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Seleção Brasileira: Há 21 anos, confronto com a Arábia Saudita marcou o auge da dupla 'Rô-Rô'

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Em 12 de dezembro de 1997, Ronaldo e Romário, vestindo amarelo, enfrentaram a Arábia Saudita, seleção que encara o Brasil nessa sexta (12), às 15h, em Riad, a capital do país.

O jogo disputado há quase 21 anos, válido pela então Copa do Rei Fahd, hoje Copa das Confederações, foi vencido por 3 a 0 pelos brasileiros. César Sampaio abriu o placar, de cabeça. Romário, duas vezes, completou o resultado favorável ao time do técnico Zagallo.

A vitória contra os árabes foi um capítulo marcante na história daquela que talvez tenha sido a maior dupla de ataque do futebol brasileiro a jamais disputar uma Copa do Mundo.

Foram só 19 jogos, mas quem acompanhou a seleção brasileira no ciclo entre as Copas do Mundo de 1994 e 1998 não se esquece do ataque formado por um jovem Ronaldo e um Romário no auge da maturidade futebolística.

A dupla "Rô-Rô", como parte da imprensa batizou a parceria, aterrorizava adversários e encantava colegas. Mas uma lesão, às vésperas do Mundial da França, impediu que o duo disputasse o Mundial.

"Ah, foi a maior dupla com que joguei na seleção. O Bebeto era excelente, mas os dois eram de outro nível. O corte, em 1998, pesou muito, fez muita diferença para a gente", afirma César Sampaio, camisa 5 da equipe vice-campeã em Paris, em junho daquele ano.

"Foi uma geração muito boa, mas eles eram a cereja do bolo. Para que eles jogassem, o resto do time se preocupava em preencher as linhas nos setores", conta Sampaio.

BARBA E CABELO

Naquele torneio, o Brasil sobrou. Mesmo jogando em ritmo de treinamento, a equipe muitas vezes fez o que quis dos adversários.

Se em campo encantava, fora dele, o time fazia o possível para tentar se divertir no país árabe onde o islamismo é seguido de forma muito rígida.

"Não tinha nada para fazer lá. As mulheres andavam cobertas da cabeça aos pés, a gente mal podia sair na rua. Dai, já viu: um monte de cara sem nada pra fazer em um hotel, vai fazer m...", diz Sampaio.

E foi assim que surgiu a brilhante ideia, de cujo autor Sampaio não se lembra, de raspar o cabelo de todos os jogadores do grupo.

"A máquina era de Zé Roberto", lembra-se o volante. "Aquilo acabou gerando um mal-estar, nem todo mundo queria", diz ele.

O então goleiro Rogério Ceni, que, naquela época, já caminhava com firmeza rumo à calvície, não quis participar da brincadeira. Mas não teve como escapar. Leonardo também estava na lista dos que não gostaram do gracejo.

"Depois que todo mundo estava de cabelo raspado, o Romário me chamou e falou: agora, vamos ter de ser campeões. Ou vão dizer que a gente só veio aqui para brincar", contou César Sampaio, aos risos.

Além de brincar de cabeleireiros, os jogadores da seleção também jogaram baralho durante aquela competição.

"Ronaldo, Romário e Edmundo jogavam sempre", relembra-se Sampaio. "O Leonardo foi jogar uma vez e perdeu 500 dólares assim, em dez minutos. 'Mas já acabou?', ele protestou Os caras eram malandros demais, figuraças", diz o ex-jogador.

Quanto à preocupação de Romário acerca da obrigação de conquistar o título, nada a temer, já que o Brasil saiu com o troféu.

CAMPANHA

Depois do jogo contra os árabes, a seleção, pouco inspirada, empatou por 0 a 0 com a Austrália. Ao fim do jogo, Terry Venables, técnico dos "soceroos", disse que tinha encontrado uma forma de brecar Ronaldo e Romário.

Na sequência, o Brasil então bateu México por 3 a 2 (um de Romário, de pênalti). Nas semifinais, ganhou da República Tcheca - 2 a 0, um de Ronaldo e um de Romário. E, na final, voltou a encontrar a Austrália.

Se tinha mesmo encontrado a fórmula, Venables a perdeu no intervalo entre dos dois confrontos. Porque, na final contra o time da Oceania, o Brasil enfiou 6 a 0 no adversário - com três gols de Romário e três de Ronaldo.

DECEPÇÃO

Bebeto, que acabou sendo titular na Copa do Mundo, com o corte de Romário, também tinha um peso muito grande naquele grupo.

"O Ronaldo já era o Fenômeno, mas era jovem. Romário e Bebeto, muitas vezes, davam dicas a ele de finalização e posicionamento", conta Sampaio. "A gente fala dos dois, mas o três eram muito bons", diz.

O trio, no entanto, não chegou a existir em campo. Preso ao seu 4-3-1-2 à moda argentina, com um meia logo atrás da dupla de ataque, para jogar de "enganche", Zagallo jamais iniciou o jogo com os três ao mesmo tempo.

Uma pena para os torcedores brasileiros, sem qualquer dúvida. "Os adversários davam uma tremida quando enfrentavam a gente", diz Sampaio.

"Em 1998, eu me lembro de ter ouvido, se não me engano, Thuram, Desailly e Blanc conversando, falando a respeito do Ronaldo: 'Ele dribla mais para cá'. Daí, o outro corrigia, 'Nada, num jogo que fiz com ele, ele pedalou pro outro lado'. E o outro completou: 'Não dá, é impossível parar ele, tem que ir na bola. No corpo, ele te arrasta", diz Sampaio.

Jogando juntos, "Rô" e "Rô" venceram 14 partidas, empataram três e perderam apenas duas - uma delas, para a Argentina, no Maracanã, na despedida da seleção antes do Mundial da França. Um prenúncio da decepção que viria meses depois.

A última partida dos dois juntos foi em 28 de abril de 1999. Curiosamente, no Estádio Camp Nou, do Barcelona, onde ambos haviam sido ídolos. Romário foi o capitão. E Ronaldo fez um dos gols.