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Ao contrário de clubes de futebol, Comitê Paralímpico, NBB e confederações não devem perder apoio da Caixa

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A Caixa Econômica Federal não vai renovar os contratos de patrocínios com os clubes de futebol a partir deste ano. A medida faz parte do pacote de austeridade do novo governo, que quer rever investimentos do tipo partindo do banco estatal.

O ESPN.com.br apurou, no entanto, que a decisão não deve se estender aos patrocínios realizados junto ao esporte olímpico e amador.

Liga Nacional de Basquete (LNB), Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) não trabalham com a hipótese e nem foram comunicados sobre perder os apoios que já têm da estatal.

O Instituto Fernando Fernandes de Canoagem, projeto do atleta paralímpico que dá nome à instituição, também deve seguir com a verba que recebe atualmente.

Somados, os patrocínios ao esporte amador demandaram R$ 47,6 milhões da Caixa em 2018. Já os contratos com os 25 clubes de futebol apoiados pela estatal custaram R$ 127,8 milhões no ano passado.

A assessoria de comunicação da Caixa afirma que os contratos em vigor serão cumpridos normalmente e que não tem informação sobre alterações ou encerramentos antes dos prazos.

NORMALIDADE

Warlindo da Silva, presidente da CBAt, disse em entrevista à ESPN que tudo segue normalmente entre as partes.

"Entendo que seja necessário um olhar mais macro à situação do país, mas não recebemos qualquer comunicação no sentido de encerramento", disse.

"Já estamos com a Caixa em nosso quinto ciclo olímpico. Uma saída significaria um problema importante para a Confederação", afirma. Segundo Silva, o aporte da Caixa, que foi de R$ 14,5 milhões em 2018, representa cerca de 60% do orçamento da entidade.

A assessoria de comunicação da LNB, da qual fazem parte o NBB e a Liga de Basquete Feminino, afirma que a Caixa não sinalizou qualquer possibilidade de alteração no acordo válido até o fim deste ano.

Válido desde 2017, o contrato paga R$ 5,5 milhões/ano ao torneio masculino, e outros R$ 2,5 milhões ao feminino.

NECESSÁRIO

Em nota oficial, o CPB disse acreditar na permanência do apoio e afirma que o banco "tem sido fundamental para o desenvolvimento do esporte paralímpico ao longo dos últimos 16 anos", conforme diz o comunicado. O Comitê recebeu R$ 20 milhões do banco no ano passado.

"O planejamento que executamos atualmente é de quatro anos e vai até os Jogos Paralímpicos de Tóquio. Sem o patrocínio, este planejamento fica inviabilizado, o que prejudicaria todo o segmento de esporte para pessoa com deficiência do país", segue o texto, que pondera:

"A Caixa sempre foi uma grande parceira e honrou integralmente os compromissos, o que nos permitiu levar o Brasil a outro patamar no cenário internacional, ao sair da 24ª colocação em Sydney-2000 para o 8º lugar no Rio-2016. Temos plena confiança que seguiremos juntos por muito tempo numa relação cuja sinergia gerou uma das maiores parcerias do esporte paraolímpico mundial", finaliza o texto.

Também em nota oficial, a CBG (R$ 5 milhões em 2018) disse confiar na permanência do acordo.

"A CBG mantém uma parceria sólida, vitoriosa e de sucesso com a Caixa, que possibilitou à modalidade, dentre tantos outros feitos, resultados expressivos, como as quatro medalhas olímpicas”, diz a nota.

Com apoio do banco, Arthur Zanetti, das argolas, conquistou o Ouro em Londres-2012 e a prata na Rio-2016. Já Diego Hypólito ganhou a Prata, e Arthur Nory, o Bronze, ambos também na Rio-2016 e no solo.

Denis Borges, que é presidente do Instituto Fernando Fernandes, que dá aulas de canoagens a crianças sem condições financeiras de praticar o esporte por conta própria, também não recebeu nenhuma comunicação sobre enceramento do apoio.

Atualmente, o instituto, que acolhe cerca de 100 crianças ao longo da semana, e outras 50 aos fins de semana, recebeu R$ 100 mil do banco em 2018. O contrato de apoio ao projeto vai até março deste ano. Nesta semana, Fernando Fernandes esteve em gravação para peças de marketing institucional do banco.