<
>

O último lance de Wlamir Marques em busca do Hall da Fama

Ninguém tem mais títulos relevantes na história do basquete brasileiro do que Wlamir Marques.

Entre os mais importantes estão o bicampeonato mundial de basquete, dois vice-campeonatos mundiais e duas medalhas de bronze em Olimpíadas. Isso sem falar nos títulos pan-americanos, sul-americanos... e por aí vai.

Aos 81 anos, o Velho Mestre espera paz, amor e tranquilidade para levar uma vida sem dores, sem as anomalias causadas no corpo pela dedicação incessante ao basquete nacional.

Nosso encontro acontece quando Wlamir se recupera de uma cirurgia para colocar uma prótese no quadril. A promessa é dar qualidade de vida a um senhor que já encontrava dificuldades para fazer as coisas mais simples, como andar, deitar, se levantar, tomar banho, enfim, se locomover sem precisar de ajuda.

E como é bom encontrar Wlamir Marques, um amigo de longa data da ESPN Brasil e dos profissionais que aqui trabalham. Aliás, mais que um ídolo do esporte, Wlamir é idolatrado pelos funcionários da emissora. Quando encontra com os velhos ou novos amigos, ele faz questão de decorar e chamar cada um pelo nome, como se fosse um ser normal entre os mortais, coisa que está longe de ser.

“Seo” Wlamir, como é chamado pela maioria, é protagonista de histórias do esporte que dificilmente serão superadas. Era chamada de “Diabo Loiro”, pelas peripécias que fazia com a bola nas mãos em quadra, e de “Disco Voador”, por que, segundo quem o viu jogar, após driblar todo mundo, pairava no ar como se fosse uma nave espacial.

Wlamir já recebeu muitas homenagens, condecorações das mais variadas. Recentemente, vieram duas das mais importantes, quando passou a dar nome ao ginásio do Clube de Regatas Tumiaru, em São Vicente, onde nasceu e iniciou no basquete.

A verdade é que demorou muito tempo para que ele recebesse esse tipo de honraria, ou seja, dar o nome a um ginásio de esportes. Está certo que o jornalismo da ESPN fez parte de uma campanha que despertou nos dirigentes a possibilidade de reverter essa situação. Foi assim também com o ginásio poliesportivo do Corinthians, onde muita gente, inclusive a gente, achava que deveria receber o nome de Wlamir Marques. E recebeu, isso depois de enchermos a paciência dos poderosos do clube alvinegro com reportagens sugerindo que a homenagem fosse feita, de preferência, em vida. Como foi.

HALL DA FAMA, por que não?

Agora que o jogo teoricamente estaria ganho, entramos com o Mestre Wlamir em mais uma campanha. Não que ele tenha solicitado, muito pelo contrário, fomos nós que decidimos tentar dar um empurrãozinho nessa história. O objetivo: colocar o mestre no Hall da Fama da Fiba (Federação Internacional de Basquete).

Tudo começou nas redes sociais de Wlamir. Lá, o eterno camisa 5 da seleção brasileira, do Piracicaba e do Corinthians tornou-se, de uns tempos para cá, um exímio poeta. No Facebook é possível acompanhar seus textos que traduzem o sentido do amor, do tempo, do espaço e da consciência humana. São obras que, quem sabe um dia, poderão ser publicadas em um belo livro de memórias.

Mas entre tantos belos textos, um nos chamou mais a atenção. A crônica que tinha mais cara de desabafo, foi publicada em 27 de março deste ano, e não foi a primeira vez que o tema apareceu. No texto desabafo, Wlamir explica e, ao mesmo tempo, questiona razões de até hoje não ter sido agraciado, em vida, com a indicação ao Hall da Fama do basquete internacional, já que, segundo ele, muitos brasileiros como Amaury Passos, Hortência, Magic Paula e Janeth, entre outros, foram homenageados merecidamente.

Mãozinha amiga

Assim, resolvemos entrar no jogo. Por intermédio dessa nova reportagem, entrevistamos Wlamir para falar do assunto e demos uma forcinha, para ver o que a Fiba e a CBB (Confederação Brasileira de Basquete) têm para falar sobre o assunto que tem um título dado pelo próprio Wlamir: “Por que não?

Por que não deram ainda, em vida, o título do Hall da Fama ao maior jogador brasileiro de basquete de todos os tempos? Escrevemos um e-mail para as duas entidades para saber os motivos pelos quais a homenagem ainda não foi realizada. Aproveitamos, também, para enviar aos dirigentes responsáveis da Fiba imagens inéditas, garimpadas pelo repórter José Renato Ambrosio, junto a um colecionador do Rio de Janeiro. São cenas inéditas de Wlamir jogando, em alto nível, pela seleção brasileira.

Se a nossa tática vai dar certo, a gente não sabe. Certeza é que o Mestre respeitou a nossa ideia, mas, mesmo assim, não acha justo ganhar a honraria apenas por que, de uma forma ou de outra, entramos no circuito como imprensa.

Para terminar essa conversa, que promete se arrastar por outros capítulos, fica aqui a nossa gratidão por ter ao nosso lado um ídolo-amigo-profissional que tanto nos presenteia com lições de humildade e pura sabedoria. Fica também a certeza de Wlamir, que terminou a entrevista, inédita, que está lá em cima, dizendo o seguinte:

“Eu esperei muito tempo para ser agraciado com essa homenagem que ainda não veio. Agora, nada pode ser maior que você ter o nome no ginásio como o do Corinthians. Essa sim foi a coisa mais espetacular que eu recebi em vida, nada se compara. Agora, se a Fiba quiser me homenagear com o Hall da Fama, que levem até a minha casa, por que lá eu não vou buscar.”

Esse é o Wlamir Marques, um ser humano fantástico, um fenômeno do esporte que o Brasil deveria, vez ou outra, parar para escutar.