País da sauna, da educação e do ‘rei do futebol’: conheça a Finlândia, a estreante da Eurocopa

André Donke
André Donke
Sauna, Escola e Rei do futebol
Sauna, Escola e Rei do futebol Montagem ESPN

Até o momento, a Eurocopa de 2020 conhece apenas uma estreante. A Finlândia conseguiu sua primeira participação em um grande torneio (Euro ou Copa do Mundo) na história ao vencer Liechtenstein por 3 a 0 e confirmar a segunda posição do grupo que tem a Itália como líder. 

Com uma rodada por vir (Grécia, fora de casa), os finlandeses asseguraram a classificação com vitórias sobre Armênia (2), Liechtenstein (2) Bósnia e Herzegovina e Grécia e derrotas para Itália (2) e Bósnia e Herzegovina. 

Em um misto de sorte - pelo grupo tranquilo - e de competência – já que o grupo não era tão fácil assim para o seu padrão -, a Finlândia aproveitou-se de uma combinação de elementos para conseguir o feito memorável para o país de 5,5 milhões de habitantes. 

Finlândia se classifica à Euro de forma inédita, e Pukki estoura champagne no vestiário; veja a festa

“Deram sorte de a Euro ter aumentado de participantes (são 24 seleções desde a edição passada, contra 16 das anteriores) e de cair em um grupo acessível. A geração também é boa, está jogando bem e também está nadando um pouco na onda do Teemu Pukki”, contou o lateral-direito Rafinha, que está no futebol finlandês desde 2005 – apenas ficou fora entre 2011 e 2016, quando atuou pelo Gent, da Bélgica. Ele inclusive tem nacionalidade finlandesa. 

Pukki é inegavelmente um fator determinante para a campanha memorável da Finlândia. O melhor jogador e artilheiro da última segunda divisão inglesa pelo Norwich marcou nada menos do que nove dos 15 gols de sua seleção no grupo J – ou seja, 60% dos gols. 

Teemu Pukki é o artilheiro da Finlândia nas Eliminatórias da Eurocopa
Teemu Pukki é o artilheiro da Finlândia nas Eliminatórias da Eurocopa Getty Images

O atacante de 29 anos representa o grande nome desta geração, mas se engana quem pensa que ele seja o principal nome na história do futebol do país. Anos antes de o artilheiro balançar as redes, a Finlândia já tinha o seu próprio “rei do futebol”. 

“Claro que com as devidas proporções, o (Jari) Litmanen é aqui o que o Pelé é para o brasileiro. E aqui o apelido dele também é rei”, declarou Rafinha, de 37 anos. 

O ex-meia-atacante de 48 anos notabilizou-se por suas passagens pelo Ajax, sobretudo a primeira na década de 90. Pelo clube holandês, ele conquistou cinco títulos do Campeonato Holandês, três da Copa da Holanda, uma da Champions League, entre outros. Litmanen ainda teve um curto período no Barcelona e faturou uma Copa da Uefa com o Liverpool. 

Além de grandes conquistas, o ‘rei’ também colecionou diversas histórias. 

“Ele é bem legal, cheguei a jogar um ano com ele. Era até difícil na concentração, porque a gente brincava que tinha que deixar a porta um pouco fechada, porque se ele entrava, começava a contar as histórias do Ajax, do Barcelona. No começo a gente até gostava, mas, se deixasse, ele começava a contar, contar e contar e não parava mais. É um cara muito simples, muito legal e muito idolatrado”, declarou Rafinha, que atuou com Litmanen no HJK (seu time atual) em 2011. 

Jari Litmanen teve grande sucesso defendendo o Ajax
Jari Litmanen teve grande sucesso defendendo o Ajax Getty Images

Educação 

Fora do futebol, a Finlândia é conhecida por ser uma referência mundial em educação. De acordo com os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA, em inglês) de 2015, último a ter resultados disponíveis, os jovens de 15 anos da Finlândia tiveram o 13º melhor desempenho em matemática, quarto em leitura, quinto em ciências e sétimo em resolver problemas de forma coletiva entre os 73 países participantes. 

Além disso, o que chama atenção no método finlandês é ir na contramão do que é aplicado normalmente, tendo o foco, por exemplo, na redução de horas escolares e em aplicar o mínimo possível de tarefas de casa e provas, como aponta matéria da BBC de 2018. 

Finlândia tem um ensino escolar renomado mundialmente
Finlândia tem um ensino escolar renomado mundialmente Getty Images

O que torna ainda mais impressionante a situação da educação no país é o fato de que décadas atrás a situação era completamente oposta. Nos anos 1960, apenas 10% da população concluía o ensino secundário, como informa a matéria acima citada. Quanto ao momento atual, a revista Exame publicou em 2017 que 99% dos finlandeses concluíam o ensino médio, número que representava o melhor índice no mundo.

 “Tenho um filho de 11 anos e uma menina de 8. A partir do momento que entram em idade escolar, recebem material de graça, recebem uma refeição. Geralmente, você tem que estudar no bairro em que mora, então as escolas são perto. As crianças, devido à segurança, podem ir sozinhas para a escola caminhando, de bicicleta ou de ônibus, e é muito tranquilo e organizado. A educação é muito boa”, afirmou o brasileiro, que é casado com uma finlandesa.

Sauna

Outro aspecto característico – e bem curioso – a respeito do país é a quantidade de saunas. São quase três milhões, de acordo com dado do governo de 2017. Ou seja, há em média uma sauna para dois habitantes.

O local, aliás, tem influência há longa data na vida dos finlandeses. Rajaportti, a sauna pública mais antiga do país e que está na cidade de Tampere, foi aberta em 1906 e segue funcionando até os dias atuais.

Em matéria de 2013, a BBC apontou que o antigo presidente prêmio Nobel Martti Ahtisaari usava a sauna com fins diplomáticos. No período da Guerra Fria, Urho Kekkonen, que foi presidente por 26 anos, chegou a realizar negociações diplomáticas com os soviéticos na sauna da residência oficial.

“A sauna é uma coisa cotidiana da vida deles. Mesmo nos prédios que não tem a sauna dentro do apartamento ou da casa, com certeza no condomínio ou no prédio que você morar vai ter. Praticamente todos os dias eles vão para a sauna”, disse Rafinha, que pretende seguir no país europeu quando se aposentar do futebol até os filhos concluírem os estudos.

Há cerca de três milhões de saunas na Finlândia
Há cerca de três milhões de saunas na Finlândia Getty Images

Fonte: André Donke

Comentários

País da sauna, da educação e do ‘rei do futebol’: conheça a Finlândia, a estreante da Eurocopa

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Abdicando da bola e esbanjando precisão, Union Berlin supera ausência de craque para ser uma das sensações da Europa

André Donke
André Donke

O Union Berlin abre a 16ª rodada da Bundesliga, a penúltima do primeiro turno, como uma das sensações não só do campeonato como também do futebol europeu em 2020-21. A equipe recebe o Bayer Leverkusen no Stadion An der Alten Försterei, às 16h30 (de Brasília) desta sexta-feira.

Promovido à Bundesliga de forma inédita em 2018-19, o time da capital fez uma campanha honrosa em sua estreia na elite em 2019-20 com um 11º lugar, ficando à frente, por exemplo, dos tradicionais Schalke 04 e Werder Bremen.

Já na atual temporada, o desempenho é bem mais do que honroso. Os berlinenses aparecem no quinto lugar, abrindo a zona de classificação da Liga Europa, com três pontos de desvantagem para o Borussia Dortmund, que hoje fecha o grupo de classificados à Champions League.

Partindo de um ponto de vista mais cauteloso, são 14 pontos de vantagem para o Colônia, que hoje disputaria os playoffs contra o rebaixamento.

Jogadores do Union Berlin comemoram durante partida pela Bundesliga
Jogadores do Union Berlin comemoram durante partida pela Bundesliga Getty Images

Se este cenário não fosse por si só surpreendente, o Union Berlin tem mantido o alto nível mesmo sem o seu grande nome: Max Kruse. O atacante foi (e segue) desfalque por lesão nas últimas cinco rodadas, período em que a equipe somou duas vitórias (uma contra o Borussia Dortmund) e três empates (um deles com o Bayern de Munique).

Até antes de sua contusão, o camisa 10 era o líder em gols (seis) e assistências (cinco) do time no Alemão, participando diretamente de metade dos 22 gols que o Union havia marcado na competição. Contando também seu período de ausência, Kruse permanece como artilheiro do time na competição e é o segundo em assistências, atrás apenas de Christopher Trimmel, com seis.

Com ou sem Kruse, o ataque do clube berlinense segue brilhando e soma 31 gols, o que o faz ter a condição de segundo melhor nesta Bundesliga ao lado do Borussia Dortmund - só o atual octocampeão Bayern de Munique tem mais, com 46.

O que chama atenção no Union é o fato de conseguir este bom desempenho com baixos indíces de finalizações. A equipe é apenas a 11ª em conclusões, com 181 - o Borussia Dortmund aparece como líder no quesito, com 52 a mais. Porém, a sua eficiência é de se invejar. Ao todo, 40,9% das finalizações do time vão no alvo, o mesmo desempenho que o Bayern. Somente o Borussia Mönchengladbach tem um índice superior (41,3%).

Já na defesa, trata-se da quinta menos vazada, com apenas 20 gols sofridos, e o quarto time que menos concede finalizações ao adversário, com 155, ficando à frente do Bayern em ambos os pontos.

Além da precisão em suas conclusões e do sucesso defensivo, as estatísticas também evidenciam como o Union não é uma equipe que controla a bola. Os 43,6% representam a quarta pior marca na Bundesliga, enquanto os 8759 toques na bola fazem do clube o terceiro pior neste aspecto, à frente apenas do lanterna Mainz 05 (8700) e do Colônia (8626).

A equipe da capital ainda é vice-lanterna no aproveitamento de passes, com 74,7%, apenas 0,1% à frente do Mainz. A penúltima posição se dá também quando o assunto é dribles certos – os 95 representam um número superior apenas ao que o Werder Bremen conseguiu (92).

É assim que o time treinado desde o meio de 2018 pelo suíço Urs Fischer vai sendo uma das sensações do futebol europeu na temporada. Ainda que não pratique um jogo vistoso, o que atrai mesmo os olhares é a surpreendente história que vem escrevendo, apesar das adversidades.

 Time da segunda divisão busca classificação heroica no fim e elimina Bayern da Copa da Alemanha; veja

Comentários

Abdicando da bola e esbanjando precisão, Union Berlin supera ausência de craque para ser uma das sensações da Europa

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Na 8ª divisão, rival do Tottenham já teve técnico mais longevo que Ferguson e ‘lotará três vezes’ o estádio em jogo sem público

André Donke
André Donke

A Copa da Inglaterra é uma das competições mais charmosas do futebol, não apenas pelo fato de ser a mais antiga do mundo, como também por reunir os mais diversos times do país e com histórias das mais curiosas.

Um destes casos é o Marine FC, que vive a enorme expectativa de enfrentar o Tottenham neste domingo, pela terceira fase. Afinal, não é todo dia que uma equipe da oitava divisão encara um dos principais clubes da Terra da Rainha e vice-campeão europeu, isso após ter eliminado times de divisões acima - Colchester United (quarta) e Havant & Waterlooville (sexta divisão) - nas fases anteriores

Jovens torcedores do Marine posam para foto dias antes de jogo contra o Tottenham
Jovens torcedores do Marine posam para foto dias antes de jogo contra o Tottenham Getty Images

O clube do vilarejo de Crosby - a cerca de 10km de Liverpool - foi fundado em 1894, sendo batizado em homenagem ao hotel onde empresários e ex-estudantes universitários que formaram o time se conheceram. Atualmente, figura na sexta posição da Divisão 1 Norte Oeste da Northern Premier League, uma das ramificações do oitavo escalão nacional. São 15 pontos somados, um a menos do que o quinto colocado, que hoje disputaria um playoff pelo acesso, e sete a menos do que o líder da competição.

A empolgação para enfrentar os Spurs em uma campanha tão promissora fez o clube vender 10 mil ingressos para a partida (conforme anunciado pelo Marine neste sábado), mais do que o triplo do que cabe em seu estádio, a Marine Travel Arena, com capacidade para 3.185 (389 pessoas sentadas).

Apesar das vendas, não haverá torcedores nas arquibancadas devido à COVID-19. Os tickets no valor de 10 libras cada são apenas simbólicas entradas virtuais, com o intuito de ajudar o clube em um momento de impacto financeiro por conta da pandemia do coronavírus.

A alegria de estar sob as câmeras de todo o país por conta do confronto com o Tottenham acaba contrastando com a frustração pelo lucro que deixará de ter devido ao cenário imposto pela COVID-19.

O Marine falou em uma perda de "cerca de 100 mil libras em uma potencial receita, que é um golpe desastroso para o nosso clube de futebol. Isso foi agravado pela saída de um pacote de publicidade de 20 mil libras de um patrocinador para o jogo", diz nota no site oficial em 31 de dezembro, quando foi anunciada a ideia dos ingressos virtuais, que são na verdade rifas.

Lance de jogo entre Marine FC e Havant and Waterlooville, pela FA Cup
Lance de jogo entre Marine FC e Havant and Waterlooville, pela FA Cup Getty Images

Os prêmios? Ser técnico(a) em um amistoso do Marine na pré-temporada da próxima temporada; dois fins de semana para quatro pessoas em Liverpool, incluindo hotel e ingressos para jogos do Marine; dois tickets para a temporada inteira; uma camisa assinada.

Assim, o Marine tem despertado atenção nos últimos dias por conta da partida deste domingo. Porém, esta não foi a única vez em que o clube ganhou manchetes. Isso porque até já ganhou citação no Guinness.

Roly Howard comandou a equipe por 33 anos entre 1972 e 2004-05, somando 1975 partidas e sendo reconhecido pelo livro dos recordes como o treinador mais longevo em um clube na história. Porém, o registro seria superado em 2008, quando a FA confirmou que o recorde na Inglaterra era de Jimmy Davies, que se aposentaria em 2013, após 50 anos à frente do Waterloo Dock. Para efeito comparativo, Sir Alex Ferguson também deixou a carreira de treinador no mesmo 2013, após 27 anos seguidos no comando do Manchester United.

Neste domingo, o Marine não irá estabelecer um recorde para o Guinness, mas, ganhando ou perdendo, escreverá mais um capítulo memorável em sua centenária história.

Roly Howard em 1992
Roly Howard em 1992 Getty Images

Comentários

Na 8ª divisão, rival do Tottenham já teve técnico mais longevo que Ferguson e ‘lotará três vezes’ o estádio em jogo sem público

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Há um mês, Senegal perdia Papa Bouba Diop, o seu próprio Maradona

André Donke
André Donke

Em 2010, Senegal inaugurava o Monumento da Renascença Africana, na capital Dacar. Com custo de US$ 27 milhões à época e 49m de altura, a mais alta estátua do continente – e mais alta que o Cristo Redentor, por exemplo -, celebrava os 50 anos da independência do país.

A demonstração literal de grandeza de Senegal pode ter sido uma relembrança de algo que sequer havia deixado a memória da população. Melhor dizendo, algo que definitivamente jamais sairia dela.

Oito anos antes, Senegal chocou o planeta do futebol ao vencer a França logo em sua primeira partida em uma Copa do Mundo. Porém, a abertura da edição de 2002 era muito mais do que uma das grandes surpresas da história da competição. Era um pico na autoestima de um país que foi colonizado por séculos e conseguira 42 anos antes se tornar independente... justamente da França.

42 anos foi o período também que viveu o herói da batalha futebolística de Seul. Autor do gol da vitória senegalesa sobre os franceses em 31 de maio de 2002 na Coreia do Sul, Papa Bouba Diop morreu em 29 de novembro de 2020, enquanto o mundo ainda chorava a perda de outra figura lendária das Copas: Diego Armando Maradona, o grande nome do título argentino em 1986, em que teve atuação épica contra a Inglaterra nas quartas de final. Mais do que uma classificação, uma redenção de uma população ressentida pela Guerra das Malvinas ocorrida quatro anos antes.

As histórias, a vida e a carreira do ‘Dios’ do futebol são incomparavelmente maiores em relação às escritas por Papa Bouba Diop como atleta. Não há discussão em relação a isso, mas há quanto a outro aspecto.

“(O Papa Bouba Diop) representa para a autoestima de Senegal um sentimento de grandeza maior do que o Maradona representa para a Argentina. É que a gente está perto e tem mais notícias (da Argentina)”, analisa Odair Marques da Silva, autor do livro “Atlas Geocultural da África” e do site africaatual.com.br.

Papa Bouba Diop comemora após marcar por Senegal diante da França
Papa Bouba Diop comemora após marcar por Senegal diante da França Getty Images

Maradona derrotou a Inglaterra com a genialidade e malandragem para despertar um orgulho nacional que se misturou com a ânsia por sucesso esportivo de uma seleção que brigava pelo título.

Diop foi menos brilhante neste sentido. O gol da vitória foi na fase de grupos e para uma seleção que não brigaria pela taça, embora tenho ido até as quartas de final, igualando o melhor desempenho africano na história do torneio – Diop ainda anotou outros dois gols na competição e permanece como maior artilheiro senegalês em Copas do Mundo. Mas ele levou brilho a um país e a um continente que aprendeu a ser ofuscado pela história contada a partir dos europeus, como os franceses, que colonizaram cerca de 40% da África, como lembra Odair.

Para o autor, o gol de Diop, assim como a vitória de 2002, “transcende o Senegal e o futebol. É uma marca de autonomia, de independência, de força, de resistência e de vitória.”

“Ele significa a possibilidade de cada pessoa conquistar o sucesso, um sentimento de fortalecimento de identidade. Ele representa um pertencimento a um país que quer se afirmar no mundo”, declarou o autor, que ainda mencionou o crescimento de Senegal fora do futebol.

De acordo com relatório do World Bank em março deste ano, “a expansão econômica do Senegal vem acelerando e crescendo consistentemente acima de 6% ao ano desde 2014”. O país tem um plano de se tornar uma economia emergente em 2035.

"O Senegal está se aproximando da terceira década do século 21 com tremendas promessas e oportunidades", disse Nathan Belete, diretor do Banco Mundial para o Senegal, conforme apontado pelo relatório.

Na última semana, a DP World, empresa do ramo de operação portuária, informou que assinou um acordo com o governo do país africano para o desenvolvimento de um porto de águas profundas em Ndayane por um valor de US$ 1,127 bilhão, o que representa o maior valor da empresa no continente. A informação foi publicada pela agência Reuters.

Em meio a este crescimento econômico, Senegal voltaria à Copa do Mundo em 2018. A segunda participação dos Leões de Teranga, no entanto, foi bem menos promissora, com a queda em um grupo que tinha Colômbia, Japão e Polônia por conta da maior quantidade de cartões amarelos do que os asiáticos. A seleção foi treinada por Aliou Cissé, único técnico negro do último Mundial e que foi companheiro de Diop no elenco de 2002.

De qualquer forma, o momento do país é inegavelmente interessante no futebol. A seleção foi vice-campeã da Copa Africana de Nações de 2019, igualando a sua melhor campanha (2002). Além disso, já está classificada para a próxima edição e contando com Sadio Mané (astro do Liverpool  e um dos melhores atacantes do mundo), Kalidou Koulibaly (zagueiro do Napoli avaliado em 65 milhões de euros), Édouard Mendy (goleiro titular do Chelsea), entre outros atletas.

“Eu não creio que seja coincidência, uma influencia (questão) na outra”, opina Odair a respeito dos crescimentos de Senegal dentro e fora das quatro linhas.

O impacto que o futebol tem lhe dá muito poder sobre as pessoas. Um gol pode mudar o dia de alguém ou até a autoestima de um país inteiro. Bouba Diop, dono de um sorriso tão marcante, fez as lágrimas de alegria de 2002 virarem de tristeza em 2020.

“Estava sempre com um sorriso largo no rosto, sempre muito brincalhão, com essa lembrança que quero ficar dele”, conta Roger Guerreiro, que atuou com o ex-meio-campista no AEK Atenas em 2010-11, temporada em que foram campeões da Copa da Grécia.

Diop também ganhou a Copa da Inglaterra com o Portsmouth em 2007-08 e foi campeão suíço com o Grasshoppers em 2000-01, além de ter defendido clubes como Fulham, Lens, West Ham, entre outros. Pela seleção, foram mais de 60 partidas.

"Ele era muito patriota quanto à seleção, sentia um carinho muito grande por defender a seleção. Sempre falou que gostava muito de quando era convocado pela seleção", diz Roger, que hoje atua na várzea de São Paulo e conduz um projeto de treinamento de fundamentos para crianças e funcional com movimentos do futebol para adultos.

O carinho de Diop pelo seu país foi recíproco. O presidente do país, Macky Sall, afirmou que a perda era “imensa” e disse que um museu de um estádio para 50 mil pessoas que está sendo construído fora de Dakar levará o nome do ex-jogador, a quem foi destinada ainda uma premiação póstuma: a Ordem Nacional do Mérito.

"Saiba que você sempre permanecerá em nossos corações, ainda que tenha nos deixado sem dizer adeus", escreveu Sadio Mané, um dos diferentes nomes famosos que prestaram homenagem ao ex-meio-campista.

Talvez a partida sem uma despedida seja uma forma simbólica de Papa Bouba Diop mostrar que nunca tenha partido de fato. Seus quase 2m de altura não se aproximaram dos 49m do Monumento da Renascença Africana e seu futebol nunca se aproximou ao de Maradona, mas isso não o impediu de ser igualmente gigante para o seu país.



Comentários

Há um mês, Senegal perdia Papa Bouba Diop, o seu próprio Maradona

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

160 anos do Boxing Day: o que aconteceu com Sheffield FC e Hallam FC, que fizeram o primeiro jogo da história do futebol

André Donke
André Donke

Há exatos 160 anos, Sheffield FC e Hallam FC enfrentaram-se no estádio Sandygate no que é conhecido como o primeiro jogo da história do futebol.

Desde então, muita coisa mudou, inclusive o próprio conceito do jogo, uma vez que a partida foi disputa sob as ‘Regras de Sheffield’, que continham apenas alguns aspectos do futebol que é jogado atualmente. 

À época, a realidade do esporte era diferente não apenas por isso, considerando que o futebol não parecia ser algo de grande pretensão no momento de seu início. O livro “A Pirâmide Invertida: A História da Tática no Futebol” destaca que o Sheffield FC foi fundado em 24 de outubro de 1857 “inicialmente para que jogadores de críquete mantivessem a forma durante o inverno”. 

Assim, Nathaniel Creswick e William Prest possivelmente não tinham ideia do alcance que teria aquele esporte quando fundaram o Sheffield FC.  Aliás, talvez eles nem imaginassem que seu clube e o Hallam FC seguiriam ativos 160 anos após o fatídico jogo entre as equipes em 26 de dezembro de 1860, assim como o palco da partida vencida pelo Sheffield FC por 2 a 0 - o Sandygate permanece como o estádio mais antigo do mundo. Nenhum dos dois seguiu o caminho do profissionalismo, mas Sheffield FC e Hallam FC disputam ligas que estão englobadas na oitava e décima divisões do futebol inglês, respectivamente. 

“Nos primeiros anos, os dias de atletismo eram eventos maiores do que o futebol! Eu não acho que eles perceberam naquela época quão importante foi a invenção dos clubes de futebol e a que isso levaria, então, infelizmente, não houve muitas relíquias guardadas”, conta Andy Dixon, historiador do Sheffield FC, ao blog. 

Pode não haver objetos para exposição, mas o mais importante foi mantido: a memória do início do futebol. A existência de ambos os clubes até hoje é a prova disso, e eles fazem questão de manter viva a primeira página do esporte, tanto que costumam se enfrentar em amistosos de pré-temporada. 

Por falar em amistoso, um jogo recente foi outra prova de que os pioneiros do futebol seguem firmes em sua missão de manter viva a história. 

“Nosso maior público é de anos recentes, foi uma capacidade máxima em um amistoso contra o Sheffield United em 2019, que teve 1.080 torcedores se espremendo em Sandygate. Nossa média de público é 250. (O técnico) Chris Wilder trouxe um time forte que incluía novas contratações naquele momento: Lys Mousset e Ravel Morrison. Ídolos como Mark Duffy e Leon Clarke também jogaram pelos Blades”, diz Ian Jones, gerente de mídia do Hallam FC, ao blog. “O Hallam colocou um time forte contra a equipe da Premier League, mas perdeu por 3 a 0 no fim das contas graças a dois gols de Clarke e um de Mousset.” 

Ou seja, se você comemora o fato de poder assistir a quatro partidas na ESPN Brasil da Premier League neste sábado de Boxing Day, inclusive com o Sheffield United em campo, não esqueça de agradecer ao Sheffield FC e ao Hallam FC. 

Hallam FC e Sheffield FC
Hallam FC e Sheffield FC Getty Images - Montagem ESPN

Confira abaixo entrevistas com Andy Dixon (Sheffield FC) e Ian Jones (Hallam FC): 

O profissionalismo nunca foi uma questão? Por quê? 

Hallam FC (Ian Jones): A principal razão para o clube não ter ido ao profissionalismo nos anos 1880 e 1890, quando muitos clubes foram, era a falta de finanças. Era muito caro para se tornar profissional e o clube não tinha fundos o suficiente. 

Sheffield FC (Andy Dixon): Até onde eu sei, isso só foi seriamente discutido em 1889. A direção votou contra isso naquele momento, porque o espírito do Sheffield Football Club é jogar pelo amor ao futebol, e os membros foram fortemente contra o profissionalismo. O ano de 1889 foi, claro, o que o Sheffield United se formou, então talvez se a votação tivesse sido diferente, nós seríamos o time da Premier League agora! Acho que a história do nosso clube é mais especial porque permanecemos fiéis às nossas raízes. 

Quais memórias foram preservadas dos primeiros dias e especificamente do primeiro jogo da história? Há fotos ou qualquer objeto de 26 de dezembro de 1860? 

Hallam FC (Ian Jones): Não do primeiro dérbi de todos, mas o troféu mais velho do mundo, o Youdan Cup, que foi jogado pela primeira vez em 1867, ainda existe e está situado não muito longe no Bramall Lane, a casa do Sheffield United. É muito caro, não é seguro manter em Sandygate! 

Pontos interessantes sobre o jogo são as “regras do dérbi”. Isso é devido ao fato de que o jogo foi disputado sob o que são comumente chamadas de “Regras de Sheffield” de 1858, das quais muitas ainda seguem usadas no jogo moderno. Os gols costumavam ser duas traves sem um travessão, e os times eram permitidos a mais do que 11 jogadores, com outros jogadores permitidos a usarem suas mãos, não apenas os goleiros. 

Time do Hallam FC em 1910
Time do Hallam FC em 1910 Hallam FC/Divulgação

Sheffield FC (Andy Dixon): A primeira lembrança do clube é um troféu, de antes de 1860, quando o primeiro jogo entre clubes foi disputado contra o Hallam. Na verdade é para o dia de atletismo do clube, mas é a taça mais velha no mundo que diz: ‘football club’ nela, e é muito especial para nós. Nos primeiros anos, os dias de atletismo eram eventos maiores do que o futebol! Eu não acho que eles perceberam naquela época quão importante foi a invenção dos clubes de futebol e a que isso levaria, então, infelizmente, não houve muitas relíquias guardadas. 

Há familiares dos fundadores e dos primeiros times que seguem ligados ao clube nos dias de hoje? Há algum jogador famoso ligado ao clube? 

Hallam FC (Ian Jones): Infelizmente não do elenco original, mas temos uma grande comunidade de ex-jogadores, técnicos e voluntários que ainda estão envolvidos com o clube de diferentes formas, ou ainda vêm para nos ver jogar. Uma vez que você se junta ao Hallam FC, não importa em qual função, você se torna parte da família para a vida, assim como sua família e amigos. 

Temos alguns jogadores e autoridades famosas ligadas ao clube. Chris Waddle, do Tottenham e da seleção inglesa, jogou pelo clube, assim como ajudou o clube nos bastidores em várias ocasiões. Ele é um fã que assiste a nossos jogos em casa. Seu filho Jack jogou no meio-campo de nosso clube por algumas temporadas. Além disso, o presidente vitalício do clube é Uriah Rennie, que foi o primeiro árbitro negro na Premier League e também apitou na Copa do Mundo. 

Temos muitos amigos na comunidade do futebol que apoiaram o clube de diferentes formas, como Chris Wilder, Nigel Worthington e até mesmo Juan Sebastián Verón! 

Uriah Rennie, presidente vitalício do Hallam FC
Uriah Rennie, presidente vitalício do Hallam FC Getty Images

Sheffield FC (Andy Dixon): Estamos cientes de alguns descendentes dos fundadores, mas ninguém segue ligado ao clube. Tivemos alguns jogadores que passaram a jogar profissionalmente ao longo dos anos e representantes da Inglaterra em alguns dos primeiros jogos internacionais, mas acho que a maioria dos torcedores não deve ter ouvido falar. Chris Waddle vestiu nossas cores em um amistoso, e Emlyn Hughes, que foi capitão do Liverpool e da Inglaterra, jogou por nós na partida de nosso aniversário de 125 anos contra o Manchester United! 

Vocês mantêm contato com o Sheffield FC/Hallam FC? 

Hallam FC (Ian Jones): Sim, nós mantemos. Temos uma rivalidade muito amigável e tentamos sustentá-la todo ano tendo um ‘dérbi’ durante a pré-temporada. Infelizmente por conta da COVID-19, um calendário cheio e a falta de tempo nesta temporada não foi o caso neste ano. Por conta da proximidade dos clubes geograficamente e a proximidade no sistema do futebol inglês, há muitos jogadores que deixam um clube para se juntar ao outro, então devemos manter essa amizade e compreensão. 

Nosso último dérbi foi disputado na casa do Sheffield FC, como nosso primeiro jogo da pré-temporada de 2019-20. O Sheffield FC venceu por 4 a 0 na ocasião. Tomara que nós estejamos aptos a retornar à normalidade para o começo da nossa temporada e conseguir ter um jogo. Somos um time muito mais forte agora, então eu gostaria de pensar que o jogo seria muito mais competitivo. 

Ambos os clubes sentem muito orgulho de nossa história, tanto coletiva quanto individualmente. Todos voluntários e membros do comitê sabem da importância de seus papéis. Somos guardiões da história do futebol. É nossa responsabilidade olhar e cuidar dela, para que a história do jogo continue por muitos anos. Eles são o clube mais antigo, e nós temos o campo mais antigo, respectivamente, e devemos manter isso para as gerações futuras, não só na Inglaterra, mas ao redor do mundo. 

Sheffield FC (Andy Dixon): Ao longo dos anos, frequentemente estivemos na mesma liga que o Hallam, embora já não seja há algum tempo. Eles estão atualmente duas divisões abaixo de nós, mas tentamos jogar uma partida toda pré-temporada, o que é normalmente mais competitivo do que um amistoso normal. 

Porém, talvez nem sempre foi o caso de os clubes se darem bem. O Hallam foi fundado por ex-membros do Sheffield FC, com uma ideia de que havia uma discussão levando-os a formar o clube rival! O relatório do primeiro jogo da história diz que foi disputado em bom espírito, mas em um jogo alguns anos mais tarde ocorreu uma briga entre um jogador do Hallam e Nathaniel Creswick, um dos fundadores do Sheffield FC! Felizmente, parece que seguimos em frente e hoje temos um bom relacionamento com nossos rivais mais antigos! 

Quais são os objetivos do clube para os próximos anos? 

Hallam FC (Ian Jones): O objetivo é seguir crescendo dentro e fora do campo. Seguimos com uma boa chance de promoção nesta temporada, que é o que o técnico e os jogadores estão buscando. Fora do campo, continuamos a olhar para novas formas de trazer dinheiro ao clube. Alugando nossas instalações, por exemplo, expandindo nossas mercadorias, o que temos feito ao longo do ano. Nós também fazemos muito pela comunidade, como juntar 2,5 mil libras para o hospital de crianças local. Somos um clube de futebol da comunidade e é muito importante a continuar a fazer tais coisas. 

Sheffield FC (Andy Dixon): Obviamente, queremos ver o time jogando no nível mais alto possível, mas os objetivos sempre seguem em manter o clube vivo e aproveitar o jogo. No momento, nosso estádio fica próximo a Sheffield e esperamos mudar para um novo estádio na cidade nos próximos anos. Temos um lugar e um plano para fazer isso, então estamos trabalhando duro para fazer isso acontecer. Depois disso, veremos, eu acho! 

Estádio do Sheffield FC em 2007
Estádio do Sheffield FC em 2007 Getty Images

Você poderia contar alguma anedota da história do clube? 

Hallam FC (Ian Jones): Nosso maior público é de anos recentes, foi uma capacidade máxima em um amistoso contra o Sheffield United em 2019, que teve 1.080 torcedores se espremendo em Sandygate. Nossa média de público é 250. Chris Wilder trouxe um time forte que incluía novas contratações naquele momento: Lys Mousset e Ravel Morrison. Ídolos como Mark Duffy e Leon Clarke também jogaram pelos Blades. 

O Hallam colocou um time forte contra a equipe da Premier League, mas perdeu por 3 a 0 no fim das contas graças a dois gols de Clarke e um de Mousset. 

Sheffield FC (Andy Dixon): Há muitas ao longo dos anos. Eu amo a história do nosso atacante nos anos 1950 que costumava jogar com uma dentadura postiça com um lenço enrolado na mão! Isso certamente não o atrapalhou, porque continua sendo nosso maior artilheiro da história! Nos primeiros dias, eu amo a história que jogadores costumavam a disputar partidas com uma moeda em suas mãos para impedi-los de pegar a bola, como muitos costumavam fazer nas várias formas de ‘futebol’ que jogavam na escola. Se eles pegassem a bola, perderiam a moeda que estavam segurando, e se sabe que em Yorkshire não gostamos de dar dinheiro facilmente. Quem sabe, talvez tenha sido a regra mais importante para fazer do futebol o jogo de chute que é hoje?! 

A Ordem de Mérito da Fifa tem um lugar especial no clube (Sheffield FC)? 

Sheffield FC (Andy Dixon): Definitvamente, sim. Para um clube do nosso tamanho ser um dos dois a ter esse prêmio, ao lado do poderoso Real Madrid, é incrível, e temos muito orgulho disso. Sabemos a importância do Sheffield FC para a história do mundo do futebol, então ser reconhecido por isso pela Fifa foi incrível. No momento, não temos realmente onde exibi-lo, mas esperamos que possamos ter um museu ou possamos nos mudar a um novo estádio onde isso terá um lugar de destaque.

Comentários

160 anos do Boxing Day: o que aconteceu com Sheffield FC e Hallam FC, que fizeram o primeiro jogo da história do futebol

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

PSG x Istanbul Basaksehir é muito maior que o possível último Messi x Ronaldo

André Donke
André Donke

No dia em que talvez pudéssemos ver o último Lionel Messi x Cristiano Ronaldo da história e uma ‘final’ entre RB Leipzig e Manchester United, a atenção para Paris Saint-Germain x Istanbul Basaksehir estava, naturalmente, comprometida.

Mas quando a bola parou de rolar no Parque dos Príncipes foi que o futebol deu o recado de que ele é maior e vai mais além do que o talento dos dois maiores nomes desta geração juntos.

O futebol, em sua essência, não é apenas democrático e pluralista. O futebol tem que atuar como ferramenta a favor de um mundo mais democrático e pluralista e que luta para acabar com qualquer forma de intolerância.

Gol é retirado após adiatamento da partida entre PSG e Istanbul Basaksehir
Gol é retirado após adiatamento da partida entre PSG e Istanbul Basaksehir Getty Images

Parar uma partida pela acusação de um ato racista e ir para o vestiário é algo que, infelizmente, já deveria ter acontecido antes. Infelizmente pela recorrência de atos preconceituosos em um mundo que nega isso; infelizmente também por omissão de quem manda no futebol.

Aconteceu hoje, no mesmo dia em que Cristiano Ronaldo e Lionel Messi estavam se enfrentando simultaneamente a centenas de quilômetros de distância. E nem mesmo a genialidade dos dois juntos é tão incisiva quanto um papel que o futebol pode e deve ocupar contra as intolerâncias.

O futebol é talvez uma das poucas coisas que pode ser considerada de fato para todos. É por isso que deve atuar de forma muito mais enfática por um mundo que seja mais de todos.

Breiller diz que Demba Ba foi 'didático' e fala em dia histórico: 'Precisamos tratar a revolta como necessária'


Comentários

PSG x Istanbul Basaksehir é muito maior que o possível último Messi x Ronaldo

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Monaco reencontra o PSG com apenas um dos 29 jogadores que entraram em campo na conquista do Francês há 3 anos

André Donke
André Donke

O Paris Saint-Germain visita nesta sexta-feira o Monaco, o único clube que conseguiu desbancá-lo no Campeonato Francês nos últimos oito anos. Na temporada 2016-17, o time de Leonardo Jardim foi à semifinal da Champions League e conquistou a Ligue 1, feitos que surpreendem tanto quanto a profundidade e a rapidez com que esse elenco foi desmontado.

Evidentemente que uma campanha como essas atrai o interesse de muitos gigantes europeus em seus jogadores, ainda mais os jovens promissores, como eram os casos de Kylian Mbappé, Bernardo Silva e Fabinho.

Porém, apesar desta consideração, chama muita atenção o fato de que dos 29 jogadores que entraram em campo em ao menos um minuto naquela edição do Campeonato Francês pelo Monaco somente permaneça o lateral-direito Djibril Sidibé, que era titular naquela equipe e voltou nesta temporada após ter sido emprestado ao Everton. O atleta foi titular em quatro de dez partidas da atual edição do Francês. Além dele, Jorge e Loic Badiashile estão emprestados a outros clubes.

Com isso, há, por exemplo, mais atletas do Monaco campeão em 2016-17 no PSG do que no próprio Monaco – além de Mbappé, o zagueiro Abdou Dialló também defende os parisienses atualmente. O mesmo vale para o Manchester City, que conta com Benjamin Mendy e Bernardo Silva.

O nome mais recente a ter deixado o clube em relação ao elenco campeão foi o zagueiro Jemerson, que foi o quarto com mais minutos disputados pela equipe monegasca na Ligue 2016-17 e acertou com o Corinthians neste mês.

As mudanças também se deram no banco de reservas. Leonardo Jardim até levaria a equipe ao vice em 2017-18, mas seria demitido no começo da campanha seguinte após um início ruim. Thierry Henry ficou só 20 jogos, e o próprio Jardim voltou para o comando da equipe que terminou em 17º, uma posição e dois pontos acima do Dijon, que jogou um playoff para evitar a queda.

Jardim não terminou a temporada seguinte (2019-20), e Robert Moreno só ficou até o final dela, que teve um modesto nono lugar. Para a atual campanha, o clube contratou Niko Kovac, ex-técnico do Bayern de Munique, que vê o time chegar na 11ª rodada na sexta colocação com 17 pontos, dois a menos do que o vice-líder Lille.

Com chances de dormir na segunda posição, o Monaco terá de vencer o PSG, que não perde para o rival desde a temporada em que foi destronado por ele. Após um 3 a 1 do time do Principado por 3 a 1 em agosto de 2016, pela Ligue 1, foram 12 jogos, com dez vitórias dos parisienses e dois empates.

Jogadores do Monaco comemoram título do Campeonato Francês de 2016-17
Jogadores do Monaco comemoram título do Campeonato Francês de 2016-17 Getty Images

Veja quem eram, quantos minutos disputaram e onde estão hoje os jogadores campeões franceses pelo Monaco em 2016-17:

Kamil Glik (Benevento) - 3240 minutos

Danijel Subasic (sem clube) - 3240 minutos

Fabinho (Liverpool) - 3070 minutos

Jemerson (Corinthians) - 3058 minutos

Bernardo Silva (Manchester City) - 2800 minutos

Thomas Lemar (Atlético de Madrid) - 2611 minutos

Djibril Sidibé (Monaco) - 2321 minutos

Valère Germain (Olympique de Marselha) - 2240 minutos

Tiemoué Bakayoko (Napoli) - 2220 minutos

Benjamin Mendy (Manchester City) - 2061 minutos

Falcao García (Galatasaray) - 1938 minutos

João Moutinho (Wolverhampton) - 1766 minutos

Kylian Mbappé (PSG) - 1499 minutos

Almamy Touré (Eintracht Frankfurt) - 1082 minutos

Andrea Raggi (sem clube) - 968 minutos

Nabil Dirar (Fenerbahce) - 864 minutos

Guido Carrillo (Elche) - 584 minutos

Gabriel Boschilia (Internacional) - 435 minutos

Abdou Diallo (PSG) - 386 minutos

Kévin N'Doram (Metz) - 319 minutos

Adama Traoré (Hatayspor) - 280 minutos

Corentin Jean (Lens) - 100 minutos

Ivan Cavaleiro (Fulham) - 97 minutos

Morgan De Sanctis (aposentado) - 90 minutos

Jorge (Basel) - 90 minutos*

Marcel Tisserand (Fenerbahce) -  90 minutos

Seydou Sy (sem clube) - 45 minutos

Loic Badiashile (Las Rozas) - 44 minutos*

Irvin Cardona (Brest) - 16 minutos

*Jogadores atualmente emprestados pelo Monaco

Comentários

Monaco reencontra o PSG com apenas um dos 29 jogadores que entraram em campo na conquista do Francês há 3 anos

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Volte com a máscara, Aubameyang!

André Donke
André Donke

Toni Kroos é brilhante dentro de campo e tem uma precisão com a bola nos pés impressionante, mas nos microfones deu uma bola fora.

"Quando há uma dança ou uma coreografia ensaiada, eu acho isso muito bobo. Ou ainda pior, quando há algum objeto escondido. Aubameyang uma vez celebrou e tirou uma máscara. Também não acho que seja um bom modelo a seguir. Que bobeira", disse o alemão em entrevista ao podcast Einfach mal Luppen.

O alemão tem todo o direito de não gostar de brincadeiras em comemorações e até de achar bobo, mas falar que não é um “bom modelo” já é exagero.

O profissionalismo de quem joga, e joga tão bem quanto Kroos, não impede que ele lembre que está também no esporte que traz uma das grandes alegrias e inspirações a muitas pessoas, inclusive crianças que, por sinal, normalmente adoram super-heróis, os homenageados de Aubameyang quando decide usar a máscara.

Quem nunca imitou uma comemoração de uma jogadora ou um jogador famoso ao fazer um gol na vida?

“O Toni Kroos tem filhos? Apenas para lembrar que eu fiz isso para o meu filho algumas vezes e eu farei de novo”, respondeu Aubameyang em sua conta no Twitter.

Por favor, Auba, faça de novo.

Observação: Só para não passar batido, Toni Kroos também fez um golaço na mesma entrevista ao criticar a ideia da criação de uma Superliga Europeia, um projeto que busca uma liga com apenas os principais clubes dos principais campeonatos nacionais do continente. Além de concordar com o posicionamento dele, acho fundamental os jogadores se manifestarem nestes tipos de assunto publicamente.

Aubameyang comemora gol marcado pelo Borussia Dortmund com uma máscara
Aubameyang comemora gol marcado pelo Borussia Dortmund com uma máscara Getty
Comentários

Volte com a máscara, Aubameyang!

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Trio da seleção italiana e melhor ataque: como Sassuolo surpreende e pode virar líder da Série A nesta sexta

André Donke
André Donke

É bem verdade que foram disputadas apenas seis das 38 rodadas do Campeonato Italiano, mas olhar a classificação e ver o Sassuolo na segunda colocação (um ponto atrás do Milan) não deixa de ser uma surpresa. Ainda mais com uma campanha invicta de quatro vitórias e dois empates em seis jogos, com o melhor ataque isolado da competição (18 gols) e com a chance de dormir na liderança nesta sexta-feira. Para isso, basta vencer a vice-lanterna Udinese em casa.

Um bom reflexo do grande momento da equipe – e especificamente do seu setor ofensivo - é o fato de os atacantes Francesco Caputo e Domenico Berardi terem feito parte da seleção italiana na última Data Fifa.

O primeiro é um jogador de 33 anos que chegou ao clube em 2019 e anotou 21 gols e sete assistências na Série A em 2019-20 e tem cinco gols em cinco partidas na atual edição, além de passes para outros dois. Já o segundo nome foi o terceiro principal garçom do último Italiano com dez assistências, além de ter feito 14 gols. Na atual campanha, o atleta de 26 anos revelado pelo próprio clube soma três gols e duas assistências.

Além deles, outro nome de seleção italiana é o meio-campista Manuel Locatelli, de 22 anos, que é avaliado em 30 milhões de euros pelo site Transfermarkt, sendo o mais caro do elenco. Nesta Série A, ele é quem mais tocou na bola (646 vezes), é o segundo em desarmes (14), o sétimo em recuperações de bola (41) e segundo em passes completos (469). Na última edição, Locatelli já tinha sido o quarto em toques na bola (2663) e o líder em desarmes (50).

Manuel Locatelli (à esq.) comemora após marcar pelo Sassuolo diante do Napoli
Manuel Locatelli (à esq.) comemora após marcar pelo Sassuolo diante do Napoli Getty Images

Outro nome do elenco que chama atenção pelos números é Jérémie Boga, atacante de 23 anos avaliado em 25 milhões de euros e que foi contratado por 3 milhões de euros em 2018 junto ao Chelsea, clube pelo qual fez uma única partida pelo time principal. No último Italiano, ele marcou 11 gols e foi disparadamente o líder em dribles certos, com 132 - 39 a mais do que i segundo colocado Gaetano Castrovilli.

Além dos destaques individuais e dos números ofensivos, outro aspecto que explica o grande início do Sassulo é a tabela, sendo que o único time entre os principais do país na atualidade que enfrentou (e venceu) foi o Napoli. O clube ainda terá de jogar – duas vezes - com Milan, Internazionale, Juventus, Atalanta, Lazio, Roma, Fiorentina e Lazio.

De qualquer forma, isso não diminui o ótimo início de temporada do Sassuolo, que na verdade vive um bom momento não é de hoje. Para um clube que chegou à elite de forma inédita em 2013, ter se mantido na elite desse então é um feito notável. Além disso, o time conseguiu um sexto lugar em 2015-16 e uma classificação à Liga Europa e ainda terminou o último Italiano em oitavo. Desde 2018, a equipe é treinada por Roberto De Zerbi, de 41 anos.

Para efeito comparativo, o time somou 12 pontos nas seis primeiras rodadas em 2015-16, duas unidades a menos do que tem até o momento em 2020-21. Mais um motivo para encher o torcedor de esperança quanto a uma nova grande campanha na Série A.

Veja os resultados da equipe no Campeonato Italiano: 

Sassuolo 1 x 1 Cagliari 

Spezia 1 x 4 Sassuolo 

Sassuolo 4 x 1 Crotone 

Bologna 3 x 4 Sassuolo 

Sassuolo 3 x 3 Torino 

Napoli 0 x 2 Sassuolo

Comentários

Trio da seleção italiana e melhor ataque: como Sassuolo surpreende e pode virar líder da Série A nesta sexta

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

GOAT! Bode mais famoso do futebol está na 9ª geração e apoia Colônia na Bundesliga até do zoológico

André Donke
André Donke

Nos últimos anos, o termo ‘GOAT’ (abreviação para greatest of all time – melhor de todos os tempos, em inglês) se popularizou em modalidades esportivas. As mais diversas opiniões fazem com que o termo cause inúmeras discussões e divergências. Mas o futebol tem incontestavelmente um GOAT, e não é Pelé, Maradona, Messi ou Cristiano Ronaldo. 

O GOAT vem da Alemanha, e é literalmente GOAT...De bode, em inglês.

Hennes IX durante partida do Colônia
Hennes IX durante partida do Colônia Getty Images

Um dos mascotes mais populares da Alemanha, o Hennes IX dá sequência a uma tradição que começou em 13 de fevereiro 1950, quando os donos do Circo Williams deram o animal ao clube que completava dois anos de existência. Ele acabou batizado em homenagem ao então jogador/treinador do time, Hennes Weisweiler, e é tão ligado ao clube, que inclusive faz parte do escudo.

A primeira versão do mascote ficou no 'cargo' até 1966 e viu de perto o Colônia ganhar os dois primeiros de três títulos do campeonato nacional, em 1961-62 e 1963–64 (primeira edição da Bundesliga). Além disso, o bode costumava ir também a jogos fora de casa.

Desde então, o clube ganhou mais um título da Bundesliga e cinco vezes a Copa da Alemanha. O Hennes foi do primeiro ao nono, e algumas coisas mudaram, especialmente em 2020.

O famoso bode vai às partidas em casa cerca de duas horas e meia antes e retorna pouco depois do apito final ao zoológico onde vive. Porém, isso não tem ocorrido nos últimos meses desde que houve a paralisação do futebol na Europa em março por conta da pandemia do coronavírus. 

“Como ele deve estar acompanhado de seu cuidador, Ingo Reipka, não é possível que ele traga sorte ao Colônia da beira do gramado por conta do conceito de proteção de higiene e infecção.  O Hennes IX aparece no estádio através de uma tela. As imagens do seu espaço no zoológico de Colônia são transmitidas ao vivo no RheinEnergieSTADION”, conta o clube alemão em resposta ao blog por email. 

O Hennes IX vive uma realidade completamente diferente de seus antecessores logo em seu primeiro ano como mascote oficial do Colônia - Hennes VIII se 'aposentou' no meio de 2019 e hoje desfruta de sua aposentadoria no zoológico. 

Contando com o apoio de seu mascote de forma virtual, o Colônia recebe o Bayern de Munique às 11h30 (de Brasília) deste sábado em busca de sua primeira vitória nesta Bundesliga.


O Hennes IX perdeu jogos por conta da pandemia e protocolo? Se sim, ele já tinha perdido jogos antes? 

Desde o começo da pandemia do coronavírus o Hennes IX não esteve mais no estádio. Como ele deve estar acompanhado de seu cuidador, Ingo Reipka, não é possível que ele traga sorte ao Colônia da beira do gramado por conta do conceito de proteção de higiene e infecção.  O Hennes IX aparece no estádio por meio de uma tela. As imagens do seu Geißbockheim (nome do local onde ficam as dependências do Colônia) no zoológico de Colônia são transmitidas ao vivo no RheinEnergieSTADION. Antes disso, ele só tinha perdido jogos em duas fases. Hennes VII perdeu quatro jogos. Na temporada 2000-01, ele não pode comparecer aos jogos contra o Wolfsburg e o Unterhaching por causa de uma doença na boca e na pata. Na temporada 2007-08, ele perdeu os dois últimos jogos em casa contra Hoffenheim e Mainz, assim como a comemoração pelo acesso à Bundesliga devido a uma artrose. 

O Hennes IX já tem um herdeiro? 

O Hennes IX está há um ano na função, sua estreia foi no jogo em casa contra o Borussia Dortmund pela temporada 2019-20. Ainda não há um substituto  Está planejado que ele tenha um descendente que algum dia possa ser seu herdeiro. 

O Hennes VIII ainda está vivo? 

Hennes VIII ainda vive em um próprio recinto no zoológico de Colônia, depois que no ano passado,  após 11 anos, ele foi liberado para a aposentadoria com diferentes questões em relação à idade.

 Como é a rotina do Hennes IX? Quanto tempo ele passa normalmente no estádio e no zoológico? 

No dia de jogo, Hennes normalmente é pego duas horas e meio antes da partida no zoológico. Ele tem um automóvel no qual é trazido ao RheinEnergieSTADION. Ele é saudado no aquecimento para a partida pelo locutor do estádio do Colônia, Michael Trippel, e então entra. Seu lugar é ao lado do banco do Colônia. Ele permanece até pouco depois do fim da partida e então é levado novamente ao zoológico, onde vive em seu Geißbockheim. 

Confira os períodos de cada Hennes como mascote do Colônia: 

Hennes I: 13 de fevreiro de 1950 até 4 novembro de 1966

Hennes II: 26 de novembro de 1966 até agosto de 1970

Hennes III: 22 de agosto de 1970 até julho de 1975

Hennes IV: agosto de 1975 até 13 de novembro de 1982

Hennes V: 20 de novembro de 1982 até julho de 1989

Hennes VI: agosto de de 1989 até 13 de março de 1996

Hennes VII: 15 de março de 1996 até 23 de julho de 2008

Hennes VIII: 24 de agosto de 2008 até 4 de agosto de 2019

Hennes IX: 4 de agosto de 2019 -

Comentários

GOAT! Bode mais famoso do futebol está na 9ª geração e apoia Colônia na Bundesliga até do zoológico

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

A renúncia e o tropeço: terça-feira comprova que Real Madrid e Barcelona deixaram o topo da Europa

André Donke
André Donke

Pouco antes de o Real Madrid ir a campo pela Champions League, a atenção do futebol espanhol (e mundial) ficou dividida com a notícia da renúncia do presidente Joesp María Bartomeu no Barcelona.

O vexatório 8 a 2 para o Bayern de Munique e a derrota em El Clásico foram os capítulos finais de uma gestão que viu a tragédia em campo refletir a que ocorria também fora dele. Problemas tão grandes que quase causaram a saída do maior nome do clube.

Indo para as quatro linhas, o reformulado Barcelona segue muito longe dos seus melhores dias. A maior derrota de sua história, ocorrida há dois meses e meio, foi apenas o maior de diferentes argumentos de que foi rebaixado na escala do futebol europeu. Bom para seus rivais. Bem...

Na mesma terça, o Real Madrid voltou a vacilar na Champions, embora um poder de reação possa causar uma mentirosa positividade. O 3 a 2 para o Shaktar e o 2 a 2 com o Borussia Monchengladbach expuseram muito mais fraquezas futebolísticas do que virtudes de comportamento.

Reação do Real, virada do Atlético, empate em Bérgamo e mais: a terça-feira de Champions League


A vitória no clássico de sábado poderia maquiar algumas coisas, mas o segundo tropeço em dois jogos na Champions veio dias depois, a ponto de evitar qualquer oba-oba com um time que até venceu às vezes (e inclusive foi campeão espanhol com uma eficiência impressionante na reta final), mas que não convence desde Cristiano Ronaldo.

Acredito ainda que Barcelona e Real Madrid estarão no mata-mata da Champions, e lá a história é outra - há mais uma janela de transferências no meio do caminho, o momento emocional dos times pode ser diferente, pode haver ou não lesões... Porém, nesta terça-feira, está evidente que os dois gigantes espanhóis - e maiores vencedores da Champions neste século - não estão no momento na primeira prateleira da Europa.

Josep María Bartomeu, Karim Benzema e Sergio Ramos
Josep María Bartomeu, Karim Benzema e Sergio Ramos Getty Images - Montagem ESPN

Comentários

A renúncia e o tropeço: terça-feira comprova que Real Madrid e Barcelona deixaram o topo da Europa

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Do bosleigh ao título da Champions: conheça o especialista em laterais que liga Liverpool e Midtjylland

André Donke
André Donke

Os laterais do Liverpool têm sidos grandes destaques na Premier League nos últimos anos. E não só os jogadores da posição.

Os arremessos manuais também se tornaram um grande trunfo da equipe há dois anos, quando passou a contar com os serviços de Thomas Gronnemark, que desde 2004 atua como treinador voltado especificamente para tal recurso.

RB Leipzig e Ajax por exemplo, são outros times que também recorreram ao trabalho pioneiro de Gronnemark, que tem agradado na Inglaterra e teve seu contrato renovado no fim de julho. Outro clube com relação com o especialista é o Midtjylland, adversário do Liverpool nesta terça-feira pela segunda rodada da fase de grupos da Champions League.

De acordo com a notícia publicada por Tom Hamilton sobre a extensão do vínculo, o Liverpool aumentou sua posse de bola em arremesso lateral sob pressão de 45,4% na temporada 2017-18 para 68,4%.

“Quando eu ouvi sobre Thomas, era claro para mim que eu queria encontrar com ele. Quando eu o encontrei, estava 100% claro que queria contratá-lo", disse Jürgen Klopp ao site oficial do Liverpool em agosto de 2018. "Ele é um bom cara, para ser honesto. Ele já (fez uma diferença). Os rapazes gostam disso. Quando você tem alguém que sabe o que está falando, isso sempre ajuda quando você quer melhorar alguma coisa".

E a melhora também foi sentida de forma bem expressiva em jogos como contra Wolverhampton e Tottenham, em que os gols da vitória sairiam de jogadas que começaram em uma cobrança de lateral (veja vídeo abaixo).

Do arremesso para a rede! Liverpool 'ensina' como começar jogadas perfeitas em cobrança de lateral

“Foi depois que o Klopp me ligou em julho de 2018 que as pessoas começaram a perceber quanto potencial havia em treinar laterais”, declarou Gronnemark ao blog. “Agora acho que todos os treinadores no mundo notam que laterais são muito importantes em um jogo”.

O dinamarquês vive o auge de seu reconhecimento em uma trajetória de 16 anos, com os títulos da Champions League e da Premier League do Liverpool nos últimos anos. No começo, não só a fama era mais limitada, como também o seu conhecimento. Ele focava totalmente em arremessos longos até que em 2008 teve um ‘insight’ vendo uma partida. “Eu vi que um time perdeu a bola no meio do campo por um lateral normal e pensei: 'isso foi ruim'. E perdeu outro, e outro. E vi: 'eles são realmente ruins nos laterais em todo campo'”.

Com a visão de aquilo era um problema global, a lupa de seu trabalho foi recuada, e a partir de então ele passou a olhar as diferentes possibilidades em sua área e iniciou sua “filosofia” sobre os arremessos: “O longo, o rápido e o inteligente lateral”. “Eu trabalho com todos os arremessos laterais pelo campo e também como os jogadores podem se mover e criar espaço”.

Thomas Gronnemark durante treino no Liverpool
Thomas Gronnemark durante treino no Liverpool Getty Images

O específico trabalho hoje ocupa 80% de seu tempo, que se divide também na função de palestrante motivacional. Sua relação com os clubes varia.

“Nas duas últimas duas temporadas estive por cinco semanas na pré-temporada com o Liverpool, e em todos os jogos do Liverpool eu faço análises dos laterais. Na última temporada e nesta temporada estive também cinco semanas com o Ajax, mas alguns times eu fico duas ou três semanas na temporada”.

Em alguns times, sua participação é pontual. “Em cada visita, não importa se são cinco visitas por temporada ou uma. Normalmente são dois ou três dias de treino. E a sessão de treinamento é de entre 30 e 45, às vezes 60 minutos, mas não é a sessão de treino inteira só sobre laterais”, declarou o dinamarquês, que classificou Andrew Robertson e Trent-Alexander Arnold como os melhores do mundo na arte do arremesso manual.

“Muitas pessoas pensam que é só uma questão de técnica de laterais longos, isso é uma pequena parte do meu treino”, contou. O seu propósito também consiste em “criar espaços, então o time pode manter a posse de bola ou pode marcar de chances que você cria em qualquer posição do campo.”

Talvez mais surpreendente que sua profissão seja a trajetória de Gronnemark. A biografia em seu site pessoal destaca seu início no futebol, a trajetória no atletismo e até no bobsleigh, sendo que integrou a seleção dinamarquesa por quatro anos. "Seu sonho era se classificar aos Jogos Olímpicos de Inverno de 2006", diz a publicação.

No entanto, a vida o arremessaria a outros sonhos, oportunidades e conquistas. 

Thomas Gronnemark (à dir.) posa para foto com Jürgen Klopp
Thomas Gronnemark (à dir.) posa para foto com Jürgen Klopp Arquivo pessoal

Postagem originalmente publicada em 28 de agosto de 2020

Comentários

Do bosleigh ao título da Champions: conheça o especialista em laterais que liga Liverpool e Midtjylland

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

20 rodadas sem vitória, jogador com camisa de rival e renúncia de presidente: Schalke vive crise sem fim antes de clássico

André Donke
André Donke

“Não há a favorito em clássico”. Só este clichê do futebol pode oferecer algum cenário de equilíbrio para o Borussia Dortmund x Schalke 04 deste sábado.

Ainda que os aurinegros venham de uma derrota no meio da semana para a Lazio na estreia da Champions League, isso está longe de se equiparar os (inúmeros) problemas de seu maior rival.

No campo, os Azuis Reais não vencem há 20 jogos na Bundesliga (13 derrotas e sete empates) – o último triunfo ocorreu em 17 de janeiro, quando fez 2 a 0 no Borussia Mönchengladbach.

Há nove meses, o time ainda era comandado por David Wagner, que permaneceu no cargo até o fim da Bundesliga, mesmo com o Schalke encerrando com 16 partidas sem vitórias, na modesta 12ª colocação e com a segunda pior campanha do segundo turno, com apenas nove pontos, um a mais do que o lanterna Paderborn.

A decisão de manter o técnico, porém, durou apenas duas rodadas. Após o 8 a 0 para o Bayern de Munique e um 3 a 1 para o Werder Bremen, o clube de Gelsenkrichen demitiu o treinador e contratou Manuel Baum, que foi goleado pelo RB Leipzig (4 a 0) na estreia e somou o primeiro ponto do time na última jornada com um 1 a 1 diante do Union Berlin, em casa, após ter saído atrás no placar.

Vedad Ibisevic lamenta durante derrota do Schalke 04 pela Bundesliga
Vedad Ibisevic lamenta durante derrota do Schalke 04 pela Bundesliga Getty Images

De acordo com o FiveThirthyEight, site parceiro da ESPN que usa uma série de combinações matemáticas para calcular as probabilidades jogo a jogo e nos campeonatos inteiros, o Schalke é no momento o time com maior probabilidade de rebaixamento no Campeonato Alemão: 48%.

A chance de a equipe vencer o clássico deste sábado é de 5%, diante de uma probabilidade de 80% de o Dortmund sair com o triunfo no Signal Iduna Park.

Se dentro de campo as coisas vão mal, o cenário é parecido fora dele. No fim de junho, o presidente Clemens Tönnies renunciou ao cargo (o qual ocupava havia 19 anos) em meio a uma temporada em que ele começou pedindo afastamento, após ter feito uma declaração racista. Meses mais tarde, ele viu seu frigorífico, o maior do ramo na Alemanha, ser palco de um surto de COVID-19.

O impacto da pandemia, aliás, envolveu um deslize do Schalke. Os Azuis Reais chegaram a lançar uma campanha para que seus torcedores não pedissem o reembolso do valor dos ingressos para os jogos que viriam a ocorrer sem público. O problema se deu quando o clube falou em pedir uma justificativa para detalhar exatamente o motivo de quererem a devolução. A repercussão negativa fez o Schalke desculpar-se, e o diretor de finanças, Peter Peters, pediu para deixar o cargo após 27 anos no clube.

Para completar, no meio de julho, o atacante Rabbi Matondo apareceu nas redes sociais fazendo exercícios físicos com a camisa do... Borussia Dortmund.

Ou seja, o clássico de sábado é uma oportunidade para o Schalke tentar começar a sair do fundo do poço ou descobrir que dava para afundar ainda mais – por incrível que pareça.

Comentários

20 rodadas sem vitória, jogador com camisa de rival e renúncia de presidente: Schalke vive crise sem fim antes de clássico

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

A Champions além dos favoritos: Três nomes da geração 2000 para ficar de olho

André Donke
André Donke

A fase de grupos da Champions League está de volta. E é claro que os olhos estão quase todos voltados para os grandes craques e grandes times, ainda mais em uma edição em que teremos Cristiano Ronaldo x Lionel Messi logo no estágio de chaves.

Porém, o torneio também apresenta talentos emergentes em clubes que não estão entre os cotados a brigarem pelas fases finais. Com isso, o blog listou três nomes de enorme potencial em equipes – tradicionais ou não – que nasceram nos anos 2000 e não estão sob os principais holofotes.

Confira o guia da Champions League 2020-21

Dominik Szoboszlai, Ryan Gravenberch e Jérémy Doku
Dominik Szoboszlai, Ryan Gravenberch e Jérémy Doku Getty Images - Montagem ESPN

Dominik Szoboszlai (Red Bull Salzburg) - 19 anos

Valor de mercado: 25 milhões de euros*

O meio-campista húngaro chegou ao futebol austríaco ainda na base e passou pelo Liefering,  clube-satélite do Salzburg que disputa a segunda divisão. A transição para a equipe principal ocorreu de fato na segunda metade da temporada 2018-19, em que disputou 20 partidas (nove como titular).

Já na campanha 2019-20, o atleta não apenas se estabeleceu como titular absoluto, como também foi eleito o melhor jogador da Bundesliga austríaca, na qual somou nove gols e dez assistências pelo Salzburg. Ao longo da mesma temporada, o jogador se consolidou pela seleção húngara - sua estreia veio em março de 2019. Atualmente, ele soma dez partidas e dois gols pelo seu país.

A cinco dias de completar 20 anos de idade, Szoboszlai já possui mais de 100 partidas como profissional por clubes, sendo 68 partidas pelo Salzburg e 42 pelo Liefering. Na liga austríaca, seja primeira ou segunda divisão, são 90 jogos, 29 gols e 23 assistências.

Além disso, ele está entre os 20 finalistas do prêmio Golen Boy de 2020.

Ryan Gravenberch (Ajax) - 18 anos

Valor de mercado: 11 milhões de euros* 

Outro candidato ao Golden Boy - aliás, ele é um dos quatro nomes na disputa que nasceram em 2002 -, o meio-campista estreou pelo time principal do Ajax com 16 anos, ao entrar em campo em setembro de 2018 nos minutos finais de uma derrota para o PSV, pela Eredivisie. Naquele mesmo mês, o atleta fez um gol na vitória sobre o Te Werve por 7 a 0 na Copa da Holanda, aos 16 anos e 133 dias, superando o Seedorf como mais jovem na história a marcar pelo clube (16 anos e 361 dias).

Aqueles foram os únicos dois jogos de Gravenberch no time principal em 2018-19. Na campanha seguinte, este número saltou para 12, sendo titular em oito, e marcando três gols. Já em 2020-21, o meio-campista virou titular do Ajax, clube em que disputou um total de 17 jogos na carreira pelo time principal e com qual, em junho, renovou contrato até o meio de 2023. 

Além disso,  o meio-campista, que completou 18 anos em maio, tem sido titular também da seleção holandesa sub-21.

Jérémy Doku (Rennes) - 18 anos

Valor de mercado: 20 milhões de euros* 

O atacante estreou pelo Anderlecht aos 16 anos em 2018-19, temporada em que esteve em campo seis vezes (todas saindo do banco). Ele virou titular ao longo da campanha seguinte e deixou o clube no meio de 2020 após 37 partidas e seis gols, tendo sido contratado pelo Rennes por 26 milhões de euros, sendo o segundo sub-18 mais caro da última janela e o 11º na história do futebol, segundo o site Transfermarkt.

O jogador estreou pelo time francês na última sexta ao entrar em campo nos minutos finais do empate com o Dijon por 1 a 1, pela Ligue 1.

Grande aposta do time estreante na Champions League, o atacante, que fez aniversário em maio, também vive momento especial na seleção belga, tendo estreado pelo time principal em setembro e marcando logo em seu segundo jogo - primeiro como titular -, ao balançar a rede no triunfo por 5 a 1 sobre a Islândia pela Liga das Nações. Doku esteve na lista seguinte e atuou em todos os cinco jogos no período de suas duas convocações, sendo titular em três ocasiões.

Quais equipes passam para a próxima fase em cada grupo da  Champions League? Veja os palpites


Comentários

A Champions além dos favoritos: Três nomes da geração 2000 para ficar de olho

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Se você provar que cidade alemã não existe, ganha R$ 6,6 milhões e vaga em time da Bundesliga

André Donke
André Donke

Atual octocampeão alemão, o Bayern de Munique irá a Bielefeld neste sábado encarar o Arminia pela quarta rodada da Bundesliga. Bem, os bávaros farão isso se a cidade, de fato, existir...

Aliás, se você puder provar que ela não existe, então se apresse para mandar sua evidência, porque 1 milhão de euros (R$ 6,6 milhões na cotação atual) estão prestes a ir diretamente para sua conta. Além disso, já pode preparar suas chuteiras para defender o próprio Arminia, o time da “cidade que não existe”.

Bem, vamos deixar a maluquice de lado – ou nem tanto assim – e ir direto ao ponto.

Bielefeld é pivô de uma das piadas mais famosas da Alemanha. Tudo começou lá em 1994, quando o informático Achim Held criou um ‘meme’ antes mesmo dos tempos do ‘WWW’ ao escrever a teoria irônica depois que alguém, em uma festa em Kiel, no norte da Alemanha, havia comentado que esteve em Bielefeld e houve o comentário de que “isso não existia”.

Pronto, a história estava feita, e nem mesmo a ausência de redes sociais na época impediu que esta viralizasse.

“Mais do que 40% de todos os alemães conhecem a piada, que a cidade na verdade não existe”, contou ao blog Jens Franzke, chefe de comunicação do departamento de marketing de Bielefeld.

Vista da cidade de Bielefeld em 2013
Vista da cidade de Bielefeld em 2013 Getty Images

Em 2012, a própria chanceler da Alemanha, Angela Merkel, chegou a fazer uma brincadeira em relação ao tema ao falar sobre uma ida ao local. “Eu tive a impressão que eu estive lá".

“Angela Merkel não é necessariamente conhecida por fazer muitas piadas publicamente, por isso foi algo especial. Muitos cidadãos de Bielefeld riram na época também”, afirmou Franzke.

Nos 25 anos da brincadeira, veio à tona a ideia de torná-la em algo positivo para a cidade: o Bielefeldmillion. Quem provar que a cidade não existe, irá ganhar 1 milhão de euros.

“Nossa proposta era: se ninguém puder dar uma prova, então enterramos a "Conspiração de Bielefeld". Foi a última chance de provar a piada”, declarou. "Por meio da nossa campanha temos agora muitas pessoas em todo mundo que ouviram pela primeira vez sobre nossa cidade". 

Desde então, chegaram 2 mil tentativas (frustradas, é claro) vindas inclusive de países como Japão, Índia, Estados Unidos, Rússia e Nova Zelândia. E ainda mais países relataram sobre a curiosa proposta por meio dos mais diversos veículos de imprensa.

“A maioria das evidências era engraçada e pretendia ser uma piada. Recebemos, por exemplo, poemas, histórias curtas, histórias em quadrinhos e imagens. Algumas evidências foram especialmente elaboradas e complicadas, por exemplo, com argumentos de física (teoria quântica) e matemática (enigmas lógicos)”, disse Franzke.

“É claro que nenhuma evidência poderia mostrar que Bielefeld não existe. Mas nós nos divertimos refutando as evidências complicadas junto aos cientistas da Universidade de Bielefeld. Queríamos dar também boas e complicadas respostas às evidências complicadas.”

E se engana quem pensa que a história surgiu pelo fato de se tratar de uma cidade pequena ou nova. Fundada em 1214, Bielefeld tem cerca de 340 mil habitantes, ficando entre as 20 mais populosas da Alemanha.

Para falar um pouco de futebol também, o Arminia entrou na brincadeira e publicou um seu vídeo no Twitter (veja abaixo) em agosto de 2019 com o técnico Uwe Neuhaus prometendo um lugar no elenco principal a quem provasse que Bielefeld não existia.

Mesmo sem contar com este eventual reforço, o time se saiu muito bem na segunda divisão e terminou como campeão da competição, retornando à Bundesliga após 11 anos de ausência, período em que até chegou a cair para o terceiro escalão nacional.

Apesar da derrota na última rodada para o Werder Bremen, o clube começou de forma positiva em seu retorno na elite, com um empate fora de casa contra o Eintracht Frankfurt e uma vitória sobre o Colônia. Agora, receberá o Bayern de Munique em Bielefeld, a cidade que existe, sim!

Jogadores do Arminia Bielefeld comemoram título da segunda divisão alemã em 2019-20
Jogadores do Arminia Bielefeld comemoram título da segunda divisão alemã em 2019-20 Getty Images

 Confira a entrevista com Jens Franzke na íntegra:

Como essa ideia surgiu? Quem a criou?

A chamada "Conspiração de Bielefeld" foi publicada pela primeira vez na Usenet (predecessora do WWW). O autor se chama Achim Held, ele vive em Kiel (norte da Alemanha) e é informático. O cerne deste texto é que Bielefeld na verdade não existe ("Bielefeld nem existe"). A cidade seria uma invenção e as pessoas seriam apenas de mentira. Essa piada funcionou por causa disso, porque Bielefeld é relativamente grande (340 mil habitantes e é com isso uma das 20 maiores cidades da Alemanha), mas poucas pessoas tinham uma imagem da cidade (porque aqui não há destinos turísticos, por exemplo). Muitos alemães conhecem o nome "Bielefeld", mas sem terem visitado a cidade.

O texto de Held tem um histórico bizarro por trás de si: a piada "Bielefeld nem existe" pode ser descrita como um dos primeiros "memes" da língua alemã. Mais do que 40% de todos os alemães conhecem a piada, que a cidade na verdade não existe.

Queríamos fazer algo sobre isso. Nós trabalhamos pelo marketing da cidade, um departamento de relações públicas e marketing da administração da cidade. Em 2019 nós comemoramos os 25 anos da "conspiração". Esse foi o motivo para nossa competição satírica: 1 milhão de euros para a prova que não existe de fato Bielefeld. Queríamos com isso inverter a piada e usar isso de forma positiva. Nossa proposta era: se ninguém puder dar uma prova, então enterramos a "Conspiração de Bielefeld". Foi a última chance de provar a piada.

Nossa campanha foi um enorme sucesso. A imprensa no mundo inteiro noticiou sobre nosso desafio. E ele recebeu recentemente um dos mais importantes prêmios de marketing da Alemanha. 

Você pode falar sobre uma ou algumas das ideias mais criativas que receberam? Há uma atualização dos números?
 
Nos recebemos um total de 2 mil tentativas de prova de todo mundo. Também do Japão, Índia, Estados Unidos, Rússia e Nova Zelândia. A maioria das evidências era engraçada e pretendia ser uma piada. Recebemos, por exemplo, poemas, histórias curtas, histórias em quadrinhos e imagens. Algumas evidências foram especialmente elaboradas e complicadas, por exemplo, com argumentos de física (teoria quântica) e matemática (enigmas lógicos). É claro que nenhuma evidência poderia mostrar que Bielefeld não existe. Mas nós nos divertimos refutando as evidências complicadas junto aos cientistas da Universidade de Bielefeld. Queríamos dar também boas e complicadas respostas às evidências complicadas. Alguns exemplos estão aqui (em alemão).

O resultado do desafio era certamente claro: Bielefeld existe. E por meio da nossa campanha temos agora muitas pessoas em todo mundo que ouviram pela primeira vez sobre nossa cidade. Esse foi nosso objetivo.

Uma vez que ninguém pode provar a conspiração, houve um enterro irônico para a piada. Há agora na cidade uma pedra memorial. 

Pedra memorial da 'Consipiração de Bielefeld'
Pedra memorial da 'Consipiração de Bielefeld' Getty Images

Até mesmo a chanceler Angela Merkel mencionou a "conspiração de Bielefeld, não? Você pode falar sobre isso?

Nós não estávamos lá, mas  conhecemos relatos da mídia daquela época. Angela Merkel contou em 2012 diante de jornalistas de uma visita em Bielefeld. Ela fez referência à conspiração com uma piada e disse: "... então ela existe. Eu tive a impressão que eu estive lá". 

Angela Merkel não é necessariamente conhecida por fazer muitas piadas publicamente, por isso foi algo especial. Muitos cidadãos de Bielefeld riram na época também.

Houve/Há qualquer conexão entre a "conspiração de Bielefeld" e Bielefeldmillion com o Arminia Bielefeld?

Sim, houve uma conexão engraçada. O Arminia Bielefeld prometeu um outro prêmio para o desafio. Quem puder provar que Bielefeld não existe, como ganhador também teria um lugar como jogador profissional no time do Arminia Bielefeld. Nós achamos a ideia do Arminia muito engraçada!

Comentários

Se você provar que cidade alemã não existe, ganha R$ 6,6 milhões e vaga em time da Bundesliga

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Gols, estreia e prêmio: a semana em que Calvert-Lewin foi o 'dono' do futebol

André Donke
André Donke

Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar, Robert Lewandowski...pode falar o nome de qualquer craque, ninguém teve uma semana tão grande  no futebol quanto Dominic Calvert-Lewin.

No último sábado, o atacante deixou sua marca na vitória do Everton por 4 a 2 sobre o Brighton, resultado que deixou os Toffees isolados na liderança da Premier League com 100% de aproveitamento. Além disso, o time venceu todos os seus sete primeiros jogos na temporada, um desempenho que não acontecia desde 1894-95.

Na quinta-feira, ele voltaria a balançar a rede, desta vez pela seleção inglesa no triunfo por 3 a 0 em amistoso contra o País de Gales. O jogador de 23 anos fazia sua estreia pelo English Team, sendo que foi titular e abriu o placar do confronto aos 26min do primeiro tempo.

Artilheiro do Everton segue brilhando, Ings faz de bicicleta, e Inglaterra bate Gales


Por fim, Calvert-Lewin completou seu ‘hat-trick de glórias’ nesta sexta-feira com o anúncio do melhor jogador do mês de setembro da Premier League, competição em que marcou nas quatro partidas que disputou atualmente e soma seis gols, sendo o artilheiro ao lado de Son Heung-Min. Ele foi o primeiro atleta do clube de Liverpool a ficar com a honraria desde Romelu Lukaku em março de 2017.

Além disso, o atacante já havia anotado um hat-trick na vitória sobre o West Ham por 4 a 1, em 30 de setembro, pelas oitavas de final da Copa da Liga Inglesa. Ele já soma nove gols em seis confrontos na temporada.

Vivendo melhor momento da carreira, o atleta está desde o meio de 2016 no Everton, quando foi contratado junto ao Sheffield United. O camisa 9 alternou períodos entre a titulatidade e o banco até se firmar nos 11 iniciais na reta final da temporada 2018-19. Já na campanha seguinte, começou em campo em 30 das 38 rodadas da Premier League e somou 13 gols na competição, mas fechou o campeonato com dez jornadas sem marcar. 

Pelo jeito, ele estava guardando tudo para o começo de 2020-21.

Dominic Calvert-Lewin
Dominic Calvert-Lewin Getty Images

Comentários

Gols, estreia e prêmio: a semana em que Calvert-Lewin foi o 'dono' do futebol

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Quem brilhou, quem mais gastou e quem foi mais ponderado: um balanço do mercado mais modesto dos últimos tempos

André Donke
André Donke

A janela de transferências nas cinco principais ligas da Europa está fechada, e agora é tempo de ver se as estratégias de cada clube irão surtir efeito ao longo dos próximos meses. Como esperado, a pandemia do coronavírus teve um impacto financeiro significativo nas movimentações dos clubes.

No mercado antes do meio de 2019, os clubes das cinco principais ligas europeias somaram para 5,54 bilhões de euros em reforços. O valor foi mais de 2 bilhões de euros inferior na janela que acaba de fechar: 3,29 bilhões de euros.

Isso, no entanto, não impediu que alguns clubes ingleses investissem de forma intensa, enquanto, por outro lado, a dupla de gigantes espanhóis foi cautelosa. Há ainda clubes, que gastando mais ou menos, fizeram um mercado bem interessante e de destaque.

Com isso, o blog fez uma análise de alguns pontos chamativos desta janela tão peculiar na história do futebol.

(Todos os valores utilizados neste texto são do site Transfermarkt)

Pinturas, faro de gol e mais: o que o Manchester United espera de Cavani, seu novo reforço


Os destaques do custo-benefício


Bayern de Munique: Perder Thiago Alcântara, definitivamente, não é bom, mas era algo um tanto inevitável tendo em vista o desejo do jogador. Além disso, o elenco já estava preparado para este cenário, com Joshua Kimmich e Leon Goretzka sendo titular como volantes.

Dito isso, o mercado dos bávaros foi pontual. Buona Sarr, Marc Roca, Alexander Nübel, Tanguy Nianzou, Eric Maxim Choupo-Moting e Douglas Costa chegaram para suprir carências no elenco ou para dar mais profundidade a este, tendo custado, juntos, 19 milhões de euros.

Além disso, o grande reforço é um alvo antigo. Leroy Sané, em último ano de contrato ao Manchester City chega por 45 milhões de euros (bem abaixo do que o montante falado um ano antes) para brigar por titularidade.

Vale destacar também o histórico de Douglas Costa no Bayern e e Choupo-Moting na Bundesliga como aspecto facilitadore na adaptação de ambos.

O Bayern se mexeu bem, tanto técnica, quanto financeiramente.

Manchester United: Alex Telles vale mais do que os 15 milhões de euros pagos nele (estava em último ano de contrato no Porto) e chega para ser titular – o bom investimento também fica evidente ao se analisar que o clube gastou exatamente a mesma quantia que levantou com a venda de Chris Smalling, que praticamente não teria espaço. Donny van de Beek oferece mais alternativas ao jogo do time e, aos 23 anos, parece uma ótima aposta para se colocar 39 milhões de euros.

Da mesma forma que Van de Beek, Edinson Cavani não chega para uma posição que o United precisava urgentemente de alguém, mas é o Cavani – e vem de graça e em ótimas condições para ambos os lados. O contrato é só de dois anos, e qualquer uma das partes pode rompê-lo após uma temporada. Contratação de baixo risco por um nome que tem muito a oferecer ainda no futebol de mais alto nível.

O United ainda desembolsou um total de menos de 30 milhões de euros por dois promissores atacantes de 18 anos: Facundo Pellistri (8,5 milhões) e Amad Diallo (21 milhões).

Paradoxalmente, o elogio vai justamente a um clube que não conseguiu o seu maior objetivo. O sonhado Jadon Sancho não chegou, assim como nenhum nome com as características dele, mas os Red Devils conseguiram um mercado que teve três negócios interessantes no custo-benefício e duas apostas em jovens, sendo que uma foi por um valor nem tão alto.

Reforço do Manchester United, Alex Telles brilhou na conquista do Campeonato Português 19/20


Liverpool: Diogo Jota não foi barato (44,7 milhões de euros), mas chega para uma função muito necessária no elenco de Jurgen Klopp. O trio de ataque precisava de um reserva qualificado, não só pela questão técnica, mas para ter alguém com condições de almejar a titularidade e seguir regando a sementinha da ambição em um time que ganhou tudo.

O lateral-esquerdo Konstantinos Tsimikas dá mais opções no elenco, e Thiago Alcântara talvez seja o melhor custo-benefício desta janela.

É necessário destacar que os Reds tiveram um débito de ‘apenas’ 38 milhões de euros no mercado, graças às vendas de Rhian Brewster (tenho minhas dúvidas se valia a pena negociá-lo em definitivo), Dejan Lovren (este sim, valia muito a pena a negociação) e Ovie Ejaria.

Arsenal: Willian de graça e renovação de Pierre-Emerick Aubameyang foram duas mostras enormes de força do clube, assim como para deixar o torcedor empolgado com seu ataque.

A defesa precisava de reforços, então o clube buscou Gabriel Magalhães (um dos zagueiros mais desejados da Europa) por 26 milhões de euros. Outra carência era a de um meio-campista com as características de Thomas Partey e, apesar do alto investimento, me parece uma estratégia muito interessante pagar 50 milhões de euros nele.

O jogo dos Gunners já vinha em evolução em 2020, e este cenário deve ser potencializado com o bom mercado.

Além disso, Emi Martínez vinha muito bem na ausência do titular Bernd Leno, e o clube se aproveitou disso para conseguir uma venda de 17,4 milhões de euros ao Aston Villa.

Everton: Primeiramente, a ressalva: o excelente início de temporada – o melhor do clube em 126 anos – gera inevitavelmente uma empolgação instantânea com tudo que está ocorrendo em Goodison Park, o que torna qualquer elogio algo bastante conveniente.

De qualquer forma, deixando de lado a pequena amostra do que se viu na prática, o mercado do clube teoricamente também foi bem chamativo, além de arrojado e de muito CUSTO-benefício - os Toffees tiveram um débito de mais de 70 milhões de euros entre chegadas e saídas, o que representa o sétimo maior gasto na janela.

O meio de campo foi melhorado – e muito – com Abdoulaye Doucouré e Allan, sem contar a possibilidade de recuperação de James Rodríguez sob novamente o comando de Carlo Ancelotti. O fim da janela ainda teve o alto investimento em mais uma opção para a zaga com Ben Godfrey, do Norwich City, além da chegada por empréstimo de Robin Olsen para ser uma opção interessante para a reserva de Jordan Pickford.

Na teoria, o mercado pareceu muito bom; no pouco da prática até aqui, parece ainda melhor.

Thiago Alcântara, Alex Telles e Willian
Thiago Alcântara, Alex Telles e Willian Getty Images - Mosaico ESPN

Ingleses abrem a carteira


 Avaliar o mercado de cada clube é uma missão com muitos elementos de subjetividade, ainda mais em um período em que o futebol e o mundo vivem um cenário com muitas limitações financeiras. Por isso, apontei os destaques acima considerando bastante a ideia de custo-benefício e oportunidades de mercado. Agora, deixando de lado um pouco o dinheiro e pensando mais nas chegadas em si, um trio inglês viu o elenco melhorar muito nas últimas semanas.

Chelsea: Os Blues compensaram em uma janela só a proibição de contratações na última temporada. Com 171,2 milhões de déficit entre chegadas e saídas, o clube foi só um dos dois a passar dos 100 milhões no quesito – o outro é o Leeds United (105,2 milhões de euros) e mudou metade do seu time titular com as chegadas de Edouard Mendy, Thiago Silva, Ben Chilwell, Kai Havertz, Hakim Ziyech e Timo Werner.

Leeds United: O segundo colocado nos gastos mostrou que voltou à Premier League após 16 anos para ficar. Tendo como única grande perda o fim do empréstimo do zagueiro Ben White, o clube investiu pesado para repor a perda com dois nomes interessantes (Robin Koch e Diego Llorente), manteve o goleiro Illan Meslier e o meia-atacante Hélder Costa em definitivo e ainda melhorou consideravelmente o setor ofensivo com as chegadas de Raphinha e Rodrigo Moreno.

Aston Villa: Depois de investir pesado e quase cair no ano de seu retorno à elite do futebol inglês, o clube voltou a fazer contratações de impacto e parece que terá um ano mais promissor. Sem lucrar nada com saídas de atletas, o clube gastou 82,35 milhões de euros em quatro nomes para serem titulares: o goleiro Emiliano Martínez, o lateral-direito Matty Cash e os atacantes Betrand Traoré e Ollie Watkins. O último custou 30,8 milhões de euros e chega para suprirar uma das maiores carências do elenco: a de um goleador. Artilheiro da última Championship pelo Brentford, ele já fez um hat-trick contra o Liverpool.

Além disso, Ross Barkley chega por empréstimo e é outro que vem para ter um papel importante no time que tem como estrela Jack Grealish, que renovou seu contrato e permaneceu no clube, apesar de especulações na janela.


Cautela dos gigantes espanhóis


Outro ponto de despertar atenção foi a postura de Real Madrid e Barcelona em meio ao impacto financeiro do momento atual – no caso dos madrilenhos, vale ressaltar, há também os custos da reforma no estádio Santiago Bernabéu.

O Real não contratou um jogador sequer e tem como reforços os retornos de empréstimo de atletas como Martin Odegaard, Álvaro Odriozola e Andriy Lunin. Por outro lado, foi o clube que mais ganhou dinheiro no mundo na janela, ao conseguir 98,5 milhões de euros com saídas de atletas, com destaque para os 40 milhões de Achraf Hakimi e 30 milhões de Sergio Reguilón.

Já o Barcelona, em meio a uma crise esportiva e institucional, até mexeu bastante no elenco, mas precisando mostrar resiliência e levantar dinheiro com as saídas de atletas, o que levou a ter um débito de apenas 2,5 milhões de euros.

Se saíram Arthur, Nélson Semedo, Arturo Vidal, Luis Suárez, Ivan Rakitic, entre outros, chegaram Miralem Pjanic, Trincão, Sergiño Dest, Matheus Fernandes e Pedri, além do retorno de Philippe Coutinho.

A mudança na lateral-direita merece um destaque particular, com o Barça fazendo uma movimentação promissora. O clube lucrou, a princípio, 9 milhões de euros para ter Dest, um lateral de grande potencial e sete anos mais novo do que Semedo, que acabou vendido ao Wolverhampton.


A grande aposta


Jude Bellingham (Borussia Dortmund), Fábio Silva (Wolverhampton), Wesley Fofana (Leicester City), Jérémy Doku (Rennes)... O mercado mostrou diversos altos investimentos em jovens, mas a grande aposta é a de Victor Osimhen, que custou 70 milhões de euros ao Napoli e foi o segundo negócio mais caro de toda janela – desconsiderando os 72 milhões de euros em Arthur, por ter sido uma troca por Miralem Pjanic.

O atacante de 21 anos chega depois de apenas uma temporada no Lille, que havia o contratado por 22,4 milhões de euros junto ao Charleroi, da Bélgica, há um ano. Em 2019-20, o atacante somou 18 gols e cinco assistências em 38 jogos.



Comentários

Quem brilhou, quem mais gastou e quem foi mais ponderado: um balanço do mercado mais modesto dos últimos tempos

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

3 gols em 2 jogos: Haaland começa a ser Haaland também pela Noruega

André Donke
André Donke

Erling Haaland impressionou o mundo do futebol ao longo do último ano, mesmo sem ter marcado pela seleção norueguesa principal. Mas a história começou a mudar...

O autor de 44 gols em 40 jogos por Red Bull Salzburg e Borussia Dortmund em 2019-20 aproveitou a Data Fifa e os dois jogos iniciais da Liga das Nações 2020-21 para anotar seus primeiros tentos Noruega. E foram logo três.

Depois de ter ido à rede na sexta-feira na derrota para a Áustria em casa por 2 a 1, o centroavante de 20 anos fez dois gols (sendo um golaço) no triunfo por 5 a 1 sobre a Irlanda do Norte, fora de casa, nesta segunda.

Erling Haaland comemora após marcar pela Noruega
Erling Haaland comemora após marcar pela Noruega Getty Images

Até então, ele havia atuado por 66 minutos no triunfo por 2 a 0 sobre Malta e por 14 minutos no empate por 1 a 1 com a Suécia - ambos confrontos em setembro de 2019 -, sem ter ido à rede.

Agora, seu histórico já mostra três gols em quatro jogos, uma estatística bem mais condizente de Haaland, alguém que, por exemplo, já fez nove gols em uma mesma partida pela seleção sub-20 na Copa do Mundo da categoria.

Com a ajuda de Haaland, a Noruega somou seus três primeiros pontos no grupo 1 da divisão B da Liga das Nações, um ponto atrás da líder Romênia.

O próximo compromisso dos nórdicos será pela repescagem da Eurocopa contra a Sérvia. Mais uma oportunidade de gols para Haaland, que não parece ter perdido nada de seu apetite.

 

Comentários

3 gols em 2 jogos: Haaland começa a ser Haaland também pela Noruega

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Segunda pior seleção do mundo completa 100 jogos seguidos sem vencer. E foram 99 derrotas

André Donke
André Donke

San Marino é conhecido como o grande ‘saco de pancadas’ do futebol europeu e alcançou uma marca neste sábado digna de tal reconhecimento. A seleção perdeu por 1 a 0 para Gibraltar pela primeira rodada do grupo 2 da série D da Liga das Nações e, com isso, chegou a 100 partidas sem vencer, com um retrospecto nada invejável de 99 derrotas e um empate. Sua última e única vitória na história foi em 28 de abril de 2004, quando fez 1 a 0 em Liechteinstein em um amistoso.

Desde então, seu grande feito foi o empate por 0 a 0 com a Estônia, em casa, em 15 de abril  de 2014 pelas eliminatórias da Eurocopa de 2016. A partir daí, foram 38 reveses (e contando), com destaque para o 10 a 0 da Croácia, os 9 a 0 da Bélgica e da Rússia e os 8 a 0 de Alemanha, da Itália e da Noruega.

Disputa de bola durante Gibraltar e San Marino
Disputa de bola durante Gibraltar e San Marino Getty Images

Disputando as eliminatórias da Eurocopa desde a edição de 1992 e as da Copa do Mundo desde 1994, a seleção tem um desempenho de 139 derrotas e três empates em 142 jogos nestas competições. Agora, conheceu seu sétimo revés em sete confrontos pela Liga das Nações.

Apesar do histórico, San Marino não é o último do ranking da Fifa. Isso porque seus 824 pontos são o suficiente para ficar na 209ª colocação, à frente apenas de Anguilla, com 821. O país caribenho, que chegou a empatar com Bahamas em novembro de 2018, perdeu para Trinidad e Tobago em novembro por 15 a 0 em um amistoso.

O duelo de sábado ainda tem outra história a ser mencionada. Gibraltar conheceu sua primeira vitória em quase dois anos. Desde que havia feito 2 a 1 sobre Liechtenstein em outubro de 2018 pela Liga das Nações, a seleção havia perdido os seus 12 jogos seguintes.

Comentários

Segunda pior seleção do mundo completa 100 jogos seguidos sem vencer. E foram 99 derrotas

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Como dinamarquês virou especialista em laterais e foi do bobsled a 'trunfo' do Liverpool de Klopp

André Donke
André Donke

Os laterais do Liverpool têm sidos grandes destaques na Premier League nos últimos anos. E não só os jogadores da posição.

Os arremessos manuais também se tornaram um grande trunfo da equipe há dois anos, quando passou a contar com os serviços de Thomas Gronnenmark, que desde 2004 atua como treinador voltado especificamente para tal recurso.

RB Leipzig, Ajax, Midtjylland, por exemplo, são outros times que também recorreram ao trabalho pioneiro de Gronnemark, que tem agradado na Inglaterra. Não à toa, os Reds assinaram novo contrato com ele no fim de julho.

De acordo com a notícia publicada por Tom Hamilton sobre a extensão do vínculo, o Liverpool aumentou sua posse de bola em arremesso lateral sob pressão de 45,4% na temporada 2017-18 para 68,4%.

“Quando eu ouvi sobre Thomas, era claro para mim que eu queria encontrar com ele. Quando eu o encontrei, estava 100% claro que queria contratá-lo", disse Jürgen Klopp ao site oficial do Liverpool em agosto de 2018. "Ele é um bom cara, para ser honesto. Ele já (fez uma diferença). Os rapazes gostam disso. Quando você tem alguém que sabe o que está falando, isso sempre ajuda quando você quer melhorar alguma coisa".

E a melhora também foi sentida de forma bem expressiva em jogos como contra Wolverhampton e Tottenham, em que os gols da vitória sairiam de jogadas que começaram em uma cobrança de lateral (veja vídeo abaixo).

Do arremesso para a rede! Liverpool 'ensina' como começar jogadas perfeitas em cobrança de lateral

“Foi depois que o Klopp me ligou em julho de 2018 que as pessoas começaram a perceber quanto potencial havia em treinar laterais”, declarou Gronnemark ao blog. “Agora acho que todos os treinadores no mundo notam que laterais são muito importantes em um jogo”.

O dinamarquês vive o auge de seu reconhecimento em uma trajetória de 16 anos. No começo, não só a fama era mais limitada, como também o seu conhecimento. Ele focava totalmente em arremessos longos até que em 2008 teve um ‘insight’ vendo uma partida. “Eu vi que um time perdeu a bola no meio do campo por um lateral normal e pensei: 'isso foi ruim'. E perdeu outro, e outro. E vi: 'eles são realmente ruins nos laterais em todo campo'”.

Com a visão de aquilo era um problema global, a lupa de seu trabalho foi recuada, e a partir de então ele passou a olhar as diferentes possibilidades em sua área e iniciou sua “filosofia” sobre os arremessos: “O longo, o rápido e o inteligente lateral”. “Eu trabalho com todos os arremessos laterais pelo campo e também como os jogadores podem se mover e criar espaço”.

Thomas Gronnemark durante treino no Liverpool
Thomas Gronnemark durante treino no Liverpool Getty Images

O específico trabalho hoje ocupa 80% de seu tempo, que se divide também na função de palestrante motivacional. Sua relação com os clubes varia.

“Nas duas últimas duas temporadas estive por cinco semanas na pré-temporada com o Liverpool, e em todos os jogos do Liverpool eu faço análises dos laterais. Na última temporada e nesta temporada estive também cinco semanas com o Ajax, mas alguns times eu fico duas ou três semanas na temporada”.

Em alguns times, sua participação é pontual. “Em cada visita, não importa se são cinco visitas por temporada ou uma. Normalmente são dois ou três dias de treino. E a sessão de treinamento é de entre 30 e 45, às vezes 60 minutos, mas não é a sessão de treino inteira só sobre laterais”, declarou o dinamarquês, que classificou Andrew Robertson e Trent-Alexander Arnold como os melhores do mundo na arte do arremesso manual.

“Muitas pessoas pensam que é só uma questão de técnica de laterais longos, isso é uma pequena parte do meu treino”, contou. O seu propósito também consiste em “criar espaços, então o time pode manter a posse de bola ou pode marcar de chances que você cria em qualquer posição do campo.”

Talvez mais surpreendente que sua profissão seja a trajetória de Gronnemark. A biografia em seu site pessoal destaca seu início no futebol, a trajetória no atletismo e até no bobsleigh, sendo que integrou a seleção dinamarquesa por quatro anos. "Seu sonho era se classificar aos Jogos Olímpicos de Inverno de 2006", diz a publicação.

No entanto, a vida o arremessaria a outros sonhos, oportunidades e conquistas. 

Thomas Gronnemark (à dir.) posa para foto com Jürgen Klopp
Thomas Gronnemark (à dir.) posa para foto com Jürgen Klopp Arquivo pessoal

Comentários

Como dinamarquês virou especialista em laterais e foi do bobsled a 'trunfo' do Liverpool de Klopp

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

No dia em que Messi e Barcelona chocaram o futebol, Real e Raúl ganharam 'Champions' inédita

André Donke
André Donke

25 de agosto de 2020 foi um dia em que o futebol mundial parou por causa do desejo de Lionel Messi em deixar o Barcelona. Mas o dia também foi de motivo para o Real Madrid comemorar - sem qualquer referência à enorme crise do seu grande rival.

O clube espanhol foi campeão da Uefa Youth League, uma espécie de Champions League entre os times sub-19. A comparação ganha ainda mais força com o fato de os participantes e as chaves serem configuradas exatamente como a Champions, embora outros times também sejam acrescentados no mata-mata.

O Real ficou com a taça ao vencer o Benfica na decisão por 3 a 2 no Colovray Stadium, Nyon (Suíça), cidade em que a Uefa é sediada. Pablo Rodríguez, Henrique Jocú (contra) e Miguel Gutiérrez marcaram para os espanhóis, enquanto Gonçalo Ramos anotou os tentos dos portugueses.

Foi a primeira vez que os merengues ficaram com o título do torneio, que existe desde 2014. Foi também a primeira conquista do nome mais famoso da partida, e que não estava em campo. Raúl González ganhou uma taça na função de forma inédita em sua curta carreira.

Raúl e time sub-19 do Real Madrid comemoram conquista da Uefa Youth League
Raúl e time sub-19 do Real Madrid comemoram conquista da Uefa Youth League Getty Images

O ex-atacante de 43 anos passou a treinar em 2018 nas categorias de base do Real e chegou ao Castilla em 2019, sendo o comandante dos primeiros jogos de Reinier pelo clube. Agora, consegue o seu primeiro troféu como técnico com a equipe sub-19.

Porém, esta está muito longe de ser sua primeira taça no futebol, é claro. Como atleta, ele faturou seis edições do Espanhol e três da Champions League, competição em que é o terceiro maior artilheiro da história, com 71 gols, atrás só de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Raúl também é o segundo maior artilheiro da história do Real Madrid, tendo somado 323 gols em 741 partidas entre 1994 e 2010.

“Esta é uma equipe extraordinária e tínhamos muita vontade de conquistar este torneio. Isso é comparável aos grandes momentos que pude viver como jogador. É precioso e quero dar a eles os parabéns, porque isso é um passo muito importante para sua carreira”, declarou Raúl depois da partida.

No mesmo dia em que o Barcelona levou um enorme golpe em seu futuro, o Real viu o seu levantar uma taça.

Comentários

No dia em que Messi e Barcelona chocaram o futebol, Real e Raúl ganharam 'Champions' inédita

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

mais postsLoading