O Cruzeiro na vitória sobre o Tombense, por Christiano Candian

André Rocha
André Rocha, blogueiro do ESPN.com.br
ESCREVE CHRISTIANO CANDIAN (http://constelacoes.candian.com.br)

Vipcomm/Divulgação
Everton Ribeiro fez o segundo gol do Cruzeiro
Everton Ribeiro fez o segundo gol do Cruzeiro
Com dois tempos distintos, o Cruzeiro venceu o Tombense por 3 a 1 no Mineirão e manteve a liderança do Campeonato Mineiro. A vitória foi sofrida, apesar do placar, e mostrou que o time celeste ainda precisa evoluir em alguns aspectos.

Marcelo Oliveira mandou a campo o habitual 4-2-3-1, mas desta vez com Luan na vaga de Dagoberto, compondo a linha de três meias pela esquerda. Já o técnico Marcelo Cabo armou a estreante Tombense num 4-3-2-1, a famosa "árvore de natal", tendo somente o atacante Adeílson à frente.

A formação do adversário congestionava o centro do campo e forçava o jogo do Cruzeiro pelas laterais. Ceará e Éverton eram sempre procurados pelos zagueiros Paulão e Thiago Carvalho, já que os volantes Nilton e Leandro Guerreiro estava marcados pelo meia Joílson e o atacante recuado Eder Luiz. 

Porém, Ceará foi pouco acionado, não só porque tinha pouco suporte pelo lado direito devido à tendência de centralização de Éverton Ribeiro - um ponteiro de "pé invertido", ou seja, canhoto na direita - mas também porque o resto do time tinha uma tendência a procurar o lado esquerdo com Éverton e Luan, que se posicionava bem aberto no ataque, quase como um ponta.

Com Diego Souza, o meia central, se movimentando pouco, era natural que as principais jogadas ofensivas saíssem pelo flanco esquerdo. As estatísticas publicadas na seção Tempo Real do site da ESPN Brasil comprovam: o Cruzeiro gastou 43% de sua posse de bola daquele lado, contra apenas 30% do lado direito. Não é de se espantar, portanto, que o gol que abriu o placar tenha saído justamente em jogada por aquele setor: Éverton Ribeiro, que naquele momento do jogo havia trocado de lado com Luan, tabelou com Éverton, que concluiu forte em cima do goleiro Glaycon, proporcionando o rebote que o garoto Vinicius Araújo, jovem promessa da base do Cruzeiro e que havia entrado em lugar do lesionado Anselmo Ramon, aproveitou com muito oportunismo.

Mas a falta de amplitude no campo ofensivo, somada à falta de movimentação do trio de meias - aspecto vital para um 4-2-3-1 funcionar bem - fazia o Cruzeiro ficar previsível, facilitando a marcação do Tombense. E foi a isso que se resumiu o primeiro tempo.

Olho Tático
Marcelo Oliveira manteve o 4-2-3-1 no primeiro tempo mesmo após a saída do lesionado Anselmo Ramon
Marcelo Oliveira manteve o 4-2-3-1 no primeiro tempo mesmo após a saída do lesionado Anselmo Ramon

Após o intervalo, Marcelo Cabo reconfigurou sua equipe em um 4-2-3-1 com a entrada de Tiago Azulão como ponteiro esquerdo na vaga do volante Mateus Silva, jogando o meia Joílson para o lado direito. Com isso, dobrou a marcação dos lados do campo e o Cruzeiro passou a ter ainda mais dificuldades de penetração, dando espaços para contra-ataques do time de Tombos. 

Em um deles, uma ligação direta deixou o centro-avante Adeílson sozinho e cara a cara com Fábio -- até então um espectador privilegiado do jogo -- mas o goleiro cruzeirense mostrou porque é frequentemente lembrado para a seleção brasileira.

Marcelo Oliveira tentou dar velocidade ao time sacando Luan para a entrada de Dagoberto. O camisa 11 entrou bem mais avançado, e o time ficou mais leve e vertical, porém com mais vulnerabilidade defensiva. O jogo foi ficando mais franco, e a Tombense começou a sair de trás, avançando aos poucos e começando a incomodar Fábio.

O Cruzeiro se aproveitou e em jogada de contra-ataque, Vinicius Araújo foi acionado pelo lado esquerdo e avançou sozinho para dentro da área. Quando a marcação chegou, cruzou rasteiro para o outro lado, onde estava Everton Ribeiro, que já tinha passado da linha da bola. Com muita tranquilidade, o camisa 17 recuou dois passos e finalizou com calma no cando direito, sem chances para Glaycon.

Com a desvantagem aumentada, o Tombense tratou de tentar atacar o Cruzeiro, que, ao contrário do primeiro tempo, não marcava de maneira avançada. O time de Tombos chegou ao primeiro gol em lance de bola parada, em cabeçada de Adeílson, e só não chegou ao empate porque Tiago Azulão mandou um rebote frontal para fora.

Diego Souza deixou o campo para a entrada de mais uma prata da casa, o jovem meia Élber. Reconfigurado num 4-2-2-2 com o avanço definitivo de Dagoberto para a direita do ataque, o Cruzeiro agora tinha bastante movimentação do quarteto ofensivo, mas continuava deixando espaços na defesa. A tranquilidade só veio em um passe de Dagoberto, aberto na direita, para Élber, que entrava em velocidade, matando a cobertura adversária. O garoto fuzilou no cando esquerdo alto e definiu a partida.

Olho Tático
O 4-2-2-2 cruzeirense do segundo tempo com Elber e Dagoberto nas vagas de Diego Souza e Luan.
O 4-2-2-2 cruzeirense do segundo tempo com Elber e Dagoberto nas vagas de Diego Souza e Luan.

Talvez a folga prolongada de 15 dias, em razão da antecipação do clássico para a reinauguração do Mineirão, tenha contribuído para que alguns jogadores sentissem a falta de ritmo de jogo, principalmente Diego Souza, que ficou encaixotado na marcação e pouco se oferecia como opção de passe no meio-campo.

Se os resultados do início do ano animaram o torcedor cruzeirense, a sequência de jogos mostra que só com o tempo é que poderemos ver o time com mais entrosamento. A falta deste foi a principal causa para a variação do time durante a partida. Marcelo Oliveira ainda tem muito trabalho pela frente.

ESCREVEU CHRISTIANO CANDIAN (http://constelacoes.candian.com.br)


[Quer colaborar também voluntariamente com o Olho Tático? Envie um texto analítico com linguagem jornalística no mesmo padrão do blog para olhotatico10@gmail.com. Se não puder montar os campinhos em programas como o Tactical Pad ou This11.com, mande as escalações (sempre com numerações) e orientações de posicionamento, setas de movimentação e legendas. Pode anexar fotos de flagrantes táticos também. Os melhores serão publicados com os devidos créditos.]





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Obrigado e até!

André Rocha

É hora de agradecer à ESPN Brasil por abrigar o blog por quase três anos. Também pelas primeiras oportunidades consistentes na TV, em estúdios e estádios.

Principalmente por me permitir dividir bancada com tanta gente talentosa, solidária e trabalhadora. Alguns momentos vão ficar na memória. E no currículo.

Abraços especiais a Mauro Cezar Pereira, amigo de todas as horas que indicou o blog, a Julio Gomes, que me contratou, a Eduardo Tironi que deu força e a Gian Oddi que me recebeu de "herança" e sempre valorizou o trabalho. Também Rubens Pozzi, pela ajuda aqui no Rio de Janeiro.

Menção ao mito Cícero Melo, um aprendizado contínuo com quem tem tanta história para contar e experiência para compartilhar.

Mas a vida e a carreira precisam seguir em frente. Continuem acompanhando este que escreve nas redes sociais.

Grato por tudo. Até!


E-mail: anunesrocha@gmail.com


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Gols perdidos, erros defensivos - os pecados do São Paulo que o líder Galo de Pratto não costuma perdoar

André Rocha

O São Paulo tentou propor o jogo no Mineirão contra o líder do Brasileiro e neste blog não será criticado por isso. A coragem e a intenção de se impor mesmo longe de seus domínios merecem elogios.

Até porque o time de Juan Carlos Osório conseguiu por quase vinte minutos no primeiro tempo. Marcação adiantada, pressão no homem da bola, abafando o passe limpo de Rafael Carioca e tentando prender Marcos Rocha com Pato espetado à esquerda. Ou explorar as costas do ofensivo lateral.

Defensivamente, Rafael Tolói era uma espécie de lateral-zagueiro pela direita. Contra o 4-2-3-1 habitual do Atlético Mineiro, fugiria da filosofia de Osório manter três zagueiros contra apenas um atacante. O camisa dois cuidava de Thiago Ribeiro, enquanto Rodrigo Caio e Lucão ficavam com Pratto.

De início funcionou, mesmo com a opção questionável de recuar Michel Bastos e manter Ganso avançado, quase como um terceiro atacante perto de Luis Fabiano. Nem Osório arrisca posicionar o camisa dez mais atrás para armar e preferiu plantar como volante um dos melhores finalizadores do elenco, mas sem nenhum perfil de organizador.

O Atlético tentava sair aproximando os setores, mas o passe errado ou o desarme do adversário pegava a última linha de defesa avançada, com espaços às costas. Um buraco entre Marcos Rocha e Leonardo Silva. Assim Pato recebeu livre, mas praticamente atrasou para Victor. Antes Luis Fabiano havia desperdiçado uma e chegado tarde em outra, sem contar a bomba de longe que o goleiro salvou.

Reprodução TV Globo
Contragolpe do São Paulo, Pato infiltra pela esquerda contra Leonardo Silva - onde estava Marcos Rocha? Mas o atacante não aproveitou. Pecado fatal.
Contragolpe do São Paulo, Pato infiltra pela esquerda contra Leonardo Silva - onde estava Marcos Rocha? Mas o atacante não aproveitou. Pecado fatal.

Além de não transformar em gols as oportunidades contra um rival tão forte, o tricolor paulista pecou por confundir intensidade com empolgação. Com o domínio, os zagueiros começaram a se mandar ou sair para dar bote sem maiores cuidados. Suicídio.

Rodrigo Caio errou. Saiu para "caçar" à frente de Hudson e Bastos com a defesa posicionada. Decisão irresponsável que abriu o buraco que Pratto aproveitou para infiltrar, completar o passe de Marcos Rocha e aproveitar o rebote de Ceni.

Reprodução TV Globo
Flagrante de Rodrigo Caio voltando de um bote irresponsável à frente dos volantes e abrindo o buraco que Marcos Rocha acionou Pratto no primeiro gol.
Flagrante de Rodrigo Caio voltando de uma saída irresponsável à frente dos volantes e abrindo o buraco que Marcos Rocha acionou Pratto no primeiro gol.

Depois Tolói, escancarando o lado direito. Giovanni Augusto disparou às costas de Hudson, Rodrigo Caio chegou vendido na cobertura e Pratto se antecipou a Lucão. Em seguida, Hudson. Passe errado, Giovanni Augusto partiu livre contra a defesa que estava saindo. Pratto recebeu um pouco adiantado e tirou de Ceni. Argentino cirúrgico. 3 a 0, Mineirão em êxtase, vitória encaminhada.

Mesmo com Ganso mandando na trave e Pato perdendo outra chance cristalina no rebote. Ainda no primeiro tempo de 51% de posse são-paulina, apenas 12 passes errados, oito finalizações contra sete do Galo. Saldo: débito de três gols.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
São Paulo com Toloi à direita, Bastos no meio e Ganso avançado até teve bom início, mas perdeu chances e falhou atrás - Pratto não perdoou.
São Paulo com Toloi à direita, Bastos no meio e Ganso avançado até teve bom início, mas perdeu chances e falhou atrás - Pratto não perdoou.

Pato ainda diminuiu na segunda etapa completando centro perfeito de Ganso. Osório arriscou tudo com Centurión no lugar de Hudson repaginando o time num 4-2-3-1 adiantando Rodrigo Caio como volante. Depois Auro improvisado na vaga de Reinaldo e, no final, Boschilia substituiu Luis Fabiano. Não havia muito a fazer, embora a arbitragem tenha errado em um impedimento inexistente de Centurión que poderia ter servido Luis Fabiano.

Por isso Levir Culpi foi conservador. No intervalo, Cárdenas, sem as melhores condições físicas, deu lugar a Carlos. Para administrar, Danilo Pires na vaga de Thiago Ribeiro e Giovanni Augusto saiu para a entrada de Josué.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
No segundo tempo, São Paulo ofensivo no 4-2-3-1 com R.Caio no meio e Centurión à direita; Galo manteve osistema, mas controlou o jogo negando espaços.
No segundo tempo, São Paulo ofensivo no 4-2-3-1 com R.Caio no meio e Centurión à direita; Galo manteve osistema, mas controlou o jogo negando espaços.

Números finais: 52% de posse do São Paulo, mas 27 desarmes certos do time mineiro contra 18. 13 finalizações para cada time. Nove do Galo no alvo contra sete. A diferença no placar. De Pratto para Pato. Cinco conclusões de cada um. O argentino mandou quatro na direção da meta de Ceni. Três gols. Pato até acertou o alvo em três, mas só foi eficiente no tento único de sua equipe.

Três a um. Nos detalhes. Nos pecados capitais em ataque e defesa do time de Osorio, que não foi mal. Na eficiência e na eficácia do líder Galo, que não costuma perdoar.

(Estatísticas: Footstats)


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Vasco não acha o Palmeiras intenso e veloz, que começa a aprender a desacelerar e vai brigar pelo titulo

André Rocha

A Copa América na reserva tirou o ritmo de jogo de Martín Silva e a atuação catastrófica ajuda a explicar os 3 a 0 no primeiro tempo em São Januário. O inacreditável gol perdido por Herrera foi a pá de cal em termos psicológicos.

Mas o Vasco não foi goleado apenas por seus erros. Simplesmente não achou o Palmeiras que teve sua atuação mais consistente sob o comando de Marcelo Oliveira.

Em pouco tempo, o técnico bicampeão brasileiro colocou duas marcas de suas equipes: todos participam da construção das jogadas, com apoio alternado de volantes e laterais, e a velocidade nas transições.

Essa combinação constrói um volume de jogo que complica o rival. Há ataques pelos dois lados, com jogadas trabalhadas pelo chão e também aéreas. Com a bola parada, os zagueiros se lançam à frente. Assim saiu o gol de Victor Ramos na última falha de Martín Silva.

Rafael Marques e Dudu, pelos lados, entram em diagonal se juntando a Leandro Pereira, artilheiro da "Era Marcelo" com seis gols. Dois em São Januário, o único no segundo tempo dos 4 a 1.

Robinho se junta ao trio com muita movimentação, apoiado por Gabriel e Arouca, os volantes de qualidade na condução e no timing para aparecer na frente. Bem diferentes de Anderson Salles e Guiñazu no Vasco. O massacre também passa por este abismo no meio-campo.

Reprodução PFC
Palmeiras atacando com sete jogadores - Robinho aberto à direita, lateral Lucas por dentro, Arouca chegando: volume e movimentação que sufocam o rival
Palmeiras atacando com sete jogadores - Robinho aberto à direita, lateral Lucas por dentro, Arouca chegando: volume e movimentação que sufocam o rival

Lucas e, principalmente, Egidio disparam. Por dentro ou em direção à linha de fundo. Impressionante como o lateral esquerdo rende nas mãos do treinador. Assim como o time, que teve 53% de posse e 17 finalizações - oito no alvo.

No passeio em São Januário, a evolução nítida foi no controle do jogo. No Cruzeiro, Marcelo contava com Lucas Silva para ditar o ritmo no meio e Everton Ribeiro "escondendo" a bola e tirando velocidade.

O Palmeiras era só intensidade. Tem posse de bola mais por conta do volume. Por dominar os rebotes, recuperar rápido e continuar atacando. Porém com a bola batendo e voltando, sem administrar. Foi assim, principalmente, nos 2 a 2 com o Sport.

Mesmo descontando as muitas fragilidades do rival, houve uma melhora no trabalho de Gabriel, Arouca e Robinho na troca de passes sem pressa, aprendendo a desacelerar. Um pouco de calma, até para descansar um time que corre demais.

Está voando. Em oito jogos, seis vitórias, um empate e derrota para o Grêmio na estreia de Marcelo. 18 gols marcados e quatro sofridos. Aproveitamento de 79%. Resultados e desempenho. De campeão. Por enquanto, colocou o Palmeiras no G-4, quatro pontos atrás do líder Atlético-MG. Mas vai brigar pela taça.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Vasco não conteve o 4-2-3-1 intenso e móvel do Palmeiras de Marcelo Oliveira em São Januário.
Vasco não conteve o 4-2-3-1 intenso, móvel e rápido do Palmeiras de Marcelo Oliveira em São Januário.

(Estatísticas: Footstats)


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O bom empate entre Grêmio e Sport é mais uma receita simples para a evolução do futebol brasileiro

André Rocha
ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Grêmio no 4-2-3-1 com intensidade e movimentação; Sport no 4-4-2 compacto, mas sem profundidade e rapidez na frente.
Grêmio no 4-2-3-1 com intensidade e movimentação; Sport no 4-4-2 compacto, mas sem profundidade e rapidez na frente.

Gramado em condições para a prática do esporte, dois times organizados e dispostos a marcar e jogar. Combinação básica para uma boa partida na Arena do Grêmio com 33 mil presentes, estimulados pelo futebol coletivo do time gaúcho. Para os que apreciam o jogo tanto quanto o clube de coração, o forte Sport de Eduardo Baptista também era atração.

Nem precisou do craque, do talento desequilibrante. O duelo se tornou interessante pelo embate tático e a participação de todos. Inclusive Douglas, mais lento e menos dinâmico em outros tempos e clubes, que mostra intensidade com ou sem a bola.

As equipes superaram até os desfalques. Grêmio sem Grohe e Geromel, suspensos, e Rhodolfo, vendido ao Besiktas. René foi a ausência no time rubro-negro, fazendo Baptista deslocar Wendel à esquerda para proteger Danilo. Rodrigo Mancha entrou no meio ao lado de Rithely.

Mas as duas linhas de quatro lá estavam. Compactas, coordenadas nas basculações, estreitando e pressionando no setor onde estava a bola. O problema era a falta de profundidade e a rapidez nos contragolpes com Diego Souza e André.

Reprodução Sportv
Sport em duas linhas compactas, não mais que 30 metros, e estreitando a marcação no setor onde está a bola. Organização pelo tempo de trabalho.
Sport em duas linhas compactas, não mais que 30 metros, e estreitando a marcação no setor onde está a bola. Organização pelo tempo de trabalho.

Também conter a mobilidade e o volume de jogo do time de Roger Machado. Luan abrindo espaços, Pedro Rocha entrando em diagonal, Giuliano auxiliando Douglas na articulação e abrindo espaços para as descidas de Rafael Galhardo. Maicon e Walace aproximando para dominar a segunda bola.

Por isso os 56% de posse e as sete finalizações contra uma, três a zero no alvo, no primeiro tempo. Uma de Luan na trave. A de Pedro Rocha foi às redes depois de bom passe de Walace e infiltração à direita, justamente o setor do frágil Danilo, batido com facilidade. Um prêmio à movimentação ofensiva.

Reprodução Sportv
No gol do Grêmio, a mobilidade na frente: Walace pela esquerda, Douglas chegando e Pedro Rocha infiltrando do centro para a direita antes de concluir.
No gol do Grêmio, a mobilidade na frente: Walace pela esquerda, Douglas chegando e Pedro Rocha infiltrando do centro para a direita antes de concluir.

Em pouco menos de três meses, o jovem técnico mudou a filosofia sem alterar a essência do clube. Fibra e entrega com ordem e proposta atual, apesar do elenco curto e desigual. Trabalho que merece continuidade, como o de Baptista, que já dura quase 18 meses.

Treinador que tornou o Sport mais ofensivo na segunda etapa com Élber na vaga de Mancha. Wendel voltou ao centro da segunda linha e Marlone inverteu o lado. Rithely ditou o ritmo no meio e a ocupação do campo adversário. Diego Souza estava na área para aproveitar centro de Danilo e a falha do goleiro Tiago na saída da meta e empatar.

Antes de ser expulso e explodir de irritação, Roger trocou o trio de meias. Giuliano, Douglas e Pedro Rocha por Fernandinho, Maxi Rodríguez e Braian Rodriguez, que cabeceou para a grande defesa do jogo. De Danilo Fernandes - o substituto de Magrão, ídolo do clube que não terá cadeira cativa na volta de longo período lesionado. O melhor em campo, que garantiu mais um ponto fora de casa.

Porque Baptista tirou André e Diego Souza e colocou Régis e Samuel, mas não ganhou rapidez na transição ofensiva. Tentou atacar em bloco, porém fustigou pouco a zaga reserva do Grêmio, com o jovem Rafael Thiery e Erazo.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
No final, Grêmio com Braian Rodriguez fez Danilo Fernandes trabalhar porque o Sport seguiu sem força nos contragolpes depois do empate e das mexidas.
No final, Grêmio com Braian Rodriguez fez Danilo Fernandes trabalhar porque o Sport seguiu sem força nos contragolpes depois do empate e das mexidas.

Números finais: Grêmio manteve o índice de posse e finalizou 12 vezes. Cinco na direção da meta de Danilo Fernandes. O Sport concluiu sete, duas no alvo. Também teve 15 desarmes corretos contra nove. Apenas sete faltas contra seis gremistas - poucas infrações, outra boa notícia. Só errou passes demais: 64, enquanto o rival, que teve mais a bola, só 36.

Nada que impedisse a boa disputa. Jogo agradável, que, mesmo sem vitória, fará o torcedor voltar à Arena em Porto Alegre. Também deve estimular o rubro-negro a apoiar o time em Recife. Porque o brasileiro, em geral, prefere ganhar a jogar bem. Mas sabe que o time forte, regular e consistente fica mais perto da vitória.

Receita simples para melhorar nosso futebol. Que seja mais um ótimo exemplo.

(Estatísticas: Footstats)


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Ederson, o camisa dez possível no Flamengo - sem idealizações, pode ser muito útil

André Rocha
Gilvan de Souza/Fla Imagem
Ederson segura a camisa 10 do Flamengo em sua chegada à Gávea
Ederson segura a camisa 10 do Flamengo em sua chegada à Gávea

A camisa dez, naturalmente mítica (e pesada) no Flamengo por Zico, ficou reservada por quase oito meses em 2015. Seria de Conca, depois Jadson, Montillo, Quintero...Ficou com Ederson.

RS Futebol, Internacional, Juventude, Nice, Lyon e Lazio. Campeão mundial sub-17 em 2003. 29 anos, algumas lesões sérias, inclusive na estreia pela seleção brasileira em 2010. Em 278 jogos, 36 gols e 25 assistências.

Números e histórico que não animam muito. A exposição midiática, porém, foi de uma grande estrela. A solução para o problema de criação no meio-campo. A má notícia é que ele muito provavelmente não será o messias que vai redimir o Fla. A boa é que ele pode ser muito útil, se utilizado com inteligência.

Zico à parte, no Brasil o estereótipo do camisa dez no imaginário popular é Alex no Cruzeiro da tríplice coroa em 2003. Solto, sem nenhuma atribuição defensiva, à frente de uma trinca de volantes. Eles marcam, o craque pensa e decide. Carimba todas as bolas e ainda aparece para finalizar.

Outros tempos. Diante de linhas de quatro cada vez mais compactas, o meia ofensivo precisa de mobilidade. Sair para os flancos, recuar se preciso. Pensar o jogo, mas em velocidade. Não pode ser o único responsável pela quebra de linhas do adversário com passe ou infiltração. Deve fazer parte de um trabalho coletivo, também pressionando e voltando rápido na recomposição.

Éderson pode. Em um mais que provável 4-2-3-1 armado por Cristóvão Borges, a tendência é partir do centro, com Emerson e Everton ou Cirino pelos flancos atrás de Guerrero. Ou próximo ao peruano, quase como atacante. Mas o camisa dez também pode abrir e formar uma segunda linha de quatro, descansando um dos ponteiros. Ou recuar e mudar o desenho do triângulo no meio-campo: Cáceres ou Márcio Araújo plantado, Éderson alinhado a Canteros na articulação, com técnica e precisão nos passes.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Em um 4-2-3-1, Ederson pode se juntar a Guerrero, trabalhar pelos lados ou recuar para articular com Canteros - mobilidade e versatilidade.
Em um 4-2-3-1, Ederson pode se juntar a Guerrero, trabalhar pelos lados ou recuar para articular com Canteros - mobilidade e versatilidade.

Mobilidade e versatilidade. Inverter posicionamento para mexer com a marcação. Mais eficiente ainda é mudar a direção com a bola, em progressão. Toca e desloca, tabela e triangulação. Em velocidade para surpreender. Criando espaços para sua melhor jogada: cortar da esquerda para dentro e finalizar. A experiência na Europa de buscar brechas entre as linhas do oponente com intensidade será de grande valia.

Reprodução Sportv
Flagrante de Ederson pelo Lyon recebendo entre as linhas de quatro, partindo da esquerda para dentro buscando a finalização.
Flagrante de Ederson pelo Lyon recebendo entre as linhas de quatro, partindo da esquerda para dentro buscando a finalização.

Sem lesões e pressão além da conta, cobrando o que o jogador não tem como entregar, Éderson pode ir bem no Flamengo. Um camisa dez real, atual. Sem idealizações.

ESPN Trumedia
Mapa de movimentação de Ederson na Lazio em 2013, último ano em que jogou com regularidade: boa ocupação de setores na intermediária ofensiva.
Mapa de movimentação de Ederson na Lazio em 2013, último ano em que jogou com regularidade: boa ocupação de setores na intermediária ofensiva.


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Ederson, o camisa dez possível no Flamengo - sem idealizações, pode ser muito útil

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Inter empilha falhas, Tigres não perde a chance de definir a semifinal em casa - muitas vezes, o futebol é simples

André Rocha

Dois a zero em dez minutos em casa sobre um adversário voltando de férias. Depois boa parte do segundo tempo com um homem a mais. Duas chances raras de definir uma semifinal de Libertadores. O Internacional desperdiçou no Beira-Rio. Estava claro.

Mesmo não desprezando a força do Tigres que ficou ainda mais nítida em Monterrey. Damm e Aquino deitaram e rolaram pelos flancos, Rafael Sóbis circulou livremente às costas de Rodrigo Dourado, Arévalo envolveu Aránguiz no meio e Gignac colocou o terror na zaga colorada.

Diego Aguirre "colaborou" mudando a linha de três meias. Valdívia e Lisandro nas pontas e D'Alessandro centralizado. Não marcaram nem jogaram, isolando Nilmar encaixotado entre Juninho e Rivas.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Tigres forte e envolvente com Damm e Aquino pelos lados, Sóbis às costas de Dourado; Inter sem marcar e jogar, isolando Nilmar na frente.
Tigres forte e envolvente com Damm e Aquino pelos lados, Sóbis às costas de Dourado; Inter sem marcar e jogar, isolando Nilmar na frente.

Para complicar, os erros que renderam os gols do primeiro tempo. Volta do escanteio, última linha desarrumada com Ernando e Juan invertidos e mal posicionados contra Juninho. William disputou com Arévalo, Gignac conferiu. A única finalização no alvo do time mexicano.

Reprodução Fox Sports
Na volta do escanteio, retaguarda do Inter descoordenada com Ernando e Juan invertidos, Arévalo disputou com William, Gignac aproveitou.
Na volta do escanteio, retaguarda do Inter descoordenada com Ernando e Juan invertidos, Arévalo disputou com William, Gignac aproveitou.

Porque o segundo saiu dos pés de Geferson em lance grotesco. Gol contra bizarro que anestesiou o Colorado, que também sofreu com os 26 passes errados. Jovens assustados, veteranos letárgicos.

Aguirre tentou recolocar o Inter no jogo com Eduardo Sasha na vaga de Nilmar. Lisandro avançou como atacante, Valdívia centralizou e D'Alessandro voltou ao lado direito. Se houve alguma melhora em retenção da bola e ocupação do campo de ataque, deixou William entregue à própria sorte de vez contra Aquino.

Pênalti do lateral sobre o ponteiro que Sóbis cobrou mal e Alisson, o melhor colorado, defendeu. Podia ser o início de uma reação, se o lado esquerdo também não fosse uma avenida. Jogada bem coordenada, centro de Damm, gol de Arévalo Rios, avançado para Pizarro qualificar o primeiro passe na saída de bola.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Com Sasha pela esquerda e Lisandro mais enfiado, Colorado tentou atacar, mas a equipe mexicana seguiu com volume de jogo e definiu com Arévalo Rios.
Com Sasha pela esquerda e Lisandro mais enfiado, Colorado tentou atacar, mas a equipe mexicana seguiu com volume de jogo e definiu com Arévalo Rios.

Três a zero. Fim da disputa? Seria, não fosse futebol. Tigres em ritmo de treino com as substituições, Inter levantando bolas para Rafael Moura e Lisandro, que deu sobrevida ao time brasileiro completando centro de Sasha. De repente, faltava um gol para o milagre.

Cinco minutos - dois mais os três de acréscimo do árbitro Carlos Vera - de tensão, porém controlados pela melhor equipe que não perdeu a chance de se impor em seus domínios e vai à final inédita.

O River Plate já está no Mundial Interclubes, mas não é o favorito na decisão. O Tigres confirmou a força da boa campanha, incrementada com contratações de peso e agora a vitória categórica sobre um brasileiro bicampeão sul-americano que empilhou falhas, desde a ida. Porque muitas vezes o futebol é simples. E óbvio.

(Estatísticas: Footstats)


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O novo Maracanã também não perdoa festa antes do jogo, mas respeita freguesias - melhor para o Vasco

André Rocha

A apresentação de Ronaldinho não atrapalhou diretamente o Fluminense no Maracanã. Mas o clima de festa durante toda a semana e os temas periféricos, como lados das torcidas no estádio, sem contar o favoritismo absoluto, costumam diminuir o foco. O clássico valia a liderança do Brasileiro.

Para o Vasco, a vitória significava não afundar de vez no Z-4, já que sair da zona de rebaixamento era matematicamente impossível. Celso Roth fez o básico: duas linhas de quatro com Anderson Salles, improvisado como volante, entre elas e só Dagoberto na frente, sacrificando Herrera pela esquerda. Quando o desarme ficava difícil, a falta era o recurso para quebrar a velocidade do rival: foram 13 no primeiro tempo contra cinco.

O Flu aceitou o papel de protagonista. Laterais Wellington Silva e Giovanni e volantes Jean e Edson apoiando alternadamente, se juntando ao quarteto ofensivo com bastante mobilidade. Especialmente Marcos Junio, partindo do centro e se apresentando para tabelas e triangulações com Gerson, Gustavo Scarpa e Fred.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Vasco fechado num 4-1-4-1, com Herrera pela esquerda e Andrezinho na frente; Flu com volume de jogo e movimentação no ataque, mas sem eficiência.
Vasco fechado num 4-1-4-1, com Herrera pela esquerda e Andrezinho na frente; Flu com volume de jogo e movimentação no ataque, mas sem eficiência.

Posse dividida, nove finalizações do Flu. Apenas duas no alvo. O Vasco concluiu só uma vez. Precisa. Quando Dagoberto recuou como "falso nove" e desarticulou a defesa adversária. Giovanni chegou atrasado no bote, Antônio Carlos perdeu a disputa na cobertura com Jhon Cley e Gum ficou "vendido" contra Andrezinho. 

Reprodução TV Globo
Dagoberto recuou, Antonio Carlos perdeu para Jhon Cley e Andrezinho entrou no espaço vazio para fazer o primeiro gol vascaíno.
Dagoberto recuou, Antonio Carlos perdeu para Jhon Cley e Andrezinho entrou no espaço vazio para fazer o primeiro gol vascaíno.

Na segunda etapa, Roth inverteu Herrera e Cley, que foi para o lado esquerdo duelar com Wellington Silva. Herrera ficou à direita para explorar os espaços às costas de Gustavo Scarpa, improvisado na lateral com a lesão de Giovanni e a entrada de Osvaldo.

Mas foi pela direita que Gerson criou a jogada finalizada por Marcos Junio. Belo gol de empate que poderia ter transferido confiança ao candidato a líder e fragilizado o time que colecionava derrotas. Roth trocou Herrera, extenuado, por Riascos.

Quem decidiu foi Jhon Cley, que arriscara um elástico no primeiro tempo e acertou um petardo espetacular. O melhor do Vasco no Maracanã, com impressionante vigor físico e boas jogadas. Gol e assistência.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Com Gustavo Scarpa improvisado na lateral e Osvaldo à esquerda, Flu parecia mais próximo da vitória - Jhon Cley inverteu lado para decidir o clássico.
Com Gustavo Scarpa improvisado na lateral e Osvaldo à esquerda, Flu parecia mais próximo da vitória - Jhon Cley inverteu lado para decidir o clássico.

Enderson Moreira foi infeliz na troca de Gerson por Magno Alves, que devia ter permanecido no Ceará para a disputa da Série B. Entre os grandes não tem mais a mínima condição de competir. O Flu viveu de bolas levantadas para Fred, sem sucesso.

Roth tirou Cley e Dagoberto e colocou Emanuel Biancucchi e Thalles para reoxigenar o ataque e manter o trabalho sem a bola. O Vasco finalizou mais sete vezes, o Flu outras dez. Mas cinco na direção da meta de Cavalieri e só duas que fizeram Jordi trabalhar. Os cruzmaltinos também cometeram bem menos faltas, só quatro contra nove.

Vitória improvável pelo contexto. Nunca em um clássico no estádio lendário que, mesmo repaginado, não perdoa festa antes do jogo. A história mostra. Mas respeita freguesias, como a tricolor diante do Vasco, numa incrível "virada" construída a partir dos anos 1990. São três anos sem derrotas (dez partidas) no Brasileiro.

No 140º triunfo vascaíno, eficiência foi a chave.

(Estatísticas: Footstats)


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O novo Maracanã também não perdoa festa antes do jogo, mas respeita freguesias - melhor para o Vasco

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Galo propõe jogo na Arena, mas deixa os espaços que o Corinthians de Tite, novamente forte, aproveita como poucos

André Rocha

O Atlético Mineiro não surpreendeu na Arena Corinthians. O melhor desempenho como visitante até então, com quatro vitórias, um empate e uma derrota, era apenas um reflexo da proposta de Levir Culpi de tentar ser protagonista em qualquer estádio. Problema do time mineiro em campanhas anteriores, principalmente no vice-campeonato em 2012 sob o comando de Cuca.

Ocuparam o campo de ataque e furaram o bloqueio adversário com trocas de passes e deslocamentos. Só não venceram Walter, goleiro substituto de Cássio. Quando Giovanni Augusto, autor do gol da inauguração oficial do estádio pelo Figueirense, superou o goleiro em cobrança de falta, a trave salvou.

Mas propor o jogo é correr riscos, ceder espaços. Tudo que o Corinthians de Tite aproveita como poucos. E pecisava, ainda mais sem Jadson, suspenso. O meia que parte da direita para criar foi substituído por Rildo, que foi jogar à esquerda. Malcom, que também acelera, inverteu o lado no 4-1-4-1 e completou a boa jogada de Love, que vinha errando tudo que tentava. Gol em transição rápida às costas da defesa. Típico.

Reprodução PFC
Flagrante do início do contragolpe no gol corintiano: Love arranca às costas da defesa com muito espaço pela esquerda para arrancar e servir Malcom.
Flagrante do início do contragolpe no gol corintiano: Love arranca às costas da defesa com muito espaço pela esquerda para arrancar e servir Malcom.

A única finalização no alvo das cinco do Corinthians, que, mesmo reativo, teve 52% de posse no primeiro tempo. Mais posicionado, teve cinco desarmes corretos contra impressionantes 19 do rival. Como Tite afirmou pouco antes da partida, já no gramado, o Atlético se encontra em um estágio mais avançado de preparação e entrosamento.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Sem Jadson, Corinthians apostou na transição ainda mais rápida aproveitando os espaços deixados pelo ofensivo Atlético Mineiro.
Sem Jadson, Corinthians apostou na transição ainda mais rápida aproveitando os espaços deixados pelo ofensivo Atlético Mineiro.

Mas desta vez não levou os três pontos para Belo Horizonte. Talvez tenha faltado Luan, lesionado e substituído por Carlos ainda no primeiro tempo. Ou um homem a mais na frente no 4-1-4-1 do começo do Brasileiro para adicionar volume ofensivo. Como nos minutos finais depois da troca de Leandro Donizete por Guilherme, a última atleticana após a saída de Thiago Ribeiro para a entrada de Cárdenas.

Tite já consegue abrir mão de Ralf e mandar a campo Bruno Henrique, mais passador. Só trocou no final, para resistir à pressão com a ajuda de Elias mais plantado num 4-2-3-1. Tirou Rildo e colocou Mendoza para manter a velocidade e substituiu Love por Danilo buscando reter a bola na frente.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
No final, Galo no 4-1-4-1 e ocupando o campo de ataque; Corinthians tentando reter a bola na frente com Danilo e Mendoza.
No final, Galo no 4-1-4-1 e ocupando o campo de ataque; Corinthians tentando reter a bola na frente com Danilo e Mendoza.

O Corinthians, porém, segue com saída mais eficiente pelas laterais. Também continua compacto, com transição veloz e prática. Time reconstruído, mas ainda pragmático e novamente forte, invicto há seis rodadas e que deve rondar o topo da tabela.

Com 47% de posse, sete finalizações contra 16 do oponente e desarmando menos (18 a 31!) venceu o melhor time do Brasileiro até aqui, encerrando seqüência de seis vitórias. Mesmo descontando a noite inspirada de Walter, não é pouco.

(Estatísticas: Footstats)


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Grêmio da posse de bola, Flamengo vertical - Guerrero foi a diferença em sua estreia no Maracanã

André Rocha
Gazeta Press
Em sua estreia no Maracanã, Guerrero marcou o gol da vitória do Flamengo
Em sua estreia no Maracanã, Guerrero marcou o gol da vitória do Flamengo sobre o Grêmio.

Nem sempre as estatísticas explicam uma partida. Mas o bom jogo com 51 mil presentes para ver Paolo Guerrero estrear com a camisa do Flamengo no Maracanã apresentou números relevantes e reveladores.

Grêmio teve 56% de posse de bola e errou apenas 32 passes em um universo de 427, enquanto o Fla errou 46 em 277, porém finalizou 17 vezes contra seis gremistas - oito a dois no alvo.

Ou seja, o time gaúcho, superior coletivamente, foi da troca de passes e ocupação do campo de ataque, mas não do controle. Já o Flamengo abusou das transições ofensivas em alta velocidade, arriscando as jogadas. Jogo vertical buscando Guerrero.

Início de pressão e intensidade rubro-negra, aproveitando a eletricidade no estádio, até o Grêmio descobrir em Rafael Galhardo a melhor opção de saída, porque Giuliano abria o corredor e Emerson não voltava acompanhando o lateral formado no time carioca que acertou o travessão em bela combinação do ataque.

A senha para Cristóvão Borges inverter os ponteiros, com Marcelo Cirino indo e voltando pela esquerda fazendo dupla com o mais que promissor lateral Jorge e reequilibrando as ações no primeiro tempo. Guerrero, que sofrera faltas duras de Maicon e Geromel, voltava para buscar ou abria espaços para as diagonais dos ponteiros e as infiltrações de Everton, ora pelo centro, ora à esquerda.

Mas o gol saiu na bola parada. Falta cobrada por Ayrton, Grohe não saiu da meta com firmeza e a disputa com Marcelo e Wallace terminou nos pés...de Guerrero. Impressionante como "chama" a bola para definir. 

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Grêmio trocando passes com mobilidade na frente, mas pouco efetivo; Flamengo vertical procurando Guerrero e defendendo o lado esquerdo com Cirino.
Grêmio trocando passes com mobilidade na frente, mas pouco efetivo; Flamengo vertical procurando Guerrero e defendendo o lado esquerdo com Cirino.

O segundo tempo foi de controle do Flamengo, apesar da boa chance de Pedro Rocha logo no início em uma das muitas saídas tresloucadas de Marcelo e Wallace para dar bote sobre Luan na intermediária. Apesar de Arthur Maia, que pouco acrescentou pelo meio na vaga de Cirino - Everton foi para o lado esquerdo.

Muito pela queda do Grêmio com as substituições de Roger Machado. Em um elenco curto e desigual, as trocas de Douglas e Pedro Rocha por Fernandinho e Vitinho tiraram volume e profundidade na frente.

O Flamengo roubava a bola e os contragolpes, em muitos momentos, pegavam o ataque rubro-negro em igualdade ou vantagem numérica sobre os defensores. Guerrero reteve a bola, arrancou e serviu Everton. Grohe salvou.

Reprodução Premiere
Flagrante do contragolpe rubro-negro com quatro contra quatro - Everton sinaliza e recebe de Guerrero para finalizar.
Flagrante do contragolpe rubro-negro com quatro contra quatro - Everton sinaliza e recebe de Guerrero para finalizar.

Depois o goleiro falhou na saída, Emerson finalizou fraco e Rhodolfo salvou. Maicon quase marcou contra em nova combinação Guerrero-Everton e Wallace ainda acertou o travessão.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Grêmio caiu de produção com as substituições de Roger e o Flamengo, com Everton pela esquerda, teve boas chances de ampliar.
Grêmio caiu de produção com as substituições de Roger e o Flamengo, com Everton pela esquerda, teve boas chances de ampliar.

No "abafa" final do Grêmio, com Braian Rodríguez no lugar de Walace, Fernandinho, livre, bateu para fora. Pouco para a equipe mais ajustada, porém menos efetiva.

A diferença do Flamengo, de novo, foi Guerrero. Com confiança e idolatria da torcida em tão pouco tempo, a tendência é o atacante peruano acima da média do futebol jogado no Brasil seguir desequilibrando para o time que já depende de seu novo camisa nove.

(Estatísticas: Footstats)


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Dez minutos e só! Internacional não teve consistência para controlar o milionário Tigres

André Rocha

Nem parecia que o Internacional havia sofrido nos 49 dias sem Libertadores - três vitórias, três empates e quatro derrotas no Brasileiro. Muitos desfalques e dificuldade para "virar a chave".

Ou a impressão era de que o Tigres sentiu a falta de competição por conta de férias e amistosos de pré-temporada no México, mesmo com os reforços milionários de Damm, Aquino e Gignac - sim, ex-Olympique de Marselha e vice-artilheiro do último Francês com 21 gols.

Os gols de D'Alessandro e Valdívia nos primeiros dez minutos em Porto Alegre saíram em falha de Arévalo Rios e enorme felicidade do jovem meia aberto pela esquerda no 4-4-2 colorado. O mérito colorado, porém, foi avançar e pressionar a marcação, colocar intensidade máxima na execução do plano de jogo de Diego Aguirre. Mas foi só.

Reprodução Fox Sports
No primeiro gol, pressão do quarteto ofensivo do Internacional no campo de ataque, falha de Arévalo Rios e D'Alessandro finalizou.
No primeiro gol, pressão do quarteto ofensivo do Internacional no campo de ataque, falha de Arévalo Rios e D'Alessandro finalizou.

Porque a equipe mexicana aos poucos foi ganhando volume de jogo pelos flancos. Se Arévalo e Pizarro não criavam pelo centro, Damm entrava em diagonal e abria o corredor para Jiménez à direita e Aquino atacava William do lado oposto. Depois Gignac encontrou seu espaço junto a Rafael Sóbis buscando as infiltrações entre zagueiros e laterais.

Mas o gol que mudou a partida e, talvez, o rumo da semifinal saiu na jogada aérea, seqüência da bola parada: centro preciso de Sóbis, movimento perfeito do zagueiro Ayala. A senha para Alisson salvar finalizações de Sóbis e Gignac. O Inter com vantagem quase sofreu o empate em contragolpes, sem contar a disputa entre Aquino e Alan e Rodrigo Dourado que este que escreve marcaria pênalti. Muitos espaços entre as linhas.

Ainda assim, o Inter fechou a primeira etapa com 52% de posse, quatro finalizações - mesmo número do rival, mas apenas duas no alvo, contra três. O Tigres cometeu 13 faltas contra seis, 12 desarmes corretos a oito. O passeio inicial virou disputa parelha.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Internacional e Tigres no 4-4-2: a equipe brasileira intensa, pressionando no início; time mexicano atacando pelos flancos e diminuindo na bola parada
Internacional e Tigres no 4-4-2: a equipe brasileira intensa, pressionando no início; time mexicano atacando pelos flancos e diminuindo na bola parada

Equilíbrio que seguiu até a expulsão de Ayala por falta em Geferson. O técnico brasileiro Ricardo "Tuca" Ferretti recompôs a zaga com Briseño no lugar de Damm - Sóbis foi fazer o lado direito no 4-4-1 básico. Aguirre, através do auxiliar Enrique Carrera, respondeu com Eduardo Sasha no lugar de Nilmar, que apagou depois da velocidade máxima nos primeiros minutos. Inter passou para o 4-2-3-1, com D'Alessandro centralizado.

A vantagem numérica transferiu posse de bola, mas não profundidade ao time gaúcho. O Tigres compactava as linhas, mas cansava pela falta de ritmo de jogo. Até o intrépido Aquino, melhor do time mexicano. 

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Com expulsão de Ayala, Tigres se reorganizou em compacto 4-4-1; Internacional no 4-2-3-1 centralizando D'Alessandro após a troca de Nilmar por Sasha.
Com expulsão de Ayala, Tigres se reorganizou em compacto 4-4-1; Internacional no 4-2-3-1 centralizando D'Alessandro após a troca de Nilmar por Sasha.

No final, presença física na área adversária, e um pouco de superstição, com Rafael Moura no lugar de Valdívia e a volta ao 4-4-2. O jogo aéreo, porém, não funcionou.

Ferretti trocou o extenuado Sóbis por Edgar Lugo e, nos acréscimos, Viniegra entrou no lugar de Gignac para ganhar tempo e administrar o placar acessível no cenário de 54% de posse colorada, doze finalizações a sete.

O Inter terá espaços, mas nenhuma facilidade em Monterrey diante de um adversário estelar e que terá mais conjunto, vigor e calor em casa. Porque o início avassalador não se transformou em controle e consistência no Beira-Rio.

(Estatísticas: Footstats)


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Osório está assustado, mas não devia - coletivo, no Brasil, só o ônibus

André Rocha
Gazeta Press
Ganso cumprimenta Osorio na saída de campo contra o Coritiba
Ganso se nega a cumprimentar Osorio na saída de campo contra o Coritiba.

Domingo de sol no inverno, sem calor para abafar a o fim da manhã. Jogo às 11h, o horário redescoberto ao acaso que devolve a família ao estádio. Ingresso mais barato, quase 60 mil pessoas no Morumbi para ver o São Paulo.

Vitória por 3 a 1 sobre o Coritiba, dois gols e bela exibição de Pato. Time subiu duas posições, a dois pontos do G-4, cinco da liderança.

Mas o técnico Juan Carlos Osório não está feliz. A rebeldia e a postura individualista de alguns de seus comandados têm impressionado o colombiano.

Primeiro foi Michel Bastos, que mesmo antes da apresentação do colombiano disse que não se incomodava com o rodízio no elenco, desde que ele sempre estivesse em campo. Substituído contra o Fluminense, saiu vociferando palavrões. Em seu lugar entrou Centurión, argentino. Jogou 23 minutos, mais os acréscimos. Na saída, também reclamou por "entrar dez minutos". Virou titular contra o Coxa.

Ontem, a vez de Paulo Henrique Ganso, negando-se a cumprimentar o comandante e chutando um copo d'água depois de dar lugar a Boschilia. O mesmo que em 2010 se negou a ser substituído por Dorival Junior no Santos durante a final do Paulista contra o Santo André. Com gestos para todo o Pacaembu ver. Deve pedir desculpas. Sangue quente na hora e um bom papo com o assessor de imprensa para não queimar a imagem.

"Eu não tomo nada para o lado pessoal e entendo a pulsão e adrenalina em alta durante o jogo. Mas não acredito que eles são felizes fazendo isso. Tem que ter respeito com o companheiro que vai entrar. Essa postura me surpreende. Não me perturba, mas acho que não é bom para o coletivo", lamenta Osório.

Coletivo. Osório tocou no ponto chave. Como promover rodízio entre os atletas se eles sequer aceitam ser substituídos? Para os com currículo mais recheado, banco só voltando de lesão.

Talvez falte conhecimento da nossa realidade ao colombiano que viveu na Holanda, Inglaterra, Estados Unidos. Quem conhece um pouco os boleiros por aqui sabe que há provocação entre eles. "Comer banco" significa estar abaixo, descartado. Fere a vaidade, mesmo com a explicação mais que plausível do descanso. Mas aqui é "dar brecha" pro reserva.

No país em que se valoriza o "time base" que quase nunca joga por lesões, cartões, negociações e datas FIFA, coletivo é só o ônibus. Que as estrelas já abandonaram há tempos para desfilar em seus carrões.

O Brasil, assim como a Argentina de Centurión e outros latinos, idolatram os messias, os salvadores da pátria. O herói que vai resolver todos os problemas. De preferência, com malandragem e "jeitinho". Sacrifício, cooperação e altruísmo são para quem não tem talento, personalidade e atitude. Ou só para promover a própria imagem, como o "humilde". O coadjuvante é o primeiro "ninguém".

O garoto, desde a base, é orientado por empresário, pai e mãe para tentar resolver sozinho, se destacar e mudar a condição social da família. Primeiro ele, depois o time.
Como é difícil avaliar se Pato pediu para jogar pela esquerda pensando no São Paulo ou na sua volta à Europa.

Rogério Ceni, líder e referência, também tropeçou nas palavras ao reclamar das negociações que enfraqueceram o elenco. "A gente entende a necessidade financeira do clube, mas eu entendo também a minha necessidade de ser campeão", afirmou o goleiro. Desnecessário.

Sim, é uma generalização que pode parecer injusta. Com honrosas exceções, hoje ou na história. Como Zico, com quem este que escreve tem feito uma série de entrevistas junto com os amigos e colegas Vitor Sergio Rodrigues e Mauro Beting para a autobiografia do maior ídolo da história do Flamengo.

Nesses papos, um dos maiores craques do futebol brasileiro dá exemplos simples de noção de coletividade, mesmo sabendo ser a estrela da companhia. Desde a dedicação nos treinamentos, passando pela preocupação com seus companheiros em negociações de premiações e salários ou o cuidado de dar bronca apenas em caso de desleixo, falta de humildade. Erros por limitações, nunca. Seria humilhar o colega.

Zico que aceitou disputar a Copa de 1986 sabendo que ficaria no banco durante a maior parte dos jogos. Aos 33 anos, com uma séria lesão no joelho direito. Ainda o melhor jogador brasileiro, na última tentativa de ser campeão mundial pela seleção. Na reserva.

Centurión não aceita, Ganso e Michel Bastos reclamam das substituições. Ceni quer ser campeão na última temporada. Osório está assustado. Mas não devia.


E-mail: anunesrocha@gmail.com


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Fluminense leva o ônus e o bônus do 'artista' Ronaldinho - como será o amanhã?

André Rocha
Divulgação
Ronaldinho Camisa Fluminense Peter Siemsen 11/07/2015
Ronaldinho posa com Peter Siemsen e Mario Bittencourt no anúncio oficial no site do Fluminense - contrato até o fim de 2016.

Ronaldo de Assis Moreira é um dos jogadores mais técnicos e habilidosos da história do futebol mundial. No auge, especialmente na temporada 2005/06 pelo Barcelona, parecia jogar em outra dimensão.

Quando a bola chegava ao lado esquerdo no time comandado por Frank Rijkaard, explodia a melhor combinação de objetividade e arte que este que escreve viu em qualquer campo. Uma mistura de Garrincha, Maradona, Zidane, Di Stéfano. Para o deleite do jovem Lionel Messi, então surgindo no clube catalão.

Título mundial aos 22 anos como o principal coadjuvante de Ronaldo e Rivaldo. Com a conquista da Champions League pelo Barca e a possibilidade de ser bicampeão como protagonista com a camisa verde e amarela na Copa da Alemanha, a pauta sobre Ronaldinho era sua posição na história do esporte. No Olimpo, com Pelé, Maradona e alguns poucos? Ou acima de todos? Podia soar como exagero, mas não absurdo.

Ronaldinho falhou. No "quadrado mágico" mal pensado e executado, o camisa dez parecia deslocado e extenuado pela perseguição dos olhos do mundo. A rigor, nunca havia mostrado na seleção o mesmo desempenho, o mesmo fulgor. Compreensível pelo maior entrosamento no clube. Na Catalunha era rei.

A partir da volta da Alemanha depois do show de Zidane, a impressão é de que o craque genial cansou. A chance de alcançar o topo havia passado. Aos 26 anos.

Aos 28, desleixo nas Olimpíadas e dispensa de Guardiola. Espasmos no Milan. A esperança na volta ao Brasil para o time mais popular do país. Durou até a Traffic deixar a parceria com o Flamengo e o salário atrasar. Rota de colisão com Luxemburgo. Tudo recheado com notícias da noite carioca.

Atlético Mineiro e o encaixe na equipe de Cuca. Contraponto da intensidade no "Galo Doido". Ligação direta para Jô e o camisa dez recebia já perto da zona de decisão. Motivado, servia ou finalizava. Decidiu alguns jogos, colocou uma Libertadores no currículo. Fracassou no Mundial Interclubes engolido pelo massacre tático do Raja Casablanca.

Para piorar, o sonho de disputar a Copa do Mundo no Brasil como o líder que faltava à geração de Neymar se desmanchou pela falta de intensidade. Mais um a ficar fora da disputa em altíssimo nível pela revolução Guardiola x Mourinho. Felipão deu chances, porém ão havia mais compatibilidade entre seu ritmo e o futebol atual. Ao menos para concorrer entre os melhores. Com o súdito Messi, agora no topo.

Levir Culpi percebeu e, com seu estilo "supersincero", apresentou a porta da rua na Cidade do Galo. Aventura no Querétaro, ajudando a colocar o time em final inédita no Mexicano. Em todas essas experiências, fez seus times fortes e respeitados. Ganhou visibilidade e o craque a reverência até de adversários. Porque joga demais, o futebol transborda pelos pés de Ronaldinho. Até quando ele não quer muito.

É este o bônus que o Fluminense leva para as Laranjeiras, com contrato até o fim de 2016. O passe diferente, alguns lances mágicos de quem parece ter a bola como extensão do seu corpo. A imagem de uma lenda que ainda roda o mundo. Ações de marketing, venda de camisas e outras receitas. No Brasil, a técnica que segue acima da média.

No entanto, há também o ônus. Porque Ronaldinho deveria ser um atleta, mas tem cabeça de artista. Ou melhor, daquele "popstar" que acredita que seu talento puro é o suficiente para o show e alguns excessos podem até ajudar. Flertar com o perigo, viver na adrenalina sorrindo, se divertindo.

Talvez tivesse seguido o caminho da música, do samba. Se o encontro com a bola, ainda criança, não mostrasse que ele não poderia ser melhor fazendo outra coisa. Só que com outro espírito, talvez dos roqueiros que se foram aos 27 anos, mas sem a veia autodestrutiva. Vivendo por prazer, no hedonismo.

Ronaldinho volta aos 35. Se quiser, pode ser liderança positiva para os garotos formados em Xerém. As tentações do Rio de Janeiro, porém, continuam sendo o "diabinho" no ombro que ele costuma fitar, mesmo de rabo de olho. A simpatia e a imagem de ídolo arrastam outros, em bando.

No campo, em termos táticos, teoricamente surge outro problema. O Flu já estoura com Fred a cota de jogadores que participam menos do jogo coletivo, com e sem a bola, em nome do talento. Com mais um entrando, alguém terá que se sacrificar. Marcando e entregando velocidade a uma equipe que tende a ficar mais vagarosa - foi-se o tempo em que quem corria era só a bola. A tendência é desequilibrar o time de Enderson Moreira. Mas o futebol não tem receita de bolo.

Há, porém, o custo-benefício. Mesmo com a engenharia financeira e o desafogo na folha com as saídas de Wagner e Martinuccio, o valor divulgado é alto para quem perdeu os milhões da Unimed e está se reconstruindo com patrocínios mais modestos. Aposta de risco, ainda mais com o irmão Assis, que não costuma conviver bem com atrasos e promessas não cumpridas.

O "combo" Ronaldinho está de volta à Cidade Maravilhosa. Incógnita, como sempre. Pode encantar ou sair pela porta dos fundos. Ou as duas coisas. Indecifrável como todo grande artista. Como será o amanhã?


E-mail: anunesrocha@gmail.com


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Rafael Carioca, o raro volante passador que é a diferença do líder Galo no Brasileiro

André Rocha
Getty
Permanência de Rafael Carioca no Atlético-MG pode depender de ida de Carlos ao Spartak
Rafael Carioca em ação na vitória sobre o Flamengo no Maracanã: volante é destaque do Galo no Brasileiro.

O blog resiste em individualizar qualquer análise por crer ferozmente na força da equipe em um esporte coletivo.

Mas diante da carência de volantes passadores em alto nível no futebol brasileiro - apesar de ótimas novidades como Rodrigo Dourado (Internacional), Otávio e Hernani (Atlético-PR), Lucas Otávio (Santos), Rithely (Sport) e Renan (Avaí) - é impossível não exaltar o desempenho até aqui de Rafael Carioca no Atlético Mineiro.

Revelado pelo Audax Rio, aos 26 anos, já tem certa rodagem: Grêmio, Spartak Moscou, Vasco. O melhor momento antes havia sido no time gaúcho vice-campeão brasileiro de 2008 com Celso Roth.

Nada parecido com os 96,8% de aproveitamento nos passes, 85,7% nas viradas de jogo e a saída de bola limpa e vertical que qualifica e acelera os ataques do líder do Brasileiro. Com Leandro Donizete em um 4-2-3-1 ou à frente da defesa entre as linhas de quatro a eficiência é a mesma. É ele quem pensa, organiza e dá ritmo ao jogo atleticano.

Tudo isso sem comprometer suas atribuições defensivas. Rafael Carioca está entre os dez que mais acertam desarmes na competição, é o melhor atleticano. No terceiro time que mais desarma, segundo que mais finaliza e passa. Meio-campista que joga e marca, como exige o futebol atual.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Na execução do 4-1-4-1, Rafael Carioca distribui o jogo para os quatro meias e Pratto no pivô. Velocidade, mobilidade e volume no ataque atleticano.
Na execução do 4-1-4-1, Rafael Carioca distribui o jogo para os quatro meias e Pratto no pivô. Velocidade, mobilidade e volume no ataque atleticano.

Porque o volante que só destrói e erra o passe se não for para o lado ou para trás tende a desaparecer. O raciocínio é simples. Se hoje a maioria dos times pressiona e avança a marcação, quem não tem domínio dos fundamentos sofre mais. Como diz Johan Cruyff, "com espaço qualquer um joga futebol".

Falta espaço na frente também. O adversário planta duas linhas de quatro compactas, fecha as linhas de passe e acerta as basculações - movimentos das linhas de um lado para o outro conforme a circulação da bola sem se desorganizar. Fica difícil infiltrar.

Quando o time precisa que um meia volte para armar, como fazia o Corinthians com Renato Augusto ou Elias para compensar as limitações de Ralf, o ataque perde um jogador para quebrar as linhas com movimentação e profundidade.

No 4-1-4-1 habitual de Levir Culpi, o quinteto ofensivo pode trabalhar no último terço do campo e fustigar a retaguarda do rival muitas vezes em igualdade numérica na área porque conta com o volante que passa e se apresenta. Desafoga e alimenta. Com elegância.

Nos 4 a 1 sobre o Avaí na Ressacada pela quinta rodada, a melhor atuação de Rafael Carioca. Não por acaso, também a mais bela exibição coletiva do Galo. No primeiro gol, o passe para Luan que clareou a jogada que terminaria com Carlos no rebote.

No último, a cereja do bolo em linda troca de passes. O decisivo saiu do pé direito do camisa cinco achando Maicosuel, que também serviu Carlos. Pintura do melhor time do país que comprou 50% dos direitos econômicos do volante junto ao Spartak.

Reprodução PFC
Primeiro gol do Galo sobre o Avaí: mesmo pressionado, Rafael Carioca aciona Luan, o quinteto ofensivo quebra as linhas e Carlos marca no rebote.
Primeiro gol do Galo sobre o Avaí: mesmo pressionado, Rafael Carioca aciona Luan, o quinteto ofensivo quebra as linhas e Carlos marca no rebote.
Reprodução PFC
Pintura no quarto e último gol: o camisa cinco, mesmo com três cercando, clareia a jogada com passe preciso para Maicosuel que serve Carlos livre.
Pintura no quarto e último gol: o camisa cinco, mesmo com três cercando, clareia a jogada com passe preciso para Maicosuel que serve Carlos livre.

Porque no Galo de Levir, há pouco mais de um ano e dois meses no cargo, o "craque" do time é o tempo de trabalho - só inferior na Série A aos 17 meses de Eduardo Baptista no Sport. Por isso a disputa em alto nível técnico e tático para a média brasileira entre as equipes na vitória atleticana por 2 a 1 no Mineirão. Um exemplo.

Depois vem Rafael Carioca, a diferença do líder que já merece um teste na seleção. Um bom primeiro passo para reduzir o nosso atraso.

TruMedia
Mapa de movimentação de Rafael Carioca em ações com a bola: forte trabalho entre as intermediárias organizando as jogadas.
Mapa de movimentação de Rafael Carioca em ações com a bola: forte trabalho entre as intermediárias organizando as jogadas.

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Rafael Carioca, o raro volante passador que é a diferença do líder Galo no Brasileiro

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Martí Perarnau, autor de 'Guardiola Confidencial': 'Futebol brasileiro não é referência para Pep'

André Rocha
Getty Images
Champions League Guardiola coletiva Bayern Barcelona 2015
Guardiola respeita o futebol brasileiro e pensou em dirigir a seleção, mas não tem o país cinco vezes campeão mundial como referência.

Pep Guardiola e futebol brasileiro voltaram à pauta depois de Daniel Alves confirmar no "Bola da Vez" o que foi divulgado no diário "Lance" em 2013, entre a demissão de Mano Menezes e o retorno de Felipão: o treinador catalão desejava treinar a seleção no Mundial do ano passado.

A CBF descartou, óbvio. Reunir Parreira e Felipão, os últimos técnicos campeões mundiais pelo país, era um escudo mais seguro. Pois é...

Ter Guardiola no comando não era garantia de hexa. Talvez nem desse certo pela exigência absurda de resultados e espetáculo que recairia sobre o técnico. Mas as chances de ao menos apresentar um futebol com conceitos modernos seria enorme. É bem provável que hoje não estaríamos amargando o primeiro "aniversário" dos 7 a 1.

O tema resgatou uma velha discussão: afinal, Guardiola tem ou não o futebol brasileiro como referência para seu estilo que revolucionou o esporte nos últimos sete anos? As declarações depois dos 4 a 0 do Barcelona sobre o Santos em 2011 foram respeitosas: "O que tentamos fazer é tocar a bola o mais rápido possível. Na verdade, é o que o Brasil sempre fez, segundo me contavam meus pais e meus avôs". Também lembrou do Santos de Pelé e de Pepe, seu treinador no final da carreira, no Catar.

Declaração que motivou comentários no Brasil como se ele copiasse o futebol brasileiro dos anos 1960 e 1970. Alguns tiveram o "requinte" de afirmar que Guardiola havia "resgatado o nosso futebol de pelada". A velha arrogância canarinha.

Mas quem lê artigos e livros sobre o treinador ou mesmo suas raras entrevistas exclusivas sempre se depara com outros estilos e escolas: Cruyff, Lillo, Van Gaal, Bielsa, Sacchi...

Na impossibilidade de ouvir o próprio treinador, fomos atrás de Martí Perarnau, autor de "Herr Pep", que acaba de ganhar uma tradução para o português: "Guardiola Confidencial", com prefácio do nosso André Kfouri. O jornalista catalão conviveu diariamente por um ano com o personagem de seu livro, conversando sobre futebol e com trânsito livre no Bayern de Munique.

Através do amigo Roberto Piantino (@rpianta), fizemos a mesma pergunta, simples e direta. A resposta confirma a impressão de tudo que já foi publicado sobre o técnico multicampeão:

"É verdade que depois de dois anos seguidos conversando com Guardiola sobre todo tipo de futebol, nunca houve um comentário de que o Brasil fosse uma referência tática para ele. Conversamos, sim, sobre aquela maravilhosa seleção de 1982, mas da mesma forma que qualquer um faz: aquela maravilha de Sócrates e companhia, uma pena que perdessem pelo que significou aquela derrota depois. Nada mais do que isso.

Não é possível que o futebol brasileiro seja uma referência tática para Pep, já que sua ideia de jogo é bastante diferente. Ele possui um conceito de união indestrutível entre ataque e defesa, então considera que há uma única fase do jogo. Como sabemos, o Brasil de 1982 não era um time bem ajustado tática e defensivamente, embora maravilhoso.

As referência do jogo de posição de Guardiola são Johan Cruyff e Juan Manuel Lillo. Esses são seus autênticos mestres. Dito isto, eu que estive presente no Sarriá em 1982 não vejo semelhanças táticas entre aquele Brasil e o Barça ou o Bayern de Pep. Aquele era fantástico e precioso, com jogadores maravilhosos e uma grande vocação ofensiva. E as semelhanças param por aqui. A organização, as coberturas, o jogo posicional, a saída de bola, as triangulações, a procura pelo homem livre e outros símbolos de Guardiola não haviam."

Em 2015, a seleção brasileira conta com Dunga e agora o Conselho Estratégico da CBF, com Parreira, Zagallo, Falcão, Lazaroni, Carlos Alberto Silva, Candinho e Ernesto Paulo. Para pensar o futuro do futebol brasileiro.

Pep Guardiola segue no Bayern de Munique. Gol da Alemanha.

[Em tempo: Jogo posicional é, em resumo e simplificando, a construção de jogadas atacando em bloco, compacto, com linhas adiantadas, valorizando a posse e buscando a vantagem numérica onde está a bola. A marca de Guardiola.]


E-mail: anunesrocha@gmail.com


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As sete lições da maior derrota da história - a última noite insone por causa do futebol

André Rocha
Getty
David Luiz chora copiosamente depois da esmagadora derrota para a Alemanha
7 a 1 que dispensa qualquer legenda.

Há tempos que este que escreve não ficava sem dormir por causa de futebol. O lado profissional e algum conhecimento sobre os bastidores permitem uma certa distância, apesar do envolvimento com o esporte que amamos.

Não naquela terça-feira, 8 de julho de 2014. Ou madrugada de quarta. Porque a história foi escrita diante dos olhos atônitos, incrédulos. Mesmo ciente de todos os problemas, apesar do futebol indigente nas cinco partidas anteriores, ninguém sequer sonharia o pior dos pesadelos. Ou o mais perfeito devaneio para os alemães.

Sete a um em semifinal de Copa do Mundo, sobre o anfitrião e maior vencedor do torneio. 7 a 1, placar repetido tantas vezes nos últimos 364 dias. Jargão para criticar tudo em terras brasilis, desde o governo até o pãozinho na esquina. Ainda mais em tempos de redes sociais.

Naquele dia, o post para o blog foi produzido ao longo do segundo tempo. Porque os gols de Schurrle e o de Oscar foram quase irrelevantes após a avalanche dos quatro gols dos 22 aos 28 minutos da primeira etapa.

O que escrevi à época você lê AQUI. Mas agora cabem outras reflexões. Ou as mesmas, mais amadurecidas depois do choque. Sete lições que o Brasil deve levar de sua maior derrota para questionar sua escola, seu modus operandi, sua visão de mundo.

Não para copiar da Alemanha ou dos europeus - crítica xenofóbica de puristas, arrogantes, pachecos e/ou oportunistas que preferem entregar o duro revés ao acaso para negar ou não desvalorizar seu "produto". Também responsáveis pela tragédia.

A ideia é humildemente entender o que não funciona mais na nossa maneira de pensar e jogar e criar um jeito novo. Capaz de competir em alto nível. Mas ainda nosso. No campo. Com inteligência e sem a ingenuidade daquela tarde no Mineirão.

1 - Nunca mais confundir "modo aleatório" com garra

David Luiz saiu praticamente ileso das críticas, ao menos junto ao grande público, por ter lutado, se entregado e chorado na saída do campo. Pediu desculpas ao povo. Atitude louvável, honesta. Nós, latinos, apreciamos a lágrima, o passional, o peito aberto e o coração saindo pela boca.

Mas um pouco de inteligência emocional não faria mal nesta equação. Porque o zagueiro brasileiro, deslocado para o lado direito da zaga com a entrada de Dante na vaga de Thiago Silva, jogou de maneira completamente destrambelhada. Saía para dar bote na intermediária, avançava deixando a retaguarda ainda mais desprotegida. Posicionamento? Não havia calma para pensar nisso.

Há várias maneiras de tentar colaborar com o time e mostrar comprometimento em campo. David Luiz escolheu a menos inteligente.

2 - Tática e Estratégia vêm antes de questões periféricas

Os observadores Roque Júnior e Alexandre Gallo recomendaram a Felipão preencher mais o meio-campo brasileiro com Paulinho ao lado de Luiz Gustavo e Fernandinho para enfrentar Schweinsteiger, Khedira, Kroos, Muller e Ozil. Também aconselharam colocar velocidade na frente, com Willian no lugar de Fred. Mudar estratégia e taticamente para um 4-1-4-1.

Sem Thiago Silva e Neymar e com tanto em jogo, a torcida compreenderia uma maneira de jogar mais cuidadosa. Sem covardia, marcando e jogando. Do outro lado havia uma tricampeã mundial com uma das melhores gerações de sua história.

Luiz Felipe Scolari deu de ombros e preferiu ouvir sua intuição: Bernard, ídolo atleticano, "alegria nas pernas", na vaga do craque brasileiro. "Para cima deles!" Estádio lotado, atmosfera favorável. Questões periféricas tratadas como prioridades, esquecendo a essência: o jogo.

Não por culpa do jogador do Shakhtar Donetsk, mas a impressão era de que havia uma criança jogando no meio dos adultos. A ironia: o Felipão tantas vezes tachado de "retranqueiro", mesmo com o ataque mais positivo no título em 2002, pagou pela ousadia insana. Suicida.

3 - Meio-campo não pode ser abandonado

Mesmo com Maicon no lugar de Daniel Alves, a seleção manteve a ideia de jogo dos últimos 30 anos: volante "cão-de-guarda" para ajudar os zagueiros na cobertura dos laterais ofensivos. Ou seja, não marcam ninguém.

Questão matemática: linha de quatro atrás, um volante afundado junto aos zagueiros. Cinco jogadores. Mais quatro lá na frente - Bernard, Oscar, Hulk e Fred. Nove. Júlio César no gol. Dez.

Sobrou Fernandinho. Ou sobrou para ele. Sozinho no meio-campo. Pronto para levar botes seguidos de Khedira e Kroos e virar vilão. Sim, o volante do Manchester City falhou. Podia ter descomplicado na emergência com chutões, faltas, gritos com os companheiros. Mas também foi vítima de um esquema mal pensado, que despreza justamente o setor mais forte do adversário. O coração de qualquer time.

4 - A ilusão do centroavante estático

Fred dividiu opiniões no Mundial: era o "cone", apelido que ganhou dos críticos mais cruéis, ou refém de um time que criava pouco?

Eis a ilusão. Se o típico centroavante se enfia entre os zagueiros ele é referência para os companheiros de ataque, mas também para os adversários. Ele ocupa, quase parado, um espaço que outros poderiam preencher infiltrando em velocidade, como surpresa.

Normalmente é um bom finalizador. Como joga na zona de decisão, natural que faça mais gols que os companheiros e pareça ser peça fundamental. Engano. Porque o jogo coletivo pede participação, deslocamentos, abrir espaços. O que Fred fez na Copa das Confederações em cinco partidas, mesmo com uma costela fissurada. Artilheiro e destaque.

Fracassou um ano depois, também porque o nível dos adversários aumentou. "A bola não chegou" e se ela não chega o time joga com um a menos. No Mineirão, foi ainda mais triste ver Klose, seis anos mais velho que o camisa nove brasileiro, muito mais participativo e intenso para quebrar o recorde de gols de Ronaldo. Definitivamente, o centroavante "poste" ficou no passado.

5 - Depender do craque, mas nem tanto

Assunto batido e mais que debatido. Natural depender de Neymar nesta dura entressafra. Sem Kaká, Ronaldinho, Robinho, Diego ou Adriano para liderar a geração mais jovem.

O camisa dez é talento raro e solitário. Por isso foi deslocado da esquerda para o centro. Criar e finalizar. Liberdade total. Quase inútil sem um jogo coletivo que sustente e potencialize tanta qualidade.

O "bola no homem que ele resolve" agora funciona no último terço de campo, não em toda construção das jogadas. Falta espaço, sobra pressão. Dentro e fora de campo. Sobrou um joelho de Zuñiga que tirou o craque de combate e o Brasil do prumo. O "apagão" é falácia, mas a comoção por Neymar também é parte dos 7 a 1.

6 - Seleção é base, mas também momento

Em 2001, Felipão prometeu aos onze que venceram a Venezuela por 3 a 0 em São Luís e colocaram o Brasil no Mundial de Japão/Coréia do Sul que eles seriam convocados um ano depois.

Promessa cumprida, mas Edílson e Luizão, heróis nas Eliminatórias, viram do banco a epopéia dos Ronaldos e Rivaldo. Fidelidade, mas nem tanto.

O técnico exagerou em 2014. A amizade e a confiança que construíram a "Família Scolari" e ajudaram a liderar tantos outros elencos vencedores em clubes desta vez jogaram contra. Paulinho, sem chances no Tottenham, não tinha a mínima condição de iniciar como titular. O mesmo com Fred, "pré-convocado" em má fase no Fluminense e também Daniel Alves vivendo péssimo momento no Barcelona.

Em tempos de datas FIFA, seleção é base, trabalho de quatro anos. Mas também precisa ser momento. Como foi para Gilberto Silva e Kléberson, fundamentais em 2002. Doze anos depois, Maicon e Fernandinho não evitaram o pior.

7 - Esquecer tabus, tremedeiras, superstições

As seleções principais de Brasil e Alemanha, até então, haviam se enfrentado 21 vezes. Para um confronto entre dois gigantes do futebol mundial - presentes em 13 finais de Copas e fora das semifinais apenas na primeira edição, em 1930 - o retrospecto era surpreendente: 12 vitórias brasileiras, cinco empates, quatro derrotas.

Incluindo os 2 a 0 na decisão em 2002, 4 a 1 no Mundialito em 1981 e a última vitória, 3 a 2 na Copa das Confederações. Mesmo placar do amistoso em 2011, mas a favor dos alemães.

"Bobagem! Agora é Copa do Mundo, eles vão tremer de novo! Ainda mais contra a amarelinha e jogando em casa!" Tabu, superstição, mito. Tudo destroçado por contexto simples e cristalino: Alemanha completa e madura, com "casca" após tantos reveses; seleção brasileira jovem, desfalcada, mal armada e, por isso, com nervos em frangalhos.

O resto é história. Que talvez nunca mais se repita. Mas jamais pode ser esquecida. Por aqui não será, até pela última noite não dormida por causa do futebol.


E-mail: anunesrocha@gmail.com


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Grêmio de Roger Machado atualiza escola gaúcha com mobilidade, compactação e Douglas, a única peça 'retrô'

André Rocha

Roger Machado herdou o Grêmio de Luiz Felipe Scolari em maio prometendo resgatar agressividade e intensidade...do Grêmio multicampeão de Felipão nos anos 1990, no qual era o lateral-esquerdo.

Porque a escola gaúcha sempre foi intensa. Mas antes chamavam de "garra" ou "pelear". Ou nunca se entregar. Mas já era intensidade, com ritmo mais forte, mais argentino e uruguaio que do eixo Rio-São Paulo.

O novo técnico gremista, porém, não é, nem poderia ser, um saudosista. Está antenado e constrói aos poucos uma equipe compacta, reduzindo o campo a 30 metros. Também móvel, sem o típico centroavante. Sem o Jardel de Felipão.

Na frente está Luan, saindo para os flancos e abrindo espaços. Como no primeiro gol dos 3 a 1 sobre o Santos na Vila Belmiro que chegou a alçar o Grêmio à liderança do Brasileiro até o Atlético-MG atropelar o Internacional e tomar a dianteira.

Giuliano, meia do 4-2-3-1 que Roger manteve como sistema tático, sai da direita por dentro e abre o corredor para o lateral Rafael Galhardo, outro a crescer com Roger e compensar suas muitas dificuldades, especialmente na tomada de decisão.

Combinação óbvia, se Luan não se deslocasse e recebesse às costas da defesa, acelerando e servindo Pedro Rocha, que também fechou em diagonal da esquerda para não esvaziar a área adversária e aparecer para finalizar.

Reprodução PFC
Primeiro gol do Grêmio na Vila: Giuliano corta por dentro, Galhardo passa, Luan infiltra e serve Pedro Rocha que entra em diagonal.
Primeiro gol do Grêmio na Vila: Giuliano corta por dentro, Galhardo passa, Luan infiltra e serve Pedro Rocha que entra em diagonal.

Jogada bem pensada e executada, reflexo da superioridade da equipe gaúcha mesmo antes da polêmica expulsão do santista Geuvânio ainda no primeiro tempo. Do time que finalizou 16 vezes contra sete, mesmo com apenas 48% de posse. Mas 93% de aproveitamento nos passes.

Porque tem Douglas. Segundo Roger, o meia "que altera as velocidades do jogo". Dita o ritmo com a bola. Sem ela, descansa. Como Seedorf no Botafogo de Oswaldo de Oliveira em 2013 e Valdívia no Palmeiras de Gilson Kleina no ano passado. Luan compensa voltando para ajudar - do quarteto ofensivo, é quem mais desarma.

Reprodução PFC
Flagrante do Grêmio reduzindo o campo de ação do adversário e Luan participando da pressão no homem da bola enquanto Douglas fica livre no centro.
Flagrante do Grêmio reduzindo o campo de ação do adversário e Luan participando da pressão no homem da bola enquanto Douglas fica livre no centro.

Douglas corre menos que os demais, mas pensa o jogo. Precisa e tem velocidade ao seu redor, companheiros se movimentando e dando opções para a distribuição. Digamos que seja a única peça "retrô" neste Grêmio que se propõe a ser atual. Ainda assim, é mais participativo que em outras campanhas. Lembra o da arrancada em 2010 no próprio Grêmio, com Renato Gaúcho.

Agora é a vez de Roger, outro ídolo do clube. Recebeu o elenco tão criticado por Felipão, entendeu as dificuldades financeiras e trabalha com o que tem. Aos poucos vai atualizando a escola gaúcha.

Sem Maicon na Vila, usou Walace e Edinho. Volantes mais marcadores, porém incentivados e treinados para acertar o passe além de destruir. O primeiro é o melhor no fundamento, com 92% de aproveitamento. O segundo serviu Yure Mamute no terceiro gol.

Sinais de evolução do time que venceu nas últimas cinco rodadas, desde a derrota para o São Paulo. Em oito jogos, seis triunfos e o empate com o Goiás na estreia de Roger.

Equipe forte. Tipicamente gaúcha como a de Felipão há 20 anos, mas sem cruzar para Jardel. Bola no chão, no ritmo de Douglas. Ataque rápido e móvel, porém chegando em bloco, sem o típico contragolpe. Reduzindo o campo e tentando jogar em espaços curtos. Um raro indício de renovação no estagnado futebol brasileiro.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Roger manteve o 4-2-3-1 de Felipão, porém com mobilidade na frente e setores mais próximos - Luan volta para marcar e descansa Douglas.
Roger manteve o 4-2-3-1 de Felipão, porém com mobilidade na frente e setores mais próximos - Luan volta para marcar e descansa Douglas.

Como deve ser em 2015, que talvez não termine com a taça que o Grêmio não conquista desde 1996 - com Roger e Scolari. Mas que pode acabar bem melhor do que as previsões sombrias do início da temporada.

(Estatísticas: Footstats)


E-mail: anunesrocha@gmail.com


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A noite histórica que premia Chile de Sampaoli, do trabalho coletivo e nega taça a Messi, o gênio que não desequilibra

André Rocha

Havia muito em jogo no Estádio Nacional. Título inédito do Chile, em casa, ou fim do jejum de 22 anos da Argentina - seleção principal, não a olímpica papa-medalhas. Muitas responsabilidades, tensão à flor da pele.

Cenário que inviabilizou um jogo solto, aberto, recheado de gols e belas jogadas para compensar o decepcionante nível técnico do torneio. Disputa tática, como é o esporte em si. Melhor para a seleção de Jorge Sampaoli.

O plano era bem engendrado. Pressão com Alexis Sánchez, Valdívia e Vargas para abafar a saída de três argentina com os zagueiros e Mascherano. Quebrar o passe desde a defesa e dificultar a criação de Pastore, Di Maria e Messi.

O gênio argentino foi tratado como atacante, não ponta-meia. Com Aguero, era cuidado por Francisco Silva, novidade na escalação chilena e estreando na final, Medel pela esquerda e Marcelo Díáz fazendo sua função de volante/terceiro zagueiro liberando Isla e Beausejour como alas. Mas nem tanto.

Reprodução Sportv
Flagrante da recomposição chilena com Medel cuidando de Messi, Silva e Díaz com Aguero, Isla voltando com Di María, Vidal e Aránguiz com Pastore.
Flagrante da recomposição chilena com Medel cuidando de Messi, Silva e Díaz com Aguero, Isla voltando com Di María, Vidal e Aránguiz com Pastore.

Para não deixar espaços na entrada da própria área, Vidal e, principalmente, Aránguiz recuavam e protegiam a retaguarda. Bola roubada, saída em velocidade em busca de Valdívia para acionar Sánchez e Vargas infiltrando em diagonal entre Zabaleta-Demichelis ou Otamendi-Rojo.

Resultado prático no primeiro tempo: Argentina da posse de bola ao longo do torneio com apenas 48% e sentindo a ausência de Di Maria, que saiu lesionado para a entrada de Lavezzi - novamente faltou sorte ao meia-ponta que ficou fora da decisão da Copa do Mundo. O Chile finalizou cinco vezes contra duas - uma para cada lado no alvo. 17 desarmes certos contra 12. Nítida superioridade tática, marca chilena na Copa América.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Chile buscando Vargas e Alexis Sánchez em velocidade entre laterais e zagueiros da Argentina que foi melhor enquanto teve Di María pela esquerda.
Chile buscando Vargas e Alexis Sánchez em velocidade entre laterais e zagueiros da Argentina que foi melhor enquanto teve Di María pela esquerda.

Mudou pouco na segunda etapa. Gerardo Martino novamente foi conservador nas substituições: Aguero por Higuaín, Pastore por Banega. E Tevez condenado à reserva. Difícil entender um dos cinco melhores da última temporada europeia descartado desta forma. Ou só pode haver explicação em uma possível influência de Messi, que nunca foi amigo do ídolo de volta ao Boca Juniors, nas escolhas do treinador.

Higuain perdeu gol feito no Maracanã contra a Alemanha e no último lance do tempo normal em Santiago desperdiçou livre, ainda que o passe de Lavezzi em jogada de Messi não tenha sido dos mais precisos.

Sampaoli também não ficou atrás no pragmatismo de quem pela primeira vez não era o favorito. Trocou Valdívia por Matias Fernández e Vidal avançou pelo centro. A única mudança nos pimeiros 90 minutos. A rigor, uma única chance cristalina, com Sánchez.

Prorrogação com times exauridos pela alta intensidade e marcação adiantada e pressionada em vários momentos do jogo. Sampaoli trocou Vargas, artilheiro do torneio com Guerrero, por Henríquez. Desta vez não arriscou Pinilla. Ainda assim, terminou com 15 finalizações contra sete e subiu a posse para 53%. Mas só quatro conclusões na direção da meta de Romero. Falta contundência.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
As substituições conservadoras não mudaram os sistemas táticos, nem o cenário de uma decisão tensa, com muito em jogo.
As substituições conservadoras não mudaram os sistemas táticos, nem o cenário de uma decisão tensa, com muito em jogo.

Já Messi teve mais trinta minutos para, enfim, levar a albiceleste ao titulo desequilibrando em uma decisão. Novamente tentou organizar e criar. Lutou, isso é inegável. Mas também é pouco para o melhor de sua geração, dos mais geniais de todos os tempos que ganhará sua quinta Bola de Ouro pelo que fez no Barcelona na temporada.

Mas falhou. Um pouco mais de iniciativa, chama, aquela loucura narcisista que sobrava em Maradona para compensar as limitações dos compatriotas, em campo ou no comando. "É comigo!"

Não foi, embora Messi tenha sido o único argentino a converter seu pênalti. Higuaín isolou, com Tevez olhando do banco. Bravo defendeu a cobrança de Banega. Matias Fernández, Vidal, Aránguiz e Sánchez, com cavadinha, fizeram história.

Vitória do jogo coletivo. Que sofreu mesmo com o caminho facilitado pela tabela dirigida e alguns erros capitais da arbitragem. Mas na final o melhor futebol da competição igualou a disputa com a seleção mais talentosa do continente.

Quem achou que a Argentina sobraria pelos valores individuais ganhou uma aula grátis de que o futebol é essencialmente tático e o trabalho em equipe potencializa o talento.

O Chile teve alma e o abraço de seu povo. É a melhor geração do país. Mas, acima de tudo, foi um time. Campeão pela primeira vez.


E-mail: anunesrocha@gmail.com


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Tabela, arbitragens, pressão externa - tudo é discutível na campanha do Chile, menos o melhor futebol da Copa América

André Rocha

Os anfitriões da Copa América 2015 tiveram tabela dirigida para fugir de Argentina e Brasil. Poderiam ter evitado até o confronto com o Uruguai antes da decisão, se a Celeste não tivesse se classificado em terceiro no grupo mais difícil da primeira fase da Copa América, enquanto a Roja teve caminho bem mais tranqüilo contra Equador, Bolívia e México B.

Arbitragens mais que questionáveis nas quartas e na semifinal. Pressão externa, euforia, ambiente totalmente favorável. Talvez uma seleção mais fraca também chegasse à final.

Mas como joga o Chile de Jorge Sampaoli. Movimentação, troca inteligente de passes com alto nível técnico. Sempre propondo o jogo e buscando a superioridade numérica no setor onde está a bola. Ataque mais positivo com folga (13 gols), Só perde em posse de bola para a Argentina. O que temos de mais atual no futebol sul-americano, incluindo times e seleções.

No entanto,sofre. Porque corre riscos. O volume de jogo nem sempre se traduz em gols. É pouco para quem fica tanto com a bola, ataca com tanta gente e por isso expõe a última linha defensiva de baixa estatura e quase sempre adiantada.

O Peru lutou e foi organizado. Mesmo depois da expulsão do descontrolado zagueiro Zambrano aos 19 minutos do primeiro tempo. Até então era superior, com Farfán cabeceando na trave. Compactou linhas de quatro e deixou Guerrero à frente. Defendia pela esquerda com Vargas e Carrillo, ponteiro bem recuado para conter Isla e matar a profundidade do lado forte chileno.

Reprodução Sportv
Flagrante do Chile atacando com oito jogadores diante das linhas peruanas e Carrillo bem recuado para conter Isla.
Flagrante do Chile atacando com oito jogadores diante das linhas peruanas e Carrillo bem recuado para conter Isla.

Atacava à direita com Advíncula e Farfán, como no lance do gol contra de Medel. O empate na segunda etapa depois de Vargas, impedido, abrir o placar no primeiro tempo de 67% de posse chilena e dez finalizações contra três - mas só três no alvo contra duas peruanas. Novamente faltou eficiência nas conclusões aos donos da casa.

Para compensar o cerco a Isla, Vidal foi jogar aberto à direita para dar opção e deixar Vargas fazendo as diagonais a partir da direita. O mesmo para Sánchez do lado oposto. Desta vez Valdívia não foi tão brilhante.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Com um a menos, Peru plantou linhas de quatro, defendeu pela esquerda e atacou a direita um Chile pouco inspirado, mas ainda ofensivo.
Com um a menos, Peru plantou linhas de quatro, defendeu pela esquerda e atacou a direita um Chile pouco inspirado, mas ainda ofensivo.

Nem Vargas, apesar do belo chute com efeito que Gallese, mal colocado, aceitou. Quarto gol do artilheiro da Copa América, ultrapassando Vidal e Guerrero. Surpreendente para quem vinha de lesão grave e iniciou a competição na reserva de Beausejour.

Sampaoli, que escalou Rojas na vaga do suspenso Jara, retornou do intervalo com Mena no lugar de Albornoz e trocou Díaz por Pizarro para ocupar ainda mais o campo de ataque. No final, Felipe Gutiérrez à frente da defesa substituindo Valdívia para controlar o jogo tenso.

Porque o Peru de Ricardo Gareca não abdicou do ataque. Nem podia. Com apenas mais duas substituições por conta da troca forçada de Cueva por Christian Ramos para recompor a zaga, o técnico argentino mandou a campo Yotún e Pizarro nas vagas de Carrillo e Lobatón. Com dois atacantes enfiados, seguiu dando trabalho. Finalizou mais quatro vezes, subiu a posse para 35%. Pode reclamar da arbitragem hesitante do venezuelano José Argote.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Sampaoli apelou para uma formação mais conservadora nos últimos minutos para se defender do 4-3-2 peruano com Pizarro se juntando a Guerrero na frente
Sampaoli apelou para uma formação mais conservadora nos últimos minutos para se defender do 4-3-2 peruano com Pizarro se juntando a Guerrero na frente.

Mas, como previsto, o Chile estará na grande final de sábado no Estádio Nacional. É possível discutir tudo nesta campanha, menos que o melhor futebol desta edição do torneio continental foi praticado pela seleção de Jorge Sampaoli.


E-mail: anunesrocha@gmail.com


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Brasil ainda não entendeu a revolução Guardiola x Mourinho e precisa reaprender a jogar - nosso maior atraso é no campo

André Rocha

Catorze minutos de jogo em Concepción. A jogada começa pela esquerda com Filipe Luís, passa por Robinho, chega a Elias que aciona Daniel Alves. Firmino atrai a marcação paraguaia para a primeira trave e o lateral encontra Robinho infiltrando.

Gol na melhor jogada coletiva da seleção na Copa América. Uma prova de que não é preciso um combo de craques ou uma geração saturada de talento para fazer um belo trabalho em equipe. Nem precisou de Neymar.

Reprodução TV Globo
Jogada do gol brasileiro começou na esquerda com F. Luís e chegou a D. Alves do lado oposto até encontrar Robinho chegando de trás - jogo coletivo!
Jogada do gol brasileiro começou na esquerda com F. Luís e chegou a D. Alves do lado oposto até encontrar Robinho chegando de trás - jogo coletivo!

Os outros 89 minutos foram a prova da estagnação do futebol da seleção e no país. De novo o pragmatismo, mais uma vez o foco obsessivo no resultado que plantou a equipe na defesa, à espera do contragolpe que não veio. Aguardando no próprio campo o Paraguai que, mesmo sem ideias e talento, avançou pela esquerda com Benítez e aproveitou mais um toque de Thiago Silva com a mão na própria área para empatar e avançar nos pênaltis.

Sim, o zagueiro falhou novamente. Aumenta ainda mais a impressão de instabilidade emocional, evidente durante a Copa do Mundo. Mas se a seleção não tivesse abdicado de jogar a partir do próprio gol talvez a vaga na semifinal já estivesse garantida.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Seleção brasileira começou bem, com mobilidade e volume até abrir o placar, depois abdicou do jogo e o Paraguai cresceu pela esquerda com Benítez.
Seleção brasileira começou bem, com mobilidade e volume até abrir o placar, depois abdicou do jogo e o Paraguai cresceu pela esquerda com Benítez.

Dunga e sua visão monocromática do futebol têm enorme responsabilidade por mais esse fiasco brasileiro, que é não vencer porque não joga. Mas o técnico é parte de um problema maior: o atraso na concepção de futebol.

Aqui ainda acreditamos na fórmula de Zagallo, Parreira e Felipão. Os que venceram desde 1970. A velha máxima da escola brasileira de que se o grupo estiver unido e displicinado e a defesa organizada, o talento resolve na frente. Um jogo compartimentado, cheio de especialistas: o zagueiro "rebatedor", o volante "cão de guarda", o lateral "cruzador", o meia "de ligação" e o centroavante "o mais importante" - como na letra do Skank que também diz que "o meio-campo é o lugar dos craques".

Já foi. A construção do jogo brasileiro há algum tempo passa pelas laterais e chega com pressa ao ataque. Desde Jorginho e Branco a Bebeto e Romário, depois por Cafu e Roberto Carlos aos Ronaldos e Rivaldo. Hoje Daniel Alves a Neymar ou Robinho. Com lapsos de presença dos "segundos volantes": Dunga, Kleberson e Elias.

Não dá mais para ser assim. Porque o Brasil não entendeu a verdadeira revolução que o embate Guardiola x Mourinho e seus desdobramentos trouxeram ao futebol mundial nos últimos cinco anos.

Pep Guardiola iniciou o processo. Combinou conceitos de Johan Cruyff, Arrigo Sacchi, Marcelo Bielsa, Ricardo La Volpe, Juan Manuel Lillo e Van Gaal. Trouxe para o Século XXI as ideias de Rinus Michels: compactação, pressão, posse de bola, superioridade numérica. Seu Barcelona avançava para roubar a bola do adversário e recuava até o goleiro, se preciso fosse, para começar a atacar. Com jogadores talentosos e inteligentes como Xavi, Iniesta e Messi, virou o futebol mundial de pernas para o ar.

Mistura das escolas holandesa, italiana, espanhola e argentina. Brasil? Guardiola sempre se refere ao passado. O que ouviu de seus avós, o São Paulo de Telê Santana, o respeito por Pepe, seu ex-treinador. Depois que seu Barcelona triturou o Santos de Muricy Ramalho em 2011 foi respeitoso e gentil com o futebol cinco vezes campeão do mundo. Mas suas biografias mostram que a influência é zero.

A resposta de José Mourinho, então melhor técnico do mundo, foi dar inteligência à retranca. Não mais um amontoado de jogadores defendendo a própria área, mas duas linhas "chapadas", quase coladas como no handebol. Os quatro defensores muito próximos na compactação horizontal - distância lateral entre um jogador e seu companheiro - e os dois meias pelos flancos na segunda linha recuados impedindo a profundidade. Samuel Eto' surpreendeu o mundo como quase lateral pela Internazionale que superou o time de Guardiola.

Como? Com não mais que 35% de posse de bola, tornou o jogo ainda mais vertical. Passes rápidos e práticos, com pouca gente na frente para não desorganizar atrás. Jogando por uma bola, fosse no contragolpe ou nas jogadas aéreas, oportunidade para chegar no ataque com mais atletas.

Reprodução ESPN
Barcelona x Internazionale em 2010: No duelo entre Guardiola e Mourinho, 18 jogadores em vinte metros, linha de handebol italiana e Eto'o de lateral.
Barcelona x Internazionale em 2010: No duelo entre Guardiola e Mourinho, 18 jogadores em vinte metros, linha de handebol italiana e Eto'o de lateral.

Esse duelo que seguiu com Mourinho no Real Madrid fez o esporte muito mais complexo, avançou taticamente vinte anos em cinco. Acelerou processos. Reduziu o campo de jogo para não mais que trinta metros. Transformou definitivamente o futebol em uma disputa de espaços, no qual os números dos sistemas táticos se tornaram praticamente irrelevantes.

Um duro golpe no futebol brasileiro que sempre gostou de espaço para jogar e nunca deu muita pelota para o trabalho coletivo. Alguém marcava para um criar e outro resolver lá na frente. Zagueiros "fechando a casinha", encaixe na marcação, perseguições individuais e quem tivesse talento, ou o marcasse, vencia. O que era fórmula de sucesso virou a Idade da Pedra.

Quem sempre valorizou a tática do jogo percebeu mais rapidamente a metamorfose. Não por acaso a experiência mais bem sucedida por aqui tenha sido o Corinthians de Tite em 2012. Mesmo carregando conceitos enraizados como volante marcador e jogo pelas laterais, a compactação e a intensidade atualizadas foram suficientes para vencer a Libertadores e superar o Chelsea, mais frágil campeão europeu desde 2008.

Não foram acidentais os vexames de Internacional e Atlético Mineiro diante de Mazembe e Raja Casablanca. Ou o país fora das semifinais na última Libertadores. Um pouco de organização e conceitos atuais já são o suficiente para complicar o nosso jogo lento e baseado em individualidades.

O Brasil de Dunga em 2009/10 pegou o início da revolução, mas já sofreu contra a Holanda, berço de todas essas ideias, e viu algo diferente em Espanha e Alemanha. Em 2013, o contexto favorável de jogar em casa construiu com Felipão um jogo de "abafa" e contragolpes que derreteu no calor tropical as decadentes Itália e Espanha na Copa das Confederações.

Veio o choque de realidade no Mundial. Cinco atuações fracas, um espasmo contra a Colômbia e os 7 a 1. A desculpa foi o "apagão". A realidade, uma aula alemã de futebol coletivo, tático e inteligente, especialmente inspirado nas finalizações na segunda metade do primeiro tempo.

Dunga voltou. Ele que foi alçado a técnico em 2006 pela convicção de que teria faltado liderança para comandar os talentos na Copa da Alemanha. Com a negativa de Scolari para voltar a trabalhar com Ricardo Teixeira, chamaram o capitão de 1994. De novo a combinação disciplina-defesa-talento. Não basta mais.

O futebol brasileiro tem enormes problemas fora de campo. É óbvio e cristalino. A CBF comercializa a seleção e, para reforçar sua marca, despreza os clubes que padecem com administrações amadoras que explodem dívidas, não oferecem as melhores condições para seus profissionais e valoriza a base para exportação. Sem contar a corrupção cada vez mais explícita.

Também precisa de uma chacoalhada. Porque ser transparente, pagar em dia, dar ferramentas para o trabalho e planejar o futuro é o básico. Não exatamente uma condição para voltar a vencer. Porque ganhava antes, desde os tempos de João Havelange. E na Europa o futebol é tratado como negócio e com gestão há décadas. No campo, porém, o talento puro resolvia.

Ainda resolve e o Barcelona está aí para comprovar com seu trio sul-americano. Mas agora a qualidade técnica e o improviso são a diferença no terço final do campo, não mais a base que sustenta uma equipe.

Portugal e Argentina são provas de que sem trabalho coletivo Cristiano Ronaldo e Messi podem decidir eventualmente. Como Neymar na seleção cinco vezes campeã do mundo. Mas os títulos mais importantes ficam com Espanha e Alemanha - coletivas, com qualidade e entrosamento de uma base de um ou dois clubes.

Porque o futebol mudou. Fora, mas principalmente dentro de campo. Guardiola e Mourinho iniciaram e agora parecem reféns de suas fórmulas. Jupp Heynckes, Carlo Ancelotti e agora Luis Enrique aprimoraram, deram um passo adiante. Construíram times ainda mais inteligentes e adaptáveis ao contexto. Prontos para propor o jogo, trocar passes ou aniquilar os rivais em contragolpes ou bolas paradas.

E a gente aqui descascando batata no porão. Se o resultado é desconectado do desempenho, as derrotas deixam claro que algo precisa mudar.

A saída? No curto prazo não existe. A primeira solução é aceitar humildemente nossa inferioridade e se dispor a reaprender a jogar. Depois de sedimentados os conceitos básicos, resgatar o nosso jeito: drible, passe longo, intuição, invenção. Mas sem a correria, as ligações diretas e o jogo de muito suor e pouco raciocínio dos últimos tempos.

Há material humano para voltar a jogar bem. A geração não é das mais brilhantes, os jovens sofrem sem as referências que deviam ser Robinho, Kaká, Ronaldinho, Adriano, Diego e outros que por diferentes motivos não conseguem mais jogar em altíssimo nível como protagonistas para liderar Neymar e os que estão chegando. Ainda assim, há qualidade. É possível extrair bom futebol, o gol de Robinho sobre o Paraguai é uma prova. Mas agora só com conteúdo, conhecimento. Não mais o lampejo.

Dunga nunca foi a solução. Mesmo com onze vitórias seguidas. Nem parece disposto a mudar. Continua olhando para fora. Se acha perseguido, agora uma suposta virose vira muleta para a derrota. A nova versão do "apagão" que deve seguir enganando os incautos ou orgulhosos, que ainda creem que só com gestão fora de campo o Brasil voltará a dar as cartas no planeta bola.

Pode ser, mas é improvável. Estamos parados onde sempre resolvemos nossos muitos problemas: no campo. É enxergar isso e agir ou esperar o maior dos 7 a 1 que seria ficar fora de uma Copa do Mundo pela primeira vez.

Reuters
Carlo Ancelotti sorri após entrevista coletiva no Real Madrid
Carlo Ancelotti, desempregado, poderia ser uma alternativa para a transformação do futebol brasileiro via seleção.

Carlo Ancelotti e Jurgen Klopp estão desempregados, ao menos oficialmente. Pode ser um primeiro passo. Se é pedir demais da CBF pensar mais em futebol do que em política e negócios, basta lembrar que a camisa verde e amarela está perdendo valor de mercado.

Quem sabe assim acordam desse sono em berço esplêndido? Ou será eterno?


E-mail: anunesrocha@gmail.com


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Brasil ainda não entendeu a revolução Guardiola x Mourinho e precisa reaprender a jogar - nosso maior atraso é no campo

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O massacre argentino sem gols e o drama nos pênaltis contra Ospina e pouco mais da Colômbia mal escalada e covarde

André Rocha
ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Com James no centro do meio-campo, Messi saiu da direita para o meio e encontrou espaços entre as linhas para criar.
Com James no centro do meio-campo, Messi saiu da direita para o meio e encontrou espaços entre as linhas para criar.

Sem os volantes Sánchez, suspenso, e Valencia, lesionado, Jose Pekerman errou na formação inicial. Nem tanto pelo 4-4-2 ou por escalar Mejía e James Rodríguez no centro da segunda linha de quatro.

O pecado foi acreditar que com Arias plantado como lateral-zagueiro e Ibarbo voltando pela esquerda Messi ficaria encaixotado. Dois passos do argentino para dentro e abriu-se uma cratera às costas de James.

Reprodução Sportv
Messi recebe às costas de Arias e James, ganha de Mejía e arranca contra os zagueiros expostos - erro colombiano na escalação inicial.
Messi recebe às costas de Arias e James, ganha de Mejía e arranca contra os zagueiros expostos - erro colombiano na escalação inicial.

A Argentina deixou o corredor direito para Zabaleta e as aparições de Pastore. O lado forte era o esquerdo, com Rojo e Di Maria. Um massacre nos primeiros 23 minutos que obrigou Pekerman a corrigir o próprio erro.

Teo Gutiérrez foi sacrificado. Cardona entrou, adiantando James para se aproximar de Jackson Martinez, que entrou na vaga de Falcao. Com linhas mais compactas, defendeu melhor. Mas Messi e seus companheiros seguiram sobrando.

Nove finalizações a zero, além da posse de 64% no primeiro tempo. Massacre que Ospina evitou, especialmente na seqüência de defesas contra Aguero e Messi.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Colômbia mais compacta com Cardona no meio e James na ligação; Pastore e Zabaleta apareceram no corredor direito.
Colômbia mais compacta com Cardona no meio e James na ligação; Pastore e Zabaleta apareceram no corredor direito.

O goleiro colombiano seguiu salvando a Colômbia inócua e acuada na segunda etapa. Ainda foi feliz no chute de Banega no travessão e na conclusão de Otamendi em escanteio que o arqueiro tocou e ainda foi na trave. O grande nome do jogo, ao menos nos 90 minutos.

Messi se apresentou, driblou, criou. Desta vez assumiu a responsabilidade de liderar tecnicamente a albiceleste. Melhor atuação na Copa América. Mas havia Ospina e também Murillo, de atuação quase perfeita. No tempo normal.

A Colômbia só se apresentou no ataque e finalizou duas vezes nos últimos vinte minutos. Pekerman trocou Ibarbo por Muriel e Jackson por Falcao. Subiu pouco a posse para 38%. Mas sentiu demais a ausência de Sánchez. Também faltou mais de James. Covardia também no excesso de faltas: 21 contra 13. Nem sinal da consistência na vitória sobre o Brasil.

Gerardo Martino não foi menos conservador nas mudanças. Com tamanha superioridade, era possível ousar mais que trocar Pastore, Aguero e Di Maria por Banega, Tevez e Lavezzi. Mesmo concluindo só mais quatro vezes na segunda etapa, a vitória não veio por detalhes. Nos 90 minutos.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Com as mudanças, a Colômbia arriscou mais, porém seguiu sendo dominada pela Argentina com Banega, Tevez e Lavezzi no mesmo 4-3-3.
Com as mudanças, a Colômbia arriscou mais, porém seguiu sendo dominada pela Argentina com Banega, Tevez e Lavezzi no mesmo 4-3-3.

Na decisão por pênaltis, previsão de drama para os argentinos contra Ospina e 22 anos sem títulos. Mas Messi, Banega, Garay e Lavezzi acertaram e viram Muriel isolar bisonhamente. Na hora de definir, Biglia falhou. O primeiro de uma seqüência de três erros: Zuñiga, Rojo e Murillo.

Coube a Tevez, no dia da confirnação oficial de sua volta ao Boca Juniors, definir a classificação para a semifinal. Sofrimento que parecia improvável no primeiro tempo e uma tragédia anunciada nos penais. Por isso o futebol é tão apaixonante.

(Estatísticas: Footstats)


E-mail: anunesrocha@gmail.com


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