A justiça do VAR cobra um preço que ainda não sabemos qual é

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi

Guardiola e Pochettino: alegria e frustração em minutos
Guardiola e Pochettino: alegria e frustração em minutos Getty

A Copa de 1982 teve duas das comemorações de gol mais lindas da história do futebol: a de Falcão contra a Itália (veja aqui) e a do italiano Tardelli na final contra a Alemanha (veja aqui).

São resumos perfeitos da emoção de um gol. Uma explosão de euforia, catarse, loucura que não tem paralelo com nenhum outro esporte. A escassez de pontos no futebol é um dos motivos da paixão que ele desperta em tantas partes do planeta.

Quarta-feira em Manchester, o City fez um gol nos momentos finais contra o Tottenham. Este gol levaria o time de Guardiola à semifinal da Liga dos Campeões. Sterling, o autor, comemorou saindo em disparada, o estádio veio abaixo, Guardiola enlouqueceu, a câmera tremeu como se fosse um terremoto, resumindo a emoção que tomou conta do ambiente.

Este gol foi anulado por impedimento. A comemoração foi para o lixo, não valeu. O classificado foi o Tottenham. Justíssimo! Realmente houve uma irregularidade no lance, acertadamente detectada pelo VAR.

Como já disse inúmeras vezes, sou a favor do VAR. Acho que vai evitar erros grosseiros, injustiças imensas, dará mais limpeza ao jogo. Pelo menos quando bem empregado.

Isso não pode impedir críticas ao seu funcionamento e pelo menos o lamento pelo prejuízo que ele traz em alguns aspectos. A interrupção da explosão do gol é um deles.

A redação dos canais ESPN quase veio abaixo com o gol do City nos acréscimos. Não porque se trata de uma redação formada por ingleses de Manchester, mas porque o lance foi daqueles momentos que explicam porque tanta gente ama o futebol e ajuda a explicar por que aquelas pessoas escolheram ser jornalistas esportivos.

A anulação do gol foi um momento estranho, frustrante, como uma descoberta tardia de que Papai Noel não existe. O enredo digno de filme de Hollywood não se concretizou. Mas foi justo e sobre isso não se discute.

A Justiça fria traz  assepsia ao jogo, mas isso tem um preço. O receio é o de que em um futuro próximo, comemorações lindas como as de Falcão e Tardelli não existam mais. Pelo fato de que agora, quando um gol é marcado, não é mais possível saber na hora se ele foi legal ou não.

Isso leva a uma outra pergunta: o “neo” futebol seguirá encantando multidões pelo mundo? Por enquanto, esta é uma pergunta sem resposta.  Por enquanto está valendo a pena apostar que sim.

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Após atentado, não dava para cobrar desempenho do Palmeiras

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi

Era jogo para o Palmeiras entrar em campo, vencer bem e mostrar que a eliminação no Campeonato Paulista é coisa do passado e que as críticas sobre a falta de um melhor futebol não são justas.

O Palmeiras até venceu com facilidade, porém mais pela fragilidade do Junior Barranquila do que pelo que produziu. Acontece que um fato acontecido antes da partida embaralha qualquer avaliação.

Inacreditavelmente o ônibus do time foi recebido a pedradas no Allianz Parque antes da partida. Isso mesmo: a própria torcida (ou uma parte mesmo que pequena dela), agrediu o elenco no caminho do estádio que tanto orgulha o palmeirense.

O elenco ameaçou não entrar em campo. Enfim o jogou rolou, mas o time atuou de maneira burocrática e venceu mais uma vez graças aos talentos individuais e não por uma estrutura de time envolvente. Hoje, especificamente hoje, não ter feito um grande jogo é absolutamente compreensível diante do atentado sofrido.

Era jogo para o time fazer as pazes com a torcida. Não se sabe se isso seria possível, uma vez que a falta de evolução parece evidente em 2019. Porém, impossível fazer este tipo de cobrança após as pedradas.

Ônibus apedrejado
Ônibus apedrejado ESPN

Fica a vitória, fica a tranquilidade para a classificação na Libertadores e fica a melhor atuação de Dudu em 2019. O jogo do time ainda não apareceu. E as pazes com a torcida foram adiadas.

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Corinthians se classificou e o futebol perdeu

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi

Reservo o primeiro parágrafo deste texto para falar que acho Carille um ótimo técnico, que se colocou muito rapidamente entre os melhores do país. 

Posto isso, ele foi foi engolido por Sampaoli no Pacaembu. 

O torcedor corintiano tem todo o direito de comemorar mais uma batalha vencida. Jogadores podem sair de campo e falar a frase do momento: "a gente soube sofrer".  Mas nada disso esconde o que aconteceu na noite desta segunda-feira. O Corinthians não foi capaz de trocar três passes contra um Santos com um elenco  médio, mas que se mostrou obcecado pela bola, pelo ataque, pelo gol. Um time com fome de vitória.

As estatísticas são assustadoras. Chutes a gol 23 x 3, posse de bola 68% x 32, passes certos 473 x 126. Todas a favor do Santos.

Alguém vai falar que o Corinthians soube se defender, mas nem isso é verdade. Quem soube se defender foi o time de Sampaoli, que nunca foi incomodado.

Ao final da partida, Carille abriu sua entrevista coletiva dizendo que seu time jogou muito mal e está preocupado com o desempenho. É um alento. Cansamos de ver aqui no Brasil treinadores relativizando qualquer coisa em nome de uma vitória ou classificação mesmo que injustas.

O jogo produzido hoje por Sampaoli pode servir para que os resistentes revejam suas posições. Trata-se de um treinador de outro nível que hoje colocou no bolso um dos melhores do Brasil.

A desclassificação santista, este noite, foi uma derrota do futebol.

Corinthians se classificou na cobrança de pênaltis
Corinthians se classificou na cobrança de pênaltis Gazeta Press

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Na final do Carioca, Fernando Diniz é a referência mesmo fora da disputa

Eduardo Tironi
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O jogo proposto por Fernando Diniz pressiona Abel e Valentim
O jogo proposto por Fernando Diniz pressiona Abel e Valentim Reprodução ESPN

Flamengo e Vasco chegam à decisão do Estadual do Rio com muitas diferenças e uma semelhança.

Financeiramente os times vivem momentos completamente diferentes. O elenco de um e outro time também é praticamente incomparável.

Mas as duas torcidas se unem em um ponto: as críticas ao comando técnico de seus respectivos times.

Abel Braga e Alberto Valentim chegaram à decisão do Estadual tendo de enfrentar desde a desconfiança até a oposição clara de boa parte de seus torcedores. O Rubro-Negro entende que um time com tantos bons jogadores pode entregar mais jogo do que está entregando. E não engole a presença de Arrascaeta no banco.

O vascaíno sabe que o seu elenco não pode oferecer muito, mas também não aceita um jogo tão pobre.

A desconfiança e falta de paciência de um ou outro torcedor tem origem em um elemento que nem sequer estará em campo no próximo fim de semana. Ele atende pelo nome de Fernando Diniz.

Ah, como assim? O Fluminense perdeu para o Vasco na Final da Taça Guanabara e foi eliminado pelo Flamengo na semifinal do Estadual. Tudo verdade: mas mesmo com um elenco mais fraco do que seus rivais conseguiu incomodar. E na comparação, o Fluminense entregou neste campeonato mais “jogo” do que os dois finalistas.

Não chegou à decisão, porque os limites de seu elenco impediram.

A sensação é a de que o Flamengo não chegou nem perto do que o potencial do grupo indica. Todos os jogos contra o próprio Fluminense foram muito duros, com um equilíbrio muito maior do que a lista dos jogadores de cada equipe indica quando comparados.

No caso do Vasco, o raciocínio é outro: se o Fluminense foi capaz de desenvolver um jogo, como o Cruzmaltino não consegue, mesmo com as mesmas dificuldades dentro e fora de campo?

A final do Carioca colocará em disputa além do título, um “vale paciência”. Quem vencer, ganhará uma trégua, mesmo que breve. Quem perder não terá vida fácil em seguida.

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Carille, treino fechado e a relação com a imprensa

Eduardo Tironi
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Carille: mais tenso do que o normal?
Carille: mais tenso do que o normal? Eduardo Valente/FramePhoto/Gazeta Press


Fabio Carille deu entrevista coletiva nesta sexta-feira com um tom um pouco mais irritado que o normal (ele dificilmente se irrita). Decretou treinos fechados para este sábado e domingo, diferentemente do que sempre adotou.

O motivo: alguém da imprensa teria passado detalhes do que ele treina para adversários recentemente.

Primeiro sobre treinos fechados: treinadores têm todo o direito de fechar seus treinos se entenderem que isso é importante. No mundo isso é feito com frequência e não vira mais assunto em rádios, TVs e internet.

Segundo: sobre a relação treinador/jogador/dirigente e imprensa. No Brasil e no jornalismo esportivo engatinhamos ainda neste aspecto.

Ao pedir que câmeras não filmem o treino, mas ao permitir que jornalistas assistam ao que se passa em campo, Carille estabelece uma relação de confiança com a imprensa. O que, em certa medida, é perigoso. (relações com a imprensa devem ser profissionais e falo disso mais abaixo)

Se algum jornalista ali presente publicasse em um jornal, internet, blog, etc… o que se passou no treino, não estaria errado no seu papel, embora quebrasse uma relação de confiança proposta pelo treinador. O repórter estaria fazendo algo às claras, informando seu público. Agora, não dar esta informação publicamente e passar secretamente a um rival é inaceitável. E não é jornalismo.

Portanto, entendo que Carille está no seu direito de cortar esta relação de confiança e fechar treinos.

O técnico do Corinthians falou mais. Disse ter ouvido que estaria "mais arrogante" ultimamente. Como sempre deu entrevistas bem sinceras, gosta de falar do jogo, não esconde (não escondia, pelo menos) escalação, fala com clareza quando o time joga mal ou bem… soa estranho quando ele muda um pouco seu comportamento.

E ele também tem o direito de mudar.

Chego, enfim, à relação da imprensa com os personagens do esporte. Não há problema em uma relação ser tensa, desde que profissional. Perguntas duras podem ser feitas (desde que não sejam ofensivas), respostas duras também podem ser dadas na mesma medida.

Perguntar se o time jogou mal, criticar uma atuação, substituição ou o trabalho de um profissional do esporte faz parte do jogo. Ouvir respostas duras também.

Em outras áreas do jornalismo isso parece ser mais natural. Nos Estados Unidos e em boa parte da Europa ocidental a relação jornalista/entrevistado é naturalmente tensa.  Às vezes alguém passa do limite, mas com menos melindre do que vemos por aqui.

No jornalismo esportivo brasileiro, sobretudo nas relações com figuras de clubes de futebol, ainda tratamos a coisa meio na camaradagem. Quando alguém sai deste limite, surge um crise na relação. O ideal seria um trato 100% profissional. Ainda temos muito a caminhar neste sentido.

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Sem talento individual, Palmeiras cai

Eduardo Tironi
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San Lorenzo x Palmeiras
San Lorenzo x Palmeiras Getty

O Palmeiras perdeu para o San Lorenzo na Argentina e, de quebra, a liderança do Grupo F da Libertadores.

O que preocupa é menos não ser mais o primeiro colocado e mais a falta de jogo coletivo. Laterais cobrados na área, cruzamentos da intermediária, bola esticada para Deyverson ou para Dudu. O repertório do time de Felipão se limitou a isso.

A derrota veio graças a uma série de fatos que dificilmente acontecem numa mesma partida do Palmeiras, mas aconteceram: a falta de pelo menos um talento individual em um dia bom + fragilidade defensiva.


Em 2018, o Palmeiras foi campeão brasileiro exatamente porque algum jogador resolvia jogos e o time não sofria lá atrás. Mas quando precisou mostrar algo mais coletivo e elaborado, foi eliminado na Libertadores e Copa do Brasil.

Por enquanto tudo ainda são flores pelos lados da Academia. O elenco segue muito forte, as vitórias chegam naturalmente também porque defensivamente o time é muito seguro.

O problema é quando se precisa de algo além disso, porque este algo simplesmente não existe. O San Lorenzo, apesar do carimbo de “time argentino”, é  tecnicamente fraquíssimo. Nesta temporada disputa as últimas colocações do campeonato nacional. Mas na noite desta terça-feira foi muito mais organizado do que o time brasileiro e, com seu jogo coletivo, venceu a ausência de tudo do lado palmeirense.

Na entrevista pós-jogo, Felipão não reclamou da falta de jogo, mas das falhas defensivas. Esta é a sua preocupação e sempre vai ser. Ele aposta que ofensivamente algum dos muitos ótimos jogadores vai resolver.

A esperança de que a derrota desta quarta-feira não tira nada do controle está, pasmem, na declaração de Deyverson ao fim da partida. Mesmo sem ser perguntado, ele falou pelo menos três vezes do jogo do fim de semana contra o São Paulo pela semifinal do Paulistão. Quem sabe o time não estava com a cabeça em outro lugar e isso afetou o desempenho na Argentina?

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Para dar certo, o VAR precisa ser debatido

Eduardo Tironi
Juiz consulta o VAR em jogo da Islândia contra a NIgéria
Juiz consulta o VAR em jogo da Islândia contra a NIgéria Getty Images


A chegada do VAR ao Brasil dividiu o público que gosta de futebol em três grupos.

1 - O RADICAL CONTRA - É o sujeito que entende que o VAR destruiu a dinâmica do jogo. Para este ser, o futebol como ele sempre amou está morto e enterrado. Quem é a favor não passa de uma figura criada pela avó que nunca chutou uma bola na rua. Ele sofre quando o VAR demora para decidir lances e provoca um anticlímax devastador. Mas gosta de falar em seguida: “eu avisei”.

2 - O RADICAL A FAVOR - Este entende que o VAR chegou para organizar este mundo bárbaro de simulações, marcações erradas, erros e injustiças. Quem é contra ou quem critica o VAR é um ser medieval que não merece viver nestes novos tempos em que a tecnologia chegou para nos salvar. Quando o VAR corrige um erro, ele sorri e diz: “É isso...”.

3- O DÁ PRA MELHORAR - Este aprova o VAR, mas gosta de levar a conversa ao limite, testar a eficiência da ferramenta, jogar cascas de banana no caminho, procurar argumentos de parte a parte. Nunca vai reprovar o uso, mas sempre vai ponderar alguma coisa. Chega a ser meio chato.

Humildemente me coloco nesta terceira tribo. Sou a favor do VAR, quanto mais instrumentos para acabar com os erros melhor. Mas acho que muita coisa pode melhorar. Entre elas, a clareza sobre sua utilização.

No site da Federação Paulista de Futebol (FPF) existe uma página explicando como e quando o VAR deverá ser utilizado. Lá está escrito que ele deve entrar em ação na situação de pênalti mal assinalado. Sábado, Dudu cai quando Reinaldo põe a mão nas suas costas e o árbitro marca. Em seguida, é alertado pelos homens na sala de VAR que ele deveria rever o lance. Ele revê e anula a marcação.


O protocolo do VAR no seu item 3, diz: "A decisão dada pelo juiz em campo não será modificada a não ser que o vídeo mostre claramente que sua decisão foi um claro e evidente erro."

Para mim, este é um ponto central desta discussão. O que é um erro claro e evidente?

Vamos ao dicionário. O significado de claro é: “que não apresenta ambiguidade, não oferece dúvidas; explícito, inequívoco”

O significado de evidente é: “claro, aceitável, indiscutível pela incontestabilidade; indubitável, patente, irrefutável”

O pênalti em Dudu, ao meu ver, não é isso. Há quem entenda ter sido pênalti, há quem entenda não ter sido nada.

Sábado tuitei que o lance não poderia ser objeto do VAR, por não ter sido um lance claro e evidente. Hoje, entendo que me precipitei.  Por que? Porque o protocolo indica que todo os lances são monitorados, mas nem todos são compartilhados com o árbitro. No caso do pênalti, o que deve ter acontecido? Houve unanimidade dentro da sala de que não houve falta e orientaram o árbitro de campo a rever o lance. Ele voltou atrás. E me parece, agora, que este procedimento foi o correto.

Porém, há uma pergunta, que os radicais a favor do VAR não suportam: era um lance para o VAR ser acionado?

Depois de ler e ouvir muita gente boa que entende o assunto, eu entendo que sim. Mas este é um entendimento, não uma certeza. E os argumentos contrários não são desprezíveis. Muita gente que entende de arbitragem acha que não. E agora?

Só há uma saída: comunicação mais clara. A cada caso controverso, muito debate e aprendizado com as decisões tomadas. Para o VAR ser bem aceito, todos precisam saber ouvir. O radicalismo ensurdece. E cega.

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Para dar certo, o VAR precisa ser debatido

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VAR é o derrotado do clássico. São Paulo e Palmeiras estão satisfeitos

Eduardo Tironi

São Paulo e Palmeiras empataram em casa na primeira partida da semifinal do Paulistão. Jogo equilibrado, melhor no primeiro tempo do que no segundo, mas dá para reclamar apenas da falta de gols, porque o jogo merecia. (O que achei do lance do pênalti está no final do texto).

Para se classificar o São Paulo vai ter de conquistar a vaga no Allianz Parque, estádio em que nunca sequer empatou, sempre perdeu. Ainda assim, o time foi aplaudido pelos mais de 40 mil torcedores que foram ao Morumbi neste sábado.

Isso é significativo. Porque a torcida está vendo o nascimento de um time e percebendo que ele pode ficar bom. Parece estranho dizer isso quando estamos batendo na porta de abril, mas esta é a situação atual do São Paulo.

Fato é que o time jogou de igual para igual contra um rival muito mais estrelado, psicologicamente leve e com um trabalho de longo tempo. De novo, parece estranho comemorar "apenas" igualdade contra um rival histórico, mas nos últimos tempos isso aconteceu poucas vezes.

Este time, com jogadores da base destacados, terá mais paciência da torcida. Este foi mais uma vez o recado da arquibancada ao aplaudir logo depois do apito final. E esta paciência poderá ajudar no trabalho de reconstrução do São Paulo.

Já o Palmeiras sai de campo com um ótimo resultado. Poder decidir em casa é uma grande vantagem para um time experiente e com um elenco muito forte e numeroso. O jogo pela Libertadores no meio da semana é uma preocupação pelo desgaste.

O torcedor que cobra um jogo mais vistoso do time se contentou hoje (e deveria ter se contentado mesmo) com um palmeiras forte, que de novo fez uma partida no nível que o campo impôs. Contra um rival que incomodou e foi perigoso, o time de Felipão respondeu com segurança e equilíbrio entre defesa e ataque. E também incomodou. não ficou jogando apenas no erro do rival. Se pode jogar mais? Nesta tarde, fez o suficiente. Esta é a melhor resposta.

O VAR

Quem imaginava o fim das polêmicas com a implantação do VAR no Brasil está decepcionado. Por aqui, estamos conseguindo desmoralizar a ferramenta que deveria deixar tudo mais transparente.

Foi pênalti? Achei que não. Mas o árbitro me pareceu convicto de que sim, tanto que apitou sem titubear. O que o fez mudar de opinião? Alguém na sala dizendo que não houve de maneira nenhuma a falta e portanto ele deveria voltar atrás na marcação ou alguém dizendo que ele deveria olhar novamente para ter certeza da sua decisão?

Pergunte para dez pessoas se elas acharam se foi pênalti ou não e não haverá unanimidade. O VAR pode interferir em lances interpretativos neste nível?

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Além de demonstrar alegria pela volta, Pato precisa jogar. Muito.

Eduardo Tironi
Alexandre Pato foi apresentado nesta sexta
Alexandre Pato foi apresentado nesta sexta []

O São Paulo ganhou  uma "disputa" com o Palmeiras e contratou Alexandre Pato. Antes de tentar adivinhar se ele vai funcionar ou não é importante saber por que tamanho esforço.

Uma das principais motivações parece ser ganhar uma queda de braço contra o clube mais poderoso financeiramente do país. Mesmo que até agora não esteja claro qual o tamanho do apetite palmeirense no negócio. Mas de qualquer forma, a vitória dá um ar de ousadia e coragem para a diretoria. E muito do que a cartolagem atual do clube precisa é de apoio da arquibancada.

Por ter tido uma passagem de razoável para boa no Tricolor e por ter ido melhor no Morumbi do que no Corinthians ele tem enorme simpatia da torcida são-paulina. Não duvide de que a diretoria pensou também nisso na hora de abrir o cofre.

A partir daí, resta tentar decifrar outros pontos relevantes.

Em qual posição Pato vai jogar? Pelo lado, tirando a vaga de Everton ou Antony? Ele sempre jogou melhor pelo lado esquerdo. Vai se sacrificar jogando pela direita se necessário? Ou jogará pelo meio, tirando a vaga de Pablo, contratado a peso de ouro?  Fato é que muito improvável que ele fique no banco de reservas, considerando tudo o que envolveu sua contratação.


Ao longo de toda a carreira Pato foi um jogador pouco competitivo. Algumas vezes demonstrou até alheio ao mundo que o cerca. Ele terá a noção do momento histórico que vive o São Paulo, da pressão que é atuar pelo time, das cobranças da torcida? Veremos em campo um outro Pato?

A entrevista na tarde desta sexta-feira mostrou um jogador nitidamente feliz. Falou sobre o amor que nutre pelo clube e de como foi bem recebido no Morumbi.

O melhor desfecho para esta história seria desempenho e foco em campo na mesma intensidade de sua alegria desde que foi contratado.

Menos do que isso e a chegada do jogador vai ser como sempre foi a carreira de Pato: expectativa maior do que a realidade.

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Comparar Messi, Cristiano Ronaldo, Pelé... Por que não?

Eduardo Tironi


Vinícius Júnior disse em entrevista esta semana que trabalha para ser o melhor jogador do mundo em 2026. Neymar teria saído do Barcelona para se descolar de Messi e tentar ser protagonista em outra equipe para abocanhar o título de melhor jogador.

Cristiano Ronaldo e Messi disputam palmo a palmo a honraria ano a ano. Quando foi para a Europa, Robinho gravou um recado em sua secretária eletrônica mais ou menos assim: “Você está falando com o futuro melhor jogador do mundo.”

Ou seja: os jogadores de primeira prateleira, sim, se importam com isso. Seja por dinheiro, vaidade, competitividade… Isso não é algo irrelevante.

Quando algum jogador da atualidade faz alguma coisa fora do comum surgem logo as comparações. Messi x Pelé é a da vez. E isso parece incomodar muita gente. Seja porque acham o brasileiro eternamente incomparável com qualquer outro, seja porque devemos “apenas desfrutar do talento de gênios” sem querer apontar quem é o melhor.

Vamos por partes.

Em primeiro lugar não acho absurdo comparar Messi a Pelé. Assim como o brasileiro no seu tempo, o argentino é muito superior a praticamente todos os seus rivais (exceção a Cristiano Ronaldo), joga em alto nível há muito tempo e disputa campeonatos muito fortes. E ainda está construindo a sua história. Hoje, Pelé tem a “vantagem” de não atuar mais, portanto o que ele fez está aí, pronto. Todos os seus feitos são avalizados por quem o viu atuar (e consequentemente o julgamento tem uma dose de saudosismo e aquela coisa de “no meu tempo era melhor”). Messi terá a mesma “vantagem” quando parar. Seus netos, caro leitor,  ouvirão história incríveis de um argentino baixinho. Pode escrever.

Em segundo lugar, comparar é estabelecer uma competição, com vencedores e vencidos. Esta é a essência do jogo, esta é a essência do esporte. Ninguém liga para a máxima do Barão de Coubertin “o importante é competir”. Esportistas, naturalmente competitivos, querem mesmo é vencer. Torcedores querem ganhar, nem que seja a discussão.

Comparar é competir. Esporte é competição.


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Um jantar com Eurico Miranda

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi, blogueiro do ESPN.com.br


No dia 14 de março de 2017 Eurico Miranda esteve nos estúdios da ESPN para fazer um Bola da Vez. Ele só topou participar com uma condição: se fosse ao vivo. Condição aceita, o programa foi ao ar na mesma data. Depois do programa os participantes (eu incluído) saíram para jantar, já muito tarde na noite paulistana.

Dias depois escrevi sobre o assunto em uma coluna no LANCE!, que reproduzo abaixo.

Em 2017, como se fosse nos anos 80

O telefone toca e ele tira o aparelho do bolso da calça que está segura por um suspensório. O aparelho é flip (daqueles que você abre para atender, cujo modelo mais famoso foi o lendário StarTac da Motorola. Você mesmo deve ter tido um desses). Não tem email, whatsapp, aplicativos, internet… nada… Faz e recebe chamadas apenas. Pode parecer uma aberração hoje, mas era assim que a coisa funcionava não muito tempo atrás.

A conversa ao fone não dura mais do que cinco minutos e ele volta  a atenção para a mesa de jantar do restaurante. Ele não quer ver o cardápio. Prefere pedir seu prato à moda antiga.

Eurico Miranda, ex-presidente do Vasco
Eurico Miranda, ex-presidente do Vasco Thiago Ribeiro/Agif/Gazeta Press

"O que vocês servem aqui?" E o garçom: "Tem carne, tem massa...". Ele interrompe: "Eu perguntei o que vocês servem aqui. O que é bom? Qual a especialidade da casa?" O garçom: "É massa". Ele: "Então eu quero ravioli". Garçom: "Com qual molho?" Ele: "Sem molho". Garçom: "Só na manteiga?". Ele: "Sem molho."

Como em todos os estabelecimentos comerciais da cidade, é proibido fumar. Mas ele gostaria de acender seu charuto como nos velhos tempos em que isso era permitido. Gostaria de bater as cinzas num cinzeiro colocado à mesa (pensar nisso hoje em dia é quase como uma bizarrice. As mesas nem sequer tem cinzeiros em cima). E ganha uma autorização especial do dono da cantina, já que o restaurante está vazio no começo da madrugada em São Paulo.

Sua fragilidade física contrasta com seu discurso veemente e a voz ainda forte. Fala sobre tudo com um mau-humor que chega a ser engraçado. Olha para todos por cima dos óculos. É um homem que viveu e passou muitas coisas, entre elas uma doença gravíssima.

Tudo isso dá a esse personagem um charme sedutor. É irresistível tentar encontrar doçura naquela imensidão de truculência e ela é brota quando ele conta histórias do futebol de uma forma deliciosamente divertida.

Depois de algumas horas ao lado deste personagem, mesmo quem não soubesse de sua existência perceberia que se trata de alguém que vem de longe, que vive em um mundo distante das loucuras, da velocidade de tudo de hoje e que mantém seus hábitos e crenças intactos, como se ainda estivesse nos anos 80. Em 2017, Eurico Miranda é o presidente do Vasco.

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Carille e Sampaoli fogem da mesmice no clássico

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi

O clássico ganhou fogo durante a semana quando Fabio Carille foi perguntado em uma entrevista coletiva sobre as "novidades" que Sampaoli trouxe ao futebol brasileiro e respondeu: "novidades para vocês da imprensa".  A partir daí, o confronto entre os dois treinadores ganhou enorme expectativa. 

A notícia ruim para aqueles que ficam à espreita esperando uma derrota para dizer que tinha razão é que os dois treinadores trabalharam bem no empate de 0 a 0 em Itaquera.

Carille foi melhor do que Sampaoli no primeiro tempo. Adiantou a marcação, impediu que o Santos recuperasse a bola rapidamente e não correu riscos. Com menos posse de bola, teve o jogo mais controlado, o que indica que a questão não é a posse, mas a forma como o time se comporta em campo. E o Corinthians fez um ótimo primeiro tempo com chances de abrir o placar. Apenas Pedrinho destoava.

Sampaoli faz um trabalho diferente do padrão que temos visto no futebol brasileiro. E uma de suas características que sentimos falta por aqui é a inquietude. Seu time voltou para o segundo tempo com duas alterações: Cueva no lugar de Alison e Rodrigo no lugar de Jean Lucas. Se pouco incomodou no primeiro tempo por ter ficado pressionado em seu campo de defesa, o argentino respondeu fazendo seu time mais ofensivo. Em vez de se fechar, tentou jogar. E a segunda etapa santista foi bem melhor, com boas chances de marcar.

Temos falado muito sobre coragem, sobre formas de propor o jogo, sobre como o futebol brasileiro precisa se libertar do pragmatismo que virou uma espécie de praga que se alastra por todos os lados.

Carille e Sampaoli mostraram coragem neste domingo. Cada um a seu estilo, buscaram a vitória, não se contentaram com pouco, não jogaram apenas "no erro do adversário". 

O jogo não é só o resultado. O 0 a 0 de hoje foi menor do que o futebol produzido em Itaquera pelos dois times.

Sampaoli e Carille no clássico entre Corinthians e Santos
Sampaoli e Carille no clássico entre Corinthians e Santos Gazeta Press


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Corinthians não fracassa em jogo decisivo em 2019. Até quando?

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi


Em 2019 o Corinthians não perdeu nenhum jogo que não poderia perder. Este é o resumo do trabalho iniciado por Fábio Carille no começo do ano.  Venceu os clássicos do Paulista, passou raspando duas vezes contra times muito mais fracos na Copa do Brasil e ontem se classificou na Copa Sul-Americana ao vencer o Racing na Argentina na disputa de pênaltis.

Cássio foi o nome da classificação ao defender a cobrança decisiva do time argentino. O goleiro já está no panteão dos maiores jogadores que vestiram a camisa do clube.

Posto isso, vamos ao jogo. O Corinthians jogou contra o time que está perto da conquista do título argentino e em fim de temporada, portanto, mais pronto. Mas com um detalhe: na ida e na volta escalou a maioria de reservas. Nesta quarta-feira, apenas dois titulares iniciaram a partida.

Mas o time de Carille não perde jogos decisivos em 2019.

O primeiro tempo foi dominado pelos argentinos, no segundo o Corinthians melhorou um pouco ao avançar mais a marcação. Mas ainda assim foi pressionado e teve apenas 32,2% de posse de bola.

Mas o Corinthians de Carille não perde jogos decisivos em 2019.

Ainda no segundo tempo, o Timão teve até chances mais claras de marcar, sempre no contra-ataque, mas não conseguiu. E acabou sofrendo.

Mas o Corinthians não perde jogos decisivos em 2019.

Este é o mantra que pode ser repetido neste começo de temporada de Fabio Carille.

Não estava na conta de nenhum torcedor encarar logo na primeira fase da Sul-Americana um time tão forte quanto o Racing. E depois do empate em casa no primeiro jogo, a classificação também já não era tão esperada.

Mas o Corinthians não perde jogos decisivos em 2019.

As classificações aos trancos e barrancos e vitórias em clássicos dão oxigênio para tudo ser organizado com calma. Mas para esta maré seguir a favor, o Corinthians vai precisar mostrar mais.

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Corinthians não fracassa em jogo decisivo em 2019. Até quando?

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Corinthians precisa melhorar antes de uma tragédia

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi


A expressão de Henrique comemorando o primeiro gol ao fim do primeiro tempo dá a exata medida da confiança que o Corinthians adquiriu ao longo dos últimos anos. Ela dizia: "vamos virar este jogo."

E o Corinthians de fato virou sobre o Avenida em Itaquera pela Copa do Brasil na noite desta quarta-feira: 4 a 2. Mas o placar nem de longe representou o que foi o jogo.

O time de Fábio Carille sofreu horrores para se livrar de um de 2 a 0 contra que se meteu logo no começo do jogo. Os dois últimos gols corintianos saíram depois dos 40 minutos do segundo tempo.

A confiança citada acima foi um combustível importante para a virada. Porque de resto o Corinthians continua jogando menos do que deveria, mesmo considerando que estamos em começo de temporada.

Este é o segundo flerte com tragédia do atual Timão. O outro foi semana passada contra o Ferroviário, também pela Copa do Braisil. Um 2 a 2 em que o rival foi melhor o tempo todo e perdeu pela imensa inferioridade técnica.

Hoje o Avenida não foi melhor do que o Corinthians, mas perdeu também porque é muito mais fraco tecnicamente.

São Caetano, Guarani, Red Bull… são muitos os resultados ruins do time de Carille neste começo de ano. Mas as vitórias em jogos grandes compensaram tudo até agora: Palmeiras e São Paulo.

Difícil imaginar que Carille não consiga fazer este time render mais. Ele diz que já achou a ideia de jogo. Ela pode até existir, mas por enquanto não é muito segura.

Sobretudo porque o sistema defensivo falha mais do que o normal e do que se espera de um time de Carille.

Ainda é cedo para análises definitivas. Mas o Corinthians já deu alguns sinais fortes de que está muito longe do pode. E longe do que se esperava neste momento. Quando uma tragédia começa a bater muito na porta, uma hora a porta se abre.

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No caos do Maracanã, a vítima virou culpada

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi

Casal corre desesperado nos arredores do Maracanã
Casal corre desesperado nos arredores do Maracanã Gazeta Press

A imagem que simboliza muito do que aconteceu na final da Taça Guanabara do Campeonato Carioca entre Vasco e Fluminense  é esta acima. Um casal vascaíno correndo desesperado tentando proteger um bebê de colo.

No mundo como ele deveria ser, levar uma criança a um estádio de futebol não teria nada demais. Futebol é um lazer do qual o cidadão tem direito de ir e voltar para casa com conforto e segurança.

Mas no Brasil atual não. O casal que passou momentos de terror virou culpado na avaliação de muitos, sobretudo nas mídias antissociais. O pai foi um irresponsável por levar um bebê a um local perigoso. A mãe também.

Pouca coisa simboliza melhor a inversão de valores pelo que passa a sociedade brasileira do que isso. Define-se que estádio de futebol é um campo minado e, portanto, tudo o que acontecer com qualquer torcedor nos arredores é de responsabilidade dele.

Invocam o conselho tutelar, o Juizado de Menores e outras instâncias. E o verdadeiro absurdo do caso, que é uma final não ter torcedor (ou ter ou não ter ou ter ou não ter dependendo do que o juiz de plantão determinar) é tratada com a “indignação marqueteira” de momento e segue o jogo.


Deveríamos lamentar e muito o fato de uma família simplesmente não poder entrar em um estádio de futebol, a manifestação cultural mais importante do nosso país. Mas não: preferimos apontar o dedo para a vítima como se ela fosse a culpada.

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Na final da Taça Guanabara, a vitória valeu pouco

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi


Em duas televisões colocadas lado a lado na redação, o bizarro estava à mostra. Em uma delas, cenas de selvageria pura fora do Maracanã. Bombas, gás, correria, gente gritando, gente chorando, cavalos da polícia… Na outra, a bola rolando em silêncio no estádio absolutamente vazio na final da Taça Guanabara.

O que aconteceu na tarde deste domingo no Rio de Janeiro é de tal forma surreal que há argumentos de lado a lado,  pró-Fluminense e pró-Vasco da Gama. E por incrível que pareça quem tem razão não é o mais importante agora. O que importa é que a vitória dentro de campo do Cruzmaltino foi engolida por uma derrota de todos e, principalmente, do futebol carioca e brasileiro.

Há poucos meses estávamos achando inaceitável a final da Libertadores ser disputada na Espanha. Neste domingo, vimos torcedores impedidos de fazer o que é a razão de sua existência: assistir e apoiar seus times em uma final de Taça Guanabara.

Como a vida segue, o futebol precisa ser analisado.

O título do Vasco premiou o time que entendeu suas limitações, fez um jogo simples e sólido, contrariando até as pretensões de início de carreira de Alberto Valentim. Para um clube que sofreu e sofre tanto nos últimos anos, é um alento.

A derrota do Fluminense, por outro lado, não pode ser encarada como fracasso. O time de Fernando Diniz pela forma como joga é uma das coisas mais interessantes deste pobre começo de temporada do futebol brasileiro. Os limites técnicos podem impedir voos mais altos, mas é bom ver coragem em campo.

A Taça Guanabara vale muito pouco hoje em dia e esta é mais uma desserviço que a Ferj presta ao futebol carioca. A de hoje especificamente será muito mais lembrada pelas cenas tristes do que pelo que aconteceu em campo.

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Nem tudo vai bem no Corinthians, nem tudo foi ruim no São Paulo

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi
Carille durante derrota do Corinthians para o Red Bull Brasil
Carille durante derrota do Corinthians para o Red Bull Brasil Gazeta Press


O resultado se impõe: mais uma vitória do Corinthians sobre o São Paulo em Itaquera. Mas o placar não mostra tudo. 

Antes de entrar no ponto que pretendo deste texto, falo logo dos lances polêmicos.

Na minha opinião:

1 - Bola saiu no escanteio que deu origem ao 1o gol do Corinthians

2 - Antony fez falta no Avelar no escanteio que deu origem ao gol do São Paulo

3 - Não achei falta do Love em Volpi no 2o gol do Corinthians

4 - Achei mão do Carneiro no gol anulado do São Paulo.

Agora, sobre a partida, os times, etc…Questões que não se encerram no apito final deste domingo, mas coloca luz sobre o futuro de Corinthians e São Paulo.

O São Paulo de 2019 é tão carente de qualquer ideia que, por incrível que pareça, surpreendeu positivamente. Apenas quando comparado ao que vinha apresentando até então, óbvio. Brigou, lutou, não se entregou, mas seu limite é baixo. E perdeu mais uma vez em Itaquera, o que já não pode ser considerado algo fora do normal.

Mas o time de Mancini ao menos foi minimamente mais organizado do que o de Jardine. O banco para Diego Souza e Nenê e a escalação de Carneiro e Igor Vinicius foram acertos. E a derrota veio por conta de uma falha de Tiago Volpi, que chegou cercado de enorme expectativa, mas até agora não fez ainda o que grandes goleiros fazem: ganhar jogos. Pelo contrário, quando foi exigido, falhou em um gol.

Quanto ao Corinthians, Carille falou na entrevista depois da vitória que está encontrando o time ideal. Mas diante de um rival tão frágil, sua equipe poderia mais. Bola longa, cruzamentos na área...pouco para quem prometeu atuar com posse e troca de passes. A vitória veio mais por conta da fragilidade até psicológica do rival (que afinal nunca venceu em Itaquera) do que exatamente por virtudes corintianas.

De bom, Sornoza centralizado rendendo mais do que atuando pelo lado, Gustavo deixando definitivamente de ser apenas um atacante folclórico (apesar do gol sem querer, mostrou ótimo senso de colocação), e o gol de Manoel para dar confiança.

A vitória em mais um clássico dá uma enorme força mental e psicológica para o Corinthians e isso conta demais no mundo do esporte. Mas além de confiança, vai ter de mostrar mais jogo. E tem como fazer isso.

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A entrevista do anúncio de Cuca foi um resumo do que é o São Paulo

Eduardo Tironi

Cuca, Palmeiras, 2017
Cuca, Palmeiras, 2017 gazeta press

A maior vantagem da contratação de Cuca sem que o treinador assuma efetivamente o São Paulo é que neste período de “quarentena” ele não poderá ser demitido no clube grande que mais incinera técnicos no Brasil.

A situação é tão vexatória que o presidente Leco foi perguntado por um jornalista na entrevista coletiva sobre o espantoso número de oito treinadores que passaram pelo clube em sua gestão. A resposta foi: - eu não tenho certeza se foram oito mesmo.

Não há maior atestado público de incapacidade, inaptidão e despreparo. Porque tanto faz se foram oito, sete ou nove. Fato é que o São Paulo envergonha sua torcida há dez anos sem nenhum sinal de reação dos dirigentes.

Ou quase nenhum: porque ano passado Diego Aguirre levou milagrosamente o time para a liderança do Brasileiro.  Foi quando a diretoria entrou em ação e o demitiu a cinco rodadas do final do campeonato para dar lugar a André Jardine, provavelmente o erro de avaliação mais grotesco já feito nos últimos anos pelos lados do Morumbi. E olha que erros grotescos não são raros por ali.

RAÍ E LECO PONTUAM SEUS ERROS NO SÃO PAULO

Se Jardine deveria seguir no comando? Está evidente que não, desde quando foi incapaz de manter o time na quarta colocação do Brasileiro ano passado. Mas, justiça seja feita, ele é apenas um dos culpados.

Raí também deu sua contribuição na entrevista coletiva constrangedora. Visivelmente desconfortável, antes de anunciar o óbvio (Jardine não será mais o treinador), um dos maiores ídolos da história do clube passou pelo menos seis minutos falando das qualidades do profissional degolado. Um desavisado teria certeza que estavam falando da contratação de um novo técnico e não de uma demissão.

O nível de vergonha que o clube passa nos últimos anos chegou ao ponto de o anúncio de Cuca ser recebido com críticas sob quase todos os aspectos: desde o fato de que ele assumirá sabe-se lá quando  (depende de questões médicas) e até se é o nome ideal para trabalhar com um elenco lento e com média de idade de 30 anos.

Das duas uma: ou Cuca mudou a forma como pensa o jogo (marcação individual, intensidade máxima…) ou os alguns jogadores terão de ser dispensados.

Enquanto isso, o São Paulo terá Vagner Mancini “quebrando um galho”. Já pensou se por uma obra do acaso ele começa a fazer um bom trabalho?

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Corinthians classifica, mas ainda está confuso

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi



Corinthians tem uma vitória contra o Palmeiras dentro do Allianz Parque. E por enquanto, é isso o que garante calma pelos lados de Itaquera. Porque o desempenho do time até aqui tem deixado muito a desejar.

Nesta quinta-feira, o time de Carille por pouco não foi eliminado pelo Ferroviário em Londrina, na primeira fase da Copa do Brasil. Uma falha do goleiro Gleibson no primeiro gol e um chutaço certeiro de Gustavo resultaram nos dois gols do Corinthians, que garantiram o empate salvador.

A ressalva de que ainda é começo de temporada sempre é muito relevante. Há tempo de sobra para que Carille encontre a formação ideal e que os jogadores entrem em forma. O mais importante neste momento é não deixar que nada saia do controle (como um resultado muito ruim em um jogo grande). Neste ponto, o Corinthians até agora não falhou: venceu o Palmeiras e avançou na Copa do Brasil.

Mas Carille precisa ter uma alternativa para quando Jadson não vai bem, precisa encontrar profundidade pelos lados do campo, precisa ter uma zaga minimamente mais  segura.

Carille tem muito trabalho pela frente
Carille tem muito trabalho pela frente Gazeta Press

Outro ponto relevante: Carille prometeu o Corinthians de 2019 com posse de bola. Por enquanto, tem a posse de bola, mas ela não dá nem o controle da partida e nem significa ofensividade.

Em 2017, o Corinthians (também comandado por Carille) quase foi eliminado pelo Brusque na Copa do Brasil. Terminou campeão brasileiro. Resta saber se em 2019 ele vai conseguir encaixar as peças e fazer crescer o nível de atuação de seus jogadores como fez naquele ano.

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Se o São Paulo se salvar será a vitória do despreparo

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi









Quarta-feira que vem no Morumbi o São Paulo poderá inverter o resultado trágico colhido contra o Talleres em Córdoba porque no futebol tudo é possível, até o improvável.

Porém, mesmo que passe para a próxima fase da Copa Libertadores, isso não apagará a péssima preparação para o jogo na Argentina. A diretoria e a comissão técnica do São Paulo foram se colocando numa espécie de estado de coma aos poucos, com ações importantes que empurraram o time para a U.T.I. da Libertadores.

A demissão de Aguirre ano passado, a efetivação de Jardine, a Florida Cup, o começo de temporada titubeante (para se dizer o mínimo) que o treinador faz até aqui… foram gotas que encheram um copo que agora está a um ponto de transbordar e comprometer toda a temporada.

É verdade que o período de preparação foi curto, que treinadores são cobrados cedo demais e que se continuar assim nunca haverá evolução. Porém, Jardine assumiu o São Paulo dizendo que com o elenco que tinha em mãos poderia entregar mais do que Aguirre tinha entregado. Prometeu jogo ofensivo e posse de bola. Em Córdoba, o time teve 42% de posse. Contra o Santos 46%. Foram os dois jogos importantes que o time fez este ano.

Quando se promete muito, a cobrança no mesmo tom não soa exagerada. E a verdade é que o São Paulo de Jardine é no máximo parecido com o de Aguirre, com uma diferença fundamental: o time do uruguaio, mesmo nos seus piores momentos, não tinha um nível tão baixo de entrega e intensidade como o de Jardine demonstrou em dois jogos grandes: Santos e o segundo tempo contra o Talleres. (Dado aqui o devido desconto para o fato de ser começo de temporada e a questão física pesa).

De boas intenções o inferno está cheio, diz o ditado. Por mais interessante que seja a ideia de Jardine (e por enquanto tudo o que ele tem são ideias, com nenhuma execução aparente no campo) está bem claro agora que era arriscada demais para o momento do clube e os desafios que batiam na porta já em fevereiro.

Agora o estrago parece iminente. Como no futebol tudo é possível, o São Paulo pode até se classificar. Mas nada disso apagará tudo o que vem sendo feito de errado.

Como tragédias podem sempre piorar, Jardine corre o risco de ser demitido e não aceitar voltar para a base, onde tem bom trabalho reconhecido. Será a perda tripla: o São Paulo compromete a temporada, o clube perde um bom sujeito na base e o time principal fica sem treinador.

Vale lembrar que 25 conselheiros viajaram às custas do clube para assistir ao vexame em Córdoba. De perto, à beira do campo, será que enxergaram mais do que a imensa torcida tricolor vem enxergando?

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As lições de Palmeiras 0 x 1 Corinthians

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi


Os recados que o clássico Palmeiras 0 x 1 Corinthians passam:

Carille e o Corinthians mais uma vez demonstraram entendimento absoluto do que é um clássico. A maioria dos torcedores quer mais jogo, mais coragem, mais beleza. Mas TODOS os torcedores querem vencer. Se isso é uma pregação pela vitória a qualquer custo? Quem me acompanha sabe que não. 

Mas qual seria a alternativa de Carille diante de um rival jogando em casa, com mais jogadores talentosos e com um time praticamente pronto, senão colocar na cabeça de seus atletas que aquilo era um Palmeiras x Corinthians e que em um jogo desses todos os detalhes são importantes? Foi exatamente isso o que o treinador do Corinthians fez: deixou claro que em um jogo desses tudo o que não pode acontecer é passar ao torcedor a sensação de indiferença. 

Nos clássicos, mais do que nunca, a arquibancada vê sua representação no campo. Carille mais uma vez entendeu isso.

O Palmeiras vai precisar de mais repertório. A superioridade técnica e o elenco muito recheado não vão resolver a vida do time em todas as partidas. Ontem foi o exemplo. Diante de um adversário fechado e muito bem montado, restou ao time de Felipão jogar bolas na área, em vão. 

O Palmeiras tem uma temporada com muitos desafios ao longo do ano. Vai precisar entregar mais coletivamente e ofensivamente. Pelo tempo de casa, as peças e o prestígio que tem, Felipão já poderia estar fazendo isso.

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