Os desafios do novo presidente do Bahia

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br

Guilherme Bellintani foi eleito novo presidente do Bahia para o triênio 2018-2020
Guilherme Bellintani foi eleito novo presidente do Bahia para o triênio 2018-2020 Felipe Oliveira/EC Bahia

O Bahia terá um novo presidente a partir dos próximos dias. Guilherme Bellintani, candidato apoiado pela situação, foi eleito pelos torcedores como o sucessor de Marcelo Sant’Ana no próximo triênio. Uma bola que já era cantada desde as prévias, sobretudo com o relativo sucesso do tricolor na temporada. 

Com 40 anos, Bellintani deixou a carreira pública para se tornar administrador do Bahia. Secretário de Desenvolvimento no mandato do prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM), o novo presidente do clube terá a missão de mantê-lo na rota do progresso, algo exaltado pela torcida nos últimos anos.

Lógico que o grande foco da nova administração será o departamento de futebol, que foi bastante criticado pelo torcedor na gestão de Marcelo Sant’Ana. A administração anterior adotou o slogan “A Vez do Futebol” e pagou o preço, principalmente em 2015, quando não conseguiu o acesso à elite do futebol brasileiro. Evoluiu nas duas últimas temporadas, mas ainda sofre com as críticas. Segundo Guilherme Bellintani, qualquer nova receita será aplicada no futebol, e o foco será contratações de jogadores que cheguem ao Fazendão em condições de serem titulares. Além disso, a ideia é manter a política de contratação de atletas emergentes, evitando o investimento nos profissionais em fim de carreira.

Meta do Bahia para 2018 é brigar pelo G-8 na Série A
Meta do Bahia para 2018 é brigar pelo G-8 na Série A Marcelo Malaquias/EC Bahia

Outro grande desafio de Bellintani é dar utilidade à Cidade Tricolor, centro de treinamentos construído em 2013, mas que nunca foi utilizado pelo Bahia. O imóvel se tornou objeto de brigas na Justiça, e o clube só conseguiu ter a sua posse em 2017. O novo presidente quer fazer da Cidade Tricolor um centro de referência na revelação de novos atletas para o Nordeste, aumentando o patrimônio, diminuindo o custo com contratações e potencializando receitas futuras com a venda de jogadores.

Bellintani encontra o Bahia numa situação financeira ainda desequilibrada, mas longe de ser caótica. O clube, nos últimos dois anos, subiu suas receitas de R$ 85 milhões para R$ 121 milhões, sobretudo com o acordo feito com o Esporte Interativo, que comprou os direitos de transmissão dos jogos do tricolor na Série A a partir de 2019. No entanto, o endividamento segue alto – segundo o último balanço, o passivo supera os R$ 190 milhões, e mais de 80% das dívidas são fiscais e trabalhistas. Mesmo com os inúmeros acordos feitos pelo Departamento Jurídico (que, aliás, foi comandado por Vitor Ferraz, atual vice-presidente de Bellintani), o número é preocupante. O atenuante é que o Bahia conseguiu amortizar a dívida fiscal através do Profut, e prolongou o passivo trabalhista com parcelas suaves. Elas, no entanto, seguem comprometendo o orçamento.

O Bahia deve seguir seu planejamento de reestruturação a longo prazo. Com a meta de subir um degrau a cada ano, a meta é brigar entre os oito melhores na Série A, disputando sempre uma vaga na Libertadores. Com times sem grandes estrelas, mas competitivo. Fora de campo, buscar o tão almejando equilíbrio financeiro, tornando o clube mais sustentável. O cenário, apesar de ainda estar muito longe do ideal, é bastante animador.


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A estreia de Talisca na China: uma liga inferior ao seu talento

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br

Anderson Talisca chegou ao Guangzhou por empréstimo de seis meses
Anderson Talisca chegou ao Guangzhou por empréstimo de seis meses Divulgação/Guangzhou Evergrande

Anderson Talisca estreou na Superliga Chinesa marcando um hat-trick nesta quarta-feira. A escolha do meia-atacante de se transferir para a China ainda gera controvérsias, reacende a discussão sobre a relação carreira x dinheiro, e colocou em xeque o futuro do jogador na seleção brasileira, que inicia um novo ciclo visando a Copa do Mundo no Catar.

O futebol chinês ainda está longe de ser referência mundial. Na Copa da Rússia, apenas oito jogadores que atuam na Superliga foram convocados. Os brasileiros Paulinho (que retornou à China após a Copa, mas reapareceu na Seleção quando atuava na Ásia), Renato Augusto e Gil só foram convocados por conta da estreita relação com Tite, treinador do trio na época de Corinthians – o que garante que nem todos os atletas fora dos grandes centros do futebol terão oportunidades daqui para frente.

Talisca surgiu no Bahia como uma grande promessa, confirmou todo o seu talento no Benfica e ganhou maturidade no Besiktas. No último ciclo, foi convocado por Dunga e Tite. Em março, fez parte do grupo que enfrentou Rússia e Alemanha em amistosos na Europa. Em sua estreia no Guangzhou Evergrande, mostrou seu vasto repertório a marcar um gol de cabeça, um de falta e outro de chute de fora da área. A precisão da perna esquerda impressiona não só aos chineses, mas também aos grandes clubes europeus. Anderson Talisca, ao que parece, abriu mão de uma carreira de sucesso na Europa para ganhar um bom salário na China.

O baiano de Feira de Santana, certamente, fará sucesso no futebol asiático. É um jogador acima da média dos que atuam na Superliga Chinesa. Pode até reaparecer na seleção brasileira. O que parece um desperdício é não poder vê-lo todo final de semana, em alto nível, jogando contra os grandes clubes do planeta.


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E se julho fosse fevereiro?

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br

Luan, do Grêmio, em meio aos jogadores do Atlético-PR
Luan, do Grêmio, em meio aos jogadores do Atlético-PR Divulgação / Grêmio

O futebol brasileiro volta à sua rotina esta semana, e eu sei que não dá para fingir que está tudo começando do zero. Porém, com o retorno do Campeonato Brasileiro, podemos experimentar algo que o calendário poderia proporcionar toda temporada.

Na Europa, lugar onde se joga o melhor futebol do mundo, as primeiras partidas oficiais dos clubes acontecem nos campeonatos nacionais. O torcedor começa a ter contato com os grandes jogos logo após as pré-temporadas, matando a saudade depois de quase três meses sem competições. Começar um novo ciclo com partidas atraentes motiva o consumo e mantém o produto valorizado o ano inteiro. No Brasil, viveremos “artificialmente” essa sensação a partir de quarta-feira.

Com mais de 30 dias de intertemporada, os clubes da Série A voltam ao Campeonato Brasileiro renovados. Muitos reformularam seus elencos e tiveram tempo para recuperar atletas desgastados com a maratona do primeiro semestre. A maioria dos torcedores sente a falta de seu time do coração entrando em campo. Nada melhor do que acabar com a saudade assistindo uma partida de Série A.

A reflexão nos faz olhar para o calendário e, mais uma vez, constatar que o futebol brasileiro continua no caminho errado. O ano de 2018 começou com os estaduais, na terceira semana de janeiro, sem uma pré-temporada adequada dos clubes. Partidas tecnicamente ruins e estádios vazios – além de as equipes não estarem preparadas física, técnica e taticamente em 12 dias de trabalho, os adversários dos grandes clubes nos estaduais não oferecem um jogo competitivo. O contato com finais de semana mais excitantes acontece apenas a partir de maio.

Todos sabem que a mudança do calendário do futebol brasileiro será benéfica para a qualidade do jogo. Iniciar o ano com o Campeonato Brasileiro 30 dias após uma pré-temporada também eleva o negócio. Fragmentar os estaduais durante o ano também oferece aos clubes menores a chance de se manterem em atividade por mais tempo. Oferecer tempo de preparação entre um jogo e outro dá aos treinadores a possibilidade de consolidação dos seus trabalhos. Para os clubes que disputam a Libertadores, é interessante entrar na competição continental disputando grandes jogos em seu país – as referências técnicas da Série A são muito maiores e, consequentemente, aumentam o nível de competitividade em nível internacional.

Repito que não dá para fingir que tudo começa na quarta-feira. Muitos clubes recomeçam o Brasileirão sob pressão. Porém, é uma oportunidade de observarmos o quanto o futebol brasileiro poderia ganhar se julho fosse fevereiro.


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O título do eficiente Sampaio Corrêa contra um apático Bahia na Fonte Nova

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br

Bahia parou no bom sistema defensivo do Sampaio Corrêa
Bahia parou no bom sistema defensivo do Sampaio Corrêa Felipe Oliveira/EC Bahia/Divulgação

Cinquenta e dois minutos do segundo tempo. O árbitro apita o final do jogo na Arena Fonte Nova, e os jogadores do Sampaio Corrêa caem no gramado. Extenuados, comemoram o título da Copa do Nordeste depois de segurar o Bahia por mais de 180 minutos. Sai do confronto sem levar um gol sequer.

O Nordestão foi conquistado pela equipe que mostrou mais equilíbrio. O Sampaio Corrêa, dono de uma defesa sólida, sofreu apenas quatro gols em toda a competição. Nos mata-matas, levou apenas um gol do ABC, no Frasqueirão. Segurou as defesas de Vitória e Bahia, equipes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro. Uma conquista que não foi à toa.

O time maranhense, inclusive, conseguiu algo inédito no Brasil: conquistar dois títulos regionais por regiões diferentes. Em 1998, faturou a Copa Norte ao bater o São Raimundo-AM na final. Vinte anos depois, realiza o maior feito da sua história, que já conta com os títulos das séries B, C e D do Brasileirão.

O técnico Roberto Fonseca, que em seu currículo tinha como maiores conquistas os campeonatos alagoano (2012) e mato-grossense (2017), apostou no sistema defensivo para ser campeão do Nordeste. A solidez na retaguarda teve como protagonistas os zagueiros Joécio e Maracás e os volantes William e Diego Silva, além do goleiro Andrey, melhor jogador da competição. Com laterais que pouco apoiam, apostou nas bolas longas e na velocidade de João Paulo e Danielzinho, os motores do time. Nas bolas paradas, conseguiu ser letal – foi na cabeçada do centroavante Uilliam, no primeiro minuto do jogo em São Luís, semana passada, que o Sampaio Corrêa construiu o seu título.

Melhor do Nordeste, o Sampaio terá a chance de entrar nas oitavas de final da Copa do Brasil de 2019, eliminando cinco fases da competição. Além do título, uma grande vantagem para uma equipe que precisa fazer deslocamentos continentais para sobreviver no duro calendário do futebol brasileiro.

Torcida do Bahia recepciona o time na chegada à Arena Fonte Nova
Torcida do Bahia recepciona o time na chegada à Arena Fonte Nova Felipe Oliveira/EC Bahia/Divulgação

As justificativas do Bahia

O técnico Enderson Moreira abraçou dois discursos que praticamente antecipavam o fracasso do Bahia na decisão da Copa do Nordeste. Além de afirmar que tem pouco tempo de clube e por isso não conhece o elenco com profundidade, sofreu com uma série de lesões que prejudicaram a montagem do time. Meias verdades, mas que não indicam exatamente o que foi o tricolor baiano nos jogos contra o Sampaio Corrêa.

Enderson, bem assessorado pelo auxiliar do clube, Cláudio Prates, além do suporte departamento de Análise de Desempenho, tinha todas as ferramentas para escolhar a melhor equipe para os 180 minutos. No jogo final, na Arena Fonte Nova, contou com jogadores que se recuperaram de lesões, a exemplo de Júnior Brumado, Marco Antônio e Edigar Junio, titular na partida. O que se viu, na verdade, foi uma equipe que perdeu as suas virtudes e potencializou seus defeitos.

Mesmo quando convivia com desfalques, o Bahia mantinha a sua característica: posse de bola no campo ofensivo, marcação alta, rápida compactação defensiva e transições ofensivas velozes. Na Fonte Nova, estádio onde o tricolor aplica melhor o seu jogo, os pontos fortes do time eram vistos sem maiores dificuldades. Porém, desde que Enderson assumiu, o tricolor manteve uma postura diferente: lentidão nas transições, poucas triangulações e infiltrações na área adversária, muitas ligações diretas e baixo índice de finalizações no alvo.

Neste sábado, o time mais eficiente, mais disciplinado taticamente e com mais vontade de vencer foi o campeão. Uma lição para o Bahia, que apresentou uma apatia que pode lhe trazer muitas dificuldades na Copa do Brasil, na Copa Sul-Americana e no difícil Campeonato Brasileiro, mesmo tendo, ao seu favor, uma espetacular atmosfera dentro e fora da Arena Fonte Nova.


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Os critérios do Bahia para a escolha de Enderson Moreira

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br

Enderson Moreira deixou o América-MG para assumir o Bahia
Enderson Moreira deixou o América-MG para assumir o Bahia Gazeta Press

O Bahia resolveu manter a estratégia na escolha do seu novo treinador, e Enderson Moreira comandará o time até o final da temporada, com uma cláusula de renovação de contrato por mais um ano. Uma escolha que não surpreende, e que mostra que a ideia era justamente provocar um “choque” no vestiário.

A diretoria tricolor, durante o processo de identificação do perfil do novo treinador, percebeu que o trabalho de Guto Ferreira não foi tão ruim. Como já havia escrito neste blog, o desempenho (e, consequentemente, os resultados) fora de casa pesou para a sua demissão. No entanto, a estrutura tática e a forma do time atuar, buscando o jogo apoiado e a posse de bola no campo ofensivo, deram uma identidade que o Bahia não tinha há anos. Enderson Moreira se encaixa perfeitamente nos requisitos.

Assim como Guto, Enderson é um treinador experiente, mas que ainda pode ser incluído na categoria dos “emergentes”. Quando teve oportunidades em grandes clubes, não conseguiu corresponder à altura. Encontrou no América-MG a chance de recomeçar um bom trabalho e ser lembrado pelas camisas mais pesadas – assim como Guto fez ao acertar com a Chapecoense, em 2015. Quase dois anos e 111 partidas depois, Enderson melhorou a sua imagem no mercado e despertou o interesse do Bahia.

Dinheiro pesou

Na sexta-feira passada, Enderson Moreira declarou que só sairia do América se a diretoria do clube mineiro quisesse. Disse estar focado no objetivo do Coelho, que é a permanência na Série A, e reforçou sua vontade de terminar o trabalho. Até aparecer o presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, com uma proposta que balançou o treinador. Agora, terá que explicar o porquê de deixar um projeto consolidado para encarar um novo desafio na carreira, indo na contramão do que pregou há poucas horas.

Obviamente que o projeto de dirigir um time que está na segunda fase da Copa Sul-Americana, nas semifinais da Copa do Nordeste e muito próximo de carimbar vaga nas quartas da Copa do Brasil pesou. Com boas opções no elenco, a possibilidade de sair da zona de rebaixamento e fazer uma boa campanha no Brasileirão também tem influência direta na escolha. Comandar um clube de massa e projetar sua visibilidade em nível nacional ajuda, também. Porém, as questões financeiras foram preponderantes para a decisão de deixar o América-MG.

A proposta do Bahia, além de garantir um aumento salarial significativo para Enderson (praticamente duas vezes mais do que ele recebia no Coelho), abraçou também seus companheiros de comissão técnica. Chegam ao Fazendão o preparador físico Edy Carlos Toporowicz, o auxiliar técnico Luís Fernando Flores e o preparador de goleiros Ailton da Hora.

Enderson Moreira passou quase dois anos no América-MG
Enderson Moreira passou quase dois anos no América-MG Gazeta Press

Métodos de trabalho

Enderson Moreira é um daqueles técnicos que defendem a ideia de que o time precisa ficar com a bola o máximo de tempo possível. Compactação, pressão na perda da bola e uma troca de passes mais rápida foram as maiores preocupações do treinador nos tempos de América-MG. Partindo dessa ideia de jogo, o esquema tático variava: dos já tradicionais 4-1-4-1 e 4-3-3, até o polêmico 3-5-2, formação pouco usada no Brasil. Os esquemas giram em torno da versatilidade dos jogadores, questão importante na hora de tomar a decisão de qual sistema utilizar.

No Campeonato Brasileiro, Enderson não estava conseguindo fazer o América jogar do jeito que ele gosta. Em todos os jogos da atual edição, o Coelho teve menos posse de bola que seus adversários. Contra a Chapecoense, último jogo antes da parada para a Copa do Mundo, o time mineiro terminou com 49% de posse – sua maior marca na Série A deste ano. 

Nos jogos fora de casa, grande preocupação da diretoria do Bahia, o América teve média próxima dos 40%. Fruto de um elenco que, ao perceber suas limitações técnicas, passou a jogar de forma reativa. Com isso, o time ganhou estabilidade e faz uma campanha razoável no Brasileirão. Enderson, agora, terá uma equipe capaz de lhe proporcionar o estilo de jogo que gosta.

O Bahia fez uma aposta sem mudar radicalmente o perfil de técnico que tem buscado nos últimos anos. Enderson Moreira, por outro lado, faz a aposta que pode, novamente, elevar seu patamar na prateleira dos treinadores do futebol brasileiro.


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Um duplo ‘renascimento’: o casamento de Sport e Claudinei Oliveira, surpresas do Brasileirão

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br
Sport é vice-líder do Campeonato Brasileiro após 10 rodadas
Sport é vice-líder do Campeonato Brasileiro após 10 rodadas Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Quando o Sport anunciou que abriria mão da Copa do Nordeste em 2018, a região ficou perplexa. Afinal, abdicar da principal competição do primeiro semestre para se dedicar ao Campeonato Pernambucano não era uma decisão normal. Alegando questões financeiras, o rubro-negro rompeu com a Liga do Nordeste e seguiu o seu caminho longe dos grandes clubes da região.

A temporada, porém, mostrou que o Leão da Ilha tomou a decisão mais arriscada possível. O time foi eliminado na segunda fase da Copa do Brasil, num jogo dramático contra o Ferroviário-CE, e caiu nas semifinais do Campeonato Pernambucano. Pressão que fez com que Nelsinho Baptista, no início do Brasileirão, pedisse demissão do cargo de técnico.

Nelsinho, aliás, não conseguiu dar padrão ao Sport nos quatro primeiros meses do ano. Começou com o 4-4-2 e tentou variar o time para o 4-3-3 no início da temporada. Perdido nas ideias, tentou recuar os pontas e cravou o 4-2-3-1 como sua formação padrão. Quando recebeu sete reforços para a disputa do Campeonato Brasileiro, abandonou o barco.

É bem verdade, que Nelsinho Baptista, assim como um atleta que passa muito tempo no exterior, não conseguiu se adaptar. Os anos de trabalho no Japão o fizeram perder os hábitos do futebol brasileiro. Saiu da Ilha do Retiro detonando os dirigentes do clube.

O ‘renascimento’ de Claudinei

A aposta da diretoria, a princípio, não agradava ao torcedor. Claudinei Oliveira, recém-demitido do Avaí, foi o escolhido para continuar o trabalho no rubro-negro. No time catarinense, foi rebaixado à Série B e não conseguiu chegar às finais do estadual em 2018. Ganhou uma nova chance de figurar entre os principais técnicos da elite do futebol brasileiro.

Claudinei Oliveira volta à elite com boa campanha no Sport
Claudinei Oliveira volta à elite com boa campanha no Sport Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Com a ideia de recuperar o ambiente no Sport, Claudinei conseguiu resultados expressivos. Em oito partidas, são cinco vitórias, dois empates e apenas uma derrota. O time saiu da zona do rebaixamento para ocupar a vice-liderança da Série A.

A primeira preocupação de Claudinei Oliveira foi fazer com que o Sport tivesse identidade em campo. Investiu na construção de jogadas ensaiadas, principalmente nas bolas paradas, e buscou acertar a defesa. Deu certo. Alcançar padrão de jogo de uma maneira tão rápida foi o grande trunfo do treinador leonino.

Os pilares do Leão

Claudinei, formado nas divisões de base do Santos, recuperou sua vocação ofensiva dos tempos do Peixe e montou o Sport no 4-3-3. Marlone passou a ter mais liberdade para atuar como ponta, e por muitas vezes trabalha como um construtor pelos lados do campo. Rogério, jogador mais agudo e eficiente no um contra um, abre o campo e busca as jogadas de linha de fundo. Os dois trabalham para Rafael Marques, centroavante fixo, incomodar os zagueiros.

No meio-campo, um trio experiente. Anselmo, Fellipe Bastos e Gabriel formam a trinca que mescla força na marcação e criatividade. Sem a bola, os três formam um cinturão que também conta com as voltas de Rogério e Marlone, num 4-5-1 na fase defensiva. Com ela, municiam o trio de atacantes. Anselmo, terceiro jogador com mais desarmes no Brasileirão (37, de acordo com o Footstats), está sendo negociado e cedeu vaga para Deivid, que mantém o equilíbrio. Michel Bastos, por exemplo, ainda luta por uma vaga no time titular.

O ‘calcanhar de Aquiles’ de Claudinei Oliveira, porém, tem sido a defesa. Desde que o técnico chegou à Ilha do Retiro, o Sport tem média de um gol sofrido por partida. A zaga, formada por Ronaldo Alves e Ernando, ainda sofre com o processo de adaptação ao esquema, por muitas vezes ofensivo, e que exige dos laterais Raul Prata e Sander intensidade nas duas fases do jogo. O Leão é o vice-líder em finalizações no alvo (62), atrás apenas do Atlético-MG (67), muito por conta da participação intensa de seus laterais. Nos dois últimos jogos, porém, o time saiu de campo sem ser vazado – muito por conta da entrada de Deivid, volante que protege mais a defesa e com características diferentes das de Anselmo. Magrão, lendário goleiro leonino, ainda é a grande referência da defesa rubro-negra.

A expectativa é saber se o Sport manterá o bom desempenho no Campeonato Brasileiro. A parada para a Copa do Mundo pode ajudar Claudinei Oliveira a aprimorar o jogo da equipe, mas também pode tirar o embalo de um time que tem surpreendido na temporada. A ausência da Copa do Nordeste e de rivais com melhores referências técnicas no primeiro semestre, ao que parece, não fizeram diferença na vida do Leão da Ilha.

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Guto Ferreira deu ao Bahia o último motivo possível para sua demissão

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br

Guto Ferreira deixou o Bahia após derrota para o Grêmio, na Fonte Nova
Guto Ferreira deixou o Bahia após derrota para o Grêmio, na Fonte Nova Felipe Oliveira/EC Bahia/Divulgação

O Bahia perdeu sua primeira partida como mandante no Campeonato Brasileiro, e a derrota foi suficiente para terminar a passagem de Guto Ferreira pelo tricolor. O técnico, com o revés para o Grêmio, não resistiu à pressão da torcida e da própria diretoria, e foi convidado a deixar o Fazendão. Uma atitude que não surpreende.

Apesar de ter levado 2 a 0 dos gaúchos, o que determinou a saída de Guto, na verdade, foram os resultados longe de Salvador. Já havia escrito aqui no blog sobre o assunto. O desempenho do Bahia como visitante é sombra do que o time mostra na Arena Fonte Nova, e a consequência é a pior campanha fora de casa entre os times da Série A. A postura, por muitas vezes covarde, potencializou a rejeição ao trabalho do treinador.

Num ato quase desesperador, Guto Ferreira levou para a coletiva de imprensa os números do jogo contra o Grêmio. Alegou que o time teve mais posse de bola, criou mais chances de gol (enumerou até a quantidade de cruzamentos para a área adversária) e pisou no último terço do campo mais vezes que o seu rival. Em suma, buscou explicar que o resultado não refletiu o desempenho de sua equipe. Uma meia-verdade, já que o Grêmio mostrou a eficiência capaz de decidir jogos. Um nível que o Bahia ainda não atingiu.

De qualquer forma, Guto Ferreira deixa um legado no tricolor. Fez o time gostar da bola, buscar a posse ofensiva e envolver o adversário em casa. Na Fonte Nova, o Bahia voltou a ser respeitado. Deixou de ser um mero coadjuvante para ditar as regras dentro de casa. A prova de que o legado existe é que ele foi demitido justamente após perder a primeira como mandante na Série A. Um motivo que ele ainda não tinha dado aos dirigentes do clube. A sua demissão, porém, não é absurda.

E agora? Quem assume?

A diretoria do Bahia não deve fugir do perfil que tem buscado nos últimos anos: treinadores emergentes, estudiosos, que gostem do jogo de posse de bola e que saiba trabalhar com categorias inferiores. Com exceção de Paulo Cézar Carpegiani, técnico com bons resultados em 2017, os profissionais que assumiram o tricolor se encaixavam nessas premissas.

Mesmo com o trabalho elogiado, Carpegiani não deve ser lembrado. Nos bastidores, o Bahia entende que, fisicamente, o treinador não deixou um bom legado. Suas atividades técnicas e táticas não acompanhavam os trabalhos físicos, e o elenco começou o ano com um desequilíbrio nessa área. O diagnóstico, inclusive, foi determinante para que a diretoria buscasse outros nomes em dezembro, quando Guilherme Bellintani assumiu a presidência.

Cláudio Prates, 52 anos, assume interinamente o Bahia
Cláudio Prates, 52 anos, assume interinamente o Bahia Felipe Oliveira/EC Bahia/Divulgação

O Bahia espera que o novo técnico faça o time ter mais atitude fora de casa. Por ser um elenco montado para praticar o jogo apoiado, o tricolor não sabe jogar de forma reativa. Falta ousadia a um time capaz de mostrar desempenhos melhores dos que tem apresentado até então.

Zé Ricardo reúne alguns dos requisitos impostos pelo Bahia. Não é o nome dos sonhos, mas já entrou no radar tricolor desde a sua saída do Vasco, na noite do último sábado. É um nome que agrada, inclusive, Guilherme Bellintani. Marcelo Chamusca também é visto com bons olhos, mas pesa o fator experiência em grandes competições: o baiano já mostrou trabalhos de qualidade em Guarani e Ceará, mas não está acostumado com a pressão da Série A do Campeonato Brasileiro – algo que será levado em consideração pela diretoria, mas não é o fator definitivo para seu descarte.

Até a direção do clube tomar uma decisão, Cláudio Prates assume interinamente o Bahia. Auxiliar técnico do time principal e treinador da equipe sub-23, Prates já teve a experiência de treinar o América-MG na Série A, também como interino. Foi auxiliar de Cuca no Palmeiras, ano passado, substituindo Alberto Valentim.  Num mercado que tem valorizado trabalhos como os de Maurício Barbieri, Thiago Larghi, Osmar Loss e Odair Hellmann, Cláudio Prates pode ter a grande chance de surpreender. 


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Dentro e fora de campo, o descompasso do Vitória na temporada

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br

Vitória perdeu para o Internacional por 2 a 1, no Barradão
Vitória perdeu para o Internacional por 2 a 1, no Barradão Maurícia da Mata/EC Vitória/Divulgação

“O Vitória foi um time que lutou, que brigou, que correu atrás”. As palavras do técnico Vagner Mancini, após a derrota para o Internacional, no Barradão, resumem o rubro-negro na atual temporada: um time que coloca a disciplina acima da técnica, resultado das limitações do elenco montado para as competições em 2018.   

O discurso do treinador do Vitória, nas últimas semanas, tem terminado quase sempre num pedido quase que explícito de reforços. Para Mancini, o baixo rendimento do time está relacionado à ausência de mais opções no elenco. Um contrassenso, se forem levadas em consideração as contratações feitas pelo clube desde o início do ano.

Elias; Lucas (Jeferson), Walisson Maia, Aderllan, Pedro Botelho (Bryan); Lucas Marques, Rodrigo Andrade; Guilherme (Baumjohann), Rhayner, Wallyson (Lucas Fernandes); Denilson (Jonatas Belusso). Mais de um time foi contratado pelo Vitória em 2018, e praticamente todos foram avalizados pelo treinador rubro-negro. Entre lesionados e atletas disponíveis, são 39 jogadores no grupo vermelho e preto. O desempenho irregular da equipe não é por falta de opção, seguramente.

Diante disso, o que fica bem claro é que o Vitória não soube montar o seu elenco para disputar as principais competições do ano. Na teoria, o técnico também participa da construção do plantel e dá o aval para potenciais contratações. É uma responsabilidade dividida, mas que tem sido colocada em apenas um lado da balança.

É lógico que o poder da caneta é do presidente. Ricardo David, aliás, é um dirigente com pouca experiência no futebol. Delegou funções a outro inexperiente, Erasmo Damiani, que fracassou como diretor do principal departamento de um clube. Hoje, o Vitória tem o vice-presidente, Francisco Salles, como responsável por contratar atletas – outro dirigente que nunca exerceu a função. Porém, também existem decisões técnicas que influenciam diretamente no desempenho do rubro-negro no Campeonato Brasileiro.

Identidade confusa

O Vitória começou o ano apostando num modelo diferente de jogo. Saiu da ideia do modo reativo para tentar ser propositivo, mas em pouco tempo percebeu que os jogadores não se encaixavam nas características que exige o jogo de posse de bola. Em seu melhor momento na temporada, o rubro-negro resgatou seu jeito vertical de jogar e dominava o Campeonato Baiano – até perder o famigerado Ba-Vi das expulsões e do episódio da saída de campo deliberada.

Neilton segue como única esperança de bom futebol no Vitória
Neilton segue como única esperança de bom futebol no Vitória Maurícia da Mata/EC Vitória/Divulgação

Com quatro jogadores suspensos pelos tribunais após a confusão, Vagner Mancini se viu na necessidade de tentar reinventar a equipe. O Vitória transitou entre o 4-3-3 e o 4-4-2, com duas linhas bastante compactas, mas não conseguiu ter regularidade. Estourava para o torcedor as carências técnicas do elenco. O rubro-negro passou a ser um time que mantinha uma aplicação tática acima da média, mas dependente dos bons momentos de Neilton, içado a protagonista de maneira forçada, justamente por ser o único capaz de transformar o jogo no último terço do campo. Perdeu o título baiano e foi eliminado das copas do Brasil e do Nordeste. Daí a transformação no “time que lutou, que brigou, que correu atrás”.

O Vitória ainda contratará mais jogadores para o Campeonato Brasileiro. Não se sabe, ao certo, se serão jogadores acima da média dos que já integram o elenco. O grupo ficará maior, repleto de opções, como quer seu treinador. Porém, o rubro-negro precisa encontrar uma identidade para seguir na temporada. Confuso, tem vivido da luta, da briga, da corrida atrás dos resultados.

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Bahia completará dois anos de ‘bipolaridade’

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br

Zé Rafael comemora gol contra o Vasco, na Arena Fonte Nova
Zé Rafael comemora gol contra o Vasco, na Arena Fonte Nova Felipe Oliveira/EC Bahia/Divulgação

Os últimos jogos do Bahia na Arena Fonte Nova, por três competições distintas, trazem com fidelidade um recorte do desempenho do time nas últimas duas temporadas. A constatação parece estranha quando analisamos a irregular campanha do tricolor na Série A, mas ajuda a entender o trabalho de Guto Ferreira à frente da equipe baiana.

A lógica é bem simples: o Bahia é um time que tem como principal característica o jogo de posse de bola no campo ofensivo. Nos jogos que venceu até a sétima rodada do Campeonato Brasileiro, teve média de 55% de posse contra seus adversários. O volume de jogo depende muito da troca de passes entre a intermediária ofensiva e o último terço do campo. Quando falhou no propósito, tropeçou em casa – empatou com Atlético-PR e São Paulo tendo 41% e 49% de posse de bola, respectivamente.

Os números não trazem uma opinião definitiva, mas colaboram para o entendimento dos métodos de Guto Ferreira. Desde que chegou ao Bahia, em junho de 2016, refuta o jogo reativo e busca ter a bola nos pés. Foi campeão do Nordeste ano passado com um time leve e de bastante movimentação. Deixou a herança para seus sucessores, Jorginho e Carpegiani, que investiram na leveza de Mendoza para fazer o tricolor surpreender no Campeonato Brasileiro.

O treinador tentou, ao retornar à Salvador no início da atual temporada, o 4-1-4-1 como a formação tática inicial de sua equipe, mas logo percebeu que precisava novamente reforçar o meio-campo para dar liberdade aos leves Zé Rafael, Marco Antônio (ou Élber) e Edigar Junio. O volante Elton entrou na equipe e hoje forma dupla com Gregore. Vinícius, testado como um meia mais recuado, voltou a ser utilizado como meia armador na linha de três do 4-2-3-1. Guto resolveu retornar às suas origens.

Por gostar da bola, o Bahia tem um problema crônico desde 2016: é uma equipe frágil longe de Salvador. O time mostra uma incapacidade de jogar recuado, marcando a partir da intermediária. Dar a bola para o adversário é algo estranho para um grupo que está acostumado com o jogo de posse. Em sua trajetória no tricolor, Guto Ferreira venceu 13 jogos como visitante, mas apenas dois em competições nacionais – ambos na Série B de 2016, contra Avaí e Vila Nova. A maioria absoluta das vitórias fora da Arena Fonte Nova foi construída no frágil Campeonato Baiano.

O ‘fator Régis’

No jogo contra o Vasco, domingo passado, Guto Ferreira surpreendeu a torcida quando, na metade do segundo tempo, tirou o centroavante Júnior Brumado para colocar o meia-atacante Régis. O time ficou sem uma referência no ataque, mas deslanchou no jogo e marcou três gols na sequência. A ideia, apesar de não ter sido assimilava pela maioria que assistia ao confronto, era de confundir a defesa vascaína e abrir espaços para as infiltrações de Élber, Zé Rafael e do próprio Régis. Deu muito certo.

Mesmo reserva, Régis tem sido decisivo para o Bahia na temporada
Mesmo reserva, Régis tem sido decisivo para o Bahia na temporada Felipe Oliveira/EC Bahia

Régis já havia sido um fator de desequilíbrio na partida contra o Blooming, quatro dias antes, pela Copa Sul-Americana. Entrou no intervalo como um extremo direito, mas sua intensa movimentação no último terço do campo foi fundamental para que a goleada de 4 a 0 contra os bolivianos fosse construída. Na atual temporada, Régis entrou em campo em 23 jogos, mas foi titular em apenas seis. Vindo do banco de reservas, o meia tem sido mais útil, o que traz um grande dilema para Guto Ferreira: escalá-lo como titular, ou não?

É possível que a boa fase de Vinícius no primeiro trimestre tenha ajudado Guto a manter Régis no banco de reservas. Mesmo com a queda de rendimento do atual titular, o treinador o mantém no time, entendendo que Vinícius contribui defensivamente em muitos momentos do jogo. A solidez da defesa do Bahia, sexta melhor entre os clubes da Série A na temporada, também contribui para que o ataque tenha números expressivos – a participação de Régis na fase defensiva é mínima.

Ter um jogador de qualidade no banco, capaz ser decisivo quando escalado no segundo tempo, não é uma ideia tão ruim. Lógico que a titularidade também está atrelada ao nível de desempenho daquele que começa entre os 11, mas Régis já mostrou ser o atleta ideal para desmontar estratégias adversárias durante os jogos. 

Com ou sem Régis, o Bahia ainda não encontrou o seu equilíbrio em 2018. Ao mesmo tempo em que consegue ser quase imbatível na Arena Fonte Nova, não oferece tanta resistência quando atua longe de Salvador. Um problema crônico, e que não é de hoje. No fiel da balança, Guto Ferreira faz um bom trabalho no tricolor, mas ainda precisa fazer seu time ser mais ousado como visitante. Desta forma, quem sabe, dê o salto que todos esperam há tempos.

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Bahia completará dois anos de ‘bipolaridade’

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Diego Souza, Jean, David e uma nova postura dos grandes clubes do Nordeste

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br

Diego Souza foi vendido ao São Paulo por R$ 10 milhões
Diego Souza foi vendido ao São Paulo por R$ 10 milhões Gazeta Press

Quando o Sport anunciou a transferência de Diego Souza para o São Paulo, a torcida do rubro-negro pernambucano se dividiu. Enquanto alguns lamentaram a saída de sua grande referência técnica nos últimos anos, outros comemoraram as cifras conseguidas pelo Leão da Ilha: R$ 10 milhões, a maior venda da história do clube.

O Sport segue uma tendência que tem se tornado cada vez mais frequente no futebol do Nordeste. A negociação de Diego Souza somou-se a outros R$ 26 milhões arrecadados pelos grandes clubes da região na última semana. A dupla Ba-Vi, dias antes, também acumularam cifras significativas com vendas de atletas.

O Vitória negociou David com o Cruzeiro por aproximadamente R$ 10 milhões e diminuiu o enorme prejuízo financeiro registrado na última temporada. Já o Bahia faturou R$ 16 milhões com vendas de atletas da base – Jean foi cedido ao São Paulo por R$ 9 milhões; Juninho Capixaba chegou ao Corinthians após pagamento de R$ 6mi; e Rômulo ficou em definitivo no Busan IPark, da Coreia do Sul, pelo valor de R$ 1 milhão. Nunca o futebol baiano gerou tanta receita em tão pouco tempo.

Revelação do Vitória, David também rendeu R$ 10 milhões ao clube
Revelação do Vitória, David também rendeu R$ 10 milhões ao clube Maurícia da Matta / EC Vitória / Divulga

Além da grana, atletas também chegaram para fortalecer os elencos de Bahia e Vitória. As contratações fizeram parte do pacote de negociações e, indiretamente, também geraram receita. No caso do Vitória, além da manutenção de 23% dos direitos econômicos de David, dois jogadores do Cruzeiro foram envolvidos no negócio. Já o Bahia conseguiu adquirir os direitos federativos de Régis por mais três anos, e ainda terá mais um atleta cedido pelo São Paulo. Com relação à ida de Juninho Capixaba para o Corinthians, o clube paulista abriu mão do goleiro Douglas, que reforçará o tricolor em definitivo também por três temporadas.

A venda do goleiro Jean, de certa forma, também ajudou ao Sport. O clube pernambucano quitou uma dívida que tinha com São Paulo, relacionada ao atacante Rogério. Como detinha os direitos federativos de Régis, o Leão da Ilha, como pagamento da pendência, os repassou ao São Paulo, que transferiu o ativo para o Bahia.

As negociações ajudaram os clubes a buscar reforços mais qualificados, além de adquiri-los em definitivo, em muitos casos.

Jean foi vendido ao São Paulo por cifras recordes para o Bahia
Jean foi vendido ao São Paulo por cifras recordes para o Bahia ESPN

É lógico que os valores ainda estão abaixo do que o mercado pode pagar – Jô, 30 anos, sozinho, rendeu R$ 43 milhões ao Corinthians. Porém, é nítido o entendimento dos clubes com relação aos seus patrimônios. Em outras épocas, os clubes mais ricos chegavam ao Nordeste e levavam seus principais jogadores por migalhas. As últimas negociações mostram uma nova tendência, encabeçada pelos três clubes mais ricos da região. Se impor, mesmo que timidamente, num mercado voraz e avassalador, já uma espécie de pontapé inicial para uma inserção de maior destaque entre os grandes times do Brasil.

Reter os talentos ainda é um grande desafio. Vendê-los por valores justos, também.


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Diego Souza, Jean, David e uma nova postura dos grandes clubes do Nordeste

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Guto Ferreira está de volta ao Bahia, mas terá que exorcizar alguns fantasmas

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br

Guto Ferreira retorna ao Bahia após rápida passagem pelo Internacional
Guto Ferreira retorna ao Bahia após rápida passagem pelo Internacional Armando Paiva/Agif/Gazeta Press

O ex-presidente do Bahia, Marcelo Sant’Ana, certa vez me confidenciou que apenas dois treinadores deixaram um legado positivo na sua gestão: Sérgio Soares e Guto Ferreira. O primeiro, por ter trazido de volta ao tricolor um futebol ofensivo e destemido, enterrando o pensamento covarde que tomava conta de seus antecessores. O segundo, por ter cultivado um padrão tático que, mesmo contestado em diversas oportunidades, serviu de sustentação para que o time conquistasse resultados importantes nas duas últimas temporadas. 

É bem verdade que o novo presidente, Guilherme Bellintani, hesitou em aceitar o nome de Guto Ferreira como o seu primeiro técnico à frente do Bahia. Desenhou em sua cabeça o perfil de um treinador vencedor, mas caiu na real quando olhou para o mercado do futebol brasileiro. Guto, dentro das possibilidades do tricolor, é o nome que se vê disponível sem inúmeras ressalvas.

Na sua primeira passagem pelo Fazendão, Guto Ferreira mostrou defeitos. Aliás, teimosias. Não dá para negar que o Bahia poderia ter sido mais destemido, como pregava Sérgio Soares, sobretudo na Série B do ano passado. O time, longe de Salvador, era um esboço inacabado da equipe que jogava na Arena Fonte Nova. Com raros momentos, pareciam dois esquadrões distintos. Todos esses “poréns” são levados em consideração, mas não são maiores que as virtudes deixadas antes da saída de Gordiola para o Internacional.

Volto a falar do padrão tático. Por ter ficado um ano no Fazendão, Guto Ferreira teve tempo para amadurecer o time taticamente. Uma vantagem que faz dele o treinador mais bem-sucedido dos últimos anos no Bahia. O jeito de jogar do time foi moldado ao longo dos meses e facilitou o encaixe da equipe, gerando resultados. O padrão tático possibilitou ao treinador buscar também aprimorar detalhes do jogo, como bolas paradas defensiva e ofensiva, transições por dentro (o Bahia procurava sempre as transições ofensivas com laterais e pontas), além de determinadas variações táticas. O tempo ajudou Guto Ferreira. O legado é inegável, mas inacabado. 

Guto volta ao Bahia com a missão de seguir o que não conseguiu terminar. Terá a desvantagem de recomeçar um trabalho com passos atrás, já que boa parte dos jogadores que ele ajudou a amadurecer deixaram o clube, mas já sabe o caminho das pedras. Sabe também que não pode mais repetir os mesmos erros do passado. O Bahia, pela boa campanha na Série A de 2017, subiu o seu sarrafo de exigências. O padrão tático terá que se aliar a atitudes mais ousadas em momentos cruciais da temporada. Só assim o velho-novo treinador tricolor se desprenderá da desconfiança da torcida.


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Guto Ferreira está de volta ao Bahia, mas terá que exorcizar alguns fantasmas

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O grande desafio do novo presidente do Vitória

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br

Ricardo David foi eleito com mais de 52% dos votos válidos
Ricardo David foi eleito com mais de 52% dos votos válidos Maurícia da Matta/EC Vitória

Ricardo David será o quarto presidente do Vitória nos últimos dois anos e meio. Vivendo instabilidade política que parece não ter fim, o rubro-negro terá mais uma chance de fincar os pés no chão e se reestruturar para as próximas temporadas. Essa é a grande missão de novo mandatário. 

David tem a experiência de já ter trabalhado no Vitória. Foi diretor de marketing na gestões de Carlos Falcão e Raimundo Viana, entre 2014 e 2015. Na última eleição, perdeu por poucos votos para Ivã de Almeida, que renunciou ao cargo durante o Campeonato Brasileiro deste ano. Se diz preparado para mudar a mentalidade do clube e colocar o Leão na rota do progresso.

Pesa a favor de Ricardo David ser o primeiro presidente eleito pelos sócios do Vitória. Com a mudança do estatuto rubro-negro, os conselheiros passaram a dividir a responsabilidade com a maioria da torcida. Se continuar com o discurso de renovação de mentalidade, pode casar suas ideias com o momento de mudança política no clube. O Vitória, sobretudo no último ano, se arrastou em busca de gestão profissional e sofreu com a falta de capacidade de lidar com as exigências do mercado do futebol. Negociou mal, contratou com alto risco, tomou decisões precipitadas e comprometeu seu planejamento, quase levando o time à Série B. 

Novo presidente do Vitória terá mandato até setembro de 2019
Novo presidente do Vitória terá mandato até setembro de 2019 Maurícia da Matta/EC Vitória

O principal objetivo de Ricardo David é dar uniformidade aos processos dentro do Vitória. Para isso, contratou Erasmo Damiani, ex-coordenador das categorias de base da Seleção Brasileira, e que será o gestor de futebol do rubro-negro. A ideia é reformular a o Departamento de Inteligência, responsável pela avaliação de atletas; integração com as categorias inferiores; e implantação de uma filosofia de trabalho no futebol profissional, que vai desde a criação de uma filosofia de jogo até a identificação perfil do jogador que vestirá a camisa do clube. Damiani encabeçar um setor que terá a participação de dois gerentes: um para a base e outro para a equipe principal.

Por mais que o Vitória precise de um choque de gestão no futebol, é necessário que o clube se estabilize politicamente. Ricardo David, ao delegar funções para Erasmo Damiani, pode se preocupar em fazer com que o rubro-negro deixe de ser uma bomba-relógio prestes a explodir. Terá o trabalho de aparar as arestas criadas no conselho deliberativo, além de blindar o clube dos velhos “perus” (aqueles que puxam o saco da diretoria com o objetivo de obter privilégios). Mais do que um presidente, Davi precisará ser um excepcional político. Só assim, poderá durar bem mais que seus últimos antecessores.


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O grande desafio do novo presidente do Vitória

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Rubro-negros e o futuro do Nordeste no Brasileirão

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br

Vitória e Sport lutam contra o rebaixamento na reta final do Brasileirão
Vitória e Sport lutam contra o rebaixamento na reta final do Brasileirão Mauricia da Matta/EC Vitória/Divulgação

A rodada 36 do Campeonato Brasileiro deixou apenas cinco times na disputa contra o rebaixamento, e o cenário para Vitória e Sport não é tão animador. O futebol do Nordeste, muito provavelmente, terá um time degolado ao final da competição. A manutenção de um dos dois, porém, é algo bem provável. A queda dos rubro-negros seria uma catástrofe para a região.

Para escaparem juntos, Vitória, com 40 pontos, e Sport, 39, precisam terminar o Brasileirão à frente do Coritba, 15º colocado com 43 pontos. O time paranaense teria que perder os dois jogos, o Vitória somar quatro pontos e o Sport vencer seus próximos compromissos. Uma combinação que, pelo futebol de ambos, não traz confiança.

O rubro-negro baiano segue com sua sina de pior mandante da Série A. Oscila desempenho quando joga no Barradão, e se mantém com resultados negativos dentro de seu estádio. A instabilidade emocional do grupo, somada à falta que qualidade técnica no elenco, deixam o Vitória dependente de bons resultados longe de Salvador. A última cartada será contra a Ponte Preta, em Campinas, no jogo mais importante da 37ª rodada – ele pode determinar o segundo rebaixado da competição em caso de derrota da Macaca.

Veja os gols de Vitória 1 x 1 Cruzeiro

Contra o Cruzeiro, no último domingo, a equipe de Vagner Mancini não soube jogar defensivamente, algo que está acostumado a fazer como visitante. Quando tinha o resultado de 1 a 0 favorável, recuou e sofreu o empate no segundo tempo. Mesmo procurando jogar, esbarrou-se em suas limitações técnicas.

Já o Leão pernambucano, que venceu apenas três jogos dos últimos 19 (coincidentemente dois contra o Bahia e um diante do Vitória), decide o seu futuro contra o Fluminense, no Rio de Janeiro. Caso seja derrotado e haja um vencedor no confronto entre Ponte e o rubro-negro baiano, será rebaixado precocemente. Se empatar com o Flu, dependerá de uma combinação de resultados na última rodada. Em caso de vitória, pode até deixar o Z-4 se não houver um vencedor em Campinas. Uma montanha-russa de emoções que combina com o momento do Sport no Campeonato Brasileiro.

Daniel Paulista, que colocou o resultado contra o Bahia acima do desempenho, já não tem coelhos para tirar da cartola. A equipe, no domingo, sofreu por boa parte do primeiro tempo, chegou ao gol e tentou controlar a partida. Sem confiança, deixou a responsabilidade nas costas dos experientes Magrão, Diego Souza e André. São os três que mantém as esperanças do torcedor leonino viva.

Veja o gol de Sport 1 x 0 Bahia

A possibilidade do Brasileirão de 2018 contar com 20% de nordestinos, com Vitória e Sport se juntando a Bahia e Ceará, ainda existe. É difícil, mas existe. Torcedores baianos e pernambucanos estão olhando para seus próprios umbigos, certamente. Porém, o restante da região tem torcido fervorosamente por uma maior representatividade na elite do futebol nacional. 

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Bahia, Vitória e suas ‘identidades’ na reta final da Série A

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br

Bahia venceu a Ponte Preta na Fonte Nova e se aproximou do G-7
Bahia venceu a Ponte Preta na Fonte Nova e se aproximou do G-7 Marcelo Malaquias/EC Bahia/Divulgação

Paulo Cézar Carpegiani já tem seis jogos como técnico do Bahia, e já é possível entender como o time atua sob seu comando. A busca pelo jogo ofensivo e pela posse de bola no campo do adversário é quase uma obsessão do treinador. Diante da Ponte Preta, na Fonte Nova, uma prova: apenas um volante escalado no meio-campo, com quatro meio-campistas flutuando atrás de um atacante.  É bem verdade que o tricolor teve menos de 50% de posse na partida, mas chutou 16 vezes ao gol de Aranha e não deixou a equipe de Campinas finalizar contra o goleiro Jean.

Se os números não acrescentarão muito no desempenho do Bahia, a movimentação do time determina os conceitos de Carpegiani. O primeiro gol surgiu de um passe vertical de Allione, encontrando Mendoza no último terço do campo. O colombiano, ao contrário de seus primeiros jogos no tricolor, tem atuado como um segundo atacante, buscando muito mais o centro do que os lados do campo. Como o Bahia não conta com um centroavante fixo, as tramas entre Mendoza e Edigar Júnio têm funcionado – o segundo gol, inclusive, sai de uma jogada entre os dois e é finalizada por Edigar.

O Bahia, mesmo ainda precisando de pontos para confirmar sua permanência na Série A, já pode começar a ver o campeonato como um copo meio cheio. Entre os dez melhores, tem confrontos que podem colocar a equipe numa posição ainda mais confortável. O destino é capaz de, inclusive, deixar os tricolores sonharem com a Libertadores. O G-9, algo factível até o fim do ano, alimenta as esperanças de boa parte dos times na faixa intermediária da tabela.

Vitória arrancou empate nos minutos finais no Maracanã
Vitória arrancou empate nos minutos finais no Maracanã ESPN

Tentativas

O torcedor do Vitória já está acostumado com as atuações do time longe de Salvador no Campeonato Brasileiro. Basicamente, o time de Vagner Mancini se sente mais à vontade quando o adversário precisa tomar a iniciativa do jogo. Algo, porém, tem mudado na postura do rubro-negro baiano.

Conversei com Mancini na última semana, e tivemos um debate interessante sobre a forma de jogo do Vitória. Contra o Atlético-GO, no Barradão, o time teve a posse de bola, mas não conseguia infiltrar na área rival. Eu afirmei que o Vitória ainda não se acostumou a jogar com a pelota nos pés. O treinador discorda e diz que a equipe, sim, gosta da posse de bola. Independentemente de estar em casa ou fora, a busca é quase sempre pelo controle do jogo.

A postura inicial do Vitória contra o Vasco, no Maracanã, de esperar o adversário para definir o jogo nos contra-ataques, era quase uma certeza. Porém, o gol sofrido nos primeiros minutos da partida fez o rubro-negro subir as linhas e buscar o jogo de posse, como defende Mancini. No fim das contas, o time baiano teve 55,6% de posse e 16 finalizações – o gol de empate só saiu na última, em chute de André Lima. Indiscutivelmente, jogou melhor do que a equipe carioca.

Na ausência de bons resultados na segunda parte do returno, o que se observa é um Vitória que não consegue ser letal quando tem a posse de bola. O time até cria oportunidades, mas é efetivo quando tem campo livre para jogar. Fruto de um elenco com problemas de montagem, mas com um técnico que tenta buscar alternativas para a equipe sair da previsibilidade. A luta do Vitória contra o rebaixamento ainda é fruto de um esforço de um grupo que tenta superar seus próprios limites, apesar de eu não ter certeza se eles têm consciência de suas limitações.


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Luxemburgo temia mais um fracasso na carreira. Ele veio...

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br
Luxemburgo foi demitido após derrota na Copa Sul-Americana
Luxemburgo foi demitido após derrota na Copa Sul-Americana Getty

Vanderlei Luxemburgo chegou à sala de imprensa da Ilha do Retiro com cara de poucos amigos. Natural, pois sempre foi um técnico que odeia que explicar derrotas e desempenhos ruins. Porém, ao sentar na cadeira, surpreendeu ao comunicar que estava demitido do Sport. Uma história que tem se repetido em sua carreira na última década.

O trabalho de Luxa no rubro-negro pernambucano passou bem longe de ser aquele que o ‘pofexô’ pregava em seus discursos. Sempre elogioso ao grupo e à estrutura do Sport, chegou a declarar que ficaria por muitos anos no clube, como parte de um projeto que visava colocar o Leão da Ilha entre os gigantes do futebol brasileiro. Com um orçamento capaz de colocar o Sport num patamar acima, Luxemburgo falhou.

O que se viu na prática foi um time sem novidades. Aliás, o que já era esperado, pois Vanderlei repete exaustivamente que o futebol brasileiro é o mesmo desde que ele iniciou a carreira de treinador – e, é claro, as maiores inovações foram trazidas por ele. O Sport, com exceção à boa sequência de seis vitórias consecutivas entre junho e julho, que garantiu a equipe na zona de classificação à Copa Libertadores por um bom tempo, não apresentou um futebol consistente. Quando tentou reforçar o time, Luxemburgo contratou Wesley, meio-campista que pouco acrescentou até então. O Sport venceu apenas dois dos últimos 10 jogos, e não vence na Ilha do Retiro pelo Campeonato Brasileiro desde 20 de julho, quando goleou o Atlético-GO por 4 a 0.

Neste período de jejum, Luxemburgo comprou uma briga com parte do grupo rubro-negro. Após ser goleado pelo Grêmio, dia 2 de setembro, disparou contra a sua própria equipe ao afirmar que faltava comprometimento. Curiosamente, dias após a declaração, teve seu vínculo renovado até o final de 2018.

Luxemburgo diz que demissão é parte do jogo: 'Tinha certeza que isso ia acontecer'

A derrota para o Júnior Barranquilla, pela Copa Sul-Americana, foi somente a ponta do iceberg de problemas que o Sport vive dentro de campo. Sem identidade tática e nenhuma variação de jogo, o time pernambucano foi engolido pelos colombianos. Luxemburgo deu o motivo que a diretoria precisava para demiti-lo – apesar dos cartolas leoninos estarem longe do perfeito profissionalismo. O vice-presidente Gustavo Dubeux, ao justificar a demissão de Luxa, afirmou que o Sport perdeu para uma equipe melhor que a dele e decretou o Júnior Barranquilla campeão da Sul-Americana, mesmo tendo a partida de volta das quartas de final para disputar.

As palavras de Dubeux mostram uma desconexão com as metas ousadas do Sport, que agora focará apenas na sobrevivência dentro da Série A.

Luxemburgo temia mais um fracasso em sua carreira, mas ele veio. O ‘pofexô’ não teve como evitar. Apoiado no currículo que o consagrou como um dos melhores técnicos da história do futebol brasileiro, Vanderlei não buscou evolução. Talvez, acreditando que no Nordeste teria mais facilidade de colocar seus métodos em prática, manteve seus ortodoxos conceitos e foi traído por eles. A expectativa é saber se, desta vez, o técnico vai compreender que precisa deixar a arrogância de lado para voltar a figurar entre os grandes treinadores do país.

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O Ba-Vi das lições técnicas, táticas e sociais

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br

Bahia venceu o último Ba-Vi de 2017 por 2 a 1, na Arena Fonte Nova
Bahia venceu o último Ba-Vi de 2017 por 2 a 1, na Arena Fonte Nova Marcelo Malaquias/EC Bahia/Divulgação

A primeira metade do clássico Ba-Vi refletiu o que as duas equipes tem feito no Campeonato Brasileiro, mesmo que o segundo tempo não me dê razão. Enquanto o Bahia tentou jogar com a bola nos pés, como gosta Paulo Cézar Carpegiani, o Vitória apostou no jogo reativo, como o grupo se sente confortável e Vagner Mancini teve que se adaptar.

Parte dos números do jogo ajuda a explicar as posturas. Na primeira etapa, o Bahia teve pouco mais de 67% de posse de bola, mas apenas duas finalizações – mesmo número do Vitória, que ficou um terço do tempo com a pelota em seus domínios.

Carpegiani optou por começar o jogo com Allione, meia armador com características diferentes de Régis, um meia-atacante com poder de infiltração na área. O argentino se encarregou de dar apoio ofensivo a Edigar Júnio, usado novamente como atacante de referência. O Bahia, por muitas vezes, espelhou o esquema tático do Vitória e jogou no 4-4-2, formando duas linhas de quatro e dando liberdade para Mendoza flutuar no último terço do campo. Criou volume, mas pouco incomodou o goleiro Caíque.

O Vitória não soube jogar com a bola nos pés. Com Ramon no meio-campo, ao lado de Uillian Correia, somente Yago tentava o jogo de posse. Neilton e David, verticais, buscava o confronto um contra um o tempo inteiro. Uma identidade do rubro-negro de Vagner Mancini, sobretudo como visitante.

O Vitória até melhorou no segundo tempo. Sem espaço para contra-ataques, o time buscou a compactação e tentou a troca de passes. Porém, ainda tivesse 58% de posse de bola, sofreu o primeiro gol oferecendo espaços na defesa e contando com a falha individual de Wallace, que rebateu a bola nos pés do inquieto Stiven Mendoza.

Veja os gols de Bahia 2 x 1 Vitória

Com o Bahia se fechando após o 1 a 0, principalmente com a entrada de Matheus Sales em lugar de Zé Rafael, Carpegiani abriu mão de atacar para fazer algo que diz odiar: se defender. Ele diz, inclusive, que não sabe jogar na defensiva. Provou isso ao sofrer o gol de empate, mesmo em bola parada. Fez a Fonte Nova vir abaixo graças a uma substituição que havia feito minutos antes, quando colocou Régis em campo e deu um pouco de verticalidade ao time. Foi dele o passe para a finalização de Edigar Júnio, bem defendida por Caíque. No escanteio, desvio de Edson e gol de Edigar.

A posse de bola e o controle do jogo voltaram ao Bahia. É uma evolução. O Vitória segue com o jogo reativo e tem dificuldades para jogar com a posse da bola. Precisa criar alternativas. Na gangorra do Brasileirão, o tricolor voltou a viver tranquilo justamente por retomar suas origens.

Insultos e suas consequências

Antes do apito final do árbitro, Renê Júnior e Santiago Tréllez se desentenderam. O volante do Bahia acusou o atacante do Vitória de chamá-lo de “macaco” – uma injúria racial que, infeliz e absurdamente, tem virado rotina no futebol brasileiro. Renê saiu de campo chorando e Tréllez foi embora do estádio sem dar declarações, se pronunciando apenas horas depois, através de vídeo divulgado pela assessoria rubro-negra.

O que se viu na Arena Fonte Nova foi um despreparo de muitos personagens ao tratar do tema. Por viverem num mundo fechado, onde o futebol é prioridade quase que 24 horas por dia, a maioria dos profissionais do esporte não sabem lidar com situações que interferem diretamente na sociedade. Ao chamar Renê Júnior de “macaco”, a intenção de Tréllez era desestabilizar o atleta, mas esqueceu de que atingiu o ser humano. Não dá para aceitar tudo o que acontece dentro de campo como algo que “faz parte do jogo”. Não, mesmo.

As declarações do técnico Vagner Mancini e do presidente em exercício, Agenor Godilho, deixam claro o despreparo. Apesar de o treinador ponderar que a atitude de seu atacante é errada, tentou justificar alegando falta de fair play de Renê, que não havia devolvido uma bola. O dirigente classificou o caso como um “mal entendido”. Lógico que ambos defenderam o seu comandado, mas faltou bom senso ao tratar de um tema tão delicado.

A comunidade futebolística precisa ultrapassar as fronteiras do campo e se arriscar a respirar o ar rarefeito das questões sociais no Brasil.

'Tenho muito orgulho da minha raça e sou maior que isso', afirma Renê Júnior sobre Tréllez tê-lo chamado de macaco


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Carpegiani, o eterno vanguardista, usa do óbvio para fazer o Bahia evoluir no Brasileirão

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br

Paulo César Carpegiani é o quarto treinador do Bahia em 2017
Paulo César Carpegiani é o quarto treinador do Bahia em 2017 Felipe Oliveira/EC Bahia

O Bahia conquistou quatro pontos em duas partidas sob o comando de Paulo César Carpegiani, e é lógico que quase todos fazem relação dos resultados com o trabalho do novo técnico do tricolor. É cedo para dizer que o gaúcho mudou a cara do time, mas algo não se pode negar: Carpegiani não pode ser colocado na galeria dos ‘ultrapassados’ do futebol brasileiro.

A discussão sobre o nível de conhecimento dos treinadores em nosso país já dura um bom tempo. Quando aparece um novo nome no mercado, a esperança é de que ele revolucione e traga novas ideias, sobretudo táticas. Porém, a cada fracasso, a frustração toma conta da maioria dos analistas. Foi assim com Roger Machado, Rogério Micale, Zé Ricardo, Rogério Ceni, dentre outros. Jair Ventura, com um bom trabalho no Botafogo, e Fábio Carille, líder do Brasileiro com o Corinthians, são as exceções. Sobram os chamados ‘medalhões’: Mano Menezes, campeão da Copa do Brasil com o Cruzeiro; Renato Gaúcho, o famoso ‘técnico boleiro’, que conquistou a mesma copa em 2016, com o Grêmio; Cuca, quase sempre ortodoxo, faturou o Brasileirão do ano passado.

Apesar de contestados, os técnicos de uma geração mais antiga seguem em alta no mercado. Não era o caso de Paulo César Carpegiani. A última vez em que Carpê treinou uma equipe do chamado G-12 foi entre 2010 e 2011, quando comandou o São Paulo. Seus últimos anos tem sido de trabalhos razoáveis, como nas passagens por Vitória, Ponte Preta e Coritiba. Desde 2009, quando foi campeão estadual com o rubro-negro baiano, não levanta uma taça. No Bahia, tem a chance de mostrar que não está superado.

Carpegiani sempre defendeu que futebol é jogo de imposição de estilos. Seus times tentam jogar de forma propositiva, independente do adversário. Paga caro, muitas vezes, por ceder espaços e sofrer com contragolpes rivais, mas não abre mão de atacar. O Bahia dois últimos dois jogos é prova disso.

Rafa Oliveira mostra como Bahia pressionou, surpreendeu e venceu o Corinthians

Mesmo sendo defensor da posse de bola, Paulo César Carpegiani teve que abrir mão de algumas convicções para encarar Palmeiras e Corinthians. Contra o alviverde, teve mais posse de bola no primeiro tempo (53,2%), mas jogou muito melhor na etapa final, quando teve “apenas” 46,8%. Diante do alvinegro, a história se repetiu: 58,9% de posse de bola nos primeiros 45 minutos e 43,3% na segunda metade do confronto. Dos quatro gols marcados nas duas partidas, três aconteceram nos períodos em que o tricolor teve a bola nos pés por menos tempo.

Carpegiani, em suas primeiras semanas treinando o Bahia, já mostrou que a prioridade é reorganizar taticamente a equipe, que já mostra uma compactação perdida durante a passagem de Preto Casagrande. O time oferece menos espaços aos adversários e, ao mesmo tempo, ataca em bloco. Mesmo criando poucas chances de gol contra Palmeiras e Corinthians (13 chutes, no total), foi eficiente graças ao seu posicionamento ofensivo.

O novo técnico do Bahia, óbvio, não está entre os mais badalados do país faz um bom tempo. No entanto, mostra conceitos de jogo que se encaixam perfeitamente na realidade do futebol brasileiro. Pelo seu conhecimento, poderia contribuir para a evolução tática do esporte no país, mas pode, ao menos, levar o Bahia a um patamar superior na atual edição do Brasileirão.

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Carpegiani, o eterno vanguardista, usa do óbvio para fazer o Bahia evoluir no Brasileirão

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A autenticidade de Vanderlei Luxemburgo é também sua autodefesa

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br

Treinador vê no Sport a oportunidade de dar a volta por cima na carreira
Treinador vê no Sport a oportunidade de dar a volta por cima na carreira Carlos Ezequiel Vannoni/Gazeta Press

As duras palavras de Vanderlei Luxemburgo, após a goleada sofrida contra o Grêmio, foram o assunto do fim de semana no futebol brasileiro. O técnico do Sport foi enfático ao dizer que o grupo não tem se esforçado o bastante nas últimas partidas do Campeonato Brasileiro, dando a entender que alguns atletas não estão comprometidos com o clube. Uma entrevista coletiva corajosa, e que mostrou que Luxa está muito bem respaldado.

Normalmente, quando um técnico de futebol expõe o grupo publicamente, a tendência é que o comando seja trocado. Quase nenhum dirigente gosta de bater de frente com um elenco de 30 jogadores, e a solução mais cômoda é contratar outro treinador. Além disso, os jogadores se sentem “traídos” pelo comandante, o que resulta em declínio técnico intencional e, consequentemente, na queda do comandante.

Luxemburgo, ao que parece, utilizou de sua experiência no futebol para antecipar um cenário negativo. O treinador está cansado de ser rotulado como um profissional em decadência, e sabe que não pode dar mais uma brecha para as críticas. Quando foi aos microfones para expor seu ponto de vista sobre o desempenho do Sport no Brasileirão, sabia que precisava se isentar da maior parte da culpa. Quando diz que os jogadores precisam ter mais comprometimento, inibe a possibilidade do time fazer “corpo mole” para derrubá-lo – uma indolência em campo seria facilmente detectada pelo torcedor, que acharia o verdadeiro culpado. Nenhum passo de Vanderlei foi aleatório.

Luxemburgo se diz envergonhado com goleada sofrida e detona 'jogadores que tiveram atuação pífia' no Sport

Neste caso específico, parece que a diretoria ficou do lado de Luxa. Alexandre Faria, executivo de futebol do Sport, defendeu o técnico e afirmou que o time viveu o seu melhor momento nas mãos do “pofexô”. No entanto, os cartolas terão que ter um pulso que jamais tiveram na temporada, buscando dissolver os pequenos grupos formados dentro do elenco. Luxemburgo, ao dizer que só vai trabalhar com ele “os jogadores que vão sofrer e se doar 100%”, deu também um recado às referências técnicas da equipe, como Rithely e Diego Souza. Criou uma zona de atrito na Ilha do Retiro e espera vencer a queda de braço com o apoio da direção.

É inegável que Vanderlei Luxemburgo tem a sua parcela de culpa na má fase do Sport. Na coletiva, ele se isenta dos resultados e, em momento nenhum, se coloca como parte da vergonha - talvez temendo mais um fracasso na carreira. Porém, ao fazer uma cobrança pública aos atletas, escancara a necessidade de um maior nível de profissionalismo e comprometimento nos grandes clubes do Nordeste. Muitos atletas se sentem maiores que as instituições e, por muitas vezes, se acham donos delas. Acreditam que qualquer clube que esteja fora dos grandes centros é menor que a sua carreira no futebol. O rubro-negro pernambucano tem a grande oportunidade de fazer seus profissionais entenderem quem é o gigante desta história.


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Os ecos de Itaquera: do ‘bairrismo’ ao desabafo, méritos do Vitória... e do Corinthians

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br

Vitória, de Vagner Mancini, impôs primeira derrota do Corinthians na Série A
Vitória, de Vagner Mancini, impôs primeira derrota do Corinthians na Série A Gazeta Press

Ao final do jogo entre Corinthians e Vitória, quando o time baiano derrubou uma invencibilidade de 34 jogos da equipe paulista, a grande discussão ficou em torno da coletiva de Vagner Mancini.  O técnico retrucou os argumentos de um jornalista que, ao tentar justificar o resultado, usou como argumento uma hipotética atuação ruim do time de Fábio Carille, se apegando aos números de posse de bola e finalizações. Mancini classificou como “bairrista” a postura do repórter e defendeu a igualdade de tratamento entre as equipes que não fazem parte do eixo Rio-São Paulo.

A discussão sobre bairrismo na imprensa esportiva é antiga. Muitos profissionais, talvez por conta da disparidade financeira entre os clubes do Sudeste e o restante dos times do país, acreditam que o resultado de uma partida, obrigatoriamente, precisa ser favorável ao mais rico. É inadmissível Corinthians e Flamengo perderem para o Vitória em suas casas, ainda mais quando o adversário está na zona de rebaixamento. O futebol, para muitos, segue a receita do basquete ou do automobilismo, certamente: é quase certo que quem tem mais investimento sairá vencedor de um confronto.

A arte de defender o que é seu também distorce fatos do jogo. Normalmente, é mais fácil apontar os erros do perdedor do que as virtudes do vencedor – e, por muitas vezes, ambos tiveram mais virtudes que defeitos. Essa defesa provoca fissuras nas relações entre as regiões do país, ao ponto de nordestinos, por exemplo, não aceitarem que seus conterrâneos elogiem ou até torçam por clubes de outra região, justamente por certa prepotência existente fora do Nordeste.

Vagner Mancini questiona números e discute com repórter em coletiva após vitória sobre o Corinthians

Ah! Sábado, em Itaquera, tivemos um jogo.

A estratégia do Vitória foi tentar deixar o Corinthians desconfortável em seu próprio campo. E como fazer isso? Dar a bola ao time de Carille. Os alvinegros, acostumados com um jogo reativo e rápida troca de passes, ficou com a posse da bola durante 65% do confronto. Além disso, Mancini negou todos os espaços possíveis ao time paulista, impedindo as fatais infiltrações dos meias na área defendida pelo goleiro Fernando Miguel. Uma estratégia arriscada, mas que deu certo. Num contra-ataque, o Vitória garantiu o resultado que queria.

A derrota em Itaquera não significa que o Corinthians jogou mal. Futebol também é um confronto de estratégias, e a rubro-negra foi mais eficiente. Não há demérito algum em perder uma partida em que seu adversário apresentou um plano de jogo quase perfeito. O time de Fábio Carille impôs ao Vitória o desafio de se superar técnica e taticamente – não foi o Corinthians que diminuiu o seu nível, e sim a equipe de Vagner Mancini que buscou, em 90 minutos, chegar ao nível alvinegro.

O desabafo do técnico do Vitória expõe novamente um bairrismo exagerado, mas também toca numa ferida aberta há um bom tempo na imprensa esportiva: precisamos evoluir nas análises, assim como o futebol evolui dentro e fora de campo. Conclusões superficiais, cheia de chavões, parciais, de cunho populista e baseada apenas em números só reforçam o quanto ainda estamos muito longe do ideal. 

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Bahia age em silêncio na busca por um técnico. Medo de novo erro faz diretoria manter prudência

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br

Preto Casagrande segue como interino do Bahia
Preto Casagrande segue como interino do Bahia Felipe Oliveira/ECB

Ao contrário do que fez após a saída de Guto Ferreira, quando acertou a contratação de Jorginho poucas horas depois, a diretoria não Bahia não tem se apressado para anunciar um novo treinador. Quando entrar em campo contra o Atlético-PR, no domingo, o clube completará duas semanas com técnico interino. Ações silenciosas, porém, têm sido feitas.

A direção tricolor entende que o atual mercado não entrega boas opções. Alguns técnicos foram oferecidos ao Bahia, mas nenhum convenceu os dirigentes, que buscam um perfil compatível com a filosofia do clube - Jorginho foi a "ideia perfeita" na cabeça da cúpula do clube, mas tornou-se uma decepção na prática não só pelo desempenho da equipe, mas também por não ter conseguido fazer com que o grupo se convencesse de que seus conceitos fariam o time evoluir no Campeonato Brasileiro.

Preto Casagrande, interino desde o jogo contra a Chapecoense, na 18ª rodada, conta com o apoio do grupo para ser efetivado. Ele, inclusive, já declarou publicamente o seu desejo de se tornar técnico do Bahia. Pesa ao seu favor o ótimo relacionamento que tem com todos dentro do Fazendão, mas a diretoria ainda não está convencida de que seu nome é o ideal para comandar o tricolor no segundo turno da Série A. O temor é que Preto se torne um segundo Charles Fabian, auxiliar técnico efetivado em 2015, mas que fracassou na tentativa de recolocar o Baha na Série A - saiu do clube, inclusive, deixando desafetos no elenco.

O fato é que, mesmo com a desconfiança, Preto Casagrande tem deixado a diretoria bem à vontade. Como o time se distanciou da zona de rebaixamento e o interino tem deixando o ambiente mais leve, o presidente Marcelo Sant'Ana ganhou tempo para tomar sua decisão. O Bahia tem esperado o mercado de treinadores aquecer novamente para, aí sim, encontrar um profissional que se encaixe no que o clube deseja. Esta decisão, no entanto, deverá ser tomada logo após o jogo contra o Atlético-PR. É o tempo limite. Caso fracasse na tentativa de um novo nome, Preto deverá ser efetivado, sobretudo se conquistar um bom resultado em Curitiba.

O medo de errar novamente tem feito o Bahia ser mais prudente. A diretoria tem sido favorecida pelos resultados, que têm soprado à favor do clube, dando mais tempo para que a decisão seja tomada. Mais uma lição que a temporada deixou aos gestores tricolores.


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A demissão de Jorginho não é absurda, mas gestão do Bahia corre o risco do ‘mais do mesmo’

Elton Serra
Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br

Jorginho durou 14 jogos à frente do comando técnico do Bahia
Jorginho durou 14 jogos à frente do comando técnico do Bahia Felipe Oliveira/EC Bahia

Numa conclusão rasa, poderíamos dizer que Jorginho, no Bahia, foi o técnico certo na hora errada. Com conceitos de jogo modernos e ampla visão do futebol, o tetracampeão mundial poderia ter encontrado no tricolor o lugar ideal para decolar novamente a sua carreira e, de quebra, ajudar o clube baiano a se reestabelecer entre os grandes do futebol brasileiro. Não foi o que aconteceu.

Escrevi aqui no blog, quando Jorginho foi contratado, que o Bahia agiu com correção. Buscou no mercado um treinador que daria continuidade ao trabalho de Guto Ferreira, procurando aprimorar elementos que ainda estavam crus na equipe tricolor. A convicção da diretoria era tão grande que não demorou mais que dois dias para anunciar o técnico. A tacada parecia perfeita.

O futebol, como já sabemos, é um esporte que conta muito com o imponderável. É muito difícil cravar que as coisas darão certo. Jorginho, quando foi apresentado, elogiou o trabalho de seu antecessor e falou até em “brigar por coisas grandes” dentro do Campeonato Brasileiro. Comprou a ideia de que o Bahia, com o elenco que tinha, era capaz de lutar por uma vaga na Copa Libertadores. Talvez, precipitado, não percebeu que existia ainda um caminho muito longo a percorrer – o time, apesar de jogar bem, ainda tinha problemas. O discurso é extremamente positivo e força o clube a pensar grande, mas o técnico precisava entender a sua realidade.

Guto Ferreira deixou um Bahia com padrão de jogo. Sólido defensivamente, com transições ofensivas rápidas e um ataque de intensa movimentação no último terço do campo. O tricolor, em casa, era quase imbatível; fora dela, mesmo quando jogava mal, vendia caro as derrotas. A saída de bola, basicamente feita com os laterais, gerava amplitude que obrigava os adversários a abrir o campo: momento ideal para o trio formado por Zé Rafael, Allione e Régis trabalharem por dentro e criarem estrago.

Jorginho tinha a missão de corrigir defeitos. O time de Guto não era perfeito – aliás, passava longe disso. A equipe pecava demais nas finalizações e, além disso, carecia de alternativas táticas. Viciado no 4-2-3-1 com um atacante móvel à frente de três meias, o Bahia não encontrava soluções quando os oponentes neutralizavam seus pontos fortes. O novo treinador, talvez tentando encontrar essas alternativas, mexeu demais no time. O tricolor se desmanchou e, consequentemente, perdeu sua identidade. Jorginho, inclusive, passou a odiar comparações com o trabalho de seu antecessor.

O Bahia trocou a posse bola no campo ofensivo e a intensa movimentação no último terço por um estilo de jogo mais reativo, esperando o adversário no campo de defesa e partindo para decidir o jogo nos contra-ataques. Para isso, Jorginho efetivou o veloz Mendoza como titular e, aos poucos, jogadores como Régis e Allione foram perdendo espaço, a despeito de ambos não viverem grande fase. Longe de Salvador as coisas até que funcionaram, mas na Fonte Nova a equipe já não conseguia assimilar os novos conceitos. Com cinco jogos sem vencer como mandante, despencou na tabela da Série A.

É importante salientar que o Bahia também sofre com a falta de atletas capazes de manter o bom nível da equipe quando os titulares caem de rendimento ou, por algum motivo, desfalcam o time. Põe na conta da diretoria.

Com sua demissão, Jorginho voltou a levantar a interminável discussão sobre o tempo de trabalho dado aos treinadores de futebol no Brasil. O companheiro Renato Rodrigues, em seu blog, analisa muito bem a questão e escreve algo que concordo muito: “Apesar do pouco tempo no cargo, Jorginho não conseguiu mostrar um horizonte melhor pela frente, uma tendência de crescimento. Então a questão aí não é o tempo de trabalho, e sim o trabalho”. As poucas virtudes consolidadas que o Bahia possuía foram se perdendo ao longo de 14 partidas.

É extremamente ruim ter que mudar de treinador após dois meses de trabalho. Olhando o copo meio vazio, a diretoria do Bahia, agora, será criticada pela atitude “intempestiva”. Analisando pelo copo meio cheio, conseguiu enxergar que o time não iria evoluir nas mãos de Jorginho, e que os resultados já não estavam compensando a falta de bons desempenhos. Na ciranda do futebol, onde ontem você foi bom e hoje você é ruim, cabe ao clube encontrar a solução mais eficaz: buscar um técnico capaz de trazer de volta as virtudes da equipe, sem criar um novo conceito no meio da temporada, dificultando a assimilação dos atletas e, ao mesmo tempo, capaz de consolidar a tão sonhada identidade tática que o Bahia busca há algumas temporadas.


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