Iniciativas no RJ ajudam a promover a bicicleta como estilo de vida (PARTE 2) Ciclo Courier e TriCiclo | Bike é Legal

Aline Cavalcante
Aline Cavalcante
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É claro que nessas minhas andanças pelo Rio de Janeiro em algum momento eu queria muito falar sobre a Ciclo Courier, uma empresa que faz entregas inteligentes utilizando bicicletas.

Daí que, de repente, caiu na minha timeline um ótimo vídeo (no final desse post) feito pela galera da Laxmi Comunicação que resume a minha motivação de divulgar o trabalho desses caras.

Reprodução / Youtube
Ciclo Courier, Entregas Conscientes.
Ciclo Courier, Entregas Conscientes.

Primeiro porque eles entendem que o trabalho de um ciclista entregador é muito maior e mais interessante do que 'só' retirar e entregar documentos. É um serviço essencial para o funcionamento saudável de qualquer cidade, pois é barato, eficiente, sustentável, silencioso e limpo.

"Existe um cuidado muito grande em cada serviço que fazemos, desde a manutenção da bicicleta, até o cuidado com o corpo (...) depois disso há também o cuidado com qualquer coisa que a gente carrega" disse Fox Goulart, um dos ciclistas entregadores da Ciclo.

Por ser uma das primeiras empresas com essa "pegada", naturalmente, a Ciclo Courier passou a ser mais do que um serviço de bike entrega, mas também um ponto de referência, de encontro, de cultura. Hoje eles apoiam eventos, promovem discussões e realizam atividades relacionadas ao trânsito e, claro, à bicicleta. "Uma forma diferente de ver o Rio".

Hoje a Ciclo tem base na Casa Nuvem, um espaço de trabalho compartilhado que fica no centro do Rio, no bairro da Glória, em uma região conhecida como "Beco do Rato" que, apesar de parecer abandonada, carrega a energia inexorável da história da cidade, o brilho de uma arquitetura de tirar o fôlego, além da beleza (pelo convívio) e revolta (pelas injustiças) dos contrastes sociais gritando ali na nossa cara.

Na Casa Nuvem convivem pessoas, movimentos, coletivos, empresas e projetos ligados ao uso da cidade, humanização de rua, festas públicas e ocupação. Uma bela mistura de gente interessante e muito cheiro de bagunça. Bagunça das boas.

Aline Cavalcante
Oficina Coletiva de Bicicletas, Triciclo, localizada na Casa Nuvem.
Oficina Coletiva de Bicicletas, TriCiclo, localizada na Casa Nuvem.

Lá acontece semanalmente, todas as quartas-feiras, a Oficina Coletiva e Comunitária de Bicicletas TriCiclo - aberta e gratuita - que tem entre os objetivos compartilhar experiências e dar autonomia ao ciclista urbano.

Enfim, é mais um desses espaços que proporciona novas formas de vida, de trabalho e práticas sociais, democráticas e humanizadas. Repensar os modelos e viver de outro jeito, é isso que queremos. A renovação da cidade começa dentro da gente.

Assista ao vídeo da Ciclo Courier e sente um pouco do que tô falando...

* Leia também a primeira parte do meu relato sobre as iniciativas que estão ajudando a promover ainda mais a bicicleta no Rio de Janeiro. O caso do projeto Ciclovias Invisíveis.

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SP vive o tempo da bicicleta | Bike é Legal

Aline Cavalcante
Aline Cavalcante

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Na tarde do último dia 07 de agosto, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, equipe de secretários (inclusive Jilmar Tatto dos Transportes), representantes da CET/SP e assessores se reuniram com ciclistas e cicloativistas para, mais do que tudo, ouvir que tínhamos a falar.

Veja a cobertura feita pelo Bike é Legal

A pauta da reunião era um balanço do que vem sido feito-a-toque-de-caixa na cidade e os próximos passos (leia mais no site da Prefeitura) rumo à política dos 400km de infraestrutura cicloviária até o final de 2016. "Críticas nós vamos receber, assim como recebemos com a implantação dos corredores de ônibus. A gente já esperava. Mas o que queremos é ouvir quem entende do assunto e acredita na mudança para tentar errar menos", explicou Haddad no início da reunião, demonstrando que está firme em sua política de mobilidade.

Murilo Azevedo
Haddad ouve sugestão de ciclistas durante reunião no centro da cidade
Haddad ouve sugestão de ciclistas durante reunião no centro da cidade

Daniel Guth, diretor de Participação Pública da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo, começou as falas parabenizando essa gestão pela coragem em desafiar a estrutura [carrocrata] vigente. A Ciclocidade tem chamado encontros com ciclistas (associados ou não) para entender qual a postura deveria ser adotada e, apesar das críticas, até agora todos demonstraram que o momento é de apoio e construção coletiva.

"Ontem vimos um Prefeito mais maduro, pautando o interesse público e compreendendo profundamente o papel da bicicleta em São Paulo. Há 1 ano e meio encontramos um Haddad ainda cru, entendendo a cidade e como os desafios da mobilidade urbana são complexos" disse Guth.

Para a reunião com a figura máxima do executivo municipal, os ciclistas que se prepararam dias antes, numa mini-plenária, e guiaram a discussão a partir de dois grandes momentos:

1- uma avaliação sobre o que já está feito e
2- ações a serem realizadas com urgência em paralelo às mudanças viárias.

Murilo Azevedo
Daniel Guth, da Ciclocidade, discursa durante o papo com Haddad
Daniel Guth, da Ciclocidade, discursa durante o papo com Haddad

Cerca de 30 ciclistas participaram da reunião, o convite foi feito a partir de um mapeamento de pessoas que participam de entidades, grupos e iniciativas relacionadas ao tema; pessoas que foram a algum encontro municipal sobre mobilidade; e os que votaram no Conselho Municipal de Transporte e Trânsito. Esse mailing está crescendo - também por indicação dos próprios ciclistas - e a tendência é ser maior a cada encontro.

Guth fez uma breve apresentação das entidades ali presentes, demonstrando ao Prefeito a diversidade de atuações da ciclomobilidade em SP, contextualizou desde a primeira reunião (em março de 2013) até o momento atual, reforçou os avanços no Plano Diretor Estratégico e parabenizou pela campanha de comunicação realizada no início do ano.

Haddad (e seus secretários e assessores) ouviram tudo que foi falado por nós com muita atenção, tiraram dúvidas, pediram referências, anotavam novos dados e conceitos. Ficou muito claro o interesse em entender esse mundo e se envolver de verdade na "briga" pelo espaço público para pedestres e ciclistas.

Das propostas para o Plano de 400km ficou estabelecida a criação do "Comitê da Bicicleta", que seria um grupo de acompanhamento dos projetos, para avaliar a qualidade das implantações, melhores trajetos e fazer articulação nos locais que receberam/ão ciclovias. A ideia é envolver mais ciclistas e tentar tornar o processo mais participativo possível, além de consolidar um correto fluxo de informações e antecipar diálogos comunitários.

As reuniões desse Comitê serão, provavelmente, mensais e o Prefeito se comprometeu a participar delas ao menos a cada três meses. "Compromisso de um encontro trimestral é importante, além do mensal já assumido pelo secretário Jilmar Tatto", explicou Daniel Guth.

Os ciclistas se dividiram e defenderam os temas urgentes a serem encarados pela Prefeitura durante a instalação das ciclovias, são eles:

- Relação ônibus e bicicletas: Jilmar Tatto se comprometeu a chamar um diálogo com ciclistas e a SPTrans para entender o que pode ser feito no sentido de humanizar as relações
- Redução das velocidades: Foi explicado que todas as vias onde há implantação de infraestrutura cicloviária as ruas estão sendo, aos poucos, desaceleradas, com velocidades de 50km/h e zonas de 40km/h.
- Necessidade de uma nova campanha de comunicação com foco no respeito e na promoção do uso da bicicleta, para que as pessoas de apropriem desse espaço e disseminem as vantagens da bicicleta para a cidade
- Pontes e viadutos: todos entendem que é uma questão muito delicada, problema negligenciado por todos os gestores anteriores mas que, aos poucos, estão sendo estudadas soluções no sentido de garantir a travessia segura para pedestres e ciclistas, inclusive criando novas estruturas
- Diálogo com a Associação Comercial de São Paulo
- Pesquisa Origem-Destino específica para bicicleta, necessidade de pesquisas e dados para planejamento.
- Bicicletários e paraciclos

Murilo Azevedo
Cerca de 30 ciclistas estiveram presentes no encontro com o prefeito
Cerca de 30 ciclistas estiveram presentes no encontro com o prefeito

Ao final os secretários lembraram a importância da sociedade civil nos processos participativos da cidade, conselhos e audiências públicas, para que sejam incluidas as questões de mobilidade por bicicleta desde o início de qualquer projeto, garantindo verba e apoio popular. Foram lembradas as Operações Água Branca e Mooca-Vila Carioca, ambas com pouco ou nenhum avanço para as bicicletas.

"Não estou aqui para fortalecer nenhum governo, mas para fortalecer uma agenda fundamental para São Paulo: a agenda da mudança. Por isso aconselho que vocês, nas redes sociais, evitem ao máximo entrar em conflitos partidários ou caracterizar a luta da bicicleta como algo do meu governo, do Fernando Haddad. Isso não é uma questão partidária, mas um divisor de águas para a cidade, entre a saúde e doença, o passado e futuro", disse Haddad.

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Bicicletário no Largo da Batata, antes tarde do que mais tarde | Bike é Legal

Aline Cavalcante
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Era pra ser final de março, depois final abril e por último maio. Mas só agora, em agosto, que o bicicletário Municipal do Largo da Batata finalmente será inaugurado e aberto para toda a população (lembrando que a ciclovia da Faria Lima demorou 20 anos para começar a sair do papel - e ainda não foi concluída. Estamos no lucro).

Apesar dos atrasos, a estrutura é bastante comemorada por ciclistas e frequentadores da área já que, além do estacionamento gratuito para bicicletas, o espaço terá ainda mobiliário urbano, bebedouros, conexão Wi-Fi, oficina mecânica e uma floricultura. Para utilizar o estacionamento será necessário fazer um cadastro simples, com nome e documento.

Fel Meireles
Largo da Batata fica no bairro de Pinheiros, zona oeste de São Paulo
Largo da Batata fica no bairro de Pinheiros, zona oeste de São Paulo

O bicicletário terá cerca de 100 vagas disponíveis, segurança e funcionamento 24 horas por dia, conquista muito importante alcançada graças a um abaixo-assinado virtual, mobilizado pela CicloLiga, que juntou quase 23 mil assinaturas reinvidicando um estacionamento para bicicletas na área. Fato que demonstra a importância da sociedade civil nos processos de participação e construção de uma cidade democrática.

Divulgação / Cicloliga
Entrega do abaixo-assinado ao sub-prefeito de Pinheiros
Entrega do abaixo-assinado ao sub-prefeito de Pinheiros

O bicicletário vem para cravar mais um ponto dessa cidade construído à várias mãos, em benefício das pessoas que usam bicicleta. Particularmente comemoro muito a conquista, recentemente tive uma roda dianteira furtada ao estacionar minha bicicleta em um poste perto da estação Faria Lima de metrô.

Inauguração!

Nos dias 02 e 03 de agosto, sábado e domingo, estão previstas diversas ações no evento #BikenaBatata para comemorar a abertura do bicicletário, as atividades vão desde aulas para ensinar a pedalar, oficina mecânica Mão na Roda, até shows, DJ's e jogos de Bike Polo.

Eu estarei lá nos dois dias. Vamos?! Acompanhe toda programação e PARTICIPE!

Ocupação do Espaço Público

Bastante famoso pela grande ocupação de nordestinos, o Largo da Batata é um lugar super estratégico para a cidade! Além de ficar ao lado da Avenida Faria Lima e da ciclovia, está envolto de uma grande área comercial, pontos de cultura, transporte público e estações de trem/metrô - mas vem sofrendo bastante com o processo de urbanização-higienista e gentrificação (movimento de expulsão de antigos moradores, normalmente os mais pobres) de Pinheiros.

Thiago Coelho / A Batata precisa de você
Ocupação no Largo da Batata
Movimento "A Batata precisa de você" ocupa o no Largo

Foi abandonado e descaracterizado, virou símbolo do esvaziamento e da inversão de valores dessa cidade, com espaços públicos inóspitos, perigosos e desconfortáveis.

Mas, há alguns meses, o local vem mudando de cara e ganhando um novo talento: da resistência popular!

Voltou a ser ponto importante para grandes manifestações, recebeu blocos de carnaval, quermesses públicas, feirinha, shows e, mais recentemente, é palco do movimento "A Batata Precisa de Você" - um coletivo da sociedade civil que se encontra semanalmente todas as sextas-feiras, a partir das 19h, com atividades para ressignificar o Largo e torná-lo (de novo) um ambiente agradável para antigos e novos frequentadores.

*Sobre ocupação de espaços públicos em São Paulo indico a leitura do ótimo Trabalho de Conclusão de Curso - FAU/USP - da (agora) arquiteta Carol La Terza.

Faça parte da mudança! A cidade PRECISA de você :)

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400km: E agora? Fortalecendo o apoio e a crítica | Bike é Legal

Aline Cavalcante
Aline Cavalcante

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Há algumas semanas, a Secretaria de Transportes de São Paulo vem entrando em contato com alguns ciclistas da cidade para apresentar - junto à equipe técnica e CET - as principais diretrizes que irão nortear a implementação dos 400km de infraestrutura cicloviária da capital, promessa de campanha do prefeito Fernando Haddad (PT).

Na última dessas reuniões, o próprio secretário Jilmar Tatto esteve presente junto com parte do corpo técnico da Companhia de Engenharia de Tráfego, apresentou a proposta, se colocou à disposição para dialogar e, nas palavras dele, "jogar peteca com os cicloativistas", fazendo referência a um esporte onde todos os lados precisam estar em sintonia e juntos para continuar jogando bem.

Renata Falzoni
O prefeito Fernando Haddad pedalou pela ciclovia do centro no último sábado (07)
O prefeito Fernando Haddad pedalou pela ciclovia do centro, que deu início ao plano de 400km

Não é a primeira vez que prefeituras procuram se aproximar de alguns movimentos sociais importantes. Porém essa gestão, especialmente, tem feito um trabalho até surpreendente ao dialogar com movimentos de transporte (passe livre, ciclistas, etc), habitação, entre outros. No entanto, a crítica aos processos de como isso acontece é bastante frequente, levantando questões delicadas e sutis.

O relacionamento entre Haddad e o cicloativismo se estreitou após a criação da primeira grande campanha de respeito e proteção ao ciclista, veiculada amplamente nos principais meios de comunicação da cidade, atendendo a pedidos e manifestações - inclusive - na porta de sua residência. A campanha foi criada em parceria com um grupo de "ciclistas comunicadores" que se dispuseram a ajudar a prefeitura nesse processo. Relembre todos os vídeos aqui.

O resultado? Uma das melhores campanhas públicas já vistas nesse país, sendo utilizada como argumento, referência e exemplo para outras cidades. A ação fez parte de um tripé do qual Haddad havia se comprometido a por de pé: 1- campanhas educativas, 2- construção de infraestrutura e 3- espaço de diálogo institucional com a prefeitura.

Não tenho muita vivência sobre a política paulistana, moro aqui há pouco mais de 6 anos e o que posso dizer é que nesse 'pouco' tempo muita coisa mudou. Muita! Definitivamente a questão da bicicleta entrou de verdade na pauta de SP e a gestão do prefeito Fernando Haddad não só entendeu a mensagem como parece estar se esforçando para que esse sonho se torne algo real até, pelo menos, o fim do seu mandato.

Críticas

Das críticas, inclusive entre ciclistas, as mais regulares têm a ver com processos e comunicação. Quem participa dessas reuniões? Como são definidas as coisas? Que representatividade se tem? Onde podemos encontrar mais informações dos projetos? E a participação da sociedade civil? Quem está por trás?

Renata Falzoni
Da promessa de 400km, foram concluídos 5,2km de vias exclusivas para bikes
Secretário de Transporte Jilmar Tatto(esq.) pedala no lançamento da ciclovia Escola Politécnica

Nesse sentido, a Ciclocidade (Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo) puxou uma plenária na semana passada, chamada de 400km - E Agora?, para entender qual o posicionamento deveria ter diante de um cenário bastante delicado: abertura política, interesse social, participação e influência de/para poucos.

Amadurecimento e organização

De fato, os processos participativos no Brasil estão sucateados e distorcidos (e não só eles) há muito tempo. Mas se durante todos esses anos de protestos e bicicletadas o que cicloativistas imploraram era por espaços nas políticas públicas da cidade, talvez seja a hora de tentar pelo menos tirar uma casquinha do que vem sendo prometido e nunca cumprido.

Para isso, é fundamental amadurecer o movimento e ter organização pelo menos entre nós para que a fragilidade dos processos públicos não comprometa as possibilidade de, finalmente, ver o início da mudança ir para as ruas e salvar vidas.

"É preciso elevar a barra da qualidade nas discussões; levar críticas que podem ser assimiladas pelo poder público", disse o diretor da Ciclocidade, Gabriel Di Pierro, durante a plenária. Não adianta só gritar, sem propor, criticar por criticar. É preciso se dispor a entender os lados, os interesses e as possibilidades. Tem que se envolver!

Hoje, além de Associações e grupos organizados, temos 2 ciclistas integrando o Conselho Municipal de Trânsito e Transporte (uma demanda atendida depois de muita pressão), cadeira no Conselho da Cidade, Frente Parlamentar pela Mobilidade Humana e algumas dezenas de parlamentares em defesa dos ciclistas e pedestres. Parece pouco, mas é não é.

Murilo Azevedo
Ciclovia Politécnica
Equipe do Bike é Legal acompanhou a inauguração da ciclovia na avenida Escola Politécnica

Como bem lembrou o JP Amaral (Bike Anjo) também durante a plenária, "Todas as cidades passam por dilema no diálogo entre sociedade civil e poder público, precisamos de diretrizes fundamentais (e não critérios que engessem) para nortear a qualidade do que for proposto, mesmo com flexibilidade". Para isso, é importante criar diálogo e consenso entre nós, ciclistas, unificar o discurso, fortalecer espaços coletivos de debates e, claro, espalhar as informações.

Mapeamento das ciclorrotas, distribuição de bicicletas 'públicas', pintura de ciclofaixas, 400km de ciclovias, etc. Tudo merece e precisa ser criticado para ser melhorado.

Todas as cidades também cometeram erros. Cada lugar teve uma história própria, inclusive de participação mais ativa ou passiva da sociedade civil. Passou da hora do paulistano tomar de novo essa cidade para si, participar, se envolver, criticar e apoiar. A história é nossa, a luta é diária.

Murilo Azevedo
Contagem da Ciclocidade registrou 648 ciclistas na avenida Eliseu de Almeida
Trecho da ciclovia da avenida Eliseu de Almeida também foi inaugurado em 2014

São Paulo é uma cidade megalomaníaca, gigante, extremamente complexa, cheia de problemas, rodeada de interesses obscuros e prioridades invertidas. Mas também é um lugar absurdamente criativo, cheio de diversidades, gente bacana, lugares inspiradores, força política e grana!

Mesmo concordando com várias dessas críticas, eu estou disposta - mais uma vez - a participar do processo e tentar fazer disso algo menos problemático possível.

Precisamos nos fortalecer para a mudança. E se preparem porque a paulada vai vir de todos os lados. De que lado você está?

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Insano! Palavra que define o primeiro Critério Fixed no RJ | Bike é Legal

Aline Cavalcante
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Foi uma noite épica pra quem curte velocidade e adrenalina.

No último sábado, dia 17 de maio, rolou na cidade maravilhosa o primeiro Critério Fixed, corrida destinada às "rodas fixas", em circuito curto e fechado. "Fixas" são aquelas bicicletas utilizadas em velódromo e que, ao serem trazidas e adaptadas para o asfalto, transformou ciclistas urbanos em verdadeiros atletas das ruas.

IHATEFLASH
Criterium Fixed, competição aconteceu em frente ao Maracanã, Rio de Janeiro
Criterium Fixed, competição aconteceu em frente ao Maracanã, Rio de Janeiro

A prova teve como cenário nada menos do que todo o charme do Maracanã e participaram quase 70 malucos aficionados pela cultura urbana das fixed gears, elas que além de lindas são super simples e absurdamente velozes.

Marcaram presença no evento equipes de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília, São José dos Campos, Porto Alegre, Espírito Santo, além de ciclistas do Chile, Escócia e Inglaterra. Num total de 21 inscritos na 'Categoria Masculina 1', 35 na 'Categoria Masculina 2' e 11 meninas na Categoria Feminina.

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Criterium Fixed, competição aconteceu em frente ao Maracanã, Rio de Janeiro
Criterium Fixed, competição aconteceu em frente ao Maracanã, Rio de Janeiro

O circuito tinha 1.8km/volta e algumas curvas. Para as meninas era permitido o uso do freio, para os meninos o freio era proibido e recomendado o uso de guidão drop. Era obrigatório o uso do capacete para ambos.

A competição começou com a categoria feminina. "Foi muito emocionante, a Carina (SP) na frente liderando as 5 voltas e na última a Bibi (RJ) e Stephani (RJ) vieram voando e ultrapassaram. Foram no total 6 voltas e uma distância de 10.8km". Relatou para o Bike é Legal, Ciro Lupo, que ajudou a organizar a prova junto com toda a galera do RJFG, entre eles, Alex Bueno, Bernardo Falcão, Claudio Brandão e Thainan Castro. 

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Criterium Fixed, competição aconteceu em frente ao Maracanã, Rio de Janeiro
Criterium Fixed, competição aconteceu em frente ao Maracanã, Rio de Janeiro

"Na sequência rolou a Categoria Masculina 2, com 10 voltas e uma distância total de 18km. Largaram mais de trinta competidores e só 13 completaram. O resto ficou pelo caminho, a cada volta os pelotões eram menores. O primeiro pelotão estava enorme e foi liderado a prova inteira pelo Jean (SP) e Suryan (RJ), um fazendo a proteção do outro, mas o pneu do Suryan estourou, ambos cairam e o Lucas(RJ) ultrapassou bem no final, foi demais!".

"A Categoria Masculina '1', foi INSANA. O pelotão principal se formou com quatro ciclistas que estiveram à frente a prova inteira. Foram 14 voltas, uma distância de 25km e velocidade média de 40km/h! Waldo era o chileno favorito, mas quem levou no final foi o Diego, o único representante de Curitiba/PR, com muita técnica, estratégia e habilidade", disse Ciro.

Na linha de chegada ainda teve acidente com o segundo pelotão que chegou com uma diferença de quase 3 minutos e vazou o cerco de proteção, mas sem gravidade. Veja nesse vídeo.

Acompanhe aqui o resultado final do Critério Fixed realizado no maracanã/RJ.

Veja mais fotos:

Victor Gollnick
I Hate Flash
Rennan Bacellar

Emoção Total

O formato Criterium é reconhecido pela UCI (União Internacional de Ciclismo) desde a década de 80, mas era originalmente uma prova de speed. O formato foi incorporado pelas fixas que agregaram ainda a cultura do street art, ambientes suburbanos, degradados e até com realização de corridas ilegais.

IHATEFLASH
Criterium Fixed, competição aconteceu em frente ao Maracanã, Rio de Janeiro
Criterium Fixed, competição aconteceu em frente ao Maracanã, Rio de Janeiro

As provas mais conhecidas atualmente são Red Hook e WolfPack Hustle. A primeira rola todos os anos em Nova York, Barcelona e Milão, é super bem organizada e tem inscrições prévias. Já a segunda acontece em Los Angeles e começou reunindo ciclistas na madrugada para aproveitar o circuito fechado da tradicional maratona de LA, um dia antes dela acontecer. Com pouca organização e sem inscrições prévias, hoje o WolfPack reúne mais de 5000 ciclistas o que, inclusive, tem sido um problema considerando a baixa infraestrutura utilizada.

O tesão do Critério é justamente a mistura entre a técnica sobre a bike, experiência de rua (já que os circuitos são curtos, intensos e com muitas curvas), capacidade de arrancada, habilidade de andar em grupo e, claro, muito fôlego.

Aqui no Brasil já tivemos provas similares em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, onde a cultura das bicicletas de roda fixa (e dos bike messengers) vem crescendo vertiginosamente. Mas no Rio de Janeiro foi a primeira vez que o Critério Fixed aconteceu no formato de circuito inteiramente fechado, sem interferência de carros nem pessoas, apoio da Prefeitura, Federação de Ciclismo, da Pedal2 e da FIFA (!!!!!) e com a presença importantíssima de duas ambulâncias e equipes de socorristas.

Competições assim são super legais e viraram tendência mundial. Elas dão visibilidade às várias possibilidades incríveis da bicicleta e ajudam a disseminá-la, inclusive, como um meio de transporte eficiente já que muitos dos participantes são pessoas "normais", com rotinas nada atléticas nem necessariamente saudáveis, mas que fazem dos seus trajetos diários o motivo perfeito para aperfeiçoar seu condicionamento físico e ganhar malícia de rua - característica indispensável para sobreviver ao trânsito caótico das grandes cidades.

Parabéns a TO-DOS pela participação e organização do Critério, por aqui só ouvi ótimos feedbacks e muitos elogios. Dá próxima eu prometo participar! :)

Ps.: Um agradecimento super super super especial ao Albert Pellegrini, meu consultor particular sobre absolutamente tudo que envolve a cultura da bicicleta no Brasil e no mundo. Você é o cara!

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Pra entender da rua precisa estar nela | Bike é Legal

Aline Cavalcante
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Em abril a montadora FIAT lançou uma campanha que tinha tudo pra ser um avanço sobre o que conhecemos de publicidade de carro no Brasil, cujo conteúdo é sempre pouco (ou nada) além do óbvio compre-liberdade-você-precisa-de-status-blábláblá.

Com um olhar voltado para o comportamento das pessoas a campanha Vacilão na rua, NÃO tentou trazer para o debate as responsabilidades de todos no trânsito. Mas errou no tom, e errou feio.

Reprodução
Campanha Vacilão na Rua NÃO
Campanha Vacilão na Rua NÃO

Dois pesos, duas medidas

A campanha dos vacilões expõe uma interpretação superficial e insensível ao colocar na mesma balança, no mesmo patamar, pessoas e máquinas. "Velhinhas bondosas, ativistas sociais, instrutores de autoescola e professores de ioga. Sim, todos eles são vacilões. Nas ruas, motoristas, passageiros, pedestres, ciclistas, motociclistas e até condutores de ônibus estão vacilando o tempo todo", diz o texto da campanha.

Impossível tratar com a mesma rigidez de responsabilidades quem está utilizando um transporte humano e quem está em um transporte motorizado. Aqui não dá pra desconsiderar que o motor muda completamente a relação entre as coisas a partir do momento que se coloca em jogo as velocidades incompatíveis entre eles.

Ou seja, para transportes humanos (pedestres e ciclistas) precisamos falar em direitos e deveres (bem) diferentes de motorizados, simples assim.

Se na lei todo pedestre tem que atravessar na faixa dedicada a ele, num mundo ideal, teríamos faixas em todos os lugares. Ou melhor, não precisariamos de faixas de pedestre em nenhum lugar porque a cidade inteira seria uma gigante faixa imaginária onde os motoristas se preocupariam em desacelerar e respeitar o mais frágil de acordo com o Código de Trânsito de qualquer lugar do mundo.

Culpando quem é vítima

Quando a campanha chama de vacilão o ciclista que está pedalando na calçada ou o velhinho que está atravessando a rua bem devagar, ela simplesmente ignora uma série de questões de sobrevivência diante de anos de desrespeito com quem não tem carro no Brasil.

As ruas e espaços públicos estiveram durante décadas à serviço do automóvel que, para garantir sua fluidez, destruiu praças, árvores, enterrou rios e matou pessoas. Opa, MATOU E MATA PESSOAS todos os dias. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) "acidentes" de trânsito matam o quatro vezes mais do que em guerras e conflitos. E aqui cabe ainda uma outra discussão gigante sobre o que chamamos de "acidente" que é, muitas vezes, CRIME.

Pelo tom genérico da campanha da FIAT, um possível "erro" cometido por pedestres e ciclistas seria motivo suficiente para justificar um 'acidente'. Implicitamente passa-se a mensagem que "Morreu porque vacilou!", afinal a rua é lugar pra jovens espertos, né?! Ou então compre um carro e se proteja.

Concordo que todos temos direitos e deveres, que somos SIM responsáveis uns pelos outros, que um ciclista ou um pedestre bêbado-doidão pode ser um perigo nas ruas, porém absolutamente nada supera o inverso: Uma pessoa descompensada dentro de um carro pode provocar tragédias. Sabe por quê? Porque carro MATA, carro é uma arma, que tem licença permitida e, atualmente, impunidade garantida.

Aí está minha crítica: Como colocar todas essas questões delicadas na mesma balança num momento onde ciclistas e pedestres batalham pra *conseguir existir*, viver nas ruas e, finalmente, ter prioridade nas políticas públicas?!

Traffic calm

Querem ruas mais seguras? ACALMEM ELAS! Quanto maior a velocidade permitida na via, menor a chance de vida em caso de qualquer fatalidade. Entendo que fatalidades podem sim acontecer, mas permitir e legitimar que em vias urbanas (por onde passam pedestres, ciclistas, carroceiros, cachorros, crianças) uma máquina possa desenvolver velocidades exorbitantes de 60km, 70km e até 80km/h é uma declaração de extermínio em massa.

Um estudo do Observatório de Segurança Viária da Espanha mostrou que pessoas atropeladas por veículos a 80km/h quase sempre morrem, enquanto apenas 40% vêm a falecer com um impacto a 50km/h, e apenas 5% quando a velocidade cai para 30km/h.

Compartilhamento, respeito e convivência

Essa (e outras) responsabilidade não está na conta do custo real de um automóvel e é covardemente implícito por propagandas mentiroas. Aqui cabe pontuar que não se trata de uma guerra contra os carros, mas um manifesto pela vida, por cidades equilibradas e saudáveis.

"FIAT a marca que mais entende da rua". Por fim, se o carro é visto hoje como o símbolo de isolamento e desumanização das cidades como acreditar que uma montadora entenderia do que acontece exatamente no lugar de onde ela "enlatou" e tirou o convivívio das pessoas??

Pra entender da rua, em primeiro lugar, precisa-se estar nela.

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Mais amor, menos pudor! | Bike é Legal

Aline Cavalcante
Aline Cavalcante

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Pedalar pelado não é das coisas mais confortáveis do mundo. Para além das questões práticas de selim e tal, existe uma questão bem mais complexa diante de um mundo preconceituoso, machista e conservador que não sabe lidar com o nú em protestos (principalmente feminino) nem com as diferenças - entre os corpos e entre escolhas.
Ivson Miranda
Aline Cavalcante na 7º edição do World Naked Bike Ride em São Paulo
Aline Cavalcante na 7º edição do World Naked Bike Ride em São Paulo

Participar do World Naked Bike Ride pode ser uma vivência inesquecível de aproximação entre pessoas da vida real que estão ali, cheias de "imperfeições", expostas, com pouca (ou nenhuma) roupa, diante de julgamentos morais que, pelo menos naquele microcosmos de espaço e tempo, precisam ser revisto - é justamente aí onde mora a beleza da experiência.

Este ano, pela terceira vez consecutiva, a pedalada rolou à noite e, coincidências à parte, também há 3 anos acontece com muita tranquilidade sem a presença da polícia "acompanhando" a manifestação. A única que seguiu firme a massa do início ao fim foi uma lua cheia maravilhosa garantindo um clima delicioso de muito amor, paz e alegria por onde passássemos.

Dentro da massa de ciclistas-peladões o ambiente é super seguro e confortável. A nudez é apoiada e todos respeitam a decisão de cada um: "tão nú quanto ousar", "obsceno é o trânsito", "eu nasci pelado", "mais amor, menos pudor", "meu corpo, minhas regras", "respeite" - foram algumas das frases pintadas e/ou gritadas em um coro arrepiante.

Muito além da bicicleta

Estranho como mesmo com todos os incentivos, poucas mulheres têm de fato a coragem de expor seus corpos por completo e - digo com propriedade - muito mais pela recepção fora da massa do que dentro dela. No grupo somos protegidos uns pelos outros, é uma sensação única de acolhimento, força e identificação, afinal estamos todos do mesmo lado da moeda. Este ano não foi diferente, muita gente (calculo mais de 500 pessoas) e felizmente muitas mulheres também.

Somos cada dia mais numerosas, enfrentando o machismo, o desrespeito e assédio diariamente nas ruas, problemas graves que têm efeitos devastadores.

É impossível não sentir, ver e ouvir as reações invasivas de uma cidade que basicamente não é acostumada com esses trajes (ou a falta deles). Na Vila Madalena, bairro nobre, "muderno", "criativo" e boêmio de São Paulo, os olhares e comentários mais abomináveis partiam das mesas de bar entre rapazes bem vestidos e, pasmem, de outras garotas.

Com a diferença de que enquanto elas se isolam em carros-forte, argumentos-blindados e apartamentos-prisão, a gente se expõe de corpo e alma para escancarar um problema gravíssimo do qual elas também são vítimas: o assédio que limita o direito das mulheres à cidade.

Deixar de caminhar à noite, pensar duas vezes antes de colocar uma roupa curta, atravessar a rua ao avistar um estranho e deixar de pedalar por medo de abordagens são sintomas graves de uma doença silenciosa que se espalha como um câncer por nossas cidades - Muito por falta de uma discussão responsável e séria sobre o tema.

Sim, a bicicleta!

Apesar disso, felizmente, por todos os lugares que passamos, a maioria das pessoas nos recebeu com olhares de espanto seguidos de risadas gostosas, acenos de apoio e expressões de admiração. Muita, muita gente mesmo aplaudiu a massa em apoio à causa da bicicleta. As reações provocadas pela pedalada pelada têm sido cada dia mais amistosas e de compreensão sobre sua importância para a sociedade, sinal de que existe sim um mundo muito diferente do que passa na TV.

Por falar em TV, sempre ela para criar as bizarrices mais estranhas na cobertura de qualquer manifestação. Nem vale a pena colocar aqui o link, mas esse ano novamente a equipe de um programa humorístico estava lá na Praça do Ciclista para cobrir o encontro, batendo ponto com a abordagem de rotina: fútil, inútil e superficial. A dupla de repórteres foi vaiada desde a hora que chegou na concentração até a hora que foi embora, sob xingamentos e tintas. Como confiar em um programeco que ganha a vida fazendo chacota das pessoas, piadas sem graça, expondo-nos ao ridículo e "objetificando" as mulheres? Francamente...

Porém a beleza de todo movimento vai além dos olhos viciados da imprensa tradicional e do julgamento moral de quem só enxerga o mundo sobre vidros e grades de proteção.

É preciso ir além, tem que participar para ver de perto o que as coisas significam de verdade. Como diz uma grande amiga minha, a Natália Garcia, só quem voa consegue enxergar em outra dimensão o que está acontecendo.

Saia da superfície, sobe aí na bicicleta e vem voar com a gente!

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Mais amor, menos pudor! | Bike é Legal

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Por que protestar pelado? | Bike é Legal

Aline Cavalcante
Aline Cavalcante

HOME Bike é Legal

Amanhã, sábado, não se assuste se cruzar com algum ciclista peladão por aí. É que acontece em São Paulo a Pedalada Pelada, versão brasileira do movimento internacional World Naked Bike Ride, que tem entre os objetivos escancarar para a sociedade como se sentem os ciclistas no trânsito: nús, frágeis, invisíveis e sem nenhuma proteção.

Renata Falzoni
Pedalada dos Pelados 2013 em São Paulo.
Pedalada dos Pelados 2013 em São Paulo.

A "Peladada" acontece na capital paulista pelo sétimo ano consecutivo e já não enfrenta problemas com a polícia há pelo menos 3 edições, quando o protesto passou a ser realizado à noite e não mais durante o dia. Ninguém é obrigado a tirar a roupa, o lema é "tão nú quanto ousar", mas é estimulado que se utilize o próprio corpo para passar mensagens de conscientização.

No Brasil, só este ano, o protesto já aconteceu nas cidades de Porto Alegre, Belo Horizonte, Florianópolis e Rio de Janeiro. Em São Paulo, são esperadas mais de 500 pessoas.

Mas, por que pelado?

Porque só assim para sermos vistos pela população, governo e mídia! Porque obsceno é o trânsito! Obscenas são as mortes provocadas pela violência nas ruas! Obscena é a poluição do ar! Porque é assim que nos sentimos todos os dias pedalando nas cidades brasileiras, nús e desrespeitados.

Estranho perceber o quanto a nudez ainda é combatida por grande parte da sociedade quando tem fins de protesto, mas poucos desses se importam com o show de peitos e bundas durante o carnaval. A hipocrisia do brasileiro cega e distorce os fatos para o verdadeiro desrespeito que o ato pacífico representa, o desrespeito com a vida.

Tire a roupa e demonstre sua insatisfação com muita criatividade e alegria!

WNBR 2014

Quando: Sabado, dia 15/03
Concentração: a partir das 18h
Onde: Praça do Ciclista (cruzamento das Avenidas Paulista x Consolação)
Saída: 20h

Veja na videorreportagem como foi a sexta edição da Pedalada Pelada de São Paulo, em 2013:

World Naked Bike Ride. Veja como foi a edição 2013 em São Paulo 

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Os brasileiros e suas bicicletas

Aline Cavalcante
Aline Cavalcante

HOME Bike é Legal

Depois de mais de 7 meses na estrada, Felipe Baenninger fala sobre a cicloviagem que está mudando radicalmente sua vida. 'Transite' é um projeto fotográfico que durante 2 anos (e mais de 17 mil quilômetros rodados) vai captar imagens sobre o universo da bicicleta pelo Brasil e depois se transformará em um fotolivro para mostrar a cara do ciclista brasileiro.

Reprodução
Felipe Baenninger viaja pelo Brasil de bicicleta
Felipe Baenninger viaja pelo Brasil de bicicleta

Nesse momento Felipe está em Belo Horizonte/MG e deve seguir viagem no início de março. "Já percorri cerca de 4000km, estou indo pro oitavo estado sentido Campo Grande/MS. Agora estou em BH junto com o pessoal da Associação BH CICLO, já entrevistei centenas de pessoas e os retratos estão ficando maravilhosos, histórias de todos os tipos, de quem usa e até de quem odeia bicicleta. Daqui vou passar pelo sul de Minas, triângulo mineiro, interior do estado de SP, entrando no Mato Grosso do Sul por Três Lagoas. Dali devo rumar para Rondônia e depois Acre (muito frio na barriga)".

Assista ao vídeo que foi exibido recentemente durante o Fórum Mundial da Bicicleta, em Curitiba, que mostra o início da expedição, as pessoas com quem ele está cruzando no caminho, a emoção de falar com a família, a felicidade de pedalar na companhia da própria mente, perrengues e alegrias desse rolê fascinante.

"Viajar de bicicleta é lidar frente à frente com o desconhecido, o tempo todo", matem um pouquinho das saudades do queridíssimo Felipe Baenninger!

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Entre flores, subversão e amores | Bike é Legal

Aline Cavalcante
Aline Cavalcante

HOME Bike é Legal

Sábado, dia 22 de fevereiro, foi um dia inesquecível pra muita gente. Em especial para Talita Noguchi e Luiza Poli, duas grandes amigas que selaram o amor em praça pública. Elas se casaram e dividiram com a gente a alegria de festejar as melhores coisas da vida, o amor verdadeiro sem cerimônias, à céu (e peito) aberto(s), com o pé na areia e sol irradiando nas nossas nucas.

Renata Winkler
A caminho do casório
A caminho do casório

Inspirador, pra dizer o mínimo.

O casamento delas representou muito mais do que a união entre pessoas do mesmo sexo - que por si só já é emocionante já que essa possibilidade só foi reconhecida pela lei brasileira há pouco mais de 2 anos. O amor que era renegado e que não podia ser, ao menos, pronunciado foi comemorado em praça pública, pra quem quisesse ver e sentir.

Vanja Poty
Entrada triunfal
Entrada triunfal

O conjunto de simbologias que fizeram daquele momento algo mágico e renovador vão desde os trajes 'obrigatórios' da festa (bermudas, chinelos e cangas no chão) até o brinde com champa em copos de plástico. O estacionamento lotado de bicicletas e as redes estendidas entre um tronco e outro. Pessoas no microfone quebrando protocolos (quais?) e uma corda de tirolesa no meio da praça. Vizinhos desconhecidos se divertindo como penetras convidados e cachorros comendo o bolo escondido. Sem contar com as presenças especialíssimas de Cindy Lauper, New Order, Madonna, Bloody Mary Una Chica Band, Sapabonde animando a pista.

Gonzalo Cuellar
Praça pública para celebrar o amor
Praça pública para celebrar o amor

Conheci Talita e Luiza graças à bicicleta e quando digo que pedalar é só a ponta do iceberg para tudo que a vida tem de mais interessante, é disso que tô falando. Permita-se. Experimente. A bicicleta sozinha é só uma bicicleta sozinha, assim como uma pessoa em cima dela pode não representar absolutamente nada.

Mas, ela pode ser sim os óculos que faltavam para enxergar um novo mundo. Cheio oportunidades, de possibilidades, de pessoas reais experimentando novas vidas, novos amores, novas relações, novos empregos, novos rumos, outras escolhas. Se deixe levar, abra a mente e o coração.

Durante a tarde do dia 22 de fevereiro tive certeza de que a felicidade é muito subversiva e amor, de fato, é lindo.

Vanja Poty
E viva o amor!
E viva o amor!
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Amor é a palavra de ordem do Fórum Mundial da Bicicleta | Bike é Legal

Aline Cavalcante
Aline Cavalcante
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Acabo de voltar à realidade paulistana depois de dias intensos em Curitiba, onde tive o privilégio de participar do III Fórum Mundial da Bicicleta, evento que reuniu milhares de pessoas em torno de uma só paixão: bi-ci-cle-ta.

Durante os quatro dias foi possível ver de perto a relevância que o Fórum ganhou nos últimos anos e se tornou, hoje, um dos eventos mais importantes no calendário nacional, especialmente por ser uma autêntica atividade capitaneada e promovida pela sociedade civil.

O encontro foi, no mínimo, histórico.

Durante a abertura, a gaúcha Lívia Araújo - uma das integrantes da equipe que organizou o FMB nos dois últimos anos em Porto Alegre - lembrou que o Fórum é resultado da superação positiva a uma violência extrema provocada em fevereiro 2011. "A partir do atropelamento da Massa Crítica pudemos devolver para a cidade algo assim: bonito, simples, cheio de amor e amizade em busca por algo maior e melhor".

Reynaldo Berto
Bike é amor, por Reynaldo Berto
Bike é amor, por Reynaldo Berto

Goura Nataraj, diretor da Ciclo Iguaçu - a Associação de Ciclistas de Curitiba - fez questão de lembrar que as cidades brasileiras precisam ser mais inclusivas aos que usam seus espaços. "Curitiba é conhecida internacionalmente pelo seu urbanismo, mas ainda precisa contemplar ostensivamente pedestres, ciclistas, cadeirantes, idosos, crianças e todos".

As participações internacionais são sempre importantes para dar a dimensão global do trabalho que vem sendo realizado por aí. Mona Caron, Elly Blue, Chris Carlsson, Carlos Cadena, Galo Cárdenas e tantos outros nomes foram responsáveis por inspirar todos nós.

Além do aspecto mais histórico, muitos deles trouxeram - nas suas diferentes visões - a questão da economia e da cooptação clara da bicicleta pelo capitalismo. "Quando começamos a lutar pelas bicicletas não queríamos criar um 'playground sustentável' para os ricos. Queríamos mudar a cidade", provocou a artista Mona Caron quando falou do início do movimento Critical Mass em São Francisco, na Califórnia.

Porém gostaria de destacar aqui neste blog uma das participações mais marcantes para mim nesse FMB, a da querida Renata Falzoni, figura conhecida por muitos de nós e que guarda histórias incríveis nesses mais de 20 anos de ativismo em prol da mobilidade por bicicleta no Brasil.

Renata Falzoni
Renata Falzoni no III Fórum Mundial da Bicicleta, Curitiba(PR)
Renata Falzoni no III Fórum Mundial da Bicicleta, Curitiba(PR)

Falzoni foi aplaudida de pé por um auditório lotado durante o painel que dividiu com Chris Carlsson (SF/EUA) e Odir Zunge (SP/BRA). Ela fez uma apresentação emocionante e emocionada, mostrou vários momentos históricos da luta diária pelo direito de pedalar e deixou transparecer a revolta por tudo que vivemos.

Sua fala levou a platéia à reflexão sobre a angústia de mexer em seu baú e se deparar com as mesmas promessas não cumpridas de sempre. Ficou claro o descompasso que existe hoje entre as demandas crescentes da população e a falta de compromisso público com a questão da mobilidade urbana.

No âmbito político pouquíssima coisa mudou. Já olhando as iniciativas cidadãs, a realidade é gritantemente outra, mais bonita, poderosa e mais madura. "Olhando para esse auditório lotado, fico feliz em dizer que posso pendurar as sapatilhas a qualquer momento, não estou mais sozinha nessa luta" revelou emocionada.

OBRIGADA!

Por fim, quero deixar registrado meu agradecimento pela oportunidade única de ter vivido intensamente esse dias de Fórum Mundial da Bicicleta.

Arrisco dizer que o brilho maior desse evento está no amor inexplicável em torno do tema e das pessoas, nos encontros e reencontros, na construção coletiva que aproxima, na liberdade em permanecer desvinculado de qualquer marca, na alegria em receber pessoas novas, nas trocas de conhecimento e boas energias que unem e criam a liga perfeita.

Como disse o Chris Carlsson, é "um convite de amor para as pessoas, um evento para se apaixonar uns pelos outros". Estou, mais do que nunca, apaixonada por todos vocês.

Em 2015 nos vemos de novo, dessa vez em Medellin, na Colômbia!

 

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O sonho de se tornar inspiração internacional | Bike é Legal

Aline Cavalcante
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Esse final de semana estou na minha terra querida. Aracaju, capital de Sergipe, é conhecida por ser uma das cidades com a melhor qualidade de vida do país pela tranquilidade e beleza. Apesar do calor, há ciclistas por todos os lados, de trabalhadores a atletas. São pouco mais de meio milhão de habitantes e cerca de 70 quilômetros de ciclovias.

Pelas vias segregadas é possível cruzar praticamente toda a cidade pedalando, especialmente a zona sul onde estão as belíssimas praias. Mas ter vias segregadas não significa, necessariamente, uma cidade "amiga da bicicleta" e, apesar de já ter declarado todo o meu amor a Aracaju, continuo com as mesmas críticas de que falta um Plano Cicloviário de verdade, decente, que contemple bike boxes nos semáforos, ciclofaixas compartilhadas, bicicletários e mais sinalização nos cruzamentos - alertando motorista e ciclista.

Além disso, mesmo com as ciclovias que existem hoje, é preciso fazer a sua manutenção periódica, melhorar a iluminação e sinalização de rotas ao usuário (especialmente se este for turista).

A impressão que tenho, como ex-moradora que visita constantemente a cidade, é de que existe vontade política de melhorar cada vez mais a condição de quem pedala. Até há uma boa aproximação com a prefeitura e cicloativistas em luta.

Mas, por outro lado, falta um entendimento real sobre as necessidade de quem usa esse meio de transporte. A Associação Ciclo Urbano tem feito um trabalho muito bacana nesse sentido e vem ganhando força gradativamente, inclusive, dentro das decisões políticas da cidade.

Assista ao vídeo feito pela Renata Falzoni durante nossa passagem pela capital sergipana em setembro do ano passado. Avaliamos algumas das ciclovias e o estado em que se encontram atualmente.

Estimular o uso da bicicleta como transporte, lazer ou esporte e garantir a segurança do ciclista nas ruas exige mais do que ciclovias. É preciso estudo, projeto, debate, informação, aprofundamento, tentativa e erro.

Aracaju tem a faca e o queijo na mão: políticos interessados, aproximação com a sociedade, pessoas empenhadas e uma cidade com muito potencial.

Então o que falta para transformar esse sonho em uma realidade que seja exemplo e inspiração (inter)nacional?

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Saiba como se prevenir de roubos e assaltos a bikes | Bike é Legal

Aline Cavalcante
Aline Cavalcante

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Com o crescimento do número de bicicletas rodando pelas ruas do Brasil, os ciclistas estão conquistando cada dia mais espaço e respeito. O duro é que essa visibilidade traz também o ônus da exposição à violência urbana, com consequente aumento de assaltos e roubos - característica comum para qualquer cidade do mundo que viu o uso da bicicleta decolar.

Segundo alguns "antigões" como Renata Falzoni e Odir Zunge, vez ou outra acontecem esses picos de violência contra quem pedala, seja por que entram no mercado equipamentos importados mais caros, seja por que saem na mídia informações que fazem o 'olho deles crescer', ou simplesmente por que a tecnologia de trancas e cadeados fica defasada em relação à criatividade dos assaltantes.

Arte de Reynaldo Berto
Arte de Reynaldo Berto, cartunista do Bike é Legal
Arte de Reynaldo Berto, cartunista do Bike é Legal

Nos últimos dias, vimos os casos de assalto a mão armada, roubo qualificado e furtos se multiplicarem assustadoramente em São Paulo. Nos 20 primeiros dias de 2014, foram mais de 14 bicicletas roubadas, em situações diversas e absurdas, com direito até a espancamento gratuito. (Como vimos aqui no Bike é Legal acontecer com o ciclista Thiago Antonovas).

Por outro lado, sabemos que para quem mora nas regiões mais periféricas da cidade essa realidade é, infelizmente, um cotidiano comum. A violência urbana provocada pela desigualdade social invade a vida de todo mundo, ciclistas, pedestres, motoristas de qualquer idade, sexo, credo ou classe social.

Ciclistas: A bola da vez

De qualquer modo, a "febre pelas bicicletas" fez com que os ciclistas virassem a bola da vez, para o bem e para o mal. Reuni nesse post algumas dicas para você não entrar na triste estatística de pessoas que perderam suas bikes.

*A intenção aqui é reduzir os riscos da ação dos bandidos, sem entrar em paranóias, mas tomando alguns cuidados básicos. Mesmo assim, o risco de ter sua bicicleta furtada não pode ser um impeditivo para continuar pedalando.

Regra número 1: Compre uma boa tranca! Antes mesmo de adquirir uma bicicleta é essencial ter um bom cadeado. Cabos de aço (com qualquer espessura) são fáceis de cortar, então use-os como "auxiliares" para prender rodas de blocagem ou selim, mas nunca os utilize como a trava principal. A regra básica aqui é dificultar ao máximo a vida do ladrão.

Recomendo fortemente comprar as travas no modelo "U" feitas de ferro maciço e difíceis de quebrar. A desvantagem delas é o peso e a pouca flexibilidade de prender em qualquer lugar.

Murilo Azevedo
Trava do modelo em formato de U
Trava do modelo em formato de U

Recomendações antes de sair de casa:

- Se sua bicicleta chama muita atenção, é visada ou tem componentes mais caros, tente torna-la o mais "comum" possível, inclusive, cobrindo a marca do quadro com adesivos.

- Torne sua bicicleta um equipamento único, capaz de ser identificado por qualquer um que a encontrar na rua. Personalize, saiba de detalhes que identifiquem e comprovem que é sua!

- Fotografe o número de série e tenha ele anotado com você para sempre, normalmente esse "chassi" fica registrado próximo ao movimento central.

Na rua:

- Procure fotografar sua bicicleta estacionada em qualquer lugar que seja.

- Se não encontrar um bicicletário seguro e for prender em locais públicos, procure os mais movimentados, com grades e postes firmes ao chão. (Certifique-se que sua bicicleta não atrapalhará a passagem de pedestres na calçada). Evite os locais mal iluminados, escuros, desertos, ermos. Atenção: Ao estacionar sua bike na rua, leve com você todos os acessórios soltos, como as luzes traseira e dianteira, ciclo-computador, bolsas, etc.

- Se não se sentir seguro para deixar a bike na rua, procure um estacionamento de veículos que aceite bicicletas. Mesmo assim, não dispense o uso da trava + cabo dentro do estacionamento. Dica: O BikeIT! é um site colaborativo que mapeia locais "bikefriendly" em algumas cidades brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Maceió, entre outras. Vale a pena dar uma olhada.

- Vai dar aquela paradinha rápida para comprar uma água? CUIDADO!! É nessas horas que os oportunistas se aproveitam do descuido. Procure, ao menos, prender o quadro e a roda entre si, manter a bicicleta na sua visão, soltar freios ou virá-la de cabeça para baixo. Tudo para dificultar a vida do ladrão! Dica: Tenha sempre uma bicicleta um pouco mais "simples", barata, para o dia em que você souber que vai precisar deixa-la na rua, amarrada em postes por muito tempo.

- Enquanto estiver pedalando, mantenha a atenção nos carros que se aproximam, nas motos e pessoas suspeitas. É complicado fazer alguns tipos de julgamento, mas é mais ou menos a mesma percepção de perigo e a malícia que precisamos ter enquanto caminhamos, estamos no ônibus ou dirigindo. A diferença é que de bicicleta é possível pegar uma contramão aleatória, mudar o caminho constantemente e parar num ponto movimentado.

- Não esqueça que carro é uma arma! Pense trinta vezes antes de responder com xingamentos ou agressão qualquer situação no trânsito. A facilidade disso se reverter muito mais negativamente ao ciclista é infinitamente maior. Por isso, às vezes vale mais a pena respirar fundo do que partir pro ataque! Não entre na mesma paranóia estressante e violenta que acomete motoristas malucos, afinal, é justamente em busca de paz e tranquilidade que escolhemos andar de bicicleta, não é?!

- Dificíl falar "evite sair à noite" porque o medo não pode ser motivo para se privar de fazer qualquer coisa, mas note que quanto menos gente nas ruas, mais insegura ela fica. Então quem costuma pedalar à noite e de madrugada aproveite a "invisibilidade" da bicicleta ao seu favor, ou seja, ao passar por lugares ermos ou com movimentação estranha, apague as luzes e evite chamar a atenção. Redobre os cuidados, escute o trânsito e, em caso de assalto, nunca reaja! Sua vida vale mais do que qualquer equipamento.

Dentro de casa/carro/prédio:

- Já ouvi alguns relatos de amigos que perderam suas bicicletas dentro do estacionamento do trabalho e até em suas próprias residências, um absurdo que pode ser evitado. Procure sempre prender sua bicicleta. Atenção: Para bicicletas mais caras (ou acima de uns R$3.000) já vale a pena dar uma pesquisada em seguradoras que cobrem roubos e furtos.


Por fim, teve a bicicleta roubada? O que fazer?

Primeiro de tudo, faça um Boletim de Ocorrência na delegacia mais próxima ou pela internet (para isso é aconselhável ter em mãos o número de série da bike e a maior quantidade de informações e detalhes na identificação dela). Se você tiver a nota fiscal, melhor ainda!

O BO é um documento muito importante caso sua bicicleta seja encontrada com outra pessoa ou sendo vendida por aí. Mesmo que, na prática, o BO não garanta muita coisa, ele também serve para gerar estatísticas de roubo, características e até a possibilidade de ter um "mapa" dos bandidos - o que determinaria ações estratégicas do poder público.

Cadastro Nacional de Bicicletas Roubadas

Existe no Brasil um cadastro feito gratuitamente a partir de registros de vítimas de assaltos, roubos e furtos. Cadastre sua bicicleta em: http://www.bicicletasroubadas.com.br/

Por fim, desconfie de bicicletas que estão sendo vendidas com preço muito fora do praticado no mercado, ela pode ter sido roubada antes de chegar na sua mão. Por isso, pesquise bastante quem é o vendedor, se tem nota fiscal e/ou garantias que comprovem a legalidade do equipamento! Não faça parte do ciclo perverso que fomenta roubos e furtos. Um dia a vítima pode ser você!

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Minhocão para carros ou pessoas? | Bike é Legal

Aline Cavalcante
Aline Cavalcante

HOME Bike é Legal

Quem me conhece sabe que tenho uma relação muito próxima com o tal do Minhocão, talvez o mesmo sentimento confuso que sinto por São Paulo: de Amor e Ódio!

Reprodução
Ilustração do
Ilustração do "Parque Minhocão". 

Coincidência ou não, ambos fazem aniversário no mesmo dia. Nesse 25 de janeiro, próximo sábado, a cidade de São Paulo completa 460 anos de vida, enquanto a adolescente-minhoca-de-concreto, apenas 43.

O Elevado Costa e Silva - com toda a pompa desse nome e sobrenome de general - é uma via elevada, expressa, de 3 km e um dos símbolos rodoviaristas mais polêmicos dessa metrópole. Foi inaugurado em janeiro de 1971 pelo então prefeito Paulo Maluf com a pretensão de desafogar o trânsito da região central. Não à toda, hoje, essa aberração da humanidade além de não ter conseguido o que queria (desafogar o trânsito) trouxe, por tabela, a degradação da área, poluição sonora, do ar e tirou o sossego, a privacidade e qualidade de vida dos moradores do entorno e de toda a cidade.

Reprodução
Elevado Costa e Silva tem 3 quilômetros de extensão.
Elevado Costa e Silva tem 3 quilômetros de extensão. 

Alguns anos mais tarde a então prefeita de São Paulo, Luiza Erundina (1989-1993), provocou o primeiro grande debate em torno do assunto ao propor a demolição do Elevado. Sem conseguir apoio político para isso, ela conseguiu, ao menos, transformar o minhocão em uma área de lazer em alguns dias da semana, quando a estrutura é "fechada" para carros e aberta às pessoas.

Hoje o Minhocão recebe pedestres e ciclistas e se transforma em um grande parque a céu aberto aos domingos, feriados e de segunda a sábado das 21:30h às 06:30h (quando infelizmente reabre ao caos).

Renata Falzoni
DIa normal no Elevado Costa e Silva.
DIa normal no Elevado Costa e Silva.

E aí está a tal relação de amor e ódio que sinto por ele: Por que, apesar de tudo, caminhar ou pedalar pelo Minhocão é uma experiência indescritívelmente linda e revoltante quando ao mesmo tempo você enxerga as paisagens mais cosmopolitas do centro de SP, e a degeneração cinza, invasiva e violenta também provocada por aquela obra. É maluco!

Por essas e por outras que o Minhocão é hoje o alvo de grandes debates sobre seu fechamento ou demolição, com direito até a criação da Associação Parque Minhocão que luta para que o Elevado se torne um parque suspenso - inspirado no Highline de Nova Iorque.

Reprodução
Ilustração do
Ilustração do "Parque Minhocão".  

Assista uma série de videorreportagens feitas por JP Amaral em sua recente visita à cidade norte-americana em que conferiu de perto os espaços públicos voltados para as pessoas.

PROTESTOS

No dia em que comemora 43 aninhos o Elevado será palco de manifestações pacíficas e populares para reivindicar que ele permaneça fechado para carros da sexta a noite até segunda de manhã, ou seja, sem abrir também aos sábados. Ampliação de horário absolutamente importante, necessária para provocar uma mudança na rotina e no olhar de quem usa aquela estrutura.

Saiba mais sobre os protestos que acontecem no sábado, dia 25, a partir das 14h em São Paulo e participe.


VÁ DE BIKE!!!

Eu estarei lá, com minha bicicleta, manifestando toda a vontade de viver em uma SP cada vez melhor e mais humana graças a luta de quem AMA essa cidade. Junte-se a nós!


*Em razão do feriado do aniversário da cidade de São Paulo, o minhocão estará naturalmente fechado para o trânsito de carros e aberto ao fluxo sorrisos da população.

 

 

 

 

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Iniciativas no RJ ajudam a promover a bicicleta como estilo de vida (PARTE3) Pedalembando | Bike é Legal

Aline Cavalcante
Aline Cavalcante
HOME Bike é Legal

E na terceira (e quase última) parte do meu relato sobre as iniciativas cariocas de promoção à bicicleta, vocês vão conhecer o Pedalembando, passeio que nasceu em maio do ano passado com a proposta de juntar "Empreendedores Criativos" de um jeito bem simples: aliando bikes tunadas, pessoas criativas e produtos originais.

Pedalembando
Os  Empreendedores Criativos
Os Empreendedores Criativos.

A ideia é pedalar-em-bando, passear pela cidade, fazer picnic, festinhas, sorrir, conversar e conhecer gente nova. Tudo isso enquanto participa de um mercado itinerante que leva às ruas produtos originais direto ao consumidor, sem intermediários nem atravessadores. Tudo em cima de bicicletas tunadas - normalmente triciclos - e LINDAS.

Pedalembando
Os Empreendedores Criativos.
Os Empreendedores Criativos. 

Esse bando de gente maluca formou um "coletivo" de empresas, pessoas e iniciativas que simplesmente cansaram dos caminhos padrões de comércio na cidade do Rio de Janeiro e resolveram, do jeito deles, o problema da falta de espaço para trabalhar.

[Assista a esse vídeo e sinta um pouco do gostinho que é participar do rolê, aproveite e conheça também o movimento "Compro de Quem Faz"]

"Tudo começou com a ideia de juntar alguns amigos que tinham em comum o universo da bike e do empreendedorismo. O 'problema' que se tornou oportunidade foi a falta de incentivos sinceros em apoiar novos negócios. Todas as feiras que se dizem "alternativas" têm um alto custo de participação, o que muitas vezes inviabiliza a presença dessas empresas" explicou Poli Salomé que faz as calcinhas da marca "Avulsa Roupas Debaixo" e é uma das idealizadoras do Pedalembando.

"Outro detalhes é que o Rio é uma cidade absolutamente perfeita para estar ao ar livre e pedalar... novos modelos de negócio que se utilizam do espaço urbano estão surgindo e pro nosso projeto esse é um ponto forte", disse Poli que participa do grupo formado por pessoas que, assim como ela, são adeptas de um estilo de vida mais livre, criativo e com disposição de experimentar novas relações de trabalho, de comércio, consumo e de vida.

Atualmente o grupo é formando por 10 iniciativas independentes que, ao invés de se desenvolverem de maneira isolada, uniram forças para sobreviver e viabilizar suas ideias.

Pedalembando
OS Empreendedores Criativos.
OS Empreendedores Criativos. 

Próximo passeio neste domingo! 

O próximo rolê do Pedalembando (e o primeiro de 2014) acontece esse domingo, dia 19, com concentração a partir das 13h nos Jardins do MAM de onde seguem em direção à Pedra do Leme.


Quer fazer parte do grupo? Entre em contato com a galera e participe! pedalembando@gmail.com

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Que tal uma pedalada super gostosa pra começar o ano com o pé direito? | Bike é Legal

Aline Cavalcante
Aline Cavalcante
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Dia 3 de janeiro, primeira sexta-feira de 2014 e último dia do meu recesso de trabalho, aproveitei a folga, a cidade vazia e fui pedalar!

Junto com mais dois amigos, Pedrinho e Rodo, pedalei até a Zona Norte de São Paulo - lugar lindo que ainda preserva uma natureza urbana belíssima bem no meio da metrópole. Digo ainda porque o processo de urbanização vai invadindo cada dia mais a Serra da Cantareira, área de proteção ambiental que deveria ser preservada pelo Governo do Estado, mas que atualmente sofre com a construção do trecho norte do Rodoanel, cujo traçado rasga em cheio a mata atlântica, um dos poucos pulmões que ainda restam nessa cidade.

Aline Cavalcante
Pedal até a Zona Norte de São Paulo
Pedal até a Zona Norte de São Paulo

Nós três subimos de speed a Estrada de Santa Inês até Mairiporã, município da Região Metropolitana de São Paulo em que a altimetria supera os 1000m. Encontramos paisagens lindas, com fauna e flora exuberantes e pedalamos no entorno da Represa Paulo de Paiva Castro, reservatório de água que abastece a cidade.

Aline Cavalcante
Pedal até a Zona Norte de São Paulo
Pedal até a Zona Norte de São Paulo

Seguimos subindo (bastaaaaante) pela Estrada das Roseiras até descer pela Serra da Cantareira. A forte inclinação, com subidas eternas e pesadas se intensificaram por conta do sol de rachar. Com a temperatura pra lá dos 35 graus, foram necessários muito protetor solar e água na nuca.

Quem acha que depois de alcançar o topo dos "Alpes Cantareira" vem o alívio da descida, se engana! Descer a Serra é tarefa dura também, justamente porque não dá pra soltar os freios e só sentir o vento no rosto, já que a descida é bem íngrime, com carros nas duas mãos e curvas perigosíssimas (vimos, inclusive, um carro capotado e outro parado na estrada com problema nos freios). Ou seja, tem que segurar e descer com cautela pra não se esborrachar também.

Aline Cavalcante
Pedal até a Zona Norte de São Paulo
Pedal até a Zona Norte de São Paulo

O rolê é forte! Indicado pra quem tem resistência física e já conhece a própria bicicleta, aliás é imprescindível que a bike esteja revisada e com bons freios. São quase 60km de amor e ódio, xingamentos e apreciação! Veja o trajeto aqui.

No final todo o esforço vale a pena, seja pela superação e autoconhecimento que cada pedal traz em si, seja por conta do desafio, das paisagens, natureza e ar puro. O que importa é pedalar!

Um ótimo início de ano para todos. Espero que vocês aproveitem cada giro e tenham sempre boas histórias pra contar!

Na Serra da Cantareira tem diversão garantida também pra galera do MTB

Com trilhas como a do Macaco, a Trilha da Volta, Saco Roxo, Saco Amarelo, Purgatório, Trilha da Vaca e Carioca. A maioria delas mantida por moradores locais e possivelmente só eles saberão dar mais informações.

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Iniciativas no RJ ajudam a promover a bicicleta como estilo de vida (PARTE 1) Ciclovias Invisíveis | Bike é Legal

Aline Cavalcante
Aline Cavalcante
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Todo mundo sabe que o Rio de Janeiro continua lindo, certo?

CERTO! Lindo e com cada dia mais ideias que promovem o uso da bicicleta como meio de transporte, estilo de vida e instrumento de retomada da cidade.

Tive o prazer de passar alguns dias na cidade maravilhosa onde participei do Pecha Kucha Night Rio, evento que rolou no Studio-X e levou apresentações relacionadas só à bicicleta. Um banho de criatividade e inspiração.

Divulgação
Aline participando do Pecha Kucha.
Aline participando do Pecha Kucha.

Depois de alguns anos sem ir ao Rio pude constatar um fato consumado e indiscutível: Tem sim mais bicicletas ocupando as "ciclovias invisíveis" do Rio de Janeiro, as contagens de ciclistas realizadas constantemente pela Transporte Ativo não me deixam mentir.

Por isso vou começar minha lista de posts sobre os cariocas (mais alguns virão por ai) falando de um projeto fotográfico maravilhoso que tive o prazer de conhecer: o Ciclovias Invisíveis da fotógrafa e ciclista, Michelle Castilho.

Projeto Ciclovias Invisíveis
Projeto Ciclovias Invisíveis.
Foto integrante do Projeto Ciclovias Invisíveis.

"O Ciclovias Invisíveis é um projeto baseado no Código de Trânsito Brasileiro que fala sobre a possibilidade da bicicleta ocupar qualquer via urbana, salvo algumas excessões. Meu trabalho não fala para não ter ciclovia, só mostra que elas existem mesmo sem estrutura visível. Qualquer rua é uma ciclovia invisível", explicou Michelle que começou a registrar os ciclistas nas ruas há cerca de 1 ano a partir do trabalho de conclusão do curso de Jornalismo. "Apesar de entregue o TCC, como ciclista e fotógrafa me recuso a dar fim ao projeto, já que é um prazer enorme realizá-lo".

Michelle não pode ver uma bicicleta. Imediatamente já saca seu celular e registra cenas muito bonitas do cotidiano de quem pedala pelas ruas da cidade maravilhosa, principalmente os entregadores em seus incríveis triciclos.

"Aqui no Rio me sinto mais segura pedalando nas ciclovias invisíveis do que nas visíveis", Michelle reforça a insegurança que existe por conta de assaltos nas ciclovias. Por isso a maior parte de quem usa a bicicleta como meio de transporte compartilha a rua e é, muitas vezes, agredido por isso. A impressão é de que as vias segregadas são usadas essencialmente para o lazer e recreação, beiram toda a orla e têm uma paisagem exuberante, porém para o ciclista urbano são as ruas e suas "ciclovias invisíveis" que nos levam a todos os lugares.

Conheça mais desse projeto inspirador:

https://www.facebook.com/cicloviasinvisiveis

www.cicloviasinvisiveis.blogspot.com

www.instagram.com/cicloviasinvisiveis

Aline Cavalcante
Chuva e muita prosa com a Michelle Castilho, do projeto Ciclovias Invisíveis.
Chuva e muita prosa com a Michelle Castilho, do projeto Ciclovias Invisíveis.

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Iniciativas no RJ ajudam a promover a bicicleta como estilo de vida (PARTE 1) Ciclovias Invisíveis | Bike é Legal

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Taxistas amigos da bicicleta, espalhe essa ideia! | Bike é Legal

Aline Cavalcante
Aline Cavalcante
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Recentemente divulguei a foto de um taxista que encontrei por acaso na rua, no momento em que estava me questionando, justamente sobre a falta deste serviço para quem pedala. O sucesso da foto foi tanto que resolvi falar um pouquinho sobre isso aqui.

Seu Torres chamou minha atenção por conta de um pequeno adesivo de "respeito ao ciclista" grudado na traseira do seu Palio. Ele tem um rack que usa para carregar, segundo ele, bicicletas e pranchas de surf. Num bate-papo informal me disse que muita gente precisa carregar essas coisas ao aeroporto, uma corrida considerável que gira em torno de 100 reais.

Ele contou ainda, que já transportou ciclistas na cidade que tiveram problemas, precisaram de um "reboque" e outros que estavam fazendo apenas uma "perna" de seu deslocamento diário entre pedalar e pegar uma caroninha. Seu Torres não usa a bicicleta no dia a dia, mas viu no ciclista uma ótima oportunidade de se diferenciar no mercado: além de um senhor muito simplático, Seu Torres não sofre de bikefobia, uma doença grave que acomete algumas lojas, empresas e setores de comércio e serviços que entram em pânico quando se aproxima uma bicicleta.

Esses lugares e pessoas não entenderam uma matemática bem simples. Quem pedala também consome, inclusive porque economiza (muita) grana de gasolina e/ou transporte público. Quem pedala também anda de táxi!!!!!

A miopia nossa de cada dia
A querida e super viajada, Renata Falzoni, disse algo interessante. Segundo ela, "taxista é igual no mundo inteiro, há conflitos em qualquer lugar, seja em SP, RJ ou Londres. O que falta é a concepção de que quanto mais bicicletas nas ruas mais usuários de táxis também. Quem enxergar isso, vai ganhar viagens onde normalmente um outro taxista desconsideraria".

Poucos taxistas consideram esse fato, eles têm a certeza de que ciclista não é cliente. "Ando muito de táxi. Toda vez que pego um táxi, converso sobre os benefícios de ter mais ciclista nas ruas e com isso mais passageiros para eles", desabafou o publicitário Ricardo Santos que enfrentou problemas com um taxista que tinha, ironicamente, o carro adesivado com a campanha do Pedala São Paulo de compartilhamento das vias.

Conhece um taxista bikefriendly?
Talvez o Seu Torres nunca saiba disso, mas ele faz parte da mudança e eu faço questão de indicá-lo sempre, a partir de agora, a todos, ciclistas ou não.

Os bons exemplos devem ser espalhados pra inspirar mais pessoas e provocar de fato uma mudança na sociedade. Vou manter esse post sempre atualizado com o contato de motoristas de táxi amigo do ciclista.

Escreva aqui nos comentários o nome + telefone + região em que atua (cidade também) que atualizaremos o post.

São Paulo | região da Vila Madalena
Torres: (11) 99897.6302 / 97046.1460

Aline Cavalcante
Seu Torres amarra as bikes no táxi.
Seu Torres amarra as bikes no táxi.
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Taxistas amigos da bicicleta, espalhe essa ideia! | Bike é Legal

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Fixolimpíadas: Veja os resultados da competição urbana de "roda fixa" que agitou SP

Aline Cavalcante
Aline Cavalcante
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Quem esteve na capital paulista no último final de semana teve a oportunidade de acompanhar de perto um dos maiores encontros entre ciclistas de roda fixa do Brasil: As Fixolimpíadas 2013.

Cerca de 60 pessoas de várias partes do país pedalaram pelas ruas de São Paulo durante três dias de muitas festas e competições que reuniram fixeiros do Rio de Janeiro, FOrtaleza, Porto Alegre, Bauru, Piracicaba, Vitória, Belo Horizonte, Guarulhos, São José dos Campos, Brasília e, claro, de sampa.

Silvia Ballan
Organizadores e participantes das FixOlimpíadas pedalando na cidade de São Paulo.
Organizadores e participantes das FixOlimpíadas pedalando na cidade de São Paulo.

Sucesso total!
Foram apenas 2 meses de organização que antecederam o evento, um grupo de 10 pessoas se mobilizou para resgatar a cultura de competições urbanas das bicicletas de roda fixa e fizeram tudo acontecer sem praticamente nenhum custo, graça ao apoio de muitas empresas parceiras que ajudaram a viabilizar os prêmios.

"Esse foi um dos melhores eventos de bike que eu já vi acontecer em SP. Parabéns a todo mundo que ajudou a organizar e a todos os participantes. É emocionante ver tantos fixeiros de lugares tão diferentes. Que a alegria e o amor desse evento continue por muitos outros estados dessa terrinha nos anos que se seguirão", Beatriz Folly, a Bibi, do grupo das FixOlimpíadas.

O que se viu foi uma grande confraternização e celebração em torno da bicicleta e de amigos, os verdadeiros motivos de união entre essas pessoas. Fiquei muito orgulhosa de ter ajudado a fazer tudo isso acontecer, ao lado de pessoas incríveis como a Laura, Danilo, Filipinho, Juneco, Juliana Trento, Albert, Rodrigo Vicentim, Renan, Guilherme e ajuda de tantos outros: Pedrinho, Talita Noguchi, Talita Rodrigues, Rodo, Jô, Dudu, Mel, Gola, Juliana Sampaio, Bruno Fernandes, Pepo, Fandas, Cristine, Carina, Pablo Gallardo e Fredão (será que esqueci alguém?).

Bom, por fim também quero agradecer em nome do grupo a presença de TODOS os participantes e dizer que foram três dias i-nes-que-cí-veis! Foi realmente uma experiência surreal ajudar a organizar um encontro tão grande em torno de esportes urbanos da bicicleta. Nada disso seria possível sem a amizade, coletividade e carinho por esse povo.

Aguardamos ansiosamente a próxima cidade que vai receber as Fixolimpíadas em 2014.

Resultados finais:

* Alleycat de esquenta
Masculino:

1- Yuri Gonzaga
2- Gustavo Meyer
3- Marcelo Pereira

Feminino:
Nataly Gonçalves/SP

* Ladeira
Masculino:

1- Genesis Cerqueira/SP
2- Vinicius Hax/POA
3- Douglas/POA

Feminino:
1- Luiza Peixe/SP
2- Beatriz Folly/RJ
3- Nataly Gonçalves/SP

* Peanuts
1- Wagner Carvalho/SP
2- Cristine Nespoli/SP
3- Luciano Paiva Pulguinha/SP

* Trackstand
1- Vinicius Hax/POA
2- Gustavo Meyer/SP
3- Tássia Furtado/POA

* Skid
1- Lex Blagus/SP
2- Bernardo Falcão/RJ

* Freestyle
1- Guilherme Pulice/SP
2- Wagner Carvalho/SP
3- Genesis Cerqueira/SP

* Skid Diferentex
1- Wagner Carvalho/SP
2- Lex Blagus/SP

* Sprint
1- Wagner Carvalho/SP
2- Ricardo Bruns/SP
3- Luiza Peixe/SP

* Anti-corrida
1- Carina Chandan/SP
2- Gustavo Meyer/SP

* Arremesso
1- Genesis Cerqueira/SP
2- Matheus Silva/BSB

* Roller Race
Masculino:

1- Cristian Flash/SP
2- Bernardo Falcão/RJ
3- Thiago Antonovas/SP

Feminino:
1- Luiza Peixe/SP
2- Cristine Barrini/SP
3- Ana Carvalho/SP

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Fixolimpíadas: Veja os resultados da competição urbana de "roda fixa" que agitou SP

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Encontro entre "fixeiros" promete agitar São Paulo nesse fim de semana! | Bike é Legal

Aline Cavalcante
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Competições, brincadeiras e muitas festas atraem ciclistas de várias cidades a capital paulista

No feriadão prolongado do dia 15, uma ótima pedida pra quem for ficar em São Paulo é participar das FixOlimpíadas 2013 - O Retorno, evento organizado pela galera das bicicletas de roda fixa (aquelas super simples que não possuem "catraca livre" e são muito utilizadas por bike messengers).

A 4º edição das olimpíadas da fixa acontece entre os dias 14 e 16 de novembro com uma série de eventos de caráter amistoso e festas para reunir os adeptos desse tipo de bicicleta pelo Brasil. Já estão confirmados ciclistas de cerca de 10 cidades brasileiras entre Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, entre outros locais onde a cultura urbana das fixas tem se destacado.

Aline Cavalcante
Bicicletas fixas permitem uma manobra conhecida como
Bicicletas fixas permitem uma manobra conhecida como

Um dos principais propósitos do evento é fomentar a cultura do ciclismo urbano além, é claro, de conhecer gente nova e ter uma boa desculpa para pedalar pela cidade. Apesar de ser um evento "de fixas", todos são bem-vindos para curtir e prestigiar :)

Confirme presença e acompanhe a programação dos passeios, festas e das competições na página do evento no Facebook.  

Organizado coletivamente e apoiado por marcas ligadas à bike, o evento terá provas clássicas desse tipo de bicicleta como peanut, track stand, subida de ladeira, skid, roller race, entre outras. Além disso, estão programadas festas, botecos e confraternizações entre os competidores. Também estão previstos passeios pela região central da cidade e o concurso de Miss e Mister Hipster. Ou seja, um monte de coisa vai acontecer neste final de semana, não dá pra ficar em casa.

Saiba mais sobre as regras de cada prova no blog Pscycle Fixed.

Para participar é só chegar no dia! É sugerida uma contribuição simbólica, mas não obrigatória, de 10 reais. Serão distribuídos prêmios, não necessariamente apenas para quem for o melhor nas provas, afinal a ideia é reforçar a atmosfera amistosa das FixOlimpíadas e celebrar a bicicleta.

Histórico
As primeiras edições das FixOlimpix (como também são conhecidas) aconteceram entre 2009 e 2010 e reuniram alguns poucos adeptos desse tipo de bicicleta nas cidades de São Paulo e Curitiba. Hoje, o cenário é outro, as fixas estão mais populares, movimentam outras pessoas, empresas e ganham um espaço cada vez maior nos grandes centros urbanos. Este crescimento da cena
fixed gear fez com que amigos se reunissem, em 2013, com o propósito de retomar as FixOlimpíadas e disseminar a cultura para mais cidades.

Informações
O quê?
4º FixOlimpíadas
Quando?
 14 a 16 de novembro
Quanto?
 10 reais (valor sugerido e não obrigatório)
Onde?
Em vários lugares. Mais informações: http://migre.me/gtNkq
Como participar?
 Inscrições no local das provas. Acompanhe a programação e é só chegar junto!
Precisa de hospedagem?
Escreva para fixolimpiadas@gmail.com

Reprodução
Programação Fixolimpíadas SP 2013.
Programação Fixolimpíadas SP 2013.
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O dia em que perdi a hora e o meu cachorro | Bike é Legal

Aline Cavalcante
Aline Cavalcante
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Andar de bicicleta é ter uma relação diferente com o tempo. Pedalar para os compromissos me faz saber exatamente a que horas irei chegar em qualquer lugar - independente de ser mais rápido ou devagar do que de carro ou ônibus, não importa - de bike as variações são mínimas e o corpo é o mesmo.

E foi na semana passada, segunda-feira, dia 29 de outubro que o tempo virou contra mim.

Atualmente moro em um bairro muito gostoso, na região do Alto de Pinheiros, perto da Praça Pôr-do-Sol, as ruas são, em geral, pouco movimentadas, arborizadas, onde é possível escutar passarinhos, ver cachorros correndo e crianças pedalando. Por isso, curtia o privilégio e a alegria que é criar um animal relativamente em liberdade, convivendo com outras pessoas e espalhando todo seu carinho ao mundo.

Eis que na manhã do dia 29 de outubro acordei atrasada para um compromisso de trabalho. Como todos os dias, antes de pegar a bicicleta para ir trabalhar, soltava meu cachorro na rua. Religiosamente ele saía, encontrava seu amiguinho Sheik (cachorro do vizinho, também vira-lata simpático e serelepe) e os dois corriam, brincavam e voltavam exaustos 10 minutos depois.

Mas dessa vez ele não voltou e o maior erro foi meu, pois, na pressa de perder o compromisso, abri o portão e esqueci de colocar a coleira de identificação nele antes de soltá-lo.

Aline Cavalcante
Pedrinho.
Pedrinho por aí.

Tempo, tempo, tempo...
Essa talvez tenha sido uma das principais mudanças de rotina que tive que me adaptar desde que vim do nordeste para São Paulo. O tempo é outro! Sinto que aqui as pessoas correm o tempo todo, quase que literalmente. Tudo é "pra ontem", tem muita coisa pra fazer, as horas passam rápido, o tempo voa. Pouco se admite o atraso, mesmo que todos atrasem e culpem o trânsito por isso. Eu, como não tenho essa desculpa (já que bicicleta não pega congestionamentos), me peguei mesmo assim atrasada, correndo contra o tempo e sem cabeça pra mais nada!

O resultado? Perdi a hora, a reunião e o Pedrinho. Ele demorou mais do que o habitual para voltar da rua, senti imediatamente um frio na barriga. Misteriosamente ele desapareceu... Continuo na busca, espalhei cartazes e fiz uma campanha nas redes sociais (por mais que nesses ambientes fique claro o julgamento moral dos delegados de sofá).

"Tempo é dinheiro!" É mesmo! E foi ele que me fez perder um dos bens mais valiosos que conquistei nos últimos tempos.

Não me arrependo em nenhum momento de ter criado o Pedrinho com confiança, respeito e liberdade. Nesse caso, assumo total o meu maior erro, não ter tido TEMPO para respirar e fazer uma coisa tão simples: cuidar do meu cachorro!

Ainda não encontrei o Pedrinho... Se alguém tiver qualquer notícia, por favor, me avise por telefone ou por email pedalinee@gmail.com

Ficarei eternamente agradecida!

Aline Cavalcante
Procura-se pelo Pedrinho.
Procura-se pelo Pedrinho.

 

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