A era dos jogadores mimizentos e mimados na NBA e NFL

Gustavo Faldon
Gustavo Faldon
Jalen Ramsey e Antonio Brown
Jalen Ramsey e Antonio Brown Getty

A NFL mal começou e já tivemos Jalen Ramsey, Minkah Fitzpatrick e Antonio Brown, dois dos melhores de sua posição e um calouro promissor que está começando sua 2ª temporada, pedindo para serem trocados.

Na liga de futebol americano, essa tendência veio à tona agora, mas já temos visto isso há tempos na NBA também. Isso nos leva a alguns questionamentos dos motivos pelos quais isso anda acontecendo com tanta frequência e por que as franquias simplesmente cedem e atendem os desejos de seus jogadores.

Obviamente não temos os acessos às informações antes como nos dias de hoje, mas parece que os atletas desses dois esportes, mais do que nunca, são midiáticos, estão sendo observados, e gostam disso. E também são julgados a qualquer momento. Legado, lugar na história, recordes...todos estão os comparando com alguém.

Mas isso não pode virar “mimimi” e a qualquer dificuldade pedir novos ares, como no caso de Ramsey, que teve um desentendimento com seu técnico e pediu para sair. Ou como Antoio Brown, que culpou o capacete, o tempo, o sol, a lua e outras coisas para dar as desculpas que queria sair dos Raiders.

Na NBA, vimos vários jogadores pedirem para serem trocados por motivos distintos recentemente. Russell Westbrook, Paul George, Anthony Davis. No basquete, mais do que nunca vivemos a era dos supertimes, das grandes parcerias.

Isso era impensável na época de Michael Jordan, Magic Johnson e cia. Já imaginaram Jordan, depois de dois anos seguidos sendo derrotado pelo Detroit Pistons nos playoffs, se juntando a Isiah Thomas e cia em 1990? Nos dias de hoje, é o que aconteceria.

Enfim, os jogadores da NFL e NBA, de modo geral, estão com o ego mais alto do que nunca. Ninguém questiona a vontade de vencer, competitividade deles, mas esses pedidos frenéticos para serem trocados, biquinho, cara feia, certamente não são legais.

E as próprias franquias têm culpa nisso. Quando algum time vai chegar e falar: “Quer sair? Não vai, que pena. Afinal, você assinou contrato e vai ficar”? É difícil prever as medidas jurídicas que seriam cabíveis ao jogador para tentar sua “liberdade”.

Porém, se ele assinou um contrato, tem que cumprir. “Ah, mas o jogador vai desvalorizar e a franquia não quer isso”. Azar, já estava previsto a ela pagar os salários dele mesmo. E existem, claro, os casos onde o jogador está em último ano de contrato, onde realmente a separação é o melhor caminho. Mas e Paul George, que assinou uma renovação há um ano e pediu para ir embora? E Antonio Brown, que ainda tinha mais três anos restantes com os Steelers?

Não acho que o ideal seja uma liga ditatorial, com os donos dos times mandando no jogador como se fosse escravo. Mas disso para os pedidos constantes de mudança por qualquer motivo, há um grande espaço no meio.

Mais do que nunca, quem manda na NFL e na NBA são as grandes estrelas. E elas estão cada vez mais poderosas com seu destino.

Fonte: Gustavo Faldon

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Como Michael Porter Jr. ‘surge’ na bolha e começa a indicar que será um dos mais eficientes cestinhas da NBA

Leonardo Sasso
Leonardo Sasso

Michael Porter Jr. ainda não é, mas mostra na bolha da NBA que pode ser um dos jogadores mais difíceis de ser marcado no futuro da Liga.

Aproveitando-se de um Denver Nuggets com elenco reduzido por conta de lesões de três jogadores do perímetro (Jamal Murray - estreou na temporada apenas no último jogo, Gary Harris e Will Barton), o ala-pivô começa a se estabelecer como segunda principal arma ofensiva da equipe de Colorado.

Com Millsap já enfrentando declínio físico e Jokic cada vez mais estabelecido como armador, apesar dos 2.13m, Porter Jr. é o único do elenco dos Nuggets que “foge à regra”.

Após conviver com lesões nas costas desde os tempos de College, Porter Jr. conseguiu a sequência necessária para mostrar seu potencial. Numa equipe que já é Top 10 em rating ofensivo (6º), o jogador traz algo que complementa o jogo de um dos mais inteligentes atletas da Liga: Jokic. O pivô-armador é um dos melhores em ler movimentações na quadra.

Porter Jr. se mostra como um dos melhores abusando de mismatches contra jogadores menores e se movimentando no ponto cego, quando o marcador está vendo só a bola. Em várias posses, o ala-pivô se desvencilha do adversário para receber livre no garrafão. Por conta da altura (2.08m), o jogador consegue ter vantagem sobre outros alas e alas-pivôs.

Michael Porter Jr. em ação pelos Nuggets
Michael Porter Jr. em ação pelos Nuggets Getty

Em uma formação dos Nuggets com mais homens grandes, como Millsap e Jokic ou, até mesmo, Jerami Grant e Plumlee, Porter Jr. é deslocado para a ala. Denver contraria o que hoje tem sido moda: o small ball (o jogo com atletas mais baixos). A vantagem física provoca pontos fáceis para Porter Jr, que “explodiu” na bolha com médias de 29,2 pontos e 12,5 rebotes em quatro partidas, se for desconsiderado o 1º jogo (contra o Heat, em que os Nuggets perderam por 20).

O jovem conseguiu atingir a marca de duplos-duplos com 25 pontos ou mais em três jogos seguidos, algo que não acontecia com um calouro desde Pau Gasol, em 2002. Foi apenas o 3º calouro a ter médias de 30 pontos e 12 rebotes em uma sequência de três jogos na história da NBA (junto com Blake Griffin e Tim Duncan).

Embora a amostragem ainda seja pequena e o ajuste com um verdadeiro armador de origem como Jamal Murray seja necessário, Porter Jr. pode ser o ponto que faltava para transformar um dos melhores ataques da NBA em uma potência real para a conquista de algo maior na Conferência Oeste.

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Seis times e uma vaga: a inacreditável briga pelos playoffs na Conferência Oeste da NBA

Matheus Zucchetto
Matheus Zucchetto
Ja Morant e Damian Lillard lideram Grizzlies e Blazers na NBA
Ja Morant e Damian Lillard lideram Grizzlies e Blazers na NBA Getty

Uma semana já se foi, e a briga pela última vaga da Conferência Oeste para os playoffs da NBA ficou ainda mais apertada.

O Memphis Grizzlies segue no oitavo lugar, mas a vantagem para o 9º colocado já caiu para apenas 0.5 jogo - e com o Portland Trail Blazers em alta e pronto para tomar a posição. Mas é simplesmente impossível ignorar que Suns (sim, os Suns!),  Spurs, Kings e Pelicans seguem na perseguição.

Então, vamos olhar o calendário de cada um dos concorrentes para tentar responder quem está na frente nesta briga:

MEMPHIS GRIZZLIES

Campanha na bolha: 0 vitória e 4 derrotas
Jogos restantes: Thunder, Raptors, Celtics e Bucks

A vaga parece escapar cada dia mais das mãos dos Grizzlies. O time conta com Ja Morant, o provável Calouro do Ano, mas perdeu o ala-pivô Jaren Jackson Jr. para uma lesão no menisco do joelho esquerdo. E olhando o calendário que resta para Memphis... só um milagre salva o time.

PORTLAND TRAIL BLAZERS

Campanha na bolha: 3 vitórias e 1 derrota
Jogos restantes: Clippers, 76ers, Mavericks e Nets

Os Blazers já estariam nos playoffs se as lesões não tivessem atrapalhado tanto. Mas com a volta de Nurkic e mais uma explosão ofensiva de Damian Lillard, Portland chega com tudo para tomar o oitavo lugar de Memphis. Para melhorar a situação, o time teve sorte: ainda encara os Sixers, que não devem mais contar com Ben Simmons, e os Nets, que perderam todas as suas principais estrelas durante a pausa.

PHOENIX SUNS

Campanha na bolha: 4 vitórias e 0 derrota
Jogos restantes: Heat, Thunder, 76ers e Mavericks

Os Bubble Suns são IMPARÁVEIS! Devin Booker já colocou até Kawhi e Paul George no bolso e soma quatro vitórias seguidas pela primeira vez na carreira, e Phoenix saltou na tabela - agora, só dois jogos separam o time do 8º lugar. Se Memphis continuar em queda, não é difícil imaginar que Blazers e Suns se enfrentem diretamente pela vaga.

SAN ANTONIO SPURS

Campanha na bolha: 2 vitórias e 2 derrotas 
Jogos restantes: 
Jazz, Pelicans, Rockets e Jazz

Os Spurs não dão show, mas ninguém esperava que eles fizessem isso. Sem LaMarcus Aldridge, Gregg Popovich encontrou uma forma de atuar com Jakob Poeltl no pivô e DeMar DeRozan basicamente ocupando a função de ala-pivô - e é exatamente DeRozan quem comanda San Antonio. Os Spurs ganharam os dois outros jogos que fizeram contra o Jazz nesta temporada e, de quebra, têm confronto direto contra os Pelicans. A diferença para o 8º lugar é, hoje, de dois jogos.

SACRAMENTO KINGS

Campanha na bolha: 1 vitória e 3 derrotas
Jogos restantes: 
Nets, Rockets, Pelicans e Lakers

A única vitória dos Kings na bolha foi contra New Orleans, rival direto na briga pela vaga. E a partida também mostrou do que De'Aaron Fox e Bogdan e Bogdanovic são capazes - foram 65 pontos para a dupla contra os Pelicans. O calendário tem os desfalcados Nets, reencontro com os Pelicans e duelo contra os Lakers que já garantiram o primeiro lugar do Oeste na rodada final. Agora, a desvantagem para o 8º colocado é de 2.5 jogos.

NEW ORLEANS PELICANS

Campanha na bolha: 1 vitória e 3 derrotas
Jogos restantes: 
Wizards, Spurs, Kings e Magic

De muito longe, os Pelicans têm o calendário mais fácil entre todos os times que brigam pela vaga - e com dois confrontos diretos. Mas com 2.5 jogos atrás dos Grizzlies e campanha ruim na bolha, é difícil entender o que acontece com New Orleans. Zion finalmente parece se livrar da restrição de minutos em quadra, mas a atuação defensiva desastrosa contra os Kings (foram 140 pontos sofridos), a estreia do calouro nos playoffs parece estar longe de se tornar realidade.


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Por que a NFL e a MLB não fazem bolhas como a NBA e a NHL

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Disney, em Orlando, receberá o restante da temporada da NBA
Disney, em Orlando, receberá o restante da temporada da NBA Divulgação


Dezenas de times viajando pelos Estados Unidos. Reunindo-se em centros de treinamento e estádios, em aeroportos e hotéis. A MLB decidiu encarar o desafio de realizar sua temporada nessas circunstâncias, as mesmas que a NFL enfrentará a partir de setembro. Que são as mesmas do futebol nos campeonatos nacionais da Europa e mesmo do Brasil, diga-se. Mas, no beisebol, começou a dar problema. Miami Marlins e St. Louis Cardinals tiveram surtos de covid-19 na delegação e veio a pergunta: por que não fizeram uma “bolha”, como a NBA e a NHL?

O conceito de “bolha” apareceu primeiro na China, como possível solução para conclusão da liga chinesa de basquete. A ideia era colocar todos os times em uma ou duas cidades, que receberiam todas as partidas restantes da temporada. Hotéis e ginásios utilizados seriam todos higienizados, e os atletas passariam por testes frequentes e ficariam em isolamento social, indo apenas do hotel para o ginásio, do ginásio para o hotel. Com isso, todos estariam em ambientes livre do coronavírus e a chance de contaminação entre as pessoas envolvidas na disputa e operação dos jogos seria muito menor.

A NBA embarcou na ideia e fez sua bolha no ESPN Wide World of Sports, dentro do complexo da Disney em Orlando, Flórida. O mesmo espaço é utilizado também pela MLS. A WNBA escolheu outro espaço, também na Flórida, e a NHL foi para o Canadá, com estruturas em Toronto e Edmonton. A Copa do Nordeste escolheu Salvador para concluir sua edição 2020. Até a Uefa fará isso, com a reta final da Champions League concentrada em Lisboa e da Liga Europa no leste da Alemanha.

Mas há uma questão fundamental nessas competições: elas já estavam em andamento e precisavam apenas completar seu calendário. Não é o que ocorre na MLB e na NFL. Em ambos os casos, a perspectiva seria de realizar o campeonato inteiro (seja ele na versão integral ou em uma versão reduzida) na pandemia.

A demanda por uma “bolha” para o beisebol e o futebol americano seria muito maior em diversos aspectos:

- Na comparação com basquete e hóquei no gelo (mas nem tanto com o futebol), as delegações de beisebol e futebol americano são muito maiores e exigiriam muito mais infraestrutura para receber todos os times em apenas um ou dois locais;
- Como a temporada inteira será na pandemia, a “bolha” precisaria funcionar por muitos meses e a chance de ela acabar furando em algum momento seria maior;
- Com uma temporada longa dentro da bolha, o esforço de milhares de pessoas (não apenas atletas, mas funcionários de arenas esportivas e hotéis, jornalistas, funcionários dos clubes) para lidar com o confinamento seria muito grande, e muitos não estariam dispostos a ficar tanto tempo longe da família;
- Beisebol e futebol americano são esportes de partidas longas, é mais difícil programas quatro ou cinco partidas em sequência no mesmo campo. O máximo que daria seriam rodadas triplas, o que exigiria a utilização de muitos estádios com infraestrutura de alto padrão no mesmo lugar.

A MLB até teria opções, e por isso considerou a ideia de usar a bolha. Metade dos times têm centro de treinamento com campos oficiais no Arizona e a outra metade tem na Flórida. Com algum esforço, seria possível reunir todas as equipes na região metropolitana de Phoenix ou dividir a liga em duas bolhas. Mas os planos ruíram diante da mobilização operacional necessária e da falta de disposição dos jogadores em ficarem confiados por quatro ou cinco meses (no final das contas, a temporada durará só três meses, mas a perspectiva quando se discutia a bolha do beisebol era de retornar em junho ou começo de julho). Para piorar, Arizona e Flórida se tornaram centros tardios da pandemia, acabando de vez com qualquer proposta de bolha.

Na NFL, o desafio é muito maior. Na questão de estádios, até seria possível pensar em dividir os 32 times em duas regiões e aproveitar arenas da NFL e da NCAA. A Califórnia -- tanto em Los Angeles / San Diego quanto em São Francisco / Oakland -- seria uma opção interessante. O Texas também teria infraestrutura para as partidas. O problema é o tamanho da operação.

Uma delegação de NFL tem centenas de pessoas. Mesmo com otimização de pessoal, com alguns trabalhando remotamente, seriam mais de 100 indivíduos por time precisando de hospedagem, transporte e circular dentro do estádio. A tabela também é um problema, pois o futebol americano é uma modalidade fisicamente brutal, que exige muitos dias de descanso entre cada jogo. Inviável apertar o calendário para reduzir a duração da temporada como as outras ligas fizeram. Ou seja, a temporada longa é praticamente inevitável, o que exigiria muito esforço operacional e pessoal de todos os envolvidos.

Resta à MLB e à NFL contar com o protocolo e sorte. No beisebol, há forte suspeita que os surtos em dois times surgiram depois de atletas abandonarem seus hotéis para sair na rua, indo a restaurantes e até a cassinos. A liga reforçou a ordem de que os jogadores precisam praticar o distanciamento social mesmo quando estiverem viajando com suas equipes. A NFL tem o mesmo desafio, sendo que há mais dias de folga entre uma partida e outra -- e mais oportunidades de alguém sair do isolamento.

Resolveram correr o risco de ficar fora da bolha. Que saibam lidar com isso.

Fonte: Ubiratan Leal

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A MLB tentou conviver com o vírus por perto, e agora está no limite de suspender a temporada

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Marlins na MLB
Marlins na MLB Getty Images

A Major League Baseball estudou diversas opções, inclusive de criar uma ou duas bolhas, mas concluiu que o mais viável era disputar sua temporada com os times em suas cidades e estabelecer uma série de regras para que todos os envolvidos ficassem distantes da Covid-19. Uma semana após o início da temporada, um time já teve um surto interno, outros já tiveram casos, partidas foram adiadas, a tabela foi refeita e a pergunta já surgiu: “o que precisa acontecer para a temporada parar de vez?”.

Resposta: a liga não tem a menor ideia. Rob Manfred, o comissário da MLB, parece não ter considerado fortemente essa hipótese. E todo o procedimento da entidade, dos clubes e dos jogadores levavam isso em conta. O protocolo de segurança foi divulgado, listando uma série de procedimentos para viagens, estadia em outras cidades, treinos e jogos. Testes eram feitos a cada dois dias e, quando alguém dava positivo, era afastado como se tivesse uma lesão.

Até aí, não era muito diferente do que estamos vendo em outras competições. Inclusive no futebol brasileiro. Até que veio o Miami Marlins. Após uma partida contra o Philadelphia Phillies no último sábado, o time teve quase 20 resultados positivos entre jogadores e comissão técnica praticamente de uma vez (alguns casos foram conhecidos um ou dois dias depois).

Isso mudou toda a abordagem da liga. Teoricamente, o protocolo tinha mecanismos para os times seguirem na disputa mesmo neste cenário. Cada franquia conta com uma lista de atletas para serem acionados em uma emergência, o que seria suficiente para recompor o elenco dos Marlins. Mas isso funcionava bem no papel, a vida real é mais complicada.

Uma coisa é continuar sua vida -- e seu trabalho -- quando há um caso de Covid-19 no grupo. Outra é quando mais da metade da equipe foi infectada. Os Marlins ficaram de quarentena na Filadélfia. Os Phillies também passaram por vários testes para conferir se não tinham sido infectados também. E o estádio em que ambos se enfrentaram -- sobretudo o vestiário do time visitante -- teve de ser higienizado intensamente para que outro time (New York Yankees) pudesse ocupá-lo nos dias seguintes.

No final das contas, os confrontos entre Yankees e Phillies foram adiados, assim como Orioles x Marlins e Washington Nationals x Marlins. Para não ficarem ociosos, Yankees e Orioles tiveram uma série antecipada, mas já se vê um efeito cascata na tabela. Para piorar, nesta sexta houve casos positivos no St. Louis Cardinals, adiando a partida desta sexta contra o Milwaukee Brewers.

Claramente o sistema idealizado pela MLB não está funcionando. Imaginavam que casos isolados provocariam apenas afastamento de atletas, não que fosse necessário colocar elencos inteiros de quarentena. E não há um plano B muito claro. A liga pensa em realizar várias rodadas duplas no final da temporada para repor os jogos e houve até especulação que algumas equipes ficariam com menos jogos que outras, definindo a classificação pelo aproveitamento (e não por vitórias).

Nesta sexta, Manfred enviou um recado a Tony Clark, presidente do sindicato de jogadores. A mensagem alertava para a necessidade de os atletas respeitarem com mais rigor os protocolos estabelecidos, ou a temporada teria de ser suspensa de vez. Basicamente, o comissário da liga insinua que os jogadores não estão cumprindo os procedimentos recomendados, e isso estaria facilitando a entrada do coronavírus na MLB.

É bem possível que os atletas realmente tenham parte da culpa. Tanto que a liga havia reforçado na última quarta que os jogadores não podem deixar seus hotéis quando estiverem atuando fora de casa, o que indicaria que alguns ou vários estariam indo às ruas em dias de partidas como visitante. Mas também é difícil acreditar que essa seja a única causa, e que eventualmente os clubes também estejam falhando na aplicação de procedimentos de higienização das instalações e de distanciamento de seus profissionais.

Nesse ambiente, a próxima semana é chave para o prosseguimento da temporada. Se tivermos alguns dias sem novos casos de Covid-19, é sinal de que o alerta pode ter funcionado e a bolha talvez tenha sido reconstruída. Mas já dá uma sensação forte de que a MLB deveria ter investido na formação de uma bolha como a NBA, a MLS e a WNBA.

Obs.: ah, e o que está acontecendo com o beisebol já deveria soar um alarme do tamanho do estádio do Dallas Cowboys na NFL, porque os desafios talvez sejam ainda maiores no futebol americano

Fonte: Ubiratan Leal

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22 x 22: uma pergunta para cada time da NBA responder na volta da temporada

Matheus Zucchetto
Matheus Zucchetto
Lowry, Giannis e Jokic comandam seus times na NBA
Lowry, Giannis e Jokic comandam seus times na NBA ESPN

30 de julho de 2020. Quatro meses e meio depois da pausa, a NBA está oficialmente de volta. E antes da bola laranja subir na bolha criada pela liga em Orlando, os 22 times têm questões a responder. E aqui vão algumas das perguntas para cada uma das equipes:

1. Milwaukee Bucks
E se o 'muro' subir contra Giannis?

Em 2019, os Raptors mostraram o caminho e atrapalharam Antetokounmpo formando uma verdadeira parede contra os ataques do grego.  A estratégia fez a média de pontos de Giannis cair para 22.7 por partida nas finais do Leste e gera a questão: o que os Bucks podem fazer se os rivais repetirem a dose nos playoffs de 2020?

2. Los Angeles Lakers
JR Smith e Dion Waiters chegam para... ajudar?

A experiência com a dupla em Los Angeles tem dado certo... por enquanto. Ver JR e Dion em quadra nos amistosos antes da volta da temporada regular é algo divertido, mas falando sério, o quanto os Lakers realmente contam com os dois? O time de LeBron e Anthony Davis perdeu Avery Bradley, que preferiu não viajar para Orlando, e tem um buraco defensivo para preencher, principalmente se enfrentar times com armadores do calibre de Damian Lillard ou até mesmo Ja Morant.

3. LA Clippers
Quais os efeitos da pausa em Kawhi e PG13?

O termo load management nunca foi tão usado quanto durante a passagem de Kawhi pelos Raptors em 2019. Mas quem pode reclamar? Afinal, ele foi MVP das Finais e campeão com Toronto. Leonard e Paul George têm histórico de lesões, o que significa que a pausa pode ter feito (muito) bem à dupla, que deve voltar pronta para brigar pelo título em 2020.

4. Toronto Raptors
Siakam vai dar um passo à frente nos playoffs?

Kawhi foi embora, e o que aconteceu com os Raptors? Siakam cresceu, assim como VanVleet, Anunoby e o elenco de Toronto, que, sob o comando de Nick Nurse, continua brigando no topo do Leste. Mas, nos playoffs, um jogador vai precisar chamar ainda mais a responsabilidade: será que Siakam conseguirá ser o cara na pós-temporada?

5. Houston Rockets
'Small ball' de Houston pode funcionar contra os rivais do Oeste?

A troca de Clint Capela virou de vez a chave dos Rockets. Antes da pausa da temporada, Mike D'Antoni ainda tentava fazer o novo estilo de Houston funcionar - tentava, porque foram quatro derrotas nos últimos cinco jogos. Sem um pivô de origem em quadra na maior parte do tempo, os Rockets vão conseguir encarar times fortes no garrafão?

6. Boston Celtics
Qual Kemba Walker vamos ver em quadra?

Kemba sofreu com problemas no joelho esquerdo em 2020, e sua volta não tem gerado tanta confiança em Boston. A expectativa é de que ele esteja pronto para a volta da temporada regular, mas de qual forma? Afinal, os Celtics precisam do armador ao lado de Jayson Tatum e Jaylen Brown para sonhar com uma vaga nas Finais.

7. Philadelphia 76ers
Al Horford e seu contrato de 109 milhões de dólares ficarão no banco?

Os Sixers já tentaram jogar com Ben Simmons, Al Horford e Joel Embiid juntos, e a experiência não foi das melhores. Agora, a ideia do técnico Brett Brown parece ser usar Simmons como ala-pivô, dando espaço para o armador 

8. Denver Nuggets
O que esperar do novo Jokic?

Quase 20 quilos. Foi isso que Jokic deixou pelo caminho durante os mais de quatro meses de pausa da NBA. O quanto isso pode ajudar o pivô dos Nuggets quando os jogos começarem para valer? 

9. Miami Heat
A troca por Iguodala vai valer a pena?

Em fevereiro, o Heat fechou a troca com os Grizzlies por Iguodala. Tricampeão com os Warriors, Iggy não é mais o mesmo que já foi até MVP das Finais, mas sua presença - e experiência - no forte elenco de Miami pode fazer a diferença.

10. Dallas Mavericks
Doncic está pronto para os playoffs?

Em sua segunda temporada na NBA, Luka já entrou na lista de superestrelas da NBA e é um dos melhores jogadores da liga. Mas ele ainda não encarou os playoffs com Dallas. Na pós-temporada, os esquemas defensivos rivais serão ainda mais focados em Doncic, e ele precisará da ajuda de Kristaps Porzingis. Mas se tudo der certo para os Mavs... o céu é o limite.

11. Utah Jazz
A crise interna foi superada?

Rudy Gobert contraiu o novo coronavírus e fez a NBA parar em março. Mas as brincadeiras e o desprezo do francês com a doença causaram problemas no Jazz - tanto que a relação com Donovan Mitchell, que também foi infectado pelo vírus, foi abalada nas primeiras semanas de hiato da liga. O discurso é de que tudo foi resolvido, mas só o tempo poderá provar isso. 

12. Oklahoma City Thunder
OKC vai voltar no mesmo ritmo? 

O time mais quente da NBA vive em Oklahoma City. Ao menos era assim em março. O Thunder venceu oito dos últimos dez jogos que fez antes da pausa, e a trinca de armadores com Chris Paul, Dennis Schroder e Shai Gilgeous-Alexander tem impressionado. Resta saber se OKC voltará da mesma forma na bolha em Orlando.

13. Indiana Pacers
Teremos Oladipo em quadra?

A resposta era não. Oladipo afirmou que não jogaria para evitar uma nova lesão. Mas o ala-armador foi para as quadras em Orlando e, ao que tudo indica, vai tentar ajudar os Pacers. Se ele recuperar o nível que já teve em sua carreira, Indiana pode entrar de vez na briga por algo maior no Leste.

14. Orlando Magic
Jogar em casa vai fazer diferença?

Orlando virou a casa da NBA na retomada da temporada, mas o quanto isso pode ajudar o Magic? Com todos os times confinados na bolha, será que a familiaridade de estar em sua cidade pode ajudar o 8º colocado do Leste?

15. New Orleans Pelicans
Qual Zion vai voltar?

Zion estava treinando com os Pelicans na bolha até ter que deixar Orlando por uma emergência familiar. O calouro está de volta e em quarentena na Disney, mas tudo indica que ele ficará pronto para retornar desde o primeiro jogo. A questão é: Zion já teve problemas de lesão e com sua forma física. Qual versão vamos ver depois de quatro meses sem basquete?

16. Portland Trail Blazers
O retorno de Nurkic coloca os Blazers na briga de novo?

Portlando está 3.5 jogos atrás de Memphis, o que significa que, hoje os dois se enfrenariam por uma vaga nos playoffs. Mas os Blazers contam com a volta dos pivôs Jusuf Nurkic e Zach Collins, que devem mudar o patamar da equipe - vale lembrar que o time de Lillard e McCollum foi finalista do Oeste em 2019...

17. Memphis Grizzlies
Memphis resiste por mais oito jogos?

A chegada dos calouros Ja Morant e Brandon Clarke colocou Memphis de vez na briga pelos playoffs. Mas com Blazers, Pelicans, Kings, Spurs e até Suns de olho, resta saber se a dupla vai conseguir manter o ritmo dos Grizzlies rumo à pós-temporada.

18. Sacramento Kings
As jovens estrelas vão aparecer no momento mais importante?

Marvin Bagley está fora por lesão, o que aumenta ainda mais a responsabilidade sobre 

19. Brooklyn Nets
Quem vai aparecer por Brooklyn?

Kyrie Irving, Kevin Durant, Spencer Dinwiddie, DeAndre Jordan, Wilson Chandler, Taurean Prince... os Nets perderam boa parte do elenco, apesar de ocuparem a 7ª posição no Leste. A chance de ir para os playoffs ainda é grande, mas isso não é uma ótima notícia para Brooklyn - que só devem se classificar pela vantagem de seis jogos sobre os também desfalcados Wizards.

20. San Antonio Spurs
Como substituir LaMarcus Aldridge?

O ala-pivô passou por cirurgia no ombro em abril e não voltará a atuar nesta temporada. Cinco jogos atrás de Memphis, Gregg Popovich vai precisar se virar com Jakob Poeltl e Tyler Zeller no garrafão dos Spurs - para piorar a situação, Trey Lyles, uma das boas surpresas do time, também não atuará em Orlando.

21. Phoenix Suns
A bolha pode ser mais do que um treinamento?

São seis jogos de distância para os Grizzlies. Mas para uma franquia que não vai aos playoffs desde 2009-10, a experiência em Orlando pode ser mais um ótimo aprendizado para Devin Booker e Deandre Ayton. Resta saber se eles vão conseguir transformar a oportunidade em uma chance real de voltar à pós-temporada.

22. Washington Wizards
Por quê?

A NBA chamou times que ainda teriam chance de chegar aos playoffs, mas é difícil saber o que os Wizards vão fazer em Orlando. São 5.5 jogos atrás do Magic para um time que não terá Bradley Beal e Davis Bertans, os dois cestinhas de Washington na temporada. Ou seja... por quê?

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Como a MLB decidiu mudar o regulamento do campeonato duas horas antes do jogo de abertura

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Yankees e Nationals abriram a MLB na quinta
Yankees e Nationals abriram a MLB na quinta ob Carr/Getty Images

Rodada dupla de futebol em Salvador. O Bahia recebe o Bangu, em seguida o Vitória enfrenta o América carioca. O Campeonato Brasileiro de 1988 começava em uma sexta à noite e as equipes ainda não sabiam o que deveriam fazer se alguma partida terminasse empatada. O que aconteceu nos dois jogos. Na dúvida, os times seguiram a informação passada pela CBF e realizaram disputa de pênaltis. Sim, o torneio começou e apenas horas antes do pontapé inicial foi definido um item importante do regulamento: que as vitórias valeriam 3 pontos, empate com vitória nos pênaltis valeriam 2, empate com derrota nos pênaltis valeriam 1.

Esse tipo de coisa não surpreende quando se fala de futebol no Brasil. Mas aconteceu nesta quinta, em uma das normalmente elogiadas ligas norte-americanas: a Major League Baseball. A temporada 2020 começou às 20h (horário de Brasília) desta quinta. Apenas duas horas antes surgiu a informação de que sindicato de jogadores e a liga haviam chegado a um acordo sobre uma mudança no formado dos playoffs, aumentando de 10 para 16 os participantes do mata-mata.

Agora, se classificarão os dois primeiros de cada divisão e mais dois times de cada liga (Nacional e Americana) de melhor índice técnico. Essas equipes farão as quartas de final de liga, com séries de até três partidas, todas na casa da equipe de melhor campanha. Depois, as semifinais de liga (série divisional) voltam ao formato tradicional, com confrontos em melhor de cinco. As finais de liga e a World Series seguem em melhor de sete jogos.

A notícia veio como surpresa pelo momento: com alguns times já aquecendo para sua estreia, imaginava-se que nada mais mudaria. Mas não é uma discussão que surgiu do nada, que foi decidida sem debate apropriado.

Quando MLB e sindicato de atletas tentavam chegar a um acordo sobre o pagamento de salários em uma temporada reduzida e sem bilheteria, a ideia de reformular os playoffs havia sido colocada à mesa. A ideia era potencializar os ganhos de TV com mais partidas decisivas e, desse modo, compensar um pouco a perda de receita da venda de ingressos. Os dois lados concordaram que ampliar a pós-temporada seria bom, mas o acordo não saiu por discordâncias em outros pontos.

Assim, a retomada da liga veio com o regulamento orginal e o assunto pareceu esquecido. Pelo visto, as conversas continuaram fora dos holofotes, e as duas partes concordaram em criar uma versão de playoff que lembra mais a NBA e a NHL do que a MLB. Como uma fórmula temporária, para um ano atípico, é uma iniciativa válida. Mas, quando tudo voltar ao normal, o beisebol deve repensar sua pós-temporada. Uma ampliação já era discutida antes de pandemia virar um tema, mas valorizar a disputa jogo a jogo pelo título de cada divisão faz parte do espírito da liga. Assim, qualquer modelo deve preservar a dificuldade de jogar em outubro. Que a surpresa desta tarde de quinta fique só neste ano.

Fonte: Ubiratan Leal

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Como a MLB decidiu mudar o regulamento do campeonato duas horas antes do jogo de abertura

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A MLB está voltando. Veja o que há de diferente nesta temporada de pandemia

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
O Washington Nationals, atual campeão, abrirá a temporada contra o New York Yankees
O Washington Nationals, atual campeão, abrirá a temporada contra o New York Yankees Getty


Foi um longo e frio inverno. E um longo outono. E um verão que não estava dos mais empolgantes. A pandemia de Covid-19 fez o público americano ter de esperar bastante pelo retorno do esporte. O futebol voltou no começo de julho com a NWSL e a MLS, mas as quatro ligas mais populares só retomam a ação no final do mês. E a primeira será a Major League Baseball, que terá sua primeira partida oficial na próxima quinta (23).

Será uma temporada bastante diferente. Os quase três meses de paralisação forçaram uma mudança radical no formato da temporada regular, até porque a liga não cogitou a hipótese de atrasar o término do campeonato com medo de uma segunda onda da pandemia (que acabou chegando já em julho nos Estados Unidos). Mas as novidades não ficaram apenas na quantidade de partidas. Várias alterações foram implementadas para se adaptar à realidade de um campeonato disputado em meio a uma pandemia.

Veja abaixo o básico para entender essa temporada de cara nova. As mudanças nos times em si ficarão para um post aqui no blog na semana que vem.

Quando começa

A abertura da temporada é em 23 de julho, com rodada dupla: New York Yankees x Washington Nationals e San Francisco Giants x Los Angeles Dodgers. As demais equipes estreiam no dia seguinte: Atlanta Braves x New York Mets, Detroit Tigers x Cincinnati Reds, Toronto Blue Jays x Tampa Bay Rays, Miami Marlins x Philadelphia Phillies, Kansas City Royals x Cleveland Indians, Milwaukee Brewers x Chicago Cubs, Baltimore Orioles x Boston Red Sox, Colorado Rockies x Texas Rangers, Minnesota Twins x Chicago White Sox, Pittsburgh Pirates x St. Louis Cardinals, Seattle Mariners x Houston Astros, Arizona Diamondbacks x San Diego Padres e Los Angeles Angels x Oakland Athletics.

Quando termina

A World Series está programada para começar em 20 de outubro e, se for decidida em sete jogos, iria até o dia 28.

Temporada regular

A temporada regular foi bastante reduzida: os tradicionais 162 jogos caíram para 60. Mas a mudança não se refere apenas ao número de partidas, mas também a quem cada equipe enfrenta. Para reduzir as viagens -- e a exposição a eventual infecção por sars-cov-2 --, os confrontos serão mais regionalizados. Assim, os times farão 10 jogos contra cada time de sua própria divisão e 20 duelos interligas, sempre respeitando a geografia (ou seja, Divisão Leste da Liga Americana pega a Divisão Leste da Liga Nacional, a Central da LA enfrenta a Central da LN e a Oeste da LA joga contra a Oeste da LN). Com isso, teremos o reencontro entre Dodgers e Astros, muito aguardado após as revelações de roubo de sinais por parte do time texano na World Series de 2017. Pelo regulamento original, as duas equipes só se enfrentariam neste ano em uma eventual World Series.

Houston Astros venceu Los Angeles Dodgers no jogo 6 da World Series da MLB
Houston Astros venceu Los Angeles Dodgers no jogo 6 da World Series da MLB Getty

Playoffs

Continuam como sempre. Passam para o mata-mata o campeão de cada divisão e mais dois times de cada liga com melhor campanha para a repescagem (wildcard) de jogo único. Os vencedores desta etapa se juntam aos campeões de divisão para formar a série divisional (semifinal de liga) em melhor de cinco. As finais de liga e a World Series são em melhor de sete.

Onde serão as partidas

A ideia de criar uma “bolha” como a NBA e a NHL foi cogitada, mas as equipes jogarão em seus próprios estádios. Sem torcida, claro.

Elencos

Como os times não tiveram a preparação adequada e disputarão a temporada sob o risco de perder atletas com Covid-19, a regra de elencos será diferente. Ao invés de usar 26 ao longo da temporada, como previa o regulamento original, os times terão até 30 nomes no elenco nos primeiros 15 dias da temporada regular, 28 nos 15 dias seguintes e 26 a partir de então. Além disso, os clubes terão de anunciar uma lista de 60 atletas disponíveis para a temporada, incluindo os inscritos e outros que podem ser chamados a qualquer momento caso alguém fique fora de ação por queda de desempenho, contusão e, claro, Covid-19. Quando estiver com uma sequência de compromissos fora de casa, a equipe pode levar até três atletas extras. Eles não estão inscritos para o jogo, mas já ficam à disposição para o caso de algum companheiro se contundir.

Janela de transferências

Ficará aberta até 31 de agosto.

Se um jogador pega Covid-19

Foi criada uma lista de contundidos extra, apenas para o caso de Covid-19. O jogador será colocado nessa relação se tiver algum teste positivo de coronavírus, se apresentar sintoma ou se alguém muito próximo a ele teve exame positivo. Quem estiver nessa condição passará por quarentena e exames até ser liberado, mas receberá seus salários normalmente pelo período afastado.

Jogador com receio de pegar Covid-19

O jogador que não se sentir seguro dentro dos protocolos sanitários da liga estão livres para pedir dispensa. Eles receberão os salários como se tivessem jogador normalmente.

Buster Posey, estrela dos Giants, é um dos jogadores a pedir dispensa da temporada por causa do coronavírus
Buster Posey, estrela dos Giants, é um dos jogadores a pedir dispensa da temporada por causa do coronavírus Getty

Rebatedor designado universal

A Liga Nacional, pela primeira vez, terá rebatedor designado em todos os jogos, como mandante e visitante. A mudança só vale para 2020, e visa preservar fisicamente os arremessadores.

Entradas extras diferentes

As entradas extras começarão sempre com um corredor na segunda base. Esse corredor será o último eliminado da equipe na entrada anterior (ou alguém que o substitua na partida). O objetivo é facilitar o surgimento de corridas e evitar partidas muito longas em uma temporada que terá ritmo acelerado pelo pouco tempo e elencos sacrificados.

Substituição de arremessadores

Para reduzir o tempo gasto com substituições nas entradas finais, cada arremessador será obrigado a enfrentar um mínimo três rebatedores ou ficar até o final da entrada (caso falte apenas uma ou duas eliminações). Essa mudança de regra já estava prevista pela MLB e não tem relação com a pandemia.

Distanciamento social

Os clubes terão de aumentar o espaço de vestiários e bullpen disponível para seu elenco e o do time visitante. Para os jogos em si, a liga proibiu cuspes no campo e no banco, orientou jogadores a ficarem distantes quando não houver necessidade (bola parada, por exemplo) e reforçará punições por discussões cara a cara e brigas. Arremessadores também não poderão passar a mão na boca (terão direito a usar um trapo molhado no bolso de trás para umedecer a mão).

Salários e metas por desempenho

Os jogadores receberão seus salários pela proporção de partidas (37%) em relação à temporada completa. O mesmo vale para bônus ou cláusulas de contrato condicionadas a número de partidas ou metas alcançadas.

Fonte: Ubiratan Leal

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O impacto da pausa na NBA que aumenta ainda mais a distância dentro da Conferência Leste

Matheus Zucchetto
Matheus Zucchetto
Beal e Oladipo em Pacers x Wizards
Beal e Oladipo em Pacers x Wizards Getty

A temporada regular da NBA volta oficialmente em 30 de julho, na bolha criada pela liga em Orlando. 22 times vão entrar em quadra para oito partidas que definirão os classificados para os playoffs: 13 do Oeste e 9 do Leste.

E quando a bola voltar a subir, a diferença entre as duas conferências vai ficar ainda mais clara agora que vários jogadores de times do Leste decidiram não participar dos jogos em Orlando - sem falar da distância entre as principais forças da conferência e as equipes que ocupam as últimas vagas na corrida para os playoffs.

Em quantidade, quem mais perdeu peças foi o Brooklyn Nets, 7º colocado do Leste até a pausa. Além de não ter suas lesionadas estrelas Kyrie Irving e Kevin Durant, os Nets não vão contar com outros quatro jogadores: Spencer Dinwiddie, DeAndre Jordan e Taurean Prince testaram positivo para o novo coronavírus e não vão viajar, além de Wilson Chandler, que decidiu não se juntar ao time.

Com as ausências, os Nets foram para o mercado e acertaram a chegada dos veteranos Jamal Crawford e Michael Beasley.


O Indiana Pacers, 5º colocado e que poderia brigar até pelo 3º lugar do Leste, não terá seu principal astro em Orlando, o ala-armador Victor Oladipo. Depois de uma lesão séria no joelho direito, o camisa 4 voltou às quadras em janeiro e parecia estar recuperando seu ritmo de jogo antes da paralisação das atividades da liga - sua média de pontos, por exemplo, subiu de 12.3 para 19.7 entre fevereiro e março.

Oladipo vai viajar com os Pacers para a bolha, mas decidiu ficar de fora do restante da temporada para evitar novas lesões. Apesar de ter conseguido superar a ausência do ala-armador - a campanha do time era de 30 vitórias e 17 derrotas quando ele voltou -, Indiana sentirá falta de seu principal astro nos momentos decisivos dos playoffs.

Por fim, o único time fora da zona de classificação para os playoffs do Leste que irá para a bolha: o Washington Wizards.

5.5 jogos atrás do 8º colocado Magic, os Wizards não terão seus dois principais pontuadores em quadra. Bradley Beal, que tem média de 30.5 pontos por jogo, resolveu não viajar para tratar de uma lesão no ombro direito que o incomodou durante toda a temporada; Davis Bertans, um dos melhores arremessadores de três pontos da NBA e que fazia sua melhor temporada na liga, resolveu não viajar para Orlando por precaução.

Com todo o impacto do novo coronavírus na liga, o Leste está ainda mais nas mãos das cinco forças da conferência: Bucks, Raptors, Celtics, Heat e 76ers. Agora, resta saber como as peças vão se encaixar para os históricos playoffs que teremos pela frente.


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Como funcionam os “canais de clube” nas ligas americanas

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


A confusão na disputa pelos direitos de transmissão do Campeonato Carioca fez que o público tivesse a oportunidade de ter como única opção ver as partidas em TVs oficiais (na verdade, canais no YouTube) de clubes. A Fla TV mostrou as partidas do Flamengo contra Boavista e Volta Redonda, enquanto que a Flu TV teve o Fla-Flu decisivo da Copa Rio com exclusividade. Com a MP que deu aos mandantes todo o direito de transmissão de uma partida, tornou-se comum falar em um cenário em que clubes invistam em seus próprios canais para transmitir os jogos em que forem mandantes. Mas é a melhor opção?

Os Estados Unidos têm o mercado de mídia mais rico e desenvolvido do planeta, sobretudo na área esportiva. E três das quatro maiores ligas -- NBA, MLB e NHL -- adotam sistema misto de direitos de TV: contratos para transmissão em rede nacional -- incluindo playoffs -- são negociados em bloco, e cada franquia pode procurar seu próprio acordo para transmissão em alcance local (o Renan do Couto fez um bom fio no Twitter explicando como funciona a questão jornalística, com conteúdo clubista).

O modelo adotado não é o do desenvolvimento de canais próprios com programação totalmente institucional. A prioridade é aproveitar ao máximo o potencial econômico das transmissões de alcance regional em TV e, por isso, o caminho foi o da criação de canais esportivos regionais. Eles firmam contratos com franquias de sua região metropolitana e têm conteúdo mais próximo dessas equipes, tanto na transmissão de jogos como na criação programas voltados a seus torcedores. 

Claro que a cobertura tem viés favorável a essas equipes, mas são canais comerciais comuns, distribuídos por operadoras de TV por assinatura e que, pensando em atrair assinantes, audiência e anunciantes (ou seja, dinheiro), procuram manter uma programação diversificada no cenário esportivo da região e nível de clubismo relativamente controlado. Até porque parte do público não é necessariamente torcedor daquele time -- seja porque acompanha um outro time que tem parceria com o mesmo canal, seja porque o canal veio junto no pacote da TV por assinatura --, mas a audiência que ele proporciona é importante. 

Apenas em situações pontuais a franquia é proprietária de uma emissora. E, mesmo nesses casos, o clube sempre tem ligação ou sociedade com alguma empresa de mídia, que é quem efetivamente opera o dia a dia do canal.

Veja abaixo como é o cenário das TVs esportivas regionais (a versão americana das “TVs de clube”). Para o artigo não ficar desnecessariamente longo, já que o objetivo é apenas dar uma noção aos leitores de como funciona esse mercado, enfoquei apenas nas ligas com transmissões locais de partidas (MLB, NBA e NHL) e nas cidades com franquias nas três. Mas muitas outras -- como Salt Lake City, Houston, San Diego, Nashville, Indianápolis, Milwaukee, Nova Orleans e Pittsburgh, por exemplo -- também têm seus canais próprios para as equipes locais. 

NOVA YORK

Na região metropolitana com mais franquias profissionais, é natural que surjam mais canais esportivos. O New York Yankees ajudou a criar o YES, canal do qual possui 26% das ações. A mesma emissora fez parceria para transmitir os jogos do Brooklyn Nets da NBA. Outro time que tem participação em seu canal também é da MLB, os Mets, donos de 65% da SNY (SportsNet New York). É também a emissora oficial dos Jets, da NFL, mas apenas para programação relacionada ao time, sem a transmissão de partidas.

Mas o canal que abraça a maior quantidade de equipes nova-iorquinas é o MSG Network. A Madison Square Garden Company é dona da emissora, do ginásio Madison Square Garden, do New York Knicks e do New York Rangers. Claro, os jogos das franquias mais populares da cidade na NBA e na NHL vão para a MSG. Mas a programação ainda conta com os direitos de New York Islanders e New Jersey Devils, monopolizando as transmissões regionais da NHL.

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LOS ANGELES

Os times de Los Angeles se dividem em quatro canais, mas representando dois grupos. A Charter é dona de 50% de duas emissoras: o Spectrum SportsNet e o Spectrum SportsNet LA. O primeiro é uma sociedade da empresa com os Lakers e o segundo com os Dodgers. Claro, as partidas dessas equipes são transmitidas nesses canais.

As demais franquias angelenas ficam com a Fox Sports, que tem dois canais na região, o Fox Sports West (Angels, Kings e Ducks) e o Prime Ticket (Clippers).

Obs.: os canais esportivos regionais de todos os EUA fizeram parte do pacote adquirido pelo grupo Disney na compra de propriedades da Fox. Posteriormente, o Cade norte-americano determinou que esses canais teriam de ser colocados à venda, e hoje eles fazem parte do grupo de comunicação Sinclair. Ainda assim, continuam utilizando o nome “Fox Sports”, mas já anunciaram que criarão uma nova marca para todos eles

CHICAGO

O mercado de TV esportiva em Chicago teve uma agitação com a criação do Marquee Sports Network, uma sociedade do Chicago Cubs com a Sinclair. O canal terá as partidas dos Ursinhos na MLB, mas ainda não teve a oportunidade de estrear suas transmissões por causa da pandemia de Covid-19.

A NBC Sports Chicago fica com as demais franquias da cidade. O canal 50% das ações com Jerry Reinsdorf, dono de Bulls e White Sox, que estabeleceu 25% da participação em cada uma das duas equipes. A emissora ainda adquiriu os direitos dos Blackhawks da NHL.

SÃO FRANCISCO / OAKLAND

A NBC controla o mercado da região, dividindo as equipes em três canais. O NBC Bay Area fica com uma parte dos jogos do San Francisco Giants. O NBC Sports Bay Area tem a outra parte dos Giants e todo o calendário regional do Golden State Warriors. O NBC Sports California transmite o Oakland Athletics e o San Jose Sharks.

BOSTON

O Fenway Sports Group, empresa que controla o Boston Red Sox e o Liverpool, tem 80% das ações da New England Sports Network, que transmite os jogos das Meias Vermelhas. O NESN ainda firmou uma parceria para ser o canal oficial dos Bruins na NHL.

O Boston Celtics tem seus jogos no NBC Sports Boston, canal que tem 20% das ações sob controle da franquia.

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DALLAS

Mavericks, Rangers e Stars têm seus jogos transmitidos pela Fox Sports Southwest. O mesmo canal ainda tem os jogos do San Antonio Spurs.

TORONTO

O esporte em Toronto recebe forte investimento de grupos de comunicação. A Rogers é dona dos Blue Jays na MLB e de parte dos Raptors na NBA e dos Maple Leafs na NHL. Nessas duas equipes, curiosamente, a sociedade é com a Bell Canada, outro grupo de comunicação.

Com isso, a Sportsnet (canal esportivo da Rogers) transmite as partidas dos Blue Jays e parte dos jogos de Raptors e Leafs. A outra parte dos compromissos das franquias de basquete e hóquei no gelo ficam na TSN, emissora controlada pela Bell Canada (e que tem a ESPN como sócia minoritária).

FILADÉLFIA

Phillies, 76ers e Flyers têm seus jogos transmitidos pela NBC Sports Philadelphia. Os Phillies são donos de 25% do canal.

FLÓRIDA

Miami e Centro da Flórida (Orlando e Tampa) são mercados diferentes, mas eles dividem entre si os canais esportivos do estado. O grupo Sinclair tem dois canais com a marca Fox Sports na região, o Fox Sports Sun e o Fox Sports Florida. O primeiro transmite os jogos de Miami Heat, Tampa Bay Lightning e Tampa Bay Rays. O segundo fica com Miami Marlins, Florida Panthers e Orlando Magic.

WASHINGTON  / BALTIMORE

Mais um mercado controlado por empresas de mídia ligadas a franquias. A Munumental Sports network é dona de Wizards e Capitals e coloca os jogos dos dois times na NBC Sports Washington, canal do qual é sócia.

O outro canal esportivo da capital norte-americana é o Mid-Atlantic Sports Network, uma sociedade entre dois times da MLB: Baltimore Orioles (75% das ações) e Washington Nationals (25%). Claro, os jogos das duas equipes são transmitidos pela MASN.

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DETROIT

Pistons, Tigers e Red Wings têm seus jogos transmitidos pela Fox Sports Detroit.

PHOENIX

Suns, Diamondbacks e Coyotes têm seus jogos transmitidos pela Fox Sports Arizona.

MINNEAPOLIS

Timberwolves, Twins e Wild têm seus jogos transmitidos pela Fox Sports North.

Fonte: Ubiratan Leal

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Primo de jogador da NBA passa uma mensagem clara contra o racismo e desafia o sistema no basquete universitário

Leonardo Sasso
Leonardo Sasso
Makur Maker
Makur Maker Getty

Makur Maker. Você pode nunca ter ouvido falar esse nome. Mas talvez já escutou Thon Maker. Makur é primo do jogador do Detroit Pistons. Nesta sexta-feira, o jogador acertou seu compromisso com Howard, universidade pouco conhecida do College.

Mas mais do que a parte esportiva, Makur deu uma mensagem clara aos Estados Unidos. Ele é o melhor jogador do ensino médio a acertar com uma universidade HBCU (historically black college and university - universidades historicamente negras) desde que a ESPN começou a ranquear os atletas, em 2007.

As HBCU surgiram na grande maioria após a Guerra de Secessão (1961 a 1965). A maioria das universidades era ocupada por brancos. Essas vieram para alunos negros, que eram segregados em um período de extrema discriminação racial. Atualmente, existem 101 faculdades historicamente negras nos Estados Unidos.

O ato serve de exemplo. Serve de apoio à luta de todos os negros nos Estados Unidos e no mundo contra o racismo. Muito mais do que apenas falar, Makur usou o basquete como uma forma verdadeira de mostrar o engajamento contra o racismo. 

Após os protestos antirracistas pelo mundo, diversos jogadores usaram a fama e poder para passarem mensagens importantes. Maker, no entanto, desafia a regra. Desafia o sistema.

Outros deverão seguir o jogador. Mikey Williams, principal jogador da classe de 2023 do High School, já falou que quer ir para o mesmo caminho.

O fato muda toda a dimensão de universidades historicamente negras. As faculdades com mais recursos nos esportes universitários sentirão o baque.

Muitos já não estão mais aqui, mas a luta contra o racismo segue representada. Que outros sigam o exemplo de Makur Maker.

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MLB e sindicato de jogadores precisam ter uma DR após a temporada

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Robert Manfred, comissário da MLB, e Tony Clark, diretor da Associação de Jogadores da MLB
Robert Manfred, comissário da MLB, e Tony Clark, diretor da Associação de Jogadores da MLB Getty Images

O retorno da Major League Baseball quase parou por causa de um impasse. A liga e o sindicato de jogadores não chegaram a um acordo sobre como deveria ser a temporada após a parada da pandemia. O cenário geral eu já tratei neste post, e o importante é que a situação não mudou muito. Cada lado apresentou suas propostas, elas se aproximam, mas nunca se encontram.

No final das contas, vai ter temporada. E, como disse nesse outro post, isso não é exatamente uma boa notícia. Afinal, apesar de termos jogos para ver, a discussão chegou a um patamar em que o foco já não estava mais nos jogadores e nos donos de clubes, mas em seus representantes na mesa de negociação. No caso, Rob Manfred pela MLB e Tony Clark pelo sindicato.

A inabilidade de ambos em fabricarem um acordo, mesmo quando as duas partes já apresentavam propostas parecidas, deixou em muita gente a sensação de que houve falta de liderança. Manfred não conseguiu convencer os donos de franquias que a insistência dos jogadores era válida a ponto de ser justo ceder um pouco mais. E Clark cometeu a mesma falha no sentido contrário.

No final das contas, boa parte do público ficou com a imagem de que Manfred não foi um negociador, apenas um passador de recado dos donos. E de que Clark quis jogar duro para mostrar serviço, já que ele havia sido muito criticado por fazer muitas concessões à liga no último acordo trabalhista.

A questão principal é que esse documento está em vigor apenas até o final de 2021. A temporada atual é a prioridade com seus desafios particulares, como realizar os jogos com diversos protocolos sanitários e desafios logísticos no meio da segunda onda da pandemia, mas as conversas para a renovação do acordo precisam começar dentro do possível.

Manfred e Clark estão com imagem fragilizada, e podem usar essa negociação para recuperar prestígio. Mas que taminho tomarão? Radicalizarão suas posições para mostrar força diante de seus chefes ou tomarão uma postura realmente conciliatória para encontrar consensos? 

Para o beisebol, a segunda opção é a ideal. E, para ela ser possível, ambos precisam retomar o contato, nem que seja para avaliar o que deu errado na jornada de negociações da pandemia e evitar que isso se repita. Às vezes não custa nada discutir o relacionamento.

Fonte: Ubiratan Leal

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A MLB vai voltar! Mas entenda por que isso não é necessariamente uma boa notícia

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

         
     

Quando astro da MLB esqueceu do jogo, trocou socos e enlouqueceu Rômulo com porradaria generalizada

“Os clubes da MLB votaram unanimemente a proceder com a temporada de 2020 sob os termos do acordo de 26 de março. (...) Estamos requisitando a Associação de Jogadores da MLB a nos informar até às 17h desta terça duas questões. A primeira é se os jogadores conseguirão se apresentar em sete dias (1º de julho). A segunda é se a Associação dos Jogadores concorda com o Manual de Procedimentos que contém os protocolos de saúde e segurança necessários para nos dar a melhor oportunidade de conduzir e completar a temporada regular e os playoffs.”


O trecho acima foi o mais importante e esperado do comunicado emitido pela Major League Baseball na noite desta segunda. Ele oficializa que, salvo algum imprevisto -- uma forte segunda onda da Covid (possibilidade razoável) ou um boicote coletivo dos jogadores (possível em casos isolados, um pouco mais difícil de forma coletiva) --, a temporada de 2020 será realizada. A data de início ainda não foi confirmada, mas deve ser no meio de julho, após duas semanas de uma pré-temporada relâmpago.

Boa notícia, certo? Errrrrrr… mais ou menos.

O lado bom é o óbvio: vai ter beisebol. A temporada acontece, o torcedor terá partidas para ver, muitos trabalhadores que dependem financeiramente da liga também recuperarão seu ganha-pão e ainda dará tempo de a MLB retornar antes da NBA e da NHL, tendo um período saboreando a audiência proporcionada por ser única grande liga em atividade nos Estados Unidos. A parte cheia do copo é importante e não pode ser ignorada. Se você está feliz ou aliviado com a notícia, pode comemorar. Há motivos para isso. Mas não se esqueça que o copo também está meio vazio.

Quando a MLB escreve “sob os termos do acordo de 26 de março”, ela se refere ao documento em que os jogadores aceitavam a redução da temporada que a liga propusesse, desde que se comprometesse a pagar os salários proporcionais à quantidade de jogos que fossem programados. A liga também assinou e se comprometeu a fazer isso, mas depois mudou de ideia e tentou impor descontos extras no pagamento aos atletas se a temporada fosse muito longa (ou seja, se os salários fossem perto dos integrais para o ano).

Para saber mais do acordo de 26 de março, escrevi isso na época. E eu achava que era sinal de melhoria nas relações trabalhistas no beisebol...

Por isso, os dois lados ficaram um mês trocando propostas, buscando um meio-termo em que os jogadores fariam uma grande quantidade de jogos -- ou seja, receberiam uma proporção alta do salário -- e os donos não achassem que teriam muito prejuízo pagando essas proporções altas de salário. Os dois lados não chegaram a um acordo, ainda que as propostas finais fossem muito próximas: 60 jogos para a liga, 72 para os jogadores.

Jogadores dos Yankees comemoram vitória nos playoffs do ano passado
Jogadores dos Yankees comemoram vitória nos playoffs do ano passado ESPN


LEIA MAIS: Por que a MLB tem sofrido muito mais que as outras grandes ligas americanas para voltar da pandemia

Sem novo acordo, a liga decidiu impor unilateralmente o seu calendário. Provavelmente terá 60 jogos. Muitos dos benefícios que foram oferecidos nas propostas, como a adoção do rebatedor designado na Liga Nacional e expansão temporária dos playoffs, devem ser perdidos.

O fato de a temporada acontecer sob imposição da liga, com termos que desagradam os jogadores, é péssimo. Em curto prazo, há a possibilidade de alguns jogadores alegarem preocupação com a saúde e pedirem dispensa da temporada. Em médio prazo, o sindicato deve fazer jogo duro e dificultar qualquer conversa por um novo acordo para 2021, caso ainda não haja vacina e as autoridades não recomendem partida com público. Em longo prazo, vai azedar de vez as negociações pela renovação do acordo trabalhista. O atual tem validade até o final do ano que vem.

Ou seja, o efeito imediato da decisão da MLB é positivo, temos beisebol de volta. Mas a forma como foi feito pode abrir caminho para um futuro preocupante. Então, já se prepare para ler notícias falando em greve de jogadores ou locaute dos donos de times. Entre 2021 e 2022, é bem possível que se fale nisso.

Fonte: Ubiratan Leal

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De MVP ao banco de reservas? Cinco possíveis destinos para Cam Newton voltar à NFL

Matheus Zucchetto
Matheus Zucchetto

MVP da NFL em 2015, Cam Newton foi um dos jogadores mais empolgantes da liga por muito tempo, aliando a habilidade para correr com a bola e os longos passes que levaram o Carolina Panthers ao Super Bowl 50.

Mas desde a derrota para o Denver Broncos na decisão, em 2016, Newton só voltou aos playoffs mais uma vez, sofreu com lesões e, no dia 24 de março de 2020, acabou cortado pelos Panthers.

Mas o que o futuro guarda para a primeira escolha do Draft de 2011, que ainda não encontrou seu próximo time? Para tentar entender a situação, vamos analisar como estão cinco times que poderiam ser a futura casa de Cam Newton.

LOS ANGELES CHARGERS

O casamento parecia perfeito. Os Chargers começam a vida sem Philip Rivers com a chegada do calouro Justin Herbert. Por isso, a presença de um veterano como Cam Newton faria muito sentido em Los Angeles. 

Mas, apesar de tudo isso, Tyrod Taylor, reserva em 2019,  foi o escolhido para assumir a titularidade na semana 1. E para acabar com as esperanças de Newton, o técnico Anthony Lynn confirmou que pensou em contratar o ex-MVP antes de rejeitar a possibilidade.

NEW ENGLAND PATRIOTS

Jarrett Stidham e Brian Hoyer. São eles os dois quarterbacks que brigarão pela vaga de titular deixada por Tom Brady. Cam Newton já mostrou ter mais talento que ambos, mas a questão em New England sempre vai além disso...

Bil Belichick corre riscos, sim, mas só quando está decidido a enfrentá-los (até para Antonio Brown ele deu uma chance em 2019... que só durou um jogo). A chegada de Newton aumentaria a briga por vaga no elenco dos Patriots, mas se o negócio não aconteceu até agora, é muito improvável que ele aconteça nos próximos dois meses.

ARIZONA CARDINALS

Se Cam Newton não conseguiu espaço nos times que têm pontos de interrogação como quarterbacks titulares, está na hora de aceitar: ele só voltará para a liga em 2020 como reserva. E é por isso que os Cardinals fazem sentido.

Kyler Murray empolgou em sua temporada de calouro, e o time foi atrás de peças importantes para 2020 (olá, DeAndre Hopkins). O reserva de Murray? Brett Hundley, que tem nove jogos como titular na liga, com 9 touchdowns e 13 interceptações. Sem falar que Newton, caso esteja mesmo saudável, se encaixaria perfeitamente no ataque dinâmico que o técnico Kliff Kingsbury tenta implantar em Arizona

BALTIMORE RAVENS

Falando em ataques dinâmicos, chegamos ao comandando pelo MVP Lamar Jackson.

O reserva de Lamar é Robert Griffin III, um dos grandes talentos da década que sofreram com lesões. Mas pensando no estilo de jogo dos Ravens, sempre aproveitando a mobilidade do quarterback, um Cam Newton saudável acabaria se tornando mais uma arma em Baltimore. Não custa nada sonhar...

LOS ANGELES RAMS

Se os Chargers não quiseram Newton, talvez o outro time de Los Angeles queira. 

Jared Goff tem um contrato gigantesco com os Rams, e a temporada 2019 serviu apenas para o quarterback atrair de novo as críticas que pareciam ter se afastado. E mesmo se Sean McVay confiar totalmente em Goff, o time precisa de um QB reserva (John Wolford ocupa essa vaga neste momento... e ele nunca tentou um passe na NFL). Se Goff brilhar, McVay teria uma arma dinâmica com Newton no banco. Se Goff continuar regredindo, ele teria um ex-MVP no banco pronto para assumir a titulariade.

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De MVP ao banco de reservas? Cinco possíveis destinos para Cam Newton voltar à NFL

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Trae Young é um armador subestimado?

Guilherme Sacco
Guilherme Sacco
Trae Young
Trae Young Getty Images

Trae Young é uma das futuras estrelas da liga e isso é inegável. O armador do Atlanta Hawks é visto dessa maneira e foi escolhido como titular do All-Star Game.

O camisa 11, porém, é visto apenas como um pontuador de elite e nada além disso. Os problemas com a defesa são claros, mas Trae vai muito além de um pontuador de elite.

O armador tem também uma visão de quadra acima da média e que pouquíssimas vezes é valorizada. Em sua carreira até aqui, que está na segunda temporada, Trae tem 9,3 assistências por partidas, números que, aos 21 anos, são maiores do que de grandes estrelas da história da liga.

Chris Paul e Magic Johnson, que tinham 8,9 e 8,6 assistências por jogo, são dois nomes que estavam abaixo de Trae nessa idade. Assim como Luka Doncic, o principal "rival" de Trae atualmente e considerado um dos melhores armadores da liga.

Em uma equipe que tem John Collins como a segunda opção de ataque, Trae mostra a cada jogo que é um dos melhores armadores da liga na hora de trabalhar o pick and roll e enxergar a quadra para distribuir assistências.

Portanto, é impossível falar de Trae Young e falar apenas de sua habilidade de pontuar.

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O peso dos gestos antirracistas da Nascar

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Bandeira confederada dos EUA
Bandeira confederada dos EUA Getty Images

“Essa é a maior vergonha da Nascar. Isso tem de acabar, mas ainda tem muito por aqui.” 

Tom Dannemiller foi seco e direto nas palavras, mas seu tom também indicava uma mistura de decepção com falta de esperança. Passávamos diante de uma das centenas de acampamentos de torcedores da Nascar, com trailers e churrasqueiras reunindo famílias de fanáticos, que demonstram sua torcida com grandes mastros decorados com várias bandeiras, uma acima da outra. No caso, a mais alta era de Tony Stewart. Logo abaixo, da Chevrolet, carro utilizado pelo piloto. E mais abaixo o alvo do ataque de Dannemiller: a Bandeira de Batalha do Exército do Norte da Virgínia, mais conhecida como “Bandeira Confederada”.

O pavilhão representa o exército derrotado na Guerra Civil Americana (1861-1865), um lado que tinha como principal causa defender a manutenção da escravidão nos Estados Unidos. E o fato de ser exibido por décadas, quase sem restrições, no Sul dos EUA reforçou a bandeira como um símbolo racista. Para Dannemiller, americano de Cleveland e empresário do piloto brasileiro Nelsinho Piquet durante sua passagem pelo automobilismo norte-americano, a naturalidade com que se via símbolos dos confederados em autódromos da Nascar era danoso à categoria.

Isso foi em maio de 2011. Desde então, a Nascar deu alguns passos para mudar essa imagem. Houve determinações para inibir a exibição da bandeira confederada nos autódromos, mas isso não impediu que torcedores levassem as suas e as expusessem nos acampamentos ao redor dos autódromos. O programa Drive for Diversity, que visa incentivar o desenvolvimento de pilotos pertencentes a minorias étnicas, começou a dar resultado e levou o nipo-americano Kyle Larson, o afro-americano Darrell “Bubba” Wallace Jr e o mexicano Daniel Suárez à Cup Series, a primeira divisão da categoria.

Bubba Wallace, piloto da Nascar
Bubba Wallace, piloto da Nascar Getty Images

Mas a virada real parece ter vindo neste ano. Em abril, o próprio Larson foi flagrado usando um termo racista em uma conversa durante uma corrida virtual. Ele foi suspenso pela Nascar, dispensado pela equipe Chip Ganassi e ainda perdeu seus patrocinadores. Com o crescimento de manifestações após a morte de George Floyd em Mineápolis, a categoria foi ainda mais agressiva.

Liderados por Bubba Wallace, que ganhou força como líder dos negros dentro do automobilismo americano, e de Dale Earnhardt Jr, um dos pilotos mais populares do país neste século e que, após sua aposentadoria, se tornou uma das vozes mais influentes do automobilismo americano. Bubba ganhou cada vez mais espaço para expor ao público da Nascar qual a realidade dos afro-americanos, com Dale Jr servindo como uma espécie de escudo para eventuais críticos.

Em 6 de junho, véspera da prova de Atlanta, vários pilotos publicaram nas redes sociais um vídeo em que todos se posicionam contra o racismo e a favor do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam). A iniciativa foi de Jimmie Johnson, maior campeão da história da Nascar ao lado de Dale Earnhardt (pai de Dale Jr) e Richard Petty. Antes da corrida em si, no dia seguinte, foi feito um estrondoso minuto de silêncio, em que os pilotos interromperam as voltas de aquecimento para parar os carros e desligar os motores enquanto um mecânico da equipe de Bubba exibia uma camiseta do movimento Black Lives Matter. Em seguida o único piloto negro da Nascar pediu o banimento definitivo da bandeira confederada de eventos da categoria. Nesta quarta, seu desejo foi atendido.

Todas as ligas esportivas americanas demonstraram apoio às mobilizações antirracistas. Mas provavelmente em nenhuma delas isso tem simbolismo maior do que na Nascar. Uma categoria que tem sua base mais fiel de torcedores formada por brancos do interior do sul dos Estados Unidos, onde casos de racismos são mais comuns e há mais tolerância (ou mesmo defesa) de símbolos e figuras do exército confederado, basicamente membros de famílias escravagistas.

É bom ver a maior categoria do automobilismo americano não ter de lidar mais com essa vergonha. E que, como imaginava Dannemiller, que esse novo momento ajude a torná-la mais popular e diversa nas pistas e nos acampamentos que invadem cada circuito em dia de corrida.

Fonte: Ubiratan Leal

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Por que a MLB tem sofrido muito mais que as outras grandes ligas americanas para voltar da pandemia

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Francisco Lindor está em seu último ano de contrato com o Cleveland Indians
Francisco Lindor está em seu último ano de contrato com o Cleveland Indians GettyImages

A NBA já anunciou seu plano de retorno da pandemia, a NHL também e a NFL já estabeleceu como será a pré-temporada e a temporada em si. E, bem, MLB também, mas há uma diferença: jogadores rejeitaram a proposta e ainda não se sabe como será essa volta. O impasse entre o que querem os donos de franquias e o que querem os jogadores é tamanho que há quem acredite que nem tenhamos temporada do beisebol em 2020.

Mas o que torna a situação da Major League Baseball tão complicada na comparação direta com as ligas de basquete e hóquei no gelo? Há diversas razões (um articulista da ESPN americana chegou a elencar nove motivos), mas três se destacam como as principais.

Obs.: para entender como está o panorama geral das diferentes ligas, basta ver meu post anterior neste blog.

1) Impacto no calendário

A pandemia estourou em março nos Estados Unidos. Foi quando as ligas pararam suas atividades: a NBA e a NHL na reta final da temporada regular, a MLB no meio da pré-temporada. O momento foi particularmente ruim para o beisebol em relação aos demais esportes.

A NBA e a NHL foram bastante afetadas, mas cerca de 80% da temporada regular já tinha acontecido. O plano de retorno precisa apenas contemplar um pouco de temporada e um esquema especial de playoffs. É mais fácil negociar uma solução radical como isolar os times em “bolhas”, por exemplo, uma solução mais barata do ponto de vista operacional, mas que sacrifica mais os jogadores pelo distanciamento de suas famílias. 

Donovan Mitchell e Rudy Gobert no EUA x França no Mundial de basquete. São companheiros no Utah Jazz e deram positivo para Covid-19
Donovan Mitchell e Rudy Gobert no EUA x França no Mundial de basquete. São companheiros no Utah Jazz e deram positivo para Covid-19 FIBA

Mas o maior benefício de já ter a temporada em estágio avançado é o faturamento em venda de ingressos e de produtos nos dias de jogos. Ainda que ter portões fechados na reta final do campeonato represente uma perda grande, as franquias já garantiram centenas de milhões de dólares previstos para esse ano em “matchday” (termo comum na gestão esportiva que engloba as receitas em dias de jogos, com ingresso, venda de alimentos, venda de produtos licenciados, estacionamento etc). É mais fácil absorver a perda.

No beisebol, o cenário é bem pior. Os únicos jogos com públicos foram de pré-temporada, irrelevantes no total do orçamento das equipes. A temporada inteira terá de ser jogada sem público nos estádios, o que deixará os times muito mais longe da meta de faturamento para o ano. Justamente por isso, o grande atrito entre sindicato de jogadores e liga é em como calcular o dinheiro que será pago aos atletas.

A NFL também terá a temporada toda em portões fechados. Mas...

2) Importância da bilheteria

...no futebol americano, o público nos estádios tem uma importância muito menor no faturamento das franquias. Aliás, a Major League é a grandes ligas americanas que tem nos dias de jogos a maior fatia da receita total: 40%.

A MLB tem média de público em torno de 29 mil, dez mil a mais que NBA e NHL e com o dobro de jogos na temporada regular. A NFL tem mais que o dobro, mas só conta com um décimo das partidas. Ou seja, a liga de beisebol lidera o esporte americano (aliás, o esporte mundial, porque vence também qualquer campeonato do planeta) em ingressos vendidos. Além disso, a modalidade é intrinsecamente ligada ao consumo de tudo quanto é coisa nos estádios. A ponto de a Sports Illustrated já ter feito uma reportagem sobre o impacto do adiamento do beisebol na indústria de salsichas e amendoim nos Estados Unidos.

Tradição: os Dodgers venderam 2,7 milhões de cachorros quentes só no ano passado
Tradição: os Dodgers venderam 2,7 milhões de cachorros quentes só no ano passado Getty

Por isso, realizar uma temporada inteira de portões fechados tem um impacto grande para qualquer competição de alto nível, mas é especialmente grave na MLB. O que motivou um certo pânico dos donos de franquias, que temem ter prejuízo se a temporada foi muito longa e se os salários dos jogadores...

3) Relação trabalhista

...for pago dentro do que eles próprios haviam combinado em março. Na época, a liga e o sindicato fecharam um acordo que os atletas receberiam seus salários em uma proporção direta à quantidade de partidas da temporada. Se a temporada tiver 81 jogos (metade dos 162 previstos), os salários seriam de 50% do previsto em contrato. Se fossem 40 partidas (praticamente um quarto dos 162), ficaria em cerca de 25% do previsto. E assim por diante.

No entanto, os donos de franquias perceberam depois que o faturamento deles não será a metade do esperado se a temporada tiver metade dos jogos, porque essa conta ignorava o fato de que não haverá receita em “matchday”. Assim, tentaram refazer o acordo com os atletas, prevendo cortes que fariam alguns jogadores receberam apenas um sétimo do salário integral se a temporada fosse cortada pela metade.

Claro, os jogadores não aceitaram. Já houve contraproposta, e contracontraproposta, e há uma esperança que elas se aproximem até que se encontre um acordo. No entanto, o acordo que rege as relações trabalhistas da MLB vence no final de 2021, e as negociações para sua renovação já vinham quentes desde 2019. Isso faz da negociação pontual da pandemia uma prévia da discussão sobre o acordo trabalhista, aumentando a intransigência dos dois lados.

Nas demais ligas, isso não é um problema tão grande. Na NBA, a relação entre o sindicato e a liga é muito mais amistosa. Na NHL, o acordo trabalhista atual dura até 2022, a negociação para sua renovação está mais distante. Na NFL, a associação de atletas tem muito menos poder de barganha diante dos donos. E, como regra geral para as três, há teto salarial, que tem como um dos elementos de cálculo o faturamento da liga. Ou seja, se os clubes faturarem menos que o esperado por causa da ausência de torcida, o teto salarial é imediatamente recalculado. Tudo isso já estabelecido no papel.

O beisebol não tem teto salarial, então a negociação é mais livre. E, também por ser mais livre, cada cenário excepcional exige uma nova negociação. Talvez até se encontrem termos melhores que o cálculo automático das outras ligas, mas também aumenta o risco de não haver acordo algum. É o que estamos vendo agora.

Fonte: Ubiratan Leal

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'The Last Dance' mostrou Jordan neutro em questões políticas e sociais. 'Caso George Floyd' mostra que não é bem assim

Gustavo Faldon
Gustavo Faldon

No aclamado documentário 'The Last Dance', produzido pela ESPN dos Estados Unidos e que retrata a dinastia do Chicago Bulls na NBA nos anos 1990, Michael Jordan é criticado por ter se mantido neutro em questões políticas e sociais importantes. E o caso citado é o de não ter apoiado Harvey Gantt para a eleição de senador contra o adversário de extrema direita Jesse Helms. 

Essa corrida política aconteceu no início daquela década , auge da 'Jordan-mania' nos Estados Unidos. E por se tratar da Carolina do Norte, onde o astro nasceu, muitos esperavam que ele desse apoio a Gantt, que tinha a chance de se tornar o primeiro senador negro no estado.

A frase dita por Jordan à época gerou polêmica e prejudicou a imagem do astro nesse sentido, principalmente perante à comunidade afro-americana: "Republicanos também compram tênis", disparou, referindo-se ao sucesso dos calçados com sua marca, os  'Air Jordan'.

Michael Jordan manifestou-se de forma contundente no 'caso George Floyd'
Michael Jordan manifestou-se de forma contundente no 'caso George Floyd' Getty Images

No documentário, Jordan disse que não falou publicamente sobre o assunto, mas que chegou a ajudar financeiramente a campanha de Gantt - até sua mãe lhe pedira para participar de forma mais ativa, o que não aconteceu.

Dos anos 1990 para 2020

Se se omitiu no passado, e foi bastante criticado por isto, desta vez Michael Jordan agiu rápido e de forma contundente. Forte! 

O hoje senhor de 57 anos e considerado o melhor jogador de basquete de todos os tempos manifestou-se após a trágica morte do negro George Floyd por um policial branco que tem sido o centro de discussões raciais e várias manifestações nos Estados Unidos.

Jordan divulgou um comunicado nesse domingo (31) pedindo ação contra o racismo no país, criticando a violência e pedindo até mudança nas leis.

Deixou claro, assim como Martin Luther King, também negro, ícone da luta por direitos civis nos Estados Unidos entre os anos 1950 e 1960 e que acabou assassinado em 1968, que os atos precisam ser pacíficos. 

Mas escolheu um lado, o "daqueles que se opõem ao racismo e violência contra pessoas de cor no nosso país".      

E foi direto: "Basta!"

6 finais, 6 títulos: o melhor de Jordan nas decisões da NBA; veja




Veja, abaixo, o comunicado de Michael Jordan na íntegra:

"Eu estou profundamente triste, machucado e nervoso. Eu vejo e sinto a frustração e ira de todos. Eu fico do lado daqueles que se opõem ao racismo e violência contra pessoas de cor no nosso país. Basta.

Eu não tenho as respostas, mas nossas vozes mostram força e incapacidade de serem compartilhadas pelos outros. Nós devemos ouvir uns aos outros, mostrar compaixão, empatia e nunca virar as costas para a brutalidade sem sentido. 

Nós temos que continuar com expressões pacíficas contra a injustiça e exigir responsabilidade. Nossa voz unificada precisa pressionar os nossos líderes para mudar as leis ou precisamos usar o voto para criar mudanças sistêmicas. Todos precisamos ser parte da solução e precisamos exigir justiça para todos.

Meu coração fica com a família de George Floyd e aos milhares cujas vidas foram tiradas de forma brutal por atos racistas e de injustiça."

*Texto em parceria com Jean Santos

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Em que situação estão as principais ligas americanas para a retomada das atividades

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
LeBron James e Luka Doncic, dois dos principais nomes da atual temporada da NBA
LeBron James e Luka Doncic, dois dos principais nomes da atual temporada da NBA Getty

Os Estados Unidos são, com muita folga, o país mais atingido pela pandemia de Covid-19. No entanto, os números de novos casos e de mortes já começam a cair, sinais de que o pico já está passando. As ligas esportivas foram no embalo e aceleraram as discussões para retomar as atividades, encerrando a temporada (NBA e NHL) ou iniciando uma (MLB). 

Veja abaixo em que patamar está cada uma para o retorno:

NBA

A maior parte das franquias já teve liberação dos governos de seus estados para voltar a treinar. Ainda é uma atividade parcial, com pequenos grupos e distanciamento, mas a retomada definitiva seria mais rápida. É possível que no começo de julho já tenhamos partidas oficiais da maior liga de basquete do planeta.

Está cada vez mais consolidado o modelo de segurança sanitária que a NBA utilizará: os jogadores ficarão confinados em uma ou duas cidades em que poderiam ficar hospedados, treinar e jogar em ambientes controlados e de poucos deslocamentos. O local que surge com mais força nas discussões é o complexo da Disney World em Orlando, que conta com milhares de quartos em hoteis e ainda tem as arenas e instalações de treino no ESPN Wide World of Sports. Caso uma segunda localidade seja necessária (de preferência mais a Oeste), Las Vegas larga na frente pela capacidade de abrigar todos os times e até parte das atividades esportivas dentro de um mesmo hotel. Como falta pouco para encerrar a temporada, cerca de dois meses, os jogadores parecem dispostos a se sujeitar ao distanciamento de suas próprias famílias.

ESPN Wide World of Sports, em Orlando
ESPN Wide World of Sports, em Orlando Gustavo Hofman

O que ainda se discute muito é dentro de quadra: qual a fórmula para acabar o campeonato. Retomar a temporada de onde parou soa impraticável. Ainda faltavam entre 16 e 19 jogos para as equipes e levaria mais de um mês só para isso, mesmo se o calendário for sobrecarregado. Uma possibilidade é jogar apenas o suficiente para que todos os times terminem a temporada regular com o mesmo número de jogos. Outro caminho seria simplesmente decretar o final da temporada regular e ir direto aos playoffs.

Mas como terminar agora se ainda tinha time com chance de conquistar uma vaga no mata-mata? Justamente por isso, ganham forças os sistemas de disputa que coloquem 20 times na fase decisiva, dez por conferência. Desse modo, quem ainda tem chance seria contemplado. E essa fase decisiva poderia até ter uma etapa em grupos antes de definir as quartas de final (ou semifinais de conferência). Também se fala em misturar as conferências excepcionalmente, misturando todas as equipes.

MLB

O plano da MLB é reiniciar a pré-temporada no início de junho e abrir a temporada regular no primeiro fim de semana de julho, coincidindo com o feriado de 4 de julho (Dia da Independência dos EUA). Aliás, não é só isso que está definido: todo o campeonato já está desenhado. Os times jogariam em seus próprios estádios (sem torcida, claro), permitindo aos jogadores ficarem em casa, com seus familiares. A tabela marcaria apenas confrontos dentro da própria divisão ou com adversários da divisão equivalente da outra liga (leste x leste, central x central, oeste x oeste) para reduzir o desgaste, tempo e riscos de longas viagens. Seriam 82 partidas na temporada regular e os playoffs seriam ampliados para 14 times, sete da Liga Nacional e sete da Americana. A temporada seria encerrada em outubro, como já ocorre normalmente, porque a liga quer evitar uma decisão em novembro, quando poderia haver uma segunda onda da pandemia de acordo com as autoridades de saúde dos Estados Unidos.

Então está tudo pronto, é só jogar, certo? Errado. Em março, no início da quarentena, a liga entrou em acordo com o sindicato de jogadores e ficou combinado que os atletas receberiam os salários proporcionais ao número de partidas que fossem realizadas. Por exemplo, o sistema proposto tem 82 jogos, 50,6% dos 162 disputados normalmente. Assim, os jogadores receberiam 50,6% do salário.

Mookie Betts, grande contratação do Los Angeles Dodgers na temporada, ainda não estreou em partidas oficiais pelo novo time
Mookie Betts, grande contratação do Los Angeles Dodgers na temporada, ainda não estreou em partidas oficiais pelo novo time Getty Images

A rapidez com que saiu esse acordo foi saudada como sinal de melhoria na relação entre liga e sindicato. No entanto, os donos das franquias (que são os controladores da liga) perceberam que a conta era ruim para eles. Afinal, reduzir metade da temporada 2020 não significa que o faturamento será a metade, pois todo o dinheiro que entra em bilheteria e consumo nos estádios seria zerado. Resultado: os clubes decidiram propor um novo acordo, dividindo o faturamento da MLB deste ano em 50-50, com metade dele indo para o pagamento de salários e a outra metade para lucros e outras despesas.

O modelo representa uma enorme redução nos salários dos jogadores, que não detestaram essa parte do plano apresentado pela liga. As negociações estão em andamento, mas o clima entre as partes azedou na última terça, quando a proposta financeira da MLB foi oficialmente apresentada. Há quem tema um cancelamento total da temporada por falta de acordo, o que torna a contraproposta do sindicato tão importante. Ela pode dar o tom que a negociação tomará nas próximas semanas.

NHL

Das três principais ligas que pararam para a pandemia, é a que está mais atrasada no planejamento do retorno. Na última terça, a NHL apresentou o plano oficial para retomada da temporada. Os times se apresentariam para treinos restritos já em junho, mas treinos com toda a equipe só em julho. Não foi apontada uma data para o primeiro jogo oficial, mas talvez ficasse para a segunda quinzena de julho ou mesmo para agosto.

O principal problema da NHL é logístico. No hóquei no gelo, a presença canadense é muito grande, tanto na quantidade de franquias quanto na de jogadores. Por isso, todo o esquema para finalizar a temporada teria de considerar as restrições de trânsito entre Canadá e Estados Unidos, incluindo quarentena de alguns dias para quem atravessar a fronteira. Além disso, cerca de 15% dos atletas da liga estão na Europa neste momento, e também só poderiam treinar após cumprir quarentena quando fossem para a América do Norte.

O goleiro finlandês Pekka Rinne, um dos destaques do Nashville Predators
O goleiro finlandês Pekka Rinne, um dos destaques do Nashville Predators Getty

A vantagem da NHL em relação a NBA e MLB é ter a fórmula de disputa já definido. Para contemplar os times que estavam fora da zona de classificação para os playoffs, mas ainda brigavam por uma vaga, a liga decidiu aumentar o mata-mata de 16 para 24 equipes. Em cada conferência, os quatro primeiros estariam classificados antecipadamente para a primeira fase. Eles enfrentariam as equipes que passassem pela fase preliminar, composta por confrontos eliminatórios entre os times de 5º a 12º lugar.

NFL e NCAA

O futebol americano profissional e universitário, além do basquete universitário, trabalham com a ideia de que realizarão suas temporadas normalmente. A única diferença é que os estádios terão portões fechados, ainda que haja dirigentes da NFL sonhando com a possibilidade de ter torcida na reta final da temporada regular ou nos playoffs.

No caso do esporte universário, uma grande baixa foi o cancelamento da temporada em várias modalidades menos midiáticas (vôlei, ginástica artística, futebol, rugby, atletismo...) em algumas conferências.

Fonte: Ubiratan Leal

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ESPN e ESPN App exibem finais e jogos históricos da NBA com Magic, Bird, Kobe, Curry e outras lendas a partir de 29/5; veja a lista!

ESPN League
ESPN League

Está com saudade da NBA, certo?

Enquanto ela não volta, a ESPN irá exibir uma série de jogos e decisões históricas da maior liga de basquete do mundo.

Começa a partir da próxima sexta-feira, dia 29 de maio, e todas as partidas serão exibidas com narração em português na ESPN e ESPN App.

Desde finais históricas até jogos que se tornaram lendários por marcas e recordes, tem para todos os gostos e times para o fãs de esportes ir matando a saudade da NBA.

Larry Bird e Magic Johnson
Larry Bird e Magic Johnson Getty Images

Veja abaixo a lista com os horários de Brasília:

29/5, 20h - Knicks x Lakers, jogo 7 da final de 1970

30/5, 20h - Celtics x Suns, jogo 5 da final de 1976

03/06, 20h - Jazz x Pistons, jogo da temporada regular de 22/1/78

05/06, 20h - Lakers x 76ers, jogo 4 da final de 1983

06/06, 20h - Celtics x Knicks, jogo 7 da semi do Leste de 1984

10/06, 20h - Lakers x Celtics, jogo 6 da final de 1984

12/06, 20h - Lakers x Celtics, jogo 3 da final de 1987

13/06, 20h - Lakers x Pistons, jogo 4 da final de 1989

17/06, 20h30 - Suns x Supersonics, jogo 5 da final do Oeste de 1993

19/06, 20h - Nets x Magic, jogo da temporada regular de 20/11/93

20/06, 20h - Knicks x Pacers, jogo 6 da final do Leste de 1994

24/06, 20h30 - Bucks x 76ers, jogo da temporada regular de 1/11/96

26/06, 20h - Suns x Raptors, jogo da temporada regular de 27/2/2000

27/06, 20h - Pacers x Lakers, jogo 6 da final de 2000

28/06, 20h - Lakers x 76ers, jogo 3 da final de 2001

29/06, 20h - Spurs x Pistons, jogo 7 da final de 2005

30/06, 20h - Lakers x Rockets, jogo 1 da semifinal do Oeste de 2009

01/07, 20h30 - Warriors x Pacers, jogo da temporada regular de 5/12/2016




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Celtics completam varrida contra os Lakers e são campeões da NBA!

ESPN League
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Vocês decidiram, e o Boston Celtics venceu o jogo 4 das Finais da NBA  contra o Los Angeles Lakers no #EuDecidoNBAnaESPN.

O duelo  terminou com vitória de Boston, liderados por Kemba Walker e Jayson Tatum, por 1359 a 970. Com isso, os Celtics completam a varrida e vencem o título da NBA.

Como funcionou? Desde o dia 29 de abril, às 20h (de Brasília), lançamos no Instagram da ESPN as partidas de primeira rodada dos playoffs, e o time vencedor foi definido por você nos comentários. O resultado sempre foi publicado aqui no blog do ESPN League, dentro do ESPN.com.br.

Celtics campeão
Celtics campeão Dalton Cara

Os 16 times foram definidos a partir da classificação no momento da suspensão da temporada. Para os playoffs e finais de conferência, a equipe classificada foi definida em uma partida única; para as Finais, o campeão saiu de uma série de 4 a 7 jogos/posts.

O jogo do dia foi ao ar às 20h, e a contagem dos comentários valeu até às 16h do dia seguinte. 

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