Curti: Mais uma implosão de Kershaw e Dodgers ficam com as costas contra a parede

Antony Curti
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Clayton Kershaw
Clayton Kershaw Getty

A missão é dura. O Atlanta Braves está voando no lado ofensivo da coisa. Marcell Ozuna foi o grande destaque do time e superou a fase gelada que estava nessa série – foram dois home runs e quatro corridas impulsionadas. Os Braves não tinham um jogador com múltiplos home runs num jogo de playoff desde o grande Chipper Jones em 2003. O calouro Bryse Wilson, arremessador de Atlanta, teve partida de gala ao arremessar seis entradas consistentes. Agora, o abridor de Los Angeles... 

Do outro lado, mais uma implosão de Kershaw

Até o final da quinta entrada, Clayton Kershaw fazia boa partida – ainda mais considerando que ele teve espasmos nas costas no início desta semana, os quais impediram que ele jogasse a partida 2 da série. Cedera um home run para Ozuna numa bola que fora mais mérito do rebatedor do que demérito de Kershaw. Fechar cinco entradas com apenas uma corrida cedida não é uma partida ruim, muito pelo contrário. Aí veio a sexta entrada e a tendência é maldita para Kershaw a partir do momento que isso acontece. Três das cinco corridas de Clayton foram cedidas na sexta entrada – ele tem 7.31 de ERA em pós-temporada da sexta entrada em diante. Nas cinco primeiras, 3.59. É uma diferença bizarra. 

Ao mesmo tempo, Kershaw não cede só mais corridas, mas também mais bases a partir da sexta entrada em jogos de pós-temporada. Também de acordo com o ESPN Stats and Info, o WHIP (walks e rebaditadas cedidas por entrada arremessada) de Kershaw sai de 1.04 nas cinco primeiras entradas para 1.28 da sexta em diante. E, para variar, o momento icônico costuma ser a implosão via home run. Olha o que eu escrevi no ano passado após partida contra o Washington Nationals:

"O segundo home run veio no arremesso seguinte ao primeiro. Uma slider que em nada quebrou e em que muito facilitou a vida de Juan Soto. Veio a paulada, o ar saiu do Dodger Stadium e parece que o pesadelo se tornara real. Como depois de uma perseguição em um filme de terror, o algoz sorria e franzia as sobrancelhas ao pegar  sua presa. 

A presa novamente era Clayton Kershaw. 

Um arremessador não pode ceder home runs em jogos decisivos e para o azar de Clayton, ele o faz com frequência em pós-temporada. Mesmo que os mais aficcionados pelo esporte defendam a técnica de Kershaw enquanto arremessador, fica um legado estranho para a carreira do outrora ace do Los Angeles Dodgers. Seu ERA é menor, na carreira, do que Sandy Koufax – discutivelmente o melhor arremessador da história da franquia. A quantidade de anéis, porém, também é."

Nas cinco primeiras entradas, HR/9 de 1.00. A partir da sexta, 2.53. Os números de Kershaw em termos de ERA vão piorando na medida em que a corda aperta e mais coisas estão na linha. Na temporada regular, 2.43. No Wild Card/NLDS, 3,68. Na final da Liga Nacional, 4,85. Em World Series, 5,40. 

Os Dodgers ainda podem fazer com que essa narrativa seja esquecida com uma virada na série

22 dos últimos 25 times que lideravam uma série por 3-1 acabaram vencendo a série melhor de 7 jogos. Essa é a estatística que o Los Angeles Dodgers luta para quebrar na noite desta sexta-feira, com primeiro arremesso marcado para as 22h. A boa notícia é que dois dos três times que conseguiram se reerguer após ficarem duas vitórias atrás em jogo de eliminação são equipes que tiveram a melhor campanha do beisebol em questão, segundo o ESPN Stats and Info: o Chicago Cubs de 2016, na World Series, e o Boston Red Sox de 2007, também contra o Cleveland Indians, na final da Liga Americana. 

Se conseguirem, o sonho de Cinderella de Kershaw segue vivo. A World Series de 2020 será disputada em campo neutro, na região metropolitana de Dallas – onde Kershaw nasceu. Caso a estatística do 22-25 seja mais forte – tal como o ataque dos Braves com exceção ao terceiro jogo da série – mais uma vez lembraremos que outubro é o mês no qual o melhor arremessador de temporada de nossa geração sofre com fantasmas. 

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Curti: As chaves da partida para Packers x Colts

Antony Curti
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Aaron Rodgers, Green Bay Packers
Aaron Rodgers, Green Bay Packers Getty

Jogo duro para Green Bay nesta Semana 11: a equipe enfrenta um Indianapolis Colts em ascensão e e descansado, dado que sua última partida foi no Thursday Night Football da Semana 10 – uma vitória maiúscula contra o Tennessee Titans, adversário de divisão. Enquanto isso, Green Bay sofreu contra o Jacksonville Jaguars em confronto que deveria ter tido placar bem mais elástico do que teve. Um dos fatores que atrapalhou os Packers, para além do retorno de punt para touchdown por parte de Jacksonville, foi a defesa terrestre da equipe, que segue sendo problema como já era na temporada passada. 

Dito tudo isso, vamos a duas chaves da partida para Colts e Packers. 

Green Bay precisa melhorar contra a corrida

Erros de tackles, demora para engajar nos mesmos e "passou de Kenny Clark, ferrou". São muitos os problemas da unidade. Lesões entre eles, que seja frisado. Em contrato de dois anos, o linebacker Christian Kirksey – que chegara para tentar mitigar o problema que fora tão amplamente debatido no ano passado – perdeu muitos jogos por lesão, tendo voltado na partida da semana passada. No geral, Green Bay é o 18º pior time da liga em jardas/carregada nas duas últimas semanas. Na temporada, Green Bay tem 4.55 jardas cedidas/tentativa, o que não é um número nem remotamente bom. 

Do outro lado, o ataque terrestre de Indianapolis vem melhorando com o maior volume de Nyheim Hines. No mesmo período - as duas últimas semanas – os Colts têm 245 jardas corridas (8º da NFL), 4,9 jardas por tentativa (8º também) e três touchdowns corridos, quinto da liga. É certamente o duelo mais importante da partida quando os Colts tiverem a bola. 

Duelos para ficar de olho: 
LB Christian Kirksey vs RB Nyheim Hines
iDL Kenny Clark vs OG Quenton Nelson

Pressionar Aaron Rodgers é missão fundamental

Falamos muito sobre como Tom Brady não tem bons números quando pressionado nesta temporada. Nas três partidas que o velhinho foi mais pressionado – as duas contra New Orleans e a contra Chicago – foram três derrotas. Experiente e com quase 37 anos, Aaron Rodgers também vem tendo problemas quando pressionado nesta temporada. Não são problemas tão agudos quanto Brady vem tendo, mas é algo relevante de ser dito. 

Quando pressionado, Rodgers, tem 36,4% de passes completos (30º da NFL), 6,33 jardas/tentativa (23º) e tem QBR (rating) de 12,2 (19º da NFL). Sem ser pressionado, seus números são faraonicamente melhores. 71% de passes completos (12º), 8,43 jardas/tentativa (7º) e QBR de 90.4 (2º) da liga. Ou seja, se os Colts não conseguirem chegar até Aaron, a vida não vai ser nada fácil. 

A defesa de Indianapolis estava pressionando bem no início da temporada, com destaque para DeForest Buckner. Nas últimas três semanas, porém, tá bem mediana. 29,2% de pressão ao quarterback adversário, 15ª da NFL. Buckner tem um papel fundamental na partida, até para gerar a pressão que os quarterbacks mais odeiam – a que vem pelo meio. 

Duelo para ficar de olho: C Corey Linsley vs iDL DeForest Buckner

Green Bay Packers vs Indianapolis Colts tem transmissão às 18:25h do domingo na ESPN – comento a partida e te espero na audiência e na hashtag #NFLnaESPN

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Curti: Defesa de Seattle melhora e consegue conter Kyler Murray

Antony Curti
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Kyler Murray em ação pelo Arizona Cardinals
Kyler Murray em ação pelo Arizona Cardinals Getty Images

A candidatura ao MVP por parte de Kyler Murray perdeu força na última partida contra o Seattle Seahawks. Arizona entrou na liderança da NFC West e agora vê Seattle no comando da divisão – dado que além de ter melhor campanha, ainda vale lembrar que o time de Russell Wilson ainda terá jogos contra o New York Jets e três jogos contra a NFC East (Washington, NY Giants e Philadelphia). 

O que aconteceu? Bom, a candidatura para MVP era válida justamente porque Murray estava sendo um jogador pra lá de valioso. Contido pela defesa de Seattle, Murray não conseguiu colocar pontos no placar e o lado ameaça-dupla dele não apareceu. O camisa 1 terminou a partida com 15 jardas corridas – menor marca de sua carreira na NFL. Segundo o ESPN Stats and Info, os Cardinals têm 1-8-1 nas duas temporadas de Murray titular quando ele tem menos de 30 jardas corridas – se ele tiver menos de 20, como ontem, Arizona não tem nenhuma vitória (0-5-1). 

Mas não foi só nisso que Murray não pareceu "ele mesmo". Em passes profundos, a defesa de Seattle apareceu – temos que dar o mérito para a unidade, que está melhorando a cada semana desde a chegada de Carlos Dunlap, que terminou o jogo de ontem com dois sacks. Em passes para mais de 15 jardas, Murray tinha 7-9 nas duas últimas semanas – incluindo a Hail Mary épica para vencer a partida contra Buffalo. Ontem, teve 1-5.

Conter o que o adversário faz de melhor, além de um preceito de Arte da Guerra, é algo que bons head coaches da NFL procuram fazer. Para além da questão da contenção terrestre contra Kyler Murray, a unidade defensiva do contestado coordenador Ken Norton Jr conseguiu parar a conexão Murray-Hopkins. Os números de Kyler Murray quando passando para DeAndre Hopkins são muito melhores do que quando passando para o resto do time. Semana a semana, praticamente, venho falando sobre isso. 

Neste ano, passando para Hopkins, Murray tem 9.6 jardas por tentativa e 76% de passes completos. Para o resto do elenco, ele tem 7.4 jardas por tentativa e 72% de passes completos.  Ontem, DeAndre não foi o recebedor mais acionado por Arizona – foram 8 alvos, dois a menos do que para Larry Fitzgerald. Nesses, Hopkins terminou com 51 jardas em 5 recepções. Não são números ruins, claro. Mas foi uma boa contenção feita pela defesa de Seattle – tal como fizeram contra o jogo terrestre como um todo, limitando Kenyan Drake a 29 jardas em 11 tentativas.

A partida mais tímida de Kyler Murray não lhe tira totalmente da briga de MVP, a qual ele estava começando a querer entrar na primeira prateleira – que para mim tem Russell Wilson, Patrick Mahomes e Aaron Rodgers. Mas a derrota, ainda mais para Wilson, acaba fazendo com que ele perca espaço na disputa. O mesmo vale para Arizona na briga pela NFC West. 

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Marlins contratam Kim Ng, primeira general manager mulher da história do esporte

Antony Curti
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Notícia bem bacana neste início de intertemporada no beisebol. O Miami Marlins quebrou um tabu centenário no esporte e anunciou que Kim Ng será a nova general manager do time. Kim é a primeira general manager mulher na história do esporte de acordo com o ESPN Stats and Info. Óbvio que a questão da integração de gênero é algo importante, ainda mais em 2020 e ainda mais se considerarmos que a MLB não tem sequer uma owner mulher e menos ainda uma general manager. 

Mas é importante salientar que Kim tem um currículo extenso e impecável. Ela começou a carreira na diretoria do Chicago White Sox, onde ficou de 1990 a 1996. Depois, entre 1998 e 2001, esteve como general manager assistente no New York Yankees, onde foi campeã de três World Series (98, 99, 00) e vice em 2001. Foi nesse período em que trabalhou, mesmo que indiretamente, com Derek Jeter – naquela altura, shortstop dos Yankees e hoje um dos donos dos Marlins. Após a passagem pelos Yankees, Kim ocupou o mesmo cargo no Los Angeles Dodgers entre 2001 e 2011 – sendo ainda, desde 2011, vice-presidente de operações da Major League Baseball. 

"Sejamos claros aqui. Kim Ng esteve entre as pessoas mais qualificadas para ser general manager nas duas últimas décadas. Ela sempre foi capacitada para administrar um time da Major League Baseball. Não é uma contratação de risco – é uma inteligente por um time que quer vencer a World Series", disse Alyson Foster, repórter da MLB.com, no twitter.

Kim terá nas mãos um elenco que pode surpreender nas próximas temporadas

Ng terá nas mãos um time em ascensão. Os Marlins foram grata surpresa na temporada passada, com um time jovem e bem treinado por Don Mattingly – eleito o manager do ano na Liga Nacional. Miami acabou caindo na segunda fase dos playoffs, mas conseguiu, tal como em 2003, eliminar o Chicago Cubs no Wrigley Field. O time teve 16% de melhora no aproveitamento, apenas os Padres foram melhores nos quesitos. 

Ainda há muito trabalho para fazer. Embora a rotação de arremessadores tenha ido bem no ano passado – e olha que Mattingly testou uma galera – ainda há bastante trabalho a ser feito no ataque. Miami tinha -41 no saldo de corridas quando a pós-temporada começou. Era o terceiro pior time da pós-temporada em Home Runs e o quinto pior em corridas/jogo. 

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Nem Wilson salva: a defesa aérea do Seattle Seahawks é uma bomba

Antony Curti
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400 jardas, três touchdowns e um baile. O Buffalo Bills teve 11 tentativas terrestres com seus dois principais running backs. Praticamente nem se deram ao trabalho de correr. Precisava? Não, como vimos. O Seattle Seahawks de 2020 está cedendo quase 370 jardas aéreas por jogo. É absurdamente muita coisa. 

Em praticamente toda live que faço, nas redes sociais, o torcedor de Seattle me pergunta quão longe o time pode ir nesta temporada. Boa pergunta, porque por um lado o time tem um potencial MVP em Russell Wilson, o atual líder de touchdowns passados da NFL. Por outro, tem uma bomba de secundária. Então, se equilibram? Não, esse é o problema. 

Um belo dia em janeiro, Wilson pode ter um jogo com duas interceptações e a casa cai, porque a defesa não carrega o piano – aliás é ele que vem carregando. Para responder essa pergunta então, fui à história da liga. Desde 2006, qual a pior secundária que ao menos chegou ao Super Bowl? 2011 Patriots, que cedia 293 jardas por jogo pelo ar. Isso são 80 a menos que a secundária de Seattle – e aquele New England Patriots perdeu o jogo decisivo. A segunda colocada? Atlanta Falcons de 2016. Não é um bom parâmetro considerando o que aconteceu no Super Bowl LI.

[]

Então, perguntei ao nosso departamento de pesquisa, o ESPN Stats and Info: quão grave é essa situação considerando a história recente da liga? Sinto dizer, mas bastante. A combinação "defesa ruim mesmo tendo o MVP" não costuma dar certo. Em 2000, os Rams tinham o melhor jogador e MVP da liga em Marshawn Faulk. Mas cediam 29.4 pontos por jogo. Caíram na primeira rodada dos playoffs. Seattle? Cede 30 pontos por jogo.  Em 2011, os Packers tinham a pior defesa da NFL em jardas cedidas por partida, sendo o único time a chegar na pós-temporada com esse ranking. Mas tinham o MVP, Aaron Rodgers. Resultado? Caíram na primeira rodada dos playoffs.

Se a defesa não melhorar, o bicho vai pegar. Basicamente, é isso. Nem Russell Wilson em campanha de MVP está conseguindo carregar o time nas costas em toda partida, porque como você viu acima, realmente não dá para fazer isso. Dá para o MVP carregar uma defesa horrorosa para os playoffs, mas em jogo de eliminação simples como acontece na NFL – e não melhor de 5 ou 7 jogos como nas outras ligas americanas – a casa costuma cair. Esse é o problema. 

Ainda há tempo de melhora. Muito dessa culpa reside nas chamadas ruins de Ken Norton Jr, coordenador defensivo de Seattle. Blitzes aleatórias, tomando 3a descida em screen, linebackers marcando wide receivers. De contrato recém-renovado, Pete Carroll precisa colocar ordem na casa, dado que tem um histórico como técnico defensivo. É o jeito. Se não acontecer, o torcedor de Seattle (e Russell Wilson) vão passar por altas emoções até o final de janeiro. 

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Defesa de Miami consegue parar Kyler Murray e os Cardinals?

Antony Curti
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"Ah mas Miami pegou o vento". Calma, não é bem assim. Quando um time passa muitos anos no fosso, normal que quando melhore gere desconfiança e desculpas para tanto. Geralmente, costuma ser demérito do adversário e não mérito da equipe em si. Normal. 

Mas precisamos desmitificar essa narrativa logo quando o assunto é o Miami Dolphins. A equipe não pegou só o vento. Pelo contrário, aliás: teve partida contra Buffalo em setembro – num momento em que Josh Allen colocava-se na conversa por MVP – e Russell Wilson duas semanas depois, dando trabalho ao quarterback do Seattle Seahawks. Na semana passada, veio a afirmação contra o sólido ataque do Los Angeles Rams sendo que antes haviam dinamitado os 49ers e forçado os Jets a 0 pontos. 

Em meio a tudo isso, a defesa dos Dolphins é a melhor da NFL em menos pontos cedidos/jogo. 18.57. Do outro lado, Kyler Murray apresenta-se como um canivete suíço. Ele faz tudo. Murray entrou a semana 8 (folga dos Cardinals) como top 15 da NFL em jardas passadas, touchdowns passados, jardas corridas e touchdowns corridos – a última vez que isso aconteceu, segundo o ELIAS Sports Bureau, foi com o pioneiro Randall Cunningham em 1990. Como parar isso?

Kyler Murray em ação pelo Arizona Cardinals
Kyler Murray em ação pelo Arizona Cardinals Getty Images

Marca como? Homem-a-homem ou em zona? 

Essa é a grande pergunta. A impressão que eu tinha pelo tape era que Kyler Murray tinha números piores contra a marcação individual se considerássemos os mesmos números contra a marcação em zona. De fato são piores, mas muito pouco. Veja em 2020, segundo o ESPN Stats and Info:

                        Indiv.          Zona

Comp pct        64%         70%
Yds/att            7.3            7.5
TD-Int             8-3           5-4

Mas se os números são piores, por que não marcam mais homem-a-homem? Boa pergunta também. Porque em zona, um defensor fica responsável por uma dado setor do campo, olhando para o quarterback – o que diminui o risco de que ele vença a defesa com as pernas. Em marcação individual, com exceção a dados safeties marcando em zona, não há tanta gente olhando para o quarterback. Isso permite que haja raias de corrida para quarterbacks móveis. Nesse sentido, Miami tem uma missão interessante para pensar. Nenhum quarterback recebe menos marcação individual do que Kyler Murray nesta temporada, com 33,7%. 

Os Dolphins estão marcando menos em homem-a-homem nesta temporada em relação ao ano passado. Com Brian Flores sendo da árvore de treinadores de Bill Belichick, natural que a marcação individual esteja sendo o foco de Miami – mas neste ano foi em 53%, 14ª da liga, contra 61%, 4ª da liga. Ou seja, mais equilibrada nesse sentido. Marcando individual, porém, a defesa dos Dolphins é a melhor da liga em rating cedido ao quarterback oposto. 

Outro ponto interessante é saber quem vai marcar DeAndre Hopkins

Os números de Kyler Murray são bem melhores – nenhum demérito dele, isso é o óbvio – quando passando em direção a DeAndre Hopkins, principal recebedor dos Cardinals e principal reforço da equipe em relação à temporada passada. Passando para ele, Murray tem 78% de passes completos, 9,64 jardas por tentativa e razão de 3 em TD/INT. Para os demais recebedores, 70%m 7,14 e 1.67 na razão TD-INT. 

Do outro lado, Xavien Howard tem 4 interceptações nesta temporada e vem sendo um dos melhores cornerbacks de 2020. Howard não está estrito a um recebedor nesta temporada, mas tem uma boa parcela cobrindo os principais recebedores do oponente. Contra Seattle, por exemplo, marcou DK Metcalf em 30 rotas. A tendência é que ele fique mais em Hopkins, então este é um duelo importante para assistirmos no domingo. 

Miami Dolphins vs Arizona Cardinals tem transmissão do FOX Sports às 19h no domingo (em andamento). Comento a partida e você pode participar pela hashtag #NFLFoxSports

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Curti: Não é verdade que Lamar Jackson pipoca em jogos grandes

Antony Curti
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Lamar Jackson
Lamar Jackson Getty

Após as derrotas para o Kansas City Chiefs e para o Pittsburgh Steelers, já nasce um pouco a narrativa de que o quarterback do Baltimore Ravens, Lamar Jackson, 'pipoca' em jogos grandes. Esconde-se. Some. Use a palavra como quiser – mas já vi isso aparecendo em alguns comentários em redes sociais. Sinceramente, não acho uma narrativa justa. 

Em realidade, me parece uma narrativa seletiva. É verdade que os Ravens perderam dois jogos grandes neste ano – para Chiefs e Steelers – mas queria entender: por que a  memória seletiva? O retrospecto de 2020 não é favorável se contarmos a derrota de janeiro contra o Tennessee Titans nos playoffs. Mas os números indicam que em "jogos grandes", não é como se Lamar sumisse tanto assim. 

Fui atrás dos números para bancar essa observação. Considerando jogos grandes aqueles que os adversários têm campanha positiva, entre 2019 e 2020 Lamar tem 18 touchdowns, 5 interceptações. Contra times com campanha negativa, 31-7 nas mesmas estatísticas. Não são números ruins. Ademais, a derrota para o Pittsburgh Steelers é plenamente normal. Pittsburgh tem a melhor defesa da NFL, uma sólida comissão técnica e é um rival divisional. A partida poderia ter ido para qualquer lado e aí essa narrativa morreria. 

É verdade, Lamar não está entre os melhores passadores da NFL e isso é problema quando o time fica atrás no placar. Foi assim contra Kansas City e também contra Tennessee em janeiro. Mas vale lembrar que ele tem apenas 23 anos – é mais novo do que Joe Burrow mesmo tendo sido draftado dois anos antes. Ainda há espaço para evolução nesse quesito. E, de toda forma, dizer que Lamar "pipocou" contra os Steelers na minha concepção não só é uma inverdade – também é tirar mérito de Pittsburgh, que para mim é o melhor time da liga após oito semanas. 


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Fonte: Antony Curti

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Blitz, baby blitz: Como Ravens e Steelers pressionam (à rodo) os quarterbacks em 2020

Antony Curti
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TJ Watt pressiona Ryan Tannehill durante Steelers x Titans
TJ Watt pressiona Ryan Tannehill durante Steelers x Titans Getty Images

5 ou mais homens indo para cima do quarterback. Essa é a definição da jogada denominada "blitz" no futebol americano. Quando você manda uma blitz, dado que os recursos (número de jogadores) são limitados, expõe outro lado do campo. É o chamado cobertor curto nessa leitura de custo de oportunidade. 

Jogada pontual para muitos times, a blitz faz a festa de Pittsburgh e Baltimore nesta temporada da NFL. Estava meio deixada de lado, em desuso. Afinal, os quarterbacks estavam chegando cada vez mais prontos do College Football e estavam lendo as blitzes antes do snap – passando a bola rápido e queimando a defesa. Nos últimos cinco anos, a média da NFL em blitzes estava em 27% depois de girar em 31% nas 10 temporadas anteriores. 

Aí vieram Baltimore e Pittsburgh (e Tampa Bay). Os três times são os que mais mandam blitz em 2020 – sendo três das melhores defesas da liga em eficiência. A de Pittsburgh se destaca pela porcentagem absurdamente alta: 46%, sendo 17 sacks via blitz nesta temporada. Claro que ter Bud Dupree e T.J. Watt ajuda, antes que você diga. Mandar blitz é um risco: se o seu defensor ficar preso na linha ofensiva haverá menos jogadores na marcação ao passe. 

Baltimore, que até esta semana com a chegada de Yannick Ngakoue não tinha nenhum pass rusher de calibre, vinha usando uma abordagem diferente. Mandar defensive backs para a blitz. É uma abordagem mais arriscada – porque se lida pelo quarterback antes do snap proporciona uma gigante oportunidade de ganho de território – mas ao mesmo tempo o ganho pode ser maior, dado que é uma pressão menos ortodoxa e não esperada – já que vem de um defensor que em teoria deveria recuar para proteger o passe. 21% das blitzes dos Ravens são via defensive backs – maior porcentagem da liga. Nelas, são 18 pressões e 8 sacks – também maiores marcas da NFL. 

A kriptonita? Pat Mahomes

Mais do que um confronto direto pela briga da AFC North, Pittsburgh x Baltimore do próximo domingo (14h, com transmissão da ESPN) pode valer a fuga de Kansas City até uma potencial final de Conferência. A partir deste ano, apenas a melhor campanha da AFC e da NFC folgam na primeira rodada dos playoffs – e necessariamente só enfrentam a potencial segunda melhor campanha numa final de Conferência Americana e em casa. 

Baltimore já enfrentou Kansas City neste ano e quebrou a cara usando blitzes contra Patrick Mahomes. Foram 21 passes sob blitz do camisa 15 e neles foram 10 jardas por tentativa, 3 touchdowns, nenhuma interceptação e 81% de passes completos. Então, enfrentar Kansas City no futuro pode ser um novo teste de fogo para as duas defesas que usam a blitz como base – daí um tempero extra desse jogo. 

E como Lamar Jackson e Ben Roethlisberger estão contra a blitz neste ano?  

Os números de Roethlisberger em 2020 são melhores contra blitz do que sem ela. 8.69 jardas por tentativa com blitz, 5 TDs, 1 INT. Sem a blitz, 6,04 jardas por tentativa, 8 TDs, 3 INTs. Contra blitzes de defensive backs, os números de Ben são ainda melhores no contexto geral. 68% de passes completos, 6.4 jardas por tentativa e 3 TDs (nenhuma INT). 

Já Lamar vem tendo seus problemas contra a blitz nesta temporada. De acordo com o NFL Next Gen Stats/Research, ele tem 5.6 jardas por tentativa, 2 TDs e 2 INTs contra a blitz nesta temporada – são números bem piores do que em 2019, aliás, quando teve 7.8 e 24-2 nas mesmas estatísticas respectivamente. 

Ou seja: se as duas defesas mantiverem as tendências e os quarterbacks idem – coisa que não dá para termos certeza em se tratando de esporte – podemos ter uma vantagem de Pittsburgh na partida (mesmo que minúscula, dada a paridade dos dois elencos e a super rivalidade entre as equipes nos últimos anos). No ano passado, mesmo sem Roethlisberger os Steelers deram trabalho para Lamar e companhia na primeira partida entre os dois na temporada. 

E vale muito. Vitória de Baltimore deixa o time com 70% de chance de vencer a AFC North e os Steelers com 27%. Vitória de Pittsburgh deixa a equipe da Pensilvânia com 68% de chance de título de divisão e os Ravens com 29%. Seja como for, com blitz ou sem, vai ser um jogaço. 

As informações estatísticas neste artigo são via ESPN Stats and Info, nosso departamento de pesquisa, e também filtradas pelo ESPN Trumedia, nossa plataforma de big data

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Curti: Depois de 189 entradas arremessadas, finalmente o título para Kershaw

Antony Curti
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Após 189 entradas arremessadas em pós-temporada, finalmente Clayton Kershaw é campeão
Após 189 entradas arremessadas em pós-temporada, finalmente Clayton Kershaw é campeão Getty

Acabou a narrativa. 

"Aí veio a sexta entrada e a tendência é maldita para Kershaw a partir do momento que isso acontece. Três das cinco corridas de Clayton foram cedidas na sexta entrada – ele tem 7.31 de ERA em pós-temporada da sexta entrada em diante. Nas cinco primeiras, 3.59. É uma diferença bizarra.  Ao mesmo tempo, Kershaw não cede só mais corridas, mas também mais bases a partir da sexta entrada em jogos de pós-temporada. Também de acordo com o ESPN Stats and Info, o WHIP (walks e rebaditadas cedidas por entrada arremessada) de Kershaw sai de 1.04 nas cinco primeiras entradas para 1.28 da sexta em diante

Nas cinco primeiras entradas, HR/9 de 1.00. A partir da sexta, 2.53. Os números de Kershaw em termos de ERA vão piorando na medida em que a corda aperta e mais coisas estão na linha. Na temporada regular, 2.43. No Wild Card/NLDS, 3,68. Na final da Liga Nacional, 4,85. Em World Series, 5,40."

Com esses números, lamentava a atuação daquele que poderia ser o último jogo de Clayton Kershaw na pós-temporada de 2020. A mácula ainda tinha chances de seguir depois da derrota contra o Atlanta Braves – mas Los Angeles se recuperou do pior momento que esteve em outubro, atrás por 3-1 depois da queda de Kershaw naquela sexta entrada. 

Aí veio a World Series

A narrativa tinha tudo para ser histórica e um conto de fadas. Tal como histórias assim escritas, teve uma pedra no caminho que parecia demonstrar que o fim chegara. Que a carruagem virara abóbora. O jogo 4 contra Atlanta assim estava desenhado. O sonho de ser campeão pela primeira vez parecia mais uma vez adiado como fora em 2017, 2018 e 2019 – Houston, Boston e Washington no caminho eliminaram os Dodgers e foram os eventuais campeões. 

Não desta vez. Havia muito em jogo. Os números que o ESPN Stats and Info compilou antes da World Series eram chocantes: Kershaw era o único de 10 arremessadores a ter três Cy Young (prêmio de melhor arremessador do ano) a não ter vencido um título. 1 de 10 a liderar a MLB em ERA pelo menos quatro vezes sem um título – ele teve 5. 1 de 10 desde 1961 a ser MVP e não ter um título. Depois de 189 entradas arremessadas na pós-temporada, bolas de curva que não quebraram como deviam e lágrimas derramadas no montinho, chegou a hora. 

Kershaw teve duas vitórias em seu crédito na World Series e eliminou por strike out 1/3 dos rebatedores que enfrentou – na pós-temporada de 2020, ficou com 4 vitórias. Aparte do apagão contra Atlanta, foi uma pós-temporada sólida.  

Parece que Kershaw estava fadado a ser um talento sem título. Apenas parecia – porque as melhores histórias são as que demoram mais para se desenrolar. As melhores histórias não são as cômodas: são as que tem luta e significado. Neste caso, um pra lá de especial: Clayton Kershaw jogaria uma World Series inteira em Dallas – cidade na qual aprendera a amar o esporte e que nascera.

 Chegara a hora de espantar a narrativa. A hora chegou. Finalmente.  Um anel no dedo é como um escudo para críticas sobre pipocar espalhar a farofa ou qualquer expressão que você queira. O mais talentoso arremessador de nossa geração, inquestionavelmente o melhor em temporada regular, finalmente é campeão.

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Curti: Depois de 189 entradas arremessadas, finalmente o título para Kershaw

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Daniel Jones não tem apoio no ataque – mas precisa cuidar da bola e se ajudar

Antony Curti
Antony Curti
Daniel Jones, QB dos Giants
Daniel Jones, QB dos Giants Getty Images

Avaliar Daniel Jones é uma das missões mais difíceis que temos nesta temporada. O segundanista não tem muita ajuda, é bem verdade. Vejamos o corpo de recebedores para além do sólido Evan Engram, tight end: Golden Tate, Sterling Shepard, Austin Mack, Darius Slayton. Mesmo que você goste do trabalho dos dois primeiros, não seriam protagonistas em muitos times da liga. Não é uma ajuda fora de série para um quarterback que tem praticamente 16 jogos na liga. Os recebedores dos Giants tiveram 3,9% de drops nesta temporada – 13º que mais incorreram na estatística.

A linha ofensiva tem até nomes interessantes e o offensive tackle calouro Andrew Thomas começou bem o ano. Mas o restante da temporada dele e do resto, um caos. Daniel Jones é o segundo quarterback mais pressionado da NFL neste ano – 38% dos recuos de passe, algo bem complicado. 

Em meio a tudo isso, não tem muito o que Daniel Jones fazer. Ele não é gênio – e já sabíamos disso antes do Draft, dado que a maior parte dos analistas não considerava que Jones seria uma escolha válida no top 10. Na minha concepção, na ocasião, Jones era válido na segunda rodada. Ou seja; tal como outros quarterbacks com esse valor, precisaria de apoio para "florescer" na NFL. O que Jones tem diante de si, porém, é um terreno infértil. Pouco elenco de apoio e chamadas esquisitas de Jason Garrett – que não faz um bom trabalho sobretudo na red zone, com os Giants sendo um dos piores times da liga chegando ao final do campo. 

Mas em meio a tudo isso, ele precisa ajudar

Ou seja, não atrapalhar, também. Daniel Jones vem sendo uma máquina de turnovers nesta temporada. Algo que foi frequente na temporada passada, aliás – os Giants tiveram em seu quarterback o que mais sofreu fumbles em 2019. Nesta quinta, foram mais dois – uma interceptação e o fumble que acabou com a partida e selou a vitória dos Eagles. São 34 turnovers desde a temporada passada, segunda maior marca da NFL. 

De acordo com o ESPN Stats and Info, temos um turnover em praticamente todos os jogos – em 19 dos 20 jogos, pra ser mais preciso. 2 ou mais turnovers em 11 dos 20 jogos. A marca é a maior da liga no período. As últimas três vitórias de Jones como titular vieram contra Washington – os outros 15 jogos resultaram em derrota. 

Há muita coisa errada nos Giants e isso vai da diretoria até as chamadas – e começo a tentar entender, em vão, qual a marca que Joe Judge deu ao time desde que chegou, porque não há uma impressão digital clara dele. A lesão de Saquon Barkley atrapalha. Mas é indubitável que uma sexta escolha geral do Draft precisa cuidar mais da bola. Isso, de modo objetivo, é na conta de Jones. 

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#LetRussCook: É cada vez mais claro que o passe virou lei nos Seahawks

Antony Curti
Antony Curti

Russell Wilson
Russell Wilson Getty Images

46% de corridas. 

Segundo o Football Outsiders, essa era a marca do Seattle Seahawks em jogadas ofensivas desde 2015. Isso significava que de 2015 a 2019 um time que tinha Russell Wilson como quarterback era o segundo que mais corria com a bola. Em outros termos, seria como você ter uma Ferrari na garagem e em vez de poder acelerar com o carro num autódromo ficasse dirigindo ela em engarrafamentos de São Paulo e tão somente isso. Um tremendo desperdício e um potencial no lixo. 

O ápice disso foi no Wild Card Round da Conferência Nacional em janeiro de 2019, referente à temporada 2018. Jogando contra o Dallas Cowboys fora de casa, Brian Schottenheimer chamou um jogo extremamente conservador e com volume terrestre que não fazia jus ao fato de ter Wilson como quarterback ou estar 10 pontos atrás no placar no segundo tempo. Seguindo na mesma toada após 2019, na última intertemporada houve um movimento forte nas redes sociais para que Russell Wilson fosse mais acionado pela comissão técnica em passes: #LetRussCook – em tradução livre, "Deixa o Wilson Trabalhar". 

Agora franco-favorito ao prêmio de MVP, Russell Wilson está tendo essa permissão. O olho nu já mostrava isso e as estatísticas básicas também. Wilson lidera a NFL em touchdowns passados, com 19 – bem como em passer rating, com 129,8. Então, fui atrás de estatísticas avançadas com a ajuda do departamento de pesquisa da ESPN americana para corroborar que finalmente há uma tendência maior em passes no Seattle Seahawks de Schottenheimer e Pete Carroll. 

1ª Descida

Um termômetro interessante sobre a tendência do playcalling de um time reside na questão da primeira descida. Como é a primeira – literalmente – e são 10 jardas, um time com tendências terrestres costuma optar por correr com a bola para gerar segunda e terceira mais contornável. Um time com tendências aéreas passa mais a bola em primeira descida. De 2012 a 2019 (ou seja, desde que Wilson virou titular) o time passou menos do que correu em primeira descida: 49% – 25º que menos passou na liga. Neste ano, esse número subiu para 61%. 

Quando o time tem a liderança 

Outro termômetro interessante da tendência passe-corrida é quando a liderança está com o time em questão. Passar a bola pode gerar interceptações ou passes incompletos – o primeiro é mais danoso mas o segundo também o é, dado que para o cronômetro, coisa que você não quer quando está liderando uma partida. 

Seattle passa a bola em 65% dos snaps quando tem uma liderança por pelo menos 10 jogadas – o que deixa o time em primeiro lugar entre os 31 elegíveis (é, o New York Jets não é elegível para a estatística porque ainda não liderou uma partida, parabéns Adam Gase).  De 2012 a 2019 (oito primeiros anos de Wilson como titular) o time teve 51% de passes quando liderava (24º da liga). É outro salto significativo na tendência de passar mais a bola. 

Ou seja: Schottenheimer e Carroll estão deixando Wilson trabalhar. Como resultado, o time está invicto e conseguindo superar uma defesa que cede 375 jardas aéreas por jogo do outro lado da bola. Esperamos que seja uma tendência permanente no CenturyLink Field, porque poucas coisas faziam menos sentido na NFL do que pagar 35 milhões de dólares para um quarterback e correr mais do que passar. Nossos olhos agradecem ao poder ver Wilson brilhando assim. 

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Curti: Como Drew Brees orquestrou a segunda maior virada de sua carreira

Antony Curti
Antony Curti

A Lei do Ex é uma das instituições esportivas mais infalíveis que existem. Draftado originalmente pelo então San Diego Chargers, Drew Brees está naquele que deve ser o último ano de sua carreira. Após flertar com a aposentadoria em janeiro e já tendo vencido o Super Bowl pelos Saints, poucas coisas ainda estão na mesa para o produto da Universidade de Purdue. Mas jogar contra os Chargers... Ah, isso sempre seria especial para ele e o foi na segunda. 

A história é um tanto quanto conhecida mas vale a pena lembrar. Tendo escolhido Philip Rivers dois anos antes e com a carreira de Drew Brees em questionamentos após lesão no ombro, os Chargers preteriram seu quarterback mais experiente e ele foi para New Orleans em 2006. Três anos depois, venceu o Super Bowl e justamente naquele ano teve a maior virada de sua carreira contra o Miami Dolphins, time que fora de Dan Marino, então dono de vários recordes que hoje são de Brees.

A marca estabelecida em 2009 contra Miami era uma virada após estar atrás por 21 pontos. Ontem, estava por 17 e conseguiu arrancar uma vitória na prorrogação. Um dos segredos foi que o passe em profundidade, que estava sumido no final do campeonato de 2019 e no início deste, apareceu. Esta é a resposta da pergunta que é título deste texto.  Segundo o ESPN Stats and Info, Brees teve 7-9 em passes para mais de 10 jardas após a interceptação no segundo quarto. Ele começou o jogo com 1-5 no quesito, incluindo a interceptação. As sete campanhas finais, portanto, tiveram um Drew Brees mais agressivo em profundidade – algo que já havia aparecido na semana passada e que agora, para alívio do torcedor dos Saints e para aqueles que são fãs de um bom quarterback, apareceu novamente. 

Drew Brees
Drew Brees Getty Images

O passe de Brees para Jared Cook, de 32 jardas e touchdown, foi o mais longo de Brees desde 2017 e apenas a segunda tentativa dele para mais de 30 jardas nesta temporada – ambas foram para o tight end, aliás. Na ausência de Michael Thomas, suspenso por brigar com um companheiro de time num treino do final de semana, Brees conseguiu conexão pra lá de especial com Emmanuel Sanders, que chegou nesta temporada para desafogar Thomas no jogo aéreo – foram 122 jardas em 14 tentativas de passe para ele, muitas delas em profundidade. 

Mais uma vitória especial para Drew Brees num Monday Night Football, com ajuda defensiva na prorrogação, claro. Justin Herbert tem seus méritos de ter conseguido conduzir um tiroteio contra Brees de maneira semelhante à qual o calouro fizera com Tom Brady. Mas o resultado acabou, em meio a field goals errados e um Anthony Lynn sendo conservador e não sabendo fechar jogos, em favor do quarentão. Os Saints voltam à liderança da NFC South graças ao desempate pelo confronto direto com Tampa Bay – Carolina também está na briga com a mesma campanha, 3-2; 

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Dodgers têm favoritismo na final da Liga Nacional, mas não podemos menosprezar os Braves

Antony Curti
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5-0 na pós-temporada: Nem o Los Angeles Dodgers e nem o Atlanta Braves perderam partidas neste outubro de playoffs do beisebol. É a primeira vez que teremos um duelo assim (dois 5-0), aliás, segundo o Elias Sports Bureau. Seja como for, alguém vai perder – em quantos jogos sai o campeão da Liga Nacional?

O que os Braves têm de interessante

Sua rotação jovem, com três arremessadores abridores com menos de 26 anos, varreu o Miami Marlins na NLDS após a equipe da Flórida ter passado pelo Chicago Cubs em Wrigley. A dominância foi tanta por parte de Atlanta nesta pós-temporada que são 4 partidas vencidas sem ceder corridas – isso aconteceu pela última vez apenas em 1905 com o New York Giants. 

Em termos de rotação, o destaque de Atlanta fica para Max Fried, de longe o melhor arremessador abridor do time nesta temporada regular. Na pós-temporada, porém, os calouros Ian Anderson e Kyle Wright apertaram o passo e fizeram três partidas fabulosas, com ERA combinado de 0.00, WHIP de 0,74 e arremessando uma média de seis entradas por jogo.  

O problema, claro, é manter isso. Não apenas de um arremessador é feito uma rotação e a pressão de jogar contra o poderoso lineup dos Dogders pode afetar o psicológico dos dois calouros. Por isso, é certo dizer que uma zebra de Atlanta passa por mais bons jogos de Anderson e Wright – além do esperado por Fried.  

Este, aliás, tem uma história bem especial, como contada por Jon Morosi no twitter. Ele nasceu em Santa Monica, na Califórnia, e cresceu como fã do Los Angeles Dodgers. Como canhoto e arremessador, um dos seus jogadores favoritos é Clayton Kershaw, arremessador com a mesma característica. Fried usou a camisa 32 no ensino médio e nas ligas menores em homenagem a Sandy Koufax, Hall of Famer e melhor arremessador da história do Dodgers.  

“Quando cheguei (nas Majors), não tinha alguns arremessos que ele tem. Eu gosto de vê-lo jogar para me preparar para os times que vou enfrentar”, disse... Kershaw sobre Fried. O abridor dos Braves. Max terminou a temporada regular com 7-0 e o sólido ERA de 2.25 – seu WHIP também foi bem bom, na casa do 1.08.  

Para além da rotação, não podemos esquecer do ataque de Atlanta. Ronald Acuña Jr, a grande estrela do time, não teve boa temporada – Ozzie Albies não foi mal mas também não foi nada extraordinário. Quem realmente brilhou foi Freddie Freeman. Num time com tantas expectativas nos jovens, o primeira base de 30 anos teve estatísticas formidáveis nesta temporada, com .341 de aproveitamento e OPS de 1.102 – números de elite. Na pós-temporada, porém, ele não vem bem – então olho nisso e nos dois outros citados acima.  

Clayton Kershaw busca em 2020 seu primeiro anel de World Series
Clayton Kershaw busca em 2020 seu primeiro anel de World Series Getty

Los Angeles Dodgers, uma máquina altamente calibrada

Vai ser difícil parar esse time de Los Angeles, viu. Além de terem tido a melhor campanha da temporada regular, os Dodgers começaram 5-0 na pós-temporada como Atlanta também fez. A diferença é o momento e o quê de rolo compressor que os Dodgers carregam na aura ao entrar nesta final de Liga Nacional. Segundo o ESPN Stats and Info, dos 55 times com melhor campanha na LCS Era (anos com finais de liga), apenas seis começaram a pós-temporada com 5-0. Todos eles chegaram à World Series e três venceram.  

O ataque é absurdo de potente. O time marcou 23 corridas na NLDS contra o San Diego Padres e fizeram isso com apenas um home run na série – rebatido por Cody Bellinger, o atual MVP da Liga Nacional. Mookie Betts já tem quatro corridas impulsionadas nesses cinco jogos – sendo que teve o mesmo número com... 21 em Boston. Eu poderia ficar até amanhã citando nomes aqui, com Will Smith (5-6 no jogo de eliminação de San Diego), Justin Turner (que conseguiu sua 64ª rebatida em pós-temporada como um Dodger) e o próprio Bellinger.  

A rotação também é um absurdo – Kershaw tem experiência e Walker Buehler é um dos melhores jovens arremessadores do beisebol, mostrando serviço já desde o início da carreira. Segundo o ESPN Stats and Info, ele tem pelo menos 7 strikeouts em todos os oito jogos que já fez em pós-temporada. Há preocupação sobre Clayton Kershaw e seu histórico... peculiar em playoffs, mas neste ano tudo certo até agora: 14 entradas arremessadas e ERA de 1,93. Kershaw quase não está cedendo bases neste mês de outubro, tendo WHIP de 0,71 na pós-temporada 2020.  

A tendência é que Los Angeles, um titã em termos de elenco, vença a série em cinco ou seis jogos. Mas não podemos menosprezar o Atlanta Braves. No final das contas, é um time com rotação interessante e talento ofensivo que pode começar a clicar. Fora que, bem, não temos como prever o beisebol – como o leitor de longa data bem sabe. 

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Eagles x Rams: Duelos para ficar de olho, narrativas e estatísticas que você precisa saber

Antony Curti
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Wentz e Goff fazem o segundo duelo em suas carreiras
Wentz e Goff fazem o segundo duelo em suas carreiras Montagem/Getty

Dezembro de 2017: o melhor time da NFL enfrentava uma coqueluche ofensiva que fizera renascer o segundanista Jared Goff. Eis que Carson Wentz, candidatíssimo ao MVP daquela temporada, invade a end zone e vira sanduíche no meio de dois defensores angelinos. Um momento na história da liga que indiretamente marcaria o renascimento da carreira de Nick Foles, daria ares de fábula ao título dos Eagles e que fora o último jogo no qual Wentz seria chamado por mim numa transmissão de “Rojão Ruivo”.

Quase três anos depois, as duas equipes estão em momentos distintos e com expectativas distintas. Wentz chegou ao Super Bowl e tem um anel – embora fora espectador de tudo em janeiro e dezembro, ele teve seus méritos para conduzir o time à folga na primeira rodada. Goff chegou ao Super Bowl também e de certa forma foi um espectador – no caso, da fabulosa defesa do New England Patriots de 2018. 

Philadelphia entrou a temporada como um favorito em sua divisão mas ruiu na primeira semana contra a entrosada linha defensiva de Washington. Los Angeles recebeu Dallas – rival direto dos Eagles na briga pela NFC East – e mostrou coesão ofensiva, forte jogo terrestre e uma pressão imbatível por Aaron Donald e companhia. Agora, é hora dos Rams seguirem mostrando que podem mostrar serviço na divisão mais forte da NFL – e dos Eagles mostrarem que podem se recuperar. 

Duelos para ficar de olho: 

Miolo da linha ofensiva de Philadelphia vs iDL Aaron Donald: Por mais que Donald seja o melhor defensor da NFL, não é como se ele tivesse encontrado uma linha de papelão pela frente, dado que tem Zack Martin do outro lado (mas convenhamos que a ausência/aposentadoria de Travis Frederick foi sentida). Os Eagles não contam com Brandon Brooks, sólido guard que está fora da temporada com lesão no tendão de Aquiles – então o fardo cai em cima de Jason Kelce, um dos melhores centers da NFL. 

CB Nickell Robey-Coleman vs WR Cooper Kupp: Duelo para ficar de olho no slot nesta partida quanto os Rams estiverem no ataque. De contrato recém-renovado, Kupp é uma peça pra lá de importante no sistema tático angelino e bateu mais de 1000 jardas no ano passado. Suas crossing routes e utilizações em screens são pra lá de efetivas e podem ser um gatilho para o ataque de Sean McVay em substituição ao que Todd Gurley era até o ano passado. 

WR Jalen Reagor vs CB Jalen Ramsey: Outro de contrato renovado e que é reputado – merecidamente – como um dos melhores cornerbacks da NFL. Ramsey fez um bom trabalho na semana passada e não se concentrou exclusivamente em Amari Cooper, também cobrindo Michael Gallup. O outro Jalen é calouro mas teve um impacto em recepção de 55 jardas – vindo do lado direito. É esse tipo de recepção longa que Ramsey tem a capacidade de evitar em marcação individual e que os Rams precisam impedir. 

Termômetros para a partida:

Os Rams têm mais chance de vencer se... O jogo terrestre engrenar como na semana passada contra Dallas – foram 40 tentativas terrestres e o volume foi alto mesmo no último quarto, com o jogo ainda apertado. Malcolm Brown teve 6.6 jardas por carregada e acabou por ser o destaque do comitê de running backs que também teve Cam Akers, calouro, como ponto notável. Um volume terrestre abre possibilidade de tirar Jared Goff do pocket com rollouts e play actions e é justamente quando ele vai melhor como quarterback: quando a jogada começa desenhada e ele é um executor em vez de comandante. 

Os Eagles têm mais chance de vencer se... Carson Wentz não for uma pinhata como na semana passada. Não é absurdo dizer que Washington teve uma das melhores atuações defensivas do último domingo – Wentz sofreu 8 sacks e 14 QB hits. A missão é difícil, porque Aaron Donald é um ET e fez chover na semana 1. A missão é ainda mais díficil sem Brooks, que fez boa partida contra Donald em 2017 e como dito está fora da temporada. 

Estatísticas e Informações que você precisa saber 
Cortesia do ESPN Stats and Info

Segura a emoção, Carson: O quarterback dos Eagles soltou o braço contra Washington na semana passada e talvez seria melhor se não o fizesse. Se a média de distância da bola no ar por Wentz supera as 9 jardas num jogo, ele tem 7 vitórias e 14 derrotas. Abaixo de 9? 25-11. Contra uma linha defensiva que gerou o caos em Dallas na semana passada, um jogo aéreo mais curto – aproveitando momentos pontuais para esticar o campo – é uma abordagem melhor. 

Goff vs Wentz II: Primeira e segunda escolha do Draft de 2016, os dois quarterbacks já se enfrentaram em 2017 como disse na introdução deste texto. Os Eagles venceram por 43-35 e o destaque da partida para os livros de história foi Wentz rompendo o ligamento anterior cruzado do joelho ao final da partida. 

Carson Pinhata: Wentz vem de uma partida com 8 sacks, um recorde negativo de sua carreira – foram 15 pressões por parte de Washington. Como coincidência, os Rams pressionaram Dak Prescott em 15 snaps na semana passada – segunda melhor marca defensiva da Semana 1. 

Goff carregado: O quarterback dos Rams não teve nenhum passe para touchdown na semana passada e o eixo motor do ataque angelino foi o jogo terrestre, como já disse. Goff está em sequência ruim nesse sentido: ele tem 0 passes para touchdown em quatro de seus últimos nove jogos. Não é o que se espera quando o salário é acima dos 30 milhões de dólares.

Departamento médico: Os Eagles contam com a volta do RB Miles Sanders, que não jogou na semana passada e que disse estar 100% para domingo. O OT Lane Johnson, que também não jogou na semana passada, deve jogar também dado que treinou na sexta-feira. No lado dos Rams, sem muitos problemas de lesões como um todo – Sean McVay espera que o TE Gerald Everett jogue. 

Los Angeles Rams @ Philadelphia Eagles tem transmissão às 14h pela ESPN – antes, 13:45, tem Abre o Jogo. Comento a partida e te espero na audiência e na hashtag #NFLnaESPN

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Crônica: A Redenção de Gasly

Antony Curti
Antony Curti

Poucas coisas emocionam mais do que histórias de superação no esporte. Como já disse neste outro texto aqui do blog, a Fórmula 1 apresenta muito mais do que simplesmente a Mercedes dominando todas as corridas. Se formos assistir apenas pela classificação, é como assistir  a uma planilha de excel sendo preenchida. 

Hoje deu pau no sistema e a planilha ficou invertida. O Grande Prêmio da Itália de 2020 é um símbolo de 2020. Na casa da Ferrari, nenhum dos carros vermelhos terminou a prova e nenhum tifoso viu isso acontecer – ainda bem, pensando melhor. Quem acordou 11:30 e ligou a TV viu Lewis Hamilton em último lugar e se perguntou: o que raios aconteceu? 

Essa é apenas uma das muitas narrativas bizarras que fizeram do Autódromo de Monza o palco da corrida mais divertida e imprevisível da Fórmula 1 em 2020. Pierre Gasly, que largara em décimo, venceu a prova. Essa linha é simples, curta e não simboliza toda a carga emocional que as imagens do francês abraçando sua equipe demonstram e que me fizeram ficar com os olhos marejados. 

Pierre Gasly após a vitória no GP da Itália de Fórmula 1 em 2020
Pierre Gasly após a vitória no GP da Itália de Fórmula 1 em 2020 Getty

A longa jornada até o topo do pódio

Pierre foi do céu ao inferno – e ao inferno de novo – e agora volta aos poucos para o céu. Com a saída de Daniel Ricciardo para a Renault, o francês herdou a vaga de companheiro de equipe de Max Verstappen para 2019  – um dos empregos mais difíceis do mundo, diga-se. Ali, chegara ao céu: depois de anos ralando, depois da passagem pela Toro Rosso (a equipe B da fábrica de energéticos), ele chegara à Red Bull com a missão de pontuar e brilhar. Falhou. Miseravelmente. Gasly ficou na frente de Verstappen em apenas uma qualificação de 2019 e no intervalo de verão da temporada era apenas sexto colocado e tinha menos da metade dos pontos de Max no campeonato.

Aí, foi “rebaixado” para a Toro Rosso no meio do campeonato. Era como se ele tivesse pego a carta “compre quatro cartas” do Uno. Com o problema de que o passo para trás poderia ser definitivo. Gasly foi para o inferno de novo com a morte de seu amigo, Anthoine Hubert, no mesmo final de semana que voltara para a Toro Rosso. Ali, era o inferno ao quadrado. 

Mesmo assim, Pierre se superou e marcou pontos naquele Grande Prêmio da Bélgica. Seria o início da jornada que terminou com champagne hoje e que colocou um grande ponto de interrogação na cabeça de Christian Horner, chefe da Red Bull. Gasly ainda teria uma corrida fantástica para terminar o campeonato, em Interlagos, onde largou em sétimo e viu o caos acontecendo à sua frente – Ferraris abandonando e Hamilton chocando-se com Albon. Ao final, segurou o inglês na reta e assegurou o segundo lugar e o pódio. 

Aquele era o melhor resultado da Toro Rosso desde 2008, quando Sebastian Vettel vencera na... Itália. Aquele “era o melhor dia da minha vida”, segundo Pierre. Até hoje. 

O novo melhor dia da vida de Gasly

Em outra corrida caótica, a Equipe B da Red Bull, agora AlphaTauri, venceu de novo. Resumindo de maneira muito breve, Kevin Magnussen abandonou sua HAAS na porta do pit-lane e a Liberty Media, como vem sendo de praxe, já meteu o safety car na pista. Gasly já tinha feito sua parada e acabou se aproveitando disso, pulando para a terceira posição. Hamilton entrou no box sem que isso fosse permitido – dado que havia Safety Car e o carro de Magnussen estava em setor perigoso – e foi punido com um stop and go (praticamente um assassino de pódios na Fórmula 1 atual).

Para complicar mais a vida do inglês, Charles Leclerc perdeu a traseira na saída da curva parabólica e após destruir a barreira de pneus, foi o gerador de bandeira vermelha. Hamilton cumpriu a punição após a primeira volta da relargada e Gasly ultrapassou Stroll, que relargara em segundo, para nunca mais olhar para trás. 

Ou tipo isso, porque Carlos Sainz estava a praticamente um segundo do francês com seis voltas para a bandeira quadriculada. “Eu quero muito essa vitória”, disse Sainz pelo rádio em resposta à instrução da McLaren de “pegar leve”. O espanhol tentou, tentou, abriu asa móvel no final mas a vitória ficou com Gasly pela primeira vez na carreira do francês. 

Mais do que os 25 pontos, é a coroação de Pierre Gasly num trabalho que começou de novo há um ano. Após ser rebaixado, perder o amigo e ver sua carreira indo para o buraco, Gasly não desistiu e se reencontrou mentalmente. Esses são os momentos que fazem o esporte ser mais do que resultados, troféus ou qualquer coisa do gênero: são vidas, anos de trabalho, carreiras, tudo.

“Você sabe a ()*%¨$$ que eu fiz?”, perguntou Gasly pelo rádio na volta de desaceleração pelo rádio à equipe. Você mostrou porque a vida precisa de esporte, Pierre. Merci. 

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“Tank for Trevor”: o tanking dos Jaguars em 7 atos

Antony Curti
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Trevor Lawrence, quarterback de Clemson
Trevor Lawrence, quarterback de Clemson Getty

Que saudade de 2011. Uma NFL cada vez mais aérea e uma briga cabeça a cabeça para ver quem ficaria com Andrew Luck, o melhor prospecto do Draft na posição de quarterback desde que Peyton Manning recebera esse rótulo em 1998. Tal como Peyton, Luck foi draftado pelo Indianapolis Colts – que ficou com a primeira escolha geral do Draft de 2012 justamente após a pior campanha da NFL num ano sem o camisa 18, fora por lesão. 

2020 apresenta uma narrativa parecida e já temos um favorito para ser premiado. Chama-se de tanking, nos esportes americanos, o ato de “perder de propósito” para ter uma escolha alta no Draft seguinte. É óbvio que jogadores e comissão técnica não o fazem, mas movimentações de diretoria de maneira cristalina demonstram isso e parece que estamos diante do fato em Jacksonville. 

Primeiro ato: Jalen Ramsey trocado

Pistola com todo mundo, Ramsey percebeu que os anos de glória em Jacksonville estavam chegando ao fim antes que o pico parecesse ter chegado. A melhor defesa da NFL de 2017 foi sendo desmontada pouco a pouco e o golpe de misericórdia veio no desenrolar da temporada 2019, quando Ramsey foi trocado por duas escolhas de primeira rodada para os Rams – deve ter sido um dos dias mais felizes de sua vida, porque ele fez uma campanha extensa para que isso acontecesse. 

Segundo ato: Tag em Yannick Ngakoue só para trocá-lo

Seguindo o modelo de tagar para trocar de Jadeveon Clowney-Houston Texans e mais ou menos na mesma pegada do caso acima, os Jaguars colocaram a franchise tag em Yannick Ngakoue em vez de renovar com o atleta. A renovação não seria possível porque o próprio Yannick não queria ficar em Jacksonville – e o time em nada ganharia comprometendo salary cap num jogador que seria bem caro para um time em reconstrução. Com a tag, ele teria contrato de um ano e os Jaguars ainda conseguiriam algo em troca caso houvesse equipes interessadas – o que demorou uma eternidade.

Terceiro ato: Nick Foles trocado

Depois que o esperado aconteceu – leia-se Nick Foles não era a Cinderella daqueles playoffs e a magia era insustentável – o Jacksonville Jaguars foi abençoado com uma oportunidade em Gardner Minshew. Com isso e a lesão de 2019, os Jaguars corretamente abortaram a missão e trocaram Nick Foles para o Chicago Bears – que acabou amortecendo boa parte do dinheiro garantido do contratão que Foles recebera de Jacksonville antes da temporada 2019. 

Quarto ato: Calais Campbell trocado

Forte movimento que indica limpeza de casa é quando um veterano que ainda tem gasolina no tanque sai por uma bagatela. O Baltimore Ravens agradeceu e trocou apenas uma escolha de quinta rodada por Campbell, que aos 33 anos iria para o último ano de contrato com os Jaguars. Mesmo que seja barato – até em função de ser apenas um ano de contrato – é mais um movimento que demonstra com clareza a noção de que os Jaguars são vendedores e estão pensando no futuro. 

Quinto ato: Nenhum quarterback é draftado e Doug Marrone é mantido

Poucos movimentos indicam mais um tank quanto não escolher no Draft um quarterback do futuro e/ou manter um head coach que já deu o que tinha que dar. Afinal, poucos princípios se aplicam nessa análise como “novos sistemas, novos quarterbacks”. A manutenção de Marrone indicava que os Jaguars dariam mais um ano para Minshew com o propósito de descobrirem o que têm nele – não faria nenhum sentido draftar um quarerback na primeira rodada para manter um técnico que provavelmente cairia ao final da temporada. 

Sexto ato: Ngakoue finalmente é trocado (por migalhas)

No domingo, mais um ato de nossa novela. Yannick Ngakoue finalmente foi trocado. Como os meses passaram e o jogador perdeu precioso tempo de camp – somado ao fato de que o ano está tirando demanda de trocas em todos os esportes, dada a incerteza geral – o Jacksonville Jaguars não conseguiu quase nada em troca.

Uma segunda rodada e uma escolha condicional via Minnesota – 5ª se nada a seguir acontecer, 4ª se Ngakoue for pro bowler (bem provável) e 3ª se os Vikings forem campeões. Topar uma troca como essa só mostra como o processo de tank e implosão é a viga mestre do norte da Flórida para 2020.

Sétimo ato: Leonard Fournette é cortado após não haver mercado para troca

Não vou me estender no racional de valor de running backs no topo do Draft porque vocês já há algum tempo sabem minha opinião sobre o tema. Seja como for, mais um exemplo nesta semana, com o Jacksonville Jaguars cortando Leonard Fournette, jogador que draftaram no top 10 do Draft 2017. Mesmo sofrendo com lesões, Fournette foi responsável por 30% das jardas do time no ano passado. Mas 30% de pouco é menos do que pouco, certo? Então o time tentou lhe trocar. 

Como esperado, não houve interesse dos outros times por um running back de força que raramente recebe passes – e os Jaguars tiveram que cortar o jogador e assim economizaram 4 milhões (embora 8M ainda fiquem presos na folha deste ano). 

E o futuro?

Olhando no plantel de Jacksonville, há poucas boas peças. Myles Jack ainda é um sólido nome como inside linebacker e o EDGE Josh Allen (não confundir com o quarterback de Buffalo) foi bem no ano passado. Mas claramente é um time em reconstrução – pra não dizer tank – e agora resta saber o que o time tem em Gardner Minshew, que vem para seu segundo ano. 

De uma forma ou de outra, a tendência é que os Jaguars tenham uma das cinco piores campanhas da NFL nesta temporada e, com isso, o top 5 do Draft 2021. Nele, podem escolher Justin Fields – quarterback de Ohio State, que não jogará em 2020 bem como toda a conferência Big Ten – ou realizar o sonho do Tank For Trevor (Lawrence), quarterback de Clemson. 

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“Tank for Trevor”: o tanking dos Jaguars em 7 atos

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Madden NFL 21: Mais do mesmo que não vale 250 reais

Antony Curti
Antony Curti
Lamar Jackson, MVP de 2019, é a capa do Madden NFL 21
Lamar Jackson, MVP de 2019, é a capa do Madden NFL 21 Divulgação EA

Chegamos ao final de agosto e a espera pela volta da temporada da NFL recebe seu combustível anual que é o lançamento do Madden NFL. Como todo jogo anual – e eu até incluo Pokémon e Call of Duty nessa pegada dados seus lançamentos frequentes – a pergunta sempre reside em “mudou coisa o suficiente pra justificar meu investimento?”. 

Neste caso, pouco sim, muito não. Há mudanças significativas no gameplay (jogabilidade) que aproximam mais o Madden da realidade. Há a inclusão de um novo modo de jogo – com uma pegada street, a exemplo do que já vimos no FIFA 20. Mas o Franchise Mode segue abandonado. 

Sem mais delongas, vamos à análise. Se você quer uma resposta rápida para a resposta de sempre, vá ao final do artigo. Se bem que você já deve imaginar o que eu tenho a dizer, porque todo ano é a mesma coisa.  

Modo carreira: mais profundo, muito fácil

A EA deu “baby steps” no modo carreira e isso é um tanto quanto estranho se compararmos com os pares da empresa. Há muito tempo o modo carreira (jogando com um personagem criado) faz parte do NBA2K e o modo já teve até mesmo a colaboração de Spike Lee. O FIFA e o Madden optaram por algo roteirizado no início – Alex Hunter/Devin Wade – e dividido em duas partes. 

No ano passado, vimos a introdução de um modo carreira com o college football – ou tipo isso, porque são dois jogos e olhe lá. Mas jogando apenas como QB. Assusta porque já no Madden de PlayStation 2 – 06, 07, 08, escolha o seu – era possível jogar o modo carreira até mesmo como kicker. Então, para o Madden 21, a EA colocou a opção de mudar de posição para RB ou WR. A forma pela qual isso é feito é meio bizarro, mas não vou dar spoilers para você aproveitar a experiência. 

De toda sorte, ainda é muito pouco se comparado aos modos carreira do MLB The Show e do NBA 2k. Com uma tara por cut scenes e pelo modo roteirizado, a EA caba se engessando – em oposição aos outros modos que falei dos pares esportivos. A roteirização engessa a ponto de que não podemos escolher uma dificuldade no modo carreira até chegar à NFL. Então fica tudo muito tediante e com frequência passei para mais de 5 TDs numa partida. Abaixo, o vídeo com o gameplay completo desse modo (até chegar na NFL). 

Gráficos e Som: Mudanças sutis

Como a nova geração de consoles está chegando no final deste ano, era esperado que não houvesse muito empenho da EA em relação aos gráficos. Foi assim nos Maddens derradeiros do PlayStation 2 e PlayStation 3 e não seria diferente aqui. Alguns seguidores me disseram que sentiram o gráfico um pouco pior, mas sinceramente não senti isso. Em realidade achei até que estão melhores em jogos noturnos, em termos de iluminação. 

O som, porém, deu uma melhorada. Um novo narrador de estádio – o que fala first down, nome do jogador e posição da bola – foi introduzido e ainda bem, porque o antigo estava no jogo desde o PlayStation 3 e era zero condizente com a realidade. Adicionalmente, gritos de torcidas foram melhorados. Você consegue ouvir o Go Pack Go com mais facilidade no Lambeau Field – algo que reproduz a realidade de maneira mais fiel, portanto. 

Franchise Mode: o super descaso

Jogar o franchise mode do ESPN NFL 2k5 ou mesmo do Madden 05 de PlayStation 2 e jogar o mesmo modo de jogo no Madden 20 é uma experiência frustrante ao perceber que um jogo que tem quase idade para dirigir é mais completo. Madden 20? Sim, não foi erro meu. À época do lançamento, Madden 21 tem esse modo estritamente como o MESMO do Madden 20. Literalmente nenhuma mudança foi feita num intervalo de um ano. 

Quando a comunidade soube disso, se revoltou. Nem ao menos uma perfumaria ou outra foi adicionada. O descaso e a cara de pau foram tamanhas que simplesmente não mexeram em algo que está quebrado. Esse é o ponto. Se estivéssemos falando do MyGm do NBA2k, que é completo e no qual você pode até mudar regras da liga, então beleza não haver mudanças. Mas estamos falando de um modo de jogo quebrado que não conta com elementos que estavam presentes no mesmo jogo, da mesma desenvolvedora, de 15 anos atrás. 

Senior Bowl, Free Agents Restritos, Contratos com mais dinheiro no início ou no fim, times onde o jogador esteve, corrida pelos prêmios, playoff picture... Eu poderia ficar alguns dias listando as coisas que não estão presentes e que deveriam – e que estão nas contrapartes da NBA e da MLB no 2k e no The Show. Chega realmente a ser vergonhoso e frustrante. 

Ante tudo isso, a EA prometeu mudanças. Algumas chegarão ainda neste ano, como a possibilidade de editar quem é Superstar X Factor ou não. Também foi prometido que a IA do jogo faça decisões que fazem sentido, como por exemplo não dar um contrato de 3 anos para AJ Green – coisa que aconteceu na live acima. Outras, como contratar uma comissão técnica (gente, não deveria ser tão difícil assim...) só no Madden 22. Algo que também me incomoda é que o “morale” não afeta tanto os ratings assim – a EA poderia jogar o MLB The Show para ver como isso é importante. Um QB com 3 interceptações num jogo deveria perder moral e ter seu rating reduzido para a partida seguinte – e vice-versa. Mas não é isso que acontece aqui.  

Ainda falta quilômetros para que o Franchise Mode do Madden deixe de ser o pior – disparado – dos jogos esportivos. Sequer criar um time propriamente podemos – coisa que a EA promete apenas para o Madden 22.  

The Yard: A resposta para a 2k

Ainda neste ano, a 2k anunciou um novo contrato com a NFL para fazer um jogo não-simulação de futebol americano. Ou seja, algo na pegada do NBA Jam, por assim dizer. O contra-ataque da EA foi a introdução de um modo arcade no Madden 21, o The Yard.  

É praticamente a mesma coisa que o “Volta” do FIFA 20, mas no futebol americano. Aliás essa vem sendo uma tendência da EA, introduzir ideias no FIFA e no ano seguinte colocá-las no Madden – o modo carreira foi a mesma coisa.  

É divertido e para você que joga de maneira casual é uma boa pedida. Eu não gostei muito mas realmente é algo subjetivo. Para que não é tão hardcore de futebol americano, é uma boa forma de apresentar o esporte, então parabéns à EA nesse sentido. 

Gameplay: aí sim temos mudanças boas 

Ok, depois de muita pancada vamos tecer elogios válidos. Se você era um daqueles que na defesa controlava um dos ILBs e marcava o campo inteiro facilmente, tenho uma má notícia: o Madden agora está mais próximo da realidade.  

As trincheiras voltaram a ser importantes. Afinal, é isso que faz sentido, toda jogada começa na linha de scrimmage e não com um linebacker onipresente marcando o campo inteiro. Agora, este tem uma movimentação mais lenta e condizente com a realidade – forçando o jogador a começar a jogada defensiva no controle de um EDGE ou iDL. Ou seja: como acontece na vida real (aleluia!).  

Nesse sentido, agora temos movimentos de pass rush a serem escolhidos como na vida real. Até ano passado, ou você apertava X (e escolhia um pass rush de técnica) ou quadrado (para um pass rush de força). E era basicamente isso. No Madden 21, por meio do analógico direito, você tem a opção de vários movimentos e uma barrinha para gastá-los – pass rushers melhores, como Aaron Donald, tem barrinha mais cheia e alguns “poderes” do Superstar X Factor inclusive recarregam essa barrinha. 

Na linha ofensiva, os bloqueadores vão enchendo sua própria barrinha ao longo do jogo. Ou seja: não vai adiantar usar sempre o bull rush ou o swim, por exemplo. Tal como na vida real, eventualmente o bloqueador vai manjar isso e perderá o efeito. É uma mudança muito bem-vinda e isso deixa o jogo na defesa muito mais agradável – além de ser uma novidade que aumenta muito o fator replay do game.  

No ataque em si, duas coisas que reparei que ajudam muito também no fator replay e na queda de frustração, por assim dizer: bloqueios em campo aberto estão acontecendo (era um parto para que seu bloqueador assim o fizesse até o Madden 20) e a EA deu um jeito de seu quarterback lançar a bola no “último momento” antes do sack. Pela engine Frostbite, até a edição 20 a animação de sack começava e nem se você fosse Pat Mahomes conseguiria se livrar da bola. 

Veredito: Comprar agora, esperar promoção ou não comprar? 

Há muitas mudanças na NFL de 2019 para 2020 – vários times mudaram de uniforme, Tom Brady saiu dos Patriots, temos calouros pra lá de interessantes. Isso, por si só, pode levar uma galera a comprar o jogo no lançamento. Se puder ser uma espécie de irmão mais velho, falaria para você não fazer isso. 

As mudanças aconteceram – é fato que o gameplay está melhor e está mais gostoso jogar, sobretudo na defesa. Mas não justificam o preço de um lançamento AAA. O Madden 21 custar o mesmo que o Red Dead Redemption 2 – após anos de desenvolvimento – custou quando lançado é algo que não faz muito sentido. Continuo endossando fortemente para que jogos esportivos tornem-se serviços de assinatura.  

Então a recomendação segue sendo a mesma de anos anteriores: esperar promoção para comprar. Esperemos que após a revolta da comunidade – que fez #FixFranchiseMode trending topic mundial – faça com que a EA olhe para além da máquina de imprimir dinheiro chamada Ultimate Team. Esse não é um problema apenas da Eletronic Arts – a 2k é viciada em microtransações. Mas no NBA 2k o MyGM (equivalente ao Franchise Mode) é anos luz mais completo. 

Quem fez o Madden ser grande foram jogadores de anos que compravam o jogo por conta do franchise mode. Se não houver mudanças, um dia eles vão cansar e não comprarão mais. Se é que já não cansaram. 

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Adulto Newton: Cam Newton diz não se considerar titular dos Patriots

Antony Curti
Antony Curti
Cam Newton assinou por um ano com os Patriots
Cam Newton assinou por um ano com os Patriots Twitter: thachermac

Apenas um milagre ou um meteoro, nessa altura do campeonato, fazem de outro quarterback não chamado Cam Newton o titular do New England Patriots para a temporada 2020. Depois de praticamente 20 anos de Tom Brady como titular absoluto da posição, muitos achavam que o time entraria agosto com uma disputa posicional. Em realidade, a menos que Newton não estivesse saudável, a posição seria dele – a diferença de talento do ex-Panther para o segundanista e também alumni de Auburn, Jarrett Stidham, é muito grande. 

Quis o destino que Stidham se machucasse – lesão na perna, sendo que ele vem voltando a ter volume nos últimos dias – e que Newton estivesse plenamente apto em campo. Isso tudo, porém, não fez com que Cam tomasse a titularidade como algo certo. Sua postura, bem aos moldes do que agrada Bill Belichick, vem sendo de dedicação, trabalho duro e humildade. Ou, aproveitando-me de um termo na moda, bem "Adulto Newton" – em oposição a algumas declarações polêmicas que ele já fez em entrevistas coletivas enquanto quarterback do Carolina Panthers. 

"Absolutamente não", respondeu Newton ao ser perguntado por repórteres ontem se ele se considera titular do time. "Todo dia é dia de trabalhar. O rótulo [de titular] não é importante para mim neste momento porque eu sei que tenho muitas coisas a melhorar, muita coisa a aprender e muita coisa para me sentir confortável. Ao longo desse processo, a última coisa que eu me preocupo é esse rótulo", disse. Newton não joga uma partida desde a semana 2 da temporada 2019, quando teve atuação apagada no Thursday Night Football contra o Tampa Bay Buccaneers. Com lesão no pé que tivera na pré-temporada e recuperando-se de lesão do ombro que sofrera em meados da temporada 2018, Newton começou seu longo processo de recuperação e podemos dizer que ele ainda está nesse curso para tirar a ferrugem. 

Com Stidham limitado com lesão na perna, o outro quarterback saudável dos Patriots para além de Cam Newton é um velho conhecido da torcida, Brian Hoyer. Contudo, pelo o que vimos de Hoyer como titular no San Francisco 49ers antes da chegada de Jimmy Garoppolo por lá, é difícil imaginar que ele brigue por titularidade em Foxboro – sendo, inclusive, um candidato a corte. Isso, porém, não fez com que Cam se sentisse acomodado. "Vejo um cara como [Brian Hoyer] indo para a linha de scrimmage estando tão afiado como eu poderia estar. Eu pergunto coisas para ele, para Jarrett e sei que tem coisas que preciso melhorar. Até melhorar essas coisas, todo o resto é irrelevante". 

Postura de Cam à parte, hoje é praticamente certo que ele seja o quarterback titular do New England Patriots para a próxima temporada. Com ele e Stidham saudável, a posição organicamente já seria dele. Com o segundanista perdendo tempo por lesão, aí a tendência é ainda mais forte. Agora resta saber se Newton voltará à forma de 2018. Os Panthers tinham 6-2, brigavam por playoffs e Newton tinha as seguintes estatísticas: 67% de passes completos (marca altíssima se comparada a anos anteriores), 15 TDs e 4 INTs. Aí veio a lesão contra os Steelers e outro quarterback apareceu. É esse que volta em 2020? O torcedor de New England espera que sim. 

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3 times possíveis para Earl Thomas

Antony Curti
Antony Curti
Earl Thomas em jogo dos Ravens na NFL
Earl Thomas em jogo dos Ravens na NFL Getty

Depois de muitas aventuras na intertemporada – para usar de eufemismo – uma ética profissional no mínimo contestável, faltar a reuniões e como ápice uma briga com um colega de defesa num treino, Earl Thomas foi cortado pelo Baltimore Ravens. Surpreendeu por um lado na medida que, embora não seja mais o ET dos tempos de Legion of Boom em Seattle, ainda é um sólido safety. Mas por outro não surpreendeu dado que John Harbough, um dos melhores treinadores da liga, sabe da importância de uma vestiário com clima sadio e deve ter chegado à conclusão que o custo de oportunidade de manter uma bomba relógio ali seria muito alto. 

Seja como for, Thomas agora é um free agent e pode assinar com qualquer equipe da NFL. Já se passaram alguns dias e... Nada. Então, aproveitando a oportunidade, listei alguns times que poderiam contratar o agora ex-Raven. 

1- Cleveland Browns

O time tinha carência na posição de safety antes do Draft e fez boa escolha na segunda rodada com Grant Delpit, vindo da campeã nacional LSU. O problema é que essa expectativa já foi água abaixo com uma lesão de Delpit no início desta semana. Ele rompeu o tendão de Aquiles e está fora da temporada 2020. Isso, então, abre uma possibilidade para a chegada de Thomas – ainda mais porque os Browns são o time com mais dinheiro disponível de acordo com o OverTheCap: são 40 milhões de dólares. Ah, e teria a vingança nos olhos de Earl Thomas, ex-Ravens (que é da mesma divisão). 

2- Dallas Cowboys

Pois é, todo mundo apostava que o casamento entre Dallas e Earl Thomas era algo que viraria realidade o quanto antes. Afinal, Thomas é do Texas e após uma partida entre Seahawks e Cowboys chegou a dizer ao então head coach Jason Garrett que "se tiverem a oportunidade, me peguem". Dallas agora tem a oportunidade mas... Não com Garrett por lá. O head coach foi demitido após a decepcionante temporada de 2019 e quem manda no time é Mike McCarthy. O ex-técnico dos Packers, em seu primeiro ano com os Cowboys, chegou a dizer nesta semana que "está confiante no elenco que o time já tem" quando perguntado sobre a possibilidade de contratar Earl Thomas. Na terça, Ian Rapoport – insider da NFL Media – disse que falou com Jerry Jones e que o time não deve fazer proposta pelo safety. 

De toda forma, ainda faria todo sentido. Safety é uma carência do time há algum tempo, Byron Jones foi uma perda na secundária e a dupla atual de safeties é pedestre – Xavier Woods e HaHa Clinton-Dix. A chegada de Thomas seria algo positivo. A ver. 

3- Philadelphia Eagles

O time perdeu Malcolm Jenkins – que voltou para o New Orleans Saints –  e em tese a chegada de Thomas poderia ser o troco do que os Cowboys fizeram no Draft, dado que os Eagles, segundo rumores, estavam sedentos para escolher CeeDee Lamb e Dallas draftou o wide receiver antes da escolha de Philadelphia. Então, considerando que a NFC East deve ficar entre esses dois times, seria algo como "reforçar-se e impedir que o rival divisional o faça". 

Porém, coloco chances diminutas aqui. Jalen Mills fez uma boa transição para safety e deve ser uma das apostas do coordenador defensivo, Jim Schwartz, para a temporada 2020. Então por conta disso – e até para economizar dindin – a contratação pode ser colocada no radar mas com chances diminutas. 

Menções Honrosas: 

New England Patriots: Quase todo ano quando um jogador famoso é cortado acaba por ser cogitado em New England – até pelo histórico de "arrumar cabeças duras" que Bill Belichick tem, com destaque para o case de Randy Moss. Não é segredo que Belichick tem amor por Ed Reed, safety que também jogava no fundo do campo. Ter alguém com esse potencial parece apetitoso, mas New England parece querer carregar rollover no cap para 2020 e já tem Devin McCourty – a especulação viria mais pelo opt-out de Patrick Chung. 

Atlanta Falcons. Coloco os Falcons como menção honrosa apenas porque o time não tem muito dinheiro disponível no teto salarial. Apenas 7.6 M – o que não deve ser suficiente para que Thomas tope juntar-se a Atlanta. Claro, movimentações podem ser feitas para que mais espaço surja – ou Earl Thomas pode topar assinar por menos – mas não vamos exagerar nas previsões. Faria sentido na medida em que Dan Quinn, head coach do time, trabalhou com Thomas como seu coordenador defensivo em Seattle e também porque o safety Ricardo Allen está voltando de lesão. 

San Francisco 49ers: Coloco aqui apenas por conta do potencial alinhamento dos astros (literalmente) já que Richard Sherman lá estar e muito porque Thomas saiu meio que com sangue nos olhos de Seattle, rival divisional. San Francisco tem outras prioridades no momento, apenas 8 milhões disponíveis no teto salarial e a dupla de safeties do ano passado, Jimmie Ward e Jaquiski Tartt, fez boa temporada. 

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Curti: Os Cardinals podem ser uma grata surpresa em 2020

Antony Curti
Antony Curti
Kyler Murray depois de jogo dos Cardinals na NFL
Kyler Murray depois de jogo dos Cardinals na NFL Getty

A NFL é um grande moinho e seus recursos – teto salarial, free agency e Draft com ordem de escolha inversa à classificação da temporada – permitem que equipes que ficaram em último lugar num ano acabem vencendo a divisão no ano posterior. No ano passado não vimos isso acontecendo – mas quase, com o San Francisco 49ers, terceiro na NFC West em 2018 e campeão em 2019. 

Neste, se tivermos que apostar nosso dinheiro em algum time que possa dar essa volta por cima, o Arizona Cardinals apresenta-se como um time interessante para colocarmos no radar. A divisão é extremamente difícil – discutivelmente a mais forte da liga – mas a possibilidade está ali. 

Kyler Murray foi o calouro ofensivo do ano na temporada passada e começou sua carreira de forma parecida com a qual terminou sua trajetória no college: como uma ameaça dupla. Apenas dois calouros na história da liga, segundo o ESPN Stats and Info, tiveram 3500 jardas passadas e 500 corridas. Um é Cam Newton em 2011 – o outro, Murray no ano passado. Não houve apenas flores nessa história, com dores de crescimento aparecendo. Um dos pontos que Murray precisa melhorar e que acabava sendo uma virtude na várzea defensiva que é a conferência Big XII é o fato de que ele segurava demais a bola. Fazia isso no college, continuou fazendo na NFL. 

Mas na NFL o negócio é outro. Prova foi o elevado número de sacks que Murray sofreu na temporada passada – 48, empatado com Matt Ryan e Russell Wilson como os que mais foram ao chão em sacks. Não que a linha dos Cardinals tenha sido um suprassumo de excelência, mas ele precisa segurar menos a bola e ser mais eficiente. Isso, claro, vem com o tempo. Peyton Manning bem disse uma vez que a medida em que os anos vão passando, os quarterbacks profissionais enxergam o jogo passando "mais lentamente" na sua frente. 

E em 2020, o que esperar?

A princípio, boas notícias. "Kliff [Kingsbury, o head coach e responsável pelo ataque] está fazendo umas coisas ali que vão deixar qualquer um com problemas... É muito rápido [o ataque]. Algo que nunca experimentei num training camp e vai levar tempo para se ajustar", disse o DL Jordan Phillips ao jornal Arizona Republic. Ou seja, o ataque dos Cardinals, que já teve alta octanagem em 2019, está a todo vapor. 

Regressão à média pode acontecer – sobretudo porque os coordenadores defensivos adversários terão tape de Murray e do Air Raid de Kingsbury para pensar em formas de neutralização – mas a outra boa notícia vem da intertemporada. Os Cardinals se aproveitaram do atrito entre Bill O'Brien e DeAndre Hopkins e trocaram por DeAndre Hopkins com o custo de praticamente uma segunda rodada. David Johnson saiu também nessa troca, mas acabou sendo positivo: Kenyan Drake melhorou o ataque desde que chegou e se mostrou um running back mais eficaz – e barato. Não é contestável que Hopkins é um dos melhores wide receivers da NFL. Ele pode, inclusive, melhorar as jogadas nas quais Murray esteja em movimento e fora do pocket, algo que não foi tão bom no ano passado (dado que teve bons números assim com Deshaun Watson em Houston). 

A defesa, a propósito, também deve apresentar melhora. Ela ainda conta com Chandler Jones, o melhor pass rush da liga na minha humilde opinião – e um dos mais subestimados jogadores da NFL. A chegada de Isaiah Simmons, um faz-tudo defensivo, dá uma versatilidade interessante para o setor e aparte disso melhora o miolo defensivo de Arizona, o qual foi problema no ano passado. 

É muito difícil cravar que os Cardinals sejam o "Worst to First" de 2020 e vençam a divisão após ficar em último lugar no ano passado. Afinal, é uma NFC West com o fortíssimo elenco dos 49ers, um quarterback de elite em Russell Wilson nos Seahawks e um Los Angeles Rams que embora fragilizado pode dar trabalho. O que podemos afirmar, porém, é que Arizona é um time para ficarmos de olho e que está sob o radar de muitos – mas que pode brigar por playoffs nesta temporada. 

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Não, a corrida não foi chata – há coisas além da planilha de Excel que é a classificação final

Antony Curti
Antony Curti

Lewis Hamilton ampliou a vantagem sobre Max Verstappen no campeonato após mais uma vitória
Lewis Hamilton ampliou a vantagem sobre Max Verstappen no campeonato após mais uma vitória Mark Thompson/Getty Images

Muito, muito raramente pretendo escrever sobre Fórmula 1 aqui neste blog. Fiz isso quando do 1º de Maio – por razões que você imagina – e ao fazer review do videogame da modalidade como faço de outros esportes. Não tenho qualquer pretensão, frise-se, de cobrir a categoria como jornalista profissional. 

Escrevo este texto de maneira personalíssima e no mesmo nível e patamar de qualquer fã de automobilismo. Ou seja: é uma conversa minha com você. Só isso. 

A ideia de escrever este texto veio ao abrir os comentários deste post no Instagram da ESPN. Em sua maioria, frases como “perdeu a graça”, “ganhou porque tinha o melhor carro” e o clássico “A Fórmula 1 não é mais legal desde que o Senna morreu”. Não julgo esse tipo de comentário. A um olho nu, eles fazem sentido. Afinal, se assistirmos às corridas apenas pela classificação, é o mesmo que assistir a uma planilha de Excel sendo preenchida por uma hora e meia. 

Se adicionamos narrativas e uma pitada do elemento humano, a coisa muda de figura. É esse outro ponto de vista que eu estou tentando dar aqui e espero convencer alguém. Se o fizer com uma – e apenas uma pessoa – estarei por contente. 

Primeiro de tudo, é óbvio que o carro da Mercedes é o melhor. Mas, da mesma forma – e em analogia que eu possa entrar em contato com o grosso do público aqui do blog – o San Francisco 49ers também tinha o melhor elenco no Super Bowl LIV. Foi a magia de Pat Mahomes, naquela terceira descida, que fez a coisa pesar em favor de Kansas City. 

De maneira análoga, foi a magia de Lewis Hamilton, no terceiro setor da pista da Catalunha, que fez as coisas penderem em favor da Mercedes. Explico; Ao pular para a segunda posição na largada, Max Verstappen sabia que virtualmente poderia ser mais rápido que Hamilton no primeiro e no segundo setor.

O problema é que no terceiro, Max colaria no inglês, veria seus pneus desgastarem e a probabilidade de ultrapassagem reduzida na medida em que justamente nesse terceiro setor havia um Hamilton que se necessário forçaria o carro. Inclusive, ao comentar a prova, Luciano Burti chamou atenção para justamente isso. 

Essa é a primeira parte do ingrediente que falei, o qual tempera a corrida para além da classificação ou da planilha de Excel. Ou da manchete que você vai ver nos jornais sobre quem ganhou a corrida. 

Lewis não ganhou só e apenas porque tinha o melhor carro. Mas, sim, porque manteve o melhor carro. Economizar o equipamento – sobretudo no ardente calor que fazia em Barcelona – seria essencial para a Mercedes não tomar baile de Max e da Red Bull como acontecera semana passada. E certamente não seria uma missão fácil, como não o foi. 

É nesse ponto que o brilhantismo de Hamilton, o melhor piloto de sua geração, entra na pista. Afinal, Valtteri Bottas tem o mesmo equipamento e não fez bonito no Grande Prêmio da Espanha. Largou mal e não conseguiu ameaçar Max em praticamente nenhum momento.

A parte da estratégia 

A olhos nus e acompanhando apenas a planilha do Excel ou o resultado da prova, que seja, a parte interessante que reside na estratégia de troca de pneus acaba ficando de lado. Com o calor infernal que fazia, as equipes teriam graves problemas na administração dos pneus. O macio desgastaria rápido. O médio era uma incógnita. O duro, que em tese renderia mais, tinha pouca aderência. 

Alexander Albon foi a cobaia da Red Bull em meio a reclamações via rádio de um Verstappen sem pneus. Parou primeiro e arriscou com os compostos duros. Não deu certo – tomou volta e terminou apenas em oitavo lugar. Após poucas voltas, aliás, a Red Bull optou por chamar Max e ele foi de médios. 

O holandês parou antes de Hamilton, que fez magia ao economizar seu pneu macio para dar uma perna menor aos médios após a primeira parada. Com isso, a corrida caminhou para as mãos do inglês rumo ao recorde de Schumacher – tanto o de vitórias, quanto o de campeonatos. Não foi apenas porque “Hamilton tinha o melhor carro”. Eu te garanto que vários pilotos do grid não conseguiriam fazer o mesmo. 

A parte humana

Há um elemento bem-explorado na série “Pilotar para Sobreviver”, da NetFlix. A parte humana da Fórmula 1. Quando a gente vê aqueles carros maravilhoso com o auge da tecnologia do esporte a motor, às vezes esquece dos dramas pessoais que os pilotos vivem, as pressões que sofrem e que eles acabam sendo humanos. 

Albon está com o cockpit quente e não era por conta do sol do verão espanhol. Seu desempenho como companheiro de equipe de Verstappen deixa a desejar – sobretudo quanto ao ritmo de corrida. Tomar volta hoje colocou sua permanência na Red Bull ainda mais sobre ameaça. Até porque o cara que ele substituiu – e que foi “rebaixado” para a Toro Rosso/Alpha Tauri – Pierre Gasly, conseguiu classificar entre os 10 primeiros no sábado e é uma ameaça. Alguns apontam Gasly como melhor piloto, inclusive. Até que ponto a (pequena) paciência da Red Bull vai?

Por fim, Vettel. O tetracampeão está sem equipe para 2021 e passou vergonha no sábado ao não se classificar entre os 10 primeiros e não disputar o Q3. O alemão está tomando paulada de Charles Leclerc praticamente o ano todo. Um tanto quanto surreal em termos de narrativa se pensarmos que ele brigava por títulos há dois anos. 

Hoje, devagar e de mansinho, Vettel chegou em sétimo e foi eleito o piloto do dia em votação popular que a Liberty Media/F1 faz em seu site. Dá uma moral a mais para a segunda metade do campeonato – e melhora sua cotação em eventuais conversas com a Racing Point (futura Aston Martin). 

Como se vê, podemos limitar os olhos a quem ganhou ou perdeu ou, com um pouquinho de vontade e atenção, perceber que o esporte a motor tem narrativas ricas em estratégias e histórias. Ah, mas a Fórmula 1 tá chata! Na verdade, você talvez nunca tenha percebido, mas o que as Mercedes fazem hoje a McLaren fazia em 1988, ao vencer todas as corridas do campeonato menos uma. A diferença é que a bandeira no alto do pódio era verde-amarela. Fora isso, não mudou nada. 

Continua óleo, suor e lágrimas. 

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Comentários

Não, a corrida não foi chata – há coisas além da planilha de Excel que é a classificação final

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