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Acordo de cavalheiros acaba com intervenção no atletismo em troca de renúncia de dirigente investigado por corrupção

A situação da Federação Paulista de Atletismo virou um imbróglio desde 2018, quando foram revelados vários indícios de desvio de dinheiro público nas prestações de contas da entidade.

Em novembro do ano passado, a equipe de reportagem dos canais ESPN acompanhou, do lado de fora da sede da Federação Paulista de Atletismo, o resultado de uma assembleia que aprovaria as contas da entidade desde 2014. Fato que não aconteceu, pois os clubes federados não aprovaram as contas, muito menos os documentos apresentados para a tal aprovação.

Naquele mesmo dia, como a reportagem de arquivo apresenta (veja acima), fomos recebidos pelo então presidente da federação, Mauro Chekin, que nos apresentou sua versão para as acusações que já haviam sido encaminhadas para a Justiça.

Com a pressão da classe dos atletas, técnicos e clubes, a CBAT entrou no dia 6 de novembro de 2018 com o pedido de intervenção, com o afastamento do presidente e de toda a sua diretoria. Entretanto, durante o período de 120 dias o presidente Mauro Chekin não abandonou o cargo e continuou trabalhando normalmente na sede da entidade, no bairro do Ibirapuera em São Paulo.

O fim da dinastia Chekin só terminou nessa última terça-feira, dia 19 de março, quando ele apresentou sua renúncia, alegando motivos de saúde.

Nos bastidores dessa negociação, a informação é que houve um acordo entre os advogados Fábio Nadal e Célio Okomura Fernandes da CBAT (Confederação Brasileira de Atletismo) e o advogado Marcel Camilo, responsável pelo departamento jurídico da FPA (Federação Paulista de Atletismo).

O acordo traz outros detalhes como a retirada gradual da atual diretoria até o mês de maio, quando, segundo o interventor Joel Lucas Vieira de Oliveira, que esteve à frente da entidade até a último dia 7 de março, quando venceu o prazo de 120 dias de intervenção.

O vice-presidente, Fernando C. Lacerda de Almeida, que também é conselheiro fiscal da Federação Paulista de Vôlei e amigo pessoal de Chekin, assume o cargo de presidente até o dia 17 de abril, quando também entregará uma carta de renúncia. Em seguida, o diretor administrativo Ariovaldo dos Reis assume a presidência até decretar novas eleições na FPA previstas para o dia 31 de maio.

Procurado pela reportagem, Joel disse que provavelmente se candidatará à presidência da entidade.

A verdade é que quem vencer as eleições terá a difícil e nebulosa tarefa de tentar aprovar as contas de uma entidade que não consegue mostrar transparência desde 2014.

Agora resta aguardar o que acontecerá com a entidade, manchada pela má administração dos últimos anos e fiscalizar de perto os passos, tanto da Justiça, quanto da CBAT, quanto as investigações que comprovaram enormes quantias de dinheiro público que deveria fomentar o atletismo paulista e que muito provavelmente foram destinadas para outras atividades.

É sentar, esperar, cobrar e ficar de olho nesse caso escandaloso.