada e sabendo quais tecidos estão lesionados, aliado a um profundo conhecimento de biomecânica do corpo, treinamento e biomecânica do esporte (gesto esportivo), consigo ajustar o treino dos atletas de maneira que a lesão não aumente. Com a dedicação do atleta, consigo cicatrizá-la de maneira eficiente. 

No seu caso, por ser uma atleta dedicada e que responde às orientações impostas, o trabalho fica mais confortável. O segredo de tratar e continuar treinando é ajustar as angulações e periodizações dos exercícios.

RS - Quais as lesões mais comuns para atletas de fisioculturismo e como a fisio pode ajudar a preveni-las? 

Dr. Mó - As principais lesões nos atletas de Fisioculturismo são de tendões. Pois, infelizmente, o desenvolvimento muscular é muito mais rápido que o desenvolvimento do tendão. Para prevenir, o ideal é o atleta fazer uma pré-temporada na fisioterapia para gerar maior desenvolvimento do tendão com técnicas e recursos específicos.

RS – Você também atua com a osteopatia e quiropraxia. Pode nos explicar um pouco sobre cada uma das abordagens e como elas auxiliam tanto atletas de alto rendimento como não atletas? 

A osteopatia é uma filosofia de tratamento que utiliza várias técnicas manuais para tratamento e alívio da dor. A quiropraxia é uma técnica que usa manipulações para tratamento e alívio de dores que são de origem articular (da articulação).

Acredito que um profissional completo é aquele que tem varias técnicas para tratar seu paciente. O mais importante é que as técnicas sejam baseadas em evidências. 

Na minha clínica, temos diversos recursos para  auxiliar o atleta de alto rendimento de maneira rápida e eficiente.O importante é saber atuar no momento ideal e com os recursos necessários.

Bom, é isso! Espero que tenham curtido e que tenham aprendido que seja um atleta profissional ou um entusiasta da musculação, procurar um fisioterapeuta especializado no esporte pode ser excelente para a sua saúde!

 Busque seu propósito. Deixe seu legado.

Rê Spallicci

 

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Rabdomiólise: exagero nos treinos pode causar o problema

Ativo
Ativo

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Rabdomiólise é um nome estranho para um problema de saúde bastante grave.

O nome da patologia (rabdo significa estriada, mio musculatura e lise destruição) faz menção à “destruição” da musculatura estriada, que pode acontecer pela prática excessiva de atividades físicas de alta intensidade.   

No entanto, é importante ressaltar que a rabdomiólise não é exclusivamente causada pelo esforço físico exagerado.

Ela também pode ser desencadeada pelo consumo de drogas, infecções, medicações e acidentes que provoque esmagamento muscular.

“No caso da atividade física, o que acontece é uma lesão direta ou indireta no músculo esquelético. Isso causa a destruição das células musculares e liberação dos conteúdos das substâncias intracelulares na corrente sanguínea. Esse rompimento resulta em alterações eletrolíticas, que envolvem os sais do sangue e o aumento da proteína muscular na circulação. Esse aumento é chamado de mioglobina e gera diversos distúrbios”, explica Victor Zia, médico oncologista da Clínica de Oncologia Médica (Clinonco) e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

A rabdomiólise pode acontecer em qualquer idade e, geralmente, a principal complicação que pode causar é a insuficiência renal.

O processo acontece por causa da liberação do conteúdo das células musculares na circulação sanguínea, que leva ao entupimento dos túmulos renais, que desencadeiam na insuficiência renal.

Leia Mais:

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Sintomas da rabdomiólise

Seus sintomas são um pouco vagos e podem passar despercebidos. Por exemplo, fraqueza ou dores musculares após um exercício físico extenuante, mas nada muito específico.

Para fechar o diagnóstico, o médico solicita um exame que analisa a substância de uma proteína do sangue chamada CPK (creatina fosfato quinase).

“É uma proteína que fica dentro das células musculares. Quando rompidas, caem na circulação e é possível detectá-la no sangue. Se o resultado apontar uma amostragem elevada, acima de 500 ou mil, caracteriza-se a rabdomiólise”, explica Zia.

O tratamento

Geralmente recomenda-se a hidratação venosa. O paciente precisa ficar internado para receber soro fisiológico em alta quantidades.

No entanto, se o rim já estiver com suas funções comprometidas, são necessárias outras alternativas.

“A hemodiálise ou terapia de substituição renal seriam os últimos tratamentos sugeridos para a complicação”, finaliza Zia.

Fonte: Ativo.com

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Mahamed Aly responde - O que é #KiCliminha? [Parte 1]

Mayara Munhos
Mayara Munhos
Mahamed Aly responde no Jiu-Jitsu in Frames
Mahamed Aly responde no Jiu-Jitsu in Frames Reprodução

Fazia um tempo que eu não postava no meu canal do YouTube, mas... Finalmente arranjei um tempo (e criei uma certa vergonha na cara) para editar.

Em janeiro do ano passado (sim, em 2018), rolou o ACBJJ, aqui em São Paulo e eu aproveitei a estadia do Mahamed Aly aqui para gravarmos um vídeo. Ele também tem um canal (veja lá) e então lida bem até demais na frente das câmeras. 

Depois disso, muita coisa mudou. Ele foi, inclusive, campeão mundial e foi algo que tínhamos falado sobre na entrevista - significa que a edição vai dar ainda mais trabalho, hahaha.

Mas, fora a entrevista, eu peguei algumas perguntas no canal dele e ele respondeu. Esse é o primeiro. Em breve (em menos de um ano, prometo), tem mais.


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Jogadora de futebol australiano sofre assédio nas redes sociais por conta de foto jogando

Paula Ivoglo
Paula Ivoglo

O futebol é outro, o australiano – ou o footy como é chamado por eles - , mas como tantas vezes, mais uma mulher foi vítima de assédio.

O caso é da atleta Tayla Harris, 21 anos, boxeadora e jogadora do Carlton Football Club pela Australian Football League. Na página do Facebook da Channel Seven’s AFL  (7AFL) uma foto da atleta foi postada com a seguinte descrição: “Grande atleta em sua força máxima”. A foto é essa:

Foto de Tayla Harris durante a partida que gerou toda a polêmica
Foto de Tayla Harris durante a partida que gerou toda a polêmica Getty Images

Uma imagem que retrata bem a força, energia, flexibilidade, habilidade e o timing dessa atleta, não é? Infelizmente não foram esses os tipos de comentários que a foto recebeu. Pelo contrário: diversos comentários agressivos, sexistas e repulsivos, objetificando mais uma vez o corpo feminino, o que fez com que o canal retirasse a foto do ar.

Isso mesmo, ao invés de no mínimo, banir ou deletar os comentários que foram feitos na página, eles preferiram deletar a foto da jogadora!

Porém, o problema não é a foto, nunca foi a foto! Fazendo isso, a emissora cedeu às palavras misóginas e desprezíveis de seus seguidores. A página teve a oportunidade de tomar uma posição, para mostrar que apoia e respeita as mulheres e acredita que as atletas merecem ter suas realizações transmitidas e apreciadas. E a 7AFL não fez isso, tomaram uma decisão errada, porque claramente a questão aqui não é a foto.


O canal se retratou no Twitter, depois da enxurrada de mensagens recebidas, reconhecendo que foi um erro deletar a foto, e sim, que deveriam tomar providências contra os usuários que fazem comentários pejorativos em suas redes.


Com uma atitude dessas, podemos perceber que um veículo de informação, que deveria primeiramente conscientizar seu público e passar uma mensagem de respeito, prefere o caminho mais fácil, “varrer para debaixo do tapete”, deletando as fotos e provas, como se nada tivesse acontecido, sem lidar com a situação. Uma atitude tão repulsiva quanto os próprios comentários em si, em pleno século XXI.

A própria atleta, em contrapartida, resolveu ela mesma postar sua foto no Twitter e deixar fixada com a seguinte legenda: “Essa é uma foto minha no trabalho... pense sobre isso antes de fazer seus comentários depreciativos, animais. ”


Harris acionou a AFL – liga de futebol australiano - e a polícia para tomarem uma ação, pois considerou ter sido vítima de abuso sexual nas redes sociais: “Se essas pessoas estão dizendo coisas como essas para pessoas que não conhecem em plataforma públicas, o que estariam fazendo atrás de portas fechadas?”, disse a jogadora.

Além disso, Harris está preocupada com sua própria segurança, afinal, como pode identificar se uma dessas pessoas que fez tais comentários estará ou não presente no estádio em dia de jogo?

“Eu realmente acho que eles poderão estar lá. Eu vi os perfis dessas pessoas, eles têm filhos, filhas ou mulheres em suas fotos, e essas são as coisas que me preocupam. Então, talvez essa seja uma questão de ir além e investigar. Se pensam dessa maneira e são capazes de escrever coisas tão absurdas, o que eles vão fazer quando eu estiver na lateral do campo com algumas crianças? Esse é o tipo de coisa que terei que me preocupar agora. Fico desconfortável no meu local de trabalho. Eu sei que não deveria pensar assim, mas é a realidade”, diz Harris.

A atleta recebeu total apoio de toda a comunidade do esporte, assim como do primeiro ministro Scott Morrison e da ministra para as mulheres, Kelly O'Dwyer, que consideraram a atitude repulsiva, feita por um bando de covardes.

O seu empresário, Alex Saundry, disse que tweets ofensivos são apenas a ponta do iceberg, sendo que boa parte do abuso que as jogadoras da AFLW sofrem são fora do conhecimento público.

As mulheres sofrem preconceito em diversas áreas de atuação, e em esportes considerados masculinos é ainda pior. Felizmente, da mesma maneira que a internet é aberta para comentários repulsivos como esses, também é o espaço que dá voz as mulheres. Não devemos nos calar diante de situações como essas, e sim, usá-las como combustível para combater o desrespeito e a desvalorização.

Fonte: Paula Ivoglo

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Tampa Bay Buccaneers contrata duas mulheres para fazerem parte de sua equipe técnica

Paula Ivoglo
Paula Ivoglo

Mais mulheres fazendo história na NFL! Como eu gosto de escrever sobre isso! 

Nesta quarta-feira (20), o Tampa Bay Buccaneers anunciou a contratação de Lori Locust e Maral Javadifar, sendo o primeiro time com duas mulheres na equipe técnica da liga, e fazendo delas as duas primeiras mulheres na história da franquia!

O novo técnico dos Buccaneers, Bruce Arians, disse durante o Combine deste ano que planejava contratar uma mulher, pois sabe o quão difícil é conseguir uma oportunidade para compor a equipe técnica em um time na NFL, mas acredita que é preciso apenas que a organização certa ofereça a oportunidade. Arians afirmou que a família Glazer (dona da franquia) e o General Manager Jason Licht apoiaram totalmente sua decisão.

Bruce Arians já tem histórico na contratação de mulheres na liga: em 2015, quando era técnico do Arizona Cardinals, fez de Jen Welter, durante a pré temporada, a primeira mulher da história a ter um cargo de técnica período integral.

Bruce Arians e Jen Welter na coletiva de imprensa 28/07/2015 que ela foi apresentada como técnica
Bruce Arians e Jen Welter na coletiva de imprensa 28/07/2015 que ela foi apresentada como técnica Getty Images

Locust será assistente da linha defensiva e Javadifar será assistente de condicionamento físico e força, de acordo com o anúncio da equipe. Locust era  técnica da linha defensiva do Birminghan Iron, na Alliance of American Football league, e já foi estagiária dos Ravens durante o training camp do ano passado.

Javadifar recebeu uma bolsa para jogar basquete pela Pace University em New York, onde seu time foi para o torneio da NCAA três das quatro vezes que disputou. Tem doutorado em terapia física na New York Medical College e completou sua residência de Terapia Física de Esportes na VCU em agosto. Tem trabalhado como terapeuta física e treinadora de desempenho na Avant Physical Therapy em Seattle e em Virginia.

Maral se interessou por terapia física depois de romper seu ligamento cruzado anterior no colégio, lesão que atormenta muitos atletas. O programa de condicionamento físico, força e terapia fez com que sua recuperação fosse um sucesso e continuasse ativa nos esportes, surgindo assim o interesse pela terapia física como carreira.

Maral Javadifar jogando basquete (à esquerda) e como terapeuta física (direita) Getty Images e Buccaneers
Maral Javadifar jogando basquete (à esquerda) e como terapeuta física (direita) Getty Images e Buccaneers Getty Images e Buccanneers

Independente de como aconteceu essa oportunidade de ingressar na NFL, uma coisa é certa, elas não pegaram nenhum atalho para chegar até aqui!

Locust conhece Arian desde que seu ex-marido Andrew Locust jogou para ele na Temple University, mas o futebol faz parte da sua vida muito antes disso. Costumava ir com sua família a jogos de high school no Thanksgiving e seguia os Steelers desde os 5 anos de idade.

“Ninguém amava mais futebol na minha família do que eu. Jack Lambert (ex-linebacker dos Steelers) era meu herói, e se tornou parte de tudo que eu fazia”, diz Locust.

Depois de se formar na universidade de Temple, Lori decidiu fazer parte do time de mulheres de Harrisburg, mesmo já estando com 40 anos. Jogou por quatro temporadas antes de se machucar e acabar na sideline como técnica. Foi aí que tudo começou.

Primeiro trabalhou como assistente da Township High School de 2010-2018, depois no semiprofissional de Central Penn por três anos, e mais dois na DMV Elite. Recebeu a ligação da AAF (Alliance American of Football) após dois anos com o Keystone Assault da Women’s Football League (que falei a respeito dessa liga aqui), e em 2018 recebeu o convite para participar do programa de estágio Bill Walsh Diversity Coaching Fellowship no Baltimore Ravens, onde lá também foi a primeira mulher da franquia.

Lori Locust no treino do Baltimore Ravens ano passado
Lori Locust no treino do Baltimore Ravens ano passado Baltimore Ravens

“Foi incrível. Eu trabalhei primeiro com a linha defensiva e linebackers, mas quando você entra na sala, percebe que cada um dos técnicos tem muita experiência. Era uma sala cheia de coordenadores defensivos, e eu tentei me inteirar sobre os novos termos, esquemas e responsabilidades”, conta.

Obviamente a pergunta que ela sempre ouve é: “Como os jogadores profissionais reagem ao serem treinados por uma mulher?”

“Nunca tive problema com nenhum deles. Ninguém nunca me tratou diferente do que sou, uma técnica. Os jogadores são capazes de perceber quando alguém não está sendo autêntico. Eu converso com eles sobre o esquema de jogo, não faço nada diferente de qualquer outro técnico”, responde Locust.

O convite para trabalhar no Buccaneers teve ajuda de uma outra mulher, Katie Sowers, assistente ofensivo do San Francisco 49ers: Joe Pendry, General Manager do Birmingham Iron (até então, time que Locust treinava), já tinha trabalhado com Arians, quando o contratou para o Kansas City Chiefs. Ele sabia que Arians queria uma assistente mulher na equipe, foi quando Katie ligou para Locust e disse a ela para entregar seu currículo a Arians, pois ela soube que tinha uma oportunidade em Tampa.

Lori Locust no treino do Iron Birmingham
Lori Locust no treino do Iron Birmingham Birmingham Iron/AAF

Sendo assim, Lori enviou um email a Arians – soube que ele estava em Birmingham para um camp de técnicos na Universidade do Alabama/Birmingham – e então recebeu a ligação esperada.

“Eu fui muito abençoada, essa organização é impressionante, eles são tão abertos à diversidade, dá para perceber pelos programas que têm para garotas, como o flag football league. Darcie Glazer Kassewitz (dona da franquia) é muito autêntica, sou muito grata! Tive um caminho diferente no começo, mas eu sabia que trabalho duro me faria chegar lá. Eu sinto uma certa responsabilidade de ser um exemplo e mostrar que pode ser feito”, conta Locust.

Em um ambiente tão masculino quanto a NFL, cada conquista dessas mulheres deve sempre ser comemorada e aplaudida. É extremamente gratificante perceber que a porta está se abrindo, seja com uma representatividade tão pequena ainda, mas ainda assim, sendo uma representatividade tão importante, que certamente moldará o futuro de tantas outras garotas que sonham em trabalhar com futebol. É possível, e já está sendo feito, e como bastante trabalho, nosso espaço tende a aumentar cada vez mais!

Fonte: Paula Ivoglo

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Mulheres: têm que treinar peito, sim!

Rê Spallicci
Rê Spallicci
Treino de peitoral
Treino de peitoral []


Há muitos mitos que envolvem o treinamento de peitorais para mulheres. O primeiro deles é  que o treino para o músculo peitoral trará seios mais rígidos e “durinhos.” Outra ideia equivocada é que o treino de peitoral vai diminuir os seios. Novamente uma inverdade.

Por isso, vemos sempre se repetir nas academias uma cena bem comum:  a menina chega e logo recita seus objetivos: abdômen chapado, bunda empinada e coxas mais firmes e desenhadas.

Mas quase todas se esquecem dos membros superiores, principalmente do peito. Elas acreditam que o supino, por exemplo, é um exercício exclusivamente masculino e têm medo de que o treinamento de peito possa torná-las menos femininas.

Inicialmente, vamos destruir o primeiro mito: treino para o músculo peitoral trará seios mais rígidos e “durinhos.” Errado! O que um treino correto de peitoral vai trazer de benefício é o aumento do tônus abaixo do tecido gorduroso que forma o seio, o que dará mais sustentação a ele, além de um maior equilíbrio corporal.

Para tornar o seio mais rígido, o ideal é uma redução de gordura corporal, que dará uma melhor definição e tonicidade à região.

Daí, destruirmos o segundo mito: que treinar peitoral vai diminuir os seios! Muitas vezes, vemos fisiculturistas com peitos bem pequenos e associamos isso ao excesso de exercícios, quando, na verdade, o que faz com que os seios fiquem pequenos é uma dieta extrema e não os exercícios. A maioria dos fisiculturistas profissionais tem baixíssimos níveis de gordura corporal. Como os seios são formados principalmente por tecido adiposo, quando os níveis de gordura corporal diminuem drasticamente, levam as mamas junto. Por isso, excluindo as mulheres que têm implantes, a maioria das fisiculturistas profissionais simplesmente não tem gordura corporal suficiente para que seus seios se destaquem.

Portanto, mantendo os níveis de gordura corporal dentro de uma faixa saudável, não haverá problema algum em malhar os seus músculos peitorais.

Conhecendo o músculo peitoral

Agora que você já sabe que o treino dos músculos peitorais não traz qualquer tipo de prejuízo ao corpo feminino, vamos entender melhor como é essa musculatura?

O músculo do peitoral se divide em:

Peitoral maior que possui três tipos de direcionamento de fibras: a clavicular, que fica na parte superior, a esternal (esternocostal), na parte medial, e a porção abdominal, na parte inferior.

E o peitoral menor, que é um músculo em forma de triângulo que fica sob o músculo peitoral maior, e que tem como principal ação estabilizar a escápula.

Como não existe a possibilidade de se estimular um único agrupamento de fibras, um treinamento bem direcionado e consciente deve enfatizar o grupo de fibras que equilibrem a parte estética ou funcional. O ideal é estimular em todos os ângulos possíveis.

Portanto, não pense que, adicionando flexões à sua rotina normal, você alcançará melhoras. Assim como acontece com qualquer outro grupo muscular, é preciso um nível suficiente de variedade de exercícios e treinamento de resistência de peso em seu programa, para que os resultados realmente apareçam.

Para construir um corpo bonito e simétrico, todos os grupos musculares são importantes, e os músculos peitorais não são uma exceção.

Lembre-se de que deixar de estimular um grupo muscular pode gerar desequilíbrio ou até mesmo problemas articulares.

E aí?  Agora que já sabe tudo sobre peitoral, que tal começar a pegar pesado hoje mesmo?

Busque seu propósito. Deixe seu legado. 

 Rê Spallicci

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Maratona de Tóquio: saiba tudo sobre a prova

Ativo
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Maratona de Tóquio: saiba tudo sobre a prova
Maratona de Tóquio: saiba tudo sobre a prova Shutterstock

Parte do sucesso da maratona, no mundo ocidental, é ser um desafio enorme de superação pessoal. Já do outro lado do planeta, bem fiel ao espírito e modo de vida orientais, a Maratona de Tóquio apaixona os corredores por seu caráter coletivo e humanista. Brilham ali a educação, o respeito, a humildade e a cortesia intrínsecos ao povo japonês. Essa é a marca oferecida pelos mais de 10 mil voluntários da prova.

Paira em toda a maratona de Tóquio, o nobre senso nipônico de hospitalidade, chamado de Omotenashi. O executivo inglês Roger Berman, 56 anos, radicado há décadas no país e estreante na prova em 2017, dá um exemplo preciso: “Por volta do km 35, muitos japoneses apareceram com tubos de Salonpas, um spray de alívio muscular, e eles se ofereciam para aplicar nos corredores que precisavam, eu incluído! Não sei se existe uma ajuda parecida do público em alguma outra corrida do planeta”.

Maratona de Tóquio

Sem preocupação com o relógio

Berman completou a Maratona de Tóquio no ano passado em mais de 6 horas. Tempo muito alto? Um dos diferenciais de Tóquio é ser a mais democrática das majors: o tempo-limite é de 7 horas. Por isso a prova faz a festa de milhares de corredores amadores que realmente querem se divertir e confraternizar. Nenhuma outra major tem tantos fantasiados, o que é também uma forma de extravasar contra o caráter em geral mais fechado do povo japonês.

O limite amplo de 7 horas abriu a prova para os corredores comuns e tornou-se uma medida tão popular que foi adotada em outras provas Japão afora. “Isso mudou a imagem da maratona para os japoneses, porque todo mundo pôde perceber que a prova também é divertida, e não apenas uma missão exaustiva”, revelou Seiji Miura, treinador e dono de loja de corrida em Osaka, ao jornal New York Times.

Claro que a elite profissional e os sedentos por recordes pessoais talvez não aproveitem a atmosfera única de Tóquio, mas quem corre mais por prazer ganha de presente uma energia poderosa. Além dos voluntários, ressoam os grupos de tambores, bandas, corais de escolas e danças típicas; a vibração dos grupos de artes marciais e cheerleaders, e o poderoso clamor do público-parceiro: Ganbare! (Continue dando duro!).

Além do combustível humano que empurra os maratonistas, o show de civilidade impressiona. “Tudo é muito organizado e limpo em Tóquio. Foi a primeira vez, por exemplo, que presenciei em uma corrida voluntários com sacos de lixo na mão para o descarte das embalagens de gel”, destaca a paulistana Vívian Fuller Olsen, 48, advogada e tradutora.

Prédios comerciais iluminados nas ruas de Tóquio
Prédios comerciais iluminados nas ruas de Tóquio Shutterstock

Rota histórica e moderna

Tóquio é uma corrida quase toda plana, com exceção dos primeiros quilômetros em ligeiro declive e a ascensão leve de três pontes perto do final da maratona. Uma marca diferente da prova é que a corrida dobra sobre si mesma algumas vezes, dando a chance de ver na pista oposta corredores bem à sua frente, como as feras da elite.

Quanto ao visual, como a maior parte da Maratona de Tóquio é percorrida em amplas avenidas entre prédios, não há a beleza para os olhos de majors como Paris e Londres. Mas pelo menos o trajeto consegue destacar a riqueza tanto da história como da modernidade do país.

A largada, pertinho do prédio do Governo Metropolitano de Tóquio (sede do governo), fica próxima também da maior estação de metrô e trem do planeta, Shinjuku. No km 8 passa-se ao lado de Akihabara, a capital mundial dos eletrônicos e da indústria cultural dos mangás e animes. 

Outro ponto que anima os competidores, alcançado no km 15, é Asakusa, região bem turística no coração da cidade, com muitas barracas de comida e lojas de lembranças. A energia vem de vários grupos de música, dança e artes marciais, além da mística de passar ao lado do portão principal do Senso-ji, o mais antigo templo budista de Tóquio, erguido em homenagem à Kannon, deusa da misericórdia.

“Asakusa é o lugar que me faz sentir mais japonês. O templo é o lugar onde sempre me sinto calmo e elevado, até curado, quando corro até ele”, diz o japonês Satoshi Hashimoto, consultor de TI que já fez a prova cinco vezes (seu melhor tempo é 3h03min, em 2016), quatro delas depois de operar e superar um tumor no pâncreas.

Perto do templo ancestral, os corredores veem a Tokyo Skytree, uma torre de radiodifusão que é a estrutura mais alta do Japão, e a segunda do mundo, com 634 metros de altura. Do alto dela é possível avistar o Monte Fuji.

Vista aérea da cidade de Tóquio. Ao fundo, o icônico, Monte Fuji
Vista aérea da cidade de Tóquio. Ao fundo, o icônico, Monte Fuji Shutterstock

No terço final da prova, no km 30, a temperatura do público sobe em Ginza, o bairro mais requintado de Tóquio. “Esse é o lugar com mais espectadores. A atmosfera é incrível e os corredores sentem-se muito energizados e alegres”, afirma Satoshi.

No trecho final, o destaque é a arquitetura moderna, já perto da região costeira de Odaiba, antes do término junto aos jardins do Palácio Imperial, residência oficial da família imperial japonesa.

Povo corredor

O boom das corridas no Japão é anterior ao do mundo ocidental. Depois da Segunda Guerra Mundial, uma das formas de levantar o ânimo do país derrotado no confronto foi a criação das ekidens, as longas corridas de revezamento (muito populares até hoje, com cada trecho em geral de 21 km).

Além da alta competitividade, essas provas estimularam muito a solidariedade e o trabalho em equipe. A base nessas competições fez com que nos anos 1960 boa parte dos melhores maratonistas do mundo fossem japoneses.

As primeiras maratonas oficiais em Tóquio foram criadas no final dos anos 1970. Eram apenas masculinas, e havia uma outra prova só para mulheres. Foi só em 2007 que nasceu a atual Maratona de Tóquio, para ambos os sexos, que se tornou uma major em 2012. O recorde da prova pertence ao Quênia, tanto no masculino quanto no feminino: Wilson Kipsang marcou 2h03min58s e Sarah Chepchirchir, 2h19min47s, ambos em 2017.

Depois de décadas em que os melhores maratonistas japoneses preferiram se dedicar mais às corridas de revezamento, a proximidade da Olimpíada de Tóquio 2020 trouxe um investimento pesado na maratona. O segundo colocado na Maratona de Tóquio de 2018, Yuta Shitara, 26 anos, faturou US$ 934 mil por bater o recorde nacional, ao marcar 2h06min11s. Outros cinco japoneses ficaram entre os dez primeiros da prova, além de nove atletas do país terem fechado a prova em menos de 2h10min. O vencedor foi o queniano Dickson Chumba, com 2h05min30s.

Diante da ascensão dos corredores japoneses, a prova de 2019 — primeira major do ano, em 3 de março —, apenas um ano antes dos Jogos Olímpicos, promete ser uma das mais disputadas e velozes da história. Talvez esteja chegando a hora de os japoneses — que sabem como poucos povos o que é suportar o sacrifício e o sofrimento por muito tempo — vencerem a sua maratona.

Largada da Maratona de Tóquio
Largada da Maratona de Tóquio Divulgação

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Explorando Tóquio

Precaução

Um cuidado essencial para esta maratona é com o clima. A temperatura média da prova oscila entre 3°C e 7°C. Ou seja, faz frio. A chuva (quase uma tradição na prova) e os fortes ventos perto do oceano, nos quilômetros finais, tornam a prova gélida.

Inscrições para a prova

As vagas por sorteio para a Maratona de Tóquio de 2019 (cerca de 350 mil inscritos para concorrer a 30 mil vagas) já estão fechadas. O sorteio costuma ser encerrado em agosto do ano anterior à prova. As vagas para corredores que doam aos programas de caridade da corrida também se encerram no ano anterior ao da maratona.

Curiosidades e indicações

  • O mais completo livro sobre a história da paixão pela corrida no Japão foi escrito pelo jornalista britânico Adharanand Finn. A obra chama-se The Way of the Runner: A Journey Into the Fabled World of Japanese Running.
  • Não deixe de treinar e ainda relaxar no belíssimo Yoyogi Park, cheio de cerejeiras; no Jardim Joishikawa Korakuen, farto em verde e rios ou no Parque Ueno, que além do belo visual tem zoológico, templos e museus.
  • Para sentir a serenidade do espírito nipônico, a dica é o santuário Meiji Jingu, um dos templos mais visitados da cidade. Os domingos são especiais, porque o lugar costuma ser palco de casamentos supertradicionais.
  • Se estiver com filhos adolescentes, eles vão gostar de Harajuku, point de encontro dos jovens, muitos deles fantasiados de personagens pop do Japão.
  • Já se a sua paixão é a gastronomia, é mandatório conhecer o Tsukji Market, simplesmente o maior mercado de peixes e frutos do mar do mundo.

Tsuki Market
Tsuki Market Reprodução

  • Finalmente, para quem admira a lealdade do melhor amigo do homem, difícil não se emocionar, na saída da estação de trem de Shibuya, com a estátua do cão Hachi. Sim, a história do cachorro akita que fez o mundo chorar no filme Sempre ao Seu Lado é verdadeira. Hachi ficou aguardando seu dono voltar do trabalho por nove anos seguidos na estação, sem ele nunca mais aparecer, pois tivera um ataque cardíaco. 



Fonte: Ativo.com

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Maratona de Tóquio: saiba tudo sobre a prova

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Está com o tempo curto? Vá treinar na esteira!

Ativo
Ativo

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A rotina atribulada é uma desculpa para você abdicar dos treinos e te impede de ter maior constância na corrida? Não tem problema. Começar a correr e realizar a sua primeira prova não é tarefa de outro mundo.

Mesmo que não tenha tempo para sair para correr no asfalto, é possível ganhar gás com treinos curtos na esteira — e cruzar bem a linha de chegada de uma corrida de 5 km.

Encontrar o seu ritmo ideal é mais fácil no aparelho, pois há maior controle sobre a velocidade do treino.

Ao contrário dos treinos no asfalto, em que você deve ficar atento ao ritmo — e a variação tende a ser maior –, treinar na esteira basta programar o ritmo desejado e aumentar ou diminuir quando desejar.

Outra facilidade de treinar na esteira é relativa ao impacto nos membros inferiores, que é muito menor no aparelho do que no asfalto, facilitando as passadas para quem está com sobrepeso.

“A esteira não proporciona variação de terreno (o que diminui o impacto da passada), mas tem um fator psicológico exigente”, fala Juliana Véras, especializada em treinamentos de corrida.

Ou seja, como não há variação de cenário como na rua, treinar na esteira pode ficar um pouco monótono.

Nesse caso, vale adicionar variáveis ao seu treino, como uma boa música ou até um programa interessante na TV, caso haja essa possibilidade — apenas tome cuidado para não se distrair e não render! O foco principal é sempre no treino!

1) O foco da planilha (abaixo) é te fazer aumentar a sua velocidade na esteira aos poucos, proporcionando, assim, uma ambientação à corrida no aparelho e às peculiaridades da postura e movimentação em cima dele. O mais importante no começo é estar seguro e confortável na utilização do equipamento. Encare essa preparação inicial como fundamental para estabilidade, variação e percepção de ritmo.

2) Antes de começar a correr, prepare seu corpo para o esforço com um aquecimento prévio. Para isso, basta uma caminhada de alguns minutos antes do treinamento. “Ela é fundamental antes de qualquer atividade física, pois permite ao corpo uma preparação gradativa”, diz a treinadora. Por isso, siga corretamente o treino proposto na planilha, pois além de a caminhada servir de aquecimento, faz parte da mudança de ritmo que virá em seguida.

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3) Além de pensar no treinamento, aproveite alguns dos benefícios da esteira! “Ela é uma ótima opção para refinar o movimento da corrida, além de servir como transição para a corrida em terreno firme”, afirma Michael Jesus, especializado na formação de atletas. Segundo ele, o equipamento também pode proporcionar uma economia de energia. “Há formas menores que freiam a passada, por isso exige pouco menos do seu corpo em comparação à corrida de rua”, completa o professor.

4) Não se torture! Distrair-se ao treinar na esteira e não ficar olhando a todo o momento para o cronômetro são algumas das dicas para evitar o tédio. Aproveite a oportunidade para pensar no movimento da corrida e corrigir a sua postura. A planilha abaixo te ajuda a fugir da monotonia ao oferecer treinos com variação de ritmo e distância.

5) Não mude seu comportamento no dia da prova. Treinar na esteira serve de modelo para repetir em terreno firme. Ao alcançar um ritmo ideal no equipamento, é permitido (e até recomendado) treinar uma vez no solo para também encontrar sua estabilidade. Por conta dos obstáculos da corrida na rua, a tendência é que sua velocidade seja um pouco menor que a atingida na esteira — para isso, é permitido colocar 0,5° ou 1° de inclinação nos treinos no aparelho.

6) Para você que está começando essa nova fase de treinamento, algumas dicas poderão ajudar. “Não ficar segurando no apoio da esteira e prestar atenção na respiração mesmo nos momentos em que você conseguir se distrair são fundamentais”, recomenda Michael. Para os mais adiantados, o professor recomenda seguir a planilha da mesma forma e não exagerar na velocidade para evitar lesões.

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*Fontes: Juliana Véras, responsável pela Jú Verás Assessoria Esportiva. Michael Jesus, especializado em preparação de atletas e dono da Michael Trainer Profissional.

Fonte: Ativo.com

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Campeonatos Brasileiro e Mundial anunciam premiação igual para homens e mulheres da faixa preta

Mayara Munhos
Mayara Munhos
Mulheres no pódio do Mundial de 2018
Mulheres no pódio do Mundial de 2018 Lisa Albon

Sim, gente! Está acontecendo!

Nessa semana, a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) anunciou que vai pagar premiação nas categorias de peso e absoluto faixa preta adulto, igualmente entre masculino e feminino, no Campeonato Brasileiro. Mais tarde, a International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF) anunciou o mesmo, para o Campeonato Mundial.

Sim, ambas as federações são duramente criticadas por serem responsáveis pelos maiores campeonatos do mundo e por nunca pagarem premiação, apesar da alta taxa de inscrição. Vou tentar me dividir em tópicos para clarear minhas ideias. 

As taxas de incrição

Campeonato Brasileiro tem a duração de nove dias, sendo que os dias 27 e 28 de abril são para as categorias de 04 a 17 anos e 29 e 30 de Abril, 1, 2, 3, 4 e 5 de maio, as categorias de 18 para cima. Os valores de inscrição de pré-mirim, mirim, infantil e infanto-juvenil custam de R$80  a R$105 (variando a data de inscrição). A categoria juvenil e adulto varia de R$155 a R$180. 

Campeonato Mundial dura 5 dias e, neste ano, vai de 29 de  maio a 2 de junho. Os preços variam de U$S115 a U$S149 (na cotação de hoje, varia cerca de R$439 a R$569). Além disso, é cobrado também uma entrada do público: nos três primeiros dias (de quarta à sexta) 15 dólares e no final de semana, 20 dólares. 

Sim, é caro. Mas até o ano passado, o único "pagamento" vindo das federações era uma camiseta do evento - algo que sim, gostamos, mas que convenhamos: não paga nossas contas.

Eu não faço a mínima ideia do valor para organizar um campeonato, desde pagamento das placas de tatame até os funcionários que trabalham incansávelmente todos os dias para fazer a competição acontecer, mas na minha cabeça, o lucro era muito grande para dar aos atletas apenas uma camiseta e uma medalha (acho que isso pode ser uma próxima pauta).

Luiza Monteiro, faixa preta bicampeã mundial da equipe Atos Jiu-Jitsu, comemorou a iniciativa, mas ressalta que o parabéns deve ser para os atletas: "Passei uma vida inteira pagando inscrição para ganhar medalha e ainda sair toda feliz dos campeonatos, mas sem um real no bolso". Ela também ressaltou o investimento que precisa ser feito por brasileiros, que moram no Brasil, para lutar nos Estados Unidos, que é base de campeonatos como Pan-Americano e Mundial. 


Os pagamentos da IBJJF

Sim, a IBJJF tem uma forma de bonificação. Desde 2015, a federação paga aos líderes do ranking um bônus. O pagamento acontece sempre no mundial do ano seguinte. No ano passado, Tayane Porfírio e Erberth Santos, líderes do faixa preta adulto, receberam 15 mil dólares. Os segundos colocados (Claudia Doval e Leandro Lo), receberam 4 mil dólares e os terceiros colocados (Hulk e Bia Mesquita), mil dólares.

É uma ótima iniciativa, é claro. Mas são poucos que recebem. Você precisa participar do máximo possível de campeonatos e, se você depende desse dinheiro, vai demorar bastante tempo para receber, já que é só uma vez por ano. Por isso, é um bônus, e não um "salário". Porém, não desmereço. É um grande reconhecimento, porém não o necessário.

Luiza também falou algo muito importante sobre ser atleta: "Ser atleta é dar tiro no escuro, é ter que ter uma fé inabalável na vitória, porque existe muita coisa que botamos em risco o ano inteiro por um único dia, que pode dar certo ou errado".

Outras federações que pagam

Não vou me estender aqui, mas para não deixar passar, a UAEJJF, federação dos Emirados Árabes, também paga premiação. Aliás, eles valorizam muito o jiu-jitsu por lá. Mas ela ainda não é igual entre homens e mulheres. Em 2016, lembro dessa foto no Mundial da UAEJJF, que estão os campeões absolutos faixa por faixa e os faixas pretas adultos em destaque (Felipe Preguiça e Tayane Porfírio) com um cheque de 20 mil dólares de diferença. Algumas pessoas questionaram muito.

Felipe Preguiça e Tayane Porfírio com seus cheques em 2016
Felipe Preguiça e Tayane Porfírio com seus cheques em 2016 BJJ Style


Em 2017, também escrevi um texto falando das mulheres que dividiram a premiação em um Campeonato Mundial organizado pela Sport Jiu-Jitsu International Federation (SJJIF). Eles ofereceram a mesma premiação, tanto no masculino quanto no feminino, mas infelizmente as mulheres não alcançaram o mínimo de atletas exigido para receber a premiação e, por um acordo, dividiram entre si e à federação. 

Então aí entra uma decisão importante tanto da CBJJ quanto da IBJJF: deixar claro no anúncio a quantidade de atletas que precisam estar inscritos para que haja a premiação. Vai haver de qualquer jeito, mas "x" atletas precisam compor a chave para que a premiação seja justa.

Em setembro do ano passado, depois do BJJ Pro, campeonato organizado pela CBJJ, alguns atletas como Alexandre Vieira, Mahamed Aly e Rudson Matheus, se manifestaram contra a diferença de pagamento entre as categorias masculinas e femininas. Se quiser relembrar, veja esse texto aqui: "No jiu-jitsu, atletas publicam mensagens de apoio à igualdade de premiação entre gêneros". 

As regras para o pagamento

Isso é primordial. Geralmente, alguns campeonatos que não são organizados por federações, pagam os vencedores. Mas, nas regras, eles deixam claro que precisa de um número mínimo de atletas para que a premiação aconteça. E isso é justo. Em setembro de 2016, eu escrevi um texto para o BJJ Fórum chamado "Premiação feminina em campeonatos: A Atleta x O Organizador". É uma discussão que vai muito além, mas pelo lado do organizador, de certa forma é compreensível que se pague de acordo com a quantidade de atletas inscritos, mas as mulheres também precisam ser incentivadas a participar. Então aqui digamos que é uma via de mão dupla: quanto mais atletas se inscreverem, mais as organizações vão pagar.

Nisso, tanto a IBJJF quanto a CBJJ foram inteligentes: na divulgação do pagamento, elas deixaram claro quanto cada categoria recebe e quantos inscritos precisam ter para que isso aconteça. Então sim, as premiações são iguais. Mas elas só serão pagas se atingir o número mínimo.

NO CAMPEONATO BRASILEIRO

Das categorias peso Galo à Pesadíssimo, faixa preta adulto masculino e feminino:
De 2 a 8 atletas - R$5 mil (campeão) e R$1 mil (vice-campeão);
De 9 a 16 atletas - R$6 mil (campeão) e R$1200 (vice-campeão);
De 17 a 32 atletas - R$7 mil (campeão) e R$1400 (vice-campeão);
De 33 para cima - R$8 mil (campeão) e R$1600 (vice-campeão).

No absoluto:
De 2 a 8 atletas - R$7 mil (campeão) e R$2 mil (vice-campeão);
De 9 a 16 atletas - R$8 mil (campeão) e R$2200 (vice-campeão);
De 17 a 32 atletas - R$9 mil (campeão) e R$2400 (vice-campeão);
De 33 para cima - R$10 mil (campeão) e R$2600 (vice-campeão).

NO CAMPEONATO MUNDIAL

Duas diferenças para o Brasileiro. Enquanto no Brasil pagarão 1º e 2º lugar, na Califórnia pagará apenas para o campeão. E o absoluto, que no Brasileiro varia de acordo com a quantidade de atletas, é um valor só independente da quantidade.

Das categorias peso Galo à Pesadíssimo (para homens) e Super-pesado (para mulheres - aqui é a máxima feminina), faixa preta adulto masculino e feminino: 

De 2 a 8 atletas - $4 mil dólares;
De 9 a 16 atletas - R$5 mil dólares;
De 17 a 32 atletas - R$6 mil dólares;
De 33 para cima - R$7 mil dólares.

No absoluto: 10 mil dólares - independente da quantidade de atletas (segundo a tabela divulgada no Instagram da IBJJF).


Ainda há muito o que melhorar, mas comemore!

É lógico que sempre vai ter muito para melhorar. Só faixa preta adulto recebe, e aí vem o questionamento: "e o máster?". Das outras faixas: "e a minha faixa?". Calma! São conquistas gradativas. Vamos esquecer o lado ruim e lembrar que ter dois dos maiores campeonatos do mundo pagando premiações, é um grande começo, uma grande conquista para o jiu-jitsu e também para as mulheres, pela equidade. No mês passado, a Tayane publicou em seu Instagram um desabafo sobre a desigualdade.

E agora estamos vendo mobilizações para que tudo melhore. Muitos atletas comemoraram. O Alexandre Vieira, atleta da Brazilian Top Team, por exemplo, recebeu uma pergunta no Instagram se ele ia lutar o Brasileiro desse ano, e ele respondeu: "Já ia, agora que anunciaram premiação, estou mais certo que o tatame". Isso incentiva, inspira.

Luiza Monteiro me falou sobre a felicidade de estarem pagando premiação, parabenizou a IBJJF e, para ela 'antes tarde do que nunca', mas relembra que  nesse ano, vai fazer 9 anos de faixa preta e que batalhou uma vida toda para que esse tipo de melhoria acontecesse. "Se luto até hoje, é porque amo demais, nunca foi pelo dinheiro, mas precisamos profissionalizar o esporte. Já tinha passado da hora. Nós precisamos da IBJJF, mas ela também precisa de nós e foi graças a nós que ela cresceu", disse. 

A faixa preta também aproveitou para parabenizar todos os atletas, campeões mundiais, faixas pretas e todos que batalharam todos os dias buscando por um momento como esse, e finalizou, dizendo: "Ainda não é o ideal, mas fico feliz por fazer parte dessa geração que contribuiu demais para a mudança no jiu-jitsu, fico feliz em saber que as próximas gerações serão tratadas como deveríamos ter sido. Ainda vou aproveitar um pouco disso se Deus quiser e permitir, mas o melhor ainda está por vir".

Certamente, é um "pequeno grande passo", uma grande mudança na história e algo para se comemorar, mas que isto não sirva para nos calar e sim, nos fortalecer cada vez mais no meio do esporte.

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Muito mais do que um uniforme na jornada do futebol feminino pela igualdade

Bibiana Bolson
Bibiana Bolson
Realizada <3
Realizada <3 Reprodução


No dia que uma marca esportiva lançou pela primeira vez na história um uniforme todo pensado para as mulheres, incluindo conceito e design, apresentando também iniciativas para o desenvolvimento do futebol amador e profissional, eu voltei no tempo. Abri um portal de volta ao meu primeiro contato com esse esporte que eu tanto amo. 

Aliás, é louco. Uma das coisas que eu mais amo, eu não sei “fazer”. Estudei muito futebol. Estudo ainda. Sou apaixonada por esse esporte. Mas não sei jogar e tive pouquíssimas oportunidades para aprender, assim, jogando.

Vivi uma noite mágica. Ao pisar no gramado do Estádio do Pacaembu pela segunda vez, sendo que a primeira foi para cobrir os sonhos de jovens jogadores da Copa São Paulo recentemente, senti uma das maiores alegrias dos últimos meses. Foi como se muito da nossa luta diária (essa luta dura e coletiva) estivesse valendo a pena. É simbólico, mas é impactante, porque foi exatamente assim que aconteceu. Então, em frações de segundos, me transportei para as lembranças de quando eu, magrinha, de pernas tortas, fazia parte de todas as atividades oferecidas pela escola: teatro, pintura, coral, dança, vôlei. Lembrei das aulas de educação física e de como poucas vezes nós, as meninas, corremos de um lado para o outro com uma bola apenas nos pés. Me recordei que tudo que eu sei sobre futebol foi porque aprendi VENDO. Assistindo pela televisão. Me emocionando com o sonho realizado de outras pessoas. Quão maluco é amar com tanta intensidade algo que sempre aconteceu com essa distância? COMO?

Essa história é a minha, mas ela encontra a de outras tantas meninas que simplesmente não tiveram a chance de praticar mais esse esporte. Que iam para a quadra de vôlei enquanto os colegas se divertiam no futebol. Que faziam aulas de dança, balé, artes, enquanto o irmão ia para a escolinha bater bola.  A minha história encontra também o enredo daquelas que fizeram o oposto, das que, a contragosto, remando contra a maré, jogavam sim futebol na escola e nos campinhos do bairro. Ou ainda das que depois de mais velhas decidiram que era chegada a hora de finalmente praticar de igual para igual. Não se intimidaram, montaram times, viver o sonho atrasado...

Mulheres jogando no Pacaembu
Mulheres jogando no Pacaembu Nike

Eu sou péssima jogadora. Me falta talento, me falta coordenação, mas em especial, entendo que me faltou oportunidade. Não que eu seria uma grande atleta, mas definitivamente me faltou mais chances. E isso começou na escola, na tradicional ideia de que durante as aulas de Educação Física, meninos e meninas deveriam praticar exercícios separados, na maioria das vezes. Tudo isso iniciou na delimitação do que é para quem. 

Hoje, chegando aos 30, e dedicada intensamente às nossas causas, consigo entender melhor sobre as dificuldades de desconstrução que nós -sociedade- temos. Compreendo quão difícil é nos desprendermos de culturas enrraigadas e que nos transformaram nesse mundo que, sim, é machista e tão intolerante. 

Queria compartilhar aqui como pisar no Pacaembu foi incrível, mas também que mais fantástico ainda foi estar acompanhada de tantas mulheres. Éramos MUITAS. Foi lindo perceber no olhar de cada uma a alegria e o entendimento de que estamos mudando aos poucos as coisas. 

Saber jogar futebol é o que menos importa na nossa luta. A verdade é essa. Jogamos umas pelas outras. E nos reconhecemos em cada drible como mulheres capazes de superar tudo que passamos até aqui para reescrevermos uma nova história. Além disso, há uma novíssima geração que chega carregando a nossa herança da resiliência e a força necessária para outros rompimentos. Está acontecendo... já está acontecendo. 

Nas palavras da Adriana, jogadora da Seleção, “Queria deixar o incentivo para vocês, meninas que sonham em ser jogadoras de futebol. Não desistam. O caminho é longo, mas vocês não fazem ideia de como é prazeroso chegar a um clube de alto nível, como eu cheguei ao Corinthians, e ainda mais chegar em uma Seleção Brasileira. Sigam seus sonhos”. 

Sigam sempre! Como amadoras ou profissionais. Lutemos juntas! 

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