Um MVP por absolutamente nada! Rockets 'terminam' troca de Harden sem um jogador que preste

Pedro Suaide
Pedro Suaide

Com a ida de Victor Oladipo para o Miami Heat, o Houston Rockets recebeu Kelly Olynyk, Avery Bradley, a opção de troca na escolha de 1º round do draft de 2022 e um atestado de burrice. 

Há dois meses, o mesmo Houston Rockets enviou James Harden, um dos jogadores mais dominantes da última década, para o Brooklyn Nets. Em troca, recebeu Rodions Kurucs, Dante Exum e Caris LeVert, além de quatro escolhas de primeira rodada de draft e mais quatro direitos de troca de escolha. 

Charles Barkley comenta que Harden merece crédito e diz que atleta é melhor ofensivamente do que Jordan e Kobe

LeVert, o grande nome da troca, foi negociado minutos depois para Indiana, que mandou Victor Oladipo para Houston - e já vimos que esse não virou muita coisa. Kurucs também já foi trocado, e Exum sequer estreou por Houston - não que fosse fazer muita diferença.

Ou seja, os Rockets abriram mão do segundo maior jogador da história da sua história por... Absolutamente nada. Falando sobre os jogadores em atividade que receberam, todos juntos não dão um décimo de Harden. Sim, existem as escolhas de primeira rodada: uma gigante incerteza que definitivamente é muito, muito pouco para deixar um craque desse tamanho ir embora.

Harden abre o jogo sobre saída dos Rockets e fala sobre os Nets: 'Será difícil algum time nos vencer quatro vezes numa série'

Em todas as temporadas desde 2016, James Harden disputa o prêmio de MVP. Ganhou um, mas poderia muito bem ter dois ou três. Contabilizando todos os jogos desde o primeiro da temporada 2015-16, suas médias são as seguintes: 31,1 pontos, 8,8 assistências, 6,7 rebotes e 1,7 roubo de bola por jogo, acertando quase 4 bolas de três em 36% de aproveitamento. Você não acha isso em qualquer draft por aí. 

James Harden queria sair de Houston, e obviamente isso diminuiu seu valor de mercado. Entretanto, ele ainda tinha mais dois anos e meio de contrato, o que deveria tirar toda a pressa do mundo dos Rockets, que tinham a opção de esperar até uma proposta decente chegar - e algo melhor do que isso chegaria, afinal, Harden é extraordinário. Aqui temos o primeiro grande erro. 

Harden passa no meio de dois, faz bela cesta e arranca reação hilária de Durant

Bom, troca feita. Os Rockets poderiam ficar com Caris LeVert, que tem mais dois anos de contrato e produz praticamente o mesmo que Oladipo. Mas não, eles pegaram a segunda opção, que tinha mais alguns meses de contrato e claramente não tinha nenhum interesse em seguir em Houston. Mais um erro. 

Agora, em um último ato desesperado, aceitaram qualquer migalha por um jogador que já foi eleito para a seleção de defesa da NBA e tem dois All-Star Games no currículo. 

Harden explica o amor que ainda tem por Houston no dia em que reencontrou os Rockets

Rafael Stone é o General Manager dos Rockets após a saída do lendário Daryl Morey, que mandava nos negócios da franquia desde 2007. Em meia temporada, o novo cartola conseguiu transformar um time que brigava por títulos em uma das piores equipes da NBA - e conseguiu menos escolhas de draft por James Harden do que o Thunder quando enviou Paul George para os Clippers, por exemplo.

Essa sequência de acontecimentos em Houston já parece ridícula, mas a cada ano que passar, os Rockets vão ver que James Hardens não nascem em árvores. Eles tinham um dos cinco melhores jogadores do mundo em mãos, e agora comemoram a quebra de uma sequência de 20 derrotas consecutivas.

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Donovan Mitchell não só cala, como passa Shaquille O'Neal e se firma entre os grandes da NBA

Gabriel Veronesi
Gabriel Veronesi

         
     

Precisamos falar sobre Donovan Mitchell.

Escolhido em 13º no Draft de 2017 da NBA, atrás de nomes como Luke Kennard, Dennis Smith Jr., Frank Ntilikina, Josh Jackson e Zach Collins, Mitchell pareceu a grande surpresa da seleção logo de início. Com uma temporada impressionante, o ala-armador vindo de Louisville teve médias de 20,5 pontos, 3,7 assistências e 3,7 rebotes por jogo, se tornando rapidamente o maior nome no Utah Jazz.

Ainda assim, em pouco tempo se tornando uma estrela em uma franquia respeitada, Donovan teve suas qualidades sempre em xeque. 'Baixo' para a posiçao de ala-armador, com 1,85m, o 'Spida' seguiu aumentando seus números temporada a temporada, e levou o Utah Jazz à primeira posição da competitiva Conferência Oeste.

Ainda assim, havia quem duvidasse. Em uma constrangedora entrevista pós-jogo, Shaquille O'Neal, um dos maiores pivôs que a NBA já viu, cometeu a indelicadeza de questionar o próprio Mitchell se ele teria o que é necessário para subir de nível. De se tornar uma 'superestrela'.

Donovan tem. E ele já é.

Com um sorriso desconcertado, Mitchell foi cordial e não deu lá grande resposta a Shaq. A resposta veio em quadra.

Donovan não é uma estrela de todos os jogos. É uma estrela dos jogos que importam.

Na temporada passada, travou um dos duelos mais insanos que os playoffs já viram em uma série eletrizante contra o Denver Nuggets, chegando a marcar 57 e 51 pontos na mesma semana.

Neste ano, Spida chegou lesionado aos playoffs, e o Utah Jazz acabou perdendo o primeiro jogo para o Memphis Grizzlies, que chegou à pós-temporada graças ao play-in.

Após o retorno de Mitchell, Utah venceu todos os jogos, inclusive a partidaça diante dos Clippers na última terça-feira.


         
     

Mitchell encarou simplesmente Kawhi Leonard e Paul George, dois dos melhores defensores que a NBA tem, e os fez parecer crianças em um parquinho, terminando a partida com 45 pontos, e recebendo gritos de 'MVP!' da torcida. 

E se não o bastasse, Mitchell ainda recebeu elogios de Dwyane Wade, que para muitos, é seu 'modelo' mais similar de jogador, além de ser um dos acionistas da franquia de Utah: 'Ele está ficando assustador!'.


         
     


Com a marca, Donovan soma 490 pontos nos últimos 15 jogos de playoffs, se juntando a outros dois nomes com tal feito ainda em atividade. Quem são? LeBron James e Kevin Durant.

O jogo também marca o 3º do armador com mais de 45 pontos em um playoffs, acima de nomes como: Stephen Curry (1), James Harden (1), Damian Lillard (1), Charles Barkley (2), Kareem Abdul-Jabbar (2) e, vejam só, Shaquille O'Neal (2).

Donovan Mitchell não tem mais nada a provar para ninguém. Ele já se inseriu 'na marra' entre os maiores da NBA, e já começa a estabelecer números como de gigantes que já passaram pela liga.

Por mais bem treinado e encaixado que o time do Jazz seja sob o comando do ótimo Quin Snyder, esse Utah só vai até onde Donovan Mitchell os levar.

Sendo assim, o céu é o limite.


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O MVP de Jokic é um prêmio a um dos pivôs mais inteligentes da história do basquete

Leonardo Sasso
Leonardo Sasso

Quando entrou na NBA, Nikola Jokic foi debochado pela forma física. Acima do peso, parecia que o pivô nunca conseguiria estar em um nível que pudesse ser competitivo contra jogadores muito mais fortes e atléticos do que ele.

41ª escolha do Draft de 2014, vindo do Mega Bemax, da Sérvia, Nikola Jokic colheu os frutos do seu trabalho hoje. A escolha como MVP da temporada 2020-21 é um prêmio ao jogador. O primeiro pivô de origem desde Shaquille O'Neal em 1999-00 a conquistar o feito. O atleta selecionado mais baixo na história do Draft a vencer o prêmio.

Jokic é um dos pivôs mais inteligentes que o basquete já viu. O trabalho como armador desde o começo da carreira facilitou a situação, mas a visão de jogo é algo que não se ensina, mas que se nasce com ela. Em um basquete cada vez mais sem posição, Jokic elabora jogadas como um armador e utiliza seu tamanho para conseguir ver do alto. Poucos conseguiram e conseguirão o que o sérvio faz atualmente.

O Denver Nuggets perdeu Jamal Murray durante a temporada, mas não perdeu as esperanças de algo a mais. Jokic permite isso. E quando vimos um pivô que muitas vezes parece desengonçado em quadra fazer isso por uma equipe? Poucas. Jokic é único. A NBA tem que agradecer de ter um craque. A globalização da Liga permitiu isso. Após dois MVPs de Giannis Antetokounmpo, grego, mais um jogador internacional conquista a honraria.

Nikola Jokic
Nikola Jokic Getty

Não deve parar por aí. Luka Doncic tem grandes chances de vencer pelo menos um prêmio na carreira. Os jogadores de fora dos Estados Unidos cada vez mais impactam e mudam a NBA.

Jokic fez história. A NBA deu o prêmio ao seu melhor jogador da temporada. O fã só agradece. Estamos diante de um dos jogadores mais incríveis que o basquete já viu pelo combo de atributos que tem.

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Kawhi Leonard finalmente virou a chave em Los Angeles

Matheus Zucchetto
Matheus Zucchetto

  


         
 

2020 terminou da pior forma possível para Kawhi Leonard.

A eliminação contra os Nuggets depois de abrir 3 a 1 na série e o título dos rivais Lakers marcaram o que era a temporada mais esperada da história dos Clippers na NBA. E o que veio depois mudou a forma como enxergamos o time: Doc Rivers foi embora, o time mexeu no elenco, e as críticas sobre Paul George fizeram com que, em questão de semanas, a franquia deixasse de ser apontada como uma das principais candidatas ao título em 2021.

Mas não se engane, bastou uma série para Kawhi mostrar que virou a chave.

Quem lembra da arrancada do ala com os Raptors até o título de 2019 viu uma das maiores atuações em pós-temporada na história da NBA - e como esquecer tudo que Kawhi fez, principalmente as quatro vezes em que a bola bateu no aro antes de entrar e eliminar os 76ers no jogo 7 das semis do Leste.

E agora, depois de duas temporadas com os Clippers, parece que o dono de dois MVPs de Finais finalmente chegou em Los Angeles.

É claro que os números estavam lá. Afinal, Kawhi nunca deixou de ser um dos dez melhores jogadores da NBA. Mas havia alguma coisa de diferente no camisa 2. Ele parecia ser o principal nome de um time sem muita inspiração e que pouco empolgava. 


  


         
 

Talvez tenha sido a bronca de Rajon Rondo depois de um airball na derrota para os Mavs no jogo 5. Talvez tenha sido o desafio de encarar um monstro chamado Luka Doncic nos dois lados da quadra. Mas nos jogos 6 e 7, Kawhi foi o mesmo da temporada inesquecível dos Raptors.

Os 45 pontos na sexta partida da série foram seguidos de mais 28 no duelo que classificou os Clippers. Mas além de mostrar mais agressividade no ataque, Kawhi assumiu o papel de tentar parar Luka. E por mais que isso seja quase impossível, ele fez o trabalho melhor do que ninguém na série - Doncic teve uma média de 0.8 ponto por jogada quando Leonard estava na marcação, a pior nos sete jogos do confronto.

Os números nunca abandonaram Kawhi, mas há algo que parece ter reaparecido no ala. Ele não se importa mais com os altos e baixos de Paul George nos playoffs. Kawhi voltou ao modo lendário que vimos em 2019.

E é só assim que 2021 vai poder terminar de um jeito bem diferente para ele e os Clippers.


  


         
 

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Abram alas, a nova geração da NBA quer passar

Guilherme Sacco
Guilherme Sacco

         
    

Com a confirmação da eliminação do Los Angeles Lakers diante do Phoenix Suns na quinta-feira, quando a franquia do Arizona fechou a série de primeira rodada em 4 a 2, tivemos a confirmação de que esta será a primeira temporada desde 2010 que as Finais da NBA não contarão com LeBron James ou Stephen Curry, dois dos maiores jogadores da última década.

Stephen Curry e o Golden State Warriors foram eliminados ainda no play-in, em um jogo único contra o Memphis Grizzlies em que Ja Morant, de 21 anos, anotou 35 pontos e teve uma das atuações mais incríveis da temporada.


         
    

Na sequência, os Grizzlies e o jovem armador foram eliminados na 1ª rodada para o Utah Jazz, mas Morant deu sinais de que será um dos grandes nomes da liga nos próximos anos com mais atuações incríveis, incluindo 47 pontos no Jogo 2, a maior marca da história da franquia, seja em playoffs ou temporada regular. Na série entre Jazz e Grizzlies também vimos momentos espetaculares de Donovan Mitchell, o ala-armador de 24 anos que comanda Utah, melhor campanha da temporada regular e um dos favoritos ao título.


         
    

Já o Los Angeles Lakers e LeBron James foram derrotados pelo Phoenix Suns em 6 jogos e muito por conta de atuações espetaculares de Devin Booker. A estrela de apenas 24 anos estreou em playoffs com 34 pontos e a vitória diante do atual campeão. Fez 31 pontos no Jogo 2, 30 no Jogo 5 e fechou com chave de ouro mandando os angelinos para casa com 47 pontos no Jogo 6, sua maior marca em playoffs.

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Além dos dois, ainda tivemos Trae Young com atuações históricas contra o New York Knicks. O armador de 22 anos estreou na pós temporada com 32 pontos e a bola da vitória por 107 a 105 que calou o Madison Square Garden, a arena mais famosa da NBA.

Fez mais 30 pontos no Jogo 2, 27 no Jogo 4 e mandou os Knicks para casa com 36 pontos e uma série de provocações aos torcedores no Madison no Jogo 5.


         
    

Por fim, mas não menos importante, muito pelo contrário, temos Luka Doncic. O esloveno de 22 anos já está consolidado como uma das grandes estrelas da liga e já figura entre os cotados para ser MVP, jogador mais valioso, da temporada regular desde sua 2ª temporada na liga.


         
    

Neste ano, o camisa 77 do Dallas Mavericks está a um jogo de eliminar o favorito Los Angeles Clippers após ter anotado 31 pontos no Jogo 1, 39 no Jogo 2, 44 no Jogo 3 e 42 no Jogo 5, tudo isso lidando com uma lesão no ombro que tem limitado bastante seus movimentos.

Isso sem falar em Jayson Tatum, de apenas 23 anos, que anotou 50 pontos pelo Boston Celtics diante do Brooklyn Nets e estabeleceu a 5ª maior marca da franquia em um jogo de playoff. Ou então de Giannis Antetokounmpo, que mesmo com 26 anos já é 2 vezes MVP e uma vez Defensor do Ano na liga.

Abram alas, a nova geração da NBA quer passar. E se as portas não forem abertas, eles já provaram que farão de tudo para derrubá-las.

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'God Mode': Às vezes a única forma de parar Dame Lillard é pedindo aos céus

Matheus Zucchetto
Matheus Zucchetto

  


         
 


Olhar para os céus e pedir 'por favor'. 

Foi o que Austin Rivers tentou fazer no jogo 5 da série entre Nuggets e Blazers quando Damian Lillard resolveu botar fogo na partida com 55 pontos, 10 assistências e 12 bolas de três - o novo recorde dos playoffs da NBA.

E enquanto Rivers pedia algum tipo de ajuda divina, Dame não dava socos no ar e comemorava mesmo errando só cinco dos 17 arremessos de três que tentou. Dame não é assim. Ele é um assassino frio que encara quem passa pela frente como se estivesse sempre tentando provar algo - mesmo sem precisar.

Mesmo com a derrota depois de duas prorrogações, foi a atuação de Lillard que enlouqueceu fãs e jogadores da NBA. Kevin Durant definiu como 'God Mode', ou 'Modo Deus'. 'Dame Lillard, é tudo que tenho a dizer', escreveu Steph Curry.

E a reação ao ver Dame destruir os Nuggets era exatamente essa: incredulidade.

A NBA vive um boom de talento, talvez o maior das últimas décadas, e Lillard precisa ser reconhecido como um dos grandes da geração. Curry tem os títulos e é o maior arremessador da história da NBA. Mas Dame é um jogador do mesmo patamar.


  


         
 

'Se ele jogasse em um time melhor'. 'Se ele tivesse mais ajuda'. 'Se ele e Curry trocassem de lugar'.

Nós nunca vamos saber como seria a carreira de Lillard fora dos Blazers. Mas por que tentar imaginar isso? Por que ficar criando cenários quando o próprio Dame reescreve a história?

Dame precisa ser reconhecido pelo que faz na NBA. Mesmo sem os títulos - ou sem chegar às Finais -, ele faz questão de falar que não quer só ser campeão. Ele quer ser campeão com Portland. E é isso que tenta fazer desde que entrou na liga.

Lillard não é uma das grandes estrelas midiáticas que estão sempre dando declarações polêmicas, provocando rivais ou querendo atenção. Dame é Dame. E nunca vai existir outro igual a ele.

Às vezes, a única solução é mesmo pedir aos céus.

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Os Knicks deveriam ter vaga cativa nos playoffs

Guilherme Sacco
Guilherme Sacco

         
    

Não, eu sou não sou torcedor do New York Knicks. Para ser sincero, a gente provavelmente irá concordar se você falar para mim que existe um exagero quando falam do tamanho dos Knicks na NBA. E, sim, escrevo isso completamente emocionado pelo segundo jogo de uma das melhores séries de playoffs dessa temporada: os Knicks deveriam ter lugar cativo na pós-temporada.

Talvez seja a abstinência de jogos com torcida por conta da pandemia que esteja aumentando algo que já seria lindo, mas é impossível não se emocionar com um Madison Square Garden lotado em dia de playoff se você é fã de NBA.

Depois de 8 anos, voltamos a vê-lo da melhor maneira possível. No primeiro jogo do retorno, Trae Young entrou para uma lista com nomes como Michael Jordan, Reggie Miller, Kobe Bryant e Alonzo Mourning: a dos vilões do Madison Square Garden.

Spike Lee comemora durante Knicks x Hawks
Spike Lee comemora durante Knicks x Hawks Nathaniel S. Butler/NBAE via Getty Image

Durante a seca de títulos, que já dura 48 anos, não foram poucas as vezes que os torcedores dos Knicks tiveram seus corações quebrados na pós-temporada por grandes nomes da história do basquete. Trae Young parece disposto a ser mais um deles.

Mas, nessa quarta-feira, os Knicks deram a primeira resposta. Desde a manhã do jogo quando os torcedores descobriram que o armador tem ornitofobia, que é um medo irracional de pássaros, e passaram a tentar de todas as maneiras usar isso contra a estrela dos Hawks, até o arremesso derradeiro de Reggie Bullock que praticamente selou a vitória e o empate na série, o Madison Square Garden pulsou.


         
    

E não é uma pulsação qualquer, é um sentimento quase de insanidade que faz com que basicamente uma cidade inteira ache normal alguém ir com uma máscara de gavião para um jogo ou então uma sessão inteira do ginásio levar fotos de pássaros para levantar durante os lances livres.

Um sentimento que faz Spike Lee, um dos diretores de cinema mais renomados da história, perder a linha a cada bola de três, discutir com adversários e virar nome central de algumas das maiores rivalidades e de momentos icônicos da história da NBA.


         
    

Sim, é evidente que chegar nos playoffs requer uma organização minimamente funcional, um elenco decente, um técnico, uma campanha boa e outras coisas mais que os
Knicks não tiveram na última década - e algumas dessas ainda seguem não tendo.

Mas o New York Knicks deveria participar de todos os playoffs. A franquia tem algo que as outras não tem, ao menos não nesse nível: um sentimento quase que doentio e um Madison Square Garden pulsando. E a gente deveria ser brindado com essa loucura anualmente.

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Apenas Steph: ninguém fez mais do que Curry na temporada da NBA

Matheus Zucchetto
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Stephen Curry não tem nada a provar para ninguém há muito, muito tempo. Mas ele gosta de nos mostrar, dia após dia, que seu lugar é entre os maiores jogadores da história da NBA.

A temporada dos Warriors acabou na derrota para os Grizzlies - graças a Ja Morant. 

Mas o ano de Curry não vai desaparecer tão rapidamente das nossas memórias. Curry praticamente não teve ajuda. Não teve Klay Thompson mais uma vez. E em um 2020-21 em que Steph poderia ter se poupado e se preparado para a volta de seu Splash Brother, ele resolver mostrar mais uma versão de seu jogo.

Nenhum arremessador na história da NBA é comparável a Curry. Essa discussão já acabou. E ver o camisa 30 dos Warriors em quadra em 2021 nos faz ter a sensação de que clicamos em um vídeo de melhores momentos no YouTube. Ele simplesmente não cansa de ser espetacular.

Em 2021, Curry foi Curry. Mas uma versão mais madura. Líder. Devastador. E capaz de colocar um sorriso no rosto de qualquer fã de basquete. Pouco importa se ele vai vencer o MVP, ninguém fez mais do que Steph nos últimos meses de NBA.

Ele superou Reggie Miller para se tornar o 2º com mais bolas de três na história. Virou o maior cestinha de todos os tempos dos Warriors deixando Wilt Chamberlain para trás. Quebrou o recorde de bolas de três feitas por jogo. E fez o time com a pior campanha de 2019-20 ser uma das grandes atrações da NBA mais uma vez.


  


         
 

Curry foi o cestinha da temporada. Praticamente sozinho, carregou os Warriors até o play-in e, não fosse por aquela bola de três de LeBron James, ele teria voltado aos playoffs - lugar de onde nunca deveria ter saído.

A pós-temporada da NBA vai sentir falta de Steph. As redes sociais e os fãs também. Simplesmente espetacular mais uma vez. Um dos grandes que o basquete já viu.

Steph foi Steph. 

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LeBron James errou e eu me rendi: o play-in da NBA é um sucesso

Gabriel Veronesi
Gabriel Veronesi

         

    

 

Contrariando o que eu pensava no começo da 'invenção' do play-in e as críticas de LeBron James, Luka Doncic e Mark Cuban, o play-in da NBA é um sucesso.

Está certo, a temporada - esta, especialmente - é atribulada. São muitos jogos, e com a pandemia, os jogos ficaram condensados, castigando o físico dos jogadores.

Dito isso, minha opinião fica totalmente presa à parte do telespectador, do fã da NBA.

Após a bola de três de LeBron James diante dos Warriors na vitória da última quarta-feira, as redes sociais entraram em frenesi. Quem odiava LeBron, quem odiava Curry, os torcedores dos Lakers, dos Warriors. Todos. Apenas um jogo, apenas um 'mata', diferente do restante dos playoffs, decididos em quatro ou mais jogos, fez com que todos os fãs do basquete se sentissem como se assistissem à uma final.

A ideia da NBA ao criar o play-in era dar mais significado à morosa reta final da temporada regular. Na última semana, quando todas as equipes já estavam com suas posições garantidas, e da 10ª colocação para baixo, ninguém mais poderia chegar ao playoff, as equipes poupavam seus jogadores, e as partidas ficavam arrastadas.

Cansamos de ver jogos sem nenhum propósito, só com calouros e jogadores da G-League, sem ambição e sem apelo.

A NBA pensa nos cofres, no público, na audiência quando cria o novo modelo, mas acerta também nos fãs.

As críticas vieram de LeBron James, Luka Doncic e Mark Cuban, questionando 'justiça', quando equipes atuam por 72 jogos na temporada em busca de um suado 8º lugar, antes vaga garantida na pós-temporada, podem cair fora da briga pelo título após apenas duas derrotas.

E a crítica é plausível. Do ponto de vista do atleta, do GM, do técnico que trabalha a temporada toda para beliscar uma vaguinha nos playoffs e fica a duas derrotas da volta para casa, é um tombo bastante dolorido.

O ponto é: só faz essa crítica quem está no play-in por cima. LeBron, Luka, Cuban... Todos criticaram quando estavam nas vagas superiores.

Duvido que Ja Morant, por exemplo, tenha críticas a fazer ao play-in. Se classificando em oitavo e podendo brigar por uma chance na pós-temporada.

 

         

    

 

'É só ganhar', foram algumas respostas aos questionamentos. Mas é aí que tá. Não é simples assim. A NBA é uma coisa imprevisível em um jogo só. Pode dar tudo errado pra você e nenhuma bola cair. Sua principal estrela pode pegar um mero resfriado e ficar longe dos 100%. Ou então você pode cruzar com um Stephen Curry numa noite 'daquelas'.

É isso que faz o esporte tão cativante. É essa imprevisibilidade. É a chance de surpresa a qualquer momento. É a iminência da zebra.

E é isso que tem acontecido nesse play-in. Jogaços, emoção, jogos eletrizantes. É tudo o que o fã quer.

A NBA precisará revisar seu formato de calendário. Reduzir o número de jogos, espaçá-los. Algo a ser feito. Dever de casa para Adam Silver.

Por hora, para nós, é apreciar cada jogaço desses. Cada partida acirrada, que pode contar com, veja só, LeBron x Curry na primeira rodada.

O play-in? Ano que vem deve ter mais.

Os playoffs? Estão apenas começando.

 

         

    

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Na semana de Alisson e Enzo Pérez, precisamos apreciar o que faz Shohei Ohtani

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Ohtani nos Angels
Ohtani nos Angels Getty Images


“O Shohei Ohtani brasileiro.”

Foi assim que o perfil no Twitter do podcast americano Men In Blazers, especializado em futebol, descreveu o gol de Alisson que deu a vitória do Liverpool sobre o West Brom na rodada do último fim de semana na Premier League. Pela mesma lógica, também poderiam chamar o volante Enzo Pérez de “Shohei Ohtani” argentino após fazer uma partida inteira improvisada como goleiro na vitória de seu River Plate sobre o Independiente Santa Fé. Duas comparações válidas e espirituosas, mas o que o japonês do Los Angeles Angels tem feito é ainda maior.


No beisebol, rebatedores e arremessadores são funções completamente diferentes. Tanto que a formação, desde que passa a integrar as categorias de base das equipes profissionais, é feita já considerando que o atleta só fará uma das duas coisas: ou rebate, ou arremessa. Até ocorre de um arremessador ter de rebater ou um rebatedor ter de arremessar, mas nunca se espera nada muito produtivo desses momentos. Como de um jogador de linha que vai ao gol ou de um goleiro que vai ao ataque.

Pois é o que Ohtani faz. E não é um momento ou outro, no improviso ou no desespero -- como nos casos de Pérez e Alisson --, é por vocação. O japonês foi contratado em 2018 já com essa dupla função, mas teve apenas uma temporada plena como arremessador e rebatedor ao mesmo tempo. Em 2018 foi bem no bastão, mas sofreu uma lesão que limitou seu tempo arremessando. Em 2019, essa mesma lesão o impediu de arremessar, mas ele pôde apenas rebater (ele arremessa como destro e rebate como canhoto, então a lesão que o atrapalhou no montinho não o atrapalhou com o bastão). Em 2019, também teve contusão e praticamente não arremessou.

Na atual temporada, tudo pareceu se alinhar. Os Angels adotaram uma postura mais cuidadosa para lidar com suas aparições como arremessador, mas permitiram que ele rebatesse nos jogos em que fosse ao montinho. Tem funcionado, e muito. Neste momento, Ohtani é o líder de home runs da MLB, é um dos 20 que mais roubou base (líder em sua equipe) e o melhor arremessador da rotação do Los Angeles, com 2,37 de ERA (mais de duas corridas a menos que o segundo colocado). São números fantásticos em três fundamentos totalmente diferentes.

Para seguir com a comparação futebolística, não é como Alisson indo para a área uma vez para fazer um gol, ou Enzo Pérez fazendo uma partida como goleiro. É como se um dos melhores goleiros do campeonato e ainda fosse o artilheiro da liga e o líder de desarmes de sua equipe.

Isso significa que Ohtani tem muito talento? Não, é mais que isso. Ter muito talento vários jogadores têm. Conseguir tal desempenho em situações tão diversas, sabendo que o tempo dedicando a treinar um fundamento limita o tempo para desenvolver os outros, é coisa para um superatleta. Alguém que tem constituição física e capacidade mental únicas em sua geração. Não apenas no beisebol americano, mas no esporte mundial. E isso precisa ser apreciado devidamente.

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Será que LeBron ainda é contra o play-in?

Guilherme Sacco
Guilherme Sacco

         
    

Na reta final da temporada regular, um assunto foi bastante debatido: o torneio de play-in pelas duas últimas vagas de cada conferência deveria existir? Um dos primeiros a se posicionar contra o torneio foi LeBron James.

O camisa 23 do Los Angeles Lakers chegou a afirmar que "quem criou essa m** deveria ser demitido". Evidentemente, LeBron estava frustrado pelos problemas que sua equipe enfrentou ao longo da temporada e que a colocaram na sétima colocação da Conferência Oeste e de frente para o Golden State Warriors de Stephen Curry.

O inevitável duelo aconteceu na última quarta-feira e LeBron James e os Lakers prevaleceram em um jogo que entrará para a história graças ao embate entre as duas estrelas. Tanto James quanto Curry fizeram partidas épicas - o ala com 22 pontos, 11 rebotes e 10 assistências e o armador com 37 pontos e inumeras jogadas fantásticas.

Como de costume, LeBron ainda aproveitou a oportunidade para aumentar sua lenda. No jogo que, literalmente, valia a vaga nos playoffs contra uma das outras superestrelas da geração, o camisa 23 saiu com a vitória por conta de uma bola de 3 faltando 1 minuto para soar o buzzer final. Mas não foi só.

LeBron durante Lakers x Warriors
LeBron durante Lakers x Warriors Adam Pantozzi/NBAE via Getty Images

Em entrevista para Rachel Nichols, repórter da ESPN, após a partida, James disse que estava "enxergando três aros" por conta de uma pancada de Draymond Green e "só mirou no do meio". Se é mentira, não sou eu quem vai provar - e eu nem quero, pelo contrário.

O que interessa é que daqui 30, 40, 50 anos falaremos sobre "o dia em que LeBron James decidiu um jogo contra Stephen Curry sem conseguir enxergar". Mais uma de tantas histórias que colocam LeBron no Olimpo do Basquete.

Será que ele ainda acha que o play-in é desnecessário e o coitado que inventou deveria ser demitido?

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Será que LeBron ainda é contra o play-in?

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Stephen Curry é o maior vencedor da temporada da NBA

Guilherme Sacco
Guilherme Sacco

         

Curry acerta bola de 3, chega a 32 pontos e faz história mais uma vez

Não, Stephen Curry não é o MVP da temporada 2020/2021 da NBA. Essa discussão é entre Joel Embiid, que seria meu voto, e Nikola Jokic. Mas o armador do Golden State Warriors é, com toda certeza, o maior vencedor da temporada, independente de seu time sequer ir aos playoffs.

É até estranho falar que o craque de um time que talvez nem chegue ao play-in, quanto mais aos playoffs, seja o maior vencedor da temporada, mas Curry não é normal, nunca foi. Por mais que muitas pessoas tenham esquecido disso nos últimos anos. Na última temporada, o armador sequer jogou por conta de uma grave lesão.

Nas anteriores, Curry era parte da "panelinha" mais odiada da história: os Warriors que contavam com ele, Klay Thompson, Kevin Durant e Draymond Green. O ódio das pessoas pelo time contaminou as discussões sobre Steph.

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De repente, o jogador que revolucionou o basquete e é o maior arremessador da história passou a ser cobrado por não ser MVP das Finais (ainda que seja um absurdo ele não ter vencido em 2015). O cara que perdeu a final na única virada de um 3-1 na história. Ou então virou o "segundo cara" do time que "era de Durant".

Em 2020/2021, a temporada dos Warriors terminou antes mesmo de começar. Quando Klay Thompson rompeu o tendão de Aquiles logo antes do draft, a equipe deixou de ter qualquer chance de ser competitiva. Curry, de repente, estava "sozinho" e voltava a ser o rosto do time que é a zebra, como foi em 2015, ano do primeiro título.


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Steph Curry coloca irmão para dançar e faz bola no estouro do cronômetro do 1º quarto

Stephen Curry e os Warriors, de repente, voltaram a ser cool. E as pessoas voltaram a lembrar que Steph é um dos 10 melhores jogadores da história da liga, o melhor arremessador que já vimos e um cara único, capaz de produzir atuações como as que temos visto diariamente nesta temporada - e vimos mais uma vez diante do Philadelphia 76ers nesta segunda-feira.

Independente de até onde Curry vai levar esse time, ele já conseguiu sua maior vitória: recuperar o coração de todos os torcedores, voltar a ser o queridinho da liga e um jogador quase impossível de odiar - menos nas noites que ele destrói o seu time.

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Por que os EUA usam 'liga fechada' e como não dá para comparar com Superliga europeia

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Marlins Park MLB 26/09/2015
Marlins Park MLB 26/09/2015 Rob Foldy/Getty Images

Um campeonato disputado sempre pelos mesmos times, todos com muita força econômica e apelo de público. Não há promoção ou rebaixamento, tampouco critérios esportivos para a entrada de novos integrantes nesse clube fechado, mas há a garantia de que o torneio sempre terá os times com maior potencial de retorno financeiro. É a base da Superliga anunciada por alguns dos maiores clubes da Europa neste domingo. E também é o modelo no qual se desenharam as principais ligas dos Estados Unidos. Por isso, muitos já fizeram a comparação imediata.

A relação não é despropositada, até porque os investidores norte-americanos de clubes como Manchester United, Liverpool e Arsenal também trabalham com esporte nos Estados Unidos e conhecem bem os benefícios de “ligas fechadas”. No entanto, é preciso entender contextos, e esses dois universos -- futebol europeu e esportes americanos -- divergem bastante nesse aspecto.

A primeira liga profissional a surgir nos Estados Unidos foi a NAPBBP (National Association of Professional Base Ball Players), em 1871. Era uma bagunça. O modelo econômico do esporte ainda não estava consolidado e o campeonato reunia clubes com comprometimento muito diferente com a competição. Alguns, os mais fortes, conseguiam atrair torcedores, vender ingressos e, com isso, bancar os salários dos atletas. Os que pertenciam a empresários engajados na ideia de criar uma indústria em torno do esporte também se bancavam esperando o retorno lá na frente. Mas havia muitos aventureiros no meio, que preferiam abandonar o torneio no meio da temporada para ganhar dinheiro em cachês para disputar amistosos pelo interior.

Era impossível uma liga esportiva vingar como negócio dessa forma. Ainda mais em um país com distâncias enormes como os Estados Unidos (o que não ocorre nos países europeus). Ficou evidente que um campeonato forte precisaria que todos os times fossem minimamente sustentáveis para ficar em pé.

Desse modo, o dono do Chicago chamou os colegas de outros clubes para criar uma nova liga, com novo modelo. Quem quisesse participar teria de garantir o respeito ao regulamento e a permanência por toda a temporada. Por isso, priorizaram equipes de grandes cidades, com mais potencial de mercado, mas evitando times da mesma cidade para que não houvesse concorrência interna.

Foi desse modo que surgiu a Liga Nacional (hoje uma das metades da MLB) em 1876. Sim, século 19, da época em que o Brasil era um império com Dom Pedro II no comando. De seus integrantes originais, sobreviveram o Chicago Cubs e o Atlanta Braves. 

As demais ligas norte-americanas que surgiram depois seguiram esse modelo. Lista fechada de integrantes, com controle de finanças forte para que todas as equipes tenham capacidade de competir e de prosperar economicamente. Quando há expansão, procura-se buscar regiões ainda pouco atendidas pela liga, justamente para levar as partidas para o máximo possível de regiões dos Estados Unidos -- e, eventualmente, do Canadá. As cidades menores ficam fora desse sistema, mas quase todas acabam tendo um time universitário por perto, lembrando que as competições universitárias de futebol americano e basquete são mais antigas e enraizadas que as profissionais.

Barcelona e Real Madrid estão entre os fundadores da Superliga europeia
Barcelona e Real Madrid estão entre os fundadores da Superliga europeia Getty Images

É aí que o modelo norte-americano se distancia brutalmente da Superliga europeia de futebol. O modelo de liga fechada surgiu para garantir a própria existência da competição, mas veio casado com mecanismos que assegurem distribuição de recursos, equilíbrio técnico e até uma certa “democracia geográfica” (na falta de um termo melhor). 

Das ligas americanas, a Superliga europeia tem apenas o fato de buscar um formato de membros fechados. A democracia geográfica é nula, com 12 times fundadores representando apenas três países (Espanha, Inglaterra e Itália) e sete cidades (Barcelona, Liverpool, Londres, Madri, Manchester, Milão e Turim). A busca por equilíbrio técnico também não parece ser a tônica, ou alguém acha que alguns dos fundadores se sujeitarão a um teto salarial que limite sua capacidade de contratar craques? Ou que os oito times não-fundadores que entrassem no torneio teriam a mesma cota de TV e ainda a preferência na contratação de jovens (equivalente ao draft)?

Da forma como ela se propõe, a Superliga não apenas dá a seus integrantes o monopólio da possibilidade de se dizer “campeão europeu”, como ainda seria completamente predatória com “o resto”, uma vez que seus clubes querem continuar jogando suas ligas nacionais. Ultrabombados com os bilhões que receberiam pela Superliga, obviamente teriam elencos muito mais poderosos do que qualquer outro em seus países e relegariam ainda mais seus vizinhos. Clubes centenários, muitos com enorme torcida.

Mal comparando, seria como se algumas universidades, que já são dominantes nas competições da NCAA, se fundissem com times da NFL ou da NBA para criar equipes aproveitassem ao máximo os dólares movimentados nesses dois níveis de basquete ou futebol americano (impossível acontecer, só hipótese). Usariam os bilhões do profissional e teriam equipes surreais para o padrão universitário, dominando os torneios da NCAA e destruindo as equipes das demais universidades.

Isso já acontece hoje devido à força econômica da atual Champions League, mas se tornaria ainda mais radical. Até porque o Leicester, o Sevilla ou a Atalanta até podem fazer uma boa temporada, arrecadar alguns milhões de euros a mais jogando um torneio continental e ir gradualmente ganhando terreno. Não conquistarão a Champions, mas podem se meter entre os grandões por um tempo e até levantar um campeonato ou copa nacional pelo caminho. Pela proposta da maioria dos gigantes europeus, nem essa possibilidade haveria mais.

O sistema americano tem problemas e muitos deles merecem ser contestados. Mas a adoção de liga fechada se deu dentro de um contexto muito particular, com vários mecanismos para garantir não apenas a sustentabilidade econômica de todos, mas também para criar equilíbrio e levar a competição para todas as regiões do país. Tudo o que a Superliga europeia não propõe.

Fonte: Ubiratan Leal

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Jackie Robinson é lembrado como um craque dentro de campo, mas foi um gigante fora dele

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Da esq. para dir.: Johnny 'Spider' Jorgensen, Harold 'Pee Wee' Reese e Eddie Stanky no dia da estreia de Jackie Robinson
Da esq. para dir.: Johnny 'Spider' Jorgensen, Harold 'Pee Wee' Reese e Eddie Stanky no dia da estreia de Jackie Robinson Getty

A Major League Baseball se tornou um lugar melhor há exatos 74 anos. Em 15 de abril de 1947, Jackie Robinson entrou em campo com a camisa do Brooklyn Dodgers para enfrentar o Boston Braves. Naquele momento, um marco se estabelecia: a liga tinha seu primeiro atleta negro. Não foi apenas um grande acontecimento dentro do beisebol. A MLB era, de longe, a liga mais popular dos Estados Unidos na época e o impacto da quebra da barreira racial se espalhou em toda a sociedade.

Robinson foi a figura perfeita para esse momento. Dentro de campo, era um jogador espetacular, capaz de mostrar a qualquer racista como um negro poderia competir em igualdade com os melhores brancos. Tanto que o camisa 42 dos Dodgers foi eleito estreante do ano em 1947 e MVP da temporada em 1949, além de ser selecionado para o All-Star Game em seis das nove temporadas completas que disputou. 

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Mas muita gente se esquece de Robinson fora de campo. E sua atuação como ativista foi tão ou mais importante do que seus feitos como atleta.

O primeiro negro da história da MLB sabia muito bem o que sua presença na liga representava, e o impacto que ela teria. Ele tornou-se ídolo imediato de milhões de afro-americanos, e tudo o que ele fazia e dizia passou a ter uma força de mobilização imensa. Robinson se tornou colunista de jornal, com liberdade para escrever sobre questões raciais ou “apenas” sobre os acontecimentos do beisebol do dia. Ele também foi empresário, entrando como sócio em iniciativas que visavam melhorar as condições da população negra, como um banco especializado em dar financiamento para afro-americanos abrirem seus próprios negócios (algo muito difícil nas instituições financeiras mais tradicionais da época).

O Movimento dos Direitos Civis, que cresceu no final da década de 1950 e nos anos 60 teve também sua participação. Ele se tornou amigo de Martin Luther King e era visto no palanque em diversas manifestações, além de ser uma voz sempre procurada quando algo importante acontecia.

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Muito dessa atuação de Robinson foi publicada no livro “First Class Citizenship: the Civil Rights Letters of Jackie Robinson” (“Cidadania de Primeira Classe: as Cartas de Direitos Divis de Jackie Robinson”, sem edição em português). E, como uma pequena amostra de sua atuação fora dos campos, vou destacar uma carta enviada* a um jornalista esportivo de Nova Orleans que era a favor da segregação racial no esporte. O texto é de julho de 1956, último ano da carreira de Robinson.

“Caro Sr. Keefe,

Recebi um artigo em que você faz referência a mim ao falar da aprovação de uma lei favorável à segregação no esporte na Luisiana. Estou escrevendo a você não como Jackie Robinson, mas como um ser humano para outro. Não posso mudar o que você pensa de mim. Eu falo com você apenas como um americano que por um acaso é negro, e que tem orgulho de sua herança.

Não pedimos nada especial. Apenas pedimos que nos permitam viver a vida como você vive a sua, e como nossa Constituição prevê. Pedimos apenas, no esporte, que nos permitam competir em igualdade de condições, e, se não tivermos condições, a competição acabará nos eliminando. Certamente você, e o povo da Luisiana, deveriam ser capaz de lidar com essa competição.

Eu e outros negros na MLB nos hospedamos em hoteis com o resto do time em cidades como St. Louis e Cincinnati. Esses hoteis não faliram. Nenhum investimento foi destruído. Os hoteis estão, acredito eu, prosperando. E não ocorreu nada desagradável

Desejo que você pudesse ver isso como eu vejo, mas eu tenho uma pequena esperança. Eu desenho que você possa compreender quão injusto e anti-americano é uma questão de origem fazer tanta diferença para você. Imagino que você tenha origem irlandesa. Me disseram que, há apenas 50 anos, anúncios de empregos em jornais tinham a observação “irlandeses e italianos não são aceitos” em certas regiões do nosso país. Isso foi esquecido, ou ao menos superado.

Você me chama de ‘insolente’. Admito que eu não tenho sido subserviente, mas você usaria o mesmo adjetivo para descrever um jogador branco? Digamos Ted Williams, que é, mais que eu, envolvido em assuntos controversos? Eu sou insolente ou eu sou apenas ‘insolente para um negro’ (que tem coragem suficiente para falar contra as injustiças como a sua e a de pessoas como você)?

Estou profundamente triste que a Luisiana deu esse passo para trás… Porque seus torcedores, e acredito que muitos sejam pessoas muito boas, perderão a oportunidade de ver grandes atrações por causa disso... Não pelos negros na Luisiana que vão, por causa da sua lei, perderem o direito de uma competição livre e igual -- mas pelo dano que isso faz a nosso país.

Estou feliz por você, por você ter nascido branco. Teria sido extremamente difícil para você se tivesse sido diferente.

Jackie Robinson”

* Dica do fã de esporte Fernando Franca

Fonte: Ubiratan Leal

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Os Rangers jogaram com estádio lotado, mas vamos com calma

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


Estamos há mais de ano vendo nossos esportes preferidos com estádios vazios. Ou completamente vazios, ou com limitação de 10 ou 30%. Só em imagens vindas da Austrália e da Nova Zelândia que era possível ver cenas recentes de multidões lotando as arquibancadas. Até esta segunda, quando o Texas Rangers fez seu primeiro jogo da temporada da Major League Baseball com os 40 mil assentos ocupados. Sinal de que tudo já está perto do normal por lá? Vamos com calma.

A decisão do Texas Rangers de abrir todo seu estádio -- localizado em Arlington, região metropolitana de Dallas -- para a partida desta segunda contra o Toronto Blue Jays foi motivo de muita polêmica. A base para a medida foi a liberação do governo do Texas para diversas atividades econômicas, o que acabou incluindo esportes realizados em estádios abertos. 

Na MLB, Texas Rangers recebe Toronto Blue Jays com estádio lotado com 40 mil pessoas; veja imagens

De fato, os números da Covid nos Estados Unidos têm caído rapidamente com o avanço da vacinação. Ainda assim, os texanos ainda estão atrasados em relação à média do país. Considerando os 59 estados ou territórios americanos, o Texas é o 48º em percentual da população que tomou ao menos a primeira dose da vacina, com 28%. Os números da doença caem bastante no estado, mas houve um pico de 243 mortes na última quinta, dia de abertura da temporada da MLB.

Além da liberação do público total, também surpreende o fato de não haver nenhuma grande exigência para evitar que a partida seja um vetor de transmissão maior. Não houve restrição de acesso apenas a pessoas com vacinação comprovada por exemplo. Qualquer um poderia comprar ingresso e entrar. As únicas regras foram de usar a máscara o tempo todo (salvo quando estivesse ativamente comendo ou bebendo algo) e respeitar indicações de distanciamento e contato. Por isso, o próprio presidente Joe Biden disse, em entrevista à ESPN americana, que discordava da atitude: "Acho que é um erro. Eles deveriam ouvir o Dr. Anthony Fauci, os cientistas e os especialistas. Mas acho que é irresponsável".

Texas Rangers x Toronto Blue Jays
Texas Rangers x Toronto Blue Jays Getty Images

Não à toa, os times do Texas não abraçaram completamente a ideia de abrir todo seu estádio. O Houston Astros até podia lotar o MinuteMaid Park, mas decidiu por conta própria limitar a 50% a lotação. E até os Rangers, que atuaram com lotação máxima, haviam anunciado que isso valeria apenas para o primeiro jogo. A partir da segunda partida, haveria liberação de apenas 50% da capacidade e medidas para que os torcedores ficassem com distanciamento nas arquibancadas. Nesta semana, o clube voltou atrás e seguirá com 100% de capacidade liberada, mas a própria diretoria não imagina que o interesse da torcida seja alto a ponto de o público pagante se aproximar da lotação máxima.

Na MLB como um todo, os estádios já estão com liberação de público. Ela varia de acordo com o time e com o estado, mas ficam entre 15 e 50%, com a maioria entre 20 e 30%. A expectativa da liga é que, com o avanço da vacinação, esses índices aumentem ao longo da temporada e é possível que, no segundo semestre, todos os estádios já estejam totalmente liberados.

Fonte: Ubiratan Leal

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Os Rangers jogaram com estádio lotado, mas vamos com calma

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Quais as perspectivas de cada time para a temporada 2021 da MLB

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


Três supertimes, dois deles gigantes da liga e um que nunca conquistou um título sequer. A temporada 2021 da MLB começa nesta quinta com três candidatos mais destacados ao título, Los Angeles Dodgers, New York Yankees e San Diego Padres, mas uma série de equipes têm pretensões realistas de levantar o troféu no final de outubro.

É esse o cenário para o Opening Day, mas muita coisa pode mudar ao longo da temporada. Ainda mais porque voltaremos ao calendário tradicional, com 162 jogos na temporada regular e, salvo alguma surpresa de última hora, apenas cinco times classificados aos playoffs em cada liga. Outro elemento mais conhecido é o público, que retornará gradualmente aos estádios (ainda que o Texas Rangers já tenha liberação de 100% de público em seu estádio).

Jogadores do Los Angeles Dodgers celebram a conquista da World Series em 2020
Jogadores do Los Angeles Dodgers celebram a conquista da World Series em 2020 Getty

Da temporada 2020, realizada cheia de excepcionalidades devido à pandemia, ficarão duas mudanças de regras: rodadas duplas terão jogos de apenas sete entradas e as partidas que forem a entradas extras começarão sempre com um corredor na segunda base.

Em todo esse cenário, o que cada time pode fazer? Cravar é sempre difícil na MLB, mas dá para classificar todas as equipes de acordo com suas perspectivas de início da temporada. Confira abaixo e fique ligado nas transmissões da ESPN e do Fox Sports.

LIGA AMERICANA

O FAVORITO

Dos supertimes que formavam a Liga Americana no final da década passada, o New York Yankees é o único que não conquistou nenhum título. E talvez por isso o único que continua como um supertime. O ataque continua com a potência de Aaron Judge, Gary Sánchez (que deve se recuperar de um 2020 muito ruim), Giancarlo Stanton (recuperado de lesão) e DJ LeMahieu. Além disso, o time parece ter uma rotação mais sólida que nos últimos anos, com Gerrit Cole, Corey Kluber, Jameson Taillon, Domingo Germán e Jordan Montgomery, além de Luis Severino (que deve retornar de lesão no meio da temporada). 

Yankees comemoram vitória sobre os Twins' da MLB
Yankees comemoram vitória sobre os Twins' da MLB ESPN

OS DESAFIANTES

O Chicago White Sox é visto como maior ameaça aos Yankees. A rotação tem bons nomes como Lucas Giolito, Lance Lynn e Dallas Keuchel, enquanto o ataque confia na potência de José Abreu, Yoán Moncada, Tim Anderson e Luis Robert. Além disso, contratou Liam Hendricks, um dos melhores fechadores da MLB.

Ainda assim, há quem nem veja os White Sox como o melhor time da Divisão Central. O Minnesota Twins merece muito respeito pelo seu ataque, que conta com Miguel Sanó, Nelson Cruz, Josh Donaldson, Max Kepler, Byron Buxton e Andrelton Simmons. No entanto, a rotação -- problema crônico dos Twins -- com Kenta Maeda, José Berríos, Michael Pineda, JA Happ e Matt Schoemaker ainda não parece ser capaz de segurar uma briga pela World Series. 

Quem ainda deve ser visto como ameaça é o Tampa Bay Rays. A equipe da Flórida perdeu Blake Snell e Charlie Morton, dois desfalques significativos para a rotação. Mas contrataram Michael Wacha e conseguiram Chris Archer de volta. Considerando a capacidade da comissão técnica dos Rays de tirar melhor desempenho dos arremessadores, são jogadores que podem compensar parte das perdas. Além disso, o bullpen continua o melhor da MLB e o ataque é o mesmo que levou o time ao título da Liga Americana em 2020.

CORREM POR FORA

Há um grupo de bons times que brigam por vagas em playoffs e, com uma mistura de sorte com competência na hora certa, pode sonhar com uma grande temporada. O principal integrante desse pelotão é o Oakland Athletics, que tem uma base consistente com Matt Chapman, Stephen Piscotty, Matt Olson e Ramón Laureano. O bullpen também é forte, mesmo com a perda de Liam Hendricks.

Os A’s se transformaram em favoritos da Divisão Oeste, deixando para trás o Houston Astros e o Los Angeles Angels. Essas duas equipes vivem trajetórias opostas. 

Os Astros estão em fase de final da janela competitiva. Perderam Gerrit Cole e George Springer nos últimos dois anos, estarão sem Justin Verlander por lesão, mas ainda contam com jogadores da base campeã da World Series de 2017. Os Angels estão no sentido contrário, com crescimento e formação de um grupo que tente levar a franquia a seu segundo título em alguns anos. Com Mike Trout e Anthony Rendón e José Iglesias, conta com um trio que teve bom desempenho na temporada passada. A rotação ainda não é das melhores, esse é um problema. Ah, e Shohei Ohtani vai novamente arremessar e rebater, o que é sempre espetacular de se ver.

Myke Trout, dono do maior contrato dos esportes americanos
Myke Trout, dono do maior contrato dos esportes americanos Ezra Shaw/Getty Images

Na Costa Leste, o azarão é o Toronto Blue Jays. Talento há de sobra: Vladimir Guerrero Jr, Bo Bichette, Cavan Biggio, e Teoscar Hernández terão a companhia dos recém-contratados George Springer e Marcus Semien. O problema é a rotação, que tem em Ryu Hyun-Jin o único nome realmente confiável.

MELHOR ESPERAR 2022 (ou 2023, 24…)

Das equipes com menos esperanças na temporada, o Boston Red Sox até tem um ou outro motivo para acreditar. A franquia está claramente em processo de reconstrução, se desfazendo de jogadores mais caros para reformular o elenco. No entanto, há bons jogadores no grupo, como JD Martínez, Alex Verdugo, Kiké Hernández, Rafael Devers e Xander Bogaerts, e o ânimo que o retorno do técnico Alex Cora, campeão em 2018, naturalmente traz. Se a rotação fosse melhor (Chris Sale está contundido), poderia entrar no patamar de “corre por fora”.

De resto, a expectativa de Seattle Mariners e Kansas City Royals é seguir em um processo de evolução gradual para se tornarem competitivos em alguns anos. Enquanto Cleveland Indians (na última temporada antes de mudar de nome) e Texas Rangers tentam evitar que o processo de reconstrução no qual entraram não seja tão traumático quanto os de Baltimore Orioles e Detroit Tigers, que dão sinais de melhora após algumas campanhas terríveis.

LIGA NACIONAL

O FAVORITO

Alguns analistas estão tão empolgados com o Los Angeles Dodgers que até projetam se o time seria capaz de bater o recorde de 116 vitórias em temporada regular, estabelecido pelo Chicago Cubs em 1906 e repetido apenas pelo Seattle Mariners em 2001 (curiosidade: nenhum dos dois times venceu a World Series no ano da marca). A equipe já tinha Clayton Kershaw (agora sem a pressão de ganhar um título), Walker Buehler, Mookie Betts, Cody Bellinger, Corey Seager, Max Muncy e Justin Turner. Agora ainda terá o reforço do recém-contratado Trevor Bauer (Cy Young da Liga Nacional em 2020) e David Price (preferiu não jogar a temporada passada para se preservar da Covid-19). Timaço.

OS DESAFIANTES

O principal obstáculo aos Dodgers está em sua própria divisão, em seu próprio estado. O San Diego Padres talvez seja o segundo time mais forte da MLB no momento. O elenco talentoso que chegou aos playoffs em 2020 se manteve. A estrela é Fernando Tatis Jr, mas Manny Machado, Eric Hosmer, Wil Myers, Thommy Pham e Jake Cronenworth formam uma base de respeito. A rotação é ainda melhor: Dinelson Lamet, Chris Paddack e Joe Musgrove terão o reforço de Blake Snell (que calou o ataque dos Dodgers na World Series) e Yu Darvish (segundo colocado no prêmio Cy Young da Liga Nacional em 2020).

San Diego Padres
San Diego Padres Getty Images

Os Padres atrairão as atenções, até pela rivalidade californiana envolvida, mas não é prudente descartar o Atlanta Braves. A equipe da Geórgia ficou a uma vitória de eliminar os Dodgers nos playoffs de 2020 e manteve toda a base, com Ronald Acuña Jr, Ozzie Albies e Austin Riley, além do ótimo Freddie Freeman, MVP da Liga Nacional no ano passado, e Marcell Ozuna. E a rotação também merece respeito, com Max Fried, Charlie Morton, Mike Soroka e Ian Anderson.

Quem quer entrar nessa categoria de desafiante é o New York Mets. O time foi comprado pelo bilionário Steve Cohen, investidor no mercado financeiro que serviu de inspiração para o personagem Bob Axelrod, da série de TV Billions. O Cohen não colocou seu dinheiro pelo retorno financeiro, mas por ser torcedor fanático do time do bairro do Queens. E chegou fazendo barulho, contratando Francisco Lindor, James McCann e Carlos Carrasco. Considerando que o elenco ainda tem Jacob deGrom, Marcus Stroman, Noah Syndergaard (deve retornar de lesão durante o ano), Pete Alonso, Jeff McNeil, Michael Conforto e Dominic Smith, dá para sonhar alto. Claro, se ninguém lesionar, o que acontece com uma frequência incrível nos Mets.

CORREM POR FORA

A Liga Nacional está muito forte nesta temporada, então a lista de equipes que têm motivos para pensar em playoffs não é pequena. O Washington Nationals, campeão de 2019, é um exemplo. A equipe da capital tem uma rotação com Max Scherzer, Stephen Strasburg, Patrick Corbin e Jon Lester, um quarteto capaz de derrotar qualquer equipe da liga a qualquer momento. Ainda tem em Juan Soto uma das novas estrelas do beisebol.

Na mesma divisão, a Leste, o Philadelphia Phillies tem um ataque que impressiona. Bryce Harper e JT Realmuto são as referências, mas Andrew McCutchen e Alec Bohm também contribuem bastante. O problema é o bullpen, talvez o pior entre os times que têm pretensão de chegar ao mata-mata.

Phillie Phanatic exibe tênis exclusivo ao lado de Bryce Harper
Phillie Phanatic exibe tênis exclusivo ao lado de Bryce Harper Getty Images

A Divisão Leste da Liga Nacional é a mais forte da MLB e sobram times fortes, exatamente o contrário da Divisão Central. O favorito é o St. Louis Cardinals, que contratou Nolan Arenado e manteve Paul Goldschmidt, Yadier Molina e Paul DeJong. Os arremessadores também são competentes, mas não chega a ser um time que salta aos olhos como candidato a título. A consistência é a principal marca, e talvez ela que o diferencie dos demais vizinhos de grupo.

O Milwaukee Brewers conta com Christian Yelich, um dos melhores jogadores da liga e que estará motivado para mostrar que a má temporada de 2020 foi uma aberração de um ano confuso. O ataque como um todo funciona, mas ainda é uma equipe que precisa contar com o limite da rotação e do bullpen para ser competitiva, o que nem sempre é possível.

Ainda na Divisão Central, Cincinnati Reds e Chicago Cubs deram um passo para trás. Perderam jogadores importantes, como Trevor Bauer (Reds) e Yu Darvish e Jon Lester (Cubs). Em teoria, seriam equipes que poderiam estar no grupo de “melhor esperar 2022”, mas ambos ainda contam com alguns bons jogadores e a concorrência na divisão não é das mais fortes. Assim, até dá para acreditar em playoffs caso tudo dê certo.

MELHOR ESPERAR 2022 (ou 2023, 24…)

Com os supertimes de Dodgers e Padres, ficou difícil para os outros times da Divisão Oeste. Arizona Diamondbacks, Colorado Rockies e San Francisco Giants entraram firme no processo de reconstrução. O Pittsburgh Pirates já está nessa reformulação desde o ano passado, e é candidato forte a pior campanha de toda a MLB.

Quem entra nesse grupo e nem merecia é o Miami Marlins. O time tem bons jogadores -- Starling Marté, Corey Dickerson e Sandy Alcántara -- e até se classificou para os playoffs em 2020, eliminando o Chicago Cubs na primeira fase. O problema é que a Divisão Leste está muito forte neste ano e, em uma temporada de 162 jogos, é difícil que o jovem grupo dos Marlins consiga se manter na zona de classificação até o final. Mas é um elenco realmente promissor para os próximos anos.

Fonte: Ubiratan Leal

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Um MVP por absolutamente nada! Rockets 'terminam' troca de Harden sem um jogador que preste

Pedro Suaide
Pedro Suaide

Com a ida de Victor Oladipo para o Miami Heat, o Houston Rockets recebeu Kelly Olynyk, Avery Bradley, a opção de troca na escolha de 1º round do draft de 2022 e um atestado de burrice. 

Há dois meses, o mesmo Houston Rockets enviou James Harden, um dos jogadores mais dominantes da última década, para o Brooklyn Nets. Em troca, recebeu Rodions Kurucs, Dante Exum e Caris LeVert, além de quatro escolhas de primeira rodada de draft e mais quatro direitos de troca de escolha. 

Charles Barkley comenta que Harden merece crédito e diz que atleta é melhor ofensivamente do que Jordan e Kobe

LeVert, o grande nome da troca, foi negociado minutos depois para Indiana, que mandou Victor Oladipo para Houston - e já vimos que esse não virou muita coisa. Kurucs também já foi trocado, e Exum sequer estreou por Houston - não que fosse fazer muita diferença.

Ou seja, os Rockets abriram mão do segundo maior jogador da história da sua história por... Absolutamente nada. Falando sobre os jogadores em atividade que receberam, todos juntos não dão um décimo de Harden. Sim, existem as escolhas de primeira rodada: uma gigante incerteza que definitivamente é muito, muito pouco para deixar um craque desse tamanho ir embora.

Harden abre o jogo sobre saída dos Rockets e fala sobre os Nets: 'Será difícil algum time nos vencer quatro vezes numa série'

Em todas as temporadas desde 2016, James Harden disputa o prêmio de MVP. Ganhou um, mas poderia muito bem ter dois ou três. Contabilizando todos os jogos desde o primeiro da temporada 2015-16, suas médias são as seguintes: 31,1 pontos, 8,8 assistências, 6,7 rebotes e 1,7 roubo de bola por jogo, acertando quase 4 bolas de três em 36% de aproveitamento. Você não acha isso em qualquer draft por aí. 

James Harden queria sair de Houston, e obviamente isso diminuiu seu valor de mercado. Entretanto, ele ainda tinha mais dois anos e meio de contrato, o que deveria tirar toda a pressa do mundo dos Rockets, que tinham a opção de esperar até uma proposta decente chegar - e algo melhor do que isso chegaria, afinal, Harden é extraordinário. Aqui temos o primeiro grande erro. 

Harden passa no meio de dois, faz bela cesta e arranca reação hilária de Durant

Bom, troca feita. Os Rockets poderiam ficar com Caris LeVert, que tem mais dois anos de contrato e produz praticamente o mesmo que Oladipo. Mas não, eles pegaram a segunda opção, que tinha mais alguns meses de contrato e claramente não tinha nenhum interesse em seguir em Houston. Mais um erro. 

Agora, em um último ato desesperado, aceitaram qualquer migalha por um jogador que já foi eleito para a seleção de defesa da NBA e tem dois All-Star Games no currículo. 

Harden explica o amor que ainda tem por Houston no dia em que reencontrou os Rockets

Rafael Stone é o General Manager dos Rockets após a saída do lendário Daryl Morey, que mandava nos negócios da franquia desde 2007. Em meia temporada, o novo cartola conseguiu transformar um time que brigava por títulos em uma das piores equipes da NBA - e conseguiu menos escolhas de draft por James Harden do que o Thunder quando enviou Paul George para os Clippers, por exemplo.

Essa sequência de acontecimentos em Houston já parece ridícula, mas a cada ano que passar, os Rockets vão ver que James Hardens não nascem em árvores. Eles tinham um dos cinco melhores jogadores do mundo em mãos, e agora comemoram a quebra de uma sequência de 20 derrotas consecutivas.

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Um MVP por absolutamente nada! Rockets 'terminam' troca de Harden sem um jogador que preste

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Conheça o bananabol, uma versão alternativa e maluca para o beisebol

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

O Savannah Bananas é um dos grandes fenômenos de público no beisebol dos Estados Unidos. O time com nome que rima lotou todos seus jogos em casa desde 2017, somando já 88 partidas seguidas com todos os ingressos vendidos. É verdade que o estádio Grayson tem apenas 4 mil lugares, ainda assim é notável lotar tantos jogos atuando em uma liga amadora criada para manter a atividade de jogadores universitários durante o recesso das aulas no verão e treiná-los com bastões de madeira. Pois, em 2021, a equipe tem se preparado para a temporada no novo esporte que criaram: o bananabol.

Savannah Bananas em jogo da temporada 2020
Savannah Bananas em jogo da temporada 2020 Twitter / Savannah Bananas

Bem, não é exatamente um novo esporte. É o beisebol com algumas novas regras que, segundo os Bananas, seria mais curta, dinâmica e divertida para o público. E o pessoal do time de Savannah -- cidade histórica na Geórgia -- não teve pudor em propor maluquices (final, “banana” também é uma gíria para “louco” em inglês americano). Até porque não é de se esperar algo diferente de uma equipe que já chegou a disputar um clássico de temporada regular contra seu maior rival -- o Macon Bacon (sim, é esse o nome do time de Macon, Geórgia) -- com todos os jogadores usando kilts, as saias escocesas.

Então veja as nove regras que diferenciam o bananabol do beisebol:

1) Mudar a contagem dos placar

A pontuação do beisebol continua sendo por corridas. No entanto, a forma de definir o vencedor do jogo mudaria. Ao invés de contar a soma de corridas ao longo da partida, cada entrada seria como um set de vôlei ou tênis. O time com mais corridas na primeira entrada faz um ponto. O time com mais corridas na segunda entrada faz outro ponto. Não importa se a primeira entrada foi 5 a 0 e a segunda foi 1 a 2. O jogo está 1 a 1, não 6 a 2. Isso poderia criar várias rebatidas de walk off no mesmo jogo. 

2) Limite de duas horas

O jogo dura duas horas. Quem tiver mais pontos (ou entradas conquistadas) ganha.

3) Desempate no mano a mano

Se a partida estiver empatada ao final das duas horas, é o momento de desempate. A inspiração é na disputa de pênaltis do futebol: mano a mano, arremessador contra rebatedor. Só os dois (e o catcher para pegar os arremessos, claro). O arremessador precisa do strikeout. Se o rebatedor rebater dentro do campo de jogo, o arremessador que precisa ir atrás da bola para impedir o corredor de anotar a corrida. 

4) Walks viram corrida contra o tempo

Normalmente, o walk é uma caminhada tranquila para a primeira base. Ponto. No bananabol, seria a oportunidade de avançar mais. O rebatedor sai em disparada pelas bases, enquanto que a defesa precisa lançar a bola de um jogador para o outro. O corredor para apenas quando a bola passar pela mão de todos os defensores.

5) Bunts estão proibidos

Eliminação imediata do rebatedor que tentar.

6) Sem visitas ao montinho

Proibidas também.

7) Permitido roubar a primeira base

Se o catcher não pegar um arremesso e a bola ficar solta, o rebatedor pode disparar para a primeira base, não importa a contagem.

8) O torcedor pode eliminar o jogador

Se uma foul ball for para a arquibancada, o rebatedor está eliminado se o torcedor pegar a bola no ar.

9) Rebatedor não pode sair da sua área

Se o rebatedor sair da área de rebatida, é contado um strike. E pode sofrer um strikeout dessa forma.

Quem quiser ver se o bananabol realmente resulta em um jogo mais dinâmico e emocionando, pode ver a demonstração que o Savannah Bananas fez na última semana contra o Party Animals neste link.

Fonte: Ubiratan Leal

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MLB vai começar com público em quase todos os estádios, com caso até de lotação total liberada

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Globe Life Field durante a World Series 2020
Globe Life Field durante a World Series 2020 Getty Images

Doze de março de 2020. A Major League Baseball estava no meio de sua pré-temporada, mas já se sabia que talvez aquela quinta não tivesse jogo algum. A liga seguia com seus jogos preparatórios normalmente, mas o noticiário mostrava o avanço diário da epidemia (ainda não havia virado pandemia) de Covid-19 nos Estados Unidos -- sobretudo Arizona e Flórida, sedes do Spring Training -- e se debatia fortemente se seria possível organizar as partidas nesse cenário. Mas, naquele dia 12, já se imaginava que era momento de fechar tudo. Na noite anterior, o francês Rudy Gobert se tornou o primeiro atleta das quatro principais ligas norte-americanas a ter teste positivo de coronavírus e a NBA interrompeu sua temporada. O beisebol dificilmente faria diferente.

Avançando um ano no tempo, chegando a março de 2021. A pandemia ainda não acabou (pelo contrário, acabou de passar por um de seus piores momentos nos EUA), mas a MLB decidiu seguir suas atividades. Não apenas realiza sua pré-temporada normalmente como tem recebido público, em quantidade limitada, nas partidas.

Nenhuma grande novidade aí. A NFL já fez sua temporada com público em vários jogos no segundo semestre de 2020. A NBA e a NHL também têm jogado com torcedores. Até por isso, não surpreende que a temporada de 2021 da MLB seja mais uma com torcedores nos estádios. Mesmo que os Estados Unidos estejam com números ainda ruins -- 62,4 mil novos casos e 1,5 mil novas mortes nesta quinta --, já há uma melhoria em relação aos índices de algumas semanas atrás.

Ainda assim, imagina-se que o país não esteja pronto para receber um evento com aglomeração total. No caso, um jogo com lotação máxima. Mas é o que deve acontecer.

Nesta semana, o governador do Texas, Greg Abbott, aprovou projeto para que todos os estabelecimentos do estado funcionem com capacidade máxima. Isso inclui o esporte. O Texas Rangers aproveitou a oportunidade e já confirmou que pretende colocar à venda ingressos para os 40.318 lugares do Globe Life Field para os dois últimos jogos da pré-temporada e para a primeira partida em casa na temporada regular, em 5 de abril contra o Toronto Blue Jays.

A decisão já causaria polêmica se o Texas tivesse avançado na imunização. Não é o caso, pois o estado está entre os dez que vacinaram proporcionalmente menos pessoas. Além disso, a determinação da franquia em aproveitar a brecha na lei também chama a atenção. Até porque a vacinação está avançando rápido nos EUA e a MLB espera que efetivamente possa abrir todos os seus estádios no segundo semestre. Tanto que o Houston Astros, outra equipe texana na liga, ainda não confirmou se permitirá lotação máxima em seu estádio.

Veja qual o índice de ocupação que cada time terá em seu estádio na abertura da temporada da MLB, em 1º de abril:

100%
Texas Rangers

50%
Baltimore Orioles

42,6%
Colorado Rockies

33%
Atlanta Braves

32%
St. Louis Cardinals

30%
Cincinnati Reds, Cleveland Indians, Kansas City Royals

25%
Arizona Diamondbacks, Miami Marlins, Milwaukee Brewers

20%
Chicago Cubs, Chicago White Sox, Los Angeles Angels, Los Angeles Dodgers, Oakland Athletics, Philadelphia Phillies, Pittsburgh Pirates, San Francisco Giants

15%
Toronto Blue Jays*

12%
Boston Red Sox

10%
New York Mets, New York Yankees

1.000 torcedores
Detroit Tigers

Ainda sem definição, mas provável que tenha público
Houston Astros, Minnesota Twins, San Diego Padres, Seattle Mariners, Tampa Bay Rays

Sem público
Washington Nationals

* Disputará suas partidas, ao menos na primeira metade da temporada, no centro de treinamento da franquia em Dunedin, região metropolitana de Tampa (Flórida)

Fonte: Ubiratan Leal

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Muito odiado e ainda mais amado: Paul Pierce no Hall da Fama é o momento certo de falar sobre um dos jogadores mais marcantes de uma geração

Pedro Suaide
Pedro Suaide

Paul Pierce é uma figura muito legal de se falar sobre. Muito mais importante do que ser um craque, foi um cara muito marcante, daquelas que são amados ou odiados com muita intensidade - o que é ótimo. 

Teve anos geniais, levou os Celtics ao seu primeiro título depois de 22 anos e foi MVP das Finais. Sem dúvidas, um dos grandes ídolos da história do time de Boston (e olha que por lá não falta gente que mereça ser idolatrada. 

Paul Pierce descobre ao vivo que será indicado ao Hall da Fama e tem reação hilária: 'Nem sei o que fazer com minhas mãos'

Pensando em sua técnica, nunca foi o melhor ala da liga - talvez nem nunca tenha sido o segundo. Mas isso não importa. Seu estilo, sua postura, sua personalidade o equiparavam aos principais jogadores do mundo. Veja bem, não estou dizendo que ele não era bom jogador e só ficou em evidência por outros fatores. Paul Pierce era muito bom, e se não fosse, nunca teria feito o que fez. Mas, nos anos 2000, lutou por espaço, mídia e títulos contra LeBron James, Tim Duncan, Kobe Bryant, Dwyane Wade, Shaquille O'Neal, Carmelo Anthony, Kevin Garnett, Dirk Nowitzki, Steve Nash, Allen Iverson... Entre quatro linhas, é possível que todos aqui listados sejam melhores do que Pierce. Mas, em questão de grandeza, falando do pacote completo, poucos moveram mais pessoas do que o eterno 34 dos Celtics.

A combinação de ser um jogador muito bom com todo o contexto do time de Boston naqueles anos é implacável. Os Celtics amarguravam uma fila - e ainda assim eram os maiores campeões da história. Os Lakers, seus grandes rivais, empilharam títulos no começo da década e pareciam prontos para fazer isso novamente com Kobe, Pau e cia. 

Após Miami Heat eliminar Boston Celtics na NBA, Dwyane Wade 'cobra' Paul Pierce: 'Me pague o que é meu!'

Pierce assumiu uma posição que só o fez ser mais amado pelos Celtics: a de enlouquecer a torcida dos Lakers. Um verdadeiro antagonista na rivalidade, assim como era Kobe Bryant do outro lado. Mas com uma diferença: mesmo Kevin Garnett sendo melhor jogador, Pierce era 'o cara'. E foi assim também em rivalidades dentro do Leste, contra Heat e Bulls, por exemplo.

Talvez, com o passar do tempo, muitas pessoas esqueçam ou sequer entendam o tamanho de Paul Pierce na história. Mas muito mais importante do que viver na memória do público geral, é sempre ser lembrado com muito amor por uma torcida gigante. Com todos os méritos do mundo, Paul Pierce chega mais perto da imortalidade ao entrar no Hall da Fama. Mas para quem já era o ídolo e herói de tantas pessoas, isso é o de menos.

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'Você é o armador, simples assim': a nova versão de James Harden é a melhor notícia da NBA em 2021

Matheus Zucchetto
Matheus Zucchetto
James Harden antes de jogo dos Nets na NBA
James Harden antes de jogo dos Nets na NBA Getty

"Ter que fazer 40 pontos por noite era exaustivo."

James Harden foi, por anos, o símbolo de um Houston Rockets que parecia não ser capaz de dar o último passo em busca do título da NBA. E depois de um começo de temporada conturbado, ele conseguiu o que queria: foi trocado para o Brooklyn Nets.

A primeira impressão sobre o trio que Harden formaria com Kevin Durant e Kyrie Irving era de que três jogadores que precisam tanto da bola poderiam encontrar alguns problemas. E o que Harden fez? Ele revolucionou seu jogo mais uma vez.

"Nós decidimos isso uns dias atrás", comentou Kyrie, depois da vitória sobre os Warriors em 13 de fevereiro. "Eu olhei pra ele e falei, 'Você é o armador, eu vou ser o ala-armador'. Foi simples assim."

E como foi simples ver uma nova versão de Harden surgir. Aquele camisa 13 que tentava resolver tudo sozinho em Houston, que forçava faltas e irritava muitos torcedores - principalmente os que não torcem pelos Rockets - foi substituído por um armador eficiente, capaz de distribuir 15 assistências sempre que quiser e que pontua com a naturalidade de alguém que já é considerado um dos melhores jogadores ofensivos da história da NBA.

É por isso que, nos 22 primeiros jogos de sua carreira nos Nets, ele tem suas melhores marcas em assistências, rebotes, aproveitamento nos arremessos gerais, nas bolas de três e, sem Durant em quadra por boa parte do tempo, a maior quantidade de minutos por partida na carreira. Já são sete triplos-duplos para o Barba com a camisa de Brooklyn - só Jason Kidd tem mais na história da franquia, com 61 em 506 jogos.



ASSISTA: Kyrie revela mudança em conversa com Harden: 'Olhei pra ele e disse 'você é o armador', simples assim'



Sem Durant desde aquele jogo contra os Warriors em que Harden assumiu de vez a função de armar o time, os Nets somam sete vitórias em oito partidas - são nove nas últimas dez, se contarmos quando KD ainda estava em quadra. Em fevereiro, as médias de 25.6 pontos, 8.8 rebotes e 10.7 assistências em 13 jogos fizeram de Harden o primeiro jogador dos Nets a vencer o prêmio de melhor do mês em quase 14 anos (!).

A carreira em Brooklyn ainda está no começo, e a história nos Rockets promete ser eternizada quando a franquia aposentar sua camisa 13 - o que o dono do time Tilman Fertitta já prometeu fazer.

"O amor e a gratidão que tive por aquela cidade ainda existem. Espero que o favor possa ser retribuído", disse Harden em entrevista exclusiva. Nesta quarta-feira, ele jogará em Houston pela primeira vez desde a troca - a ESPN e o ESPN App mostram Rockets x Nets às 21h30 (horário de Brasília). Quando entrar em quadra, Harden será recebido pela ocupação máxima de 25% do Toyota Center, cerca de 4.500 fãs. E ele espera que o reencontro seja positivo.

"Eu achava que nunca deixaria aquela franquia. Achava que ficaria em Houston pelo resto da minha carreira. As coisas aconteceram. Tenho metas diferentes, e tive uma visão diferente para mim, minha carreira e minha família."

Um novo Harden surgiu depois de todas as polêmicas. Um que faz você querer ver todos os jogos dos Nets. Um que faz você esquecer da confusão que o Barba causou para deixar os Rockets. Um que assumiu o protagonismo que merece entre os maiores da NBA.




ASSISTA: Harden explica o amor que ainda tem por Houston no dia em que reencontra os Rockets

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