Curti: Com toneladas de loot boxes, NBA2k20 é mais do mesmo e não vale 250 reais

Antony Curti
Antony Curti
Agora nos Lakers, Anthony Davis é a capa do 2k20
Agora nos Lakers, Anthony Davis é a capa do 2k20 Divulgação 2k

Em todo o ano eu venho fazendo revisões dos jogos de esportes americanos (com o bônus de Fórmula 1) e sempre há uma grande dificuldade: provar o prato antes que você queime a língua pagando 250 reais. Ao provar, eu preciso dizer quão salgado ele está. Ou melhor: dizer se alguma coisa mudou em relação ao ano passado ou não. Bom, mudou. O jogo virou um simulador. Mas de cassino. Antes de falar sobre o horrendo modo MyTeam, o auge do auge da palhaçada que viraram os jogos esportivos com loot boxes, vamos à quadra propriamente dita.  Nas duas últimas semanas, joguei bastante o 2k20 nas (poucas) horinhas vagas que consegui. Então, farei aqui um review mais completo o possível para vocês. 

GamePlay: Mudou o suficiente para 250 reais?

Em relação ao basquete, propriamente dito, não há muito o que reclamar sobre o produto oferecido. O que não quer dizer que o jogo valha 250 reais no lançamento - não vale. Há poucas mudanças que valham esse valor para o fã mais casual. Ainda encontro alguns problemas na falta de ajustes ao longo de uma partida. Vou dar um exemplo: se você jogar contra o Philadelphia 76ers, eles seguirão o protocolo Embiid/Simmons e será virtualmente impossível que explorem o perímetro, mesmo com os outros jogadores do elenco. Cada time tem um playbook e isso ainda está muito rígido. Assim, fechar o garrafão contra eles ainda será uma estratégia eficaz e poucos ajustes são feitos pela IA (Inteligência Artificial) quanto a isso. 

A IA defensiva foi levemente alterada e para melhor. Não é perfeita, dado que conta com muitas dobras. Vou dar um exemplo do que vem acontecendo com constância: se você jogar com o Los Angeles Lakers, a IA vai dobrar em LeBron James em várias oportunidades. Isso sobra espaço para você passar para Danny Green e capitalizar horrores em três pontos. Em outros times, isso acontece também. Basta ter um 3 & D que você consegue sobrepujar a IA do jogo com frequência. O que mudou para melhor foi a defesa do pick and roll (que beirava a estupidez em anos anteriores), com melhor proteção do garrafão. 

Há mais fluidez em jumpers com jogadores que assim merecem. Chutar com James Harden é completamente diferente de chutar com um reserva padrão da liga. O ball handling também está mais realista (experimente jogar com Kyrie Irving e outros armadores que isso ficará claro). Essas coisas são boas, bem como essa melhora e mudança defensiva. Mas, sinceramente, não valem o preço cheio. Aparte do resto do artigo que ainda você lerá pela frente, o gameplay por si já vem carregado com um "espere uma promoção para comprar". 

WNBA em quadra

Ta aí a ótima e real mudança para a edição 2020 do game. Não há tantos modos de jogo com a WNBA (como o MyLeague, por exemplo), mas ainda assim é bem válido que ela esteja finalmente presente - o futebol feminino já há algum tempo figurava no FIFA. A parte boa é que a 2k realmente fez uma mecânica e um gameplay adequado ao basquete feminino. Vou dar um exemplo básico: tal como no college basketball, a WNBA tem bem mais marcação em zona do que individual em relação à NBA. Isso aparece de modo fidedigno no NBA2K20. 

A parte negativa é que as grandes estrelas dominam demais nesse modo. Fica até chato. Se você jogar com Elena Delle Donne vai ter uma facilidade absurda para infiltrar e dominar o jogo assim (ainda mais com a maior frequência em marcação em zona). Embora Delle Donne seja uma grande jogadora na vida real, esse domínio (dela e de outras, como Breanna Stewart) ficou apelão demais. A 2k precisa endereçar isso nas próximas edições. 

Modo carreira/My League/MyGM

Vamos rapidinho falar dos modos: 

Carreira: A história está parecida com o modo de quarterback do Madden. Isso tem o ponto positivo e o negativo. O positivo é que a coisa está mais linear e com menos drama. Basicamente, quatro anos de College, nada de ser draftado mesmo sendo considerado no primeiro ano de faculdade um potencial primeira rodada, lesões, agentes, Combine e Summer League. Essa é a parte positiva, porque ficou mais realista. A parte negativa: rápido demais (2 horas, quando muito) e poucas decisões que você toma realmente afetam seu futuro. De toda forma, é o melhor modo carreira em alguns anos no 2k. 

MyGM: Nossa, esse melhorou. Que ódio supremo eu estava daquela zona de dono do time, filho dele e etc. Isso foi pro espaço. Uma parte interessante nesta edição é que, tal como um CEO ou qualquer pessoa em posição de poder na vida real, sua semana não permite que você faça o que você bem queira. Quer mandar todo mundo embora e trocar metade do time? Lamento, mas não rola fazer de uma vez. A cada semana você tem pontos para gastar em dadas atividades típicas de um general manager. Escolher com cuidado quais detalhes na administração de uma franquia é importante, porque o tempo é o recurso mais escasso que se tem nessas funções. 

MyLeague: Pouca coisa mudou. O que é bom, Um dos poucos modos de jogo que ficou fora do cassino-lootbox que a 2k colocou nesta edição. A bem da verdade, o MyLeague é o melhor modo franquia dos simuladores de esportes americanos. Então não é como se desse para colocar tantas novidades assim. Os pontos que disse acima (Action Points) também aparecem aqui. 

***

Agora vamos endereçar o elefante na sala. Antes de mais nada, veja o trailer. 

Preciso falar mais alguma coisa? 

É realmente um simulador de cassino. A Eletronic Arts ao menos vem tentando camuflar loot boxes e conexos, a 2k nem isso. Olha a quantidade monumental de jogos de cassino que você tem nesse modo de jogo. Pachinko, roleta, caça-niquel, beira o inacreditável. Lembrando da mecânica: pay to win. Há desafios para ganhar cartas, mas obviamente é anos luz mais difícil montar um time dessa forma do que se você simplesmente sair comprando packs. O tempero de tudo isso? Os tais jogos de cassino, para maximizar tudo.  34 mil dislikes e 4 mil likes. Assim esta a contabilidade do trailer do modo MyTeam para o NBA2k20. O resumo deste artigo poderia ser esse. 

Acho que não preciso dizer muito mais sobre esse modo de jogo depois do trailer. Mesmo que você não fale inglês, as imagens falam por si. 

Veredito: Comprar agora, esperar promoção ou nem isso?

A NBA viu um monte de mudanças da última temporada para esta - Kawhi foi para os Clippers, Anthony Davis para os Lakers, Chris Paul saiu dos Rockets e Westbrook chegou, Kevin Durant saiu de Golden State e Kyrie espera que ele se recupere para tentar dominar o Leste em 2020-2021 pelos Nets. Saímos da Era da Panela Dourada para a Era das Duplas. Se você absolutamente faz questão de viver isso desde o início, então vale o preço.  Se você acha que as pequenas mudanças nos modos de jogo e a inclusão da WNBA valem 250 reais, idem. 

Tendo jogado o 2k19 por horas e horas (e ainda tendo um save do MyLeague no qual estou apegado) eu não acho que valha. Aliás, eu ainda estou jogando esse save e não consegui largá-lo por completo para jogar o MyLeague apenas no 2k20. Esse é o sentimento que tenho. Ainda, temos o problema do cassino-MyTeam que disse acima. Precisava? Parece que a 2k tem medo que logo isso seja regulamentado (tá demorando) e querem espremer a laranja até o limite. Como se não bastasse, temos mais comerciais do que nunca no jogo. Cutscene dos jogadores chegando de terno no vestiário? Virou propaganda de loja de roupas. 

Passaram do limite. E, ao mesmo tempo, o preço cheio não se justifica para um jogo que é tão parecido com o 2k19. Então, o veredito é esse: espere uma promoção. Black Friday tá logo aí. Antes disso, não compre. 

Comentários

Curti: Com toneladas de loot boxes, NBA2k20 é mais do mesmo e não vale 250 reais

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Curti: Astros recuperam-se com 3-2 e podem ser campeões em casa

Antony Curti
Antony Curti
Justin Verlander pode ter sua primeira vitória em World Series no jogo 6
Justin Verlander pode ter sua primeira vitória em World Series no jogo 6 Getty

Que World Series, hein? O Houston Astros viu o Washington Nationals abrir 2-0 em seu território com duas atuações "bem humanas" de seus co-aces, Justin Verlander e Gerrit Cole. Menos de uma semana depois, o ataque apareceu, arremessadores menos laureados fizeram seu trabalho e os Astros voltam para Houston com a série 3-2, podendo ser campeão em casa nesta semana. 

Houston venceu os três jogos em Washington – na MLB, a final tem mando de campo 2-3-2 – e tornou-se apenas o terceiro time a vencer três jogos fora de casa numa World Series se contarmos as últimas 30 temporadas. Nas duas últimas vezes que isso aconteceu, o time que conseguiu o feito sagrou-se campeão – Yankees de 1996 e os Cubs de 2016. De toda forma, os Nationals ainda podem fazê-lo também e aí a gente teria uma coisa bem maluca: os mandantes teriam perdido todos os jogos da série e isso nunca aconteceu em mais de um século. 

O que aconteceu? Bem, o ataque de Houston apareceu, como eu disse, mas o de Washington pifou completamente.  O desempenho com homens em posição de anotar corrida foi horroroso. Nesses jogos em casa, os Nats tiveram saldo de -16 corridas – quarta pior marca numa World Series. No lado dos Astros, o grande destaque vai para George Springer e Carlos Correa. Springer agora tem 7 home runs em jogos de World Series, recorde da franquia. Mas não dá para falar apenas do ataque de Houston. 

Cole apareceu também. Depois de uma atuação um tanto quanto "humana" em seu primeiro jogo nesta série mundial, o potencial Cy Young da Liga Americana teve atuação de gala como fizera tantas vezes na temporada regular. Foram 9 strikeouts e isso contribuiu para o apagão completo que os Nationals tiveram. A pequena exceção nessa parcela de jogos em Washington talvez vá para Juan Soto, que teve seu segundo HR nesta série. 

Jogo 6 acaba a série?

Difícil dizer. Primeiro porque deve haver uma "regressão à média" por parte do ataque dos Nationals – é difícil que se mantenham tão apagados assim durante uma semana inteira, há talento demais para tanto. Ainda, porque Stephen Strasburg estará no montinho e ele vive um momento abençoado como lhe é de costume em pós-temporada. Strasburg cedeu duas corridas merecidas no jogo 2, fazendo com que seu ERA saísse de absurdos 1.10 para 1.34 em pós-temporada. Ainda é um número surreal e apenas Sandy Koufax, lendário arremessador abridor do Los Angeles Dodgers, tem número menor – 0,95 – entre abridores. 

Do outro lado Justin Verlander, a peça que faltava no quebra-cabeça do título de 2017. Os Astros estavam num momento conturbado na temporada em um ano que tudo prometia dar certo e que as escolhas de Draft e etc finalmente seriam capitalizadas num título. Aí, a diretoria apertou o acelerador e trocou por Verlander – com o título, muito ajudado por ele, a troca provou-se acertada. Agora, Justin tem a oportunidade de buscar um segundo anel e estando no montinho para isso. Em suas passagens por Detroit Tigers e Astros, Verlander nunca foi creditado/ficou com uma vitória em um jogo de World Series: são seis jogos, um no-decision e cinco derrotas. Nenhum arremessador teve tantos jogos sem vitória em uma World Series. 

Ante o que aconteceu com aquele Tigers do início da década, com um jogo não tão bom no início dessa série e seu simbolismo para a construção desse Houston Astros, somado ao fato do beisebol ter essas histórias românticas, me parece que de terça não passa. Cenas dos próximos capítulos. 

O Jogo 6 entre Houston Astros e Washington Nationals será na terça, 21h, na ESPN e Watch ESPN. A série está 3-2 para os Astros, então uma vitória de Houston encerra a série e dá o título da MLB para a equipe do Texas. Caso Washington vença, o jogo 7 também será em Houston, na quarta-feira, também 21h na ESPN e Watch ESPN. 

Siga-me no twitter em @CurtiAntonye no Instagram em @AntonyCurti

Comentários

Curti: Astros recuperam-se com 3-2 e podem ser campeões em casa

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

A Cinderella da temporada: Nationals abrem 2-0 e viram favoritos na World Series

Antony Curti
Antony Curti
Stephen Strasburg teve mais uma atuação de gala na pós-temporada e agora tem 1.32 de ERA na carreira em jogos de playoff
Stephen Strasburg teve mais uma atuação de gala na pós-temporada e agora tem 1.32 de ERA na carreira em jogos de playoff Getty

Quem diria, hein?

Falei no Jogo 1 da final da Liga Americana entre Houston Astros e New York Yankees que aquela ALCS tinha tudo para ser a "final antecipada" do beisebol em 2019. Bom, convenhamos: era para ser. Las Vegas apontava isso, analistas apontavam isso, até mesmo os torcedores de times da Liga Nacional achavam que seria o caso. Mas se tem um esporte imprevisível esse esporte é o beisebol. 

Passados dois jogos na World Series, supresa. Pintou o campeão? Talvez. E ele não se chama Houston Astros. Ontem, o Washington Nationals teve uma vitória gigante e seus rebatedores colocaram Justin Verlander "no bolso" como fizeram no Jogo 1 com Gerrit Cole. O bullpen dos Astros pouco fez – dos Nationals, por sua vez, detonou qualquer pessimismo e segurou a vitória para Stephen Strasburg. A vitória por 12-3 foi a maior por um time nas últimas 20 World Series. E leva o 2-0 para os Nationals. O que isso quer dizer?

Jogo 3

Os Nationals são apenas o terceiro time nesta temporada a vencer Cole e Verlander em jogos consecutivos. Agora terão Zack Greinke pela frente e, bem ele não faz uma boa pós-temporada – o que é uma notícia terrível para Houston. Primeiro porque a única virada sobre um 3-0 foi em 2004 naquele histórico Yankees x Red Sox. Segundo porque os Astros investiram no meio do ano para trazer Greinke e a ideia era que ele "selasse" a rotação que já era absurda com Cole/Verlander. O problema é que esses dois foram dizimados pelos Nationals e, como dito, Greinke não vive um bom momento.  Com o histórico que coloquei acima e o momento de Greinke, a tendência é o pior para Houston e o melhor para Washington. Não é absurdo dizer que a zebra virou favorito.  

Nesta pós-temporada, ele tem 0-2, 6.43 de ERA, 1.43 de WHIP e 8.1 de BB%. Números horríveis e um contraste forte do que ele teve na temporada regular – respectivamente, 18-5, 2.93, 0,98 e 3,7%. Como ele está cedendo bases a rodo (vide o WHIP) e os Nationals estão quentes com home runs frequentes, o jogo 3 pode virar uma grande avalanche de corridas para o time da capital americana.   

Os Nationals, por sua vez, virão com Anibal Sanchez na sexta-feira em vez de Patrick Corbin. Veterano, chegou "ao fundo do poço" na carreira após um bom início – mas vive um momento brilhante.  Sanchez tornou-se o primeiro arremessador a ter duas tentativas de No-Hitter com seis entradas em uma mesma pós-temporada. Sua última World Series foi junto de Verlander na mesma rotação, em 2012 pelo Detroit Tigers – que acabaria perdendo para o San Francisco Giants. Naquela série, teve 7 entradas arremessadas, duas corridas-merecidas cedidas e, por incrível que pareça, acabou ficando com a derrota naquele jogo. 

O Jogo 3 da World Series será nesta sexta-feira, 21h, após o ESPN League, na ESPN e Watch ESPN

Siga-me no twitter em @CurtiAntony

Comentários

A Cinderella da temporada: Nationals abrem 2-0 e viram favoritos na World Series

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

NFL: Power Ranking após a semana 7, e atuação miserável de Sam Darnold

Antony Curti
Antony Curti

Blog do Curti: o que passou na cabeça de Sam Darnold contra os Patriots?

Blog do Curti: veja o Power Ranking após a semana 7 da NFL

Fonte: Antony Curti

Comentários

NFL: Power Ranking após a semana 7, e atuação miserável de Sam Darnold

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Curti: Prévia World Series - com duas rotações fantásticas, qual será o diferencial?

Antony Curti
Antony Curti
Max Scherzer
Max Scherzer Getty

O ano era 2001. Aquele era o primeiro evento com segurança redobrada desde o 11 de setembro. O New York Yankees, mesmo que por alguns minutos e horas, havia deixado de ser o time a ser odiado para ser o time dos Estados Unidos ante uma Nova York resignada com os atentados que sofrera um mês antes. A narrativa da World Series de 2001, entre Arizona Diamondbacks e New York Yankees, acabou mais versando sobre o 11 de setembro, o arremesso cerimonial de George W. Bush e a raríssima implosão de Mariano Rivera. Mas havia mais. 

O conjunto de arremessadores abridores naquele ano era estelar. Do lado de Nova York, Roger Clemens, Mike Mussina e Andy Pettitte. Do lado de Arizona, Randy Johnson e Curt Schilling. Dois Cy Youngs (Clemens e Johnson já haviam vencido o prêmio de melhor arremessador), dois que ficaram no top 5 do prêmio (Mussina e Schilling). Ainda, Andy Pettitte foi o MVP da final da Liga Americana  daquele ano – embora, no final das contas, o MVP da World Series tenha ficado entre Johnson e Schilling, dado que ambos combinaram para 4-0 e 1.41 de ERA naquela série mundial. 

Desde 2001 não temos um conjunto de arremessadores abridores como teremos em 2019. Podemos até dizer que Justin Verlander e Gerrit Cole sejam a versão 2019 desse monstro de duas cabeças que os Diamondbacks tinham ao início do século. Mas não podemos esquecer dos demais. A World Series de 2019 tem 5 dos 10 arremessadores com mais strikeouts no beisebol: Cole, Verlander, Stephen Strasburg (6º), Max Scherzer (8º) e Patrick Corbin (10º). Ainda, de acordo com o Elias Sports Bureau, é a primeira World Series desde 1945 (Cubs-Tigers) que conta com seis dos 20 melhores arremessadores em ERA.  (Gerrit Cole 3º, Justin Verlander 4º, Max Scherzer 8º, Zack Greinke 9º, Patrick Corbin 13º, Stephen Strasburg 16º).

Há inúmeras outras coincidências entre as duas rotações. Nationals e Astros são os dois times que mais gastaram quando contarmos os três principais arremessadores de cada rotação – que, veja, é o que importa para a pós-temporada. Ambas as rotações, ainda, são experientes – têm média de idade acima dos 30 anos. Os seis que você viu acima foram escolhidos nas duas primeiras rodadas do Draft da MLB. 

Então, qual será o diferencial?

Bastões. Os Nationals tiveram momentos-chave ao longo dos playoffs. O ataque ajudou a virar o Wild Card, teve grand slam em jogo 5 contra o Los Angeles Dodgers e na primeira entrada do jogo derradeiro contra o St. Louis Cardinals, massacrou o coração do Missouri. A gente sabe o que esperar do lineup do Houston Astros, mas fica difícil prever com alguma certeza o que esperar de Juan Soto, Ryan Zimmerman, Howie Kendrick e o ótimo Anthony Rendon. Tenho boas expectativas dado o estrago que fora feito contra a boa rotação dos Dodgers, mas ante a força de Houston, fica ainda uma ligeira dúvida – e a vantagem ao ataque dos Astros. 

Ainda, bullpen. Mas ainda mais: quanto tempo os abridores de Washington ficarão no montinho. Os Nationals entraram a pós-temporada como o pior ERA de um bullpen e há muito sabemos a capacidade que esse povo tem de espalhar a farofa – embora, sejamos justos, isso não tenha ficado exposto neste outubro, com boas atuações (na medida do possível) e Sean Doolittle & Amigos. Para os Astros, ter paciência no home plate e desgastar Scherzer, Strasburg, Corbin e etc será de vital importância – assim, o bullpen de Washington entra em campo mais cedo. 

Mas, como sabem, eu não costumo ficar em cima do muro. Creio, sim, que os Nationals têm talento e consigam arrastar essa série para sete jogos – mas aí que reside o problema, porque em sete jogos a rotação vai pro vinagre de um jeito ou de outro. Carlos Correa, que vive uma senhora pós-temporada, resumiu bem o que esse Houston Astros é: o predador definitivo do beisebol. Com um Jogo 7 em Houston e um bullpen melhor, mantenho meu palpite de pré-temporada com o Houston Astros bicampeão da World Series. 

A World Series de 2019 começa nesta terça, 21h, com transmissão de todos os jogos pela ESPN e Watch ESPN. 

Siga-me no twitter em @CurtiAntony

Comentários

Curti: Prévia World Series - com duas rotações fantásticas, qual será o diferencial?

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Curti: Os Yankees não terem reforçado a rotação de arremessadores abridores pode custar a temporada?

Antony Curti
Antony Curti
CC Sabathia
CC Sabathia Getty

Machucado, C.C. Sabathia deixou o montinho ontem no Yankee Stadium. Aos prantos. O momento era de comoção e não poderia deixar de ser diferente. Às vezes, histórias de superação – como a dele – têm finais felizes. Sabathia, em aparição como reliever, machucou novamente o ombro e foi ao montinho pela última vez na carreira – ele já havia declarado aposentadoria ao final da temporada. 

O final da temporada para os Yankees se aproxima. Os Astros abriram 3-1, terão Justin Verlander arremessando hoje e a tendência é que Nova York termine outubro sem levantar o 28º título. O contexto todo é impactante e simbólico. O momento mais marcante do jogo 4 foi justamente o abridor, que provavelmente estará no Hall da Fama, passando por uma fatalidade que encerra sua temporada e carreira. Seria isso um indicativo que a rotação dos Yankees foi a culpada pela eventual eliminação na final da Liga Americana?

Num primeiro olhar, sim. Afinal, quando acontece uma eliminação, a tendência é apontarmos problemas e os pontos mais fracos de uma equipe tornam-se automaticamente um bode expiatório. Acho exagero apontar que "isso não teria acontecido na Era George Steinbrenner" e que os Yankees ficaram "fracos" em termos de aquisições. Ora, o que Nova York poderia ter feito? O time superou uma sequência de "fatalidades" ao longo da temporada. 

30 jogadores estiveram na IR. Domingo Germán aprontou fora de campo e não jogou a pós-temporada. Sabathia nem de perto é o arremessador de anos atrás. Luis Severino, no papel o ace dessa rotação, voltou no final da temporada e ainda não aguenta a carga de ser um verdadeiro número 1. James Paxton superou expectativas e Masahiro Tanaka, embora tenha cedido 3 corridas em cinco entradas, teve atuações de gala na pós-temporada como é costume. O que os Yankees poderiam ter feito de diferente? 

É engenharia de obra pronta falar que eles "deveriam ter trocado por Verlander em 2017" ou algo do gênero. Ninguém poderia imaginar que ele teria revivido a carreira do jeito que o fez – a ponto de ser candidato ao Cy Young nesta temporada, mais uma vez. O Verlander do início da década nem de perto lembrava o Verlander de 2017. Acontece que o fiel da balança na ALCS de 2017, justamente contra os Yankees, foi ele. Hoje, no Jogo 5 – que pode indicar eliminação – também pode ser ele. Então, a narrativa fica mais forte. 

Tampouco acho que os Yankees terem sido conservadores nas negociações com Patrick Corbin tenha um efeito tão pesado assim. Não é como se a solução de todos os problemas no Bronx fosse nele. É um bom arremessador, é verdade, mas não a ponto de ser fiel da balança. Ainda, no meio do ano, os Yankees ficaram num gigantesco beco sem saída. Madison Bumgarner tinha cláusula para vetar trocas e o San Francisco Giants subitamente ficou competitivo. O Toronto Blue Jays não quis trocar Marcus Stroman para dentro da divisão. Noah Syndergaard não está jogando bem e, mesmo assim, tenho minhas dúvidas se os Mets trocariam alguém de peso assim para reforçar o Bronx. 

Que tal abrir os olhos para o que realmente pifou na noite de quinta? A derrota foi por 8 a 3. As três corridas anotadas pelos Yankees foram abaixo da média do time na temporada e na série de temporada regular contra Houston. Nova York teve 0-7 com homens em posição de anotar corrida – 0-13 se você contar os dois últimos jogos. Ainda, o time foi um caos na defesa. Quatro erros, pior marca dos Yankees desde o Jogo 2 da ALCS de 1976 contra os Royals. O massacre de Houston ontem detonou qualquer momento que os Yankees tinham após roubar o Jogo 1 no Minute Maid Park. Será mesmo que a rotação é o bode expiatório? Será mesmo que não ter endereçado essa rotação foi o ponto decisivo para que o time não chegue à World Series? 

Acho que está claro que não. 

Siga-me no twitter em @CurtiAntony

Comentários

Curti: Os Yankees não terem reforçado a rotação de arremessadores abridores pode custar a temporada?

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

'Prêmio Blake Bortles' da semana vai para Jameis Winston e suas cinco interceptações

Antony Curti
Antony Curti

Fonte: Antony Curti

Comentários

'Prêmio Blake Bortles' da semana vai para Jameis Winston e suas cinco interceptações

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Curti: Kershaw implode novamente em outubro e Dodgers são eliminados

Antony Curti
Antony Curti

O segundo home run veio no arremesso seguinte ao primeiro. Uma slider que em nada quebrou e em que muito facilitou a vida de Juan Soto. Veio a paulada, o ar saiu do Dodger Stadium e parece que o pesadelo se tornara real. Como depois de uma perseguição em um filme de terror, o algoz sorria e franzia as sobrancelhas ao pegar  sua presa. 

A presa novamente era Clayton Kershaw. 

Um arremessador não pode ceder home runs em jogos decisivos e para o azar de Clayton, ele o faz com frequência em pós-temporada. Mesmo que os mais aficcionados pelo esporte defendam a técnica de Kershaw enquanto arremessador, fica um legado estranho para a carreira do outrora ace do Los Angeles Dodgers. Seu ERA é menor, na carreira, do que Sandy Koufax – discutivelmente o melhor arremessador da história da franquia. A quantidade de anéis, porém, também é. Depois de ontem, Kershaw soma 10 HRs cedidos em jogos nos quais o Los Angeles Dodgers enfrentava eliminação em pós-temporada. 

Reprodução/TBS
Reprodução/TBS []

Por muito tempo defendi Kershaw enquanto arremessador, mas a bem da verdade que desde 1969, quando a MLB criou a final de Liga e expandiu a pós-temporada a duas séries (a final de Liga e a World Series) a consistência pesou menos do que o poder de decisão. Pós-temporada ainda é o momento que o psicológico precisa aparecer mais forte e beira o inexplicável o que acontece com Kershaw em jogos como ontem – ainda, do jeito que foi. 

"Tudo o que dizem sobre a pós-temporada é verdade", disse Clayton sobre suas performances em outubro. Depois do segundo home run, que empatou o jogo e fez com que entradas extras viessem no Jogo 5 de vida ou morte da NLDS, Kershaw colocou suas mãos nos joelhos e sabia que seu destino seria sair de campo e, muito provavelmente, a saída dos Dodgers da temporada após 106 vitórias. 

Saiu. Isolado, ficou sozinho no dugout. Ninguém veio falar com ele, ele não foi falar com ninguém. Kershaw sabia que aquele provavelmente seria o fim. O mais talentoso, tecnicamente, arremessador do beisebol em sua geração mais uma vez falhou e a janela de um anel está se fechando – ele tem contrato até 2021 mas sua velocidade em bola rápida só diminui. Ainda, Walker Buehler, de 25 anos, tornou-se o ace da rotação.

É triste ver como o legado de Kershaw pode estar sendo sacramentado numa noite ruim e num final de série ruim. Os Dodgers jogavam em casa, tiveram oportunidades, saíram na frente. Implodiram novamente. Depois do empate cedido por Clayton, na décima entrada um grand slam de Howie Kendrick selou o pesadelo cujo final parecia ficar cada vez mais claro. 

"Eu não vou superar isso", disse Kershaw após o jogo. Infelizmente, ninguém que lhe defendia também poderá. 

Comentários

Curti: Kershaw implode novamente em outubro e Dodgers são eliminados

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Troféu Blake Bortles: Curti analisa partida trágica de Baker Mayfield

Antony Curti
Antony Curti



Fonte: Antony Curti

Comentários

Troféu Blake Bortles: Curti analisa partida trágica de Baker Mayfield

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Sem Ravens e Packers, veja o Power Ranking de Antony Curti para a Semana 5

Antony Curti
Antony Curti




Fonte: Antony Curti

Comentários

Sem Ravens e Packers, veja o Power Ranking de Antony Curti para a Semana 5

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Blog do Curti: as decepções do início de temporada da NFL

Antony Curti
Antony Curti

Fonte: Antony Curti

Comentários

Blog do Curti: as decepções do início de temporada da NFL

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Blog do Curti: veja o power ranking dos 5 melhores times da NFL após a semana 3

Antony Curti
Antony Curti

Fonte: Antony Curti

Comentários

Blog do Curti: veja o power ranking dos 5 melhores times da NFL após a semana 3

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Blog do Curti: as cinco melhores defesas da NFL para 2019

Antony Curti
Antony Curti



         
    

Fonte: Antony Curti

Comentários

Blog do Curti: as cinco melhores defesas da NFL para 2019

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Os melhores quarterbacks da NFL para a temporada 2019

Antony Curti
Antony Curti

         
    

Fonte: Antony Curti

Comentários

Os melhores quarterbacks da NFL para a temporada 2019

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Review: Madden 20 tem uma mudança que mais melhorou o gameplay em anos

Antony Curti
Antony Curti

Já é frequente aqui no blog a menção a "vale a pena comprar se o jogo é anual e muitas vezes parece apenas uma atualização de elencos?". Praticamente todo lançamento esportivo que tivermos eu vou acabar mencionando isso porque, bem, é o que importa para você que está lendo: saber o custo de oportunidade e se as mudanças – fora os elencos – são suficientes para gastar 250 reais num jogo novo. 

Antes disso, preciso endereçar algumas coisas. Para começar o timing deste review: o Madden 20 já está disponível há algumas semanas mas estou soltando a revisão apenas agora. Preguiça? Não, claro que não. Mesmo tendo o tempo corrido, o Madden é uma prioridade para mim há muito tempo (até por ter sido uma imensa ferramenta de aprendizado tático do jogo). A questão é que não queria fazer uma revisão sem realmente jogar o negócio. Nem fazer uma revisão por cima só passando pano ou algo do gênero. Até porque para saber se realmente o jogo vale a pena é essencial que eu tenha algumas horas de jogo. Para complicar, houve alguns patches importantes desde o lançamento – então este é o review "definitivo", por assim dizer. 

Agora, posso dizer que tenho essas horas de jogo para escrever aqui. Se você preferir vídeos a texto, fiz dois sobre o jogo, aliás: um com uma live de apenas gameplay – não falo em cima – e outro com uma revisão dos modos de jogo, as mudanças e o que você pode esperar de novidade para a versão 2020 do game. Abaixo, a live-review.


Aqui,  a live só com gameplay entre Steelers e Patriots – que é o primeiro Sunday Night Football do ano. 


Feito isso, vamos à análise. 

A mudança que pode fazer você colocar a mão no bolso

Há algum tempo a comunidade de Madden percebeu uma coisa interessante: se você perdia um quarterback titular (ou apenas estava de saco cheio dele) poderia facilmente substituí-lo com um reserva aleatório e seu time não sofria tanto assim. Num esporte com teto salarial rígido e mudança frequente na balança de força por conta de uma decisão boa ou ruim na free agency e no Draft, não fazia sentido. Vou dar um exemplo de como isso é danoso: há muitos anos eu joguei um franchise mode no qual troquei Eli Manning por três escolhas de primeira rodada – pegando um calouro no ano seguinte. O baque, considerando que Eli estava no auge lá pelos Madden 09 – não foi tão sentido. 

Ainda, no ano passado, fiz um longo franchise com os Patriots e, inevitavelmente, Tom Brady se aposentou. Acabei por substituí-lo pelo péssimo Brad Kaaya (que jogou marromeno no College em Miami e olhe lá). Mesmo que Kaaya tenha um braço absurdamente fraco para os padrões da NFL, isso não afetou meu jogo e... A Dinastia seguiu. Não faz sentido ser tão fácil assim, né?

Pensando nisso, alguns membros da comunidade do Madden faziam elencos (roster) com maior diferença entre o rating de grande jogadores e jogadores mais "normais". Confesso que já havia experimentado uma vez ou outra, mas a zona de conforto me impedia de fazer a mudança definitiva. Agora, não tem mais jeito: a própria EA fez a mudança de maneira que há "baques" claros no rating de jogadores bem conhecidos. Em outros anos, Patrick Mahomes – capa do jogo – seria 99 de overall. Neste ano, é 97. 

Patrick Mahomes é a capa do jogo nesta edição
Patrick Mahomes é a capa do jogo nesta edição Divulgação/EA

Lembra o Eli que eu disse acima? Ele está no fim de carreira e não produz bem há algum tempo. Em outros tempos, dificilmente Eli Manning estaria muito longe da casa dos 80. Neste, é 72. Daniel Jones, seu reserva imediato, é 68 – mesmo sendo escolha top 10 do Draft, o que costumava impulsionar os status de calouros. A vida agora no Madden é assim: se você perder seu titular, alta possibilidade de se lascar, para não dizer outra coisa. Diga-se de passagem, é o que acontece na vida real. 

Essa diferença entre os ratings fez com que o gameplay ficasse mais realista do que em anos. Sério, não é exagero: bastou isso para que a versão 2020 do jogo ficasse mais próxima do que acontece na vida real. Mas não foi apenas isso que mudou. 

Mais uma ideia importada de outros jogos: o "poder especial"

É cada vez mais frequente a incorporação de conceitos de RPG nos modos franchise em games como Madden, NBA 2k e outros. Afinal de contas, o próprio nome do sistema diz: role play. Se você tem um método para evoluir os atletas como se estivesse num RPG, a coisa fica mais fiel à realidade – até porque as métricas de um RPG são apenas representações de habilidades tal qual pode ser medido em praticamente qualquer coisa da vida. Por exemplo, numa escala de 0 a 10, meu humor está 5, hoje. Se eu acabar vendo uma comédia, "ganho XP" nisso e o status vai aumentar. 

Neste ano, o Madden recuperou um conceito antigo que havia sido retirado do game – as habilidades especiais, presentes no meio da década passada na geração PS2/XBox/GameCube. Elas já estão presentes no NBA 2k, vale lembrar. Em resumo, se você joga bem, seu atleta fica "in the zone" e praticamente imparável – experimente fazer várias cestas de 3 com Steph Curry no 2k e veja o que acontece. É o mesmo da vida real. 

Então, para diferenciar ainda mais as estrelas de jogadores comuns, a EA introduziu dois conceitos: o Superstar e o Superstar X-Factor. Se você fizer boas temporadas com um dado jogador no franchise mode, ele pode ganhar um dos dois. O primeiro é menos apelão: certas coisas são feitas melhores do que outros jogadores o fazem. Exemplo: Tarik Cohen, que é superstar, tem uma animação de corte (juke) mais rápida do que a de outros atletas. Isso é refletido no jogo. Agora, o Superstar X-Factor, meu amigo, é quase que a Tela Branca do Akuma no Street Fighter. Esse é o conceito de outros games que o Madden importou, no caso específico, os de luta: a barrinha do especial. 

Se você consegue passes longos com Patrick Mahomes, ele entra in the zone e vira um super-sayajin praticamente – passando a bola até 15 jardas mais longe do que o normal. Tom Brady já tem naturalmente o "poder" de ter mais rotas para jogar com (veja na live de gameplay que fiz) e, se você ficar "in the zone", ele fica com o "poder" do jogo avisar qual recebedor está livre. Odell Beckham Jr, vide abaixo, vira o Diabo da Tasmânia quando tem a bola em mãos após a recepção.

A parte ruim é que o cara fica absurdamente apelão. Mesmo. Nesse jogo que fiz o vídeo acima, Odell teve 350 jardas. Eu basicamente só passei a bola para ele. Então é algo a se pensar por parte da EA, tentar balancear um pouco, nem que seja de leve, para que ainda faça sentido com a realidade. 

Nem tudo são flores

O que impede uma "nota máxima" deste review são as inevitáveis comparações com o NBA 2k. Embora ambos sofram do mal do século chamado pay-to-win em forma de Ultimate Team, ao menos o MyLeague (equivalente ao franchise mode do Madden) é muito mais completo. Das opções de customização de uniformes e arenas até mesmo a possibilidade de contratos de forma que faça sentido com a realidade. Vou dar um exemplo: quando você assina um contrato na NFL, raramente todos os anos tem valores iguais. Você pode colocar mais dinheiro no início, para um jogador mais velho – o chamado front loaded. Ou, então, no final – quando terá mais espaço na folha, o chamado back loaded. No NBA 2k você pode fazer isso. No Madden, não. 

Ainda faltam inúmeras opções no franchise e isso é bem frustrante. O "encontrar troca", tão útil no NBA 2k, não existe no Madden (basicamente você tem que fazê-las na raça). De toda forma, isso não quer dizer que o modo seja ruim: a incorporação dos "arquétipos", bem ao estilo RPG, fez todo sentido e deu nova alma ao jogo. Você não vai evoluir a velocidade de Tom Brady se ele é um passador de dentro do pocket, por exemplo. Então, ao ganhar XP, você tende a melhorar atributos que façam jus ao estilo (leia-se: "role", para fins de RPG) dele. É como as classes no RPG, basicamente. 

Houve praticamente uma única adição ao franchise mode – e nem vou falar em Pro Bowl, pelo amor de Deus. Agora, há certos diálogos que aumentam a possibilidade de dar mais XP para uma dada situação. Isso de certa forma já acontecia no FIFA: o jogador vem cobrar tempo de jogo, você coloca ele e se ele jogar bem ganha mais experiência. Ainda, os contratos (valores, em específico), estão mais difíceis de serem assinados. Isso é bom. Mas ainda falta muita coisa para ser arrumada no franchise. Até pelas inevitáveis comparações com o 2k. 

Depois de mais de 5 anos, é possível jogar com o College novamente (mesmo que com jogadores em nada parecidos com a realidade)
Depois de mais de 5 anos, é possível jogar com o College novamente (mesmo que com jogadores em nada parecidos com a realidade) Divulgação/EA

Sai Longshot, entra QB1

A possibilidade de um modo carreira não é novidade no Madden. É uma das muitas coisas que foram retiradas do jogo e adicionadas como novidade agora. A diferença é que no PlayStation 2 você podia jogar com qualquer posição. Agora, só quarterback. A mudança é bem-vinda em relação ao Longshot (a versão Madden de Alex Hunter, do FIFA), que praticamente era um filme interativo digno de SEGA CD (embora menos polêmico que Night Trap, veja referências depois). 

Você escolhe para qual college vai e entra substituindo o titular nas semifinais do College. Basicamente, joga apenas duas partidas – não há todas as universidades disponíveis, só algumas, mas ainda assim é uma saborosa lembrança do antigo NCAA Football, também da EA Sports. Depois, Combine... Draft... E pum! O modo vira um franchise como jogador – algo que já existia no Madden antes. Então, na prática, a mudança foi pequena e em algumas horas você se vê de volta ao modo antigo. Para ser sincero, eu matei isso em duas horas e nem quis jogar mais, voltei ao modo carreira de time como um todo. 

Compro agora, espero promoção, o que faço?

A mudança no gameplay foi maravilhosa e bem-vinda, como disse. Fez com que eu voltasse a ter a vontade de jogar Madden como nunca antes – pelo jogo em si, não as perfumarias de franchise modeultimate teamEntão, valeu a pena ter o jogo desde o início de agosto por conta disso. Mas... Ainda falta muito. Alguns reviews vão falar sobre "o jogo estar na direção certa" ou "é o melhor Madden em anos". Isso é verdade. Mas, ao mesmo tempo, não vale o preço cheio de um lançamento triple A, os salgados 250 reais. 

Até porque um patch baixável da versão 2019 poderia adicionar boa parte das coisas que falei acima. E você não precisaria gastar tanto. Embora outros jogos façam mais sentido com a orientação "espere promoção", a temporada da NFL é curta demais para isso. Então é uma escolha difícil. Se eu fosse você, esperaria um pouco para não pagar o preço cheio. Dito isso, é, sim, o melhor Madden em anos. Só esperamos que o final da geração PlayStation 4/Xbox One ainda possa ver um Madden mais completo – em especial no franchise mode, renegado em favor da máquina de fazer dinheiro chamada ultimate team

Recomendação: Espere promoção  (mas não por muito tempo, porque a temporada da NFL é curta!).

Siga-me no twitter em @curtiantony e no Instagram em @antonycurti

Comentários

Review: Madden 20 tem uma mudança que mais melhorou o gameplay em anos

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

5 histórias do mês de agosto da MLB em sua temporada 2019

Antony Curti
Antony Curti

O mês de agosto terminou na MLB e, como sempre digo, a vantagem de termos 162 jogos é que as narrativas vão se desenrolando aos poucos como um grande livro. Com isso, após dados capítulos – que você determina do tamanho que quiser – podemos fazer recapitulações para saber onde estamos na história. Falta um mês para a reta final da temporada e decidi enumerar brevemente algumas das principais histórias que assistimos no mês de agosto. Bora?

Yankees e Astros duelando pela vantagem de jogar em casa nos playoffs: uma final de Liga Americana entre os dois é iminente. Também é iminente que tenhamos ambos com mais de 100 vitórias. Resta saber: quem vai mais alto? Isso é importante porque os dois times têm aproveitamentos faraônicos quando jogando em seus confins – acima dos 70%. Assim, a vantagem pode ser de suma importância na ALCS. Ainda falando em Yankees, vale lembrar que Aaron Judge (foto abaixo) chegou à marca de 100 home runs na carreira em vitória de 7 a 0 contra os Mariners. Com ele saudável, ataque dos Yankees pode se recuperar de uma rotação ruim?

Aaron Judge chegou aos 100 home runs em agosto
Aaron Judge chegou aos 100 home runs em agosto ESPN

E a rotação, hein?  Os Yankees têm um ataque fantástico mas seus arremessadores abridores são... Bom, eles não são bons. Chegando nos playoffs, preocupa? É o que eu falo sobre neste vídeo.


O calouro esquecido: Enquanto falamos bastante de Fernando Tatis Jr (Padres), Vlad Guerrero Jr (Blue Jays) e Pete Alonso (Mets), um nome passou esquecido nessa temporada de calouros especiais: Bryan Reynolds. O outfielder do Pittsburgh Pirates tem temporada acima dos 32% de aproveitamento no bastão e caminha para ser top 5 na Liga Nacional e, também, no beisebol. Enquanto o maior número de Home Runs entre os calouros deve ficar com Alonso, o batting title deve ser de uma das poucas coisas boas que os Pirates tiveram depois do All-Star Break. 

Lá vem os Nationals: Enquanto uma guerra vem sendo travada na NL Central, as coisas começaram a destoar na divisão leste com os Nationals se apresentando como força a ser batida junto do Atlanta Braves. E é inacreditável que isso tenha acontecido: Washington chegou a estar 12 jogos abaixo dos 50% (19-31) e com um início de temporada patético. Entrando em junho, tinham a oitava pior campanha do beisebol com 24-33. O que mudou? Bom, o ataque engrenou – saiu de 17º para 1º em corridas por jogo e o ERA da rotação e do bullpen, idem: saiu de 23º para 5º. 

E os Cardinals: Meu palpite para campeão da NL Central finalmente começou a aparecer com força. Tá certo que isso demorou bastante, mas o St. Louis Cardinals tem um bom elenco no papel, é um time bem treinado e se arrumar a rotação pode acabar indo longe neste ano. O time chegou a estar 26-28, perigando ficar longe da liderança da divisão. Agora, tem 15 jogos acima dos 50% com campanha de 73-58 e caminha para roubar a divisão dos inconstantes Milwaukee Brewers e Chicago Cubs. Vale sempre lembrar: essa camisa pesa. Se chegar outubro embalado, não duvide do que possa acontecer no Busch Stadium. 

Siga-me no twitter em @curtiantony e no Instagram em @antonycurti

Comentários

5 histórias do mês de agosto da MLB em sua temporada 2019

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Programação: 2 jogos do College na TV e 19 no Watch ESPN

Antony Curti
Antony Curti

A cada semana, postarei aqui o calendário de transmissões do College Football na ESPN, ESPN2, ESPN Extra e Watch ESPN. Em 99% das vezes, as transmissões aqui listadas como Watch ESPN são em inglês, lembrando. Na semana passada, tivemos o bom jogo entre Miami e Florida – embora as equipes claramente não estivessem preparadas para um início tão cedo na temporada, vide os erros de tackles e turnovers. De toda forma, foi um jogo divertido. 

Agora, temos um amplo cardápio de jogos e pela primeira vez na Semana 1 há mais de um dia com transmissões na TV. A fila é puxada por Oregon e sua forte linha ofensiva contra Auburn no sábado à noite. Além da linha ofensiva, o destaque para os Ducks vai para o quarterback Justin Herbert (foto abaixo). Ele poderia ter ido para o Draft 2019 mas optou por refinar seu jogo em mais uma temporada no college – certamente é alguém para ficarmos de olho rumo ao próximo Draft. A partida será transmitida no sábado às 20:30 na ESPN Extra. 

Justin Herbert
Justin Herbert Getty

Também na TV temos um Monday Night College, por assim dizer. Na segunda, temos Notre Dame vs Louisville – a equipe de Indiana luta para começar e terminar uma temporada ranqueada no top 10 da Associated Press pela primeira vez desde o início da década passada. Em 2018, Notre Dame foi semifinalista do College Football Playoff e caiu diante de Clemson, eventual campeã, na semifinal (Cotton Bowl Classic). 

Abaixo, o cardápio completo. 

ESPN Extra:
Sábado, 20:30: #11 Oregon x #16 Auburn

ESPN 2
Segunda, 21h: #9 Notre Dame x Louisville

Apenas no Watch ESPN, em inglês: 

Sexta, 30 de agosto: 

20h: #19 Wisconsin vs South Florida
21h: Utah State vs Wake Forest 
23h: Colorado State vs Colorado

Sábado, 31 de agosto: 

13h: East Carolina vs NC State; Ole Miss vs Memphis; Boise State vs Florida State; South Alabama vs #24 Nebraska; Toledo vs Kentucky; Mississippi State vs Lafayette;
16:30: Duke vs #2 Alabama; South Carolina vs North Carolina
17h: Virginia Tech vs Boston College
19h: #22 Syracuse vs Liberty
20:30: Virginia vs Pittsburgh; Georgia Southern vs #6 LSU
21h: LA Tech vs #10 Texas
23:30: Fresno State vs USC

Domingo, 1º de setembro: 

20:30: Houston vs #4 Oklahoma

Siga-me no twitter em @curtiantony e no Instagram em @antonycurti


Comentários

Programação: 2 jogos do College na TV e 19 no Watch ESPN

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Não é 1998, mas a briga por mais Home Runs está incrível nesta temporada

Antony Curti
Antony Curti

"O cara que lidera em Home Runs tem 11! Você pode acreditar nisso? Nos anos 90 isso era um final de semana fraco". Um dos muitos excelentes diálogos da série Two and a Half Man mostra um Charlie Harper descontente com o fim da "Era dos Esteróides" no beisebol – quando os números foram inflados na base do veneninho. Não preciso nem dizer os problemas do doping, mas de toda forma é uma frase engraçada e mostra a diferença do esporte dos anos 1990 para agora. Ou será que mostra? 

Mike Trout, dono do maior contrato dos esportes americanos
Mike Trout, dono do maior contrato dos esportes americanos Ezra Shaw/Getty Images

A briga pelo topo nos home runs foi a grande manchete da temporada de 1998. Para apimentar as coisas, os dois grandes competidores jogavam em times rivais de divisão, St Louis Cardinals e Chicago Cubs. Tanto Mark McGwire (Cardinals) como Sammy Sosa (Cubs) obviamente não estavam jogando "puros", mas com asterisco ou não é algo que ficou para a história do esporte: a caça ao recorde de Roger Maris. Ambos estavam empatados com 65 em 25 de setembro – até que McGwire levou o "prêmio" com 70. 

Não foi a única briga especial pelo topo da estatística. Maris teve 61 em 1961 e quebrou o recorde de Babe Ruth (60, 1927) ao mesmo tempo que duelava com Mickey Mantle. Ainda a única temporada na qual um time, os Yankees, tiveram dois companheiros com pelo menos 50 ron-rons – a esperança era que isso pudesse acontecer de novo com Aaron Judge e Giancarlo Stanton, coisa que não parece possível para 2019 e tampouco fora no ano passado. 

2019 não fica muito atrás, acredite ou não. O ano marcou a primeira oportunidade desde... 1998 em que tivemos quatro jogadores chegando à marca de 40 HRs no dia 18 de agosto. Naquela ocasião, McGwire, Sosa, Ken Griffey Jr. e Greg Vaughn. Neste ano, Cody Bellinger & Christian Yelich – os dois potenciais MVPs da Liga Nacional, Mike Trout – o potencial MVP da Liga Americana e melhor jogador em atividade e o calouro Pete Alonso, que na semana passada quebrou o recorde de home runs por um calouro da Liga Nacional. Os quatro, segundo o ESPN Stats and Info, estão no passo para terem pelo menos 50 na temporada – isso aconteceu pela última vez em 2001, ao crepúsculo da Era dos Esteróides. 

Para além dos números, vem sendo uma temporada marcante em narrativas no que tange a uma corrida de Home Runs que não víamos há muito tempo. No início da temporada, dia 4 de abril, Yelich teve um jogo com três HRs – seu primeiro na carreira. No dia 8, Trout roubou um HR de Yelich no campo externo e, no dia 21, Bellinger roubou um também. Em junho, Pete Alonso entrou de vez no radar ao quebrar o recorde de home runs de um Met calouro – o grande Darryl Strawberry; No final das contas ele quebraria o recorde de todos os calouros da Liga Nacional no dia 18 ao mesmo tempo que venceu o Home Run Derby desta temporada. 

 

Com 'bastão de mel', Bellinger acerta dois home runs pelos Dodgers e garante vitória sobre os Indians
Com 'bastão de mel', Bellinger acerta dois home runs pelos Dodgers e garante vitória sobre os Indians Reprodução/ESPN

No momento, Cody Bellinger e Mike Trout lideram a briga com 42. É difícil vislumbrar que atinjam mais de 65 ou mesmo que mirei o recorde* de 1998, mas de toda forma é uma briga deliciosa de acompanhar todos os dias – como o beisebol bem nos proporciona. Yelich aparece em terceiro com 41 e Pete Alonso tem 40. Ainda, vale menção honrosa a Ronald Acuña, do Atlanta Braves, num honroso quinto lugar – 36. Se eu puder apostar minhas fichas em alguém, seria em Bellinger. Vou errar? Provavelmente. Mas essa imprevisibilidade narrativa é justamente o que vem dando o tempero a esta incrível corrida. 

Siga-me no twitter em @curtiantony e no Instagram em @antonycurti

Comentários

Não é 1998, mas a briga por mais Home Runs está incrível nesta temporada

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Baker queima Daniel Jones à toa – "alvo" nas expectativas dos Browns só aumenta com isso

Antony Curti
Antony Curti

Não há time mais falastrão e cercado de expectativas do que o Cleveland Browns de 2019. Barrado um início de temporada com o freio-de-mão chamado Hue Jackson, os Browns poderiam ter ido para os playoffs já no ano passado. Adicione uma pitada de Odell Beckham Jr e reforços defensivos, colocando um pouco de Pittsburgh Steelers sem Antonio Brown e Le'Veon Bell e, para terminar, um Baltimore Ravens dizimado pela free agency e com questionamentos sobre Lamar Jackson e temos o favorito da AFC North. 

Ante esse panorama, os Browns tornaram-se, ao mesmo tempo, duas coisas: menina dos olhos e alvo. Justamente por conta disso, por mais que admire a personalidade de Baker Mayfield – confesso que em alguns momentos falo o que me vem à cabeça também – não posso deixar de dizer que, nesta semana, ele errou. Justamente por conta das expectativas e do alvo nas costas. 

Baker Mayfield em sua estreia, contra os Jets
Baker Mayfield em sua estreia, contra os Jets Getty

Baker deu entrevista para a GQ – espécie da finada Revista VIP, lá nos EUA – e sem mais nem menos, teceu comentários ácidos sobre Daniel Jones, calouro que foi escolha número #6 do Draft pelo New York Giants. Enquanto a entrevista rolava, um segmento no SportsCenter americano era veiculado e o tema era Jones. O quarterback dos Browns, então, disse: "Não posso acreditar que os Giants pegaram Daniel Jones". O ponto de Baker era sobre a campanha de Daniel Jones na carreira em Duke, com fracos 17-19. "Me espanta. Às vezes as pessoas pensam demais, é aí que erram, elas esquecem que você tem que vencer", disse em referência ao histórico de Jones na universidade que fica em North Carolina e é bem mais famosa pelos seus times de basquete. 

De fato, Baker tem um ponto. Por outro, não. Por outro mais além, menos ainda. Tim Tebow foi um quarterback vitorioso no college, por exemplo, e nada vez de muito relevante além da Tebowmania durante uma reta final de temporada. Eu sou um dos grandes críticos da escolha dos Giants – sobretudo pela questão de custo de oportunidade. Suponha que você está numa loja em promoção e está louco por um videogame que praticamente só você quer mas uma TV também está em promoção e vai acabar logo. Você pega o quê primeiro? A TV, certo? Pois bem, em vez de pegar um jogador defensivo com potencial os Giants foram no videogame – aí reside a questão do custo de oportunidade, conceito de economia crucial para entender o Draft.

O ponto, claro, é que analisar essas coisas é minha profissão. Baker, embora falastrão, precisa tomar cuidado. Ao comentar sobre uma escolha contestada do maior mercado da liga sendo que já há uma certa expectativa nos Browns... O tiro pode sair pela culatra. Era evitável. Longe de ser necessário falar sobre um colega de profissão. Coisas que a maturidade nos traz – um dia já pensei como ele, hoje, não mais. 

Agora, vida que segue. A entrevista, contudo, só coloca um alvo maior ainda nas costas de Mayfield, Odell e de todo Cleveland Browns. Se não forem competitivos nesta temporada, as palavras voltarão com o dobro de força. 

Siga-me no twitter em @curtiantony e no Instagram em @antonycurti

Comentários

Baker queima Daniel Jones à toa – "alvo" nas expectativas dos Browns só aumenta com isso

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Sale fora, Pete Alonso voando, briga pela NL Central: as histórias da MLB no final de agosto

Antony Curti
Antony Curti

Reta final da temporada 2019 da MLB: a maratona de 162 jogos vai chegando ao final e temos desenhadas as brigas por divisão e quem já caiu e não compete mais. Há certos times, como o Kansas City Royals, Detroit Tigers, Miami Marlins e alguns outros que já sabemos que morreram na praia. Contudo, a Liga Nacional e a Liga Americana praticamente não têm nada muito definido fora o New York Yankees e o Los Angeles Dodgers como potenciais campeões de divisão – com o Houston Astros também forte, embora tenhamos que dar uma colher de chá para a força recente do Oakland A's.

Mets aparecem como força surpreendente

Mesmo com lesões no lineup em nomes de peso como Yoenis Cespedes e Robinson Cano, o New York Mets apresenta-se como candidato ao Wild Card da Liga Nacional. É bem verdade que boa parte dos times que giram em 50% de aproveitamento estão nessa briga – daria até para colocar no bolo o Arizona Diamondbacks, com campanha negativa e 4,5 jogos atrás – mas de toda forma é surpreendente que coloquemos os Mets nisso tudo. Até porque a temporada, sobretudo com essas lesões, não aparentava ser tão brilhante assim. 

Pete Alonso é o nome daquele que, a princípio, levanta esperança no coração do torcedor do Queens. Ele chegou à marca de 40 home runs neste domingo, quebrando o recorde anterior para um calouro na Liga Nacional – que era de Cody Bellinger em 2017 (sendo que hoje ele é candidato a MVP da NL). Alonso tem 979 de OPS e sem dúvidas é o eixo motor do ataque. 

O que não vem sendo tão falado – e deveria – é que o bullpen dos Mets está jogando bem melhor do que jogou na primeira metade da temporada. E isso veio num bom momento, dado que o resto da Liga Nacional começou a ter inúmeros problemas com os arremessadores de alívio (relievers).  Na divisão leste da NL, por exemplo, Atlanta saiu de 4,14 de ERA de bullpen até 31 de julho para 6.28 em agosto. Washington saiu de 5.96 (uh...) para horrendos 6.92. Os Mets desceram de 5.21 para 4.84. Considerando que a rotação de arremessadores titulares/abridores tem bons nomes, isso ajuda a explicar a melhora de Nova York. 

No momento, o Wild Card ainda é um sonho distante – mas possível. São apenas dois jogos dos Cubs/Cardinals, que têm campanha idêntica (também pela liderança da NL Central, que já falaremos sobre). 

Chris Sale, arremessador do Boston Red Sox
Chris Sale, arremessador do Boston Red Sox Getty

Mais uma baixa em Boston

Falei mais cedo neste mês aqui no blog como a luz amarela acendia forte e, como imaginava, a tendência de pós-temporada para o Boston Red Sox era cada vez mais diminuta. A baixa mais recente foi Chris Sale, que será examinado nesta segunda com inflamação no cotovelo. Sale está em uma das piores temporadas de sua carreira, com 4.40 de ERA (pior da carreira), 1.5 home runs cedidos/9 entradas (pior da carreira), 1.09 de WHIP (pior desde 2015) e 2.3 walks cedidos por 9 entradas arremessadas (piore desde 2012). 

Para complicar ainda mais, é o segundo ano consecutivo que os Red Sox colocam seu ace na lista de machucados por conta de um problema no braço – ele foi para a IL em julho do ano passado com inflamação no ombro esquerdo. Agora, é o cotovelo que preocupa – a segunda vez na carreira que ele perde tempo por conta de lesão no cotovelo, aliás. 

É nítido que Sale está tendo uma temporada aquém do que o torcedor espera. A própria média da bola rápida evidencia isso: caiu de 94.9 MPH para 93.1 MPH nesta temporada – no arremesso, está gerando a pior porcentagem de swings no vazio desde sua primeira temporada como abridor. Nada que está ruim não possa piorar, aliás: ele pode acabar passando pela Tommy John no braço e ficaria fora de 12 a 18 meses – o contrato de Sale é de 5 anos e 145 milhões e começa a ter efeito justamente na próxima temporada. A boa notícia é que a Tommy John não significa fim de carreira ou desempenho aquém por conta disso: só lembrar que Jacob deGrom passou por ela em 2010 e foi o Cy Young (Melhor Arremessador) da Liga Nacional na temporada passada. 

Atualização, 20/08: Sale foi examinado e não haverá necessidade de cirurgia Tommy John para ele. 

Briga esquenta na NL Central

Na transmissão de ontem – Pirates vs Cubs – mencionei como a Divisão Central da Liga Nacional era a melhor divisão do beisebol em 2019. Isso vem se confirmando jogo a jogo e pela disputa pelo topo da divisão. Não há nenhum que se destaque e as séries vem sendo bem equilibradas: parece que todo time tem um ponto negativo e um positivo a ser explorado e a explorar. 

Cubs e Cardinals estão na liderança com campanha idêntica em aproveitamento. Na sequência, aparece o Milwaukee Brewers a dois jogos. Cincinnati está a 7,5 jogos e já tem um sonho mais distante de chegar – mas é um time ofensivamente interessante. E Pittsburgh só ficou para trás por ter a pior campanha do beisebol desde o All Star Game, porque até então vinha forte. Os Cardinals agora têm série de três jogos contra os Brewers (64-60) e depois pegam os Rockies (57-67). Os Cubs pegam os Giants (63-62) e depois os Nationals (67-56). Depois dos Cardinals, os Brewers pegam série contra os Diamondbacks (62-63). Será um mês de agosto pra lá de especial na divisão. Olha a classificação dos três primeiros.

STL 65-57
CHN 66-58
MIL 64-60, 2 GB


Próximas transmissões da #MLBnaESPN: 

Segunda, 19 de agosto, 20h: Nationals vs Pirates, ESPN 2
Terça, 20 de agosto, 20h: Red Sox x Phillies, ESPN 2
Quarta, 21 de agosto, 23h: Yankees x A's, ESPN

Siga-me no twitter em @curtiantony e no Instagram em @antonycurti

Comentários

Sale fora, Pete Alonso voando, briga pela NL Central: as histórias da MLB no final de agosto

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

A ridícula saga do capacete (e sumiço) de Antonio Brown

Antony Curti
Antony Curti

O domingo marcou mais um capítulo na estúpida, ridícula, estapafúrdia e digna de ficção saga do capacete de Antonio Brown. Para você que pegou o bonde andando, Brown sumiu do training camp do Oakland Raiders simplesmente porque não quer jogar com um capacete novo – seu antigo foi proibido pela NFL por questões de segurança. O detalhe – pequeno, quase insignificante – é que Antonio Brown já tem histórico de concussão na carreira, perdeu jogos por isso e mesmo assim bate o pé para usar um capacete não compatível com as atuais regras de segurança da NFL. 

Antonio Brown segue chamando atenção por sua polêmica com o capacete
Antonio Brown segue chamando atenção por sua polêmica com o capacete Getty

Ontem, o general manager do time, Mike Mayock, veio a público e deu uma forte declaração. "Sabemos que AB (Antonio Brown) não está aqui hoje, certo? Então no final das contas é assim; Ele está pistola com a questão do capacete. A gente lhe apoiou nisso. Entendemos, ok? Mas chegamos ao ponto de exaustão. Sob nossa perspectiva, é hora dele estar all in ou não. Esperamos que ele volte em breve. Temos 89 caras ralando lá fora", disse. Ainda, Mayock não permitiu perguntas aos jornalistas sobre o assunto. "Esperamos que ele seja parte de tudo isso na Semana 1 contra Denver. Fim de papo, sem perguntas". 

A troca por Brown foi correta pelos Raiders? Acredito que sim. Os Raiders estão de mudança para Las Vegas em 2020 e ingressos não se vendem sozinhos. De toda forma, a equipe sabia dos riscos que tomou e isso fica implícito nas palavras de Mayock. Meio que como um "morde e assopra". Algo como "estamos pistolas, mas por favor, volte". 

É inquestionável que, em campo, Antonio Brown é um gênio. Brown seria de muita utilidade para o ataque dos Raiders e isso fica claro em seus números no ano passado. São seis temporadas seguidas com pelo menos 100 recepções e nenhum jogador da franquia tem isso desde o grande Tim Brown em 1997. Derek Carr vem tendo problemas nos passes em profundidade mesmo tendo um braço, em teoria, forte. Os Raiders tiveram apenas quatro touchdowns em passes para mais de 20 jardas no ano passado. Sozinho, Antonio Brown teve oito. 

Falando sobre Carr, o ano de 2019 é meio que "vai ou racha" para ele. Os Raiders podem cortá-lo após esta temporada sem qualquer ônus – dinheiro garantido – na folha salarial do ano que vem. Até por conta disso o time investiu em tantas peças ofensivas nesta temporada: da linha ofensiva com Trent Brown até o corpo de recebedores, com Tyrell Williams. É justamente por esse motivo que a presença de Brown é tão importante. Porque com ele ali e Carr tendo os mesmos problemas de outrora, ficaria mais fácil o diagnóstico sobre qual quarterback os Raiders têm na mão. 

Enquanto isso, essa saga ridícula se desenvolve. Eu sei, são palavras fortes. Mas é uma atitude mimada. Vou dar um exemplo: às vezes, nas cabines de transmissão que fazemos os jogos, o microfone é um "headset". Eu, pessoalmente, não gosto muito – prefiro microfone de mesa. Mas se tiver só aquele bora. O que importa é o esporte e fazer uma boa transmissão. Se o futebol americano realmente fosse a coisa mais importante na vida de Antonio Brown neste momento, ele não se importaria em trocar o capacete. Afinal, Tom Brady também terá de fazê-lo e ganhou múltiplos Super Bowls com ele – qual seria a desculpa do camisa 84 então? 

Não há. Como Mayock disse, é hora de cair pra dentro ou cair pra fora. Vejamos as cenas dos próximos capítulos. 

Comentários

A ridícula saga do capacete (e sumiço) de Antonio Brown

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

mais postsLoading