Falidos, estaduais poderiam durar 1 mês e ser o encerramento do ano no Brasil

Bruno Guedes

Noves fora dirigentes de federações e a maioria dos lideres de clubes, todo mundo passa boa parte do tempo pensando em como o calendário do futebol brasileiro pode ser melhor. A reflexão passa, é claro, pela perda de tempo que são os estaduais disputados da forma atual, tomando muitos mais meses do que o necessário, com inúmeros jogos inúteis.

Tradicionais, as competições regionais já não fazem sentido nestes moldes. Ano após ano, ainda surgem invencionices, que tornam as coisas mais complicadas, vide o Campeonato Carioca, com semifinais e finais de turno que nada valem. Em geral, nos estados onde há duas forças muito maiores que as demais, o torneio se tornou uma mera procissão, de 12, 14, e até mais jogos, a espera do clássico na final.

Reginaldo Pimenta/Raw Image/Gazeta Press
Diego Flamengo Fluminense Final Taça Guanabara 05/03/2017
No Rio, Fla e Flu fizeram um dos muitos clássicos quase sem valor deste estadual

Eu também já me debrucei em uma proposta de calendário para nosso futebol, sem e com estaduais incluídos. Na minha cabeça, a Série A teria 20 times, a B contaria com 24, e a C seria disputada por 32 equipes. O quarto nível, em um primeiro momento, seria o último, com todos os demais clubes profissionais do país, em competição regionalizada.

Dentro desse cenário, os estaduais viriam depois do Brasileirão e durariam, no máximo, cinco semanas. A ideia é torná-lo uma grande festa de encerramento da temporada, com ingressos a preços populares, algo cada vez mais raro nas principais competições do país e do continente, onde imperam os planos de sócio-torcedor, por exemplo.

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Do Oiapoque ao Chuí, seriam oito participantes em cada regional, sendo eles, os melhores de cada estado no recém-terminado campeonato nacional, divisão por divisão. Os concorrentes seriam divididos em dois grupos, jogariam em turno único. Os dois primeiros avançariam às semis, cujos vencedores fariam a decisão.

Em uma projeção sobre o ano de 2017, o Paulistão teria Corinthians, Palmeiras, Ponte Preta, Santos e São Paulo, da Série A, Guarani e Oeste, da B, além do melhor entre Botafogo, Bragantino, Mogi Mirim e Sâo Bento, da C. O Carioca contaria com Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Macaé e Volta Redonda, mais os dois melhores entre Bangu, Boavista e Portuguesa.

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No Mineiro estariam Atlético, Cruzeiro, América, Boa, Tombense e Tupi, além dos dois melhores entre Caldense, URT e Villa Nova. O Gaúchão seria composto por Grêmio, Brasil de Pelotas, Inter, Juventude, Ypiranga, Novo Hamburgo, São José e Sâo Paulo. Em um sistema com Série D mais ampla, claro que a configuração mudaria, pois mais times poderiam disputar as últimas vagas nos estaduais, além de outras minúcias.

Em suma, o que se quer dizer é que é possível fazer um estadual mais enxuto, ocupando menos datas e tendo mais jogos relevantes. Isso claro, se a ideia seguir sendo de não abrir mão da existência destas competições. Basta boa vontade, mas também é preciso colocar de lado o velho clientelismo na relação entre federações e clubes. E sempre é bom ressaltar: a necessidade de mudança é urgente.

Matemática do Carioca: Bota e Vasco podem cair na Taça Rio e ir às semis do Carioca

Bruno Guedes

Se a Taça Rio, segundo turno do Campeonato Carioca, acabasse hoje, Botafogo e Vasco estariam fora das semifinais, o Alvinegro por ser terceiro colocado no grupo B, e o Cruzmaltino por ocupar a quarta posição do C. Levando-se em conta a situação atual nas tabelas, a queda nesta etapa não significaria a eliminação na competição para ambos, devido ao exótico regulamento, que pode até fazer uma torcida comemorar o título de arquirrival.

Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Botafogo, Montillo, Vasco, Nenê, Taça Rio, Campeonato Carioca, Estádio Nilton Santos, 2017
Botafogo de Montillo, e Vasco de Nenê podem cair juntos na Taça Rio e avançar juntos às semifinais

Os campeões de cada turno, mais os dois times de melhor campanha, levando-se em conta as partidas dentro dos grupos B e C, se garantem nas semis do Carioca. O Tricolor, que levou a melhor na Taça Guanabara, já está lá. O Flamengo, mesmo que nem passe desta fase atual da Taça Rio, também carimbou passaporte por ter 25 pontos no geral, sendo o time que mais pontuou até o momento. A equipe da Gávea tem  dez pontos a mais que o terceiro colocado na classificação geral.

Fora da zona de classificação no segundo turno, mas, logo atrás de Fla e Flu na tabela acumulada, o Vasco está em situação um pouco mais confortável. Se vencer os dois compromissos restantes, contra Boavista e Nova Iguaçu, assegurará vaga nas semis do campeonato. Na Taça Rio, Nenê e companhia só conquistaram seis pontos, aparecendo atrás do time das Laranjeiras (nove pontos), da Portuguesa (sete) e do Volta Redonda (seis).

O Botafogo, por sua vez, ocupa a terceira posição no grupo C, com sete pontos, atrás de Flamengo (dez pontos) e Nova Iguaçu (sete). Na situação atual das tabelas das chaves e geral do campeonato, o Alvinegro da Estrela Solitária dependeria do título de um dos dois já classificados às semis para conseguir avançar como segundo colocado no índice técnico. Hoje, Nova Iguaçu e Portuguesa, vice-líderes na Taça Rio, seriam as equipes que poderiam impedr a classificação do Fogão, sendo campeões do segundo turno.

Vale lembrar que a equipe comandada por Jair Ventura não conseguiu se classificar na Taça Guanabara, ficando na terceira colocação de sua chave. A segunda eliminação precoce, no entanto, não impediria a possibilidade de garantir presença entre os quatro finalistas do Carioca, de acordo com o regulamengo da competição.

Nas duas rodadas, especialmente, por as equipes dos dois grupos estarem se cruzando, há possibilidade de muitas mudanças ainda. O Resende, por exemplo, com quatro pontos na Taça Rio, ainda pode ir às semifinais e se manter vivo no campeonato. O Madureira, já fora do segundo turno, está a apenas três pontos do Botafogo no geral, então, segue sonhando em estar na briga pelo título.

No futebol carioca, além de torcer pelo seu time de coração, é bom estar em dia com a matemática para não errar nas contas.

Vasco precisa pensar em dezembro para fazer mudanças já em março

Bruno Guedes

"O Vasco vai para as cabeças", com essa frase, Eurico Miranda traçou a Taça Libertadores como objetivo para o clube na temporada 2017, em entrevista ao Bola da Vez. A eliminação na Copa do Brasil, nesta quinta-feira, após derrota para o Vitória, não anula a possibilidade de alcançar isso, pois, sabe-se que o dirigente fala do Brasileirão, devido a montagem tardia do elenco. A interrogação sobre o rendimento da equipe, no entanto, é válida, já que não houve um resultado positivo, sequer, contra equipe de maior expressão neste ano.

André Fabiano/Código19/Gazeta Press
Cristóvão Borges ainda não conseguiu uma sequência de bons resultados com o Vasco
Cristóvão Borges vem sendo contestado desde o anúncio de sua contratação pelo Vasco

O Gigante da Colina pode render mais, é um fato, já que Gilberto, Kelvin e Muriqui ainda podem jogar muito mais do que mostraram até o momento, Wagner tem potencial para se tornar peça importante, ao menos, para o decorrer das partidas, Luís Fabiano chegará ao condicionamento físico mínimo para atuar, Nenê tem capacidade para reencontrar o bom futebol e por aí vai. A grande questão é se Cristóvão Borges conseguirá fazer isso tudo,

Eurico banca Cristóvão Borges e garante: 'O Vasco vai para a Libertadores; quem viver, verá'

O treinador chegou a São Januário um dia após a tragédia com a Chapecoense. O anúncio passou quase despercebido e, a impressão, é de que a intenção era essa mesmo, já que não se tratava de alguém que agradava o torcedor. Desde o início do trabalho, em janeiro, e as primeiras partidas, na Florida Cup, pouco se percebe de evolução no time, derrotado por Corinthians, Fluminense, Flamengo, Vitória e Volta Redonda, que já tropeçou no Macaé e sofreu para vencer Santos, do Amapá, Portuguesa, da Ilha do Governador, entre outros.

No futebol brasileiro, técnicos são demitidos com mais frequência do que o bom senso indica, no entanto, o Vasco vai por um caminho perigoso, que lembra muito a última passagem de Celso Roth, em 2015, quando a diretoria bancou a permanência, apesar dos resultados ruins e do mau futebol apresentado. Para piorar, como já era visto desde meados de 2016, a equipe se arrasta em campo, especialmente, nas retas finais de partidas. É inadimissível um clube de Série A correr menos do que os pequenos do Carioca.

Eurico: 'Em todo esse meu tempo de futebol, só torço pelo Vasco, e torço para o Flamengo perder'

Claro que, o Gigante não pode ser refém de mudanças de comando, apenas. Ano após ano, se aposta em novos treinadores para "chacoalhar" o ambiente, o que mostra falta de planejamento, de existência de uma filosofia de trabalho. Contudo, pela relação com a torcida, por se tratar ainda do começo da temporada e, esquecendo a afirmação do presidente, entendendo que o Vasco começará o Brasileiro pensando em não cair, a saída de Cristóvão parece ser mais do que necessária, assim como a reavaliação sobre cada profissional envolvido com o futebol do clube.

Março está mais perto de dezembro do que se imagina. A nau cruz-maltina não pode esperar muito tempo para ter o rumo corrigido.

Ninguém mais pode duvidar do Botafogo

Bruno Guedes

- O Botafogo será rebaixado com sobras no Campeonato Brasileiro.
- Ficar na metade de cima na tabela é muito para o Botafogo.
- O Botafogo acabará morrendo na praia na briga para ir à Libertadores.
- Colo-Colo, Independiente del Valle, Olimpia: um desses eliminará o Botafogo.

De um ano para cá, você deve ter ouvido alguma destas afirmações, aliás, é bem provável que tenha escutado todas elas, em diferentes momentos. Não é preciso que ninguém diga que o time da Estrela Solitária destroçou análises, ignorou o pessimismo, muitas vezes vindo da própria torcida, e, dessa forma, estreará nesta terça-feira, às 21h (de Brasília), na fase de grupos do principal torneio do continente, encarando o Estudiantes, da Argentina.

Satiro Sodré/SSPress/Botafogo
Botafogo terá estádio lotado contra o Estudiantes-ARG
Botafogo estreará na fase de grupos da Libertadores contra o Estudiantes, da Argentina

É bem verdade que pouca gente vê façanha no que o Botafogo vem fazendo nos últimos meses. Sempre se prefere colocar o próximo desafio como intransponível, quando o anterior é superado. Até por isso, a primeira partida dos comandados de Jair Ventura na Libertadores vem ganhando proporções diferentes ao jogo inicial de outros brasileiros particiantes.

Em meio a comemoração por entrada no G-11, por badalação de contratação vinda da segunda divisão do Campeonato Chinês, a equipe de General Severiano segue ofuscada, ganhando menos destaque. Em um futebol definido pela lógica de mercado, em que exposição na mídia reflete em mais receitas, o clube já entra derrotado, em meio a uma concorrência desigual, em que o nada é notícia, às vezes.

A história desse Botafogo é tão grande, que o maior ídolo da atualidade, Jefferson, se machucou, ficou mais tempo fora do que se esperava e deu espaço para que outro goleiro, Gatito Fernández, se agigantasse e virasse herói de classificação. Camilo, por sua vez, virou mais do que o queridinho da torcida, virou Mito. Rodrigo Pimpão, diante de suas limitações, se tornou um símbolo, ao encarnar o verdadeiro espírito da Libertadores, que não é o da briga, do dedo na cara de rival, mas sim o da entrega incansável.

Jair Ventura quer bons resultados em casa para avançar às oitavas da Libertadores

Não pense você que, subverter a lógica, derrubar favoritos, contrariar críticos, gere oba-oba. Pelo contrário, afinal, a torcida alvinegra exerce com maestria o sagrado direito de cornetar e já sobrou para diretoria, técnico, jogadores e até para o departamento médico nos últimos meses. É um direito de quem vem empurrando o time em campo, dos que foram 40 mil contra o Colo-Colo e 30 mil contra o Olimpia.

A partir de hoje, fica o convite para que vejamos o Botafogo com outros olhos, não mais com os da dúvida. O time que estreia hoje na Libertadores pode não ser brilhante, não tirar 10 em jogo bonito, mas é um dos mais organizados do país. Nele, Carli virou um zagueiro de respeito, Aírton um volante que esqueceu as pancadas e passou a jogar bola, Montillo vai se esforçando para encontrar espaço e por aí vai,.

É claro que apostar no Alvinegro como campeão da competição parece loucura. Obviamente, não se trata de algo realista no momento, aliás, se cair na fase de grupos, não haverá demérito e as expectativas já terão sido superadas. Pode se afirmar, com absoluta certeza, no entanto, que não é mais possível duvidar desse Botafogo.

Traficantes de drogas já intervieram em guerra de torcidas no Rio

Bruno Guedes

O Ministério Público e a Justiça do Rio de Janeiro estão tentando encontrar uma solução para colocar fim a violência entre torcidas organizadas no Rio de Janeiro. A proposta mais recente é de limitar a presença nos estádios, durante clássico, a uma torcida. O que pouco se sabe é que até mesmo traficantes de drogas já tiveram que intervir para colocar fim a um confronto histórico entre duas organizadas do Vasco.

"Em 2006, dois grupos brigavam em todos os jogos que aconteciam em São Januário. Foi assim até o tráfico da Barreira (do Vasco) mandar parar. Era isso, ou eles iriam entrar no meio", contou um ex-integrante de facção cruz-maltina.

A pressão dos criminosos veio pelo temor de um aumento da presença da polícia na região. O ultimato dos chefes do crime organizado que atuavam em comunidade que ocupa o entorno da Colina acabou apaziguando ânimos, evitando um banho de sangue, já que as ameaças eram de ação extremamente violenta. O caso ajuda a mostrar que a solução vai muito além da torcida única nos estádios de futebol, não só no Rio, mas em todo o Brasil.

"Nessa hora, cada um sabe com quem tá brigando: Não é um time contra outro. É sim um grupo enfrentando outro", afirmou um torcedor, lembrando que os confrontos acontecem por interesses que vão além da "defesa" do clube de coração, conforme este blog mostrou em postagem recente.

Brigas entre torcidas cujos integrantes torcem para o mesmo clube já foram registradas em todos os quatro grandes do Rio. Em 2011, por exemplo, depois de jogo pela última rodada do Campeonato Brasileiro, membros de duas organizadas do Flamengo transformaram o acesso a estação de trem do Engenho de Dentro em praça de guerra.

Quem queria voltar para casa naquela noite ficou impedido por mais de uma hora. A população alheia ao jogo também não conseguiu utilizar o meio de transporte. Além das brigas, a polícia foi dura na repressão, com cavalaria e bombas de efeito moral, o que aumentou a sensação de pânico.

Outro torcedor, que já viveu a tensão de estar em emboscada e presenciou diversos confrontos em estádios, afirma que nem mesmo a decisão de suspender organizadas, proibindo membros de se reunirem e estarem uniformizados, teve efeito positivo na tentativa de reduzir a violência.

"Tirar o uniforme deles, só vai piorar, porque vão continuar se encontrando nos bairros, a porrada vai comer e sem identificação de organizada, ninguém vai poder falar que é da torcida", avalia.

Na semana passada, em meio a definição do local do clássico entre Fluminense e Flamengo, pela final da Taça Guanabara, o Ministério Público sugeriu a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) pelos grandes clubes do Rio.

Na proposta, haveria multa de R$ 3 milhões em casos de brigas que resultem em lesão corporal grave ou morte. Além disso, a torcida da equipe envolvida no caso de violência ficaria impedida de estar no estádio nos três clássicos seguintes. A princípio, os dirigentes do quarteto não enxergam o TAC, nestes termos, com bons olhos.

Até o momento, de acordo com decisão judicial, os clássicos da cidade seguem devendo ser disputados com torcida única.

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