As melhores frutas para quem treina

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Frutas têm propriedades e benefícios diferentes
Frutas têm propriedades e benefícios diferentes Shutterstock

Todos os alimentos têm um combo de nutrientes. Feijão não tem só proteínas, arroz não é só carboidrato e frutas não são apenas açúcar.  Quando falamos de energia para esportes de resistência, as melhores frutas para quem treina fornecem frutose, vitaminas e minerais que vão auxiliar tanto no rendimento como na recuperação. 

A frutose nada mais é que um carboidrato presente no açúcar das frutas e transportada para o fígado — onde é convertida em glicose, que logo estará disponível na corrente sanguínea. Parte dela vai para o fígado e outra parte para os músculos, gerando energia e auxiliando nos outros processos em que é necessária. 

“Muita gente já falou sobre a frutose ser vilã, mas, tudo que você consumir em excesso é prejudicial para a saúde. Fora isso, frutas são saudáveis e é muito melhor consumir a fruta (e a frutose) como fonte de energia do que algo industrializado”,  afirma a nutricionista esportiva, Priscila Arcanjo.

Frutas não são só açúcar

Na nutrição esportiva, é comum seguir a lógica de pensar mais em carboidratos ricos em amido para energia primeiro, depois por proteínas e gorduras boas para recuperação e reparação muscular. Por isso, muita gente se esquece das frutas.

“Não há fruta proibida. A não ser que você seja um indivíduo com alguma doença específica e, neste caso, precisamos avaliar de forma individual”, explica a nutricionista esportiva Priscila Arcanjo.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é consumir cinco porções ao dia, pelo menos 3 tipos diferentes de frutas e legumes para ficar longe dos riscos de diversas doenças inflamatórias e crônicas.

Mas se você pratica esportes de alta intensidade, precisará de mais do que isso. “4 a 5 porções de legumes por dia e de 2 a 3 frutas é a quantidade ideal diária para atletas de resistência. Aliás, é recomendado que se coma a fruta ao invés de ingerir o suco, por exemplo, para aproveitar mais as vitaminas, minerais que são melhores absorvidos pelo organismo se consumidos junto com as fibras da fruta inteira. Isso auxilia também a função intestinal“, continua Priscila. 


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Veja lista com as melhores frutas para quem treina
Bananas
Quando consumir?
Pré e pós-treino.

Contém uma quantidade de carboidratos que é rapidamente liberada na corrente sanguínea. Além de ser fonte de potássio, essencial para regular a contração muscular e prevenir cãibras. No pós-treino, adicionada de algum tipo de proteína, a banana ajuda a repor o potássio perdido no suor e complementa a receita para recuperação muscular.

Além disso, é uma das melhores frutas para o corredor em vários outros momentos. “Elas podem não ser tão convenientes como barras ou géis, mas são uma boa opção para pessoas que estão procurando por uma alternativa natural, menos processada, que basicamente faz a mesma coisa”, comenta Priscila.  

Frutas vermelhas
Quando consumir?
Pós-treino.

Amoras, framboesas, morangos, mirtilos. Todas as frutas vermelhas são de baixa caloria e muito ricas em antioxidantes que combatem os danos dos radicais livres, reduzem a inflamação, melhoram a recuperação e a imunidade. Consuma nos smoothies, por cima da granola com iogurte ou junto com frutas secas, como a tâmara. 

Frutas laranjas e cítricas (acerola, laranja, limão, pêssego)
Quando consumir?
Pré-treino.

Antioxidantes como as vitaminas A, C e E ajudam a proteger contra o estresse oxidativo e os radicais livres que se formam no corpo durante atividades físicas extenuantes. E, segundo estudo, comer muitos antioxidantes também parece ajudar a preservar a força muscular com a idade.

Maçã
Quando consumir?
Antes de treinos leves. 

Fonte de fibras solúveis, a maçã é rica em quercetina, uma substância anti-inflamatória. Ideal para lanches feitos nos intervalos do dia. Para aumentar a saciedade, consuma com oleaginosas (como castanhas, amêndoas, avelã e macadâmia) ou outra fonte de proteínas. É boa pedida também para consumir antes de treinos leves. A maçã tem carboidratos de baixo índice glicêmico e é de fácil digestão. Veja mais sobre os benefícios da maçã para quem pratica esportes.

Melancia
Quando consumir?
No pós-treino.

Uma das melhores frutas para quem treina. A melancia é composta por 90% de água, rica em vitaminas A, C e B6 que fornece energia para o corpo, além de ter propriedades como, zinco, ferro, cálcio, potássio e magnésio. No pós-treino, a melancia ajuda na completa hidratação, como um isotônico natural. Também é rica em óxido nítrico, melhorando a recuperação ao aumentar a circulação de oxigênio para sangue e músculos. Além disso, ela tem um aminoácido chamado citrulina, que é convertido em arginina, que ajuda na formação dos músculos e diminuição da fadiga, aumentando a resistência muscular.

Coco
Quando consumir?
No pré-treino.

Potássio, fósforo e manganês ajudam na aceleração do metabolismo, trazendo muita energia após consumi-los. Os ácidos graxos levam os nutrientes da fruta direto para o fígado, onde vira energia rápida ou compostos que protegem o organismo. Rico em ácido láurico, componente com propriedades antimicrobianas que fortalecem o sistema imunológico. Sua água é isotônica e ajuda a repor os nutrientes perdidos durante os treinos. 

O melhor momento é antes das atividades físicas, como um pré-treino natural, rico em gorduras boas. Mas, o coco também é ótimo para repor energia pós-treino.

Abacate
Quando consumir?
No pós-treino.

Repleto de gorduras boas e doses altas de glutationa, um poderoso antioxidante responsável por aumentar a síntese de GH, o hormônio do crescimento que está relacionado com a perda de gordura abdominal. Além da vitamina E, que aumenta a ação anti-inflamatória das gorduras ômega-6, ômega-9 e ômega-7, o abacate também é abundante em potássio, que regula a atividade muscular.  

Uva 
Quando?
Antes, durante o treino e no pós-treino.

Elas são de baixa caloria e ricas em flavonoides, antioxidantes que previnem o envelhecimento. Além disso, são ótimos “petiscos” naturais para não começar o dia treinando em jejum, ou substituir o gel de carboidrato durante um treino longo. Experimente congelar uvas no dia anterior e levá-las para correr. Outra boa ideia é preparar um gel de chia com o suco da fruta. Além dos benefícios da fruta in natura, um punhado de uva-passa valer por um sachê de gel de carboidrato durante o treino. 

Outra sugestão para consumir mais frutas é adicionar algum cereal, como aveia, por exemplo. “Conseguimos retardar o pico glicêmico, mas é recomendado fazer a ingestão de alimentos ricos em fibras com pelo menos 1h30 de antecedência de treinos ou provas, para não acontecer nenhum desconforto abdominal”, alerta a nutricionista.

O excesso sempre faz mal
O elevado consumo de frutose é associado com o aumento de índice de obesidade, alterações no perfil lipídico e na resistência à insulina. “Mas, além das frutas, produtos industrializados como o xarope de milho também são fonte de frutose. Ele é encontrado em diversos produtos industrializados. Por isso, olhe bem os rótulos do que você compra no supermercado antes de cortar as frutas da sua alimentação”, sugere a nutricionista. 

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Veja como se preparar para os 42k de Floripa

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Como se preparar para os 42k de Floripa
Como se preparar para os 42k de Floripa Divulgação

A Maratona Internacional da Cidade de Florianópolis – 42k de Floripa, uma das provas mais belas do calendário da corrida de rua no Brasil, já tem data marcada pra 2019: 23 de junho. E o primeiro passo para ter uma boa experiência em uma maratona é traçar um planejamento cuidadoso, seja no treinamento ou na logística.

Para te auxiliar nessa tarefa, o Ativo consultou o treinador carioca Fábio Freitas para oferecer dicas de treinamento e preparação a quem vai encarar as três distâncias da prova catarinense: 10k, 21k e 42k. 

Clique aqui e inscreva-se nos 42k de Floripa 2019!

A estreia na maratona

1) Defina uma estratégia e controle a empolgação

Cruzar a linha de chegada de uma maratona pela primeira vez costuma ser um divisor de águas para os apaixonados pelo esporte. Este momento marcante, no entanto, é precedido por uma fase de muitos treinos, alguns sacrifícios e a definição de uma estratégia de prova. Seguir à risca o que foi combinado com seu treinador é essencial para não correr riscos desnecessários, diz Fábio.

“O corredor deve fazer exatamente o que foi treinado. Em Florianópolis, ele vai encontrar um clima ameno, ideal para bons tempos, mas, para quem está começando no mundo das maratonas, é preciso se segurar e respeitar o que foi feito até ali. A estratégia de prova é importante. Quem se empolga na primeira parte da maratona pode pagar o preço lá na frente”, adverte o treinador.

2) Estude o percurso dos 42k de Floripa

Embora o percurso seja majoritariamente plano, vale a pena analisar o trajeto para não ter nenhuma surpresa em cima da hora.

“A prova começa e termina na avenida Beira-Mar Continental e tem pouca variação no relevo. O estudo do percurso é importante para que o corredor vá preparado psicologicamente para o que vai encontrar”, diz Fábio.

3) Esteja preparado para o frio

Na segunda quinzena de junho, Florianópolis tem temperaturas frias nas primeiras horas do dia. Como na edição de 2018 cerca de 80% dos participantes eram turistas, checar a previsão do tempo antes faz parte da checklist. O clima pode ser um aliado, desde que os atletas escolham uma roupa adequada para a largada.

“Quem está acostumado a correr em cidades quentes deve ter atenção redobrada na questão da escolha das roupas. Um detalhe como esse pode prejudicar o desempenho do corredor e arruinar meses de treinamento”, observou.

Clique aqui para conferir a planilha para os 42k de Floripa

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Recomendações a quem busca um RP nos 21k

A meia maratona é uma das distâncias mais desafiadoras e preferidas dos corredores. Se você está perseguindo um recorde pessoal nos 21k, controlar a alimentação, levar a planilha a sério e manter a motivação são atalhos para o tempo desejado. A rapidez do circuito e a boa estrutura do evento são garantias de que, com uma preparação impecável, o RP será um objetivo cada mais próximo.

1) Dieta equilibrada

Controlar a alimentação e consumir quantidades equilibradas dos nutrientes estão entre os segredos para que o corpo suporte a carga de treinos para uma prova de 21k em ritmo intenso. Isso não quer dizer que você tenha que abandonar os alimentos que gosta, mas sim reservá-los para os momentos adequados.

“Além da alimentação, uma prova de 21k já exige um cuidado com a suplementação, os geis de carboidrato e as cápsulas de sal. Teste previamente os produtos que você pretende consumir para saber como o seu corpo reage”, recomenda Fábio.

2) Mantenha-se tranquilo

Ansiedade e nervosismo são inimigos frequentes na mente de quem está atrás de um grande objetivo. Se não dosar a cobrança e controlar os nervos, o corredor pode prejudicar seu rendimento e terminar frustrado, não realizado.

“Sempre digo para aqueles que buscam um RP para que evitem o nervosismo. Fazendo tudo direitinho nos treinos, no descanso e na alimentação, o resultado vem. Mantenha a cabeça boa, afaste os maus pensamentos e tenha a motivação lá no alto. O fator psicológico conta muito em uma situação assim”, observa o treinador carioca.

3) Aposte em treinos intervalados

“Não existe evolução se o corpo não toma alguns sustos. Tirar o organismo da zona de conforto traz bons resultados e abre caminho para tempos mais velozes”, afirma Fábio.

Os treinos intervalados melhoram a capacidade de bombear sangue e extrair oxigênio, faz com que o corredor esteja preparado para suportar vários ritmos e obriga o corpo a utilizar as gorduras armazenadas. Esse conjunto de fatores turbina o atleta que pretende voar baixo em Florianópolis.

Planilha dos 21k abaixo de 2h: clique aqui

Vai correr os 10k pela primeira vez? Curta a experiência!

Assim que é superada a fase dos 5k, a porta de entrada para o mundo da corrida, os 10k representam uma ponte com metas cada vez mais expressivas. Para que o corredor continue firme na modalidade, os 10k devem, antes de mais nada, ser prazerosos.

1) Aproveite a paisagem

A prova de 10k em Floripa é chamada de Joy Run. Como sugere o próprio nome, a experiência deve ser alegre e leve. Para quem é iniciante, trata-se de uma oportunidade perfeita para ganhar mais rodagem na modalidade.

“A prova de 10k em Floripa é incrível. É uma distância boa para correr. Minha primeira dica é para que as pessoas se divirtam. Curta a paisagem e não se cobre tanto”, diz Fábio.

2) Não faça os 10k sem treinar

Para o que deveria ser algo divertido não se torne sacrificante, correr 10k ou uma distância próxima a isso previamente pode evitar sustos e sofrimentos desnecessários. O rigor com os treinos não precisa ser tão grande como na preparação para os 21k e os 42k, porém corridas regulares no período que antecede a Joy Run podem aproximá-lo do esporte e tornar a experiência ainda melhor.

3) Fique de olho na hidratação

“A hidratação não deve ser uma preocupação apenas durante a prova. Tenha sempre em mãos uma garrafinha de água para se hidratar antes, durante e depois dos treinos”, sugere Fábio.

Planilha para quem quer começar nos 10k: veja aqui.

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Quer emagrecer e ganhar condicionamento? Veja os benefícios de pular corda

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Quer emagrecer e ganhar condicionamento? Veja os benefícios de pular corda
Quer emagrecer e ganhar condicionamento? Veja os benefícios de pular corda Shutterstock

Se você está querendo eliminar alguns quilinhos extras e aprimorar o condicionamento físico, pular corda pode ser uma boa alternativa. De acordo com o personal trainer Rogério Sthanke, em 30 minutos pulando corda, uma pessoa chega a queimar até 350 calorias – mais do que consumiria correndo durante meia hora.

Exercício muito utilizado por pugilistas em seus treinamentos, pular corda oferece benefícios que vão muito além do emagrecimento, diz Sthanke. Para quem busca um trabalho complementar à corrida, trata-se de uma opção simples, eficaz e barata. Na Netshoes, um dos principais e-commerces esportivos do Brasil, um modelo de corda pode ser adquirido por R$ 7,90.

“Você consegue trabalhar o corpo de maneira inteligente. É um trabalho mental e físico. Os músculos principais que você trabalha são dos membros inferiores, com melhora do sistema cardiorrespiratório e ganho de coordenação motora e agilidade”, explica o treinador.

Uma das formas de evitar a fadiga é alternar os movimentos. Quem insiste no mesmo movimento ao pular corda eleva os batimentos cardíacos e perde o ritmo no exercício. Uma saída recomendada pelos treinadores é começar pulando com os dois pés e, em seguida, pular com um pé de cada vez.

Quem ainda não está acostumado a pular corda pode sentir dificuldades no início. Dominar o movimento das mãos e a sincronia com o pulo pode levar algum tempo, mas passa a ser automático assim que o movimento é assimilado.

“Uma pessoa iniciante vai ter que passar pelo processo de aprendizagem primeiro. Ela vai ter que ganhar coordenação motora e consciência corporal. Ela pode trabalhar de 5 a 10 minutos por dia, mas fazendo isso de maneira intervalada. Vai pular um minuto de corda e vai descansar dois minutinhos, até porque 10 minutos de corda para uma pessoa iniciante representam muito tempo. O fato de ela não ter consciência corporal aumenta o desgaste. A pessoa que pula corda há mais tempo cansa menos”, recomenda Sthanke.

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Passo a passo para pular corda

1) Escolha uma corda que seja compatível com o seu tamanho. Um bom teste é pisar na corda e checar se as duas pontas ultrapassam o seu umbigo. Caso a resposta seja positiva, é um indício de que a corda é adequada. Se você está começando, compre uma corda de silicone. Caso você erre o movimento, a dor no contato com a pele não será tão grande.

2) Se você ainda não controla o movimento de girar a corda, pegue-a com uma das mãos e a rode para frente. Tente fazer isso com a outra mão, até notar que o movimento está fluindo.

3) Salte com os pés juntos, sem dobrar os joelhos. Perceba o barulho do contato da corda com o chão para saber o momento exato de saltar. Em um estágio inicial, não acelere o movimento de girar a corda. Preocupe-se em ganhar consistência no exercício.

4) Aterrisse no chão com as pontas dos pés. Se você aterrissar com o calcanhar, o risco de lesão será mais alto. Priorize saltos curtos, uma forma de evitar o cansaço.

5) Se você ainda não tem muita agilidade com a corda, tente repetir os saltos por um minuto e, em seguida, descanse por dois. Dez minutos de treinamento diário já são capazes de provocar bons resultados.

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Corrida para ocupados: como incluir a prática na sua rotina

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Corrida para ocupados: como incluir a prática na sua rotina
Corrida para ocupados: como incluir a prática na sua rotina Ricardo Soares

É fato que praticar um esporte faz parte do equilíbrio de uma vida saudável. Falta de tempo para encaixar uma atividade física como a corrida de rua em uma rotina cheia de compromissos? Trabalho, família, vida social, viagens, projetos e outros planos se transformam na melhor desculpa para não começar, ou estar sempre naquele ciclo vicioso de começar, desistir e recomeçar. O “corrida para ocupados” é justamente para quem quer sair dessa situação.

Mas você acharia mais tempo se contássemos que correr pode fazer mágica nessa agenda lotada e ainda melhorar todos os outros aspectos da vida? Se exemplos dizem mais do que palavras, contamos histórias inspiradoras para mostrar que quando a gente quer de verdade, dá-se um jeito, não importa o estilo de vida.

Alguns acordam às 4h da manhã, outros treinam na hora do almoço ou nas altas horas da noite. Além da disciplina em comum, é necessário planejamento para não desperdiçar um minuto sequer. Por que fazem isso? Para ter um corpo bonito, ganhar likes e seguidores nas redes sociais, por pódios ou medalhas? Não. A corrida faz delas pessoas melhores.

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Corrida para ocupados: os exemplos da vida real

Nome: Flávia Regina de Oliveira
Profissão: Pediatra
41 anos, casada, mãe de dois filhos

Desafio: “Organizar tudo para ter um tempo pra mim sem prejudicar outras funções. Dar conta de ser mãe, esposa, pediatra, responder aos pacientes o tempo todo. Também sou filha, amiga, um pouco dona de casa e atleta amadora no meio do caminho. Não acho que dá pra fazer tudo 100%, mas dou o meu melhor, desde estar com meus filhos até fazer meus treinos”.

Não foi do dia para a noite que Flávia conseguiu administrar seu tempo para tudo entrar nos eixos. “Fui arrumando minha rotina para conseguir treinar seis vezes na semana. Os horários são encaixados dentro do que tenho que fazer. E sou bem metódica. Quando coloco um horário para o meu treino, é algo sagrado. Encaro como uma reunião, um compromisso comigo mesma”, conta.

Desde criança, tem uma vida ativa envolvendo muitos esportes. Balé, ginástica olímpica e natação, por exemplo, foram praticados até a adolescência. A natação durou até a faculdade de medicina. “Minha personalidade é muito pautada em cima do esporte desde cedo. Sempre fui movida a desafios. O esporte nunca foi estético, foi sempre para me sentir bem, que eu podia ir além. Existe um empoderamento na questão do ser humano mesmo: você traz à tona o que tem de melhor”, revela.

Flávia não conseguiu manter o esporte durante a residência, período mais sedentário de sua vida. Mas durante a gestação do segundo filho, em 2013, descobriu a corrida. “Meu treinador foi muito cuidadoso e consegui correr até o final da gravidez. A primeira prova foi em março de 2014, no Circuito das Estações. Corri 5 km para 38 minutos e achei que fosse morrer. Falei que nunca mais ia correr de novo”, relembra.

Mal sabia que no ano seguinte faria sua primeira São Silvestre; em seguida, três meias-maratonas e agora, quatro anos depois, prestes a fazer sua primeira maratona. “Hábito não nasce do nada. É uma construção. De repente vai achar aquele tempo que não tinha e perceber que tempo é questão de prioridade com você mesmo.”

Para ela, o esforço é a maneira de vencer as desculpas. “Se ficar deitada ou no sofá, aquilo que você quer não irá emanar dentro de você. O que vai fazer você explorar todo esse potencial é o esforço que faz para alcançar. O mindset é de crescimento: acreditar no potencial e no esforço para se chegar a ele. O esporte me trouxe isso”, finaliza.

Nome: Aparecida Ikegiri (Cidinha)
Profissão: Ginecologista e obstetra
32 anos, vai se casar em 2019

Desafio: “Logo que acordo só tenho tempo para tomar um café da manhã e sair para trabalhar. Trabalho quase todos os dias em lugares diferentes. Uma vez por semana eu tiro uma folga para me cuidar. Acordo às 5h30 e consigo fazer uma hora de treino pela manhã. Normalmente meus treinos são na esteira, depois de 12 horas de plantão. É bem comum pra mim fechar a academia com os funcionários”. Foi em meio ao caos do trabalho que Cidinha começou a refletir sobre todo o desgaste e a vida estressante que levava.

A paixão pela corrida gerou uma grande transformação. “O esporte e os hábitos saudáveis mudaram minha vida e me despertaram para o início de uma nova fase profissional. Hoje sou pós-graduanda em medicina esportiva e minha missão com o meu trabalho é poder transmitir para as minhas pacientes quanto uma vida equilibrada pode prevenir doenças, trazer saúde, bem-estar e longevidade”, conta.

A veia médica está presente desde criança, quando a mãe lhe deu um estetoscópio com apenas 3 anos. Mas a medicina na faculdade, na residência, foi uma época bem pesada. “Quase desisti. Na residência também foi uma experiência ruim. Essa coisa de hierarquia dentro da medicina é muito complicada. Não dormia nos meus plantões. Minha vida virou um inferno”, relata. A rotina de 100 horas semanais de trabalho a deixou no piloto automático.

“Acho que o ser humano tem um limite. Logo você está se descuidando, tratando mal os outros. É uma roda sem fim. Comecei a ficar estressada, agressiva. Tinha raiva da minha vida.” Foi no terceiro ano de residência que ela começou a praticar um esporte. Na vida pessoal, estava para terminar um noivado. O pai, alicerce da família, estava com câncer. Tudo aconteceu ao mesmo tempo.

“Pensei que precisava me mover para desestressar. Foi uma saída, também entrei na terapia. Isso foi há quatro, cinco anos.” A prática foi se tornando um hábito e tudo foi se desenrolando: terminou o noivado, ajudou o pai com o tratamento e retomou as rédeas da vida, com mais autoestima, produtividade e energia.

Hoje, apesar de trabalhar em três hospitais, consegue se virar para dar conta de tudo. “É tão corrido que ontem, por exemplo, atendi uns 70 pacientes. Nem sei dizer quantos partos eu fiz. Não dou mais plantão todos os dias, graças ao esporte, que foi crucial para me ensinar o que era importante. Na minha área, as pessoas acham que são mais fortes e não precisam dessa simplicidade. Acordar na sua cama e não no sofá do hospital. Comer bem, praticar um esporte, ter um tempo pra você. Trabalhar por 30, 40, 50 horas seguidas não é saudável. A classe médica hoje anda doente. Só consegui mudar quando comecei a praticar exercício físico mesmo”, aconselha.

Na corrida, ela se destacou. Virou influenciadora digital, conheceu o noivo, que também é corredor, e vai se casar em 2019. Além disso, abriu um consultório particular para atender mulheres. “Achava que não iria ter o meu espaço tão cedo. O despertar para essa vida equilibrada veio com a corrida e as redes sociais. Os dois me abriram esse caminho de inspiração para outras pessoas.”

Nome: Paulo César Simões
Profissão: Farmacêutico
39 anos, casado, pai de uma filha de 1 ano e 2 meses

Desafio: “Luto contra o tempo. Minha maior luta foi encontrar um jeito de dividir as tarefas: cuidar da minha filha, lavar roupa, cozinhar, ser parceiro da minha esposa, treinar de verdade e com objetivos e ainda realizar um bom trabalho. Se eu atraso 20 minutos em casa, são 20 minutos a menos de treino. Também sou eu que faço minha comida, a cada 15 dias, e congelo. Gosto de cozinhar e acredito muito na energia que coloco ali. Tento fazer o melhor possível. Se eu fizer certinho, o negócio flui”. 

Paulo é daqueles que já fez de tudo um pouco nesta vida. Há 15 anos trabalha como farmacêutico bioquímico, mas já foi professor de jiu-jítsu e animador de festa infantil. Era atleta profissional, estava prestes a ganhar a faixa preta quando a tia falou sobre ter uma profissão além do esporte.

“Deu um clique em mim. Metade dos meus amigos foi pro UFC e outra metade abriu academia de luta. Eu fui estudar. Fiz um curso técnico de laboratório e amei. Quando terminei o curso, consegui vaga para trabalhar na Unifesp, no Graacc”, recorda-se.

Trabalhou por 14 anos no laboratório de criopreservação de células-tronco para transplante de medula enquanto estudava para virar bioquímico. Há um ano, mudou de emprego e hoje é farmacêutico responsável pela manipulação de injetáveis, medicamentos para emagrecimento, diabetes, entre outros em uma clínica de estética e nutrologia em São Paulo (SP).

A rotina precisa ser sistemática para aproveitar o tempo ao máximo. “Acordo às 5h ou 6h para alimentar minha filha e preparar o café da manhã para a minha esposa. Depois disso, me arrumo para começar meu dia. Tem vezes que tenho dois treinos no dia, por isso já levo tudo no carro, uma mochila com roupas, comida e tudo o mais que precisar. Tipo MacGyver”, brinca. As sextas-feiras são sagradas para o descanso, porque sábado e domingo também têm treinos, geralmente longões, além de curtir a família e organizar tudo para a próxima semana.

Tamanha resignação para uma rotina regrada começou dentro de casa, bem cedo. Seu avô era do exército, corria e praticava jiu-jítsu. “Comecei a gostar de esportes por causa dele. Fiz atletismo no Centro Olímpico, basquete e judô. Depois fui para o jiu-jítsu. Quando tinha 14 anos, ficava correndo para lá e para cá, sem parar, um corredor bem pequeno na casa onde morava. Só parava quando vinha aquela sensação pós-corrida de bem-estar e satisfação. Acho que é a endorfina. Sempre, desde cedo, eu estava atrás dela”, conta.

A prova mais longa que já fez foi uma de 24 km, e já perdeu as contas das corridas que fez do Circuito da Corpore, dos Bombeiros, sua preferida. “O esporte faz parte da minha vida, é minha válvula de escape. Quando eu corro, tudo de ruim que passei durante o dia sai de mim”, explica.

“Imagine que nosso corpo é o mesmo que uma tábua de madeira com vários pregos. Se você remover todos eles, cada furinho vai continuar lá. Se a tábua for forte, ela vai aguentar e permanecer firme, mesmo com as marcas. A vida me deu muitos pregos, e a corrida me fez ficar forte para aguentar o tranco”, filosofa.

Nome: Fábio Barreto
Profissão: Taxista
46 anos, casado, pai de 2 filhos

Desafio:“Fico 14 horas por dia sentado, dirigindo por São Paulo.” Fábio é cearense e chegou a São Paulo ainda jovem para trabalhar. Desde 2005 treina caratê, inspirado nos filmes do Bruce Lee. Talvez por isso nunca tenha sofrido um tipo de lesão na corrida, em que coleciona mais de sete maratonas oficiais e várias outras provas de distâncias variadas.

“O treino de caratê é muito pesado. Bruce Lee era minha inspiração. Descobri a endorfina com o caratê”, conta. Com a correria do trabalho, afazeres em casa, filhos e a mulher, ficou um tempo sem praticar esportes e percebeu que precisava se movimentar.

“Fui abaixar e senti uma barriga ali que não tinha antes”, diverte-se. Foi um colega do ponto de táxi, Djalma, corredor de longa data, que falou para Fábio começar a correr, em meados de 2010. A primeira vez que fez uma corrida de rua terminou 5 km em mais de uma hora.

“Aprendi disciplina. Planejamento. E, principalmente, a não ter tempo ruim. Se você quer, vá lá e faça.” Aos sábados, o taxista corre aproximadamente 15 km pela Rodovia Dutra. Ao contrário da maioria dos atletas, ele não se preocupa muito com a alimentação, tampouco com fortalecimento.

“Acredito que a luta fez meu corpo ficar forte para correr. Como de tudo, sem dieta fixa e nunca me machuquei sério”, conta Fábio, que já botou a família para correr em quase todos os parques de São Paulo.

“A gente nem imagina como São Paulo é repleto de parques bonitos para correr. Tinha um circuito de corrida de rua da prefeitura que era gratuito, aí levava meus dois filhos, Rafael (22) e Ricardo (16), e a minha mulher. Faz parte da minha vida e da minha família. Tentei ensinar isso para eles desde cedo.”

Nome: Jaime Vanucci
Profissão: Estudante de educação física e profissional de marketing
28 anos

Desafio: “Acordo às 6h, tomo café, vou para a faculdade,  passo em casa, almoço e vou treinar. Depois, vou direto para o trabalho. De lá, saio novamente para treinar corrida ou ciclismo”. A vida de Jaime mudou bastante há seis meses.

Hoje, atua no ramo do marketing digital, mas durante quatro anos trabalhou com venda de peças de carro. O estudante sempre pedalou e tinha exemplos dentro de casa para uma vida ativa. Mas em 2007 passou por um abalo emocional grande e ficou sem chão.

“Queria ser atleta de bike, mas quando ia estrear no Campeonato Paulista de Speed, meu avô morreu atropelado em um treino de bicicleta na Fernão Dias. Isso me traumatizou muito e não consegui mais seguir com meu objetivo”, conta.

Nunca abandonou o esporte, só mudou de rumo: foi para a academia praticar musculação, buscar um corpo forte e uma razão para se manter ativo. Há quatro anos, decidiu voltar a pedalar. Mas a corrida veio conquistando Jaime “pelas beiradas”. A exemplo do tio, maratonista, ele percebeu que correr era uma terapia.

“Nessa busca de algo a mais, comecei a correr. Era só ter 10, 15 minutos livres e pronto, eu ia. Foi aí que o trabalho na oficina parou de se encaixar. Trabalhava de segunda a sexta, sábado e domingo em provas de carro, e não tinha tempo para treinar”, relembra. Começou a querer participar de provas de bike e corrida. Para ele, correr é a base, física e mental, que o faz encarar o dia a dia com vontade.

Vida de influencer

Jaime se destacou com seu perfil no Instagram. “Sempre tive certa popularidade ali porque fazia muitas fotos com a GoPro. Usei bastante a meu favor. Saí da oficina e comecei a me dedicar aos treinamentos de corrida, divulgando tudo por ali. Foi quando a GymPass me chamou para ser embaixador. Vi que tinha um espaço e que talvez pudesse influenciar as pessoas. Participei de uma seletiva e passei. Aí, vi um novo horizonte.”

Da paixão pelo esporte, nasceu a vontade de fazer outra graduação. Formado em administração e marketing, Jaime entrou na faculdade de educação física. “O esporte te faz querer influenciar os outros para o bem. Falam que a corrida é solitária. Eu não acho! Todo mundo se ajuda e se empurra. Meus melhores resultados de treinos são em provas. Acho que essa motivação de pessoas juntas ali é o que faz isso acontecer.”

Para ele, a melhor história de inspiração é a de seu irmão mais novo. “Essa geração que nasceu jogando videogame, com celular e computador não quer saber de correr. Ele sempre preferia outras coisas a treinar comigo. Mas inscrevi a gente em uma prova. Pesquisei o resultado das anteriores e vi que se ele fizesse 5 km em 25 minutos pegaria pódio na categoria. Desafiei meu irmão e o ajudei a treinar. Na prova, ele correu para 25min50s, ganhou o segundo lugar (na categoria) e foi um case para mim. Os amigos dele agora estão querendo correr também”, comemora.

Nome: Alexandre Pereira de Andrade (ou o “louco da madrugada“, como é conhecido no Rio de Janeiro)
Profissão: Promotor de vendas
41 anos, pai de 3 filhas

Desafio: “Quando comecer a correr, pesava 132 kg. Era hipertenso e tinha problemas cardiovasculares. Não tinha tempo para nada. Trabalhava como motoboy na Prefeitura do Estado do Rio de Janeiro, entrava às 6h e saía às 17h, e antes de ir para casa, buscava minha filha na creche. Chegava em casa sempre tarde e muito cansado”.

A rotina pesada aliada à indisciplina impedia Alexandre de melhorar sua saúde. “Nessa época, treinava de segunda e terça; na quarta, eu parava; na quinta, eu não ia; na sexta e no sábado, eu bebia.” Até que, em uma madrugada, a corrida entrou de vez na vida do carioca.

“Estava com insônia durante uma madrugada, porque, mais cedo, minha esposa havia dito que me abandonaria caso não cuidasse da minha saúde. Que estava cansada de tentar me ajudar em vão. Então, levantei da cama e fui para a rua.” A partir daí, foi um caminho sem volta. Ainda bem.

“Começava o treino por volta das 3h15 damanhã, meu único horário disponível. Corria uns 6 km ou 7 km, voltava para casa, tomava banho e pegava minha moto para trabalhar.” Essa rotina atípica tornou Alexandre famoso no Rio de Janeiro, com o apelido de “Louco da Madrugada”, o qual adotou e usa até hoje em suas redes sociais.

Hoje, possui quase 4 mil seguidores. Em consequência dos treinos, recuperou sua saúde e ganhou outros benefícios: mais autoestima, novas amizades, algumas parcerias com marcas e muito carinho da galera.

“Em um dos meus primeiros treinos, publiquei uma foto, às 3h da manhã, no ‘Viciados em Corrida de Rua’. Teve uma boa repercussão, foram mais de 2 mil curtidas e centenas de comentários no Facebook. Depois dessa postagem, as pessoas foram me abraçando cada vez mais. Essa recepção fez com que eu tivesse a oportunidade de participar e divulgar alguns eventos. O pessoal comentava: ‘Pô, o Louco da Madrugada vai correr! Então, tô dentro!’”, diz.

O corredor é apaixonado pela capital paulista e já viajou para correr as tradicionais São Silvestre e Meia Maratona de São Paulo. Além dessas, já completou inúmeras provas de 5 km e 10 km, dez meias-maratonas e duas maratonas.

Dois anos depois, o esporte permanece na vida do ex-motoboy, que confessa sentir preguiça às vezes. “Mas quando isso acontece, olho para a minha foto com 132 kg, levanto e vou correr na hora. Nos primeiros quilômetros, eu reclamo muito, mas quando chego ao quinto ou sexto, tudo fica mais legal. Lá pros 10 km ou 15 km, depende do tempo disponível, eu termino  sorrindo e com a sensação de dever cumprido.”

Hoje, pesa 90 kg, 42 kg a menos de quando começou a correr, e também credita o emagrecimento a uma alimentação mais saudável. “Não sou completamente regrado, mas minha alimentação é muito melhor do que antes. Eu bebia muito refrigerante e cerveja, consumia muito açúcar, fritura… De vez em quando, ainda como e bebo essas coisas, apenas para matar a vontade.”

Nome: Ludmilla Maschion
Profissão: Administradora e advogada
30 anos

Desafio: “Trabalho o dia inteiro, faço aulas de inglês duas vezes por semana e aulas de piano. Vou para a academia todos os dias e treino corrida de acordo com a planilha. Divido meu tempo entre tudo isso com o trabalho, os treinos,
minha família e meu noivo. Sem a corrida não consigo dar conta de tudo isso”.

Ludmilla descobriu a corrida no início de sua segunda graduação, há quatro anos. “Minha avó morreu por causa
de problemas cardíacos. Logo depois minha mãe começou a ter pressão alta. Foi assustador e comecei a correr para evitar isso”, explica.

“Em umas férias em Miami, há quatro anos, fiquei sabendo que haveria uma corrida, mas nunca tinha feito uma prova antes, nem sabia como funcionava. Fui correr de pipoca. Fiz 10 km em uma hora e pouco. Vi que tinha uns copos de água, peguei, mas juro que não foi na maldade… Não sabia como era!”, conta.

Depois disso, passou a se inscrever em várias provas e nunca mais parou. “Virou um vício. Treinava por conta própria. Há três anos descobri o Desafio do Dunga (uma prova de 78 km dividida em quatro dias em diferentes distâncias: 5 km, 10 km, 21 km e 42 km) e decidi que queria fazer essa prova. Procurei uma assessoria esportiva e falei para o treinador que pretendia participar do desafio em até três anos. Ele disse que era possível.”

Nessa época de preparação, cursava Direito à noite e teve a ideia de correr a Maratona de Buenos Aires como forma de se ambientar para o Desafio do Dunga. “Foi um desgaste muito grande. Fui para Buenos Aires com pubalgia e tendinite no joelho. Do km 25 ao km 42 só chorei, mas aí vi quanto eu gostava daquilo e quanto eu me esforço para conseguir algo quando amo de verdade. Fiz a Maratona de Buenos Aires em 5h40min, um tempo horrível. Sentia muita dor e ainda assim estava feliz pra caramba e pensando na próxima. Naquele momento vi que a corrida realmente era algo mágico”, relembra.

2017: o ano em que tudo aconteceu

Duas coisas preocupavam Ludmilla: o Desafio do Dunga e sua ascensão profissional. “Queria muitos ambos. Comecei a fazer uma pós-graduação, junto com a graduação em Direito. A pós era aos sábados, das 8h às 17h30. Ainda conseguia fazer a unha para depois encontrar com meu noivo. No domingo, fazia longão e depois tempo livre para ficar com ele”, rememora a advogada.

“Acordava às 4h da manhã e treinava até 6h30 todos os dias. Tomava café no carro mesmo. Se não, não dava tempo. Seguia para o trabalho, onde ficava até as 18h. Depois, faculdade, onde ficava até as 23h. Chegava em casa, arrumava a roupa de treino do dia seguinte e tentava dormir o máximo possível. A sorte é que eu moro com meus pais, minha mãe me ajudou muito”, conta.

Terminou a faculdade e a pós-graduação no fim de 2017 e concluiu o Desafio do Dunga no começo de 2018. Em junho deste ano, ainda fez os 42K de Floripa. Depois de tudo que passou, ela tira de letra a rotina atual e planeja fazer o Desafio do Dunga novamente.

“Há quatro anos a corrida me ajuda a dormir. Sempre sofri de insônia, vivia estressada e impaciente. E tudo isso mudou. Correr me deixa mais calma, mesmo nessa correria do caramba.” A disciplina e a organização que vieram com o esporte ajudaram na profissão.

“Além de me deixar mais disciplinada, correr me deixou calma para assuntos do trabalho. E eu ainda inspiro minha equipe.”

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Osteopatia: o que é, para que serve e seus benefícios

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Osteopatia: o que é, para que serve e seus benefícios
Osteopatia: o que é, para que serve e seus benefícios iStock

A osteopatia, apesar de não muito tradicional no Brasil, é um tratamento bem conhecido na Europa, principalmente na Espanha e na França. Foi criada pelo médico americano Andrew Taylor Still em 1874, como uma alternativa à medicina tradicional — assim como o rolfinge a acupuntura.

De acordo com os osteopatas, em alguns casos pode ser mais eficiente que procedimentos convencionais, tais como quiropraxia, fisioterapia e outros tipos de massagens.

No Brasil, a osteopatia é uma especialidade da fisioterapia. Então, é necessário ser fisioterapeuta e fazer uma pós-graduação em osteopatia para exercer a profissão. 

O que é a osteopatia e qual sua função?
A osteopatia é uma técnica de terapia manual que visa o equilíbrio do corpo, considerando-o como um todo. “Na osteopatia, enxergamos o corpo como uma coisa inteira, não o separamos em musculatura esquelética, sistema digestivo, cardiovascular, respiratório etc”, explica a osteopata Diane Fernandes.

O tratamento busca fazer com que o corpo trabalhe em homeostase, ou seja, que seja capaz de se autoequilibrar. “Quando começamos a adoecer, essa capacidade de equilíbrio está desregulada por algum motivo. Assim, na sessão, buscamos encontrar e tratar a causa principal do desequilíbrio e não os sintomas”, diz.

Para quem é recomendado?
Segundo Fernandes, a osteopatia é indicada para todos, esportistas ou não.” Desde sua forma preventiva até a sua forma curativa, é um tratamento que funciona muito bem”. E explica: “Costumamos atuar no nível subclínico, o corpo às vezes tem algumas alterações que não são manifestadas de maneira intensa. A consulta permite que esses desequilíbrios sejam tratados antes que se tornem algo mais sério”.

Questionada como o tratamento beneficia os corredores, a osteopata esclarece que o tratamento “é interessante para quem corre”. “Corrida é um esporte de alto impacto. Não é incomum que o osso navicular ‘desça’ por conta desse impacto, assim causando uma fascite plantar e uma sobrecarga no pé. O osteopata é capaz de reposicionar essa baixa do navicular antes que surja essa inflamação na planta do pé”.

Além disso, ajuda na recuperação pós-treino, principalmente se houver pequenas alterações musculares. “Um caso comum são atletas que sofrem com estiramentos no posterior da coxa, isso se dá por conta de um desequilíbrio na movimentação da pelve. A gente consegue corrigir essa movimentação antes de surgir a lesão”, diz.

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Existem contraindicações?

Não há contraindicações para a osteopatia em si, porém há algumas ressalvas para determinados casos. “Por exemplo, em um paciente com osteoporose, não podemos fazer técnicas manipulativas. Em situações assim, utilizamos outras técnicas”.

Como é e quanto tempo dura o tratamento?
As consultas duram cerca de 60 minutos. Apesar de ser possível notar uma melhora na primeira consulta, em média são necessárias 5 sessões para ter um bom resultado. No entanto, os resultados são muito individuais. “Quanto mais crônico é o problema, teoricamente, mais se demora para tratá-lo”, explica. De uma sessão para outra, o intervalo mínimo é de 1 semana.

A osteopata conta que assim que o paciente chega, ele é questionado das “principais razões de ter buscado o tratamento. Depois as informações são complementadas por meio de respostas sobre o seu funcionamento digestivo, se sofre de gastrite ou de dores de cabeça, como estão sendo as noites de sono, se já sofreu algum acidente ou queda grave e se realizou cirurgias. No caso das mulheres, questionamentos sobre a parte hormonal e menstruação também são comuns”.

(Fonte: Dra. Diane Fernandes, fisioterapeuta do Hospital Sírio-Libanês e certificada em osteopatia pela Escola de Osteopatia de Madrid – CREFITO: 134979-F/SP)

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Espasmos musculares: o que são e como evitá-los

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Espasmos musculares: o que são e como evitá-los
Espasmos musculares: o que são e como evitá-los Shutterstock

Durante uma corrida ou outro exercício, você já sentiu dores musculares acompanhadas de contrações involuntárias? Caso a resposta seja positiva, você já conhece os sinais dos espasmos musculares e das cãibras, que costumam afetar as panturrilhas, as coxas, os braços e o abdômen.

Os espasmos musculares são resultado de desequilíbrio hidroeletrolítico no corpo ou de sobrecarga muscular. Funcionam como uma espécie de autoproteção do corpo, uma vez que sinalizam que algo não corre bem com os músculos e colaborando para que lesões mais graves não surjam. 

“Os espasmos estão relacionados ao cansaço, ao estresse muscular. Nas musculaturas maiores, surgem pelo acúmulo de lactato, circulação ruim, falta de alongamento. Quem se submete a estímulos que vão além do que é suportável está mais sujeito a isso. A intensidade desse desgaste vai indicar o grau da contração”, diz a médica do esporte Christiane Prado, do Laboratório de Performance Humana, no Rio de Janeiro (RJ).

Nas altas temperaturas, crescem as chances de atletas sofrerem com os espasmos musculares. Isso ocorre porque, no calor, perdemos grandes quantidades de água e sais mineirais. De acordo com Christiane, a desidratação altera o funcionamento das fibras musculares, resultando nas contrações involuntários que castigam grupos musculares.

A intensidade e a duração das dores geradas pelos espasmos musculares variam bastante, de pequenos incômodos a dores severas e de poucos segundos a alguns minutos.

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Como evitar os espasmos musculares 
Uma boa saída para evitar esse incômodo é fazer um bom alongamento – uma forma de tornar alguns grupos musculares mais fortes e retirar a tensão de outros. Se você não tem o costume de aquecer antes de treinar, é melhor acabar com esse mau hábito. O aquecimento prepara os grupos musculares para a atividade intensa que vem a seguir.

A falta de condicionamento físico também é determinante para o aparecimento dessas contrações. Assim, é recomendado não ultrapassar os limites do próprio corpo na hora de se exercitar.

Fique atento à hidratação e reposição de sais minerais. Aposte em fontes de potássio, magnésio e cálcio para não ter seu rendimento prejudicado.

Se os espasmos musculares surgirem durante o exercício, pare a atividade imediatamente e estique a articulação afetada pela dor até as contrações cessarem.

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Bate-papo faz empresa criar grupo de corrida e incentiva funcionários

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Bate-papo faz empresa criar grupo de corrida e incentiva funcionários
Bate-papo faz empresa criar grupo de corrida e incentiva funcionários Divulgação

A SML Brasil é uma empresa fornecedora de soluções para simplificar a gestão corporativa de processos e documentos. Em 2016, uma conversa informal deu origem ao grupo de corrida SML.

“A ideia surgiu em um bate-papo, quando um dos nossos funcionários, acostumado a correr, sugeriu criarmos o grupo”, conta Caroline Bolzan, que trabalha na área de RH da empresa. Desde então, com o apoio financeiro da empresa, os funcionários já participaram da Night Run, Circuito das Estações e Série Delta, entre outras.

“Nunca tinha participado de uma prova e já consegui completar uma de 5 km e depois uma de 10 km. É incrível”, comemora Caroline.

“Sempre fui envolvido com a prática de esportes coletivos. Porém, queria uma atividade que dependesse apenas de mim para continuar me exercitando. Foi nessa hora que comecei com a corrida de rua”, conta Alexandre Santana, gerente de projetos da SML Brasil.

Embora o grupo treine por conta própria, a atividade é uma forma de manter a motivação entre os funcionários.

“Minha primeira prova foi graças à SML. Procuro sempre aumentar a distância e diminuir o tempo. Tento me alimentar melhor e divido os resultados com os meus amigos”, diz Eduardo Nunes, analista de processos da empresa. A expectativa do grupo é aumentar ainda mais o número de corridas por ano. Em 2017, os funcionários participaram de seis provas.

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Katherine Switzer, a primeira norte-americana a correr oficialmente em Boston

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Katherine Switzer, a primeira norte-americana a correr oficialmente em Boston, a primeira norte-americana a correr oficialmente em Boston
Katherine Switzer, a primeira norte-americana a correr oficialmente em Boston, a primeira norte-americana a correr oficialmente em Boston Divulgação

Katherine Switzer, a primeira norte-americana a correr oficialmente em Boston abriu caminho para uma cultura diferente no dia 17 de abril de 1967, uma data que mudou a história do esporte. Decidida a ser protagonista de sua própria vida, ela escolheu a corrida como esporte quando foi aceita no curso de jornalismo da Universidade de Syracuse.

Anos antes de se tornar ícone feminino no mundo da corrida, Kathrine teve sua trajetória definida por um conselho de seu pai. Prestes a entrar no ensino médio, ela contou ao pai que cogitava a ideia de ser cheerleader na escola. 

“Nunca me esquecerei desse dia. Meu pai me olhou nos olhos e disse: ‘Você não quer ser uma cheerleader. Torcedores torcem por outras pessoas. Você quer é que torçam por você. A vida é participar, não assistir’”, lembrou.

Inspirar pessoas e mostrar que mulheres podem correr são especialidades de Kathrine Switzer. Convidada por uma marca esportiva para uma série de palestras e encontros no Brasil, ela cativou as pessoas por onde passou com sua história de vida, simpatia e coragem.

“A corrida me mudou completamente. Nessa época, eu era magra, insegura e sentia que cada milha era uma vitória”, disse. Como a universidade não tinha uma equipe feminina de corrida, a única alternativa era treinar com o time masculino de cross country, comandado pelo treinador Arnie Briggs.

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Briggs gostava de contar a Kathrine sobre suas experiências na Maratona de Boston, mas foi pego de surpresa quando a pupila revelou que gostaria de se aventurar na prova. “Mulheres são muito frágeis para uma maratona”, repetia o treinador.

Oficialmente, as mulheres não eram impedidas de disputar a Maratona de Boston. Não havia um item sequer do regulamento que vetasse a presença de corredoras, porém era forte a crença limitante de que mulheres não eram capazes de correr 42.195 metros.

“A ideia de correr longas distâncias era questionável entre as mulheres, porque, na cabeça de muita gente, uma atividade esportiva intensa faria com que a mulher ficasse com pernas grandes, tivesse bigode, pelos no peito e o útero deixasse de funcionar”, recorda a americana.

Fã dos escritores J. D. Salinger e T. S. Eliot, Kathrine não se importou com os comentários negativos e se inscreveu na Maratona de Boston com suas iniciais (K. V. Switzer).

Ainda que a organização imaginasse que se tratava de um formulário preenchido por um homem, era a primeira vez que uma mulher entrava oficialmente em uma maratona, um território exclusivamente masculino até então.

Na manhã da prova, com o número de peito 261 fixado em seu moletom cinza, a jovem de 20 anos largou ao lado de seu namorado, Tom Miller. “Antes da prova, outros corredores foram simpáticos comigo. Diziam: ‘Olha só, é uma garota’. Eles estavam empolgados. Briggs repetia: ‘Sim, eu que a treino’.”

O clima amigável acabou no km 3. Repleto de fotógrafos, o caminhão de imprensa acompanhava todas as passadas de Kathrine. “Eu escutava os fotógrafos pedindo para que corrêssemos devagar porque queriam fotografar aquele momento”, relata.

A movimentação chamou a atenção de Jock Semple, escocês que comandava a prova com rigidez. Depois de saber que havia uma mulher entre os participantes, Semple se apressou para afastá-la.

Com truculência, empurrou a jovem e ordenou: “Caia fora da minha corrida e me dê esse número de peito”. Essa sequência tão emblemática foi clicada pelos fotógrafos e roda o mundo até hoje.

Kathrine Switzer sendo empurrada por Jock Semple na Maratona de Boston de 1967
Kathrine Switzer sendo empurrada por Jock Semple na Maratona de Boston de 1967 AP Photos

Protegida pelo namorado, que empurrou Semple, Kathrine decidiu continuar para que aquilo servisse de exemplo para outras mulheres.

“Naquele momento, eu pensei: ‘Vou terminar essa corrida do jeito que for’. Ninguém acreditava que eu podia fazer aquilo e, de repente, percebi que, se eu não terminasse, as pessoas realmente acreditariam que as mulheres não mereciam estar ali”.

Com dores em diversas partes do corpo, ela concluiu a maratona em 4h20min. Na madrugada seguinte à prova, voltando para a universidade, notou que seu feito tivera grande repercussão.

“Paramos em uma loja de conveniência para pegar um sorvete e um café. Foi ali que vimos que os jornais estavam recheados de fotos minhas. Eu percebi que aquilo tinha sido realmente importante. Vi que tinha mudado a minha vida e que provavelmente poderia mudar o esporte feminino”, disse.

Kathrine Switzer ajuda a oficializar a criação da categoria feminina de Boston
A percepção de que o esporte feminino mudaria nos anos seguintes se concretizou. Em 1972, a Maratona de Boston oficializou a criação da categoria feminina.

Paralelamente, cresceu o volume de cobranças sobre o Comitê Olímpico para que a maratona olímpica contasse com a participação de mulheres — algo que se confirmou em 1984, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.

Atualmente, não há um abismo que separa o número de participantes homens e mulheres em uma maratona, diferentemente do que havia em décadas anteriores.

Na edição de 2018 de Boston, dos 25.831 concluintes, 11.628 eram mulheres. Na faixa de idade dos 18 aos 39 anos, as mulheres foram maioria, com 5.790 representantes.

Pelotão de elite feminino na Maratona de Boston
Pelotão de elite feminino na Maratona de Boston Shutterstock

Na década de 1970, enquanto o mundo fervilhava com mudanças sociais e culturais, Kathrine intensificou seus treinos de corrida e atingiu resultados expressivos — e sem cultivar bigode, pelos no peito ou pernas desproporcionais, como apostavam os seus contemporâneos.

Kathrine Switzer venceu a Maratona de Nova York de 1974, com o tempo de 3h07min29s, e foi a segunda colocada em Boston em 1975, registrando 2h51min37s.

Dois talentos, um propósito
A partir da segunda metade dos anos 1970, Kathrine cavou espaço em transmissões esportivas. Ela já participou como comentarista de mais de 200 grandes provas — entre elas, as maratonas de Boston e Nova York.

“A corrida me deu a capacidade de arriscar, de enfrentar desafios e isso foi a melhor coisa que me aconteceu. Cresci de maneira empoderada. Quando as pessoas diziam que eu não teria uma oportunidade, eu dizia que criaria a oportunidade. Se não havia um time, eu criaria um time. Se não havia maratona feminina nos Jogos Olímpicos, eu dizia: ‘Vamos fazer da maratona feminina um esporte olímpico’. Nós conseguimos. E tudo isso veio daquela corrida de uma milha por dia.”

Seu pioneirismo tornou sua presença requisitada em palestras e eventos de negócios. Aos 71 anos — embora pareça ter dez a menos —, ela segue correndo e roda o mundo contando suas experiências.

Ela diz que se encontrou muitas vezes com Jock Semple após o episódio em Boston. O escocês, no entanto, nunca pediu desculpas formais a ela, que não guardou rancor do homem que, por linhas tortas, mudou sua trajetória.

“Não passo um único dia da minha vida sem agradecer a Jock Semple. Ele me assustou e me enfureceu, mas também me inspirou”, diz.

Em maio de 1988, Semple foi derrotado por um câncer e Kathrine foi uma das últimas pessoas a visitá-lo no hospital.

“Por meio do esporte, você pode abrir caminho para culturas diferentes. Muitas das mulheres no mundo ainda vivem em uma condição terrível. Seja no Afeganistão, na Arábia Saudita ou na porta do lado da sua casa. Nós precisamos pegar essas mulheres pelas mãos e mostrar que elas podem colocar o tênis e correr”, ela termina.


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Muito além do design: a revolução dos tops esportivos

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Muito além do design: a revolução dos tops esportivos
Muito além do design: a revolução dos tops esportivos Shutterstock

Item essencial nos guarda-roupas das atletas, os tops esportivos ganharam flexibilidade e se ajustam ao corpo da mulher. Porém, nem sempre foi assim. Enquanto as principais marcas de material esportivo do mundo investem há décadas tempo e dinheiro para criar sistemas de amortecimento mais tecnológicos para os tênis e tecidos mais leves para as camisetas, a revolução nos tops foi tardia.

Na edição de 2015 da Maratona de Londres, a Nike entrevistou centenas de mulheres sobre suas experiências com tops esportivos. O alto grau de insatisfação do público feminino fez a marca constatar que era preciso renovar o segmento. 80% das mulheres relataram desconforto ou dor no peito enquanto corriam. Algumas sequer sabiam o tamanho dos tops que deveriam usar, sobretudo em atividades de alto impacto.

O uso de um top sem a sustentação adequada pode acelerar a queda das mamas, afirma a médica do esporte Karina Hatano. Outro benefício de um bom top é evitar a fricção com a pele, afastando as assaduras. Um estudo feito pela empresa Santaconstancia, em parceria com a Compasso Instituto Médico, revelou que os modelos estruturados (o soutien e o top esportivo) tiveram melhor desempenho que o suporte sem encapsulamento e compressão, já que minimizam o balanço das mamas durante a corrida.

“A ciência mostra que o melhor top é aquele no estilo nadador. Quando a atleta fizer um determinado movimento, a mama tende a circular em um movimento que simula um ‘oito’. Sem o top adequado, a pele fica elástica e a mama, mais caída”, confirma Hatano. “O mercado começou a investir mais em conforto. Antigamente, era um top que não tinha bojo ou proteção. Era uma malha de algodão. Agora, as marcas usa tecidos que melhoram a parte de transpiração. O acúmulo de suor pode causar fricção e lesionar a pele.”

Frequentadora assídua da academia e corredora aos fins de semana, a bancária Ana Clara Saraiva, de 29 anos, hoje paga caro em um único top sem arrependimentos. Um dos motivos é preservar a sua prótese de silicone, que colabora para deixar a mama mais pesada. “Tenho um que custou R$ 300 e vale cada centavo. É um produto crucial. Você pode gastar qualquer trocado em uma camisetinha de tecido sintético, mas top não pode ser qualquer um”, afirmou. 

Anna Palhares, especialista em produtos da Nike do Brasil, confirma que o salto de qualidade nos tops aconteceu há três anos. Até a chegada da tecnologia ajustável, que se adapta às curvas da mulher e oferece firmeza durante exercícios de impacto, os materiais usados nos tops eram, basicamente, poliéster e spandex.

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“Foi em 2015 que tivemos uma grande renovação em termos de top, a partir de um olhar ainda mais exclusivo para a mulher. Houve o surgimento de um serviço personalizado, que ajuda a consumidora a encontrar o top ideal com base não apenas no tamanho, mas também de acordo com o nível de suporte necessário para cada tipo de treino”, afirma Palhares.

Após diversos testes promovidos por designers e engenheiros na matriz da Nike, em Portland, saíram poliéster e spandex e entraram tecidos mais tecnológicos, como mesh, flyknit (o mesmo usado no Vaporfly 4% Flyknit) e poliamida. As alterações ofereceram mais leveza, ventilação e conforto, além de durabilidade e um caimento mais vistoso.

Nos testes e nas entrevistas feitas durante e depois da Maratona de Londres de 2015, a Nike constatou que nem todas as partes do top exigem firmeza. No caso do Nike Motion Adapt Bra, vendido por R$ 299, materiais de alta sustentação foram usados na região do busto, enquanto as costas têm um painel feito de malha (padrão nadador).

Um exemplo emblemático do crescimento dos tops foi a inauguração da Nike Bra Haus, um espaço criado em agosto, em Toronto, no Canadá, para que suas clientes personalizem seus tops. Esqueça tênis, meias de compressão e outras peças: na Bra Haus, o top é a bola da vez.

Inauguração da Nike Bra Haus
Inauguração da Nike Bra Haus Reprodução

A equipe da Nike faz suas medições, faz perguntas sobre sua atividade esportivas, pergunta qual tipo de top te agrada e quanto de apoio você está buscando.

Uma das estratégias da Nike para divulgar a Bra Haus e atrair mulheres de todos os tipos foi convocar modelos “plus size” para a campanha publicitária dos novos tops esportivos. “A Nike acredita que, se você tem um corpo, você é um atleta”, diz um comunicado da empresa.

Top Brahaus
Top Brahaus Divulgação

Top da Mizuno promete até redução de celulite

A Mizuno agora aposta suas fichas em um fio inteligente chamado Emana, que, segundo a marca japonesa, alia ciência e tecnologia para tornar os tops mais funcionais. Desenvolvido pela Rhódia, empresa de indústria química inovadora, o Emana promete diminuir a fadiga muscular e até os sinais da celulite.

“Nossa principal preocupação é que o corredor se sinta confortável para chegar naquele resultado que almeja. Quando falamos nos tops, procuramos sustentação e conforto para as mulheres. Muitas vezes, achamos que a questão principal na corrida é a pisada, mas também há preocupação com o movimento do braço. O conforto nas alças também é importante. Queremos que as atletas façam os movimentos sem que se sintam atrapalhadas”, afirma Gabriela Castro, gerente de vestuário da Mizuno no Brasil.

O top Mizuno Sky Run Emana pode ser adquirido por R$ 74,99 em lojas físicas e na internet.

 Top Mizuno Sky Run
Top Mizuno Sky Run Divulgação




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5 dicas para manter o fôlego na corrida

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5 dicas para manter o fôlego na corrida
5 dicas para manter o fôlego na corrida Shutterstock

Para quem está dando os primeiros passos além da caminhada, manter o fôlego na corrida é um desafio. Os treinos iniciais exigem que se intercale corrida com caminhada para o progresso surgir de forma gradual. Mas existem outras orientações fáceis de seguir que podem lhe ajudam a conseguir um bom ritmo de forma mais tranquila.

Veja como manter o fôlego na corrida e evolua com segurança:

Faça um aquecimento
Antes de começar qualquer atividade física, tenha em mente que o aquecimento é um diferencial, tanto na prevenção de lesão como para manter o fôlego. “O aquecimento produz uma temperatura muscular mais alta, maior disponibilidade local de oxigênio para o músculo e um consumo mais alto de oxigênio durante a fase inicial do exercício”, explica o treinador João Povoa.

Comece devagar 
Comece de forma tranquila, aumentando a velocidade só depois de sentir mais confiança. “Faça de forma leve os 10 ou 15 minutos iniciais no treino. Nosso corpo passa por várias adaptações nesse período que nos deixam mais preparados para o exercício, mantendo o fôlego na corrida por mais tempo”, indica o treinador.

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Velocidade certa
“Tenha em mente sua velocidade de equilíbrio. Existe uma velocidade em que é possível sustentar o seu esforço por mais tempo. Correr acima da velocidade do seu limiar anaeróbio fará com que seu fôlego diminua rapidamente”, esclarece o treinador.

Uma pesquisa já comprovou que, em alguns casos, mulheres são mais rápidas que os homens na corrida porque conseguem manter um ritmo do começo ao fim e não “quebram” no meio da prova. Por isso, manter uma velocidade constante é o mais indicado.

Não abuse nas passadas
“Economize a cada passada. Correr com uma boa mecânica, movimentando os braços e com pouco contato com o solo, gera um ganho de desempenho”, conta João Povoa. Mantenha o equilíbrio com as suas passadas e preste atenção enquanto corre. Isso ajuda a melhorar a biomecânica, fazendo com que o corredor não perca o fôlego.

Alimente-se
Consuma carboidrato entre 60 e 30 minutos antes do exercício. É fundamental que seu corpo tenha energia no momento certo. “Para isso, além dessa ingestão, consuma carboidrato em gel durante treinos superiores a 50 minutos”, finaliza o treinador.

*Fonte: João Povoa, treinador da assessoria esportiva Integha

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Maraturismo: como a corrida de rua impulsionou o turismo no Brasil e no mundo

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Maraturismo: como a corrida de rua impulsionou o turismo no Brasil e no mundo
Maraturismo: como a corrida de rua impulsionou o turismo no Brasil e no mundo Reprodução

No primeiro domingo de junho deste ano, o sol ainda não havia dado as caras e um numeroso grupo de corredores já se servia por volta das 4 horas, no salão do café da manhã no Hotel Castelmar, próximo à Beira-Mar de Florianópolis. Antecipar o horário do café da manhã não foi uma exclusividade do Castelmar naquele final de semana, já que a capital catarinense foi invadida por 9.500 turistas que viajaram para disputar os 42k de Floripa.

Os “maraturistas”, neologismo que mescla as palavras “maratonista” com “turista”, vem se espalhando pelo Brasil e pelo mundo nos últimos anos. O crescimento das provas de corrida de rua impulsionou o turismo e fez com que mais pessoas unissem a paixão pela modalidade à vontade de viajar, seja para destinos nacionais ou até mesmo internacionais.

A disparada do dólar e a crise econômica do Brasil não impediram que as agências especializadas em pacotes voltados para corredores tivessem números expressivos – embora a instabilidade do país colabore para que alguns clientes cancelem seus pacotes. Com 30 anos de experiência no segmento, a Kamel Turismo levará 500 brasileiros (entre participantes e acompanhantes) para a Maratona de Nova York, no início de novembro. Em 1988, ano de “estreia” da Kamel na Big Apple, foram cerca de 40 brasileiros. Não é uma falsa impressão: os brasileiros estão cada vez mais presentes nas majors. Em 2017, dos 40 mil corredores que estiveram na Maratona de Berlim, 916 eram brasileiros.

“Estamos levando mais gente porque há mais pessoas correndo hoje em dia. Quem começou com 5 km há alguns anos hoje corre maratonas. Quem já estava disputando maratona continua com esse hábito. Obviamente, a situação econômica é um empecilho. Tivemos muitos cancelamentos neste ano. Algumas pessoas conversam conosco e nós entendemos que é um problema financeiro. Se o Brasil estivesse em um momento de estabilidade econômica, o boom seria muito maior”, analisa Elisabet Olival, fundadora da Kamel.

Agência levará 500 brasileiros para a Maratona de Nova York
Agência levará 500 brasileiros para a Maratona de Nova York Reprodução

O SEBRAE aponta que 43% dos corredores brasileiros têm entre 25 e 35 anos. No entanto, a fatia que destina suas economias ao “maraturismo” no exterior é um pouco mais velha. Olival observa que a maioria de seus clientes é formada por homens a partir de 38 anos, que transformam uma jornada solitária de 42.195 metros em um programa familiar.

“O maratonista não costuma ser muito novo. São pessoas que estão bem profissionalmente, estabilizadas. Algumas vezes, levam a mulher e os filhos. Acabou o preconceito de deixar a criança em casa. E também acontece uma socialização nos destinos. Como o nível social é bom, todo mundo acaba falando a mesma língua”, acrescenta.

Em provas com forte apelo turístico, é natural que os corredores conheçam novas pessoas e vivenciem o esporte nos dias em que estão viajando, com trocas de informações e experiências entre os atletas. Em uma competição “caseira”, disputada na mesma cidade onde corredor vive, a experiência tende a ser mais individualizada.

“O que muitos brasileiros entenderam é que correr não faz bem apenas para o corpo. Há benefícios mentais, como o estímulo do raciocínio rápido e a melhora da concentração, além da interação social nos treinos e nas competições. Ou seja, a corrida de rua é boa para o cérebro, o físico e até para o turismo”, explica o psicólogo Augusto Jimenez.

Diferentemente do que acontece em uma viagem comum de férias, é preciso tomar alguns cuidados para que a empolgação por estar em um novo ambiente não comprometa meses de treinamento.

“O pessoal que levamos não fica muito paranoico, mas é preciso pegar leve. Não dá para bater perna pela cidade na véspera da prova. E tem que deixar para cair na cerveja e no vinho depois de correr”, lembra Olival.

Entre os corredores, tem sido cada vez mais frequente conhecer outras cidades e culturas diferentes através da corrida. “Com o dólar do jeito que está, não dá para viajar duas vezes, uma para correr e outra para conhecer. Você corre e também aproveita para curtir”, frisa a dona da Kamel.

Em abril de 2018, a Kamel levou 60 brasileiros para Boston. Os pacotes, que, além da inscrição, incluíam hospedagem por cinco noites em hotel quatro estrelas, foram vendidos por 2.800 dólares por pessoa (cerca de R$ 9.500 na época).

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Maraturismo pelo Brasil

Provas famosas, como a Maratona de São Paulo, ou competições realizadas em cidades com forte apelo turístico, caso dos 42k de Floripa e da Maratona do Rio, são as queridinhas dos “maraturistas” que se aventuram em solo nacional. Apostar em pacotes com provas de corrida foi uma das estratégias da Minds Travel, agência localizada em Maringá, no Paraná, para driblar a crise econômica do Brasil.

Em solo nacional, o tíquete-médio do corredor-viajante é mais baixo (de R$ 800 a R$ 1000, já considerando passagem aérea e hotel) e o tempo de permanência, mais curto (um final de semana).

“O pessoal gosta de correr com uma praia bonita, um clima gostoso, uma paisagem legal. Se o destino é turístico, a pessoa não vai só para correr”, afirma Lorena Peretti, agente da Minds Travel.

A estudante de nutrição Bruna Ruschel, de 20 anos, já começou a desbravar o Brasil através das provas de corrida. Há dois anos, ela viajava com as amigas para curtir as baladas e a badalação de Jurerê Internacional, em Florianópolis. Neste ano, os planos foram diferentes: a paulistana se manteve longe da noitada e preferiu perseguir um bom tempo nas ruas e avenidas da capital catarinense.

Incentivada por amigas, Bruna correu a São Silvestre em 2016 e gostou da atmosfera que encontrou. Aos poucos, foi abandonando o estilo de vida que levava e mergulhou de cabeça na corrida e nas viagens. Daquela edição da São Silvestre para cá, já marcou presença em provas no Rio, em Florianópolis, Porto Alegre e Natal.

“Correr fora da sua cidade é especial. Você sai da rotina e também acaba tendo momentos de lazer, até porque não sou uma profissional”, conta.

Com planos de fazer um intercâmbio na Europa em 2019, Bruna já começa a estudar as maratonas que pretende disputar enquanto estiver no Velho Mundo. As maratonas de Berlim e do Porto estão entre os prováveis destinos.

"Algumas pessoas da minha idade não entendem o meu novo estilo de vida. Não veem isso como aproveitar a vida. Dizem que maratona faz mal, que não é saudável por ter um volume muito alto. Mas beber e fumar também não é saudável. Estou feliz com as minhas escolhas”, finaliza.

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10 famosos que já correram a Maratona de Nova York

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10 famosos que já correram a Maratona de Nova York
10 famosos que já correram a Maratona de Nova York Reprodução

Participar da Maratona de Nova York é um sonho comum entre os apaixonados por corrida. Em meio aos quase 50 mil participantes da major mais prestigiada do mundo, é possível encontrar famosos que, por algumas horas, se misturam à multidão para experimentar as sensações que a corrida oferece.

Veja 10 famosos que já correram a Maratona de Nova York:

Alicia Keys

Nascida em Manhattan, a cantora americana Alicia Keys decidiu homenagear sua terra-natal na música “New York”, famosa pelo refrão que retrata a cidade como uma “selva de concreto onde os sonhos são feitos”. Em 2015, ela se juntou a uma multidão de 50 mil corredores e participou da Maratona de Nova York, terminando a prova em 5h50min52s. Keys correu para arrecadar fundos para uma organização chamada Keep a Child Alive, que recebe medicamentos para auxiliar crianças e famílias africanas.


Alicia Keys
Alicia Keys Reprodução

Marion Bartoli
Em agosto de 2013, pouco mais de um mês depois de conquistar Wimbledon, o torneio mais famoso do tênis, a francesa Marion Bartoli pendurou as raquetes. Ex-número 7 do mundo, ela tinha mais de 11 milhões de dólares de premiações em sua conta bancária, mas não se afastou definitivamente do esporte e se aventurou na corrida de rua. Em 2016, Bartoli escolheu a Maratona de Nova York para estrear nos 42.195 km e, mesmo tendo sofrido semanas antes com uma grave doença viral que a levou ao hospital, concluiu o trajeto em 5h40min04s.


Uzo Aduba

Famosa pelo papel de Suzanne Warren, a “Crazy Eyes” no seriado “Orange is the New Black”, a atriz Uzo Aduba teve seu nome gritado nas ruas de Nova York em 2013, ano em que participou da maratona. Ela levou 5h01min para terminar o desafio. Em 2015, correu a Maratona de Boston em 5h03min.

Uzo Aduba
Uzo Aduba Reprodução

Ryan Reynolds

Ryan Reynolds correu a Maratona de Nova York em 2008 para arrecadar dinheiro para pessoas que lutavam contra o mal de Parkinson, já que seu pai sofria com a doença. Seu objetivo era “se juntar a milhares de outros homens e mulheres para correr de forma solidária contra a dor psíquica e a humilhação física”. Além das belas palavras, Reynolds também fez bonito sobre o asfalto nova-iorquino, concluindo a prova em 3h50min22s.

James Blake

Conhecido como um dos tenistas mais ágeis de sua geração, o americano James Blake, ex-número 4 do ranking masculino, abandonou as quadras em 2013, aos 33 anos. Dois anos depois, correu a Maratona de Nova York em 3h51min19s e dedicou o feito ao seu pai, que morreu de câncer em 2004.

James Blake
James Blake Reprodução

Pamela Anderson

Pamela Anderson ganhou notoriedade no final da década de 1980 ao correr de maiô na série “Baywatch”. Aquela, no entanto, não foi a única corrida marcante de sua vida. Em 2013, aos 46 anos, a atriz canadense registrou 5h41min03s na Maratona de Nova York.

Pamela Anderson
Pamela Anderson Reprodução

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Caroline Wozniacki

São poucos os atletas profissionais que topariam correr 42.195 km em um período de folga. A tenista dinamarquesa Caroline Wozniacki, ex-número 1 do mundo, figura nessa lista. Em 2014, aos 24 anos, ela fez uma pequena pausa nas raquetadas – era a oitava melhor tenista do mundo – e terminou a Maratona de Nova York em 3h26min33s.

“Este é o teste físico mais difícil de todos os tempos. Toda vez que eu saio em direção a uma quadra de tênis, sei o que esperar. Mas isso foi completamente diferente”, disse. Detalhe: na segunda metade da prova, a dinamarquesa teve um desejo inusitado enquanto corria: queria tomar um milkshake de baunilha.

Bryan Cranston

Muito antes de interpretar Walter White, o pacato professor que passa a produzir e vender metanfetamina em “Breaking Bad”, o ator Bryan Cranston se arriscou na Maratona de Nova York em 1985 – e teve um desempenho satisfatório, cruzando a linha de chegada em 3h20min45s.

Bryan Cranston
Bryan Cranston Reprodução

Katie Holmes

 
Seus papeis mais famosos foram em “Batman Begins” e no seriado “Dawson’s Creek”, mas a atriz Katie Holmes também pode se orgulhar de um feito esportivo. Enquanto corria a edição de 2007 da Maratona de Nova York, ela posou para fotos e fez uma pausa para dar um beijo em Tom Cruise, seu marido à época, antes de terminar a prova em 5h29min58s.

Katie Holmes
Katie Holmes Reprodução

Edward Norton

Edward Norton chocou o mundo do cinema com uma atuação brilhante no filme “As Duas Faces de um Crime”, lançado em 1996. Três anos depois, se firmou com mais uma atuação celebrada, desta vez em “Clube da Luta”, ao lado de Brad Pitt.

Já consagrado nas telonas, decidiu se dedicar à corrida. Em 2009, ele correu a Maratona de Nova York em 3h48min01s. Seu segredo para correr tão bem na maior cidade americana foi a preparação no Quênia, como indica a foto acima. O dinheiro arrecadado com sua participação na prova foi destinado a uma organização que promove o desenvolvimento da tribo africana maasai.

Edward Norton
Edward Norton Reprodução
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A corrida como caminho para ex-atletas após a aposentadoria

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A corrida como caminho para ex-atletas após a aposentadoria
A corrida como caminho para ex-atletas após a aposentadoria Revista 02

Paulo Roberto Falcão, ex-jogador do Internacional e da seleção brasileira, escreveu certa vez que “artistas que dependem da forma física morrem duas vezes”. A primeira, quando encerram suas carreiras profissionais; a segunda, como todos os outros mortais. Colocar um ponto final em uma jornada que envolve glórias, realização pessoal, entrega, dor e sacrifícios na vida privada provoca sentimentos mistos na maioria dos atletas: alívio nos que sofreram fisicamente durante anos e angústia para os que não sabem o que fazer longe da modalidade à qual tanto se dedicaram.

Veteranos nas competições de alto rendimento, os ex-atletas, muitas vezes, se veem na condição de juvenis quando o assunto é a obrigação de escrever o primeiro capítulo de suas novas vidas. “Você olha para a sua carreira, pensa um pouco e diz: ‘Parece que eu só sei fazer isso da minha vida’”, conta a judoca Danielle Zangrando, primeira mulher a colocar o judô feminino brasileiro em um pódio de Mundial — foi bronze em Chiba, no Japão, em 1995, na categoria até 56 kg — e medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007. Para Danielle, de 38 anos, um dos antídotos contra o vazio deixado pelo afastamento de competições importantes é a corrida, que mantém vivo o amor pelo esporte e oferece bem-estar.

Danielle Zangrando, primeira mulher a colocar o judô feminino brasileiro em um pódio de Mundial.
Danielle Zangrando, primeira mulher a colocar o judô feminino brasileiro em um pódio de Mundial. Revista 02


As passadas entraram na sua vida ainda na adolescência — e de uma forma nada confortável. Um dos sacrifícios feitos para alcançar o peso desejado para competir no judô era correr de moletom, uma estratégia ultrapassada que eleva a temperatura corporal e acelera a perda de líquidos.

Castigada por uma hérnia de disco na região lombar, Danielle abandonou os tatames em 2010 e, logo após sua aposentadoria, engravidou. Com Lara, sua filha, descobriu o “triathlon materno”. “Eu virei triatleta. Vivia para dar mamadeira, trocar fralda e botar para dormir”, lembra, rindo. À medida que a filha crescia, ela recuperava a independência e passava a procurar um novo esporte para chamar de seu. O judô, por envolver muito contato físico, representava um perigo a um corpo que tinha sofrido tanto nos anos anteriores.

Na areia firme da praia de Santos, cidade onde vive, ela resolveu dar uma nova chance à corrida e finalmente pegou gosto pelos treinos. Hoje, a corrida está à frente do judô em sua lista de preferências.

“Eu gosto de praia, gosto de sol. A corrida foi uma das primeiras atividades físicas que pratiquei depois do nascimento da minha filha. O judô lesiona muito, e a corrida é um esporte que oferece muita independência. Você não precisa de um parceiro para treinar. Dá para vir à praia sozinha, correr, terminar com um mergulho e curtir o dia”, contou, enquanto conversava com a O2 em um quiosque da praia de Santos.

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Na corrida, Danielle aprendeu a controlar o espírito competitivo que a manteve no judô durante mais de duas décadas. Assimilar que o desejo de vencer já não devia pautar sua vida, no entanto, não foi dos processos mais simples.

“Luto contra isso até hoje. Você para de competir, mas o competidor não sai de você. Você fica marcando tempo, alguém te passa e você pensa: ‘Preciso passar essa pessoa’. Em seguida, você conclui: ‘Para que estou fazendo isso?’”, reconhece.

Um episódio que simboliza sua luta para dosar a competitividade aconteceu no último mês de dezembro. Em uma viagem com Lara para Gramado, no Rio Grande do Sul, Danielle decidiu se inscrever de última hora na Corrida de Noel, prova de 10 km com o tema natalino. Em determinado momento, soube que era a terceira colocada. Por alguns instantes, quis acelerar o passo para assumir a liderança. Não demorou para concluir que a obsessão pela vitória deveria ser página virada em sua vida.

“Terminei a prova com o terceiro lugar. Fiquei feliz duas vezes. Primeiro, por ter segurado a minha onda, não ter caído na minha ‘neura’. Percebi que meu objetivo ali era viajar com a minha filha, não ser a primeira colocada em uma prova de corrida. Ao mesmo tempo, fiquei feliz por ter ido ao pódio, algo que eu ainda não havia alcançado na corrida”, afirmou.

Ultimamente, a corrida tem sido uma ferramenta para que Danielle vença o “mal do século”: a depressão. “Eu fiquei reclusa, não queria fazer nada, falar com ninguém. Acontece. Eu amo esporte e não tinha vontade de levantar da cama para fazer nada. Aí você pensa: ‘O que estou fazendo da minha vida?’”

“O esporte, às vezes, te exige tanto, tanto, mas tanto que você acaba se automutilando. Se eu não fizer uma atividade física, me faz falta. Mas, em alguns períodos da depressão, eu não queria fazer nada. Agora que já estou em uma fase melhor do tratamento, retomei. Se eu vejo que vou ficar irritada ou que posso ter uma alteração de humor, já canalizo para o esporte”, finalizou.

O reencontro com a boa forma

Em 1998, o judoca Rogério Sampaio competia sem patrocínio, tirava dinheiro de sua conta para ir às competições no exterior e estava prestes a ser pai. Certo dia, em uma mesa de bar em Foz do Iguaçu, percebeu que dificilmente recuperaria o nível apresentado anos antes e notou que a carreira profissional já não era mais prioridade em sua vida. Entre um gole e outro em seu chope, sentiu que o caminho mais apropriado era o da aposentadoria.

Em 1992, nos Jogos Olímpicos de Barcelona, Rogério superou o rótulo de azarão e levou a medalha de ouro na categoria até 65 kg. Seu ouro é um dos 30 que o Brasil conquistou até hoje em Jogos Olímpicos. Apesar do histórico vencedor, ele já se via “saturado” do judô. Depois daquela noite em Foz do Iguaçu, não fez esportes regularmente por três ou quatro anos.

 Nos Jogos Olímpicos de Barcelona, Rogério Sampaio superou o rótulo de azarão e levou a medalha de ouro na categoria até 65 kg.
Nos Jogos Olímpicos de Barcelona, Rogério Sampaio superou o rótulo de azarão e levou a medalha de ouro na categoria até 65 kg. Revista 02


A consequência da inatividade física foi o ganho de peso. Aos 35 anos, o medalhista de ouro havia engordado de 10 a 12 kg. Subir à balança passou a ser algo incômodo para alguém que sempre teve a disciplina como diretriz. Era a hora de voltar a praticar esportes.

O medo de sofrer com lesões o afastou dos tatames. O caminho encontrado foi o da corrida, que possibilitou que ele recuperasse a boa forma.

“A corrida é algo ao ar livre e há a questão da endorfina no corpo. Sempre achei extremamente bom para o meu bem-estar emocional e físico. Hoje, costumo correr duas ou três vezes por semana, de 8 a 10 km. Não me aventuro em distâncias maiores porque, como sofri muito como judoca, gosto de fazer uma distância que me deixe confortável”, disse. “Se eu fizesse um trabalho de fortalecimento, correr longas distâncias não seria algo desconfortável. Mas já tenho artrose no quadril, então prefiro me manter nessa faixa dos 10 km.”

Aos 50 anos, Rogério encara a corrida como um momento para se desligar de suas obrigações como gestor do esporte. Em junho, ele assumiu o comando da Secretaria Nacional do Ministério do Esporte, cargo que faz com que seu telefone celular toque constantemente. Mesmo com a agenda concorrida, ele encontra tempo para disputar provas de 10 km — e chega a completá-las em 53 minutos.

“Em vários momentos, vou para a corrida para fazer um tempo legal. Se estiver mais cansado por conta do trabalho, dou uma corrida para desestressar, só para colocar o coração em um batimento mais acelerado.

Fabi: Atleta até no tempo livre

Fabiana Alvim de Oliveira, a Fabi, é um dos rostos mais conhecidos do vôlei feminino verde e amarelo. A carismática líbero carioca conquistou dez medalhas de ouro com a seleção brasileira — duas delas nas Olimpíadas de 2008 e 2012. Aos 37 anos, ela segue em atividade no Sesc/Rio de Janeiro, mas sabe que a aposentadoria está próxima. “Velha para o esporte e jovem para a vida”, ela agora planeja seus próximos passos. A tendência é que a corrida de rua esteja entre eles.

Desde que deixou a seleção brasileira, em 2014, Fabi passou a ter férias. O tempo livre, contudo, não foi usado apenas para viajar e descansar. Longe dos treinos de vôlei, ela desenvolveu o hábito de correr pelo Rio de Janeiro. Entrou em uma assessoria esportiva, gostou do ambiente que encontrou e ganhou intensidade nos treinos.

Fabiana Alvim de Oliveira, a Fabi, é um dos rostos mais conhecidos do vôlei feminino verde e amarelo.
Fabiana Alvim de Oliveira, a Fabi, é um dos rostos mais conhecidos do vôlei feminino verde e amarelo. Revista 02

“Eu sou muito agitada, sempre quero fazer outrascoisas. Me bateu essa curiosidade de fazer outro esporte, algo em que eu pudesse trabalhar a mente, me desafiar. Sempre fui apaixonada por corrida”, contou. “Eu já vejo que, no futuro, quando parar de jogar, a corrida vai ser o meu segundo esporte. Vou adotá-la para a vida. Não tem uma idade certa para correr.”

Neste ano, Fabi recebeu o sinal verde do preparador físico de seu clube para disputar uma meia-maratona em suas férias e participou da Asics Golden Run no Rio — a marca japonesa é sua patrocinadora. Cruzou a linha de chegada em cerca de 2h20min, fazendo uma manchete, em alusão a um dos movimentos que lhe deram prestígio e notoriedade no vôlei.

A corrida mexeu com a cabeça de uma atleta que já ganhou duas medalhas olímpicas e tem quase duas décadas de vôlei profissional nas costas.

“Vejo que cada um tem uma história de superação diferente. Tem muita gente que vai para a corrida porque passou por uma depressão, por uma obesidade. Tem quem corra para incentivar alguém da família. Eu acho muito interessante. Isso mexe muito com a questão mental. No início, eu me sabotava muito. Depois que comecei a entender o que é a mente, fui parando de me sabotar. Uma corrida longa requer preparação, dedicação. É um desafio difícil à beça”, admite.

Mas como Fabi explica o fato de “sacrificar” as férias para se aventurar em uma nova modalidade? Segundo ela, tudo se resume em amor ao esporte.

“Eu tirei dez dias para viajar. Na minha viagem, consegui correr por lá. Acho que está dentro de nós esse amor pelo esporte. Eu descansei e corri na hora que queria. Conversando com ex-atletas, vejo que é uma veia esportiva. É impossível se desligar do esporte. Está na nossa filosofia de vida. É isso que fez eu me apaixonar pela corrida.”

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Correr é bom para… Descubra os benefícios invisíveis da corrida

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Correr é bom para… Descubra os benefícios invisíveis da corrida
Correr é bom para… Descubra os benefícios invisíveis da corrida Shutterstock

Por que você corre? Correr é bom para emagrecer, tonificar as coxas, manter a forma e trabalhar a resistência muscular. Mas a corrida não é só sobre ficar com o corpo em forma.

Praticar um esporte como a corrida também é uma das melhores coisas que você pode fazer pelo seu cérebro em termos de humor, memória e aprendizado.

Isso faz parte da tese do psiquiatra John Ratey, da Harvard Medical School, autor do livro “Spark: A nova ciência revolucionária do exercício e do cérebro”. Segundo ele, bastam 10 minutos de atividade física para que o seu cérebro comece a se aprimorar. 

5 razões além da estética para começar a correr

Sem estresse
Correr por 30 minutos, na esteira ou na rua, pode mandar embora qualquer tensão. E é tudo uma questão de hormônios. Quando corremos, aumentamos os níveis de substâncias químicas calmantes como serotonina, dopamina e norepinefrina.

Mas segundo um estudo recente, o efeito do exercício pode ser ainda maior. Correr pode funcionar em nível celular para reverter o impacto do estresse em nosso processo de envelhecimento. 

Trata a depressão e a ansiedade melhor que remédios
Correr é bom para ser mais feliz. Segundo pesquisas, praticar atividades aeróbicas por pelo menos três vezes por semana pode reduzir os sintomas da depressão  e de ansiedade de forma tão eficaz quanto tomar remédios. Também ajuda a estimular o crescimento de neurônios em certas regiões do cérebro danificadas pela depressão.

Além disso, estudos com animais descobriram que a atividade estimula a produção de moléculas cerebrais que melhoram as conexões entre as células nervosas, agindo assim como um antidepressivo natural.

Nascem novos neurônios
Pouca gente pensa que a corrida pode tonificar também nosso cérebro. Mas, segundo pesquisas, o exercício físico aumenta o processo de criação de células cerebrais e de conexões entre neurônios,  o que pode melhorar a atenção e a concentração. 

Você se ama mais
Correr é bom para melhorar a autoestima. Estudos sugerem que quando começamos a ver melhorias simples de condicionamento, aptidão física e fôlego, ou quando conseguimos alcançar metas que achávamos ser impossíveis antes, a confiança e a autoestima crescem. 

Te deixa “high”
A sensação depois de um treino intenso é de euforia pura. Muita gente chama de “runner’s high”esse tal barato do corredor. Atividades intensas como sprints, HIIT e outras também são efetivas para essa sensação de euforia. 

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Correr é bom para… Descubra os benefícios invisíveis da corrida

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Como a corrida te deixa mais forte psicologicamente

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Como a corrida te deixa mais forte psicologicamente
Como a corrida te deixa mais forte psicologicamente Shutterstock

De fato, além do benefício físico, a corrida ajuda uma pessoa a ficar mais forte psicologicamente. Aliás, o esporte tem a capacidade de ensinar muito às pessoas e reproduzir situações semelhantes às do cotidiano. É comum constatar que a corrida se converte rapidamente em uma poderosa ferramenta de autoconhecimento.

Talvez isso explique a enorme popularidade da modalidade em todos os cantos do planeta. A cada quilômetro nos treinos e provas, a corrida pode nos dar uma série de lições. Listamos quatro fatores da corrida que contribuem para que ela seja também uma aliada da sua mente.

Como a corrida ajuda uma pessoa a ficar mais forte psicologicamente

1) Terapia sem custos
“A corrida gera autoconhecimento. É um esporte sem intervalos em que a pessoa fica sozinha e está pensando o tempo todo. E tem sido cada vez mais raro entrar em contato consigo mesmo na sociedade atual”, explica a psicóloga do esporte Julia Amato.

A rotina de trabalho, a convivência familiar e até mesmo os inúmeros dispositivos tecnológicos que surgiram nos últimos anos fazem com que o tempo para refletir sobre os rumos da própria vida seja cada vez mais escasso. Além de trazer benefícios à parte física, a corrida representa uma jornada de autoconhecimento. Os minutos ou horas em que a pessoa se dedica às passadas são acompanhados de diversos pensamentos sobre profissão, projetos pessoais e relacionamentos. Segundo Carlos Tramontina, jornalista da TV Globo, é “a terapia mais barata que existe”.

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2) Desenvolve resiliência

Imagine a seguinte situação: você está no km 34 de uma maratona para a qual se preparou durante cinco meses e sente um forte incômodo em um dos pés. É inevitável pensar que abrir mão daqueles 8 km restantes seria jogar no lixo toda a dedicação dos meses anteriores. É aí que você tira um gás que pensava que não tinha e cruza a linha de chegada. O sacrifício físico e mental é transformado automaticamente na gratificante sensação de dever cumprido.

As dores são obstáculos comuns para quem vive a corrida há algum tempo. Transportar essa resiliência (a capacidade de lidar com problemas, adaptar-se a mudanças e resistir à pressão de situações adversas) para outros campos da vida pode te levar mais longe na profissão, por exemplo.

3) A importância de dosar a competitividade
A competitividade é o motor para que qualquer esportista tenha vontade de superar limites e alcançar grandes objetivos. É esse apetite que te move a resultados que nem você acredita que seria capaz de alcançar.

Em contrapartida, a competitividade em excesso pode provocar ansiedade, lesões e problemas interpessoais. Afinal, ninguém quer conviver com um egocêntrico que, antes de dar “bom dia”, sai tagarelando sem critério algum sobre seus tempos nas maratonas de Chicago, Berlim ou Boston, talvez com o intuito de diminuir os feitos dos outros.

“A competitividade é sadia quando a pessoa direciona isso para a dedicação nos treinos, a alimentação regrada e as atividades complementares, como a musculação, por exemplo. A partir do momento em que ela vai competir com o outro, se essa competitividade estiver fora da linha, pode surgir um overtraining”, analisa Amato.

4) Lições de humildade
Você certamente já se deparou diante de um amigo ou companheiro de treino que estabeleceu metas inatingíveis para a corrida. Saltar dos 5 km para a meia-maratona em apenas dois meses e almejar um tempo baixíssimo sem treinar o suficiente para alcançá-lo são apenas alguns dos exemplos de objetivos pouco ou nada factíveis.

Os tombos na corrida devem ser encarados como verdadeiras lições de humildade, sinais de alerta para a transformação de nosso comportamento no esporte – e, por que não, na vida. Lidar com a frustração e usar as experiências negativas para acertar no futuro é uma das heranças da modalidade.

Sua forma de encarar a corrida pode ser um sinal de sua arrogância – ou de sua humildade, é claro. Nenhum corredor está imune às dificuldades que podem surgir no percurso.

Por mais preparado que você esteja, sempre pode pintar algum contratempo. Na Maratona de Londres de 2017, Kenenisa Bekele esperava quebrar o recorde mundial dos 42 km, mas terminou com a segunda colocação e encontrou uma justificativa incomum para seu fracasso: culpou seu par de tênis pelo resultado. A declaração soou arrogante e repercutiu mal na mídia estrangeira.

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Como a corrida te deixa mais forte psicologicamente

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Aos 49, corredora bate RP e sobe no pódio pregando corrida sem pressão

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Aos 49, corredora bate RP e sobe no pódio pregando corrida sem pressão
Aos 49, corredora bate RP e sobe no pódio pregando corrida sem pressão Foto: Ricardo Soares

Ana Gestal é a prova viva de que a dedicação é o tempero do êxito. Corredora há mais de três décadas, já se aventurou pelo triathlon e correu sua primeira maratona meses após o nascimento de sua primogênita. Este ano, alcançou o terceiro lugar na 42k de Floripa.

Com uma rotina apertada após a chegada do caçula, Ana passou a ir para a academia na hora do almoço, o único horário disponível na vida de mãe, advogada e esposa. Desde então, ela caça seu melhor recorde pessoal entre participações em majors como Berlim, Chicago e Boston. 

“O Alexandre, meu marido, não me deixa desanimar nunca, é superparceiro. Depois que o Lorenzo fez 3 anos, voltei a participar das corridas e retomei em 2012 o ânimo para as maratonas”, comenta Ana.

Depois de uma tentativa frustrada de completar sua segunda Maratona de Boston em abril deste ano, voltou determinada a dar o seu melhor. “Na época do treinamento (para Boston), minha mãe ficou doente, o marido havia se machucado… Tudo isso me desgastou muito. Não fiquei 100% presente na prova e decidi parar no km 20”, rememora.

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Decidida a enfrentar os 42k de Floripa, seguiu o script, treinou religiosamente e alimentou-se como deveria, ciente de que o importante era aproveitar cada segundo, sem a mesma cobrança anterior.

Ana conta que decidiu aproveitar os dias anteriores à prova com amigos e família. “Na quinta, descansei na praia. Na sexta, joguei bola com meu filho e no sábado estava comendo pipoca no cinema. Acordei em paz, encaixei o ritmo (a 4’30”) durante a prova inteira e nem percebi quando estava chegando ao fim”, comenta.

Recebida pelo filho e marido no km 36, foi pega de surpresa quando descobriu que estava em terceiro lugar na distância. “Não acreditava! Quando olhei as 3h09min40s no relógio, fiquei perdida. Cruzei a linha sendo amparada pelo meu filho, isso vai ficar para sempre na minha memória.”

Ao subir no pódio, a euforia cresceu no peito. “Já havia ganhado muitos troféus em outras distâncias, mas estrear nos primeiros lugares de uma maratona me deixou toda arrepaiada”, disse.

Depois de Floripa, Ana aprendeu uma lição valiosa: é essencial respeitar os limites. “Nada de insistir em um treino se você está cansado. É melhor ficar sem fazer nada do que entregar algo pela metade”, sinaliza, “a corrida é a minha terapia, a hora que eu medito, que dou risada, choro.”

Ana também deixa um conselho para repensarmos nossa relação com o esporte: “Não é você que precisa encaixar a vida na corrida, é a corrida que precisa se encaixar na sua vida”. 

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Apresentadora Bárbara Coelho explica como a corrida colabora com evolução na TV

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Como a corrida auxilia a jornalista Bárbara Coelho
Como a corrida auxilia a jornalista Bárbara Coelho Foto: Pedro Macedo

Bárbara Coelho não entrou nos gramados russos uma vez sequer, mas terminou a Copa do Mundo valorizada. Enquanto craques do futebol, como Kylian Mbappé e Luka Modric, brilhavam dentro das quatro linhas, a jornalista do SporTV roubava a cena com sua desenvoltura, simpatia e comentários no Central da Copa, programa que comandou ao lado de Tiago Leifert.

Conhecida por apresentar o Tá na Área e participar do Bem, Amigos, ambos da emissora, com 30 anos, Bárbara Coelho não limita o seu interesse pelo esporte ao futebol.

Mais do que um atalho para o emagrecimento e a boa forma, a corrida fez com que a capixaba progredisse em sua profissão. Geralmente, ela é vista correndo no calçadão ou na areia da praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Conforme ganhava ritmo na modalidade, via sua concentração e seu foco em frente às câmeras aumentarem.

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“A corrida não é só um exercício físico. É completa para o corpo e a mente. O esporte trouxe uma maturidade que faltava para a minha vida. Eu me distraio com muita facilidade, principalmente fazendo atividade física. Quando comecei a correr, passei a entender o que precisava para me concentrar mais, os caminhos que preciso tomar para voltar à minha linha de raciocínio”, contou a apresentadora à O2.

O interesse pela corrida surgiu em 2013, três anos depois de sua mudança do Espírito Santo para o Rio. “Caminho mais fácil” para quem vive uma profissão em que a rotina é não ter rotina, a corrida simbolizou o reencontro com um estilo de vida mais ativo.

Conciliar o gosto pela corrida com as obrigações profissionais e a vida particular não é fácil. Com a apresentação do Tá na Área, as viagens constantes para São Paulo — onde é gravado o Bem, Amigos — e a necessidade de acompanhar os jogos ao vivo, o jeito, muitas vezes, é recorrer à esteira e às aulas de running quando vê uma brecha na agenda.

A maior distância completada por Bárbara em uma prova de corrida de rua foi 10 km. “Foi em uma corrida organizada pelo GNT, no Aterro do Flamengo. Fui meio forçada, porque já tinha feito a inscrição. Quando terminou a corrida, tive uma sensação incrível de prazer e satisfação”, recorda.
A participação em uma meia-maratona figura na lista de desejos da jornalista. Os 21 km só não saíram ainda porque ela não para de receber oportunidades profissionais.

“Estou muito feliz com meu momento profissional. Você começa a ter mais respaldo para os erros e os acertos. Não estou ali por favor. Não estou ali por cota. Gostaria que a mulher buscasse esse olhar. Nós conquistamos o direito de estar ali.”

Bárbara Coelho e outras profissionais na luta contra o machismo no esporte
No jornalismo esportivo, casos que envolvem torcedores agressivos e assediadores motivaram a criação do movimento “Deixa Ela Trabalhar”, integrado por Bárbara Coelho e mais de uma centena de profissionais.

Combater as situações do machismo, na verdade, se estende também à prática de esportes. Na corrida, são comuns os relatos de mulheres incomodadas durante seus treinos.

“Eu nunca passei por nada que me deixasse chateada, que fosse algum tipo de assédio. Mas vejo que as mulheres pegam aqueles fones gigantes e colocam nos ouvidos para não serem incomodadas no trajeto do trabalho ou até mesmo na corrida. Acho que, hoje em dia, o olhar é tão crítico que já vejo mudança de comportamento da sociedade. Acho que já há uma diferença de comportamento nas pessoas”, analisa.

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Runner’s high: a ciência por trás desse fenômeno

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Runner’s high: a ciência por trás desse fenômeno
Runner’s high: a ciência por trás desse fenômeno Shutterstock

Euforia, alegria, contentamento, uma sensação de leveza misturada com excitação e relaxamento. Já sentiu algo assim depois de correr ou enquanto corria? Alguns dizem que ficam mais relaxados, outros mais agitados — e não tem um timing certo para acontecer, mas essa sensação de felicidade é quase unânime. É o tal runner’s high, ou simplesmente o barato do corredor. Para muitos, é isso que faz a corrida ser tão viciante.

É fato que correr desencadeia um montão de coisas boas aí dentro — e que podem te deixar “alto” de verdade. Uma mistura de hormônios e neurotransmissores que começam a ser liberados, se conectam e bum! De repente começa uma avalanche de sensações que te fazem até esquecer do cansaço e anestesiar a dor.

“Sinto o high depois dos primeiros 3 km. Parece que quando começamos a correr o corpo ainda não está ‘encaixado’ e a mente está barulhenta, mas depois de 15 minutos eu já começo a sentir a tal da endorfina e o corpo fica mais solto. Parece que dá um clique e você se sente solto, livre. Não existe pensamento algum. O high vem quando a corrida encaixa e eu solto o corpo na pista”, descreve o publicitário Pedro Ignácio, de 29 anos.

Para Valéria Duarte Garcia, doutora em neurociências e comportamento pela USP, esse fenômeno está relacionado com nossas adaptações evolutivas ao longo dos anos. “Quando nossos ancestrais precisavam correr por longas distâncias, nosso cérebro fazia uso de artifícios químicos para diminuir a percepção de dor, manter a motivação e permanecer em movimento para buscar o alimento, um dia após o outro. Hoje, no nosso caso, ele faz a gente voltar para o treino”, continua a doutora.

A ciência por trás do runner’s high
Já se sabe bastante sobre as relações profundas entre o cérebro e a corrida: correr pode ser benéfico para aumentar os neurônios ativos, para combater males como a ansiedade e a depressão, para melhorar aspectos cognitivos do envelhecimento (habilidades de movimento e coordenação que perdemos ao longo da vida) e para nos deixar mais felizes também. Mas quanto disso é química e quanto é apenas a mente em ação?

“Por um longo tempo, as pessoas acreditavam que a resposta para o runner’s high era apenas a endorfina — com o exercício de longa duração você libera endorfinas, que têm um efeito semelhante à morfina no corpo e, portanto, podem ser responsáveis pelos sentimentos de bem-estar. Em alguns estudos, porém, quando os efeitos das endorfinas foram bloqueados quimicamente, as pessoas ainda experimentaram este high — de modo que todo o argumento da endorfina foi questionado”, explica Valéria.

O que mais poderia afetar o humor de uma pessoa neste nível afinal? “A secreção de neurotransmissores como a norepinefrina, a dopamina, a anandamida e a serotonina, por exemplo, além da leptina (um hormônio). Eles foram todos estudados para entender o high do corredor, pois tendem a ser liberados e produzidos em maiores concentrações durante o exercício”, continua ela.

Mas todo mundo sente o runner’s high? Como alcançar esse estado de contentamento em todas as corridas? Mais importante, é ele que te faz continuar correndo e querendo sempre mais? “Temos todas as condições fisiológicas para atingir esse barato do corredor porque é algo químico que acontece dentro do organismo. Os neurônios liberam as substâncias, mas existem diferenças individuais quanto aos efeitos das sensações desse fenômeno, o tempo e forma que acontecem. Até os efeitos imperceptíveis atuam no bem-estar do organismo”, explica a doutora Valéria, que também é corredora amadora de longas distâncias.

Um estudo de neuroimagem realizado na Universidade de Bonn (Alemanha) descobriu que exercícios aeróbicos liberam, sim, endorfinas, que desempenham um papel crucial na excitação, emoção e cognição. Mas essas sensações não são causadas apenas por elas. Em um outro estudo, pesquisadores alemães descobriram que o sistema endocanabinoide do cérebro — conjunto de receptores e enzimas que trabalham como sinalizadores entre as células e os processos do corpo e é o mesmo afetado pela maconha — também pode desempenhar um papel na produção desse famoso high da corrida.

Um endocanabinoide solúvel em lipídios chamado anandamida — também encontrado em níveis elevados no sangue das pessoas após a corrida — pode viajar do sangue para o cérebro e ajudar a desencadear essa ‘brisa’.

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Outro estudo feito com estudantes universitários, em pequena escala, comprovou essa ideia. Publicado na revista Cognitive Neuroscience, selecionou atletas universitários bem treinados para correr ou pedalar durante 50 minutos. Depois, mediu os níveis de endocanabinoides no sangue. Além de os níveis estarem elevados, os atletas sentiram efeitos semelhantes aos compostos ativos da maconha: redução do estresse, alívio da dor, sensação de bem-estar e relaxamento. “O high do corredor age nos mesmos receptores do THC, ou seja, seu cérebro produz sua própria maconha”, continua Valéria.

As descobertas indicam que o runner’s high é mais do que um simples aumento de um produto químico no cérebro, é uma dança complexa de compostos psicoativos liberados em resposta a exercícios que aumentam o seu humor, o seu nível de energia, mas também aliviam a ansiedade e fazem você se sentir calmo e relaxado.

Cada um com seu barato
Lembre-se: não existe uma maneira garantida, muito menos única de alcançar esse barato. “Não pense que você está fazendo algo errado apenas porque um parceiro de treino fala que sente isso o tempo todo e você não sente o mesmo. O high ocorre em momentos diferentes para diferentes pessoas. O que funciona um dia também pode não funcionar no próximo”, explica Valéria. A seguir, pedimos para alguns corredores tentarem explicar a sensação.

Runner’s high ou flow?
Ainda que descrevam uma sensação de excitação com a corrida, muitas pessoas confundem o high com outra definição: o flow (fluir), que é quase como uma meditação em movimento. “Os movimentos naturais da corrida, realizados de forma repetitiva, funcionam como um mantra, fazendo com que nosso cérebro oscile de ondas cerebrais com frequências altas para frequências mais baixas. Quanto maior o tempo de exposição (a distância percorrida), mais facilmente o atleta tem a capacidade de desfrutar da meditação ativa e transitar entre frequências cerebrais cada vez mais baixas, atingindo um estado alterado de consciência (flow)”, explica Valéria.

Para sentir o runner’s high basta começar a correr e permanecer em movimento rítmico por algum tempo, pois é algo muito mais fisiológico. Já o flow é outra coisa. É um fenômeno psicológico complexo que precisa de muito trabalho mental e físico também. “Com o treinamento certo eu consigo preparar um atleta para o estado do flow”, explica Valéria, que garante que isso pode até aumentar a performance de atletas que o atingem.

Esse modelo psicológico de flow nada mais é do que aquele momento em que o atleta está totalmente concentrado na atividade física, apresenta alta motivação intrínseca e tem sua consciência inteiramente envolvida pela ação. “Neste momento dizemos que ele atingiu o estado de flow. Essa experiência também tem sido associada a mudanças na atividade cortical, especialmente nas regiões frontais do cérebro, e tem sido relacionada com um aumento da performance cognitiva após o exercício”, complementa Valéria.

“Para a psicologia, o flow é uma reconexão da mente com o corpo por meio do esporte; é um acreditar em si mesmo”, explica Gustavo Monhallem, psicólogo do esporte e coach motivacional do Espaço Lio (SP). “O flow é um ‘ir buscar’ que envolve corpo, mente e espírito. A liberdade que o correr traz, a sensação de ‘eu posso’… e isso pode transformar uma pessoa”, completa.

Quer entrar em flow correndo? “Tente excluir qualquer pensamento ou emoção que não seja relacionado à sua corrida, torne-se parte dela, tente se unir ao ambiente, seja na montanha, na pista, no asfalto”, finaliza Valéria.

High

  •  Liberdade atencional

Você apenas está correndo e sentindo o prazer da corrida, não exige atenção nem foco, os neurotransmissores simplesmente agem enquanto você corre.

  • Sem engajamento temporal

É puramente químico! Você começa a correr e os neurotransmissores passam a ser liberados no cérebro, gerando uma sensação de prazer, um “barato”.

  • Abrangente

O high pode começar  assim que você calça o tênis ou no meio da corrida como uma vozinha interior que diz: “Vamos correr, a recompensa está logo ali no fim do treino”

Flow

  • Foco atencional

Você precisa se desligar do ambiente e concentrar-se apenas no movimento, no seu corpo, na respiração. É necessário foco para o flow agir e te ajudar na corrida.

  • Engajamento temporal

É uma prática que leva anos de treinamento mental e psicológico para que você atinja e entenda o que é estar em flow enquanto corre.

  • Específico

Acontece apenas durante a corrida e se define naquela força que você nem sabia que tinha. Um foco energizado e envolvimento pleno com a prática.

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Psiu, deixa elas correrem em paz! Mulheres desabafam sobre assédio na corrida

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Assédio na corrida: mulheres desabafam
Assédio na corrida: mulheres desabafam Ricardo Soares

Toda mulher já passou por uma situação constrangedora de ser provocada na rua por um homem. E acredite, o assédio na corrida também é um problema para as atletas que treinam na rua. Muitas até deixam de correr ao ar livre para não terem que ouvir comentários tenebrosos . E, não, o problema não está no short de corrida ou no top. Está na mentalidade de quem continua perpetuando ideias e tratamentos depreciativos às mulheres.

Assédio na corrida virou parte da rotina
O assédio na corrida é tão, mas tão comum, que muitas das mulheres com quem a O2 conversou afirmaram que até já se acostumaram com as abordagens invasivas. “Acho que por estar de shorts ou calça legging, sei lá, passei por muitas situações de assédio. De assovios a gritos de ‘gostosa’. Normalmente é quem está dentro do carro que faz isso. Falam coisas tão pesadas que dá até vergonha de repetir”, conta Carla Caroline, corredora de São Paulo.

Fora o drama de pensar na roupa “certa” para treinar e planejar o percurso para evitar esse tipo de constrangimento (e até coisa pior), é preciso ter jogo de cintura para evitar o assédio: atravessar a rua, mudar a rota, sair acompanhada e escolher um horário que não seja nem muito cedo nem muito tarde. Muitas desistem desse trabalhão e vão correr na esteira; outras se inscrevem em uma assessoria esportiva ou encontram um grupo de corrida. Sozinhas, nunca. Vai que.

Você aí, leitor, pode até dizer, “ah, mas é elogio”, “se não gostar é só ignorar, fingir que não ouviu”. Entretanto, não é, não. Não é nada agradável ouvir palavras de cunho sexual de alguém que você nunca viu na vida. É constrangedor e, sim, ignoramos tanto a ponto de nos sentirmos culpadas às vezes.

“Ah, eu esqueci que ia pegar o metrô e estava de shortinho de corrida”, “Poxa, eu que vacilei em correr de top na rua” estão entre outras desculpas que damos para justificar a falta de vergonha alheia. “Não tem nenhuma vez que eu esteja correndo e não receba pelo menos uma buzinada, um farol alto, um ‘elogio’. Algo curioso é que não me lembro de ter sido assediada por outros corredores”, conta Mariane Takahashi, que corre desde 2016.

O mais triste disso tudo não são apenas as histórias, mas não ter uma solução para o problema, a não ser o bom senso. “É cultural”, como dizem por aí. Ei, psiu, você. Deixe elas correrem em paz.

“Tinha medo de ir treinar antes de amanhecer” – Tatiane Cris
“Tinha medo de ir treinar antes de amanhecer” – Tatiane Cris Ricardo Soares

Ô, lá em casa!
Vallery Mello, 36 anos, SP 

Toda mulher passa por isso. Infelizmente. Normalmente. Na rua, no trabalho, em qualquer lugar. Vi um vídeo que dizia que a cada dez mulheres, nove assumem ter passado por isso e uma tem vergonha de falar. Às vezes, é uma gracinha que você nem considera um assédio. Em 2013, em um treino de rua, saí para correr em São Bernardo do Campo (SP) e em determinado ponto um carro passou por mim, diminuiu a velocidade e deu a volta. Percebi o movimento e tive muito medo; sabe aquele frio na espinha? Na hora, vi duas mulheres paradas na esquina, esperando por alguém. Parei e pedi para ficar com elas ali. O carro deu a volta e foi embora. Não aconteceu nada, mas podia ter acontecido. Eu tive uma sensação muito ruim. Enfim, são muitos “vai que” antes de sairmos para correr. Como podemos aceitar isso?

D., 27 anos, SP

Estava a caminho da USP. Moro longe e resolvi começar a ir de metrô e trem. No primeiro sábado indo de transporte público deu tudo certo. Vesti regata e shorts e pus uma calça mais larga por cima de tudo (tirei só na hora do treino). Confesso que já fui com a calça por medo de possíveis assédios. No segundo sábado, saí atrasada e esqueci totalmente da calça por cima. Estava de short estilo ciclista, um pouco acima do joelho, regata e uma jaqueta corta-vento. Já no metrô, recebi encaradas pelo caminho inteiro. Cheguei a tirar a jaqueta para jogar por cima das minhas pernas.

Mas o pior foi quando fiz a transferência do metrô para o trem. Três homens (não eram garotos) vieram perto de mim enquanto eu aguardava o trem e começaram a falar um monte de besteiras do tipo “Não quer treinar lá em casa?”, entre outras. Fechei a cara e saí de perto deles. Eles riram, continuaram falando e se aproximaram de mim. Fiquei com tanto medo que não embarquei no trem, nem peguei os dois seguintes. Não queria correr o risco de descerem na mesma estação que eu. Destaco a roupa que eu estava usando, porque algumas pessoas justificam o assédio por esse motivo. Inclusive, quando contei para um colega de trabalho, ele disse: “Não sei se é o seu caso, mas vejo a mulherada correndo de shortinho, aí não tem como a galera não mexer, né?”. Se esse tipo de afirmação vem até de amigos, fica difícil. Vou ter mesmo que correr toda coberta?

Carla Caroline, 30 anos, SP

Uma vez estava perto da estação Vila Prudente (zona leste de São Paulo) correndo e passei em frente a uma obra. Um cara que trabalhava lá começou a mexer comigo. Dessa vez, sei lá por que, resolvi revidar. E ele começou a me xingar bem alto — disse que se não quisesse elogio, que saísse com outra roupa. Que eu era feia e que estava me fazendo um favor por mexer comigo, entre outros absurdos. E dá medo, como não? Tem dias que eu prefiro correr à noite, mas agora não vou mais. Até as 18h eu vou. Não quero passar por esse tipo de constrangimento novamente.

Tatiane Cris, 26 anos, SP

“Na época em que precisava fazer uns treinos longos para maratona, quando temos que correr por 3 horas ou mais, tinha medo de ir treinar antes de amanhecer, então meu treinador teve que ir comigo. Sempre tem que fazer aquela listinha mental: Onde vou? Como vou? Com que roupa eu vou? Quem vai estar por lá? Acho que homens não precisam fazer isso quando decidem sair para correr.

Pauline Gras, 30 anos, SP

Estava correndo na orla de Santos sozinha e passei por uns caras sentados nos bancos. Gritos, fiu-fiu e frases constrangedoras como: “Continue correndo assim que os peitos vão balançando”. Como é possível se concentrar e manter o ritmo da corrida depois de ouvir esse tipo de coisa? Em outra oportunidade, no Rio de Janeiro, eu e uma amiga tivemos que acelerar o pace e entrar em uma loja depois de dois caras começarem a nos perseguir e falar um monte de besteiras. Além, óbvio, das eternas olhadas nos peitos quando corria de top. Já nem me lembro da última vez que corri sem camiseta.

Priscila Arcanjo, 30 anos, SP 

Comigo aconteceu dentro do Parque Ibirapuera, em um sábado bem cedinho, correndo sozinha. Um homem passou e começou a me acompanhar de bicicleta, falando um monte de coisas que queria fazer comigo. Fiquei com muito medo e meio sem saber o que fazer, mas continuei correndo e vi dois guardas perto do banheiro. Parei para contar a eles o que aconteceu. Depois disso, o homem foi embora, mas dei um tempo e saí correndo do Ibira no primeiro portão que vi.

Debora Freire, 27 anos, SP 

Corro por hobby e por prazer. Mas na rua é horrível correr junto com os carros, porque fechou o semáforo, já era. Você vai ficar ali parada e começar a ouvir os absurdos. Tem uns trechos perto da Radial Leste (zona leste de São Paulo), onde corro, que evito porque são trechos meio abandonados e tal. Vai que. Temos que ficar pensando no trajeto, evitar passar por viadutos. Mas, independentemente do que a gente veste, a gente ouve. Em escalas diferentes, de acordo com a roupa. De shortinhos e legging o assédio é muito maior. Quase unânime. Infelizmente ser mulher é viver essas situações e ter que se acostumar a elas. Não corro à noite se meu amigo não corre comigo. Nem tão cedo, porque é vazio e pode acontecer alguma coisa. Sozinhas nos tornamos alvos mais fáceis.

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“Um homem passou e começou a me acompanhar de bicicleta” – Priscila Arcanjo
“Um homem passou e começou a me acompanhar de bicicleta” – Priscila Arcanjo Ricardo Soares

Quem nunca?
Em uma pesquisa realizada pela campanha Chega de Fiu Fiu em 2013, das 7.762 mulheres ouvidas, 81% afirmaram que já deixaram de fazer alguma coisa por medo de assédio. De acordo com uma pesquisa do Instituto YouGo, 86% das brasileiras já sofreram assédio em público, sendo 77% assovios, 74% olhares insistentes, 57% comentários de cunho sexual e 39% xingamentos. Metade dessas mulheres afirmou que já foram seguidas na rua; 44% já tiveram seus corpos tocados; 37% relataram que homens se exibiram para elas e 8% foram estupradas em locais públicos.

Quando questionadas sobre qual situação gerava mais medo, 70% das entrevistadas afirmaram que era ao andar pelas ruas, onde se sentiam mais vulneráveis. Ou seja: quase todas as mulheres do nosso país já foram assediadas. E nós, corredoras, fazemos parte dessas estatísticas.

Outros números do assédio

1 em cada 3 brasileiros culpa a mulher em casos de estupro
No Brasil, uma mulher é estuprada a cada 11 minutos
Apenas 10% das agressões contra mulheres são registradas
42% dos homens concordam com a frase “mulheres que se dão respeito não são estupradas”
32% das mulheres concordam com a frase acima
85% das mulheres têm medo de serem vítimas de agressão sexual

Nos EUA
Segundo o National Street Harassment Report, o assédio baseado em gênero afeta 65% das mulheres e 25% dos homens. Uma pesquisa da Inglaterra com 2 mil mulheres mostrou que mais da metade delas já enfrentou algum tipo de assédio sexual enquanto corriam sozinhas. A pesquisa foi encomendada pelo England Athletics e mostrou que 60% se sentem ansiosas ou preocupadas quando vão sair para correr sozinhas. Muitas deixam de praticar atividade física ao ar livre para evitar o assédio. A pesquisa foi publicada pelo RunTogether, um programa nacional criado para encorajar pessoas a começarem a correr.

Dicas de segurança

Pedimos aos treinadores Rodrigo Lobo e Nelson Evencio, ambos de assessorias esportivas de São Paulo, para darem dicas para as corredoras se manterem seguras e evitarem o assédio na corrida.

Nelson Evencio: Sempre falo para nunca correr sozinha em local escuro ou deserto. Quando minhas alunas têm longão que começa muito cedo, chego no mesmo horário e faço pelo menos o começo do treino com elas. Para quem volta de transporte público, é bom colocar uma camiseta, calça ou bermuda mais comprida. Evite ir embora usando só short e top. Parece uma dica absurda, mas infelizmente muita gente que não é da tribo da corrida não está acostumada a ver pessoas mais à vontade.

Rodrigo Lobo: O mais importante é buscar locais com circulação de pessoas. É triste dizer isso, mas é cultural e muito natural em todos os lugares esses assédios contra as mulheres. O melhor é ignorar, até porque reagir pode piorar a situação. Se algo acontecer, peça ajuda. Não dá para falar sobre roupas porque acredito que todo mundo deve se vestir do jeito que bem entender e isso não deveria justificar o assédio.


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Inglesa disputa ultramaratona amamentando e sensibiliza corredores

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Inglesa disputa ultramaratona amamentando e sensibiliza corredores
Inglesa disputa ultramaratona amamentando e sensibiliza corredores Foto: Alex Berg/Strava

A ultramaratonista britânica Sophie Power decidiu parar durante a Ultra-Trail Mont Blanc (UTMB) para amamentar seu filho de três meses, Cormac. Sua imagem amamentando durante a ultramaratona, ao lado de corredores exaustos apenas por participar do evento, foi capturada por um fotógrafo e logo chamou a atenção de outros corredores e fãs do esporte.

Durante a ultramaratona, considerada a corrida em trilha mais prestigiada da Europa, Power acabou parando nos postos de ajuda ao longo da corrida para encher a bomba de leite já que o bebê se alimenta de três em três horas. Após levar 16 horas para chegar onde o marido e o filho estavam esperando, na área de Courmayeur, ela própria o alimentou.

“Eu fiquei tão aliviada que ele estava com fome”, ela disse. “Eu estava muito nervosa com isso”.

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Cuidados ao praticar esporte durante a gravidez
Quer engravidar? Corra!

A imagem de Sophie Power amamentando Cormac viralizou nas redes sociais depois de ser publicada no perfil oficial do Strava.  “Uma imagem verdadeiramente incrível que conta uma história melhor do que jamais poderíamos – uma história de maternidade, resistência e força do corpo humano. Nós aplaudimos sua perseverança, sua coragem e seu desafio àqueles que lhe disseram que você não podia. Você é uma verdadeira inspiração”, dizia a postagem.


A publicação logo recebeu centenas de comentários elogiosos à força e a à postura de Power, considerada por outros corredores como uma fonte de inspiração.

Por estar amamentando, Power precisou realizar a corrida mais devagar e com algumas mudanças no físico.”Eu não conseguia elevar muito o meu ritmo cardíaco, porque meu corpo não estava preparado para queimar gordura. E para proteger minha pelve, eu não conseguia correr com muita força”, ela disse.

Power acredita que continuar ativa e com o mesmo estilo de vida saudável durante a gravidez é importante tanto para a mãe como para o bebê.

“Durante a gravidez, parecia que o único conselho era colocar os pés para cima e engordar, já que fazer qualquer outra coisa me colocaria em risco. Essa não é a melhor maneira de se preparar para a maternidade, manter-se em forma, saudável e forte é muito importante. E é importante discutir como você pode fazer isso”, completa.

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Crews x assessorias: qual treino é ideal para você?

Ativo
Ativo.com
Crews x assessorias: qual treino é ideal para você?
Crews x assessorias: qual treino é ideal para você? Rafaele Forte

Assessorias esportivas e crews de corrida se multiplicaram em grandes cidades brasileiras nos últimos anos. Vestidos com camisetas idênticas aos seus companheiros de treino, os corredores que participam de assessorias e crews se reúnem semanalmente para correr, trocar informações sobre a modalidade e, por que não, socializar. Embora as propostas pareçam semelhantes para alguns, há diferenças marcantes nos métodos e nas propostas dos grupos. Mas, afinal de contas, qual formato se encaixa melhor ao seu estilo de vida e aos seus propósitos na corrida?

O Ativo acompanhou um treino em uma grande assessoria esportiva e esteve em diversos encontros de duas crews de corrida de São Paulo. A proposta era entender quais são os anseios de quem frequenta cada ambiente e como os treinos são desenvolvidos.

Crews de corrida: descontração e pace sem compromisso
Às quintas-feiras, no Parque Ibirapuera, os treinos do grupo Outra Fé, um entre as dezenas de crews que se espalharam por São Paulo nesta década, são precedidos pelo “divã da corrida”. Em uma espécie de gincana, um participante é convidado para falar sobre o motivo que o levou a procurar a corrida e os benefícios que o esporte provoca em sua vida.

Na primeira quinzena de agosto, Paulo Simões, de 40 anos, quebrou a onda de relatos bem-humorados das semanas anteriores. Diante de cerca de 40 pessoas – jovens com idades entre 25 e 30 e poucos anos são maioria ali –, lembrou de um drama familiar que a corrida ajudou a amenizar e recebeu aplausos dos presentes.

O clima acolhedor se estende ao aquecimento, comandado pelo professor de educação física Renan Rodrigues e recheado de brincadeiras de duplo sentido entre os líderes. Os trocadilhos, invariavelmente, arrancam risadas dos presentes e ajudam a quebrar o gelo entre aqueles que visitam o grupo pela primeira vez.

Treinos do grupo Outra Fé
Treinos do grupo Outra Fé Rafaele Forte

Em seguida, os líderes da crew anunciam que o grupo se dividirá em três pelotões. Dois pelotões fazem 5 km em ritmos diferentes – o mais rápido, em um pace na casa dos 5 minutos por km – ou abaixo disso, dependendo do ânimo do pacer –, e o mais lento girando entre 5min30s e 5min45s. A turma dos iniciantes percorre 3 km em um ritmo de trote, beirando os 7 minutos por km.

“Eu acho que o crescimento das crews vem do sentimento do jovem de pertencer a um grupo. Queremos ser um ambiente em que as pessoas possam se conhecer e praticar esporte. É uma proposta mais humanista. Como nossos treinos são abertos, nunca sabemos o que pode chegar, então queremos que seja uma experiência boa para todos”, diz Leopoldo Longo, de 29 anos, um dos líderes do Outra Fé.

“A crew pode ser uma porta de entrada para a assessoria. Como não temos a barreira do dinheiro, o jovem que está querendo começar a correr mais pode ver na crew se realmente quer investir em uma assessoria e talvez melhorar a sua performance”, acrescenta Longo.

O viés de socialização está muito presente no discurso daqueles que frequentam as crews e, muitas vezes, vem à frente da própria performance esportiva. Acostumado a longas rodagens e com uma edição da Maratona do Rio no currículo, Murilo Botelho, de 29 anos, é figurinha carimbada nos treinos da Outra Fé.

“O que eu gosto ali é a energia, a vontade de mostrar que a corrida vai muito além de um esporte. A corrida tem um poder de mudar a vida de todos. Eu fui tocado por alguns amigos que correm. Minha intenção de ir todas as quintas é motivar pessoas da mesma forma que eu fui motivado”, conta Botelho.

Assim como nas outras crews de corrida, não é necessário pagar nada para participar dos treinos da Outra Fé. Todos os custos referentes à estrutura do grupo são bancados pela Puma, parceira da crew.

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Contato inicial com a corrida

Fundado neste ano, o Vem Pro Corre, crew que se reúne às 20h15 das terças-feiras na Praça do Ciclista, na região da avenida Paulista, chega a receber mais de 100 pessoas em alguns treinos. As noites frias costumam afastar os corredores. A maior fatia do grupo é de iniciantes, garante a líder Fabiana Burlim, de 35 anos.

“Nós começamos em um pelotão só. Aqueles que correm menos vão ficando para trás. Sempre um dos embaixadores acompanha um dos pelotões. Queremos passar a ideia de que ninguém corre sozinho. Temos visto que muitas pessoas se apaixonam pela corrida através do Vem Pro Corre”, alega.

A exemplo de outras crews, o público no Vem Pro Corre, apoiado pela O2 e pela Under Armour, é transitório – embora dezenas de corredores compareçam todas as terças. Ao fim dos 5 km de cada treino, todos os corredores são cumprimentados pelos companheiros em uma espécie de “corredor polonês do bem”. Dezenas de pessoas estendem as mãos para saudar quem chega.

Como em todas as crews, os corredores millenials fazem questão de registrar os treinos em suas redes sociais. Sempre há um fotógrafo para clicar os movimentos e poses dos participantes do Vem Pro Corre. “A galera gosta de tirar foto para postar durante a semana”, diz Burlim.

Assessoria: plano esportivo em primeiro lugar
Desejo de disputar uma maratona, busca por performance mais rápida e a vontade de eliminar o sobrepeso são alguns dos motivos que conduzem uma pessoa a uma assessoria esportiva. Lá, a socialização é uma consequência de meses de treinamento e objetivos compartilhados. Diferentemente das crews, o público nas assessorias é mais maduro e disciplinado, girando entre os 35 e 60 anos. Até por envolver um custo fixo, dificilmente alguém entra ali sem ter um objetivo em mente.

Na última quarta-feira (29), o Ativo acompanhou um treino na assessoria esportiva de Adriano Bastos, uma das maiores de São Paulo, com três pontos de treino. Ex-atleta de elite, Bastos conta com cerca de 400 pessoas em seu quadro de alunos, entre os que frequentam os treinos no Ibirapuera, na USP, no Ipiranga e os que optam pelo treinamento virtual, com envio de planilhas. Cerca de 30% dos alunos disputam maratonas regularmente.

Enquanto os líderes de crews de corrida gostam de repetir que “é só chegar” – uma maneira informal de dizer que não é preciso desembolsar nada e que todos são bem recebidos nos treinos –, as assessorias seguem procedimentos padrões para acolher futuros alunos. Na assessoria de Adriano Bastos, antes de começar a treinar, é preciso se submeter a um exame de sangue, um ecocardiograma e um teste ergométrico. Além de ser sabatinado sobre seus objetivos no esporte, o corredor também passa por um teste físico, necessário para que a equipe técnica avalie como inseri-lo dentro do grupo. Essa criteriosidade é essencial para não colocar ninguém em risco e não gerar lesões, afirma Marcelo Raffani, um dos coordenadores da assessoria.

Os “rosinhas”: alunos de Adriano Bastos conhecidos em razão das camisetas cor de rosa.
Os “rosinhas”: alunos de Adriano Bastos conhecidos em razão das camisetas cor de rosa. Rafaele Forte

Embora os “rosinhas”, como os alunos de Adriano Bastos são conhecidos nas provas paulistas em razão das camisetas cor de rosa que utilizam, sejam associados à competitividade, há quem prefira dar seus primeiros passos na corrida já sob a orientação de quem conhece do assunto. Enquanto o repórter do Ativo conversava com Raffani, um aluno recém-chegado à assessoria e visivelmente empolgado, contava que havia corrido os primeiros 5 km de sua vida. “Isso é mais comum do que parece”, contou o treinador, dando a entender que planilhas e planejamento não são só para os corredores ultracompetitivos.

Na assessoria de Adriano Bastos, está “todo mundo junto, mas, ao mesmo tempo, separado”. Isso quer dizer que, embora os treinos sejam feitos em grupo, cada um tem sua planilha, seu planejamento e, claro, seu ritmo. No treino acompanhado pelo Ativo, dois professores comandavam tiros de 2min30s com 1min20s de intervalo. Os alunos tinham que rodar em uma praça de 500 metros dentro do Parque Ibirapuera. Alguns corriam mais do que os 500 metros nos 2min30s. Outros levavam mais tempo.

A alguns metros dali, a treinadora Daniele Piotti comandava um treino de fortalecimento – também incluso no plano dos alunos. Para evitar lesões e turbinar o rendimento na corrida, o fortalecimento ali é feito com o peso do próprio corpo, mas com séries mais longas para compensar a ausência de carga. São burpees, flexões, abdominais e outros tipos de exercícios funcionais.

Sinais de falta de comprometimento, como as ausências sem justificativa, não são encarados com naturalidade na assessoria. “Se um aluno falta três dias seguidos, já entramos em contato para saber se aconteceu algo”, lembra Raffani.

O plano mensal na assessoria de Adriano Bastos custa R$ 200, com descontos para planos mais longos. 

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